In the Heat of the Night – No Calor da Noite

Um filme policial com alguns ingredientes de conflito racial explosivos. In the Heat of the Night fala de uma parte dos Estados Unidos da qual já ouvimos falar um bocado. O interior do país, onde muitas relações seguem em conflito – especialmente entre brancos e negros. Mas além de ter uma forte carga de conflito racial, esta produção é uma interessante história policial com algumas surpresas e reviravoltas. Uma bela oportunidade de conhecer ou de rever um belo trabalho do ator Sidney Poitier, o primeiro ator negro a ter relevância em Hollywood em papéis que não eram óbvios.

A HISTÓRIA: Um trem percorre os trilhos e para na estação da cidade de Sparta, no Estado americano do Mississipi. Apenas um passageiro desce após o empregado da companhia colocar um degrau para ajudá-lo. Corta. Em uma lanchonete, Ralph (Anthony James) tenta acertar uma das moscas do local. O policial Sam Wood (Warren Oates) pergunta sobre a torta que ele gosta de comer, mas Ralph diz que comemoram todos os pedaços que ele tinha. Wood não gosta de ser chamado de Sam pelo atendente, paga a conta e vai embora. Do lado da caixa registradora, Ralph recolhe  a torta que ele escondeu. Wood sai para mais uma ronda tranquila, que inclui música no rádio e espiar Delores (Quentin Dean), que gosta de ficar nua em casa. A rotina de Wood é quebrada quando ele encontra o corpo de Philip Colbert (Jack Teter). A partir daí, começa a caçada do sheriff Gillespie (Rod Steiger) pelo assassino do empresário.

VOLTANDO À CRÍTICA (SPOILER – aviso aos navegantes que boa parte do texto à seguir conta momentos importantes do filme, por isso recomendo que só continue a ler quem já assistiu a In the Heat of the Night): A trilha sonora divina desta produção é o primeiro elemento que chama a atenção neste filme premiado e que nos conta uma interessante história policial. Além de ter uma narrativa envolvente, com algumas “reviravoltas” interessantes, In the Heat of the Night trata com inteligência tanto o preconceito racial nos Estados Unidos quanto as diferenças que existem dentro do país – ou melhor, que existiam na década de 1960, quando esta produção foi lançada, e que continuam valendo até hoje.

Uma das maiores qualidades do roteiro de Stirling Silliphant, que teve como base a obra de John Ball, é a interessante construção dos personagens. Os policiais da pequena cidade de Sparta são, no geral, um desastre. Primeiro, eles fazem parte de uma sociedade “habituada” a viver em preconceito racial. Apesar de existir de fato, a cidade de Sparta mostrada nesta produção é ficcional – a verdadeira cidade americana de Sparta fica em outro local. Mas o que nos interessa é a cidade de Sparta do filme.

Ela simboliza todas as cidades do interior dos Estados Unidos, especialmente as que ficam no Sul do país – como, no caso, no Estado do Mississippi, conhecido por ter sido um dos mais resistentes ao fim da escravidão e um dos que mais dificuldade têm de combater e resolver o racismo histórico. Nesta pequena cidade os negros e os brancos sabem exatamente os seus “papéis” e o “lugar” em que eles devem ir ou nos quais não devem entrar. O preconceito é um elemento presente nesta produção do início ao fim porque temos um protagonista negro.

Diferente de outros negros da cidade, que vivem na pobreza e que tem em oficinas mecânicas (na melhor das hipóteses) ou na colheita do algodão (o mais comum) as únicas alternativas de trabalho, o protagonista de In the Heat of the Night está sempre alinhado, se veste muito bem e teve boa educação. Como alguém diz em certo ponto do filme, Virgil Tibbs (o maravilhoso Sidney Poitier) “se veste como um branco”. Sim, dói ouvir ou ler algo assim, mas este é um pequeno exemplo do preconceito que esta produção desnuda e denuncia. Uma pena pensar que, 50 anos depois, este mesmo preconceito ainda perdure em tantos lugares dos Estados Unidos e em outras partes do mundo.

