La Vénus à la Fourrure – Venus in Fur – A Pele de Vênus


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Jogos de dominação sempre fizeram e continuam fazendo parte das relações humanas. Sejam elas individuais ou coletivas. La Vénus à la Fourrure (ou, no mercado global, Venus in Fur) trata do núcleo base destas relações, em um jogo individual entre um homem e uma mulher. De quebra, o filme de Roman Polanski se debruça sobre a criação artística, o “jogo em cena” de uma atriz e um diretor e sobre o fascínio que as mulheres despertam nos homens desde sempre. Um filme extremamente bem escrito, com dois ótimos atores e que se passa inteiro em um teatro. Mais uma grande obra de Polanski.

A HISTÓRIA: A câmera percorre uma rua molhada pela chuva no final da tarde. Após passar no meio de uma fileira de árvores, ela vira à direita e foca em um teatro. Entramos. Na porta interna, um cartaz informa que ali estão sendo feitos os testes para a peça “A Pele de Vênus”. No palco, Thomas Novachek (Mathieu Amalric) reclama por telefone que não conseguiu encontrar ninguém para o papel. Uma atriz atrasada entra no teatro, conta sobre o dia trágico e cheio de acidentes que teve. Ela se apresenta como Vanda Jourdain (Emmanuelle Seigner) e pede para fazer a audição. No início, ele resiste, mas acaba aceitando após a insistência dela.

VOLTANDO À CRÍTICA (SPOILER – aviso aos navegantes que boa parte do texto à seguir conta momentos importantes do filme, por isso só recomendo que continue a ler quem já assistiu a Venus in Fur): Não é a primeira vez e não será a última que um diretor escolhe apenas um ambiente para contar uma história. Quando isso acontece, é ainda mais vital dois pontos: que o roteiro e os diálogos sejam ótimos e que os atores envolvidos na cena saibam não apenas repassar verdade sobre aquilo que estão falando e fazendo, mas que também tenham sintonia para fazer o jogo em cena acontecer como se deve. Isso acontece em La Vénus à la Fourrure.

O roteiro de Roman Polanski e David Ives é baseado na peça de teatro de Ives que, por sua vez, bebe na fonte do livro de Leopold von Sacher-Masoch. Tenho certeza que quem leu a obra original austríaca de 1870 e/ou viu a peça de Ives terá uma visão diferente e mais completa da minha. Como eu não bebi em nenhuma destas fontes, fiquei totalmente fascinada e entregue para o trabalho apresentado pelo texto de Polanski e Ives.

O começo é singelo, com um protagonista insatisfeito pelo “dia jogado fora” com diversas meninas dos tempos atuais sem conteúdo ou charme algum – algo essencial para a personagem que ele está procurando – e uma mulher chegando super atrasada e, aparentemente, bastante fora do tom. Mas naquele cenário, como na vida fora daquele teatro e deste blog, as aparências enganam. Pouco a pouco o filme vai se complicando e envolvendo o espectador e percebemos que nem Thomas é exatamente o que ele diz ser e nem Vanda é o que ela inicialmente demonstrou.

Primeira lição deste filme e da história: ninguém é aquilo que diz ser inicialmente. Apenas com o tempo e com a dinâmica certa é que percebemos quem somos de fato e quem são as pessoas com quem nos relacionamos. Pois bem, meio que por “acidente”, ao falar com a noiva no celular e dar a entender a Vanda que lhe dará a oportunidade de fazer uma audição, Thomas abre as portas para a desconhecida e se revela.

Logo que o teste começa, Vanda deixa para trás aquela imagem de aparente vulgaridade e ignorância e assume completamente a postura da personagem do romance A Pele de Vênus, de Leopold von Sacher-Masoch e a qual Thomas adaptou para o teatro. Forçado a dar uma oportunidade para aquela atriz aparentemente decadente, Thomas fica fascinado logo na primeira troca. (SPOILER – não leia se você não assistiu ao filme). A partir daí, ele será enredado cada vez por aquela experiente mulher que sabe, na hora certa, agir da maneira adequada para envolver o seu nada inocente interlocutor.

Achei fascinante como Polanski e Ives misturam a interpretação do romance de Sacher-Masoch com a história contemporânea de Thomas e Vanda. Não por acaso, desde o princípio, aquela atriz em busca de uma oportunidade questiona o autor e diretor de teatro sobre as suas motivações. Desta forma, a história tem uma dupla leitura e os roteiristas abordam também a própria criação artística. Que autor não coloca um pouco de si ou dos seus em suas obras? Quem não deixa a sua identidade de alguma forma transparecer em sua criação?

