Doubt – Dúvida


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Um filme profundo sobre a fé e a perda dela, sobre convicções e dúvidas, sobre pecado e virtude, sobre inocência e malícia. Há tempos não assistia uma história que vá tão fundo nestes temas e de forma tão bem conduzida. Ao assistir a Doubt ficou claro porque ele é considerado um dos grandes filmes de 2008 – e as razões que o levaram a ter quatro de seus atores indicados ao Oscar. Aliás, fora o elenco juvenil e as “pontas” de atrizes com idade avançada, Doubt conseguiu levar todo seu elenco para premiações conceituadas. Entre as interpretações, destaque para Meryl Streep e Philip Seymour Hoffman que comprovam, para quem ainda tinha alguma dúvida, porque são dois dos principais atores em atividade atualmente nos Estados Unidos.

A HISTÓRIA: Um ano depois do assassinato de John F. Kennedy, uma comunidade católica do Bronx, em Nova York, se une ao redor da Igreja de Sant Nicholas. A congregação vive uma época de conflito entre a visão moderna de um padre e a conduta tradicionalista da freira que dirige a escola de Sant Nicholas. Líder inspirado, o padre Brendan Flynn (Philip Seymour Hoffman) é visto com desconfiança pela freira Aloysius Beauvier (Meryl Streep), especialmente depois de um sermão dele que tinha a dúvida como tema principal. Semeando pontos de interrogações entre as freiras da congregação, ela pede para que a Irmã James (Amy Adams) fique de olho nas ações do padre e, consequentemente, dos alunos que frequentam a aula de História ministrada pela Irmã James. A partir de uma observação da jovem freira, a Irmã Aloysius empreende uma cruzada por saber a verdade sobre o padre, tentando comprovar a sua teoria de que ele estaria seduzindo um jovem garoto negro da escola.

VOLTANDO À CRÍTICA (SPOILER – aviso aos navegantes que boa parte do texto à seguir conta momentos importantes do filme, por isso recomendo que só continue a ler quem já assistiu a Doubt): O resumo logo ali encima dá uma palhinha de todos os temas que o filme aborda. E são muitos. Para começar, a questão da dúvida para pessoas como as religiosas e o padre. É fato que a dúvida é o lado oposto da fé. E eles, em teoria, vivem necessariamente na fé plena. Em Deus, no que se acredita que foi ensinado por ele e, especialmente, nos desígnios da Igreja Católica. O problema é quando um religioso acaba nutrindo muitas dúvidas… e não encontra, exatamente, respostas satisfatórias. Qual seria o seu caminho a partir daí?

Então, no filme, temos de um lado a freira Aloysius, que se mostra uma mulher dura, convicta, firme em suas crenças, fé e propósitos. Do outro lado, aparentemente, temos ao padre Flynn, um “modernista” dentro da Igreja, que não leva tão “à ferro e fogo” os dogmas católicos e acredita que a Igreja deve se renovar para ser mais receptiva. Tradição versus modernidade – pelo menos na questão de mudanças de comportamento. Mas mais que isso, Doubt vai mostrando que estas linhas que “dividem” estas duas pessoas não são tão evidentes assim. Conforme o ótimo roteiro do diretor John Patrick Shanley vai se desenvolvendo, percebemos que Aloysius e Flynn estão mais próximos do que gostariam de admitir. Seja pelas dúvidas que carregam, por suas convicções ou pela culpa que devem suportar de erros do pasado (ou do presente).

A história conta mais de um embate simultâneo. Existe a disputa óbvia, entre estas duas “correntes” de conduta dentro da Igreja – e presente em tantos outros locais. Mas existe também uma disputa “interna”, pessoal e intransferível, individual. Tanto Aloysius quanto Flynn e outros personagens do filmes estão em um momento de crise, de questionamentos e, como consequência disto, de estabeler suas convicções. Neste quesito o filme transpassa a fronteira das questões de fé e de religião. E também existe por ali o conflito entre a inocência e a experiência e/ou a malícia. Um abismo separa as irmãs James e Aloysius. Talvez apenas um abismo de experiência de vida, ou talvez uma distância que esteja muito além disso – a de espécie humana mesmo.

É possível que a irmã Aloysius seja calejada, tenha passado por tantas experiências na vida que lhe fizeram ter dificuldade em ter fé nas pessoas; e que a irmã James teve uma vivência totalmente diferente e que, por isso, tenha uma facilidade maior de vê o bem por onde olhe. Mas pode ser também que a crise de fé que passa a Irmã Aloysius seja apenas uma questão de tempo para acontecer, mesmo com pessoas “inocentes” e sem malícia como a Irmã James. Isso fica difícil de estabeler – ao menos eu ainda não cheguei a uma conclusão sobre a inevitabilidade ou não das coisas.

