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10 anos do Crítica (non)Sense – O meu muito obrigado!

Olá meus bons amigos e amigas do blog Crítica (non)Sense da 7Arte!

Impossível ignorar a data de hoje, dia 28 de agosto de 2017.

Então eu vou pedir licença para vocês para, desta vez, não falar de um filme qualquer que eu assisti no cinema ou em casa. Vou falar sim sobre como este espaço chegou a sua primeira década de vida.

Há exatos 10 anos eu começava este espaço. A ideia era falar sobre cinema e compartilhar impressões com vocês. Receber críticas, sugestões, trocar ideias sobre filmes.

Naquela época, claro, eu não imaginava que este espaço chegaria tão longe. Nestes 10 anos, não foram poucas as vezes em que eu pensei em parar de escrever por aqui. Principalmente nos momentos em que o trabalho me consumia muitas energias e tempo…

Mas eu persisti. E muito – ou especialmente – por causa de vocês. Sei que este espaço têm a honra de ter alguns leitores fieis e que me acompanham há muito tempo. Sou especialmente grata a vocês. Assim como agradeço a cada novo visitante que me honra com a sua navegada nestas páginas.

Todos vocês são mais que bem-vindos(as). Saibam que é por vocês que este espaço continua sendo alimentado, mesmo com algumas temporadas de tempo escasso e de outras responsabilidades menos divertidas do que o prazer que eu tenho (e sempre tive) de falar sobre cinema.

Eu só tenho a agradecer pela visita esporádica ou costumeira que vocês costumam fazer por aqui. Muito, muito obrigada!

Não sei por quanto tempo este blog vai funcionar, mas eu espero, sinceramente, que ele ainda tenha uma vida longa. Aproveito também para pedir desculpas por alguns períodos sem novos posts e por estar com as respostas dos comentários de vocês tão atrasada… mas um dia eu coloco a nossa conversa em dia, eu prometo!

Vale também registrar, nestes 10 anos do Crítica (non)Sense da 7Arte, alguns números conquistados até este momento. Por aqui foram publicados 638 posts (este aqui é o de número 639) e o blog recebeu 1,86 milhão de visualizações de 795 mil visitantes.

Tenho a satisfação de ter 279 seguidores do blog pelo WordPress, 209 pessoas cadastradas para receber as novidades por e-mail e 396 pessoas que curtiram a página do blog no Facebook. Sem contar as pessoas que têm acessos aos posts através da minhas contas pessoais no Facebook, no Twitter e no Google+.

Novamente, o meu muito, muito obrigado por vocês fazerem parte desta história. E aguardo algumas sugestões de vocês sobre como podemos comemorar estes 10 anos do blog juntos. 😉

Um dos fieis leitores que ajudou a apoiar o blog há algum tempo foi sorteado e vai ganhar um presentinho do Crítica (non)Sense logo mais, mas eu aceito sugestões para nós todos celebrarmos de alguma forma.

Bem, por enquanto era isso que eu queria comentar. A partir do próximo post, volto a falar sobre filmes e o cinema que tanto amamos. Abraços apertados e beijos grandes em todo(as)! Vocês fazem este espaço ser especial. 😉

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Manifesto sobre um novo blog

Boa noite, meus caros e estimados amigos e amigas deste blog.

Hoje, dia 28 de fevereiro de 2017, faltando exatamente seis meses para o blog Crítica (non)Sense da 7Arte completar 10 anos de existência, resolvo escrever e lançar um manifesto sobre um novo blog.

Para isso, gostaria de voltar um pouquinho nas origens deste espaço. Quando eu criei o blog eu estava morando fora do país e cursando um doutorado. Sentia a necessidade não apenas de voltar a escrever sobre cinema, algo que eu fazia antes como jornalista, mas também de experimentar aquela “novidade” dos blogs e da criação coletiva de conteúdos.

Pois bem, muito tempo passou desde então. Voltei para o Brasil, retornei a carreira de jornalista, e novas demandas surgiram no período. Mas não é apenas por isso que eu resolvi mudar este espaço.

Quando criei o blog, há nove anos e meio, a ideia dele era publicar algumas impressões sobre os filmes que eu ia assistindo, compartilhá-las em um ambiente aberto como a internet e interagir com as pessoas.

No início, vários leitores – espero que muitos deles ainda continuem visitando esta página – começaram a me incentivar a escrever mais. Isso porque os meus primeiros textos – e vocês podem confirmar isso acessando o primeiro mês de publicações – não eram tão extensos. Mas, com o tempo, e bastante por causa do incentivo dos leitores, fui fazendo textos cada vez mais longos.

Por causa disso, vocês podem imaginar, cada post com textos longos leva muito tempo para ser feito. Sinto hoje uma necessidade de rever isso. Também sinto a falta de conversar mais com vocês, de trocar mais ideias e de buscar filmes que vocês me indicam no caminho. Retomar a nossa interação.

Por tudo isso e porque realmente sinto a necessidade de dedicar mais tempo para outras atividades, inclusive seguir com a minha formação, resolvi rever as publicações do blog. Ah sim, e outra motivação para esta mudança é que eu pretendo publicar com mais frequência por aqui, procurando assistir a mais filmes, até para aproveitar os presentes do Cinespaço do Beiramar Shopping de Florianópolis e do Paradigma CineArte que me presentearam com cartões de fidelidade.

Desde o ano passado eu aproveitei pouco os cartões, mas quero corrigir isso neste ano em que o blog completa uma década. Assim sendo, a partir de agora eu vou publicar textos extensos apenas sobre filmes que peçam por isso.

Ou seja, na maioria das vezes eu vou publicar por aqui textos mais curtos, objetivos. Apenas grandes filmes ou produções que sejam um tanto “confusas” e que exijam textos maiores terão posts mais generosos. Espero que vocês entendam este manifesto e continuem visitando o blog. Assim como espero poder, pouco a pouco, colocar a conversa com todos vocês em dia.

A partir do próximo post vocês já vão acompanhar o blog com esta nova proposta. Espero que vocês gostem. Obrigada a cada um de vocês que visita este espaço e ajuda ele a seguir vivo. Um grande abraço e vida longa para o Crítica (non)Sense da 7Arte!

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The Way Way Back – O Verão da Minha Vida

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Um filme “bobinho” pode ser bom? Com certeza. The Way Way Back é um destes exemplares de filme sem grandes pretensões que acaba surpreendendo justamente pela suavidade. Ele faz rir menos que o previsto, por tratar-se de um filme de comédia. E ganha pontos ao abordar temas sempre relevantes apesar de não fazer grandes discursos sobre eles – para a nossa sorte. De quebra, ele ainda trata de forma bastante irônica de um tema importante para todo norte-americano (e pra gente também): as férias de Verão, que parece que sempre precisam ser extraordinárias. Se você não está buscando uma comédia escrachada e piadas fáceis, esta pode ser uma boa aposta.

A HISTÓRIA: Trent (Steve Carell) está dirigindo, mas não deixa Duncan (Liam James) em paz. Olhando pelo espelho retrovisor do carro, ele pergunta para o adolescente que nota ele se dá em uma escala de um a dez. O garoto, sentado no fundo do carro, de costas para Trent, responde que não sabe. O motorista não aceita esta resposta e diz porque acha que o jovem, filho da nova namorada dele, Pam (Toni Collette), tem uma nota baixa. Mas ele diz que tem uma boa notícia: que Duncan terá muitas pessoas para conhecer e muitas oportunidades de sair e se divertir na casa de veraneio de Trent, para onde a família está indo. De fato, Duncan terá férias diferentes e marcantes pela frente.