O diretor Roman Polanski é um destes casos. E, para mim, é impossível não pensar, se não durante, pelo menos após o filme terminar, em quanto daquele jogo de dominação e de submissão entre um homem e uma mulher, com a mulher levando a melhor no final, não é uma própria reflexão/ponderação do autor sobre a sua própria história. Para quem não lembra, Polanski segue refugiado fora dos Estados Unidos após ter sido condenado por estuprar uma garota de 13 anos em 1977. Dá para ler uma entrevista com Samantha Geimer, que lançou o livro A Menina, aonde conta a sua história, neste link.

Pois bem, naquele teatro de La Vénus à la Fourrure, aquela atriz misteriosa – seria verdade a história dela que ela é meio atriz e meio detetive? – desconstrói não apenas o trabalho de Thomas, mas também joga em um holofote os próprios desejos e fraquezas do autor e diretor de teatro. Ela encarna Vênus e a Vanda de Sacher-Masoch ao mesmo tempo. Poderosa, implacável, ela envolve a presa como ela deseja e depois o deixa exposto. A história vai crescendo neste sentido desde o princípio em um jogo de cena poderoso entre os sempre ótimos Emmanuelle Seigner e Mathieu Amalric.

Agora, se o trabalho dos atores é soberbo e se a dinâmica em cena é perfeitamente comandada por Polanski, o que falar da história propriamente dita? Não li o romance de Sacher-Masoch, volto a ponderar, mas como o filme fala da releitura desta obra, os comentários serão baseadas na produção com roteiro de Polanski e Ives. Há três camadas de leitura aqui: temos um filme que fala de um peça de teatro que, por sua vez, interpreta uma obra literária clássica. Todas estas camadas analisam a motivação de um homem por uma mulher e vice-versa.

Neste sentido, e como na vida em que vivemos, há desejos e motivações, caráter e imagens que querem ser “vendidas” para os outros. Daí o outro grande sentido desta produção: nem sempre aquele que parece estar dominando é quem tem, realmente, o poder sobre o outro. Muitas vezes aquele que se diz subjugado ou “inferior” é quem desempenha o papel de dominação. Por sua posição natural como diretor e autor da peça de teatro, Thomas é quem domina, é quem tem poder. Mas conforme a história vai se desenvolvendo e conforme ele cede aos encantos de Vanda, aparentemente é ele quem está sendo dominado.

Mas isso, só aparentemente. Afinal, através daquele jogo de cena com a atriz, ele está conseguindo exatamente o que ele quer. Primeiro, ele cede ao próprio orgulho. Conforme Vanda vai elogiando o texto e o trabalho dele, Thomas vai abrindo cada vez mais o flanco. Seu ego está acariciado.

Depois, ela entra na vida particular dele, “desbravando” a sua realidade atual e aquilo que ele gostaria que acontecesse, mas não acontece. Isso fascina Thomas e o deixa ainda mais enredado. Mas ele sabe, e nós vamos saber só depois, que no fim quem vai dominar como Kushemski é ele, e não Vanda.

E aí vem o grande golpe da atriz: após envolvê-lo pelo que ela já fez e pelo que ela deixou no ar como promessa, ela vira o jogo dos papéis, deixando Thomas novamente no papel subjugado – aqui, não de forma inteligente e prevendo a “volta por cima depois”, como agia Kushemski, mas como a personagem feminina que vivia a ilusão da dominação enquanto estava sendo enredada.

Desde o princípio Vanda questiona a obra e os sentimentos de Thomas e, no final, ela desmascara o autor e diretor. Na vida fora das telas nós temos também casos de pessoas que se esforçam muito para parecer o que elas não são. Mentem – muitas vezes para si mesmas -, iludem e se fazem de vítimas apenas para conseguir dominar. Não tem coragem de falar claramente sobre os seus verdadeiros desejos e motivações. Mas, no fundo, querem dominar e subjugar, mostrar que são superiores e que tem o poder – ainda que digam o contrário.

Neste filme, Thomas em diversos momentos perde a calma. Hora porque acha todas as atrizes/mulheres ignorante. Hora porque “não é compreendido”. Nestes momentos ele deixa para trás o politicamente correto e a postura que ele deve ter frente aos outros para mostrar um pouco de sua personalidade real. No fundo ele é tudo aquilo que Vanda comenta sempre que pode, enquanto vai enredando a Thomas: um machista, talvez até misógino, que não é sincero no agir e no falar mas que, no fundo, acha que toda mulher deve se submeter a um homem.

Nas aparências, contudo, ele diz o contrário: que é fascinado pelas mulheres. Muitos homens falam e agem desta forma, com certa “reverência” e fascínio mas, no fundo, se submetem apenas para dominar. É sobre isso que esse filme trata. No fim, Vênus representa a beleza e o poder feminino, algo que fascina e que atemoriza Polanski. A inteligência de Vanda faz ela reverter o jogo e “desgraçar” a vida de Thomas. De forma simbólica, é claro. No fim, o rei está nu e a “punição” veio através de uma mulher. Quem dera que isso fosse mais aplicado na vida real. 😉

NOTA: 9.