Fora os temas já comentados, o filme toca em um assunto sempre delicado: o abuso sexual de padres contra crianças e jovens de suas paróquias. Essa é uma chaga que a Igreja Católica carrega e que será difícil de ser resolvida sem uma mudança de conduta da própria Igreja. Anteriormente eu já comentei neste blog um documentário muito interessante sobre este tema: Deliver Us From Evil. Recomendo para quem se interessa pelo tema.

(SPOILER – não leia se você ainda não assistiu ao filme). No fundo, não fica comprovado no filme a culpabilidade do padre. Aliás, esse é um acerto de mão cheia do roteirista, diretor e autor da peça que originou esta produção. Seria péssimo se tivéssemos certeza sobre o que realmente aconteceu. Claro que tudo fica mais que subentendido – ainda que eu ache que cada pessoa pode tirar uma conclusão da história. Os infames como eu terão certeza que o padre molestava sexualmente os garotos. Pessoas que vêem bondade em tudo podem achar que ele saiu da paróquia para não criar mais problemas para o garoto Donald Miller (Joseph Foster), já devidamente perseguido por sua cor de pele e por seu “jeito” – a mãe comprovou, em uma conversa inesquecível com a Irmã Aloysius, que o filho era gay. Muitos também pode ver nas reações dos garotos atitudes comuns de garotos que se identificam ou que rechaçam a autoridade de um padre como aquele. A dúvida realmente permanece. Mas eu, francamente, fico com a Irmã Aloysius. 😉 Acredito que ela estava certa – talvez porque eu também ache que “conheça as pessoas”.

Aliás, esse tema de “conhecer as pessoas” é curioso. Ao mesmo tempo que isso é algo interessante, porque nos economiza decepções e nos economiza também o trabalho de estar sempre lendo “novos sinais” que as pessoas nos passam, essa atitude é um prato cheio para injustiças. Afinal, por mais que “conheçamos as pessoas” e que identifiquemos padrões de comportamento, cada indivíduo é realmente um universo. E talvez aí esteja também o bacana deste filme… porque ele demonstra que, apesar das nossas convicções, é imprescindível vivermos com dúvidas. E lidar com elas. No meio da certeza, é preciso haver algum espaço para as surpresas e o imprevisto.

Todos os atores em cena estão realmente excepcionais. Meryl Streep, incrível. Philip Seymour Hoffman, preciso. Amy Adams mostra, em mais esse filme, porque é um dos grandes nomes da nova geração – ainda que eu ache que ela está abaixo de outras interpretações que eu vi recentemente. Viola Davis aparece uma única vez no filme, como a Sra. Miller, em uma sequência de tirar o chapéu – tanto que lhe rendeu uma indicação ao Oscar por estes minutos em cena.

O restante do elenco também está muito bem – fazendo seu trabalho de forma exemplar, seja em pequenos ou médios papéis. Destaque para os garotos Joseph Foster, Lloyd Clay Brown (que está muito bem como Jimmy Hurley, uma testemunha ocular e silenciosa do que acontece na sacristia), Mike Roukis (o revoltado William London) e Frank Shanley (Kevin). Também merecem créditos as atrizes que fizeram as freiras da congregação: Alice Drummond (como a Irmã Veronica), Audrie J. Neenan (como Irmã Raymond) e Helen Stenborg (como Irmã Teresa).

As grandes qualidades do filme são realmente o roteiro, a direção e as interpretações de cada papel. Ainda assim, não deixa de ter destaque o “lado técnico” da produção, especialmente a cuidadosa fotografia de Roger Deakins (responsável ainda pelas fotografias de Revolutionary Road e The Reader) e a trilha sonora sempre potente de Howard Shore. Por se passar nos anos 60, o filme precisou também de uma pesquisa cuidadosa da figurinista Ann Roth e da direção de arte de Peter Rogness.

NOTA: 10.

OBS DE PÉ DE PÁGINA: Dei a nota acima para o filme porque realmente não vi nada que o desmereça. Pelo contrário. Para mim se trata de um filme redondo, bem acabado em cada detalhe. Assim como Gran Torino, mereceu a mesma cotação dos dois melhores filmes do ano – Slumdog Millionaire e The Curious Case of Benjamin Button.

Fiquei curiosa para saber quem foi a Irmã Margaret McEntee, para quem o filme é dedicado. Segundo a declaração de homenagem à religiosa feita pelo diretor no final de Doubt, ela era conhecida como Irmã James – não por acaso o papel da “alma pura” e inocente do filme, interpretada por Amy Adams. Pesquisando um pouco a respeito descobri que Margaret McEntee, hoje com 73 anos, foi a conselheira técnica do diretor de teatro, de cinema e roteirista. Mas antes, ela foi professora de Shanley na escola St. Anthony, no Bronx, onde ele estou no primeiro grau. Na época, a freira tinha 21 anos e, Shanley, seis. Ela marcou a tenra infância dele de forma tão positiva que agora, 48 anos depois, ele lhe dedica este filme. Curioso. E prova de como uma pessoa pode influenciar outra tão positivamente quando se dedica ao máximo em fazer bem o seu ofício.