Mas vamos seguir falando da produção. In the Heat of the Night inova exatamente ao reverter as expectativas do público – especialmente em 1967, quando a produção foi lançada – sobre o “herói” da história. No início, incomoda Tibbs ser detido e levado para a delegacia apenas pelo fato de ser negro, de ter dinheiro na carteira e por estar na estação de trem – na cabeça de Gillespie a estação poderia ser um ponto de fuga do criminoso. (SPOILER – não ler se você não assistiu ao filme). Mas logo vem a primeira reviravolta da produção. Tibbs não é um criminoso ou um vigarista. Ele é um policial. Mas não é qualquer um. Ele ganha mais que os policiais de Sparta e ainda é um “especialista” em homicídios.

No início, o preconceito de Gillespie, de Wood e de praticamente todos os habitantes de Sparta incomoda. Depois, o roteiro de Silliphant vai “à forra” deste preconceito quando o sheriff tem que engolir uma ordem do prefeito Schubert (William Schallert) que, procurado pela esposa de Colbert (interpretada por Lee Grant), manda que ele aceite a ajuda nas investigações de Tibbs. Em mais de uma ocasião do filme, aliás, Tibbs é mandado embora da cidade, mas ele resiste e acaba embarcando na missão de descobrir quem matou Colbert.

Quando caminha nesta direção, In the Heat of the Night se revela como um filme policial competente. Tibbs segue as evidências e vai juntando provas, encontrando incongruências e captando cada detalhe que parece criar um enredo ao redor da morte de Colbert. Ainda que tenha uma narrativa linear, este filme tem diversos “sobressaltos” na narrativa central da busca de Tibbs pelo culpado do crime.

Enriquecendo o roteiro vemos a diversas trapalhadas da polícia local, que tem “pressa” em prender o criminoso e que não se importa em acusar alguém sem ter provas – depois de prenderem o alvo “mais óbvio”, o negro que estava na estação de trem (Tibbs), eles prendem o “pé-rapado” Harvey Oberst (Scott Wilson) e, depois que fica claro que ele não teve nada a ver com o crime, Gillespie resolve cair na primeira “pista” que encontra, uma mentira de Wood, e resolve “cortar na própria carne” sem ter nenhuma prova realmente importante contra o policial.

In the Heat of the Night tem uma narrativa policial envolvente e que atende a todos os pré-requisitos do gênero. Isso não o torna diferenciado. O que faz toda a diferença nesta produção é que ela utiliza uma narrativa policial para tratar de questões sociais importantes para a época. O preconceito racial está no centro da história, especialmente porque ele coloca em risco a vida do protagonista. Mas há também espaço para mostrar a brutal divisão de classes naquela pequena cidade e a falta de preparo da polícia – como eu disse antes, eles são um desastre. Naquela cidade pacata, aparentemente, eles nunca tiveram um assassinato para resolver.

Além da trilha sonora maravilhosa, primeiro elemento que chama a atenção en In the Heat of the Night, também se destacam a direção mais “solta” e fluída de Norman Jewison. Este é um elemento que se destaca, especialmente se comparamos esta produção com as anteriores citadas aqui na seção “Um Olhar Para Trás”. Jewison não segue a rigidez das câmeras fixas e nem a angulação mais óbvia esperada para cada cena. Destaque, em especial, quando ele deixa a câmera focada apenas nas pernas ou nas mãos dos personagens, uma forma bastante sutil de destacar o “detalhe” da cor da pele dos atores/personagens. Realmente esta questão era secundária, mas não para aquela sociedade atrasada de Sparta.

Com os olhares um tanto cínicos dos dias atuais, ficamos sempre esperando o “pior” acontecer. Silliphant tem a coragem de não nos entregar isso e de dar um certo “final feliz” para a história. Tibbs consegue se manter elegante durante praticamente toda a história – ele tem uma pequena “recaída” de “revanchismo”, talvez contaminado um pouco pela aura da cidade, quando se encontra com Endicott (Larry Gates), o dono da “casa grande”. No início ele tem um olhar um bocado carregado de desprezo para aqueles policiais incompetentes e preconceituosos, mas aos poucos ele vai começando a respeitar Gillespie que, sozinho naquele local, acaba também abrindo mão do preconceito inicial e protegendo Tibbs.

A cereja do bolo desta produção é justamente a amizade inusitada que acaba surgindo entre estes dois personagens. Assim, de forma bastante sutil e, ao mesmo tempo, poderosa, Silliphant e Jewison nos mostram que é sempre possível evoluir. Qualquer pessoa, não importa a cor da pele que ela tenha, o seu salário ou o contexto em que ela vive, pode vencer os próprios preconceitos e ter um olhar ao menos generoso/mais compreensivo para quem até há pouco lhe era estranho – a sequência perto do final na casa de Gillespie é, por isso mesmo, um grande momento da produção. Belo filme.

