Klass – The Class


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Chacinas de jovens estudantes provocadas por colegas de escola foram tema de milhares de reportagens mundo afora e de alguns filmes. Os mais conhecidos talvez sejam Bowling for Columbine e Elephant, dirigidos por Michael Moore e Gus Van Sant, respectivamente. Klass vem se juntar a eles ao reconstruir o drama pessoal de dois garotos que passam por diversos maltratos, físicos e psicológicos, protagonizados por colegas de classe. Com uma direção e uma edição muito boas, Klass reune uma série de histórias reais para criar uma chacina que poderia ter acontecido em diversas escolas de qualquer país. Tecnicamente, o filme é perfeito, especialmente planejado para cair no gosto de seu público-alvo – jovem, essencialmente. O problema é que Klass pode render um tipo de justificativa para os fatos que me parece perigosa. Por isso mesmo, é preciso entender o que o diretor quis dizer com esta produção e, assim, deixar-se levar apenas em parte pelos sentimentos que esta história provoca – o restante tem que ser analizado de forma crítica.

A HISTÓRIA: Joosep (Pärt Uusberg) é o típico adolescente que virou piada da turma. Inteligente, tímido, sensível e considerado “estranho” pelos demais, Joosep é visto como o saco de pancadas perfeito pelo valentão Anders (Lauri Pedaja). Liderados por eles, os garotos – e a maioria das meninas – da turma de Joosep fazem com que ele seja vítima, diariamente, de sessões de tortura física e psicológica. A situação piora quando Kaspar (Vallo Kirs), um dos garotos que sempre marcou posição contra Joosep, muda sua conduta e passa a apoiar o garoto. Sentindo sua liderança ameaçada, Anders lidera os demais para intensificar as humilhações contra Joosep e, agora, também focando suas ações contra Kaspar.

VOLTANDO À CRÍTICA (SPOILER – aviso aos navegantes que boa parte do texto à seguir conta momentos importantes do filme, por isso recomendo que só continue a ler quem já assistiu a Klass): A primeira característica positiva deste filme fica evidente logo em seus primeiros minutos. Klass prima, do início até o final, por uma edição criativa e veloz. Mérito do editor Tambet Tasuja. Mas para que o editor conseguisse um bom material para trabalhar, antes foi necessário o trabalho primoroso do diretor e roteirista Ilmar Raag, atualmente o principal nome do cinema produzido na Estônia. Inspirado por Lars von Trier e influenciado por diretores tão diferentes quanto Ingmar Bergman e Ridley Scott, Raag escreveu um roteiro que buscasse trazer realismo para as histórias sobre crimes que envolvessem escolares. A intenção do realizador foi evitar o “politicamente correto” e revelar, assim, as motivações reais de jovens que resolvem responder à violência com ações ainda piores.

Acredito que Klass caia como uma luva no gosto do público jovem. Primeiro, pelo que eu já comentei: a edição competente, criativa e veloz. Depois, pela trilha sonora que mistura percussão, música eletrônica e que imprime um tom ainda mais acelerado ao filme. Mérito do trio formado por Martin Kallasvee, Paul Oja e Timo Steiner que, com essa trilha sonora, acabam sendo fundamentais na função de intensificar a marcação do ritmo da produção articulado pelo roteiro e pela edição. Mas sem dúvida o trabalho dos atores e as linhas da história escrita por Raag devem conquistar o público. Realistas, eles convencem e nos conduzem emocionalmente até o desfecho previsível – mas, ainda assim, impactante.

Dividido em sete partes, carregadas por conceitos e que revelam os sete dias decisivos para a história dos personagens, Klass mostra até que ponto pode chegar a crueldade e a covardia de adolescentes que se sentem intocáveis. É a velha história de “o que você faria se não se sentisse protegido por um grupo”? Sabemos, seja pelos absurdos cometidos por alguns grupos de torcedores de futebol, seja por atos covardes praticados por skinheads, neonazistas e companhia, que muitas pessoas ganham coragem para praticar ações ultrajantes quando sentem-se protegidas por um coletivo. Lamentável. Pois Klass trata deste tema, mas de vários outros.

Trata, por exemplo, da falta de comunicação efetiva entre o “mundo” de diretores, professores e pais e o “mundo” de jovens e adolescentes. Na história criada por Ilmar Raag, a preocupação da escola e dos familiares dos jovens protagonistas nunca chega a lugar algum. Parece inócua, vazia. No caso da escola em que estudam Kaspar e Joosep, chega a ser absurda a conduta de sua diretora (Kaie Mihkelson). Ela simplesmente aceita a versão do melhor aluno da turma, Paul (Mikk Mägi), que acusa Kaspar de perseguir Joosep. No lugar de investigar a fundo o que estava acontecendo naquela classe e, assim, possivelmente evitar o pior, a diretora acaba ameaçando o único garoto que tentava impedir que os absurdos contra Joosep continuassem. Outra professora também ajuda no processo de ridicularizar o saco de pancadas da turma – quando questiona sua postura “contra o consumismo”, por exemplo.