Doubt vem seguindo uma carreira de prêmios. Até agora ele foi indicado a 29 deles – incluindo cinco Oscar’s – e recebeu outros sete. Dos que levou para casa, destaque para o prêmio de melhor atriz para Meryl Streep pela escolha da crítica do prêmio da Broadcast Film Critics Association; e o de melhor “interpretação penetrante” para Viola Davis no National Board of Review – quando todo o elenco também foi premiado. Mery Streep também acabou levando para casa o importante prêmio de melhor atriz conferido pelo Screen Actors Guild – prêmio mais badalado da categoria.

Segundo os produtores do filme – encabeçados pela poderosa Miramax -, Doubt teria custado US$ 25 milhões. Até o dia 18 de janeiro ele tinha conseguido se pagar apenas com a bilheteria nos Estados Unidos, faturando pouco mais de US$ 25,5 milhões. Certamente é pouco para o que se esperava dele – mas, quem sabe com o apelo das indicações ao Oscar, ele cresça um pouquinho mais.

(SPOILER – não leia se você ainda não assistiu ao filme). Muitos podem ficar indignados com o final do filme, quando a Irmã Aloysius conclui que sua “busca pela verdade” não adiantou de nada, já que o padre Flynn acabou saindo daquela paróquia para ser promovido. Pois sim. O que não é nada surpreendente, para falar a verdade, já que isso aconteceu com muitos padres envolvidos em escândalos de pedofilia – vide Deliver Us From Evil ou qualquer pesquisa sobre casos do gênero pela internet. É difícil admitir, mas muitas vezes a busca pela verdade e a punição “possível” – que está nas nossas mãos – não é suficiente. No caso da Igreja Católica, eles realmente se protegem de uma maneira inacreditável.

Ainda que não seja um tema muito explorado pelo filme, mas Doubt também trata de preconceitos. Dois, pelo menos: o de raça e o de orientação sexual. Fica evidente a repulsa da Irmã Aloysius tanto para um fator quanto para o outro. E não apenas ela. Afinal, a história também conta a conturbada experiência do primeiro garoto negro a ser aceito como estudante naquela escola – e por influência do padre Flynn, certamente. Então mesmo os “justos” deste filme são pecadores – aliás, Irmã Aloysius é deliciosamente pecadora, seja por usar de recursos como a mentira, seja por manipular e criticar as pessoas tão duramente. Os santos têm pé de barro.

Algo curioso do filme: como a Irmã Aloysius acaba incorporando alguns comportamentos que a Igreja Católica adotou por muito tempo. Como o de empreender uma verdadeira “cruzada” contra o que ela via como errado – idéias incorporadas pelo padre Flynn -, querendo expurgar o mal “pela raiz” daquela comunidade… alguém aí lembrou da Era da Inquisição? A dúvida, nestas situações, não tem lugar. Não importa se estamos vendo na frente uma injustiça ou não, mas é preciso ter convicção para julgar.

Para mim, o filme tem três grandes momentos: o início, quando se percebe o incomodada que ficou a Irmã Aloysius com o discurso sobre a dúvida do padre Flynn; o momento em que ela interroga a mãe de Donald Miller e, claro, a grande discussão entre a Irmã Aloysius e o padre Flynn. Impressionante aquele último momento… para mim (logo mais falarei disso), esses momentos fazem Meryl Streep merecer outra estatueta dourada. Impressionante aquela mulher. E Philip Seymour Hoffman também.

Para quem não sabia, John Patrick Shanley escreveu a peça que deu a origem ao filme no início dos anos 2000, estreando-a no teatro no circuito off-Broadway em 2004. A peça teve tanto êxito e recebeu um número tão grande de críticas positivas que foi levada para a Broadway, onde estrou em 2005 – e foi lá que Meryl Streep conheceu o trabalho Shanley. O texto dele ganhou os cobiçados prêmios Tony e Pulitzer – dois dos mais importantes da atualidade.

Lendo as notas da produção, foi curioso saber como surgiu a idéia do roteirista e diretor para escrever a sua peça de teatro homônima: assistindo a televisão. Ele via um programa de debate político, em que os especialistas se degladiavam com suas convicções, quando teve a idéia de tratar de uma história sobre a dúvida. “Senti que vivíamos em uma sociedade muito segura sobre um monte de coisas. Todos tinham opiniões imutáveis, mas não havia o intercâmbio de idéias. Se alguém se atrevia a dizer ‘não sei’, corria o risco de ser jogado para os leões. Na nossa sociedade havia uma máscara de certezas tão dura que ela começava a rachar. E as rachaduras eram as dúvidas”, comentou Shanley. Maravilhoso, não?