VOLTANDO À CRÍTICA (SPOILER – aviso aos navegantes que boa parte do texto à seguir conta momentos importantes do filme, por isso só recomendo que continue a ler quem já assistiu a The Way Way Back): A primeira sensação que eu tive com o começo deste filme foi: será que ele vai seguir a linha de Little Miss Sunshine? Um grande filme, lançado em 2006 e dirigido por Jonathan Dayton e Valerie Faris e que também tinha no elenco os atores Toni Collette e Steve Carell. Se você ainda não o assistiu, recomendo. Mas para a nossa sorte, The Way Way Back não é um Little Miss Sunshine 2. Digo para a nossa sorte porque cada vez mais eu acho que o cinema deve buscar uma história nova e não seguir velhas fórmulas.

Com isso, não quero dizer que The Way Way Back seja uma verdadeira revolução. Na verdade, o filme mergulha em um tema que já foi explorado em várias outras produções de Hollywood: as férias de Verão. Mas há muitas maneiras de encarar este assunto. Esta nova produção, dirigida e com roteiro da dupla Nat Faxon e Jim Rash, procura uma abordagem engraçada e ao mesmo tempo dramática desta válvula de escape social.

Não é por acaso, e vamos descobrir isso só depois, conforme o filme se desenvolve, que The Way Way Back começa com aquela conversa cheia de pressão e um aparente rancor entre Trent e Duncan. A rivalidade entre os dois vai pontuar toda esta produção. Como ocorre com tantas outras famílias “modernas”, Duncan sente dificuldade em se adaptar ao novo namorado da mãe. Ele quer viver com o pai, mas acaba tendo que passar as férias com o “desafeto” e a filha que busca sempre ser popular, Steph (Zoe Levin).

Claramente Duncan está deslocado. Aparentemente, não apenas naquela junção de famílias, mas também na vida. Ele não sabe muito bem como se comportar entre jovens de sua idade e nem em outros ambientes. Ele é o rapaz que acaba ficando com os adultos na mesa, mas não sente que aquele é o seu lugar. Um sentimento bastante comum entre muitos adolescentes que não estão na categoria de “populares”.

Não demora muito para que Duncan sinta uma certa sintonia com Susanna (AnnaSophia Robb), que parece não fazer esforço algum para agradar a mãe esfuziante Betty (Allison Janney) ou qualquer outra pessoa. Trent faz parte de uma vizinhança que sempre se encontra no Verão. Todos se conhecem, e todos sabem que “papéis” cada um joga durante as férias. (SPOILER – não leia se você não assistiu ao filme). E elas são sinônimos de excessos, de muita bebida, drogas e de troca de casais.

Esta é a “alma” das férias nos Estados Unidos – e em muitas outras latitudes. Parece que tudo aquilo que você deixou de fazer no resto do ano é liberado durante as férias. Relaxamento total e momento de passar todas as fronteiras – muitas, inclusive, do bom senso. Este é o pano de fundo de The Way Way Back. Sem se encaixar entre os jovens locais e com dificuldade cada vez maior de suportar Trent, Duncan descola uma bicicleta nada masculina. Esta é a primeira válvula de escape do adolescente.

Na busca de Duncan por alguma liberdade e satisfação, ele se encontra com o “eternamente jovem” Owen (Sam Rockwell). Mesmo não sendo mais um adolescente, Owen muitas vezes se comporta com o humor de um jovem. Com uma grande interpretação de Rockwell, o personagem de Owen encarna o “Peter Pan”, mas com o viés de um sujeito com grande generosidade.

Afinal, ele é o único que realmente olha para Duncan e percebe que o garoto só precisa de uma oportunidade. O protagonista deste filme necessita que alguém acredite nele para que ele possa começar a ter confiança e, consequentemente, tenha mais autoestima. Muito bacana o exemplo de Owen e a relação que ele estabelece com Duncan.

Em certo momento fica subentendido que Owen segue trabalhando na Water Wizz para seguir o legado do fundador que era, na verdade, pai do agora administrador do parque aquático. Durante o Verão, ele se solta e aproveita para ser o “rei” daquela parte da cidade. Duncan fica fascinado com o local, e com o próprio Owen. Mas, em certo momento, o herói do garoto comenta que aquele local fica vazio e horrível no Inverno.

Esta aí uma das mensagens de The Way Way Back. Quando adolescentes, podemos achar o máximo determinadas pessoas, épocas ou locais. Mas conforme o tempo passa e vemos tudo de forma mais realista, percebemos que não existem heróis, épocas ou locais perfeitos. Tudo tem pelo menos dois lados e altos e baixos. Mas não devemos desanimar com os momentos ruins, mas ter confiança que o sol vai voltar e apostar nesta “época” para curtir e disseminar o bom humor. A exemplo do que Owen faz com aquele parque e com o Verão.

Falando nesta época do ano, Trent encarna o sujeito que aguarda o Verão para extravasar e “curtir a vida adoidado”. (SPOILER – não leia… bem, você já sabe). Não demora muito para percebermos que ele é um verdadeiro “garanhão” naquela vizinhança. Por isso, não é uma novidade quando Joan (Amanda Peet) aperta ele contra a parede. Típico “machista” que precisa dar a última palavra em casa, ele segue o padrão de “faço-besteira-e-depois-peço-desculpas-e-tudo-bem”. E, evidentemente, aguarda que os demais lhe desculpem e que tudo volte ao normal, para que depois ele siga fazendo besteiras e falando mais alto.

Além da busca da autoafirmação e de “um lugar no mundo” do adolescente em vias de chegar na vida adulta, tema bastante comum no cinema, e dos outros temas citados neste texto (perfil “Peter Pan”, dificuldade de adaptação dos jovens filhos de pais separados para os novos “arranjos familiares”), The Way Way Back trata de outro tema sensível: a preocupação de mulheres que já passaram dos 40 e que se separaram sobre a possibilidade de ficarem sozinhas.

Não é por acaso que a personagem de Pam encarne o perfil de tantas mulheres que conhecemos na vida real. Não é fácil ver o amor que se acreditava ser para a “vida inteira” terminar. E tão complicado quanto é ver as oportunidades de encontrar um homem digno e interessante caírem drasticamente quando se passa de uma certa faixa etária. Sei que parece lugar-comum dizer que os homens após os 40 estão mais interessados em mulheres jovens, deixando em segundo plano as mulheres da mesma faixa etária, mas é isso o que se vê em muitas partes.

Pressionada por este cenário e não querendo ficar “sozinha”, Pam cai na armadilha de ceder em muito do que acredita e na preocupação com o próprio filho para tentar fazer o relacionamento com Trent dar certo. Afinal, o sujeito parece ter pegada… e, mesmo sendo um cretino, ele é um cara bem cuidado, bronzeado e que procura, aparentemente, sempre agradar à nova amada.

Verdade que é preciso esforço para fazer uma relação dar certo. Mas a que custo? Até onde vale à pena investir em um relacionamento quando nem todos estão satisfeitos – e no caso desta produção, fica claro que Duncan não se sente mais “em casa” desde que Trent entrou na vida daquela pequena família. Verdade também que, muitas vezes, os jovens viram “aborrecentes” e fazem de tudo para uma nova relação da mãe ou do pai não darem certos. Mas é preciso bom senso e atenção para os detalhes, para ver até que ponto pode ser “birra” do jovem que gostaria de ver os pais juntos ou de fato há incompatibilidades importantes e determinantes na nova relação.

The Way Way Back, que deveria ser, essencialmente, uma comédia, trata de todos estes temas. E o melhor: sem discursos. Tudo vai fluindo com muita tranquilidade e com um trabalho muito bom do elenco, especialmente dos atores mais experientes.

Todos estão bem, e o roteiro dos diretores Faxon e Rash mantém o interesse do espectador, ainda que o filme seja um pouco arrastado. Afinal, na maior parte do tempo parece que falta força nas piadas. O humor é ameno, assim como o drama. Por isso mesmo o filme não tem um grande impacto, apesar de ter bons momentos e ser bem feito.