As famílias dos garotos também não conseguem saber de verdade o que está acontecendo. A avó (Leila Säälik) de Kaspar realmente se interessa pelo garoto mas, ainda assim, não consegue manter algum diálogo frutífero com o rapaz. Ainda que a relação deles seja menos explorada do que a dos pais de Joosep com ele, é possível perceber como a avó se distancia do neto quando, por exemplo, desestimula ele a manter um relacionamento com Thea (Paula Solvak). A tentativa dela de proibir Kaspar de sair de casa ou namorar, evidentemente, acaba sendo um tiro no pé – como a maioria das proibições puras e simples, sem convencimento ou argumentação. Por parte de Joosep, a situação é ainda mais complicada, porque ele se sente um peixe fora d’água na escola e em casa.

A mãe (Tiina Rebane) de Joosep parece ser a única a perceber que seu filho é diferente, especial, sensível. O pai (Margus Prangel), um brucutu que, na escola, deveria seguir os passos de Anders, não entende o filho. Pelo contrário. Ele torna a pressão sobre o garoto pior quando o incentiva a revidar – o que, evidentemente, vai contra a sua natureza. Joosep, provavelmente, vê o exemplo do pai e tenta, com todas as forças, se distanciar dele o mais longe possível. O problema é que a mãe do garoto, como praticamente todas as mulheres que se casaram com um valentão, não consegue ter voz suficiente para apoiar o filho. E Klass sugere, desde o princípio, que Joosep tem na casa do pai a oportunidade perfeita de se armar para a previsível vingança.

Falta de comunicação e de ensinar princípios para aquela garotada e, no caso da escola, de responsabilidade sobre o que está acontecendo com aquele grupo de jovens no ambiente escolar resulta no viveiro perfeito para os absurdos que acabam ocorrendo. O diretor Ilmar Raag não alivia ao mostrar, de forma gradativa, como a vida de Joosep e Kaspar vai se transformando em um inferno. A tensão cresce pouco a pouco até chegarmos ao final… e neste processo, justamente, reside o perigo (e a oportunidade) deste filme. (SPOILER – não leia se você não assistiu a Klass). Raag cria um clima de indignação tão grande entre os espectadores que, no momento em que os protagonistas passam a atirar a esmo na lanchonete escolar, praticamente estamos torcendo por eles. A impressão é que seus atos são justificados. E, claro está, que eles não são. O perigo do filme é que muitas pessoas podem assistí-lo, vivenciar a indignação que os atos contra Joosep e Kaspar provocam e não fazerem a crítica necessária sobre o que viram. Por isso, atenção.

NOTA: 9,3.

OBS DE PÉ DE PÁGINA: Até buscar mais informações sobre Klass, eu tinha dúvidas sobre a questão dele ser “baseado em fatos reais”. Inicialmente pensei que esta produção estava inspirada em uma chacina concreta, como o caso dos filmes de Michael Moore e Gus Van Sant haviam se baseado nas mortes em Columbine. Mas não. Conforme o diretor e roteirista Ilmar Raag esclarece nesta entrevista (em inglês), ele escreveu o argumento original de Klass e, depois, passou uma temporada conversando com 15 estudantes entre 15 e 18 anos para conhecer suas histórias reais no ambiente escolar. E foi assim, através da vivência destes jovens, que Raag construiu a sua história.

Segundo o diretor, ele e a equipe de produção do filme realizaram duas oficinas com esse grupo de jovens em um local remoto da Estônia. “Eu disse para cada um deles: ‘Talvez você não entrará para o filme mas, por favor, me conte histórias reais de sua escola'”, comenta Raag que acrescenta, ainda, que cada jovem pegou o roteiro e, basicamente, preencheu os espaços em branco com estas histórias reais. Depois do texto finalizado, o diretor escolheu um grupo de atores jovens e que não eram profissionais para atuar no filme. Durante um mês, aproximadamente, eles ensaiaram as cenas do roteiro. Mas as filmagens propriamente ditas foram feitas em apenas 12 dias. Tudo por causa do baixo orçamento do projeto – que teria custado US$ 120 mil. A verdade é que o filme tem uma grande qualidade, levando em conta o seu baixíssimo orçamento – mais uma prova de que o cinema não depende apenas de grana.

Para o diretor, o tempo curto que eles tiveram para filmar foi o maior problema da produção. “Ter apenas 12 dias para filmar significa que, com esta velocidade de trabalho, você não tem tempo para pensar no set (de filmagens). Você apenas executa um plano traçado anteriormente. Então temos um par de cenas que sofre com esta velocidade acelerada”, avalia Raag. Ainda assim, os jovens atores escalados para esta produção surpreenderam ao realizador que, admite, chegou a chorar com alguns momentos de suas interpretações.

A verdade é que todos os atores que aparecem em cena, sejam eles jovens ou adultos, fazem um trabalho competente e que convence. Mas ainda que todos estejam muito bem, Vallo Kirs e Pärt Uusberg (mais o primeiro que o segundo) roubam a cena. Além deles e dos outros já citados, vale citar os nomes de Riina Ries, que interpreta a Riina, uma das garotas que se diverte com as humilhações impostas a Joosep e que promove, em sua casa, uma festa que termina em confusão; Joonas Paas, que interpreta a Toomas, o braço direito de Anders; e os outros que fazem parte do grupo deles, como é o caso de Kadi Metsla, Triin Tenso, Virgo Ernits, Karl Sakrits, entre outros.

