The Imaginarium of Doctor Parnassus – O Mundo Imaginário de Dr. Parnassus


Um diretor genial, um elenco estelar, o último trabalho de um ator premiado como Heath Ledger e, ainda assim, The Imaginarium of Doctor Parnassus parece uma obra inacabada. Algo está faltando. Ou muita coisa parece ter ficado no caminho. O mundo extraordinário do personagem título não convence como deveria. Em uma era em que James Cameron busca a perfeição em 3D, o filme de Terry Gilliam parece traços de um amador ou uma caricatura de um iniciante. Mesmo a história, que bebe na já conhecida lenda do “homem que tentou enganar o diabo”, não apresenta nada de novo, não reinventa a fórmula e, mesmo que tudo isso não seja necessário, nem mesmo convencer o filme convence. Falta encantamento e espaço para que o espectador possa explorar a sua imaginação – no filme de Terry Gilliam tudo é explicado demais.

A HISTÓRIA: Em Londres, uma companhia de artistas mambembe  busca público para seu espetáculo The Imaginarium of Doctor Parnassus. O jovem Anton (Andrew Garfield), vestido de Mercúrio, tenta chamar as pessoas que passam, mas ele não consegue atrair ninguém. Exceto por um grupo de jovens que beberam demais e que estão saindo da boate Medusa. Liderados por Martin (Richard Riddell), eles se aproximam do espetáculo, mas apenas Martin resolve perseguir a bela Valentina (Lily Cole), filha do Dr. Parnassus (Christopher Plummer). Tentando escapar do bêbado abusado, Valentina entra no espelho mágico. Lá dentro, Martin se perde em um mundo irreal criado por sua imaginação e estimulado pelo Dr. Parnassus. Em permanente movimento, o espetáculo muda de local e, no caminho, Dr. Parnassus volta a se encontrar com um antigo parceiro de apostas, Mr. Nick (Tom Waits). Perto de perder mais uma delas, Dr. Parnassus joga as cartas do baralho e pressente a chegada de Tony (Heath Ledger), um jovem desmemoriado que irá mudar a vida do grupo para sempre.

VOLTANDO À CRÍTICA (SPOILER – aviso aos navegantes que boa parte do texto à seguir conta momentos importantes do filme, por isso recomendo que só continue a ler quem já assistiu a The Imaginarium of Doctor Parnassus): Respeito muito o trabalho do diretor e roteirista Terry Gilliam. Ele é uma verdadeira lenda. Um dos remanescentes do genial grupo inglês Monty Phyton, Gilliam sobreviveu ao tempo e ainda produziu outros trabalhos independentes incríveis, como Twelve Monkeys e Fear and Loathing in Las Vegas. Prestes a completar 70 anos, contudo, ele deu um palso em falso com esta produção sobre o Dr. Parnassus. Em breve, quando estrear o novo filme de outro gênio dos cinemas, Tim Burton, Alice in Wonderland, ficará ainda mais evidente como Dr. Parnassus parece uma tentativa frustrada ou o trabalho de um amador.

Sem problemas um filme ser “nonsense” ou explorar de maneira descarada a imaginação cheia de simbolismos e lógicas escondidas. Esse não é o problema. A questão é que Dr. Parnassus não tem uma história interessante que sustente toda a “viagem” imaginada por Terry Gilliam. E o pior: na fase de alta tecnologia em que estamos, um filme não pode ficar no meio do caminho entre o artesanal e o visual produzido pela alta tecnologia. Em outras palavras, é possível sim produzir ainda obras no melhor estilo de Fellini, em que a imaginação ganha uma tintura quase teatral. O que não convence é quando Gilliam tenta fazer algo que mistura artesanato com alta tecnologia. Isso funcionava na década de 70, nos filmes revolucionários do Monty Phyton, mas agora essa estética parece apenas fora de moda.