NOTA: 9,3.

OBS DE PÉ DE PÁGINA: Esta produção tem uma direção bem mais dinâmica do que era comum assistir no cinema nas décadas anteriores a este filme. Na década seguinte, nos anos 1970, esta forma de dirigir mais “solta” ficaria ainda mais comum, em uma das décadas mais frutíferas e inovadoras do cinema norte-americano. Em In the Heat of the Night o diretor Norman Jewison já mostra algumas das característica deste estilo de dirigir mais livre de planos fixos e de ângulos convencionais. Vários outros seguiriam este caminho.

Da parte técnica do filme, um dos grandes destaques desta produção vai para a trilha sonora do grande Quincy Jones. O cartão-de-visitas da produção é a música “In the Heat of the Night”, interpretada por ninguém mais, ninguém menos que o gigante Ray Charles. A trilha é bastante pontual, entra nos momentos certos e ajuda a dar um ritmo interessante para a produção. Outro ponto a destacar nesta produção é a direção de fotografia de Haskell Wexler, que utiliza lentes que valorizam o tom “naturalista” da produção. Também vale comentar o bom trabalho do editor Hal Ashby; a direção de arte acertada de Paul Groesse; a decoração de set de Robert Priestley; e os ótimos figurinos de Alan Levine.

A escolha do elenco foi muito inteligente. Os nomes de destaque são mesmo de Sidney Poitier, que dá um baile de interpretação e de elegância, sem exagerar na interpretação em nenhum momento – mesmo as manifestações de raiva dele são bem dosadas e fazem sentido pelo contexto -, e o de Rod Steiger, que surpreende em uma interpretação crescente como Gillespie. Além deles, vale citar o bom trabalho dos já citados Warren Oates, Lee Grant, Larry Gates (que aparece em apenas uma sequência), Quentin Dean (talvez a única um tanto “exagerada”), Anthony James e Scott Wilson (que, entre os coadjuvantes, é um destaque). Mas, além deles, vale citar o bom trabalho de James Patterson como Mr. Purdy, irmão de Delores; Beah Richards como Mama Caleba, a mulher que faz abortos na cidade; e Peter Whitney como Courtney, escrivão da delegacia e um “faz-tudo” do sheriff que, na verdade, não faz muita coisa.

In the Heat of the Night estreou em première na cidade de Nova York no dia 2 de agosto de 1967. No dia 23 do mesmo mês a produção estreou em Los Angeles. No Brasil o filme entrou em cartaz no dia 30 de outubro de 1967.

Esta produção foi rodada praticamente toda no Estado de Illinois, em cidades como Freeburg, Chester, Belleville e Sparta – distante cerca de sete horas do Estado do Mississippi, que fica mais ao Sul nos Estados Unidos. Também foram rodadas cenas na cidade de Dyesburg, no Tennessee (fazenda de algodão) e no Raleigh Studios, em Los Angeles.

Como os leitores mais frequentes deste blog sabem, a base para as minhas críticas na seção “Um Olhar Para Trás” é o livro “1001 Para Ver Antes de Morrer”. Como sempre faço, vou citar o texto sobre a produção que foi publicada nesta obra. A crítica Angela Errigo escreveu o seguinte sobre In the Heat of the Night: “‘Me chamam de senhor Tibbs’. O racismo ainda era tema pouco explorado na tela quando o produtor independente Walter Mirisch e o diretor Norman Jewison resolveram adaptar o livro de John Ball pensando especificamente em Sidney Poitier. O resultado ficou na vanguarda dos novos thrillers com viés social, elevando para a classe dos filmes importantes o que de outra forma poderia ser considerado apenas uma produção B”.