Uma questão levantada por Klass é um bocado assustadora: até que ponto o levante de Kaspar contra os seus colegas de classe ajudou ou prejudicou a Joosep? Aí está um ponto de reflexão importante do filme. Afinal, não basta reagir contra as injustiças e os absurdos. É preciso saber como fazer isso sem que tudo seja colocado a perder. A verdade é que as soluções estão mais próximas de uma ação racional do que de uma ação passional. Eis um belo ensinamento de Klass. (SPOILER – não leia se você não assistiu ao filme). Como o roteiro sugere, lá pelas tantas, Joosep tinha armas em casa mas nunca tinha pensado em utilizá-las –  até que Kaspar joga esta idéia para ele. Tudo o que Joosep queria era terminar os seus estudos e sair de perto daquela gente que lhe fazia mal. Mas a covardia e a violência de seus colegas contra ele e Kaspar chegaram a tal ponto que, motivado pela idéia do “amigo”, ele resolveu atuar. A dura verdade é que sem os “atos heróicos” de Kaspar, dificilmente esta história teria chegado tão longe.

Algo que incomoda neste filme é que as tais “brincadeiras” com Joosep vão perdendo o rumo de uma maneira absurda, até chegarem ao ponto das piores práticas de tortura e violência. Se o grupo de estudantes tivesse 10 anos de idade ou menos, até poderíamos discutir sobre a falta de educação ou aconselhamento de pais e professores. Mas, francamente, tendo a idade que eles tinham – de aproximadamente 16 anos, em média -, seus atos devem ser classificados como criminosos. Nada mais, nada menos. Anders e companhia eram delinquentes socialmente aceitos.

Gostei do trecho da entrevista anteriormente citada em que Ilmar Raag comenta sobre os filmes que abordam a violência no ambiente estudantil. (SPOILER – não leia se você não assistiu ao filme). “Você não pode (ou não deveria) fazer um filme sobre a violência sem tentar, honestamente, explicar as razões desta violência. Então, Klass é a história na qual você praticamente pode pensar que os garotos que atiram em seus colegas são os mocinhos e as vítimas infelizes (desta história). E quando isso acontece o filme faz pensar sobre a manipulação mais uma vez”. Genial, não?

Além da entrevista para Jason Whyte comentada, destaco este texto (também em inglês) sobre o filme.

A qualidade das imagens de Klass devem muito ao trabalho do diretor de fotografia Kristjan-Jaak Nuudi.

Em sua trajetória, Klass recebeu quatro prêmios – dois no Festival Internacional de Cinema de Karlovy Vary e dois no Festival Internacional de Cinema de Warsaw. O filme ainda foi indicado como o representante da Estônia na categoria de Melhor Filme Estrangeiro no Oscar 2008.

Com o sucesso deste filme foi anunciada uma série para a televisão que, originalmente, deveria ir ao ar no outono de 2009.

Klass conseguiu a nota 8,2 na avaliação dos usuários do site IMDb.

CONCLUSÃO: Um dos filmes mais realista sobre crimes praticados em escolas por alguns de seus estudantes. Bem dirigido e com uma edição impecável, Klass foi planejado para agradar especialmente ao público jovem. Klass é protagonizado por um grupo de atores não-profissionais que surpreende e embalado por uma trilha sonora envolvente. Depois de apresentar o argumento de seu novo filme para uma turma de 15 adolescentes, o diretor e roteirista estoniano Ilmar Raag conseguiu, destes jovens, histórias reais sobre acossos, torturas e diferentes formas de violência física e psicológica praticados no ambiente escolar. Com este material o diretor nos conta uma história com a qual é impossível ficar indiferente. Espero, honestamente, que Klass consiga o objetivo de seu idealizador, que é o de criar debate sobre esse tipo de violência nas escolas, na busca por soluções para o problema e, ainda, que o filme provoque uma reflexão sobre o poder do cinema e das demais mídias em manipular emoções e ideologias.

SUGESTÕES DE LEITORES: Cheguei até esta produção superinteressante – melhor que Elephant, de Gus Van Sant, por exemplo – através da sugestão do Rodrigo, querido leitor deste blog, que indicou o filme em março deste ano. Grande Rodrigo!! Muito boa a tua dica, hein? Gostei muito do filme. Ele realmente nos provoca indignação e desconforto, em um primeiro momento e, depois, reflexão. Hoje mesmo a imprensa brasileira divulgou o caso de uma adolescente que foi espancada por duas colegas em Brasília. A menina foi agredida de forma covarde por duas garotas – uma parece que a segurava enquanto a outra batia na vítima – porque, tempos atrás, teria defendido uma colega. Que absurdo! E a verdade é que diariamente parte da garotada resolve cair para este lado que considero criminoso. Então, mais do que nunca, um filme como Klass deveria ser visto e debatido – inclusive em salas de aula. Obrigada, mais uma vez, Rodrigo, por esta dica. E volte aqui mais vezes – andas sumido!