A verdade é que apesar de esforçado, Liam James cansa um pouco como Duncan. Beleza o personagem dele ser um bocado deslocado, mas muitas vezes ele parece quase um autista. E nada indica que ele seja um. No fim das contas, o que parece mesmo é que o ator deu uma exagerada no tom do personagem. E sendo o protagonista, isso não ajuda ao filme.

Eu também esperava mais deste filme no quesito humor. Especialmente quando vi Jim Rash como Lewis, um dos empregados do parque aquático. Na hora lembrei dele na ótima e super recomendada série Community. Quem acompanha a série, uma das melhores de comédia da TV americana, sabe que Rash é um dos destaques da produção. Mas como roteirista, ele escreveu apenas um episódio da série.

Tendo Community como parâmetro, pensei que o filme seria melhor. Com tiradas mais engraçadas, pelo menos. Mas The Way Way Back não tem esta preocupação de fazer rir. Pelo menos não tanto quanto outros filmes do gênero. Por um lado, isso é bom. Porque melhor um roteiro um tanto ingênuo quanto este do que uma produção escatológica – e há muitas em Hollywood ultimamente. Por outro lado, eu esperava mais de um texto de Rash. Assim como esperava mais de Steve Carell – quem assistiu a The Office sabe do que estou falando. Mesmo sendo um pouco entediante, The Way Way Back tem boas intenções e um final bastante acertado.

NOTA: 8,8.

OBS DE PÉ DE PÁGINA: Além de ser louca por ótimos filmes, admito que sou um bocado viciada em séries de TV. Enquanto as novelas são o filé mignon da TV no Brasil, as séries de TV são o que os Estados Unidos sabe fazer de melhor – além de filmes, é claro. Outros países, como o Reino Unido, também são bons nisso. Mas os EUA são mestres. Gosto de assistir de tudo um pouco. Dramas, séries de ação e comédias.

E nesta última categoria, The Office e Community são das melhores que eu já assisti. Sendo assim, não fica difícil de imaginar o quanto eu esperava da união entre Steve Carell e Jim Rash neste The Way Way Back. Infelizmente o resultado não foi tão arrebatador quanto eu esperava, até porque os dois atores, especialmente Rash, tem papéis menores na produção estrelada por James. Ainda assim, este é um bom filme.

Talvez uma razão para o roteiro de The Way Way Back não ser tão bom quanto poderia ser, pelo menos no quesito comédia, seja que falte um pouco mais de experiência para Rash e Faxon. Os dois tem um longo currículo como atores, mas poucos trabalhos como roteiristas. Antes de The Way Way Back, a dupla tinha escrito junto com Alexander Payne o roteiro de The Descendants (que tem este comentário aqui no blog), bastante elogiado e ganhador de um Oscar. Além de The Descendants, Rash e Faxon trabalharam juntos no roteiro do filme feito para a TV Adopted e Rash escreveu um episódio da série Community e outro do programa Saturday Night Live. E só.

Falando de direção, The Way Way Back marca a estreia da dupla. Algo me diz que eles vão longe na parceria. Afinal, ambos tem moral e talento, basta investir mais em projetos que tenham marca própria.

Para mim, as melhores interpretações deste filme estão com os atores experientes. Destaque especial para Sam Rockwell, que rouba a cena sempre que aparece. Toni Collette e Allison Janney também estão muito bem. Além deles, entre os jovens, ganha destaque AnnaSophia Robb.

Além dos atores já citados, tem um certo destaque na história o trabalho de Maya Rudolph como Caitlin, uma funcionária do parque aquático que planejou trabalhar ali por um verão e acabou ficando três anos por causa de Owen; Rob Corddry como Kip, amigo de Trent e namorado/marido de Joan; River Alexander como Peter, o filho caçula e que vive sendo zoado pela mãe Betty; e o diretor Net Faxon como o braço direito de Owen no parque aquático.

Falando nos filhos que são zoados pelos pais… este é um tema importante em The Way Way Back e que vai de encontro totalmente ao tipo de debate que eu gosto de ter. Este não é o primeiro filme que comento aqui no blog e que me faz dizer que nem todo mundo foi feito para ser pai ou mãe. É preciso querer, em primeiro lugar, e é preciso ter “talento” ou vocação para isso. Há pessoas preparadas, e há outras que nunca estarão.

E é uma verdadeira tristeza ver figuras como Trent que, claramente, não foi feito para ser um pai. Ele não sabe estimular Duncan e nem orientar Steph. Na verdade, o que ele queria era ser um eterno lobo solitário, pelo visto. Betty, por mais tresloucada que seja, pelo menos tem afeto verdadeiro pelos filhos. Isso dá para notar. Ainda que ela também não saiba lidar muito bem com eles – especialmente com Peter. Pais desfuncionais, nada pior.

Da parte técnica do filme, gostei do estilo de direção da dupla Nash e Faxon. Eles valorizam o trabalho dos atores e aquela região dos Estados Unidos, colocando o cenário e o estilo de vida dos personagens como elementos centrais da história. O início do filme é muito promissor, com aquele controle exercido por Trent através do espelho do carro – quase que dizendo a Duncan e para o espectador que ele estará sempre “vigilante”, controlador. A disposição dos personagens naquele começo e a figura de Duncan de costas e “acuado” são muito reveladores. Pena que o restante do filme não siga com a mesma escolha acertada de cenas ilustrativas como esta. Há algumas, aqui e ali, mas estão espalhadas e sem a frequência que seria desejada.

Ainda seguindo nos aspectos técnicos, muito boa a direção de fotografia de John Bailey. O filme tem, de fato, cenas muito bonitas, plásticas, e uma predominância de sol fundamental para deixar The Way Way Back ainda mais firme e forte no “tempo” dramático do Verão. Há muita claridade em cena, e um tom “naturalista” importante. Muito bom também o trabalho da editora Tatiana S. Riegel, bastante precisa na função de dar dinâmica e ritmo para o material dos diretores.

Este é um filme de muitos diálogos. Por isso mesmo a trilha sonora de Rob Simonsen é bastante pontual. Aparece para preencher os momentos em que as pessoas não estão dialogando entre si. Mas ela não é apenas um “tapa-buraco”. Em diversos momentos ela tem importância narrativa. E em outros, quando não está tendo significado direto para os personagens, ajuda a explicar pelo que eles estão passando. Um belo trabalho, e bem planejado.

Como o cenário é um elemento importante da história, acho importante comentar onde The Way Way Back foi rodado. Esta produção está ambientada nas cidades de Marshfield, Wareham, Onset, Duxbury e East Wareham (onde fica o parque Water Wizz), todas em Massachusetts, Estados Unidos. Caso alguém quiser fazer um roteiro reconstruindo este filme. 🙂

Agora, algumas curiosidades sobre esta produção. O diretor e roteirista Jim Rash disse que a inspiração para The Way Way Back foi a sequência inicial do filme, porque ele teve um diálogo parecido com aquele entre Trent e Duncan quando tinha 14 anos e falava com o padrasto.

Como eu imaginava, The Way Way Back foi gravado em um parque aquático real usando frequentadores do local como figurantes. Segundo os produtores, Sam Rockwell costumava improvisar sempre utilizando o auto-falante do local. Em uma certa ocasião ele esqueceu que haviam muitas crianças no local e fez uma piada indecente sobre herpes. Na sequência ele teve que pedir desculpas para o proprietário do parque para que a equipe pudesse seguir trabalhando no filme e no local.

Inicialmente esta produção, com roteiro escrito em 2007, ia levar o nome de The Way Back. Mas os realizadores decidiram mudar o título para que ele não fosse confundido com o filme homônimo lançado em 2010. A ideia do título faz referência ao “way back seat”, uma expressão coloquial dos anos 1970 nos Estados Unidos para o terceiro lugar, espaço muitas vezes oculto no bagageiro de um veículo “station wagon”.

