Mein Führer: Die Wirklich Wahrste Wahrheit Über Adolf Hitler


 

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Eu gosto de filmes de comédia, ainda que eles não sejam o meu forte. Por indicação, cheguei até Mein Führer: Die Wirklich Wahrste Warheit über Adolf Hitler. A produção é uma paródia do 3º Reich e, principalmente, da figura de Adolf Hitler. Até um certo ponto, me pareceu interessante – especialmente no que se refere ao cuidado da produção, com o envolvimento de centenas de figurantes e com uma reconstrução de época importante para a história bastante esmeirada. Mas a qualidades terminam por aí… o protagonista (que não é Hitler, mas Adolf Grünbaum) faz um trabalho muito bom, respeitável, mas os demais atores e, principalmente, o roteiro, são por demais maniqueístas e sofrem de um humor escrachado que roça o lado infantil do espectador. Achei bastante fraquinho, para resumir.

A HISTÓRIA: Dr. Joseph Goebbels (Sylvester Groth) está preocupado com o seu Führer. Em dezembro de 1944, ele tira da cartola um plano ousado que envolve a aproximação de um judeu, o professor Adolf Israel Grünbaum (Ulrich Mühe), com Adolf Hitler (Helge Schneider). A idéia é que Grünbaum retome a energia dos discursos do Führer de 1939 para, novamente, incendiar os alemães – fragilizados com uma guerra que começa a cobrar um preço grande das cidades daquele país.

VOLTANDO À CRÍTICA (SPOILER – aviso aos navegantes que boa parte do texto à seguir conta momentos importantes do filme, por isso recomendo que só continue a ler quem já assistiu a Mein Führer): O filme começa bem. A abertura que mostra Hitler desfilando no dia 1º de janeiro de 1945 até o momento de seu discurso e a apresentação de Adolf Grünbaum – a primeira parte, resgate de filmes originais, a segunda, encenação – foi bastante acertada. Mas a partir daí o filme cai de qualidade. A retirada do judeu que vira alvo de um plano mirabolante de Goebbels se mostra razoável, especialmente na piada sobre a exigência dos famosos formulários para justificar cada uma das ações mais significativas envolvendo o prisioneiro.

O problema começa quando Grünbaum encontra Hitler e os dois começam a se relacionar. Ainda que o ator que interprete o chefe supremo do nazismo seja muito bom, sua caracterização exagerada não esconde a intenção do diretor e roteirista, Dani Levy, em querer ridicularizar aquela figura histórica. Talvez para alguns o recurso funcione, mas para mim, pareceu apenas ridículo. A parte cômica da ridicularização não me atingiu, apenas a outra parte… 😉

Toda a côrte que circula ao redor de Hitler e que acompanha aqueles cinco dias de trabalho do ator tomou, na minha opinião, muito tempo do filme para quase nada. Certo que o diretor/roteirista queria mostrar que Hitler não era o único que mandava por ali e etcétera e tal, mas tanto “controle” nos bastidores acabou não levando a lugar algum, praticamente. Eu cortaria praticamente metade das cenas em que aparecem aqueles militares e ministros de primeira grandeza do regime nazista. E o maniqueísmo chega até a família de Grünbaum, que se mostra bastante valente nos discursos e pouco efetiva na prática – o que segue uma idéia pré-concebida de que os judeus são pouco combativos. 

Enfim… um filme que pretende ser uma grande comédia de erros sobre o sistema nazista, especialmente no que se refere a época de seu crepúsculo, mas que acaba se resumindo a uma série de idéias bastante exploradas sobre os “problemas” familiares e sexuais de Hitler e demais conceitos que tornam os personagens simplórios e pouco complexos. E essa série de idéias acaba sendo repetida pelo roteiro até que elas virem praticamente verdades. Dani Levy explora bastante os “complexos” de Hitler, como a violência da qual ele teria sido vítima quando era criança, provocada por um pai que sempre lhe agrediria – e por uma mãe conivente.

O ditador é mostrado ainda como um homem que tem um certo complexo de perseguição, achando que a qualquer momento ele pode ser vítima de um golpe. A parte de “frustração” amorosa é pouco mostrada, mas quando Hitler aparece com Eva Braun (Katja Riemann) na única sequencia do filme em que os dois aparecem juntos, ele se mostra incapaz de ter uma ereção. Certo. Até chega o “humor” do roteirista. Mas se descontamos essa necessidade gritante de Levy em ridicularizar a Hitler – não entendi, até agora, muito o porquê – o que, convenhamos, é o principal do filme, sobra pouca coisa. Mas o que sobra é a parte da “técnica dramática” de Grünbaum, que desenvolve conceitos interessantes para o “ator” trabalhar com seus sentimentos primários na hora de “encarnar um personagem”. Esta parte do filme vale a pena, assim como a “reconstituição” de uma Berlim destroçada no final da guerra. Mas isso é tudo. O restante é apenas um lixo travestido de comédia.

NOTA: 6.

