Vals Im Bashir – Waltz with Bashir – Valsa com Bashir


waltzwithbashir

Existem animações de todos os tipos e para todos os públicos. Mas duas das melhores referências dos últimos anos tiveram na biografia de seus realizadores, familiares e/ou amigos a principal fonte de criatividade e, por consequência, seus maiores méritos. Primeiro, uma das minhas animações preferidas de todos os tempos: Persepolis. E agora, o prestigiado, premiado e elogiado Vals Im Bashir, do diretor israelense Ari Folman, que na opinião de muitos é o favorito na disputa de melhor filme estrangeiro deste Oscar. Com respeito às pessoas que adoraram o filme, mas eu tenho minhas reticências com ele. Prefiro ainda Persepolis, que acho uma obra melhor acabada. Vals Im Bashir é bem feito, artisticamente potente e plasticamente bonito, mas apresenta uma queda narrativa lá pelas tantas que me incomodou. Também acho que estou meio saturada de filmes sobre guerras, conflitos e genocídios – especialmente quando o que se apresenta não é, exatamente, novo.

A HISTÓRIA: Uma matilha de cães furiosos percorre as ruas da cidade sem parar, derrubando mesas e cadeiras e espantando as pessoas que estão fora de casa. Eles só param abaixo do apartamento de Boaz Rein-Buskila, amigo do diretor de cinema Ari Folman. O sonho terrorífico que se repete há 2 anos e meio leva Boaz a procurar o amigo para saber que recordações ele têm da Guerra do Líbano (a quinta da História) – da qual os dois participaram. Neste momento Ari Folman começa a se dar conta de que boa parte de sua memória simplesmente não existe mais, parece que foi borrada. Então ele começa a buscar seus antigos amigos e demais pessoas que estiveram naquela mesma guerra para que eles lhe ajudem a reconstruir a sua própria história.

VOLTANDO À CRÍTICA (SPOILER – aviso aos navegantes que boa parte do texto à seguir conta momentos importantes do filme, por isso recomendo que só continue a ler quem já assistiu a Vals Im Bashir): Uma das características mais interessantes de Vals Im Bashir é justamente o fato do filme levar para a animação a linguagem do documentário. O diretor e roteirista Ari Folman comprova que a idéia funciona – especialmente porque é visualmente muito mais interessante e onírico reproduzir “lembranças” do passado através da animação do que da reconstituição pura e simples com atores. Certamente esse processo também sai beeeeeeeem mais barato. 😉

Então o filme acerta ao recontar as histórias pessoais de “soldados comuns” que viveram a Guerra do Líbano da década de 80, quando o Exército israelense invadiu o Sul daquele país como represália aos ataques que estavam recebendo daquele território. Como em qualquer documentário, a narrativa está na primeira pessoa, o que confere, em teoria, realismo para a história. E neste ponto entra outra qualidade de Vals Im Bashir: o relativismo da verdade. Sim, porque o filme está sempre questionando o valor das memórias daquelas pessoas – inclusive com depoimentos importantes que comentam a forma com que “registros borrados” da nossa mente acabam sendo preenchidos por imagens criadas. Aqui o filme ganha pontos.

A escolha por narrar as suas próprias memórias e dos amigos em forma de desenhos foi acertada, porque assim as recordações que misturam realidade e fantasia ganham ainda mais plasticidade e a capacidade de mutação. Para mim, este foi o grande acerto do diretor. O problema é que as histórias contadas, em muitos casos, se tornam fantasiosas ou prolongadas demais. Talvez uma edição um pouco mais dinâmica teria ajudado o filme.

O maior exemplo, para mim, de história que não funcionou foi a narrativa de Ronny Dayag. Sobrevivente de um ataque contra o seu pelotão, ele conta em detalhes o que aconteceu com ele na área costeira do setor ocidental do Líbano. Me desculpem os “sensíveis”, mas essa parte do filme me deu sono. Ok, todos sabemos que a guerra é injusta e que provoca cicatrizes difíceis de curar – assim como repulsa a tudo que a pessoa viveu naqueles dias. Acho que ninguém mais precisa ouvir essa história mil vezes. Talvez funcione para crianças – aliás, tenho curiosidade para saber o que uma criança acharia de toda aquela carnificina – ou com pessoas que assistiram poucos documentários e/ou pesquisou pouco sobre histórias do gênero.