Para economizar dinheiro, os diretores resolveram não alugar trailers para os atores. Ao invés disso, eles alugaram uma casa durante o tempo de filmagens – seis semanas – onde os atores poderiam descansar entre uma gravação e outra. A residência virou ponto de encontro do elenco e da equipe do filme que, muitas vezes, se encontrava no local mesmo nos finais de semana e em dias de folga. Isso explica a sintonia entre as pessoas do elenco.

Inicialmente a personagem de Caitlyn teria pouco espaço no filme. Mas nas versões finais do roteiro ela ganhou a característica de ser mais velha – e não uma adolescente – e de ter mais interações com Owen. Quando Maya Rudolph entrou em cena, os diretores resolveram que ela ganharia importância e deixaram na mão dela e de Sam Rockwell o trabalho para que eles criassem uma dinâmica mais ativa entre os personagens.

Por pouco Steve Carell não pula fora do projeto. Isso porque ele iria passar férias com a família em Massachusetts, como eles fazem todos os Verões. Para a sorte dos realizadores, eles descobriram com o avanço do projeto que o local em que iriam filmar The Way Way Back ficava perto da casa de veraneio dos Carell. Por isso deu certo dele participar do filme.

The Way Way Back teria custado US$ 4,6 milhões, um orçamento bem enxuto para um filme nos Estados Unidos. E o resultado que a produção obteve, até agora, foi excelente. Apenas nas bilheterias dos Estados Unidos ele fez pouco mais de US$ 21,4 milhões. Nos outros mercados em que já estreou, ele acumula outro US$ 1,69 milhão. Um belo lucro.

Este filme estreou no Festival de Sundance em janeiro deste ano. Depois, The Way Way Back participou de outros sete festivais. Neste caminho, recebeu dois prêmios e foi indicado a um terceiro. Ele ganhou os prêmios de Melhor Filme e Melhor Produção dos Estados Unidos no Festival de Cinema de Newport Beach.

Esta é uma produção 100% Estados Unidos. Por isso mesmo ela entra na lista de filmes daquele país que atendem a um pedido de vocês, caros leitores, para que eu comentasse uma série de produções daquela nacionalidade. Sigo na luta! 🙂

Eu sempre fui do grupo de pessoas que adorava a chegada do Verão para passar as férias na praia. Por isso mesmo, não tenho o “apego sentimental” com o parque aquático mostrado neste filme. Ainda assim, tenho certeza que muita gente vai se identificar com este cenário e relembrar momentos marcantes do passado. E desta forma, The Way Way Back ganhará uns pontos importantes – eu entendo isso, mas não compartilho desta referência sentimental.

Os usuários do site IMDb deram a nota 7,5 para The Way Way Back. Uma avaliação muito boa, levando em conta o padrão do site. Os críticos que tem os seus textos linkados no Rotten Tomatoes dedicaram 140 textos positivos e apenas 24 negativos para o filme, o que lhe garante uma aprovação de 85% (muito boa) e uma nota média de 7,3.

Desta vez não achei ruim o título do filme no lançamento no Brasil. Afinal, seria muito complicado traduzir o sentido original. E “O Verão da Minha Vida” combina com a história. Escolha acertada.

CONCLUSÃO: Curioso como o tema da adolescência parece interminável para o cinema. Não se trata apenas da passagem da vida inocente da infância para a vida cheia de responsabilidades dos adultos. Mas o tema da autoafirmação, do autoconhecimento e da busca do próprio caminho estão no centro do picadeiro. Tudo isso acaba sendo importante em The Way Way Back não apenas porque temos um protagonista adolescente, mas porque acompanhamos umas férias de Verão da família dele. E não existe nada mais adolescente que um Verão no litoral – seja ele no hemisfério norte ou na parte sul do globo.

The Way Way Back revela de forma muito honesta como somos cobrados a desempenhar um determinado papel na vida adulta ao mesmo tempo em que muitas pessoas nunca conseguem, aparentemente, crescer. Ao mesmo tempo, há temas sérios em jogo, como a desestruturação familiar, o medo da solidão, o desafio de pertencer a algum lugar e o inevitável e já comentado desafio de um jovem encontrar o seu próprio caminho. Um filme interessante, que acaba não se destacando por elemento algum, mas que entretém e que também faz pensar. Boa diversão, mas sem nenhum grande “achado”.

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Haevnen – In a Better World – Em Um Mundo Melhor

Realidades cheias de conflitos. A definição da coragem e da covardia. Mesmo tratando deste temas em cenários muito distantes e distintos e buscando um olhar crítico sobre eles, Haevnen, produção vencedora na categoria de Melhor Filme Estrangeiro no último Oscar, revela-se também um bocado simplista e simplória. Este não é o melhor filme da ótima diretora Susanne Bier, sem dúvida. Falta-lhe um pouco de coragem e sobra um bocado de discurso pronto e fácil. Ainda assim, não foi totalmente injusta a sua premiação no Oscar porque, afinal, Haevnen é um filme muito bem acabado e visualmente interessante.

A HISTÓRIA: Nuvens pesadas deslizam pelo céu. Um vento constante sacode as vestes e as barracas de mulheres, homens e crianças. Meninos e meninas brincam em meio à poeira e à falta de quase tudo. Um grupo corre atrás de um carro aberto que leva um grupo de médicos e enfermeiros. Um destes médicos é Anton (Mikael Persbrandt), que passa parte da vida tentando salvar pessoas naquele cenário de privações e ameaças, e outra parte lidando com o divórcio da mulher Marianne (Trine Dyrholm) e com as dúvidas e problemas do filho Elias (Markus Rygaard). Anton joga uma bola para as crianças, e isso é tudo o que elas parecem precisar para serem felizes – pelo menos naquele momento. Algo aparentemente impossível para o revoltado Christian (William Johnk Nielsen), que perdeu a mãe e não consegue lidar com esta ausência. Rejeitando o pai, Claus (Ulrich Thomsen), e qualquer sinal aparente de fraqueza, Christian se aproximará de Elias e mostrará como escolhas equivocadas podem disseminar a violência.

VOLTANDO À CRÍTICA (SPOILER – aviso aos navegantes que boa parte do texto à seguir conta momentos importantes do filme, por isso só recomendo que continue a ler quem já assistiu a Haevnen): Existem, no mundo, múltiplas realidades. Há cenários de privação e outros de fartura. Verdade. Mas será que para falar sobre a origem da violência, a convicção da busca da paz pela falta de represálias, a importância da família, da vida e da morte, se faz realmente necessário confrontar um ambiente de refugiados na África com a de uma cidade típica da rica Dinamarca? Haevnen tem boas intenções, mas o filme peca por simplificações que tornam questões importantes da vida como quase exceções.

Vejamos: diariamente, nos centros urbanos ou rurais da parte que for do planeta, as pessoas não fazem escolhas? Elas decidem, por exemplo, se respeitam ou não os seus semelhantes. Independente da religião ou da crença que podem seguir. Decidem se tratam os demais como devem ser tratados, ou se não fazem isso. Frente à violência, escolhem o caminho da represália ou do perdão. Alimentam o ódio ou o amor. Sei que estas linhas, para alguns, pode parecer discurso “babaca” ou inocente, mas a verdade – e que muitos tem dificuldade de admitir – é que escolhemos o estilo de vida que temos a cada passo, a cada escolha.

Em Haevnen, o roteirista Anders Thomas Jensen nos apresenta, sempre, uma oposição de realidades. Há dois núcleos familiares muito distintos em cena. Dois países com realidades opostas – um com fartura e vida social muito bem organizada, outro com escassez de quase tudo e cotidiano imprevisível e um bocado caótico. Mas existem também providenciais similaridades. Mesmo muito diferentes, os dois núcleos familiares que acompanhamos foram desfeitos. A história também fica centrada, a maior parte do tempo – exceto quando as atenções estão para a África sob a ótica de Anton -, nas posturas de dois adolescentes.