P.S.: E só para registrar: hoje o Crítica (non)sense da 7Arte completa 2 anos de vida! Viva!!! Queria agradecer a todos vocês que fazem deste blog um espaço dinâmico e de troca de idéias. Com este texto de Klass, chego a 201 críticas neste período. Vida longa ao CND7A!! 😉

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10 thoughts on “Klass – The Class

  1. Uau… Esse filme tira o fôlego completamente. Acabei de ver e confesso que nunca senti tanta ansiedade e desconforto. Confesso que até fiquei meio trêmulo ao final.

    [Parênteses}

    Tudo bem Alessandra? Faz tempo que não nos falamos, seja via e-mail ou scraps. Enfim… O que dizer?
    Ainda vamos colocar os projetos no papel em breve! 😀

    [/Parênteses}

    Sobre o filme, superou minhas expectativas. Eu já tinha lido o texto aqui no seu blog antes de ver (sim, seu blog é referência, a melhor), mas não pensava em se tratar de algo primoroso… E triste!

    A estória é extremamente bem conduzida, nos fazendo relembrar os momentos da “pré” e da adolescência. Em muitos momentos me senti como o Uusberg, em outros como o Kirs. Em outros ainda como parte integrante da “patética” classe. Claro, nada nessas proporções.

    O ser humano começa errado, não? Aprendemos a comer carne, mas depois de adultos nos damos conta de onde ela vem. E, ao saber sentimos repulsa, mas continuamos a comer e algumas vezes nos perguntamos: “porque meus pais me fizeram isso?” (ou não…). Posteriormente, vamos à escola e aprendemos que “precisamos” nos defender. Digo isso principalmente entre os meninos (se bem que a meninas estão cada vez mais briguentas também). Sem mencionar a lavagem cerebral da TV, se nos permitirmos a isso.

    Fiquei impressionado também ao ver que a escola não era algo medíocre, depredada, como no Brasil geralmente é. Mas, era uma escola de certa forma, “boa”. Com alunos de poder aquisitivo mediano. E, mesmo assim a maldade imperava na estória.

    Sabe o que senti? Que vi um Cidade de Deus mais refinado. Onde os bandidos são a classe e o mocinho os dois “amigos”, dentro de um contexto sócio econômico e intelectual mais rico. Se bem que, nesse filme não existem bandidos, nem mocinhos, somente vítimas.

    Joosep, é vítima de sua falta de coragem que, é resultado da fusão de “cuidados de mãe” com seu pai “soldado”. Ele não quer problemas, mas estando dentro dele não sabe como sair. Isto é, enfrentá-los. Existem inúmeras maneiras de sair daquela situação, mas ele as desconhecia. Já Kaspar, é inicialmente um jovem que segue a turma que aos poucos apresenta caráter. Porém, transparece um sentimento de revolta, por não ser daquele mundo (isto fica bem claro na sala da diretora). E, queendo ser um defensor de Joosep, ele torna-se líder de um movimento solitário que, vai de encontro à multidão. Ele também não está preparado para lidar com a situação.

    Os dois estão despreparados. Mas, o que mais me impressiona é a falta de preparo das professoras que agem da pior forma possível. Uma é muito condizente, a outra lida com a classe como se fossem crianças de 10 anos. Sem o mínimo de psicologia necessária para antecipar, ou ao menos tentar, e evitar confiltos.

    Outro fator que mostra como existe um total despreparo dos jovens é a aceitação das garotas em relação às brigas masculinas. Porquê nenhuma delas fez algo?

    Bem, então surge o momento reflexão. Se todos os jovens estão despreparados, em níveis diferentes, o que os pais e demais adultos que os cercam estão fazendo por eles? Vendo o exemplo do pai do Joosep, dá para perceber o quanto está sendo feito…

    Enfim, o filme é excelente! Até mesmo pelos personagens cerentes de preparo, que é o que dá enredo ao filme. Tecnicamente, o filme é melhor ainda! Os atores são muito bons e os protagonistas merecem um prêmio (lembram muito, apesar de não serem gays, as meninas de Fucking Amal); A fotografia divina, a edição e a qualidade de imagem fantásticas!

    Porém, como tudo que é visto depende de interpretação, fica óbvio que, um filme dessses visualizado por outros jovens despreparados, pode acarretar tragédias. Como a de duas escolas na Finlândia (Massacre na escola Kauhajoki e o massacre na escola Jokela) que, possivelmente foram inspirados em filmes e demais meios de comunicação.

    Então, me vem novamente a reflexão… É legal a internet, mas será que ela não deveria ser mais limitada? Afinal os jovens veêm o que desejarem e ninguém pode impedí-los. É como ver uma cena de sexo pela primeira vez e este for algo bizarro. Isso não afetaria o jungamento do que é correto em relação ao contexto? Afinal, pela internet eu posso baixar filmes, quaisquer que forem os tótulos. Posso ver uma cena de sexo que nunca imaginei que alguém fosse capaz. Posso ver um discurso de um ateu fundamentalisma (pode ser um crente fundamentalista tmb.). E, tudo isso me vêm sem orientação pedagógica (supondo que eu seja um pré-adolescente).