E vale seguir reproduzindo o texto de Errigo: “Virgil Tibbs (Poitier) é preso simplesmente por ser um homem negro com dinheiro atravessando a segregacionista cidade de Sparta, no estado do Mississipi, na noite do assassinato de um industrial. Para desgraça do preconceituoso chefe de polícia (Rod Steiger), Tibbs é detetive de homicídios da Filadélfia e a estranha e antagônica dupla é forçada a trabalhar em conjunto na investigação. A trama criminal em si e a atmosfera são marcantes (acentuadas por uma memorável trilha sonora de Quincy Jones), mas o impacto mais permanente do filme é resultado do fascinante relacionamento que se desenvolve entre os homens. Poitier recebe o primeiro lugar nos créditos ostentando um desdém altivo pelo lixo branco que o atrapalha enquanto desvenda uma trama digna de Raymond Chandler. Mas foi Steiger que ganhou o Oscar de Melhor Ator, com seu personagem de pavio curto, mascador de chicletes, imenso mas ainda assim cheio de nuances. A obra também ganhou os prêmios de melhor filme, roteiro (Stirling Silliphant), som e edição (Hal Ashby, que dirigiria alguns dos filmes maisinteressantes dos anos 70). Poitier repetiu o papel de Tibbs duas outras vezes”.

Aliás, vale comentar sobre os prêmios que o filme recebeu. Não é qualquer produção que ganha cinco Oscar’s. E In the Heat of the Night conquistou este feito. Eu gostei do filme, mas admito que achei um pouco surpreendente ele ter vencido como Melhor Filme, Melhor Ator para Rod Steiger, Melhor Roteiro Baseado em Material Desenvolvido para Outro Meio (que era como chamavam a atual categoria Melhor Roteiro Adaptado), Melhor Som e Melhor Edição no Oscar de 1968. A produção foi indicada naquele ano, ainda, nas categorias Melhor Diretor para Norman Jewison e Melhores Efeitos de Som. Primeiro, ainda que Steiger esteja muito bem, acho injusto ele ganhar como Melhor Ator. Para mim não há dúvidas que o protagonista é Poitier e que ele deveria ter levado a estatueta.

Depois, chama a atenção que In the Heat of the Night ganhou como Melhor Filme em uma disputa com ninguém mais, ninguém menos que Bonnie and Clyde, The Graduate e Guess Who’s Coming to Dinner (também estrelado por Poitier). Foi uma parada dura, sem dúvida.

No total, In the Heat of the Night ganhou 22 prêmios (incluindo os citados cinco Oscar’s) e foi indicado a outros 14. Entre os prêmios que recebeu, além das estatuetas douradas da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood, estão os Globo de Ouro de Melhor Filme – Drama, Melhor Ator – Drama para Rod Steiger e Melhor Roteiro; os prêmios de Melhor Ator Estrangeiro para Rod Steiger e o UN Award para Norman Jewison no Prêmio Bafta; e os de Melhor Filme Estrangeiro e Melhor Performance em um Filme Estrangeiro para Rod Steiger no Prêmio Sant Jordi.

Achei injusto o Oscar de Melhor Ator não ir para Sidney Poitier por causa deste filme – ainda que, devo dizer, Rod Steiger está ótimo na produção. Antes desta produção, Poitier havia sido indicado ao Oscar de Melhor Ator por The Defiant Ones – lançado em 1958. Três anos antes de In the Heat of the Night ele ganhou a estatueta dourada por seu trabalho em Lilies of the Field. A proximidade desta premiação com o lançamento de In the Heat of the Night talvez tenham contribuído para ele não ser o indicado pelo filme – e sim Steiger. Além do Oscar por Lilies of the Field, Poitier recebeu um outro Oscar, desta vez honorário, em 2002. Merecidíssimo.

Esta é uma produção 100% dos Estados Unidos, por isso este filme entra para a lista de produções que atendem a uma votação feita há algum tempo aqui no blog.

Os usuários do site IMDb deram a nota 8 para esta produção, enquanto que os críticos que tem os seus textos linkados no Rotten Tomatoes dedicaram 42 críticas positivas e apenas duas negativas para o filme, o que garante para In the Heat of the Night uma aprovação de 95% e uma nota média de 8,2. As duas avaliações são muito boas se levarmos em conta os padrões dos respectivos sites. Mas há avaliações melhores – inclusive do último filme que comentei por aqui, o excelente 12 Angry Men.

O domingo está acabando. Então vou pedir licença para vocês, mas as curiosidades sobre este filme eu vou deixar para citar amanhã, tudo bem? 😉 Abraços!