A primeira questão importante de Haevnen é a ideia do perigo do núcleo familiar desfeito. (SPOILER – não leia se você não assistiu ao filme). Tanto a casa de Christian quanto a de Elias nunca está completa. No caso de Christian, a figura materna desapareceu. Não chegamos nem a conhecê-la. Com a morte da mãe, o garoto perde, aparentemente, o seu referencial mais amoroso. Ele parece não ter muita intimidade com o pai e se sente, assim, “sozinho no mundo”. O caminho que ele escolhe, para lidar com a dor, é a represália a todo mal que encontra à sua volta. Na leitura de alguns, ele se torna um garoto revoltado e amargurado.

No caso de Elias, a figura paterna está, quase sempre, ausente. (SPOILER – não leia se você não assistiu ao filme). Mas não pela perda maior e irreversível da morte, mas porque o pai dele é um médico dedicado a causas humanitárias. Essa ausência constante termina com o casamento de Anton e Marianne, e Elias deve enfrentar esta situação de “agravamento” da perda da figura paterna. Como ele resolve a questão? De forma pacífica, tentando entender o que está acontecendo, até que é contaminado pela revolta de Elias – que não faz o garoto mudar de atitude, mas que lhe absorve, mesmo assim, em seu redemoinho de sentimentos raivosos e vingativos.

Apenas pelas atitudes dos garotos, temos oposições de “visões de mundo”. E o mais interessante, neste aspecto – e alguns psicólogos podem falar melhor a respeito – é que eles reproduzem ou são “produtos” do ambiente familiar. Mas não apenas dele, é claro. Christian parece seguir um comportamento mais “frio”, distanciado, a síntese da forma com que o pai dele aparece na trama. Mas há poucos elementos para analisar a formação do garoto. Primeiro porque o ótimo ator Ulrich Thomsen, que interpreta a Claus, aparece pouquíssimo na história – e ele nem pode ser taxada muito como “omisso”. Depois, porque não sabemos nada sobre a mãe de Christian.

Mas algo muito diferente acontece com Elias. Sabemos mais da mãe dele do que do pai de Christian. E, como um dos grandes nomes da produção, sabemos muito mais sobre o pai do garoto. Se por um lado, aparentemente, temos a uma família de bons recursos e um tanto “sem diálogo” e com pouco afeto, como parece ser o caso de Christian, por outro temos a uma família preocupada com o caráter humano, com a preservação da vida e com o diálogo, no caso de Elias.

E daí talvez surja um dos poucos elementos realmente interessantes deste filme: por mais óbvia e esquemática que seja uma realidade apresentada, o roteirista Jensen e a diretora Susanne Bier nos mostram, de forma menos escancarada, como nenhuma realidade “perfeita” ou “corrompida” é composta por apenas um destes elementos. A filosofia e convicção pacifista e humanitária de Anton e da mulher tem limites, como comprova a atitude dele com um dos vilões do Quênia. E a indiferença e o pragmatismo do pai de Christian se mostram um argumento fácil de ser comprovado cada vez que ele se aproxima do filho e não consegue romper a armadura que o garoto vestiu desde que perdeu a mãe. (SPOILER – não leia… bem, você já sabe). Finalmente, o próprio Christian, tão cheio de razão, percebe que não importa toda a lógica ou senso de “justiça” torto do mundo: a violência nunca dará bons frutos. Quando ele percebe o peso de seus atos, apenas um gesto de perdão pode redimir a todos.

Agora, voltando a um lugar-comum que me irritou um pouco: fica evidente, logo pelas primeiras cenas do filme, a preocupação dos realizadores em contrastar a realidade de miséria pura de um país africano com a da fartura de um país desenvolvido. Fazia falta esta simplificação de propósito? Será que em uma África carente não convivem também pessoas que lutam pela paz com aquelas que buscam semear a violência? E o mesmo não pode ser encontrado na Dinamarca? Por que contrastar crianças de extrema carência com aquelas que parecem “ter tudo”. Talvez foi a forma da diretora e do roteirista fazer o espectador refletir que nem tudo é o que parece. Ou que nem tudo é tão óbvio quanto costumamos pensar. Na miséria da África pode existir mais alegria em coisas simples do que na “fácil” Dinamarca para onde Anton volta sempre. Mas há perigo e pessoas dispostas a semear a violência em todas as partes. Parece que a minoria tenta preservar o direito de não reagir a uma agressão na mesma moeda. Mas mesmos estes tem seus momentos de fraqueza.

Sim, Haevnen é um filme sobre realidades conflitantes e que nunca estão alheias a contaminação de princípios. O que torna o filme, até certo ponto, uma produção sem muita esperança, diferente do que o título possa sugerir. O paraíso não está na “miséria e simplicidade” da África. Nem nas ruas bem organizadas da Dinamarca. Talvez a única chance de termos algo parecido com o paraíso esteja nos gestos finais de Anton e Elias, que representam o amor através do perdão. Defender isto é sempre difícil e exige sacrifícios. Mas é possível. Por estas ideias e pela beleza da direção de Susanne Bier, pelas interpretações dos atores principais e pela direção de fotografia de Morten Soborg o filme, no fim das contas, possa merecer a nossa atenção. Apesar da preguiça que ele desperta, muitas vezes, das simplificações, estigmas e lugares-comum da história.

NOTA: 8.

OBS DE PÉ DE PÁGINA: Haevnen não é um grande papa-prêmios. Pelo contrário. Ele ganhou apenas as duas premiações mais badaladas de Hollywood: o Globo de Ouro e o Oscar deste ano como Melhor Filme Estrangeiro. E só. Pouco para um filme ser consagrado. E cá entre nós, acho que foi bastante, para a qualidade da produção. Gosto da diretora Susanne Bier, mas acho que precisamos ter um ano muito fraco de candidatos para Haevnen ser considerada a melhor produção do ano. Dos outros concorrentes do Oscar deste ano, assisti apenas ao grego Kynodontas e, francamente, achei este último, pelo menos, mais original. E impactante. Se boas intenções ganhassem o Oscar, certamente Haevnen foi o merecedor. Mas se for avaliada a originalidade, Kynodontas merecia mais. Só depois de assistir aos outros três é que poderei dizer, com todas as letras, se houve alguma injustiça este ano.

O elenco de Haevnen faz um belo trabalho. Merece uma menção especial os atores Mikael Persbrandt, Markus Rygaard e William Johnk Nielsen – ainda que este último, algumas vezes, cai tanto no estereótipo que chega a cansar. Além dos outros atores citados, vale a pena citar os coadjuvantes Wil Johnson, como o médico Najeeb; e Odiege Matthew como o asqueroso Big Man. Da equipe técnica, além da excelente direção de fotografia de Morten Soborg, merece menção a trilha sonora de Johan Söderqvist e a edição da dupla Pernille Bech Christensen e Morten Egholm. Pena que o ótimo ator Ulrich Thomsen seja disperdiçado na história, aparecendo pouco no filme.

Esta produção foi filmada no Quênia e em quatro cidades dinamarquesas: Faborg, Rudkobing, Svendborg e Tasinge.

Mesmo ganhando o Oscar e o Globo de Ouro, Haevnen teve um desempenho irrisório nas bilheterias dos Estados Unidos. A produção, que estreou no dia 3 de abril, arrecadou pouco mais de US$ 512,4 mil dólares até o dia 8 de maio.

Haevnen ganhou poucos prêmios, mas não foi por falta de participação em festivais. Após estrear na Dinamarca em agosto de 2010, o filme passou por 12 festivais mundo afora, incluindo os do Rio, de São Paulo, o de Sundance e o de Toronto.