Salta aos olhos do público efeitos especiais de quinta ou, sendo gentil, terceira categoria. Cito, explicitamente – entre outras – a sequência em que a imagem do Mr. Nick aparece em um rio de águas turvas que marca a escolha de uma dondoca incentivada por Tony a escolher o “desprendimento”. Se no visual o filme funciona apenas em parte – quando ele é escancaradamente teatral -, no roteiro ele também parece um bocado perdido. Há momentos em que o texto de Terry Gilliam e Charles McKeown consegue aliar intenções com execução, ou seja, que através da direção de Gilliam se torna interessante e convence o espectador. A maioria deles tem a ver com os diálogos entre Mr. Nick e Parnassus e entre Tony e Valentina. No mais, o roteiro de Dr. Parnassus é arrastado e previsível, carregado de poucas surpresas e, o que é fatal para um projeto como este, quase nenhum encantamento ou “magia”.

Provavelmente os fãs de Heath Ledger vão discordar de mim, mas nem da interpretação do ator eu gostei. Desde a primeira fala dele até a sua última nesta produção o astro me pareceu caricato. Ok, seu personagem pedia um tom um pouco exagerado de interpretação. Mas, ainda assim… ele não parecia, simplesmente, ele mesmo. Sem saber quando os outros atores iriam entrar em cena e a razão que seria dada no roteiro para isto – me recuso a ler textos sobre as produções que assisto antes de assistí-las -, Heath Ledger me parecia mais com Johnny Depp do que com Heath Ledger. Cheguei a respirar aliviada quando o próprio Depp entrou em cena – agora sim, rosto e interpretação estavam casando perfeitamente. Uma triste despedida para um ator tão talentoso quanto Ledger. A verdade é que seria melhor, para seus fãs, lembrarem do ator em outros de seus trabalhos.

Ainda que Christopher Plummer defenda bravamente o seu personagem de Dr. Parnassus, o nome deste filme é o de Tom Waits. O músico e ator simplesmente rouba a cena toda vez que aparece. Seu personagem, também, é o melhor desenvolvido do roteiro. Suas aparições e uma ou outra sequencia envolvendo Valentina – como as cenas em que ela está viajando com sua trupe e Gilliam aproveita para mostrar o lado itinerante do grupo e Londres durante a noite – valem o tempo gasto com a produção. Vale citar ainda o trabalho do ator Verne Troyer como Percy, fiel companheiro do Dr. Parnassus.

A reflexão sobre a capacidade das pessoas atualmente se sentirem maravilhadas pelo “mistério”, pela imaginação ou pelos contadores de história é interessante. Certamente o Diabo teria atualmente, em uma era do consumismo e dos valores facilmente intercambiáveis, muito mais chances de ganhar uma aposta do que o homem sábio e crente. Ainda assim, tanto tempo e tantos recursos para tratar desta velha história me parecem um desperdício. Nem sempre grandes nomes acertam em todos seus projetos. Por tudo isso, devo dizer que a nota abaixo está relacionada com o respeito que eu tenho à carreira de Terry Gilliam, porque o filme propriamente dito merecia muito menos. Talvez um 6. Infelizmente a imaginação e a ousadia do diretor e roteirista, desta vez, ficaram abaixo da média do mercado.

NOTA: 7.

OBS DE PÉ DE PÁGINA: Assistindo a este filme, fiquei com saudade do Dr. Caligari, personagem clássico lançado em 1920 pelo filme Das Cabinet des Dr. Caligari – que ganharia outras versões posteriormente. Naquela produção – e em outros do gênero – sim havia mistério, uma permanente sombra de perigo/morte e o convite provocativo para que o espectador imaginasse o que estava acontecendo. Em The Imaginarium of Doctor Parnassus tudo é explícito demais – e um bocado “fake” ou mesmo “kitsch”. Não combina muito com o final da primeira década do século 21 ou mesmo com a carreira inovadora de Terry Gilliam.