OBS DE PÉ DE PÁGINA: O grande nome do filme, não há dúvida, é o ator Ulrich Mühe, que ficou conhecido por seu papel no ótimo Das Leben der Anderen. Depois de Mein Führer, o ator contracenou em apenas mais dois filmes e em uma série de TV antes de falecer, no dia 22 de julho de 2007. Grande ator, ele me pareceu o único a não cair em uma interpretação maniqueísta ou simplória neste filme. Para infelicidade dos amantes do cinema, Ulrich Mühe foi vítima de um câncer de estômago que o matou jovem, aos 54 anos de idade.

Além dos atores já citados, vale comentar as atuações de Adriana Altaras como Elsa Grünbaum; Stefan Kurt como Albert Speer; Ulrich Noethen como Heinrich Himmler; Lambert Hamel como Obergruppenführer Rattenhuber; Udo Kroschwald como Martin Bormann; e Ilja Richter como Kurt Gerheim.

Os usuários do site IMDb deram uma nota baixa para o filme: 5,5. Talvez eu empatasse com eles na avaliação. 😉 No Rotten Tomatoes existe apenas uma crítica para o filme, e ela é negativa.

A única “sacada” inteligente do filme ocorre quando o amigo de Adolf Grünbaum comenta que eles deveriam encenar a peça Othelo, de William Shakeaspeare, quando eles se encontrassem após a (falsa) libertação dos prisioneiros do campo de concentração onde estavam há poucos dias. A mensagem é clara, porque Othelo trata, basicamente, da fraqueza humana e da ira – a mensagem foi o suficiente para Grünbaum saber que estava sendo enganado.

Em sua trajetória, Mein Führer foi indicado a três prêmios, saindo vencedor de um deles: o de melhor ator para Ulrich Noethen no prêmio da German Film Critics Association

CONCLUSÃO: Uma comédia que mistura o escracho com o drama sobre um plano mirabolante que teria aproximado um famoso ator judeu de Adolf Hitler. Pela reconstrução de época, o filme se mostra bastante competente. Mas o problema está no roteiro e na direção um tanto preguiçosos, que se resumem a tirar sarro de Hitler e de alguns de seus homens de primeira grandeza no comando. Talvez ele pareça engraçado com suas piadas pueris para muita gente, mas para mim, elas não fizeram nem cócegas. Pareceram, apenas, insultantes a uma figura histórica já bastante combatida. Nada mais. Ainda assim, talvez valha ser visto por se tratar de uma das últimas interpretações do grande ator Ulrich Mühe.

SUGESTÕES DE LEITORES: Dentro da série de filmes da Alemanha que estou vendo, motivada pelo resultado da primeira enquete deste blog, assisti a este por indicação do Leandro Soares, que recomendou uma série de filmes bem bacanas. Bem, Leandro, este primeiro eu não gostei muito, mas tenho certeza que tem outros que você indicou e que vou assistindo aos poucos dos quais vou gostar mais. Ainda assim, obrigada pela indicação – ele não estava na minha lista de filmes para ver até então -, especialmente porque pude ver, mais uma vez, Ulrich Mühe em cena.

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2 comentários em “Mein Führer: Die Wirklich Wahrste Wahrheit Über Adolf Hitler

  1. Poxa, Alessandra, que azar! Você escolheu justamente o único filme da lista que eu realmente não gostei! hehe… Não gostei, mas acho que é um filme que vale apena ser visto. Um exemplo ótimo de como uma idéia interessante e original pode se perder por conta de escolhas infelizes em sua condução. Todo o filme é um grande exagero (a começar pela maquiagem maciça utilizada por Helge Schneider). Enfim, o que mais vale a pena nesta película é sem dúvida a atuação de Ulrich Mühe…

    Um abraço,

    Leandro Soares

    PS. Tenho certeza que os filmes Gegen die Wand (2004), Der Himmel über Berlin (1987) e M (1931) apagarão por completo alguma eventual má impressão sobre meu gosto cinematográfico… 😉

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  2. Oi Leandro!!

    Pois é, você viu? Escolhi o filme mais fraquinha da tua lista… azar mesmo. hehehehehehe. Não, agora falando sério, foi bacana ver ao ator Ulrich Mühe novamente em cena. Ele era um grande intérprete. Além disso, ver filminhos “bobinhos” vez ou outra também está valendo, não é mesmo? Sou da opinião que as pessoas tem que assistir de tudo.

    E tens razão quando comentas que o filme todo é exagerado… exatamente isso. Ele se veste de comédia escatológica e manda ver… o problema é que ele apela para piadas um tanto sem graça, para o meu gosto. E isso é fatal para um filme como este.

    Dos filmes que citaste neste comentário, não vi apenas a Gegen die Wand, do ótimo Fatih Akin – fiz um texto recentemente de outro filme dele, Auf der Anderen Seite. Os outros dois, o clássico dos clássicos dos filmes de vampiros, M, e o clássico (ou, pelo menos, um deles) de Wim Wenders, eu já assisti. Há tempos atrás… mas prometo logo ver outros filmes que citaste e algumas produções que ainda tenho na “manga” para ver… E não te preocupa, confio no teu bom gosto. 😉

    Um abração e obrigada por tua visita.

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