Os usuários do site IMDb deram a nota 7,7 para o filme. Os críticos que tem os seus textos linkados no Rotten Tomatoes ficaram muito perto deste número, dedicando 64 críticas positivas e 22 negativas para a produção, o que lhe garante uma aprovação de 74%.

Agora, um momento de confissão: fiquei muito, mas muito tempo mesmo sem publicar um texto novo aqui no blog. Certo que uma parte da justificativa para isso foi o excesso de trabalho no jornal em que atuo como repórter. Mas outro motivo foi também uma certa “decepção” que tive com este filme. Por gostar da diretora, do roteirista e de alguns dos atores da produção, sou franca em dizer que eu esperava mais. E também por ele ter ganho o Oscar. Achei o resultado final muito fraco perto do potencial dos realizadores. E daí me deu um certo “desânimo” em escrever a respeito, nas poucas vezes que tive oportunidade desde o Oscar. Fui adiando, adiando, até que resolvi me “livrar” logo do texto para, finalmente, me lançar em outros filmes. Melhores, piores, só o tempo dirá. Obrigada aos que tiveram paciência de esperar e espero, sinceramente, que textos melhores venham por aí. 🙂

Uma curiosidade sobre o filme: o texto que Christian lê no funeral da mãe é de Hans Christian Andersen, The Nightingale.

CONCLUSÃO: A embalagem é bonita, mas o conteúdo, muito manjado. Haevnen tem um ótima direção de fotografia e boas intenções, mas patina em lugares-comum e na simplificação da dualidade. É realmente necessário comparar um acampamento de refugiados em permanente tensão na África com o ambiente escolar conflituoso de uma cidade na Dinamarca? O único ponto interessante na aproximação destes extremos, para mim, foi a reflexão “ligeira” sobre os contrastes do mundo que podem ser vivenciados por um mesmo indivíduo, personificado pelo médico Anton (Mikael Persbrandt). Através dele, percebemos como a globalização pode aproximar mundos tão díspares e, sem planejar muito, ensinar princípios de humildade, igualdade e de combate à violência para jovens de partes muito diferentes do globo. Esta é a mensagem bacana e necessária do filme. Mas a forma com que estes conceitos são apresentados chegam a cansar, pela previsibilidade do roteiro e a sua simplificação extrema. Nem todos são vítimas na África e nem todos os órfãos de mãe revoltados podem assumir toda a culpa de uma lógica violenta em uma sociedade em que existe fartura. O mundo e as pessoas são mais complexos do que isto. Mas nada, em parte alguma, pode ser tão complicado que não haja solução. E ela reside, sempre, no olhar atento e afetuoso para o outro, na decisão pela não-violência, no amor e no perdão. Talvez por esta mensagem de um paraíso possível, ainda que difícil de alcançar, o filme valha.

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E o Oscar 2011 foi para… (avaliação online dos premiados deste ano)

Boa noite.

Ufa! Por pouco não chego atrasada para assistir e comentar sobre os premiados deste ano.

Diferente do Oscar de 2010, desta vez eu estava trabalhando… ganhando o pão de cada dia. No ano passado, me dava ao luxo de estar apenas estudando. Desta vez, é diferente. Mas estou feliz, inclusive, por esta mudança na minha vida. Certamente minha alegria atualmente é maior do que em 2010. Mas vamos falar do Oscar, e não de mim. 😉

A expectativa para este Oscar, como eu disse no texto anterior, sobre os indicados, é de que tenhamos poucas surpresas nesta noite. Acredito que teremos dois ou três filmes com quatro estatuetas cada um. A grande dúvida é se Hollywood vai se render a The Social Network ou The King’s Speech. Nas demais categorias, os premiados são bastante previsíveis. Quer dizer, surpresas sempre podem acontecer… logo veremos.

Como fiz no ano passado, conforme os premiados forem sendo anunciados, vou comentando sobre os resultados por aqui. No Twitter também farei alguns comentários esporádicos. Este é o segundo ano em que o Oscar abraça 10 filmes na disputa pelo prêmio principal. Uma forma da Academia abrir o leque para agradar aos que gostam de filmes conceituais, mais alternativos, com o gosto do grande público, que prefere os filmes mais comerciais. Na prática, contudo, tanto neste ano como em 2010, a lista de produções que realmente tiveram alguma chance na premiação não passou de cinco. Natural.

Se a escolha de hoje à noite dependesse dos leitores deste blog, sem dúvida Black Swan seria a surpresa da noite. Não é algo impossível, mas improvável. De qualquer forma, concordo com a maioria dos leitores que votaram por aqui: o filme merecia. Mas, cá entre nós, ele é muito ousado para os padrões de Hollywood – ainda. Quem sabe mais alguns anos de evolução da indústria e um filme como este possa sair consagrado? Quem sabe…

No Brasil, 22h30, começou a cerimônia de premiação com o já tradicional vídeo de tiração de sarro com os principais concorrentes deste ano. Algumas boas tiradas, outras meio sem graça… como nos últimos anos. Sem novidades. Quer dizer, quase… os melhores trechos foram de The King’s Speech e Black Swan, ainda que a melhor tirada foi mesmo colocar Back to the Future no meio do enredo.

Em seguida, James Franco e Anne Hathaway no palco, engraçadinhos e elegantérrimos. Os dois à altura de Hugh Jackman no ano passado – ainda que eu preferia ele se esforçando um monte com aquele número musical, vocês se lembram?

Bacaníssima a dinâmica do cenário este ano. Começando com a homenagem para …E o Vento Levou e Titanic.

E o primeiro premiado, bastante esperado. Em Direção de Arte, deu Alice in Wonderland na cabeça. Merecidíssimo – e olha que nem assisti ao filme, mas opino apenas por ter visto ao trailer e ao trabalho de desenvolvimento dos cenários. Fantástico. Claro que a dupla que foi receber a estatueta agradeceu ao diretor – e fez gracinha e tudo, brincando com a “careca” da estatueta.

Estava na torcida por Black Swan em Melhor Fotografia, mas deu na cabeça Inception. Merecido também. Na verdade, o filme dirigido por Nolan deve levar quase todos os prêmios técnicos. Não é por acaso que o diretor de fotografia agradeceu a Nolan, com quem fez vários filmes antes – inclusive dois Batman.

“Um dos atores mais transcendentes de todos os tempos”… e aparece o Kirk Douglas, aplaudidíssimo. Bacana. E ele, ótimo, pergunta onde estava Anne Hathaway quando ele estava fazendo filmes. 😉 O ator veterano apresenta as indicadas na categoria Melhor Atriz Coadjuvante. Expectativa… Melissa Leo vestida para matar.

Kirk Douglas, mega engraçado, até agora, o melhor da noite. Quebrando o protocolo, ele jogou com as expectativas da plateia e das indicadas, em especial. Depois de abrir o envelope e jogá-lo no chão, ele brincou por ter sido indicado três vezes ao Oscar e por sempre ter perdido. Brincou com as pessoas que estavam rindo – e com Colin Firth que, por ser inglês, não estava.

E o Oscar foi para… Melissa Leo. Linda. E apesar daquela ideia infeliz dos anúncios nos jornais e revistas, ela merecia. Muito bem entregue esta estatueta. Melissa Leo agradeceu a todos os atores que dividiram a cena com ela em The Fighter. Algo justo também, porque um dos pontos fortes da produção é, realmente, o trabalho dos atores.

Justin Timberlake e Mila Kunis em cena. Ela foi injustiçada. Deveria ter sido indicada este ano na categoria anterior, de Melhor Atriz Coadjuvante. Mas ok, todo ano alguém que merece fica de fora. Os dois apresentaram os indicados a Melhor Curta de Animação. The Lost Thing surpreende e ganha de outros que eram favoritos. Primeira “zebra” da noite. Mas, por isso mesmo, bacana. Bom ver uma produção mais independente ganhando um prêmio que é importante para o fomento de jovens talentos. Os premiados agradeceram à família e a música começou a subir… mas foram bastante aplaudidos.