Como a maioria ou todos devem saber, Heath Ledger morreu enquanto o filme ainda estava sendo rodado. Com a morte do ator, a produção acabou sendo suspensa por alguns meses. A sorte de Terry Gilliam é que as cenas filmadas com Ledger permitiram que o trabalho do ator pudesse ser complementado com as atuações de Johnny Depp, Jude Law e Colin Farrell. A aparição de cada um dos três casa perfeitamente com a premissa de que algumas pessoas podem mudar seus aspectos quando entram no “mundo imaginário” incentivado/criado pelo Dr. Parnassus. Parte do roteiro, contudo, teve que ser reescrito para que a história pudesse se adequar com a ausência de Ledger.

Uma curiosidade ainda sobre esta participação dos três astros para complementar o trabalho de Heath Ledger: segundo o site IMDb, eles doaram os cachês que receberam por seus trabalhos para Matilda, filha de Ledger, como forma de garantir-lhe um futuro mais seguro. Um belo gesto, sem dúvida.

The Imaginarium of Doctor Parnassus faz várias referências à peça Esperando Godot (no original, En Attendant Godot), de Samuel Beckett. As mais evidentes seriam o terno e o chapéu utilizados por Mr. Nick e a cena em que Jude Law aparece com uma corda no pescoço.

O ator Dominic Cooper teria feito os testes para o papel de Anton. Talvez ele tivesse se saído melhor que o relativamente “cru” Andrew Garfield.

Os produtores do filme dizem que Heath Ledger improvisou grande parte de suas cenas cômicas. Certo. Mas, ainda assim, sua performance está abaixo de outras de sua filmografia recente. Sinto muito para os fãs.

Dr. Parnassus estreou no Festival de Cannes em maio de 2009. Depois do festival francês, o filme participou ainda de outros 17 festivais. Nesta longa tragetória, a produção capitaneada por Terry Gilliam recebeu apenas um prêmio – e cinco nomeações. Isso reflete, meus caros, o quanto o filme agradou aos especialistas no assunto. O único prêmio recebido pela produção foi o de melhor figurino para Monique Prudhomme no Satellite Awards. O trabalho dela é bom, mas inferior ao de outras produções recentes. Vale dizer ainda que Dr. Parnassus está concorrendo a dois Oscar – um deles, o de figurino.

Este novo filme de Terry Gilliam custou uma pequena fortuna: US$ 30 milhões. Justifica-se, claro, pelos nomes de boa parte de seu elenco e, principalmente, pelos custos de uma produção que envolve muitos efeitos especiais (ainda que a maioria deles ruins) e um grande trabalho de design de produção, figurinos e edição de arte. Nos Estados Unidos, mesmo com o “marketing” de ter sido o último filme de Heath Ledger, Dr. Parnassus teve um desempenho um tanto fraco. Ele arrecadou, até o dia 7 de fevereiro deste ano, pouco mais de US$ 6,7 milhões nas bilheterias. No Reino Unido, até novembro de 2009, foram 3,2 milhões de libras. Ele ainda está longe de dar lucro.

Co-produzido pelo Reino Unido, pelo Canadá e pela França, Dr. Parnassus foi filmado nos dois primeiros países citados.

O visual de algumas cenas deste filme, assim como boa parte da caracterização da personagem de Valentina me lembraram várias das obras do famoso pintor El Bosco – recomendo uma olhadela em alguns de seus quadros no Museo Nacional del Prado, como El Jardín de las Delicias.

Na parte técnica, não achei nenhum trabalho excepcional. Ainda assim, para os curiosos, vale citar os trabalhos de Nicola Pecorini na direção de fotografia; o de Mick Audsley na edição; o de Anastasia Masaro no design de produção; o de Dan Hermansen e Denis Schnegg na direção de arte; o de Caroline Smith e Shane Vieau na decoração de set; o de Ailbhe Lemass coordenando a equipe responsável pela maquiagem e o de Jeff Danna e Mychael Danna na trilha sonora.