    Mas, tudo bem… A internet não é única vilã da história. A TV, o rádio, revistas etc. Tudo isso colabora para que a sociedade seja mais e mais corrompida. Basta pensar um pouco. O crescimento do poder dos bandidos só aumenta (ex. cinematográfico: B13 e Tropa de Elite), as pessoas tem acesso a todo tipo de informação via internet ( geralmente não consultam a veracidade antes de espalhar as novidades). Os governos estão mais preocupados com o aumento da população do que com a poluição e desmatamento. Portanto, tudo ruma para um embate de forças entre o poder popular (leia-se bandidos do tráfego) e o poder legítimo (leia-se ladrões da câmara) em algumas décadas e, para controlar a ameaça dos traficantes e do excesso de população, o que fazer? Simples, assim como o Rei, na idade média, em crise, provocava uma rebelião para poder exterminar parte de seu povo (em excesso e doente) e tomar suas riquezas, o “novo” governante fará algo semelhante. Só rezemos para que não seja em nosso tempo…

    Bem Ale, me extendi por demais. E, me perdoe, mas nã revisei (risos).

    Um beijo!
    Eduardo Louzada

    Ps: Esse filme é SIM par ser visto pelos jovens. Acompanhados por bons orientadores para um debate e esclarecimentos. Pois, é muito forte.

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  2. Olá Eduardo!!

    Pois sim, fazia tempo que não trocávamos recados e/ou comentários. Fico feliz que tenhas aparecido por aqui novamente.

    Klass é um filme “porreta” mesmo. Abre o caminho para uma série de debates e discussões. E estou contigo de que seria importante ele ser visto pela garotada, especialmente se for em sala de aula, para criar justamente debates e reflexões.

    Francamente, eu não acho que o problema esteja no excesso de informações ou na extrema liberdade de acesso a elas que a internet, por exemplo, propicia atualmente para os jovens. O problema, para mim, passa pela falta de crítica, de bom senso, e isso uma pessoa só pode conseguir com a educação e/ou a supervisão de pessoas mais preparadas. O perigo, para mim, está em pais e professores relapsos, que não assumem as suas responsabilidades. Fazer as pessoas pensarem por si próprias não é uma das tarefas mais fáceis atualmente, mas eu diria que ela é fundamental.

    Por tudo isso, não acho que seria interessante algum controle da internet, por exemplo. Acho que o fundamental sim é exigir que os adultos assumam as suas responsabilidades. Dia desses, assisti pela televisão algo curioso: estariam discutido um projeto de lei que procura obrigar os pais a serem responsáveis verdadeiramente por seus filhos. Ou seja: eles teriam que dar apoio para suas crianças e jovens, obrigatoriamente. Se não cumprissem este papel, poderiam ser multados, processados e tudo o mais. O tema é bom para polêmica. Sei que, por vias normais, todo pai e toda mãe deveria incentivar os seus filhos, cuidar de supervisioná-los, educá-los e buscar sempre que eles sejam indivíduos críticos. Mas, francamente, vejo pouco isso. Os pais não desempenham seus papéis como deveriam, na maioria das vezes, talvez porque eles mesmos não tiveram essa supervisão de alguém responsável (e, por consequência, nem eles são críticos ou preparados o suficiente).

    Dito tudo isso, concordo plenamente contigo quando afirmas que os protagonistas do filme estavam despreparados para enfrentar aquelas situações. Não acho que a culpa disso seja apenas das famílias de ambos, mas de um conjunto de pessoas. Inclusive deles mesmos, é claro, que não tiveram a paciência e a capacidade de pensar em saídas melhores (e haviam muitas) para seus problemas.

    Achei você um tanto fatalista quando comentas um possível extermínio da população… acho que não chegaremos a tanto, a uma decisão programada neste sentido. Por outro lado, as guerras nunca terminam, já reparou? Então haverá sempre um certo “equilíbrio” (bem entre aspas mesmo) entre a população que cresce e a que desaparece devido a guerras e desastres naturais.

    Filosofamos um bocado, não? hehehehehe. Klass é o culpado. 😉

    Um abraço e um beijo, e volte mais vezes! Inté!

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  3. Oi Alessandra, que bom “falar” contigo. E eu sempre te visito, apenas não escrevo como gostaria. (risos)

    Esse filme dá o que falar, não é mesmo? Por isso vou justificar um ponto, ou melhor, explanar de forma mais abrangente.

    Invariavelmente o cinema e “tudo o que os nossos olhos vêem” nos afeta. Inspira ou causa repulsa. Porém, consciente ou inconscientemente nos afeta, para o bem ou para o mal. Por isso creio que todos os meios de comunicação devem ter sim algumas regras. Nda de censura, somente algumas normas de confuta que, na internet ainda não existem. O que existe hoje, via web, são normas que “tomamos” emprestadas de outros meios. Mas, a internet ainda não tem uma norma específica. Ao menos, nada aplicável ainda.