Em seguida, Melhor Filme de Animação. Desta vez, sem surpresas. Levou a estatueta Toy Story 3. Muito, muito merecido. O diretor Lee Unkrich agradece a uma imensa lista que ajudou a produzir o filme – justificando aquela grana toda investida, claro. Até a “avozinha” ele agradeceu. Sem muita emoção, mas bonitinho. Até agora, apenas uma pequena surpresa: em Melhor Curta de Animação. O restante, previsto.

Como vocês bem sabem, logo mais, vou ampliar este texto. Por agora, apenas os primeiros comentários de cada premiação. Depois amplio com outros detalhes sobre os vencedores, os derrotados e algum possível injustiçado. E seguimos… (Adendo no dia 12 de março: estou aqui, revisando este texto e colocando novas fotos e, francamente, acho que vou acrescentar pouco. Prefiro logo me lançar a outro filme e crítica do que acrescentar muito mais por aqui).

Entra em cena o ótimo (em vários sentidos) Javier Bardem. E agora sim, uma prévia do que virá na noite com a categoria Melhor Roteiro Adaptado: The Social Network levou a estatueta. O que só aumenta as possibilidades deste filme levar na categoria principal. Merecido, muito merecido este Oscar. Porque o roteiro é corajoso e muito bem escrito – difícil traduzir para a tela a complexidade da história do criador do Facebook sem que a produção fosse óbvia ou chata. O discurso do Sorkin chatinho, mas tudo bem. A gente dá um desconto.

Em seguida, Melhor Roteiro Original. A expectativa é que ganhe The King’s Speech. E deu o esperado. Grande vitória. Merecidíssima. Grande roteiro de David Seidler, que foi mais divertido no discurso.

Ele brincou que era uma das pessoas que ganhou o Oscar com mais idade na história. E que isso era uma coisa boa, que deveria acontecer com uma frequência maior. Brincou que ele sempre foi um “pouco atrasado” e agradeceu pela Rainha da Inglaterra não ter fechados as portas para esta história.

Disse que muitas pessoas no mundo gaguejam, e encerrou falando: “Sim, nós temos uma voz. E sim, nós fomos escutados”. Bacana. Possivelmente o melhor discurso da noite até agora. (Adendo no dia 12/3: e, francamente, foi um dos melhores discursos de toda a noite. Muito simpático o velhinho roteirista genial.)

Anne Hathaway volta soltando a voz. Mandando ver muito, muito bem. E, claro, tirando um sarrinho do Hugh Jackman – que teve que fazer uma cena sozinho no ano passado. E o palhaço do James Franco aparece como Marilyn Monroe. Só que menos engraçado.

Perderam “o ponto”, digamos. E aparece em cena a fantástica Helen Mirren, falando em francês. E tirando sarro do desempenho de Colin Firth como rei. Dizendo que ela foi superior como rainha. 😉 Genial.

Melhor Filme Estrangeiro para Haevnen, da genial, fantástica Susanne Bier. Fiquei feliz. Ainda que goste muito de Iñarritu, e queira assistir a Biutiful, mas Bier merecia há tempos levar uma estatueta. Bacana.

E agora, deve dar Christian Bale. Ainda que tenhamos outros grandes intérpretes em cena, está na hora de Bale ser reconhecido na categoria Melhor Ator Coadjuvante.

John Hawkes e Geoffrey Rush também mereciam, é fato, mas Christian Bale estava matador – ainda que ele tivesse feito algo bem parecido antes. Mas era hora dele ganhar.

Após ser anunciado como vencedor, Bale foi bastante generoso e agradeceu a todos os envolvidos em The Fighter, do diretor até os atores, assim como o personagem real figuraça em quem ele se inspirou – e que estava no Kodak Theater. Agradeceu também à esposa, que enfrentou “vendavais” ao lado dele, lembrando também da filha que os dois tiveram. Um dos bons discursos da noite também.

Hugh Jackman e Nicole Kidman juntos… há um tempo, isso seria motivo para fofocas. Desta vez, não.

E antes, a Academia agradecendo a parceria com a ABC. Definitivamente, uma emissora melhor que a Globo, que preferiu o Carnaval em 2010 e o BBB, este ano, do que o Oscar na transmissão. Meu gosto não bate com o deles, certamente. 🙂

Em seguida, um show da orquestra interpretando algumas das trilhas sonoras clássicas do cinema. De arrepiar, para quem acompanha essa história há um tempinho.

Na categoria Melhor Trilha Sonora, grandes concorrentes. Muitos veteranos e premiados na disputa. E ganha Trent Reznor, que fez um grande trabalho em The Social Network. E ainda que eu goste muito de outras trilhas na disputa, Reznor e equipe mereceram a estatueta. Entre outros agradecimentos, ele falou de David Fincher, claro, que deve receber, logo mais, a estatueta como Melhor Diretor.

Agora, nas categorias técnicas de som, aposto em Inception. Em Melhor Mixagem de Som, claro, Inception levou a estatueta. Nem preciso dizer que extremamente merecido, não?

Agora, Melhor Edição de Som. Deve dar Inception também… e deu. O filme levou a maior parte das estatuetas nas categorias técnicas até agora, como previsto também. Sem grandes surpresas até o momento.

Voltando para a apresentação, devo dizer que o James Franco está me dando um pouco nos nervos. Tenta ser engraçado todo o tempo mas, algumas vezes, parece apenas exagerado – e/ou fake.

E depois de Marisa Tomei falar sobre os prêmios técnicos, Franco solta: “Ok, parabéns, nerds”. Tá, deu pra ti.

Cate Blanchett, super elegante, apresenta a categoria Melhor Maquiagem, que teve como vencedor The Wolfman, certamente um trabalho muito difícil e que ficou excelente – não assisti ao filme, ainda, mas pelas fotos e trailer, foi merecido. Na categoria Melhor Figurino, o excelente trabalho de pesquisa e o resultado criativo de Alice in Wonderland.

Depois, o momento musical que é uma tradição do Oscar. As apresentações de Melhor Música foram feitas de uma forma bacana, no melhor estilo “nós temos classe”. A interpretação de Tangled foi das mais bacanas. Amy Adams e Jake Gyllenhaal aparecem em seguida para falar dos curtas, destacando que muitos grandes diretores fizeram, antes, este tipo de produções. Gyllenhaal brinca que estes também são os erros mais comuns dos bolões, por isso ele recomenda que as pessoas passem a assistí-los para ter mais chances de acertar os palpites.

Veremos se acertei no meu chute deste ano… Em Melhor Documentário em Curta-Metragem, ganhou Strangers no More. Fiquei feliz. Não assisti, mas achei que ele tinha a melhor premissa entre os concorrentes. Como Melhor Curta-Metragem, uma surpresa: God of Love, que levou para o palco a figura mais engraçada (visualmente) da noite. Ele brincou que deveria ter cortado o cabelo… sinal que nem ele acreditava que iria ganhar. Boa. Agora sim, faço questão de ir atrás deste curta. Dos dois, aliás. E sim, vale muito a pena assistir aos curtas que são indicados, a cada ano, para o Oscar.

Depois, antes do novo prêmio, uma das melhores tirações de sarro da noite. Brincaram com remixes comédia dos filmes, lembrando um dos videos da internet que mais fez sucesso em 2010. O Oscar dando a devida importância para a internet – independente de The Social Network levar a melhor da noite ou não. E James Franco com aquela cara de pateta engraçadinho que cansou. Anne Hathaway, por outro lado, se deu bem até sendo palhaça.