Os usuários do site IMDb deram a nota 7,4 para o filme. Uma nota muito boa, devo dizer, levando em conta o resultado final da produção. Os críticos que tem seus textos linkados no Rotten Tomatoes, por sua vez, dedicaram 110 textos positivos e 56 negativos para o filme, o que lhe garante uma aprovação de 66%.

Um dos críticos que gostaram de Dr. Parnassus foi Ty Burr, do The Boston Globe. Ele escreveu neste texto que o novo filme de Terry Gilliam “é uma bagunça”, algo que o realizador vem fazendo durante os anos. Burr comenta que ele foi conquistado pelos “caprichos desorganizados” do diretor. Gostei quando ele comenta sobre o trabalho corajoso de Ledger, afirmando que ele se joga no papel de Tony com “inteligência e inventividade inconstante”. O crítico ressalta ainda como as cenas do “universo interior” do espetáculo do Dr. Parnassus revelam o orçamento enxuto do filme, ainda que o resultado lembre uma colha de retalhos das animações do Monty Phyton. Burr ainda enaltece o trabalho de Troyer, que interpreta o “pessimista da trupe” e afirma que Imaginarium trata da “possibilidade da magia no mundo moderno”.

O crítico Peter Howell, do Toronto Star, comentou neste texto que mesmo que o ator Heath Ledger não tivesse morrido antes das filmagens terminarem, dificilmente The Imaginarium teria sobrevivido às “várias indulgências” de Terry Gilliam. “Parnassus continua com o velho hábito de Gilliam em sabotar o próprio trabalho ao empilhar imagens desenfreadas sem levar em conta o desenvolvimento dos personagens ou em contar histórias”, escreveu Howell. Ele foi duro com o diretor, mas devo admitir que, pelo menos com este filme – e alguns outros de Gilliam – ele está certo. Achei especialmente “porreta” o momento em que o crítico comenta que o esforço dos atores que interpretam Tony foi em vão e que apesar de Dr. Parnassus ser descrito como “um conto de moralidade fantástico, ele é realmente uma bagunça fantástica que começa com um lembrete macabro – embora acidental – da morte de Ledger”. No final de seu texto, o crítico afirma que mesmo o resgate de recursos utilizados na época do Monty Phyton não são suficientes para reanimar o filme.

O conhecido crítico Roger Ebert, do Chicago Sun-Times, escreveu neste texto que The Imaginarium pode ser visto como uma versão secundária da própria vida de seu diretor, Terry Gilliam. Ele seria o homem que tenta atrair as “pessoas para as suas fantasias, em um cenário extravagante e exagerado, com fumaça e espelhos, o que, depois de tudo, é sua verdadeira natureza”. Ebert elogia o trabalho feito com a computação gráfica do filme, dizendo que algumas visões do diretor se materializam de forma “maravilhosa”. Concordo que parte do trabalho ficou interessante, mas há uma grande parte realmente ruim. Parece até que não assistimos ao mesmo filme.

Ebert acredita que Heath Ledger seria o guia do público para os diferentes mundos fantásticos do filme. Mas ele afirma que Terry Gilliam, “aparentemente”, terminou de filmar as cenas externas, onde aparecia a Londres moderna, para depois filmar as demais cenas em estúdio. Enquanto isso, Ledger voltou para Nova York e, como todos sabem, foi encontrado morto em seu apartamento. Para o crítico, Depp se parece mais com Ledger, mas “é um fato triste” que Farrell roube o papel. “O meu problema com os filmes de Gilliam é a falta de roteiro discernível. Eu não preciso seguir o ABC, ação 1-2-3, mas aprecio bastante ter alguma noção das regras próprias do filme”, escreveu ainda Ebert. O crítico finaliza recomendando que o espectador tente viver cada momento do filme, sem pensar em sua memória a longo prazo, para tentar aproveitá-lo.