Neste mesmo material o autor disse o que queria com sua obra: “explorar a idéia de que a dúvida tem uma natureza infinita, que cresce e muda com o tempo, enquanto que a certeza é um caminho sem saída. Quando existe certeza, se termina o diálogo. E a mim me interessam os diálogos, especialmente porque eles são sinônimo de vida. Temos que aprender a viver com alguma incerteza. Esse é o silêncio que se esconde abaixo da verborragia do nosso mundo”.

Interessante também saber que o autor não têm um especial interesse pelos escândalos da Igreja Católica, mas que escolheu o tema de um padre acusado de pedofilia porque acreditava que nesta história todos tem clara a sua posição – o que torna ainda mais interessante criar a “dúvida” na cabeça dos espectadores anteriormente tão convictos. Quando se decidiu por tratar deste ambiente, ele voltou atrás em sua própria vivência – como eu disse antes, Shanley estudou em uma escola pública católica, no Bronx, em um bairro de irlandeses católicos e trabalhadores. “Eu conheci essa gente. O personagem da Irmã Aloysius está inspirada em freiras que eu conheci, e é alguém com quem eu me identifico… compartilho com ela a tristeza de ver como desapareceram tantas coisas, como o silêncio ou as canetas de ponta redonda, ou os estudantes lendo Platão“, comenta o diretor.

O personagem de Donald Miller também foi inspirado na vivência de Shanley que lembra que, na sua época de colégio, havia apenas um aluno negro entre os estudantes.

Também não havia me dado conta, mas ambientar Doubt em 1964 teve uma série de razões. Além de ser uma época de incerteza, tanto pelo assassinato de JFK um pouco antes quanto por ser uma fase de alta dos movimentos pelos direitos civis, aqueles anos sucederam o famoso Concílio Vaticano Segundo, de 1962. O documento apontava para uma série de reformas na Igreja Católica, incluindo o término da exigência das freiras usarem hábitos e a abolição de uma série de formalidades entre o trato do sacerdote e seus fiéis.

Não sabia, mas John Patrick Shanley havia ganho um Oscar como roteirista… Doubt é sua estréia como diretor, mas ele vinha já de uma sólida carreira de roteirista. Tanto que ganhou uma estatueta dourada por seu trabalho com Moonstruck (que rendeu também um inacreditável Oscar para Cher), na premiação de 1988.

Antes que me esqueça definitivamente… (SPOILER). No final, Irmã Aloysius revela o porquê dela nunca ter “topado” o padre: porque ela sente que ele é incapaz de se arrepender. Interessante e precisa! Mas e ela? Diria que ela é incapaz de admitir um erro – ainda que, como se pode ver perto do “the end”, ela já foi capaz de admitir dúvidas. Realmente parece que aquela jornada mudou um pouco a todos.

Doubt conseguiu uma boa cotação entre público e crítica. Os usuários do IMDb lhe deram a nota 8,1; enquanto que os críticos que tem textos publicados no Rotten Tomatoes lhe dedicaram 128 críticas positivas e 37 negativas.

Doubt garantiu a 15ª indicação para o Oscar deste fenômeno chamado Meryl Streep. Aos 59 anos de idade (ela completará seis décadas de vida no dia 22 de junho) ela desbancou todas as atrizes da história de Hollywood, abrindo ainda mais vantagem em relação as anteriores “campeãs em indicações” ao Oscar. Até agora, das 15 vezes em que concorreu a uma das cobiçadas estatuetas douradas, ela ganhou em duas ocasiões: por suas interpretações em Kramer vs. Kramer e em Sophie’s Choice – a primeira em1979 e a segunda em 1982. Estava na hora dela levar outra estatueta para casa. No total, ela tem no currículo 81 prêmios – menos que Clint Eastwood, injustamente esquecido neste Oscar, que têm espantosos 100 prêmios em algum lugar de sua casa.

CONCLUSÃO: Um filme potente, maravilhosamente escrito e com interpretações marcantes sobre questões importantes da nossa sociedade, como a necessidade de ter certezas ou dúvidas, de ter fé ou questionamentos, de seguir uma direção ou propagar mudanças na realidade. Baseada em uma peça de teatro premiada, a história acabou sendo adaptada pelo próprio autor do trabalho teatral, o que confere realmente um trabalho o mais próximo do original possível. Sem conclusões – o que é ótimo -, o filme nos faz reavaliar conceitos e perceber um pouco de tudo aquilo que pode ser combatido e do que precisa ser, simplesmente, aceitado.