Oprah Winfrey apresenta os filmes indicados como Melhor Documentário. Minha torcida para o filme do Banksy, claro. Mas quem levou foi Inside Job. E o diretor começa colocando o dedo na ferida, dizendo que mesmo três anos depois da bancarrota, nenhum dos executivos culpados foi preso. Momento político tradicional do Oscar também. Fiquei curiosa para assistir ao filme agora. E conferir se ele realmente mereceu ter vencido a Banksy, que é genial.

Na volta da cerimônia, Billy Crystal aparece em cena, após uma homenagem de Anne Hathaway – dèja vu total, já que ele apresentou a cerimônia por muitos anos.

Ele fala do primeiro Oscar que passou na televisão. Crystal homenageia ainda ao grande Bob Hope, que apresentou o Oscar durante mais tempo que nenhum outro.

Robert Downey Jr. e Jude Law apresentam Melhores Efeitos Especiais que, como era mais que esperado, foi ganho por Inception. Um trabalho de primeiríssima, sem dúvida. Nos agradecimentos, claro, os realizadores e familiares.

Depois, como Melhor Edição, grandes indicados e um vencedor: The Social Network. Como eu tinha cantado antes. A disputa foi boa, mas o trabalho da dupla de premiados, imprescindível e bastante inspirado. Merecido pois – ainda que outros também mereciam.

Um empate técnico, se ele fosse possível, teria sido a melhor solução (Adendo no dia 12/3: o empate técnico ao que me referia seria perfeito acrescentando Black Swan). Até agora, uma premiação quase sem surpresas. A maior, para mim, foi mesmo em Melhor Curta de Animação e Melhor Documentário. Mas também porque não assisti a todos os indicados este ano. Depois que conferir a todos eles, poderei falar melhor se houve alguma injustiça.

Agora, cá entre nós, parece que dividiram a dupla de apresentação do Oscar deste ano entre dois anões: Anne-Feliz e James-Rabugento. As caras, gestos e reações ficaram muito segmentadas. Exageradamente, eu diria.

Depois, novas canções sendo apresentadas. Gwyneth Paltrow, mais cantora que atriz – há tempos – em uma versão bastante “terral” e/ou dourada – e quase sem maquiagem.

Ganhou como Melhor Canção Original, a música de Randy Newman, We Belong Together, por Toy Story 3. Acertei esse. 😉 E merecidíssimo o Sr. Newman levar, porque ele é um dos grandes compositores de Hollywood nas últimas três décadas, no mínimo. Em seu currículo, nada menos que 106 trilhas sonoras.

Depois do intervalo, Celine Dion canta enquanto aparecem as imagens das pessoas que morreram ano passado. Um momento “carga emocional mil” que poderia ter sido vivido de outra forma. Celine Dion, me desculpem os fãs, aumentou a carga “piegas” de uma maneira desnecessária. Mas ok, bom rever grandes nomes, ainda que a música não tenha ajudado.

Uma das mais bonitas da noite, Hilary Swank, entrou em cena para dar passagem para a ótima Kathryn Bigelow, que apresentou o Oscar de Melhor Diretor. Ainda que eu torça sempre para Aronofsky, esta será a noite de David Fincher.

Ou não… para a minha surpresa, o grande trabalho de Tom Hooper em The King’s Speech ganhou do favorito David Fincher. Bacana. E isso adianta que o grande filme com roteiro de David Seidler, direção de Hooper e interpretação incrível de Colin Firth pode levar o grande prêmio da noite.

Poucas surpresas até aqui. E todas positivas. Quando isso acontece, vale a pena assistir ao Oscar, mesmo em um ano com tanta enrolação e xaropice como está sendo a apresentação de 2011.

Seguindo a linha “intimista” da apresentação dos indicados em Melhor Atriz e Melhor Ator trilhada no ano passado, Jeff Bridges começou os trabalhos com Annette Bening.

Depois, seguiu uma homenagem bacana para Nicole Kidman.

Em seguida, a bela Jennifer Lawrence, muito diferente da aparência que teve em Winter’s Bone.

E Natalie Portman… ah, minha favorita. Curioso que escolheram uma cena em que ela dá um show mas que não foi a mais difícil em Black Swan.

Fechando a lista, Michelle Williams, que ainda vai levar um Oscar, um dia destes – porque é uma ótima atriz, pouco valorizada até agora.

E deu Natalie, como mais que esperado. Ela soltou algumas lágrimas sinceras e fez um discurso justo. Disse que a grande sorte que ela teve foi trabalhar com uma grande equipe, fazer o que ela gosta – interpretar – e agradeceu muito o exemplo que recebeu dos pais.

Fez uma homenagem muito bacana ao Aronofsky, chamando ele de visionário. Muito justo. Ele é dos grandes.

Agradeceu a uma lista enorme de pessoas, dos amigos até aqueles que deram a oportunidade para ela trabalhar anteriormente. O melhor discurso até o momento. Agradeceu inclusive quem assinou o trabalho de maquiagem, vestuário… não esqueceu ninguém. Generosa, bacana.

Sandra Bullock apareceu em seguida para apresentar a categoria Melhor Ator.

Começou com Javier Bardem e um “Hola”.

Jeff Bridges saiu rapidinho do palco e foi o citado seguinte. Bullock tentou ser engraçada, dizendo que ele ganhou no ano passado e que deveria dar uma chance para os demais mas, claro, não foi engraçada coisa alguma. Mas ok, um dia, quem sabe… 😉

O fantástico Jesse Eisenberg foi o terceiro da lista. Bullock, mais uma vez, fez uma gracinha dizendo que estava esperando que ele aceitasse ela no Facebook. Ok, vamos adiante.

Bacana que ele foi muito aplaudido após o tradicional trecho da interpretação dele.

E então o favorito Colin Firth. Deslumbrante, relaxado, merecedor.

Nos bastidores, James Franco, o último indicado.

Venceu Colin Firth, como era o esperado. Ele brinca que este deve ser o momento alto de sua carreira e que agora precisa descobrir o que virá depois. Ameaçou dançar no palco e citou os outros concorrentes – mas não nominalmente.

Agradeceu os companheiros de cena, o roteirista e o diretor. Agradeceu as pessoas que fizeram parte da carreira dele, especialmente Tom Ford – que dirigiu A Single Man, filme pelo qual ele concorreu ao Oscar no ano passado e que, para muitos, perdeu injustamente.

Finalmente, o prêmio principal da noite, apresentado por Steven Spielberg. Bacana que ele citou grandes produções que venceram na categoria, na história da premiação, e outras grandes produções que não receberam o prêmio principal.

Uma apresentação bastante equilibrada dos 10 indicados deste ano. Ficou bacana o painel com os filmes, vários deles muito bons, realmente.

E o Oscar de Melhor Filme foi para… The King’s Speech.

Opaaaaaa. Legal. Como vocês, que me acompanham, sabem, era o meu preferido, levando em conta que apenas ele e The Social Network tinham chances reais este ano.

Claro que se eu pudesse escolher, eu colocaria do lado de The King’s Speech a Black Swan mas, infelizmente, ainda vai levar um tempo para a Academia premiar um filme como este do Aronovsky. Entre os favoritos, The King’s Speech, sem dúvidas. Vivaaaaaa.

Obrigada aos leitores e leitoras que me acompanharam esta noite. Amanhã ou na quarta, no mais tardar, prometo deixar esta página mais bonitinha, com a publicação de fotos e mais alguma curiosidade dos premiados. (Adendo do dia 12/3: como vocês puderam observar, demorei mais tempo para colocar as tais fotos… hehehehe. Sorry.)

Boa noite para quem esteve assistindo ao vivo, como eu. E bom dia e boa tarde para quem chegar por aqui depois. 🙂

E viva ao Oscar, esta premiação que é uma festa do cinema. Comercial, principalmente, cheio de lobby e negociações de bastidores, mas também com muitos filmes de arte, independentes e uma boa salada mista do que se produz por aí. Até o próximo!