CONCLUSÃO: Mais conhecido por ter sido o último trabalho do ator Heath Ledger, The Imaginarium of Doctor Parnassus é um dos filmes mais fracos da carreira do diretor Terry Gilliam. Remanescente do genial Monty Phyton, Gilliam faz aqui um de seus filmes mais vazios e fracos inclusive na proposta visual. Há elementos que lembram os antigos filmes do Monty Phyton, mas há também uma busca por um sentido artístico e de moral que não se concretiza. Reformulando a velha história do homem que tenta enganar o Diabo, o diretor e roteirista consegue, no máximo, homenagear os artistas itinerantes. Mas ele não dá, infelizmente, um passo no sentido de contar uma história original ou que tenha muito pé ou cabeça. Mesmo Heath Ledger, que teve seu trabalho complementado pelo dos atores Johnny Depp, Jude Law e Colin Farrell, não está em seu melhor momento. Um verdadeiro desperdício de talentos em um filme mal construído desde o princípio, cheio de personagens fracos e efeitos ruins.

PALPITE PARA O OSCAR 2010: The Imaginarium of Doctor Parnassus surpreendentemente está concorrendo a dois Oscar este ano. Não que o filme não tenha qualidades. Mas, francamente, ele não merece Oscar algum. De qualquer forma, vale citar que Dr. Parnassus está concorrendo nas categorias Melhor Direção de Arte e Melhor Figurino. Na primeira, como comentei neste texto em que falo dos candidatos nas 24 categorias da premiação, Avatar leva vantagem. E mesmo que o filme dirigido por James Cameron não leve a estatueta dourada, acredito que o trabalho feito em Nine ou The Young Victoria sejam superiores ao de Dr. Parnassus. Na categoria de Melhor Figurino, prefiro o resultado de Bright Star, comentado recentemente. Ainda que, volto a afirmar, The Young Victoria tem grandes chances de levar o Oscar nesta categoria. Resumindo: para mim, The Imaginarium of Doctor Parnassus sairá de mãos vazias deste Oscar. Na melhor das hipóteses, Heath Ledger será homenageado na noite de premiação. E olha lá – levando em conta o papelão que a família dele protagonizou no ano passado.

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13 comentários em “The Imaginarium of Doctor Parnassus – O Mundo Imaginário de Dr. Parnassus

  1. Vamos falar de jornal nacional?
    o jornal nacional é “imparcial” assim como uma critica deve ser…
    quando uma pessoa se da o trabalho de fazer uma critica sobre qualquer tipo de arte ela deve ser isenta de gostos particulares “sobre qual ator é o mais bunitinho”
    sobre a participação do Heath Leadger achei louvavel…ainda se tratando de diretor com quem trabalhava..ou seja “um bosta”!
    esse filme “nonsense” tem seu merito em seus atores geniais e seu andamento pouco cliche!

    blabla bla..ou seja..sua critica deve ser ignorada por qualquer um que não seja acefalo!=]

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  2. Olá Raphaela!!

    Antes de mais nada, seja bem-vinda por aqui.

    Olha, pelo visto, você não estudou comunicação social, não é mesmo? Porque está claro que não sabes a diferença entre uma matéria jornalística e uma crítica. Claro que não tens a obrigação de saber sobre esta diferenciação, mas como chegaste por aqui vaticinando como uma crítica deve ser, recomendo que vás buscar informação primeiro.

    Uma simples busca pelo Google vai te levar a resumos sobre diferentes técnicas jornalísticas e sobre os fundamentos da crítica. Quando leres um pouco a respeito, vais perceber que existe uma grande diferença entre reportagens informativas e a crítica de cinema.

    Dito isso, não interessa se o jornal é nacional ou local. Se 100 mil pessoas assinam determinada publicação ou se ela tem apenas 100 leitores. A abrangência e o número de leitores não modifica a base na qual uma matéria jornalística é baseada – ou uma crítica.

    Uma crítica, minha cara, JAMAIS será imparcial. Este é um de seus principais fundamentos, porque a crítica não apenas informa, mas também exprime uma valoração do produto cultural que está sendo analizado.

    Te recomendo um pouco de leitura. Quando entenderes melhor sobre as características de cada tipo de texto, vais entender que este blog com críticas de filmes segue todas as regras de seu gênero.