PALPITE PARA O OSCAR: Doubt está concorrendo em cinco categorias neste Oscar. Na de melhor atriz, Meryl Streep tem um paro duro – especialmente por Kate Winslet e por Anne Hathaway. Ainda que eu tenha gostado muito de Angelina Jolie em Changeling, assim como de Melissa Leo em Frozen River (ela é o filme), admito que Meryl Streep sempre me convence. E em Doubt, mais uma vez, ela está arrasadora. Difícil dizer, com certeza, porque ainda não vi a Kate Winslet em The Reader, mas acho que realmente Meryl Streep estaria liderando minha preferência junto com Kate Winslet (que faz um trabalho exemplar em Revolutionary Road).

Philip Seymour Hoffman foi indicado para o Oscar de melhor ator coadjuvante. E merecidamente. Realmente ele faz um grande dueto com Meryl Streep em Doubt. Mas, pelo que todos dizem, ele realmente deve ser subjugado por Heath Ledger. Gosto muito do Philip Seymour Hoffman, por isso acredito que será uma questão de tempo para ele ganhar uma estatueta dourada. Como bem observou uma leitora do blog nos comentários abaixo, a Darci, o Seymour Hoffman já recebeu uma estatueta dourada. Ele foi premiado no Oscar de 2006 como Melhor Ator por seu desempenho no filme Capote. Dos atores que eu vi em cena até agora, acredito que Hoffman e Michael Shannon seriam, realmente, os melhores – lembrando que não assisti a The Dark Knight.

Doubt ainda foi duplamente indicado na categoria de melhor atriz coadjuvante: receberam menções Amy Adams e Viola Davis. As duas realmente estão ótimas no filme, mas acho que seria injustiça premiar Viola Davis… ainda que ela tenha uma interpretação arrasadora nos poucos minutos em que aparece no filme, se trata exatamente disto: de uma interpretação de alguns minutos. Comparada com ela, Amy Adams está melhor – faz um papel interessante por muito mais tempo, sem cair em um estereótipo (o que seria relativamente fácil). Ainda assim, prefiro o trabalho de Marisa Tomei. Não assisti ainda a Penélope Cruz em Vicky Cristina Barcelona… mas pelo que os críticos a elogiam, me arrisco a dizer que a estatueta deve ser decidida entre Tomei e Cruz.

Para completar a lista de indicações ao Oscar, Doubt está concorrendo como melhor roteiro adaptado. E ele tem uma disputa das boas. O trabalho de Shanley é excepcional, mas acredito que Slumdog Millionaire ou Benjamin Button devem levar vantagem na disputa. De qualquer forma, qualquer um dos filmes que disputam nessa categoria merecem ganhar. No final das contas, eu diria que Doubt tem chances de ganhar como melhor atriz (Meryl Streep) e melhor atriz coadjuvante (Amy Adams), mas que é igualmente possível que o filme saia de mãos abanando deste Oscar.

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22 thoughts on “Doubt – Dúvida

  1. meu primeiro comentário 😉

    gostei muito desse blog
    as críticas são excelentes,

    sobre o filme “dúvida”
    eu o vi ontém e achei incrível
    embora o filme não comprove que realmente teve abusos cometidos pelo padre, eu concordo com a irmã Aloysius, e eu tenho uma DÚVIDA, porque a irmã James não falou para a irmã Aloysius sobre a toalha que o padre Brendan colocou no vestiário do menino?

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  2. Alê, entre as centenas de blogs sobre cinema que existem, gosto particularmente do seu, porque aqui a gente não vê apenas a crítica de um filme, mas um estudo completo da obra. É muito didático o trabalho que vc faz em cada texto. Maravilhoso!

    No comecinho do filme eu já fiquei em dúvida também..he he..
    Como vejo o filme legendado, não sabia se prestava atenção no primeiro sermão do Padre ou acompanhava, a magistral cena onde a Aloysius aparece fazendo uma varredura durante a missa e já demonstrando o perfil de sua personagem e o que poderíamos esperar pela frente.

    Achei fantástica. Ai depois tive que voltar a “fita!” pra prestar atenção no sermão do padre. he he..
    Fora essa podemos citar outras cenas incríveis, como os “truques”, se é que podemos chamar assim, como a luz na cara do padre, diante das perguntas no primeiro interrogatório, as lâmpadas que se queimam durante os diálogos mais apimentados , entre outras.
    Adorei o figurino do filme, os detalhes de época, a atmosfera do colégio que estava mais pra clausura.

    Talvez o roteiro poderia se aprofundar um pouco mais na vida do Padre Flynn, fazendo algumas releituras de seu passado e da relação protecionista com seus superiores, etc..mas claro que isso não tira a sua qualidade .
    Definitivamente, e não só por essa obra, Streep e Seymour Hoffman provam mais uma vez que em matéria de interpretação eles não precisam provar mais nada pra ninguém. Com ou sem estatueta, eles são imbatíveis.
    E também aproveitando seu comentário…destaque para Amy Adams, que estava também impecável. Sua personagem transita muito bem entre inocência e malícia.