Vals Im Bashir também funciona por eternizar em imagens o processo de busca por si mesmo do diretor. Fica evidente, na tela, a dor e a angústia dele em muitos momentos – a maior parte deles compartilhado com os amigos Ori Sivan, Boaz Rein-Buskila e Carmi Cna’an. Desta forma, o filme também se torna interessante por mostrar “o processo criativo” do diretor, exibindo não apenas os depoimentos que ele vai coletando no processo, mas também a sua própria saga individual por desvelar a sua história e a dos demais.

Certo, falei das qualidades do filme, essencialmente. Agora vou comentar os pontos em que ele me incomodou. Além do que eu citei rapidamente antes, sobre histórias muito longas ou até “óbvias”, como a de Ronny Dayag, achei que o filme beira o desrespeito em muitos trechos. Certo que as memórias das pessoas misturam realidade com fantasia. Certo que nenhum soldado é “santinho” e que não imagina sacanagem em lugares impossíveis. Mas tratar alguns momentos da guerra como “acampamentos juvenis” ou mesmo ver em um barco cheio de soldados um “barco do amor” é um pouco demais para o meu gosto. Talvez fosse para ser engraçado, para “soltar o público” antes do momento “drama” do final, mas estas características não me agradaram – e também não me fizeram rir. 

Na questão artística mesmo o filme é bacana, mas não é nenhum grande achado. Ok, existem cenas belíssimas, como a do sonho repetido da praia, a da despedida dos amigos Ari e Boaz logo no princípio e a sequência da “mulher nua que leva o soldado para longe da guerra”, mas elas são um hiato dentro do que é o “grosso” do filme. Achei que grande parte da história é apenas bem desenhada, mas sem poder ser classificada como excepcional. Existem outros animadores, como o russo Aleksandr Petrov, o japonês Hayao Miyazaki e os canadenses Chris Lavis e Maciek Szcerbowski que fazem um trabalho muito mais interessante plasticamente falando.

NOTA: 8,5.

OBS DE PÉ DE PÁGINA: Fiquei realmente em dúvida sobre a nota que eu deveria dar para esse filme… estava entre 8 ou 8,5, mas optei pela cotação maior porque achei que o diretor foi corajoso em expor as suas memórias e a dos seus amigos desta forma. Além do mais, não é todos os dias que um israelense admite os seus erros, não é mesmo? (Vide a recente Guerra do Líbano e a atual invasão da Faixa de Gaza, episódios absurdos deste país defendido pelos Estados Unidos e por outras pessoas ainda pela “culpa” coletiva do genocídio de judeus na Segunda Guerra Mundial).

Não quis expor antes os detalhes do filme, mas vale citar as pessoas com quem o diretor fala durante o seu documentário-animação:

  • Ori Sivan – amigo de Ari Folman que é acordado um dia às seis e meia da manhã pelo diretor – depois que ele começa a sonhar com uma imagem da guerra desconhecida. Inicialmente Folman resiste a essas imagens, dizendo que acha incrível como a conversa com Boaz pode ter reativado desta maneira sua memória, sobre um assunto que, para ele, naquele momento, não tinha “nada a ver” com ele. Este mesmo amigo será importante durante todo o filme, especialmente porque ele ajuda a “clarificar” as idéias do diretor, falando sobre como as memórias passam a ser um tanto que “criadas” conforme o tempo passa e, depois, ao comentar sobre a simbologia do sonho da praia.
  • Carmi Cna’an – amigo do diretor que aparece com ele no sonho da praia. Ele mora na Holanda e resiste um bocado em aparecer no filme e até em buscar no passado imagens daquela guerra. Mais de uma vez ele não entende o que o diretor quer ao visitá-lo – quase que o questionando de porque buscar aquelas recordações. Ele é o homem que conta a história do “barco do amor” (seria uma referência a este filme com Elvis Presley?) e da sequência de viajar sobre o corpo nu desproporcional de uma mulher para longe do barco – que acaba sendo destruído, em uma evidente analogia ao amor que ele gostaria de estar tendo naquele momento em lugar de uma guerra com a qual ele não se identificava. Depois de fazer a primeira visita à Cna’an é que surgem as primeiras imagens claras da guerra na cabeça do diretor. Em sua viagem de táxi para Amsterdam ele acaba lembrando do primeiro dia da guerra, quando ele tinha 19 anos. Depois, em outro encontro, Cna’an acaba dando um depoimento interessante sobre o lugar em que eles interrogavam e exterminavam palestinos – um “mea culpa” importante durante o filme e que, certamente, irritou os israelenses.
  • Ronny Dayag – quando o diretor lembra do início da guerra e do momento em que ele e outros soldados “desovaram” mortos em um local ermo do Líbano, ele acaba lembrando de Ronny Dayag, que atuou durante os conflitos na área costeira. Dayag começa a contar a sua história de sobrevivência na guerra e sua posterior repulsa em ter contato com familiares dos colegas mortos. Sua história acaba sendo a mais longa e cansativa do filme.
  • Shmuel Frenkel – amigo que serviu com o diretor na guerra obcecado pela fragrância do patchouli e responsável pela tal “valsa” que dá título para a animação. Fascinado pelas artes marciais, ele é o personagem mais “figura” desta história. Sua atitude de pegar a arma de um colega de Exército chamado Erez e partir para o meio de uma zona de conflito atirando para todos os lados “como se estivesse fazendo balé” em frente a imagens do líder Bashir – recentemente assassinado – é o momento de quebra narrativa do filme. Até então, predomina a idéia onírica e de relato emocional e algumas vezes divertido do conflito. Depois da tal “valsa”, o filme parte declaradamente para a narrativa dramática e a “denúncia” do extermínio de palestinos no que ficou conhecido como “o massacre de Sabra e Shatila” (dois campos de refugiados).
  • Professora Zahava Solomon – especialista em reações pós-traumáticas (como as vividas por pessoas que participaram de guerra, conflitos e genocídios), ajuda a esclarecer as dúvidas do diretor sobre a “irrealidade” de algumas lembranças e a dificuldade dele e dos demais em recontar um episódio tão marcante em suas vidas. Como ela comenta, muitas pessoas nestas situações reagem se “deslocando” das situações de trauma.
  • Ron Ben-Yishai – correspondente de guerra televisivo que entra na história a partir do tiroteio em que acontece a tal “valsa com Bashir”. Ele entra na narrativa para dar mais “veracidade” aos fatos que antecederam o massacre dos palestinos, para falar como ocorreu aquilo e sobre o que aconteceu depois daquelas cenas. Na memória do diretor ele aparece como um Superman na hora do tiroteio. 
  • Dror Harazi – participante também da invasão israelense, ele é responsável pelo depoimento mais importante do filme no que diz respeito ao massacre que ocorreu nos campos de refugiados. Ele conta como ele e outros foram designados para uma parte alta próxima aos campos de refugiados na véspera do massacre e de que eles (os israelenses) receberam informação de que os cristãos iriam entrar nos campos e que eles deveriam dar “cobertura” para os membros das falanges que apoiavam Bashir – e que todos sabiam que iam para lá se vingarem do assassinato de seu líder.

Uma das partes mais interessantes do filme, para mim, foi quando Ori Sivan explica sobre a fabricação da nossa memória. Ele começa a citar um estudo científico em que foi feito um teste com várias pessoas através de fotografias. Bacana que o exemplo principal é sobre a imagem tirada em um circo – e aparece, pela janela, atrás do diretor, ao longe, justamente partes de um circo. 😉 Achei bacana essa “jogada”.

O mesmo Sivan explica para o diretor a simbologia do seu sonho da praia, comentando que a água normalmente encobre o que não queremos ver – no caso dele, seu papel no massacre do campo de refugiados. Ele também auxilia o amigo a enxergar que esta “chaga” vinha de muito antes, de outro massacre, com o qual ele convivia desde a infância: o do Holocausto nazista – os pais do diretor foram enviados para o campo de extermínio de Auschwitz. No final, o diretor descobre que ele se sentiu culpado aos 19 anos por ter lançado sinalizadores sobre os campos de refugiados palestinos, o que ajudou os falangistas a localizar durante a noite as pessoas que eles iriam exterminar. Desta forma, o diretor, que tinha um histórico tenebroso na família, se colocou no “lugar dos nazistas”, segundo Sivan, se sentindo culpado aos 19 anos de idade.

Faz parte do material de divulgação do filme uma interessante entrevista com Ari Folman. Ali ele comenta que o filme começou no dia em que ele descobriu que algumas partes de sua vida tinham se “apagado” de sua memória. O resultado dos quatro anos de trabalho dele para elaborar Vals Im Bashir teriam lhe provocado, em suas próprias palavras, “um violento transtorno psicológico”. “Descobri coisas muito duras do meu passado e, contudo, durante estes quatro anos, nasceram meus três filhos. Pode ser que eu tenha feito esse filme para eles. Para que, quando crescerem e verem o filme, ele os ajude a saber escolher, a não participar de guerra alguma”.