    O problema da internet é que, em sua maioria, é acessada e, digamos, construída pelos jovens. Uma grande parcela desses jovens ainda não tem justamente o preparo para criar algo produtivo e construitivo. Então, o que vemos é uma “poluição” visual, auditiva e textual. Paralelo a isso está a publicidade. E, como ela está atrás de vendas e os jovens são sinônimo de vendas, parte dos sites “sérios” são voltados aos jovens. Transformando assim parte da internet em uma revista teen. Isto é, vazio e sem fundamento (há excessões). Há outra parte é constituida de sites de futilidades e obcenidades e, o que sobra? Ainda bem que muito! Pois, existem sites bem criados, bem escritos e com informação útil.

    Mas, pensando do que acabei de escrever, não é aí que está o problema?

    Visualize a internet como uma grande avenida. Parte dessa avenida tem cafés, bons restaurantes e atividades culturais; Porém, existe uma parte que trafegam prostitutas, em que existe jogatina e onde é permitido que os humanos se agridam mutuamente. Visualize isso. Sim! Metade dessa avendida é boa, metade má. Agora, retire as leis, os guardas, serviços públicos, sinais de trânsito… A tendência não seria que a metade má “invadisse” a metade boa? Afinal, o mal é como um câncer, se espalha. Ao passo que o bem prefere seu sossego e o respeito mútuo, portanto jamais invadiria o lado mal.

    Compreende? A internet é isso hoje. E, não acredito que a solução sejam leis rígidas. Mesmo porque a Lei sendo aplicada de forma abrupta somente será um capricho, perdendo força. Isso seria fazer ruir o que já está depredado.

    Acredito que a melhor solução para que os sites sejam em sua maioria bons e úteis, como o seu (em relação à cinema), é tornar esse assunto pauta de debate civilizado. Constantemente.

    E o que direi sobre o fatalismo? (risos)

    Acredito que podemos nos emprestar do cinema momentâneamente. Assim como cinema se empresta da realidade.

    O que vemos em filmes de ficção é o ideal. Um exemplo? Exterminador do Futuro. As máquinas não passaram a se replicar e devastara o mundo? Pois bem, a Autodesk (desenvolvedora do AutoCad, 3dMax etc) é uma empresa que aplica esse conceito ao pé da letra. Desde 2000 existem impressoras impressionantes que imprimem em 3d. Isso era voltado ao mercado imobiliário (maquetes impressas ao invés de manuais). Mas, existe um projeto para que em pouco tempo as impressoras se repliquem. Isto é, que façam não só réplicas 3d de motos, carros e prédios, mas também criem outras impressoras para assim aumentar a produção e diminuir a mão de obra.

    Certo, diminuir a mão de obra é algo que existe desde a revolução industrial. Mas, a escala está cada vez maior. E, sinceramente é desconfortável saber que existirão máquinas autosuficientes em breve (algumas já existem). Sabemos que não necessariamente ocorrerá algo como no filme Exterminador do Futuro, porém outras produções já anteciparam grandes guerras (que posteriormente ocorreram) e até mesmo epidemias de gripe, como a gripe HiN1 (que, não me recordo o filme, mas era muitíssimo parecido com o que ocorreu no começo da pandemia).

    Enfim… Ser fatalista nada mais é do que saber que o ser humano, apesar de toda o conhecimento adquirido, persiste na luta pelo poder. E é sabido que a luta pelo poder sempre trás a guerra e a morte.

    Como diria Aristóteles, é necessário virtude como fator de equilíbrio para a “psiquê” e a “ocasião” (os dois fatores determinantes ao homem). A virtude impede que tendências opostas entrem em choque trazendo efeitos destrutivos para o ser humano.

    Sobre o filme. Preparo realmente é o âmago do enredo. Ou, a falta dele, como já citei anteriormente. E, “linkando” com a web, acredito que o problema é exatamente o excesso de informação. Informação demasiada sem orientação jamais poderá ser útil. É como um “rockstar” que tem tudo à mão e não sabe como lidar com tudo que possui.. Kurt Cobain, Lindsay Lohan, Jimmi Hendrix, Jim Morrison… A lista é longa. Difícil alguém que tem “o mundo à seus pés” ter alguma atitude sábia. Falta limite para os rockstars, limite para o publicitário, limite para os governantes, limite para os jovens.

    Te deixo uma reflexão:

    “A ideia de que somente é belo o que é novo e jovem envenena as nossas relações com o passado e com o nosso próprio futuro. Impede-nos de compreender as nossas raízes e as maiores obras da nossa cultura e das outras culturas. Faz-nos também recear o que está à nossa frente e leva muita gente a fugir à realidade.”

    Walter Kaufmann, in ‘O Tempo é um Artista’

    Beijo Ale!
    Eduardo Louzada

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  4. Ale, eu reli o texto agora. Sorry pelos erros de português (risos).

    Só para agregar. O que faltou aos meninos, protagonistas do filme, foi exatamente a falta de virtude. Pois, um ser humano virtuoso jamais pensaria realmente em executar seus semelhantes.