    Andei perquisando sobre ela, pois não conhecia, e fiquei sabendo que ela já foi indicada pelo filme “Junebug “. Pela sinopse, parece ser um filme interessantíssimo.

    Até mais Ale!

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  3. Oi Gustavo!!!

    Que bom ver gente nova por aqui… sempre fico feliz com os comentários dos visitantes antigos, assim como de novos frequentadores. Seja muito bem-vindo por aqui, viu?

    Obrigada por teu elogio. Como eu sempre digo, são com incentivos como este que eu tenho vontade sempre de continuar. Valeu mesmo!

    Acho que a grande qualidade do filme Doubt é realmente não nos deixar uma resposta no final. O fato de que ficamos em dúvida – ou melhor, que cheguemos a nossas própria conclusões sem que ninguém nos diga que estamos certos ou errados – mesmo depois do filme terminar é o que torna o filme diferente da maioria que pulula no mercado. E estou contigo: também acho que o padre era um pedófilo. Estou com a Irmã Aloysius também! 😉

    Sobre a tua dúvida… na verdade a Irmã James comenta com a Irmã Aloysius sobre a camiseta branca que o padre coloca no armário do menino. Se você puder assistir ao filme novamente, perceba que ela vai até o armário do garoto, pega a camisa e, daí sim, fica horrorizada… nesta hora a dúvida se instala no coração da jovem freira e, depois, ela conta o que viu para a sua superiora (a Irmã Aloysius). Está lá… você verá.

    Um grande abraço, Gustavo, e volte por aqui mais vezes. Inté.

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  4. Oi Mangabeira!!

    Puxa rapaz, assim você me deixa sem jeito. Não sei você, mas eu não conheço centenas de blogs de cinema… 😉
    Ainda assim, obrigada pelo elogio. E saiba que fico muito feliz em saber que meu trabalho está te agradando ao ponto deste blog ser um dos teus preferidos. Obrigada!

    Eu também vi o filme legendado… só que acabei fazendo o oposto de você. Assisti ele duas vezes… na primeira, prestei atenção nos diálogos… na segunda, nas interpretações. Daí sim, na segunda vez, pude observar toda a majestade dos senhores Meryl Streep e Philip Seymour Hoffman – tanto na sequencia inicial quanto na posterior discussão acirrada no gabinete da diretora do colégio.

    Como bens observa, aquela abertura do filme é magistral… apenas ali podemos sentir tudo o que vem pela frente – além, como bem citas, as personalidades dos personagens principais.

    Engraçado que percebemos os mesmos detalhes… estes recursos da luz foram realmente uma ótima sacada do roteirista/diretor.

    Agora, só discordo de você no ponto em que comentas que o roteiro poderia ter se aprofundado mais na vida do padre… já eu acho que não. Afinal, se o roteiro se aprofundasse, teríamos um resposta definitiva. E o filme só tem a graça que tem justamente por nos deixar em dúvida até depois que ele acaba. Querendo ou não, ele também nos deixa a seguinte mensagem: vocês podem chegar a uma conclusão, podem ter uma convicção sobre isso que vocês viram, mas esta conclusão e esta convicção dependem de fé e podem ser combatidas por outra conclusão já que suas certezas podem ser perfeitamente falsas. Não é genial?

    E realmente, os dois atores principais não precisam de nenhuma estatueta – ainda que mereçam.

    Achei já a personagem da Amy Adams essencialmente inocente. Não vi malícia nela não… hehehehehehehehe. O filme que citas, Junebug, está na minha lista para ser assistido – ele tinha sido indicado antes no blog pela Manuella. Mas se queres assistir a um filme muito bom com a Amy Adams e que é bem recente, indico Miss Pettigrew Lives for a Day… ele está comentado aqui no blog. Dá uma olhadinha… (nem vou citar Enchanted, com ela também, e que eu comentei por aqui… esse podes passar sem ver).

    Até mais, garoto! Um grande abraço!!

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  5. Maravilha Ale, vou procurar ver esses filmes com a Amy Adams. Obrigado pela dica!
    E ainda falando de sugestões, só muito recentemente consegui ver o filme “Monster” e fiquei impressionado com Charlize Theron. Não foi a toa que lhe rendeu o oscar. Acredito que vc já tenha visto, mas em todo caso fica a sugestão, porque é de arrepiar a performance da moça no filme.

    abraço

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  6. Olha eu aqui novamente xD

    Eu realmente fiquei espantado com as atuações de Doubt.Realmente muito boas.A minha torcida pro Oscar de atriz coadjuvante deve ir para Amy Adams – mesmo sem ter visto outras 3 indicadas.Particularmente,não gostei da atuação da Penelope Cruz.Sempre gostei dos trabalhos dela – especialmente com Almodóvar – mas em Vicky Cris Barcelona ela está “over”,foi um papel pesado demais para um filme que conta uma aventura amorosa de verão em Barcelona.