OBS DE PÉ DE PÁGINA: Devo admitir que, inicialmente, eu tinha dado uma nota até maior para esse filme. Originalmente, daria um 9,5, porque este filme realmente é muito bem escrito, interpretado e acabado. Mas ao pensar um pouco sobre a história de Polanski, não consigo dar uma nota maior do que 9. Afinal, por mais que a mídia tenha exagerado na época e depois sobre o caso e que a vítima diga perdoar o estuprador, não consigo aceitar que uma menina de 13 anos seja dopada e tenha relações com um homem bem mais velho. Ele realmente não poderia ter escolhido uma garota mais velha, mais consciente de seus próprios atos? Ok, o filme não é sobre isso. Mas também não deixa de ser sobre isso.

Volta e meia eu falo por aqui, e você que me acompanha há muito tempo já sabe disso, que um ótimo roteiro com a entrega adequada dos atores é suficiente para presenciarmos um grande filme. Há quem goste de pirotecnia, muitos efeitos especiais e adrenalina. Entendo. E devo dizer que não acho que um filme é ruim só por apresentar isso. Mas me fascinam os filmes que apostam no essencial, como este. Um ótimo roteiro e dois ótimos atores bastam para nos envolver, fazer o tempo passar suave e, de quebra, questionar valores e atitudes da vida real. É preciso mais?

O início desse filme já diz muito sobre o que virá depois. (SPOILER – não leia… bem, você já sabe). A atriz que chega atrasada e que parece uma intérprete de filmes pornô pela roupa que está usando diz ter o mesmo nome da personagem a adaptação de Thomas. Ora, quanta coincidência! Só que tudo, e vamos percebendo isso depois, tem um sentido e um porquê. Ainda que não saibamos, de fato, quem é Vanda, ou mesmos se esse é o nome dela, é fascinante vê-la em ação.

Ela sabe usar os recursos e armas que tem para conseguir o que quer, e isso mostra toda a força de Vênus – ela é a encarnação perfeita da deusa mitológica romana. Thomas, por outro lado, representa um reles mortal, perdido em seus próprios desejos e enredos particulares que, no fim das contas, não tem condições de enfrentar aquela deusa. Vanda é como um camaleão e se transfigura conforme o seu interesse. Mas ela, desde o minuto que entra naquele teatro, tem uma missão: desmascarar Thomas e mostrar-lhe a sua própria mortalidade. Fascinante.

Da minha parte, eu não poderia bater mais palmas para Vanda. É ótimo ver quando uma mulher assume as rédeas da situação e faz aquilo que é o correto, privilegiando a verdade sobre a mentira.

Alguns diálogos são verdadeiras pérolas. Esse filme, além de envolvente, tem alguns momentos muito engraçados. Logo no início, quando Vanda pergunta se a obra de Thomas é inspirada em uma música de Lou Reed, é um destes momentos. (SPOILER – não leia… bem, você já sabe). Na sequência, vamos descobrir que ela sabe muito mais do que quer admitir. Além de ter o texto completo da peça, ela sabe todos os diálogos de cor, tem uma cópia do livro no qual Thomas se inspirou e sabe bastante sobre a vida do autor/diretor. Sem dúvida ela está no controle – e faz sentido a versão que ela diz, de ter sido contratada pela noiva dele. Ainda que, se isso for mentira, também é igualmente crível. Afinal, o papel dela é fascinar e enredar. Pouco importa a fonte daquela “justiça feminina”.

O principal destaque do filme, além do já bastante elogiado roteiro com diversas camadas de interpretação e autorreferências, e o excelente trabalho dos atores Emmanuelle Seigner e Mathieu Amalric, é a direção de Polanski. Ele tem uma dinâmica muito boa em cena, privilegiando sempre o trabalho da dupla de atores e jogando, com a sua câmera, o papel fundamental de provocador do espectador. Ele utiliza bem o palco, a frente daquele espaço e o corredor do teatro para “variar” o ambiente na dinâmica dos atores. Chega a avançar na coxia, mas em poucos momentos. Explora bem o ambiente e, com o diretor de fotografia Pawel Edelman, valoriza os recursos presentes para evidenciar as emoções e a dinâmica dos intérpretes. Muito bom.