    Ainda me lembro de uma época terrível de meu passado que, resumidamente, tratava-se da perda dos bens da família e de meu pai. Pouco tempo depois, me vi e uma situação bem difícil e “amigos” não faltavam a oferecer “produtos ilícitos” como forma de resolver os problemas. Sinceramente, não sei se é uma virtude minha, mas jamais cogitei entrar “nessa onda”. Sempre tive consciência do que me faz mal e as demais pessoas. E, me distancie (ou recusei) a tudo que fosse ruim para mim.

    Se sou virtuoso, não sei. Mas, prefiro o lado bom da avenida. (risos)

    Beijos,
    Eduardo Louzada

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  5. Oi Eduardo!!

    Uau, você quase consegue escrever mais do que eu. hehehehehehe. Assim que eu gosto, de opiniões bem embasadas.

    Olha, eu concordo com a teoria que vê a internet como uma grande potencializadora das coisas boas e ruins que existem na vida real. Ou seja, ela abriga desde a variedade artística e criativa das pessoas como os seus vícios – em uma leitura simplista, para não me extender muito.

    Concordo contigo que os grandes usuários da internet são os jovens – crianças, adolescentes e adultos até os 40 anos, dizem as estatísticas. Só discordo de ti que os jovens (adolescentes) “ainda não tem justamente o preparo para criar algo produtivo e construtivo”. Talvez, com o tempo, nos afastemos da garotada – porque nossas “turmas”, geralmente, vão envelhecendo com a gente. Mas vejo nos adolescentes um verdadeiro manancial de criatividade, de energia e um potencial muito grande para criar coisas boas e de qualidade.

    Dito isso, concordo contigo que é preciso algum acompanhamento do conteúdo da internet. Para isso, estão aí os pais e demais responsáveis pelas crianças e adolescentes, certo? E o papel de pais, tios, professores e demais pessoas que os acompanham não deve ser simplesmente proibir ou bloquear determinados sites, mas explicar os perigos e razões para suas ações – inclusive de censura e limitação de conteúdo. Acho que esta falta de diálogo é o que pode realmente tornar a internet um perigo para as famílias.

    Não acho que a tendência de uma avenida como a que tu comentaste seria a da parte má invadir a parte boa. No mundo é preciso o equilíbrio e, por causa dele, nunca estaremos totalmente livre do “mal”. Mas, como diz aquela música do Roberto Carlos, nós sempre poderemos escolher entre o bem e o mal… e a internet apenas reflete isso que acontece fora da grande rede de informação. Pelo menos esta é a minha visão.

    Sim, a virtude serve de bússula para as pessoas quando aparece a ocasião. Mas é muito mais fácil ser virtuoso quando fomos bem criados e tivemos oportunidades na vida, você não acha? Com isso não quero dizer que quem nasceu na miséria ou sempre foi desprezado tenha, obrigatoriamente, que escolher o caminho do vício e do crime. Não. Mas que sua jornada acaba sendo muito mais dura – e a pessoa mais virtuosa – que outras em situações opostas, isso com certeza.

    Recomendo para ti, sobre estes temas da virtude, do mal e do bem e da escolha que sempre podemos fazer, o filme mais recente que comentei aqui no blog – Un Prophète. Filmaço francês que concorre a uma vaga para o próximo Oscar. Veja e depois comente por aqui…

    Um grande abraço e inté a próxima!

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  6. Confesso que senti nostalgia de ver aqueles animais morrendo no final do filme!!! Sem dúvidas, teria feito o mesmo! Odeio pessoas que se acham o dono do mundo e nunca é punido!!!

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  7. Oi J!

    Nossa, um pouco violento você, hein?

    Acho que existem milhões de saídas mais interessantes do que matar o outro – ou outros. Educação, por exemplo. Nem todas as pessoas tiveram a oportunidade de aprender a importância do amor, da honestidade, da humildade…

    Enfim, acho que o caminho é sempre a não-violência.

    Mas obrigada por tua visita e por teu comentário, ainda que eu ache ele um tanto “pesado” demais.

    Abraços e volte mais vezes!