Na opinião do diretor, o processo de fazer o filme foi como uma terapia, em que se intercalavam momentos da “depressão mais absoluta, frutos das recordações que vinham” em sua memória, com a “euforia mais desbordante por fazer um filme de animação inovador”. Folman ainda comenta que sete de nove personagens que aparecem na tela são verdadeiros, e que apenas os amigos Boaz e Carmi quiseram que seus nomes reais não aparecessem no filme (mas suas histórias são verídicas).

O diretor também comenta, no material de divulgação do filme, que ele sempre imaginou esta história sendo contada como um filme de documentário-animação.

Achei curioso o processo do filme. Primeiro Vals Im Bashir foi filmado em vídeo em um estúdio e foi montado como um filme de 90 minutos. A partir deste material é que o diretor e sua equipe trabalharam em um storyboard com 2,3 mil desenhos que foram animados posteriormente. Em seguida o diretor de animação, Yoni Goodman, criou o estilo da animação que seria vista em tela usando uma mescla de de animação em Flash, animação clássica e animação 3D. Cada desenho que vemos foi criado do zero “graças ao magnífico talento do diretor artístico David Polonsky e de seus três assistentes”.

Interessante a conclusão do diretor sobre o tema principal do seu documentário-animação: “(…) a guerra é terrivelmente inútil. Não tem nada a ver com os filmes estadunidenses. Não tem nada de glamuroso e nem nada de glorioso. Não são mais que homens muito jovens que não vão a parte alguma e que disparam contra desconhecidos, lhes disparam desconhecidos, e que voltam para suas casas tentando esquecer tudo”. 

Ari Folman têm uma biografia curiosa. Depois de servir ao Exército israelense ele começou a dar uma volta ao mundo que não passou do segundo país. Foi então que ele decidiu estudar cinema. Durante sua trajetória de 1991 (quando concluiu o curso e dirigiu um documentário que acabou sendo premiado como o melhor do ano em Israel) até Vals Im Bashir, ele dedicou-se mais a documentários que a produções de ficção. Sua única experiência anterior em animação tinha sido a série documental The Material That Love is Made Of, na qual os três primeiros minutos de cada episódio eram narrados em formato de animação.

Sobre a Guerra do Líbano que o filme trata: o Exército israelense invadiu o país vizinho em junho de 1982 como represália aos bombardeios que eles recebiam da parte Sul do Líbano contra a parte Norte de seu território. Inicialmente o governo israelense pensava em ocupar uma “área de segurança” de 40 quilômetros na fronteira, impedindo assim que os mísseis palestinos chegassem a Israel. Só que depois o ministro de Defesa israelense, Ariel Sharon, decidiu tentar um plano muito mais ousado: que seu Exército ocupasse o Líbano até Beirute, o que permitiria que seu aliado cristão Bashir Gemayel se transformasse em presidente do Líbano. Outra razão dos israelenses com essa manobra era chegar mais próximos da Síria, que sempre consideraram seu principal inimigo no Oriente Médio.

Depois de uma semana, as tropas israelenses já haviam chegado na fronteira de Beirute. E ali ficaram até agosto, quando foi assinado um tratado com os palestinos que previa que todos os combatentes palestinos seriam enviados para fora do país através de barcos para a Tunísia. Em troca, Israel retiraria suas tropas do país, segundo o material de divulgação do filme. Naquela mesma semana Bashir Gemayel, comandante-chefe das milícias de cristãos falangistas no país, foi eleito presidente do Líbano. 

Mas Bashir foi assassinado enquanto dava um discurso na parte Leste de Beirute, o que desencadeou uma grande revolta entre seus seguidores. Na mesma tarde, tropas israelenses entraram na parte Oeste de Beirute, situando-se na parte de fora dos campos de refugiados palestinos. Com a ajuda dos israelenses, os falangistas entraram nos campos de refugiados para buscar combatentes palestinos – ainda que se sabia que praticamente todos já haviam sido retirados do país. Por três dias os cristãos apoiados pelos israelitas mataram refugiados em Sabra e Chatila – não existem números exatos, mas se calcula em pelo 3 mil os mortos (crianças, mulheres e homens) daqueles dias. 