    Não gostei tanto das últimas palavras da Streep.O arrependimento.Achei desnecessário.
    Mas gostei MUITO da dúvida ter sido mantida.Você já assistiu o Labirinto do Fauno?O Del Toro usa esse mesmo recurso só que num âmbito muito maior.

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  7. Oi Mangabeira!!

    Então, recomendo realmente Miss Pettigrew, porque o outro… Enchanted acho muito xaropinho. 😉

    Você acertou, eu já assisti a Monster sim. Foi antes inclusive de começar este blog – até porque todos os filmes que eu vi desde então estão por aqui. Agora, é um baita filme. Charlize realmente se revelou com ele. Está perfeita.

    Um grande abraço, rapaz, e até a próxima!!

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  8. Oi Laio!!

    Então, eu estou realmente “me enrolando” para assistir a Vicky Cristina Barcelona… é que diferente de você, eu NUNCA gostei da Penélope Cruz. hehehehehehehehe. Mas se você não gostou dela neste último filme do Woody Allen, mais um motivo para eu também não gostar. 😉

    Se a Amy Adams ganhar, será algo justo. Ela merece. Até porque ela vêm crescendo trabalho após trabalho, sem contar que em 2008 ela fez pelo menos outro grande filme: Miss Pettigrew Lives for a Day, em que ela está genial.

    Sobre a Penélope estar over… ela É over. hehehehehehehe. Não vi ao filme ainda, mas acho que é até normal um “estrangeiro” como o Woody Allen colocar uma espanhola em um papel exagerado sobre um filme sobre a Espanha. Afinal, os espanhóis, em geral, são um pouco “over”… e o diretor devia estar só potencializando isso. 😉

    Agora, tens razão que as palavras de Meryl Streep no final eram desnecessárias. Bem verdade. O filme poderia ter terminado sem aquela “confissão” de dúvida. Só que sei lá, nem achei que isso comprometa o filme. Porque, mais que culpa, ela me pareceu mostrar com suas palavras fragilidade. Vejo que boa parte de suas atitudes contra o padre foram porque ela não podia ADMITIR ter dúvidas… Não acho que ela demonstre culpa, até porque antes ela revela um certo “desprezo” pelo que seus superiores fizeram (ou deixaram de fazer, mais especificamente) com o padre, promovendo-o. Motivos a mais para que ela tenha dúvida.

    Assisti ao Labirinto de Fauno sim… grande filme, não é mesmo? Você não achou o comentário sobre ele por aqui porque eu o assisti antes de começar a este blog. Mas, realmente, é um filme que eu recomendo. Aliás, existem muitos filmes falados em espanhol muito bons, mas que não ficaram tão conhecidos.

    Um grande abraço e até a próxima!

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  9. Oi Patricia!!

    Puxa, muito obrigada. Que bom saber que estás curtindo o blog.

    Quero aproveitar a deixa para te dar as boas-vindas e para te incentivar a voltar aqui muitas vezes, inclusive para comentares sobre os filmes e dar tuas opiniões sobre eles.

    Beijos, abraços e volte mais vezes!

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  10. Olá darci!!

    Antes de mais nada, seja bem-vinda por aqui.

    Realmente, me expressei mal ao dizer que o ator um dia irá receber a estatueta dourada… afinal, ele já tinha ganhado uma, em 2006, como Melhor Ator por seu desempenho em Capote. Muito bem observado. Obrigada!!

    Um abraço e volte mais vezes!

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  11. Olá!
    Acabei de assistir Dúvida em DVD, e amei! E navegando pela net pra ler comentários acerca do filme, cheguei aqui. Muito bom seu blog, voltarei sempre pra ler as críticas. Só um detalhe: a Amy não falou da blusa branca com a Meryl.Ela cita apenas que o menino foi até o padre e voltou estranho e com bafo de bebida. Depois ela pergunta ao padre o motivo dele ter guardado aquela blusa, fato que ele simplesmente desconversou e não respondeu. Abços,Flávia.

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  12. Oi Flávia!

    Seja bem-vinda!

    Que bom que você encontrou o blog e gostou dele. Espero mesmo que tenhas voltado outras vezes – já que demorei para responder este teu comentário – e que voltes outras mais.

    Estou meio perdida… eu comentei, em alguma parte, que a Amy falou para a Meryl sobre a blusa branca? Não encontrei um comentário deste tipo… mas posso ter falado e ter passado desapercebido. Mas estou contigo… ela não falou diretamente sobre a blusa não.