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  8. Essa história da não-violência é simplesmente uma grande utopia. Puritanismo foi algo honroso há algum tempo, para tornar-se comprometedor.
    Óbvio que falta de comunicação é o maior problema retratado, os meninos poderiam ter pedido uma transferência para outra escola ou ter aberto o jogo diante dos pais e professores, que por sinal, pareciam tão medíocres quanto os alunos. Uma coisa que aprendi em sala de aula e que me ensinaram errado foi que é o professor que faz o aluno, e não aluno que faz o professor. A responsabilidade dentro da sala está nas mãos dos tutores, dos mestres, e não dos alunos “despreparados”.
    Uma coisa que é bem clara para mim é que as “vítimas” (não sei até onde) tiveram o que mereceram, pois não é justo aniquilar com a vida de alguém como fizeram com aqueles meninos (Kaspar e Joosep). São feridas eternas, e não venham com a historinha babaca de superação, ok? Sejam mais que isso.
    Não defendo a bandicidade, mas a AUTO-DEFESA. Sem rodeios. Vamos ser BEM realistas. E isso remete à campanha contra o armamento. O que dá o direito ao bandido, em apenas alguns segundos, ter o controle da sua vida? Por quê você não pode se defender?
    Não adianta enrolar. A verdade é nua e crua, e alguns só tentam tapar o sol com a peneira. Esse mundo está atirado aos cães, e se você não ficar esperto, sucumbe com os mal-informados.
    Minha crítica é realista, e não falta de ética. Pode ser “politicamente incorreta”, mas o que é isso, afinal? É como criticar os políticos, mas quem são so que os colocam onde estão agora? Quem são os verdadeiros culpados? Bem, foi só um exemplo.
    Voltando ao assunto, o pai do Joosep era um baita de um ogro, completamente. Não defendo por um momento as atitudes daquele homem, pois ele como o resto dos pais e tutores das crianças, conduziram mal os acontecimentos. Houve falha na comunicação, mas principalemente, na educação, que se não é o mais, deveria ser tratado como, pelo menos, um dos assuntos mais importantes na sociedade, e ser aplicado, não somente discutido.
    Violência sem causa é burrice, óbvio, mas não tentem emgambelar com o papo de que “o melhor caminho é o da paz”. Viva a realidade, não um filme, e você verá que seus conceitos devem, urgentemente, ser reavaliados.

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  9. Oi Camila!!

    Antes de mais nada, obrigada por tua visita e comentário! Seja bem-vinda por aqui.

    Então, sou obrigada a discordar de ti. Não acho a história da não-violência uma grande utopia. Tanto é verdade que o mundo teve uma série de exemplos deste tipo de atitude em sua história. Começando por Cristo, seguindo por Gandhi e chegando a tantas pessoas que vivem em favelas, periferias e nos centros urbanos e que não escolhem se armar para responder a uma violência que nos cerca por todos os lados.

    Verdade que quem escolhe a não-violência, muitas vezes, é morto. Justamente por pessoas que, como você, não acreditam nela. Até porque se a ideia da não-violência se espalhasse, começaríamos a optar pelo diálogo, pela meio termo, pela cordialidade e não teríamos justamente tantas mortes e absurdos. Pense nisso.

    Olha, todos fazem a todos… não existe uma relação de mão única. Seja em sala de aula, seja em casa, no trabalho ou na rua. Não é o professor que faz os alunos ou os alunos que fazem o professor. Todos contribuem para uma relação boa ou ruim, para que se aprenda ou desaprenda em sala de aula.

    No caso de Klass, haviam várias alternativas para o que aconteceu. Mas cada um foi contribuindo para que o desastre acontecesse. Seja pela ausência, pela ignorância, pela brutalidade ou pela falta de diálogo.

    Jamais vou concordar contigo que a violência deve ser respondida com violência. Se você acha a nossa sociedade absurdamente violenta e impraticável, tenha certeza, muito se deve a pessoas como você que acham que a violência deve ser respondida com ainda mais violência. Se você quer mudar a realidade, comece por você mesma. Não espere pelos outros. Agora, se o que você deseja é uma sociedade violenta, daí é outra história. Estás no caminho certo, propagando em opiniões e, talvez atitudes, esta sua ideia. Só acho uma pena, porque há valores muito mais interessantes para serem ensinados.

    Superação é apenas lorota? Eu poderia te dar uma lista de histórias de superação. De pessoas que passaram por problemas muito, mas muito mais complicados do que estes vistos em Klass e que conseguiram não apenas superar os seus traumas, mas ensinar com os seus exemplos. No cinema mesmo existem várias histórias assim. Sugiro que comeces com um filme recente, que foi indicado ao Oscar deste ano: Precious.

    Ninguém dá o direito para o bandido ter o controle da vida de suas vítimas. Mas certamente a reação violenta contra ele não terminará com a corrente de violência, mas apenas alimentá-la. O “bandido” que você fala é, muitas vezes, justamente aquele sujeito que não viu saída para seus problemas e viu no caminho do crime uma alternativa. Se ele tivesse em mente que a violência é uma direção sem sentido, se tivesse alguém que lhe ensinasse outros valores e lhe desse oportunidades, provavelmente não seguiria esse caminho. Claro que existem exceções, pessoas que são ruins “por natureza” mas, francamente, este número é muito, muito baixo.

    Concordo que o tema da educação é central. E que muitos pais não deveriam ser pais, de tão despreparados que eles são – inclusive para serem cidadãos. Mas volto a repetir que vivo a realidade e que escolho, cotidianamente, não sucumbir à violência e a sua lógica sem sentido. Escolho, todos os dias, a não-violência, e vou continuar nesse caminho – mesmo que um dia eu leve um tiro na cabeça.

    Obrigada por teu comentário e por tua visita. Gostei da tua franqueza, ainda que eu discorde das tuas ideias. Mas o espaço existe para isso, para falarmos francamente e sem medo.

    Sorte para ti. E que jamais tenhas que responder de forma violenta a alguma violência.

    Abraços! E volte mais vezes!

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