Ainda conforme o material de divulgação do filme, o que aconteceu no Líbano provocou uma onda de protestos em Israel, o que desencadeou um processo de investigação sobre os fatos. Esse processo resultou na culpabilidade de Ariel Sharon, que foi obrigado a se demitir de seu cargo e foi proibido de assumir novamente o posto de ministro da Defesa – ainda que, 20 anos depois, ele acabou sendo eleito primeiro ministro (ou seja, em um cargo muito mais importante). Detalhe: o conflito mostrado no filme foi o quinto da História. Este texto conta um pouco sobre os antecedentes e origens destes conflitos.

Algo fundamental no filme é a trilha sonora, assinada por Max Richter.

Para quem quer saber o nome de todas as pessoas que se envolveram na parte artística do projeto, faço citar: Tal Gadon e Gali Edelbaum (chefes de animação); Neta Holzer, Asenath (Osi) Wald, Sefi Gayego, Orit Shimon, Zohar Shahar, Lilach Sarid e Barak Drori (animadores); Asenath (Osi) Wald (citado antes, responsável também pela animação 3D); Michael Faust, Asaf Hanuka, Tomer Hanuka e Ya’ara Buchman (grafistas).

O filme têm agradado especialmente aos críticos. No Rotten Tomatoes, site que abriga textos de vários críticos do mundo afora, estão armazenadas 73 críticas positivas e apenas quatro negativas para Vals Im Bashir – o que coloca o filme no termômetro de aprovação de 95%. Os usuários do site IMDb já foram mais comedidos: deram a nota 8,3 para a animação.

Até agora o filme de Ari Folman foi indicado a 18 prêmios e ganhou outros 18. Entre os que ganhou, estão o Globo de Ouro como melhor filme estrangeiro; a vitória na mesma categoria pela opinião da crítica do prêmio da Broadcast Film Critics Association; assim como o prêmio que ganhou, na mesma categoria, no British Independent Film Awards.

Para os interessados na parte “monetária” da arte: Vals Im Bashir teria custado US$ 1,5 milhão e faturou, apenas nos Estados Unidos, até o dia 19 de janeiro, pouco mais de US$ 551 mil. Talvez o Oscar – ou a bilheteria somada em outros mercados e países – lhe garanta um êxito maior.

Uma curiosidade: o filme é uma co-produção de Israel, da Alemanha, da França e dos Estados Unidos.

Ah, e para quem gosta de assistir a história com bastante carga biográfica com fantasia, ou seja, que misturem realidade com uma visão onírica, recomendo os diretores Federico Fellini e Akira Kurosawa (realmente mestres).

CONCLUSÃO: Um filme curioso sobre a busca pelas memórias pessoais perdidas de um diretor de cinema que foi combatente na Guerra do Líbano dos anos 80 pelo lado de Israel. No melhor estilo documentário, esta animação tem depoimentos puro e simples de amigos, colegas e testemunhas dos combates e do massacre de dois campos de refugiados palestinos. Mas a produção tem também, e sobretudo, trechos de pura narrativa fantástica sobre a memória deturpada daqueles dias. Bem desenhado, ele tem alguns problemas de narrativa, especialmente com uma grande história desinteressante lá pelas tantas. É bacana, mas não seria a minha escolha para melhor filme estrangeiro ou mesmo melhor filme de animação do ano. 

PALPITE PARA O OSCAR: Vals Im Bashir está concorrendo na categoria de melhor filme estrangeiro do ano. Para muitos ele é o favorito, mas eu discordo. Não acho, realmente, que ele merecia este prêmio. Não assisti ainda aos outros quatro concorrentes da categoria, mas posso dizer, olhando para filmes como Gomorra ou To Verdener, que Vals Im Bashir não deveria ganhar a estatueta dourada. Ok, se ele levar ela para casa, talvez o prêmio incentive outras produções do gênero. Mas francamente espero que uma produção como Entre Les Murs, que trata de questões delicadas como é o processo de aceitação dos imigrantes na Europa, saia vencedora desta vez.

Anúncios

3 comentários em “Vals Im Bashir – Waltz with Bashir – Valsa com Bashir

  1. Desculpe, nunca fui de escrever comentários. Leia qualquer comentário que você vai entender.Pois bem: vi que você não se empolgou pelo filme ( gosto não se discute, se lamenta…) Uma pena, pois simplesmente estamos de frente a um divisor de aguas da história do cinema (e nem é pelo fato de ter sido feito a mão e etc..), é um filme que coloca um israelense (o diretor), revendo sua mea-culpa. Isso é poderoso! Sou formado em história e tenho especialização em cinema. Mas não é minha biografia que conta, esqueçe ela, é minha emoção que está falando. Pena que este tipo de filme – e mesmo a discussão de que ele trata – ficará restrita a poucas, pouquíssimas pessoas. Mesmo quem goste de cinema talvez não entenda sua mensagem histórica. Ele é um filme do presente que trata de um passado cada vez mais transformado em futuro. Basta sermos sensíveis para perceber o grito de dor que este diretor colocou em cada.
    cena.