    E sobre acéfalos… bem, acho que é até bobagem falar sobre eles.

    Um abraço!

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  3. Parei de ler sua crítica no momento em que descobri que vc não conseguiu sequer perceber que o aspecto fake e “amador(???)” dos efeitos especiais foi uma escolha intencional. E acredito que o não-realismo nessas foi uma escolha totalmente acertada, pois reforçou bem a idéia de um mundo imaginário. Quer dizer que só pq estamos em uma era na qual é tecnologicamente possível o fotorrealismo TODOS os filmes que usem CG devem usa-la de maneira fotorrealista? Vc poderia até criticar a escolha do diretor em usar efeitos não-reais como errônea, mas acho descabido dizer que a equipe responsável pelos efeitos especiais agiu de forma amadora. Eles simplesmente entregaram o que lhes foi pedido, efeitos com aspecto fake e sem intenção alguma de imitar o real.

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    1. Olá Danilo!

      Curioso. Você sempre para de ler um texto quando começa a discordar dele? Interessante… porque algumas das melhores ideias que encontrei ao fazer pesquisa nesta vida foi ao continuar lendo textos de quem eu comecei discordando…

      Olha, para começo de conversa, claro que tudo o que se vê neste filme foi intencional. Estou para ver – exceto falhas de continuismo e etc. – partes de um filme que sejam “acidentais”.

      Duvido muito que o Terry Gilliam, genial como ele sempre foi, tendo condições de apresentar melhores efeitos especiais do que os vistos neste filme, “intencionalmente” iria preferir fazer algo mal acabado. Está claro que ele não teve orçamento para viabilizar tudo o que ele gostaria, meu caro. Só você acha que mesmo os geniais não tem limitações – especialmente orçamentárias.

      Não trata-se de “não-realismo” ou “realismo”. Claro que se o diretor/roteirista está trabalhando com fantasia, com sonhos, com o “imaginário”, ele não pode fazer algo realista, não é mesmo? Mas uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa, não confundamos as estações – e as métricas.

      Não critico a equipe que trabalhou no filme. Certamente eles fizeram o melhor que podiam fazer com os limites que tiveram. O que eu lamento é que um filme como este, com os nomes – de diretor e astro – envolvidos, tenha ficado tão “inacabado”.

      Agora, óbvio está, podes discordar. Sem problemas.

      Obrigada, aliás, por tua visita e comentário. E volte mais vezes. Abraços!

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  4. por favor, dizer que o jornal nacional é “imparcial” é falta de informação.
    e uma crítica é uma apreciação crítica, por tanto…

    sobre o filme assisti ontem pela noite, e realmente a sensação de incompletude ficou no ar. Mas acabei me pautando pelo diálogo de Percy com uma criança no final do filme, quando ela pergunta se tem final feliz e ele deixa claro q depende de cada um…

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    1. Oi meire!!

      Pois é… tem pessoas com uma visão, como eu posso dizer, um tanto “inocente” da realidade. Para ser singela e bacana. Porque algumas pessoas podem, simplesmente, serem mal informadas ou fazerem questão de ignorarem realidades mais complexas – especialmente quando estas realidades não coincidem com a delas.

      Não acho que o filme seja um completo lixo. Não foi isso que eu quis dizer. Mas sendo dirigido por quem foi, eu esperava mais. Talvez problema o meu, por querer muito de um trabalho do Terry Gilliam com o Heath Ledger… e tantos outros atores bons. Problema meu, com certeza. hehehehehe

      E sim, há acertos bacanas na produção. Como este trecho que citaste. Obrigada por isso.

      Espero que voltes por aqui mais vezes. Inclusive para falar de outros filmes.

      Abraços e inté!