    Obrigada por tua visita e comentário. E até a próxima. Abraços!

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  13. Adorei o filme e pesquisando mais caí aqui na crítica e achei muito boa.

    Só acho uma pena, tanto na crítica quanto nos comentários essa coisa de “acho que a freira estava certa” “não, acho que o padre estava certo”.

    O filme é justamente uma alfinetada sobre as pessoas que pressupõem esse tipo de julgamento com base nos seus preconceitos! Acho que isso é o que faz o filme delicioso, porque nos faz colocar nossas opiniões (pré-existentes) contra nós mesmos.

    Acredito que acabar de assistir um filme desses e ainda se deixar cair nesse tipo de julgamento fácil, cliché, é porque não entendeu o X da questão de toda história.

    Pegaram um padre e fizeram muitos expectadores condenarem (como a freira fez) não porque houve um fato, mas porque ele usava unhas grandes, tinha flores na bíblia ou estava obscuro porque ele compadecia do drama do garoto… seria isso suficiente para a culpa? A verdade é um conjuntos de indícios ou apenas a coisa simples em si? (por mais que todo e qualquer indício aponte contra)…

    Todo mundo fala da brilhante interpretação no extenso e ótimo diálogo entre o padre e a freira, mas, prestaram atenção no conceito profundo do que eles debateram ali? .

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    1. Olá Herverton!

      Antes de mais nada, seja bem-vindo por aqui.
      Fiquei feliz que tenhas assistido a este filme e que chegaste até este blog, sentindo-se motivado a publicar a tua opinião por aqui.

      Entendo o teu ponto de vista. E estou contigo de que o principal ponto deste filme é, justamente, o combate das avaliações rápidas e dos julgamentos que algumas pessoas (ou todas?) fazem das outras. Estás certo sobre isso.

      Mas… e sempre existe um mas. Acho que também é válido marcarmos posição sobre as histórias, os filmes e os seus “ensinamentos”. No caso de Doubt, claro que o que menos interessa é o que é verdade e o que é mentira. Porque o filme vai além disso. Mas, ainda assim, acho importante cada espectador chegar a uma conclusão sobre o que de fato aconteceu. Porque, já disseram muitos por aí, contra os fatos não há argumentos. O conceito de verdade existe a partir do momento que um determinado fato existe ou não, de que algo aconteceu ou deixou de acontecer, e por aí vai.

      Não sei se me expliquei… Agora, claro, apesar da minha explicação, podes seguir discordando. Sem problemas. Faz parte do debate e da controvérsia.

      Obrigada, mais uma vez, pela tua visita e pelo teu comentário. E espero que voltes por aqui outras vezes, inclusive para falar de outros filmes.

      Um grande abraço e até mais!

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  14. Sabe aquele filme que vc não pode ver sozinho, precisa de alguém para trocar opinião? Este é um deles, e eu estava só. Quando busquei uma sinopse encontrei neste blog tudo que nenhum amigo conseguiria proporcionar, além de discussões, um verdadeiro suporte técnico, inteligente e profundo. Obrigado…Abraço

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  15. Por incrível que pareça só vi esse filme agora e assim que acabou fui pesquisar as opiniões pela internet. O que mais me chamou a atenção é que nos blogs que eu pesquisei todos diziam a mesma coisa, que achavam que o padre era culpado apesar da dúvida e citaram vários trechos do filme. Fiquei surpresa pq é uma visão completamente diferente da minha. O que marcou minha opinião (o padre era inocente) foi a discussão que os dois tem logo no fim onde ela diz que o viu pela janela. Ele lhe pergunta o que faz dessa cena uma certeza e ela diz que conhece esse comportamento. Logo depois ele sugere que cometeu grandes pecados (sem admitir nada) e lhe pergunta se ela já cometeu um pecado mortal e ela responde que sim. A cena termina com ela dizendo novamente que conhece o tipo dele e que sabe que ele jamais vai se arrepender e que ela vai até o inferno pra provar a certeza dela. Nessa hora ficou claro pra mim (e pela resignação do padre achei que ele também entendeu) que ela havia sido abusada e estava numa cruzada por uma justiça tardia e talvez tenha visto nele no lugar de gentileza a sedução que talvez ela tenha sofrido. E como ele pregou a bondade e tolerância com o menino o tempo todo, incluindo o fato dele ser negro e gay e que não queria prejudicar o menino quando não contava suas faltas pra ninguém, ele também decidiu poupá-la e se transferiu. A transferência dele pra mim reflete mais ele protegendo a freira do que protegendo o menino. Tanto que eu esperava que no final fosse revelado esse abuso que ela sofreu e ela receberia o consolo do padre. Não aconteceu e ele saiu justamente para poupá-la disso. O filme é realmente muito profundo. Ou eu viajei,,,, hehehe

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