Voltei! 😉 Então vamos falar sobre as curiosidades desta produção. Interessante como o ator Sidney Poitier insistiu para que o filme fosse filmado no norte dos Estados Unidos. Isso porque ele e o também ator Harry Belafonte tiveram um incidente grave em uma visita ao Mississippi na qual os dois quase foram mortos por integrantes da Ku Klux Klan. Por isso que In the Heat of the Night foi rodado na cidade de Sparta, em Illinois. O problema é que como a equipe não encontrou um campo de algodão para ser filmado na sequência da propriedade do personagem Endicott, em Illinois, eles tiveram que rodar estas cenas no Tennessee. Durante o tempo de filmagens por lá, Poitier dormiu com uma arma debaixo do travesseiro para se proteger, se necessário. Isso porque ele recebeu ameaças de racistas locais. Inacreditável, não? Um absurdo!

O ator Rod Steiger recebeu do diretor Norman Jewison a sugestão de marcar um chiclete durante grande parte da produção. No início ele resistiu à esta ideia, mas depois acabou embarcando tanto nela que acabou consumindo 263 chicletes durante as filmagens. 😉

De acordo com o ator Sidney Poitier, o tapa de revide de Tibbs em Endicott não estava previsto no roteiro original da produção e nem na obra que inspirou o trabalho de Silliphant. Mas, segundo ainda Poitier, ele insistiu que Tibbs pudesse revidar o tapa que recebeu e que esta cena fizesse parte de todas as cópias da produção. Por outro lado, Silliphant garante que o tapa estava no roteiro original – mas admite que ele não estava no romance que deu origem ao filme.

A fala do filme “They call me Mister Tibbs!” foi eleita como a 16ª melhor fala de todos os tempos em longas segundo o American Film Institute.

A cidade de Sparta, em Illinois, foi escolhida pelos produtores para evitar problemas na cidade homônima no Mississippi, que vivia uma grande turbulência política – e de conflitos raciais – e porque, ao escolher uma cidade com o nome de Sparta em outro Estado, eles não teriam que mudar as placas das ruas.

A sequência entre Tibbs e Gillespie na casa do sheriff foi toda feita em um improviso entre os atores Sidney Poitier e Rod Steiger.

A história de In the Heat of the Night se passa em um verão quente na cidade de Sparta, no Mississippi, mas foi rodada em um outono do Estado de Illinois. Para evitar “furos” na história, muitos dos atore do elenco colocavam cubos de gelo na bola pouco antes das cenas serem rodadas. Antes da gravação começar eles jogavam fora o gelo e, com isso, evitavam da respiração deles aparecerem nas cenas noturnas – e com o clima frio.

Esta produção foi citada muitas vezes pelo ator Sidney Poitier como sendo o filme favorito dele entre os que ele participou. O ator Danny Glover também considera esta a sua produção favorita.

O American Film Institute incluiu In the Heat of the Night na lista dos melhores filmes de todos os tempos em 2007 – a produção ocupa a 75ª posição na lista.

O ator Scott Wilson impressionou tanto a Sidney Poitier por causa da sua interpretação que Poitier ligou para Richard Brooks e sugeriu que Wilson fosse convidado para estrelar o filme In Cold Blood, baseado na obra de Truman Capote. Poitier não falou nada para Wilson sobre esta indicação. Ele só descobriu este fato após In Cold Blood ser lançado.

O personagem de Virgil Tibbs foi classificado como o 19º melhor herói na lista dos “100 Heróis e Vilões” da AFI.

Em uma entrevista para o canal TCM o ator Rod Steiger elogiou a interpretação da atriz Lee Grant nesta produção dizendo que o trabalho dela foi um de seus favoritos em In the Heat of the Night. De fato, a atriz tem uma interpretação marcante nesta produção.

O salário de US$ 162,39 por semana recebido por Virgil Tibbs naquela época seria o equivalente a cerca de US$ 1,2 mil em 2007.

CONCLUSÃO: Um filme bem acabado, destes que planejam cuidadosamente cada detalhe. Da fantástica trilha sonora até a escolha do elenco e as viradas na narrativa, In the Heat of the Night se preocupa em apresentar um filme interessante para o público. E ele consegue. Esta produção é um bom filme policial que ganha pontos por colocar em cena também a questão racial como algo presente na sociedade americana – uma chaga que, aliás, até hoje eles não conseguiram resolver totalmente. Com belas atuações, especialmente dos protagonistas Sidney Poitier e Rod Steiger, In the Heat of the Night foi um filme importante em sua época – há exatos 50 anos – e continua sendo bastante atual.

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