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  5. Este filme é bem interessante. Não pela história central, pelos efeitos, pelos figurinos ou pela atuação dos protagonistas. Cada um desses componentes é bem medíocre, se isolados nesse filme. O que fez desse filme uma obra de arte, foi a junção de todos os elementos de uma forma tão coesa com significados profundos. O filme é bem sutil, quase um filme “cult” com diversos simbolismos que encaixam perfeitamente com a cena e o enredo global, esse “nonsense”. Para se assistir esse tipo de filme, tem que se ter uma mente mais aberta. Não é realmente um filme convencional, alguns desavisados poderiam taxá-lo de confuso e dizer que a história se arrasta.

    Um fator que pesou no figurino foi a retratação desses conceitos profundos, como eles introduziram elementos mitológicos diversos, explícitos e sutis ao mesmo tempo. Como o próprio “Anton” vestido de Hermes, o portador da luz, no inicio do filme deixou em suspenso.

    O que gostei no filme foi justamente a reflexão do homem moderno se deparar com a espiritualidade e renegá-la. A história que o Dr. Parnassus conta é a história da iluminação espiritual. A estrada dos tijolos amarelos. Tal busca, é vista na sociedade atual como um teatro itinerante, uma distração infantil de artistas de rua em busca de alguns trocados. Ainda, algo curioso foi a própria morte do Heath Ledger após conhecer o caminho, entrar em contato com a consciência superior dentro do espelho. O personagem jamais poderia ser o mesmo, deveria morrer simbolicamente.

    O próprio nome Paranassus, remete a idéia do local onde existe o oráculo de delphos (Mount Parnassus), que era de Gaia mas passou para Apolo, depois deste matar Píton (Phyton)… Remete, também, a idéia do próprio parnasianismo…

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    1. Oi Parnaso!

      Quando vi o teu nome, eu já sabia que defenderias o filme com “unhas e dentes”.

      Para a minha sorte, eu não tenho tantas “paixões” por um ou outro filme. Claro que tenho a minha lista de melhores, e que gosto muito de algumas produções. Mas não gasto a minha bilis discutindo com as pessoas sobre, até porque não acho que os outros tem que ter a mesma percepção ou gosto que eu tenho.

      Dito isso, claro que The Imaginarium of Doctor Parnassus tem que ser avaliado no conjunto de seus elementos. Em minhas críticas destaco um aspecto ou outro para diferenciar o que está acima da média e o que não – porque dificilmente uma produção consegue ser ótima em todos os aspectos.

      Para mim, este filme faz parte do grupo que não consegue funcionar bem no conjunto da obra. E não, não me falta uma “mente mais aberta” para entendê-lo. Prova disto são outras críticas de filmes nada óbvios que figuram neste blog – você leu mais alguma crítica além desta?

      Mas enfim. Eu não preciso te convencer de que este filme não é brilhante e nem você precisa me convencer do contrário.

      Descontado o início do teu comentário, quero dizer que gostei da tua contribuição a partir do segundo parágrafo. Porque, daí sim, trouxeste informações diferenciadas e que agregam valor. De fato, interessantes todas estas referências mitológicas. Mas volto a dizer: já assisti a filmes melhores do mestre Terry Gilliam.

      Interessante a tua leitura de que esta produção trataria da busca da espiritualidade. Se formos falar do Monte Parnasso, onde morava o deus Apolo, o mais lógico não seria pensar no filme como uma alusão à capacidade de Apolo de descortinar os pecados dos homens e atuar, assim, para a sua purificação? Seria, muito mais, uma expiação de pecados do que a busca da espiritualidade, não?

      Bueno, independente de gostos e avaliações diversas, te agradeço pela tua visita e pelo teu comentário. Espero que voltes por aqui outras vezes.

      Abraços e inté!

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    1. Olá Parnaso!

      Obrigada pelo retorno.

      Sim, é possível puxar milhões de reflexões a partir de várias dicas sutis. E a internet é vasta em visões diferentes sobre as mesmas obras. Ainda bem.

      Obrigada pelo parabéns. Espero que alguma outra crítica te agrade mais do que esta.

      Abraços e volte sempre.

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