    Torço amanhã para que ganhe o Oscar. E como torço. Ainda mais tendo assistido a todos os concorrentes. (outra torcida é para o sean peann, o cara é foda…simplesmente te faz esquecer que é ele ali! algum outro ator, hoje te dá essa sensação? (nem te falo das minhas preferências…)

    Valeu, sempre leio seus comentários, é bom saber que tem gente que gosta do cinema como eu.

    Curtir

  2. Oi Jander!!

    Primeiramente, bem-vindo por aqui. Que bom que você resolveu comentar, mesmo que não seja da tua índole. Como eu disse antes, em outros comentários, acho que um dos grandes avanços da internet e dos blogs é justamente esse canal para as pessoas trocarem idéias. Gosto disso.

    Olha, não sei se gosto se lamenta… acho que gosto se respeita. Tem tanta gente que gosta de filmes que eu acho super ruins e, nem por isso, eu lamento por eles. Sei lá, pode ser uma questão de falta de informação, de falta de oportunidade de ter assistido a mais filmes… ou pode ser gosto pessoal mesmo. E se for devido a este último, imagino que as pessoas tem as suas razões para preferir outra coisa. E ainda bem. Como diria aquele filósofo chinês, “o que seria do mundo se todos gostassem do amarelo”? 😉

    Mas vamos debater sobre Vals Im Bashir. Desculpa, mas estás errado ao dizer que ele é um “divisor de águas da história do cinema”. Primeiro que, hoje em dia, acho BEM difícil um filme vestir essa carapuça. Um ou outro título pode ser inovador em algum aspecto do cinema, mas dizer que ele é um “divisor de águas”? Que o cinema era um antes dele e passou a ser outro depois? Difícil, bem difícil… diria que impossível.

    Depois, que Vals Im Bashir não é o primeiro caso de um filme dirigido por um israelense que faz um “mea culpa”, que questione o papel de seus compatriotas nos absurdos do mundo (ou, pelo menos, na luta contra palestinos). Vou te citar apenas alguns de vários diretores que fizeram isso antes de Ari Folman: Yoav Shamir, Amos Kollek, Eytan Fox (em menor medida), Avi Mograbi, Amos Gitai (de Kedma e outros), Yoram Honig, e por aí segue… Alguns destes cineastas dirigiram documentários, outros filmes ficcionais, uns mais óbvios na crítica ao seu próprio povo, outros menos óbvios. Procure seus filmes e depois comenta aqui o que você achou deles. Cada um dos diretores que eu comentei é israelense e tem filmes muito bons que questionam a conduta de seu povo.

    Além destes diretores, que tem uma obra anterior a Ari Folman, destaco um filme recentemente comentado neste blog: Etz Limon, um filme genial do diretor Eran Riklis. Gostei muito mais do filme de Riklis que o de Folman por algo muito simples: ele trata de uma história comum para fazer uma crítica poderosa daquela problemática, muito mais do que Folman que, para mim, critica mais a guerra e suas cicatrizes do que propriamente a questão israelense-palestinos. Se não é assim, já imaginou se Folman fosse palestino? A crítica seria praticamente a mesma, não acha? Dos absurdos da guerra… e essa crítica eu já conheço.

    E não acho que Vals Im Bashir e suas questões ficarão restritas a pouquíssimas pessoas… acho que o filme é bem claro sobre suas mensagens e qualquer pessoa que assistí-lo vai entender do que se trata. Para isso não acho que precisa ter esse ou aquele título, pós-graduação ou doutorado, me desculpe.

    Mas ok, entendo que você se apaixonou pelo filme. E respeito isso. Só não concordo com o “divisor de águas”. Ele realmente não pode ser classificado assim. Também torço pelo Sean Penn, ainda que eu achei que existem sim vários atores capazes, como ele, de “desaparecerem” atrás de seus personagens.

    Obrigada você por ter feito o teu comentário. E espero que o lance de discordarmos não te faça sumir… gostaria de ler outros comentários teus, inclusive sobre outros filmes.

    Um grande abraço e seja bem-vindo por aqui!

    Curtir

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s