Outro elemento interessante do filme, ainda que relativamente pouco usado, é a trilha sonora assinada pelo veterano e premiado Alexandre Desplat. Especialmente a trilha inicial, que acompanha o longo plano de entrada no teatro, revela um pouco do tom “rocambolesco” da produção. Da parte técnica do filme, vale ainda destacar o competente trabalho dos editores Hervé de Luze e Margot Meynier; a direção de arte de Bruno Via; a decoração de set de Philippe Cord’homme; os figurinos de Dinah Collin e a maquiagem de Anais Lavergne (especialmente importante para Emmanuelle Seigner).

Os dois atores são excepcionais, mas o que dizer do trabalho de Emmanuelle Seigner? Que atriz! E que interpretação! Ela dá um verdadeiro show em cena. É fascinante e um privilégio assisti-la.

Interessante como esse filme demorou para chegar aos cinemas brasileiros. La Vénus à la Fourrure foi lançado no Festival de Cinema de Cannes em maio de 2013. Depois, o filme participaria ainda por outros 15 festivais. O último país de uma longa lista em que esta produção estreou no cinema comercial foi o Brasil. Neste ano, a produção desembarcou atrasada também na Argentina e no Chile (e, neste último, ainda de forma limitada).

Não há informações sobre os custos de La Vénus à la Fourrure, mas acredito que eles tenham sido baixos. Nos Estados Unidos o filme teve uma arrecadação pífia, pouco mais de US$ 373 mil. No resto do mundo, acumulou pouco mais de US$ 7,4 milhões. Ainda assim, pouco. Uma pena.

Esta produção foi totalmente rodada em Paris, utilizando dois teatros. As cenas externas focaram o Théâtre Hébertot, que fica na 78 bis Boulevard des Batignolles, em Paris 17. As cenas internas foram rodadas no Théâtre Récamier, na 3 Rue Récamier, em Paris 7. Caso um dia, por acaso, vocês tenham tempo em Paris e queiram conferir estes locais. 😉 Afinal, em Paris não faltam teatros.

Agora, algumas poucas curiosidades sobre esta produção. O ator Louis Garrel foi considerado para o papel de Thomas antes de ser substituído por Mathieu Amalric. Este é o primeiro filme de Polanski que não é falado em inglês em 51 anos.

O filme é inspirado, como comentei antes, na peça de teatro Venus in Fur, de David Ives. Na peça, tanto Vanda Jordan quanto a personagem de Wanda von Dunayev tem 24 anos de idade. As linhas que fazem referência à idade das personagens foram cortadas do filme – até porque Emmanuelle Seigner tinha 47 anos quando o filme foi lançado.

Os atores Mathieu Amalric e Emmanuelle Seigner fizeram uma dobradinha anterior, em um dos meus filmes preferidos de todos os tempos: Le Scaphandre et le Papillon, de 2007, de Julian Schnabel. Se você ainda não assistiu a esse filme (que tem crítica aqui no blog), eu recomendo.

Na peça original de Ives a história se passa em Nova York – mas par ao filme ela foi ambientada em Paris, até porque Polanski não pode pisar em solo americano sem ser preso.

La Vénus à la Fourrure ganhou seis prêmios e foi indicado a outros 18. Entre os prêmios que recebeu, destaque para o de Melhor Diretor no Prêmio César; o de Melhor Roteiro no Prêmio Lumiere; o de Melhor Filme Francês no Prix Saint-Germain; e para o de Melhor Atriz para Emmanuelle Seigner no International Cinephile Society Award entregue durante o Festival de Cannes. Falando no principal festival de cinema francês, La Vénus à la Fourrure concorreu à Palma de Ouro, mas perdeu o prêmio em 2013 para La Vie d’Adèle.

Me interesse em buscar um pouco mais sobre Roman Polanski. E foi na página dele no IMDb que eu vi que desde 1989 ele é casado com Emmanuelle Seigner. Com ela, ele teve dois filhos. Em certo momento deste último filme, fica subentendido que o que fascina o homem é ele ter uma “diva”, uma mulher que lhe inspira. Não seria de admirar que esse é o caso de Seigner. Sorte a dele. Agora, fica evidente que ele sempre gostou de mulheres jovens. Ele se casou com Seigner quando ela tinha 23 anos; com Sharon Tate quando ela tinha 24; e com Barbara Lass quando ela tinha 19. No primeiro casamento, com Lass, ele tinha 26; no segundo, com Tate, 34 e, com Seigner, 56. Ou seja, ele sempre mais velho que as garotas com quem ele se casou – sem contar a relação com Samantha Geimer e que lhe rendeu uma condenação por estupro, já que ele tinha 44 anos e ela, 13.

Os usuários do site IMDb deram a nota 7,2 para este filme – uma boa avaliação se levarmos em conta a média de avaliações do site. Os críticos que tem os seus textos linkados no Rotten Tomatoes dedicaram 92 críticas positivas e apenas 10 negativas para esta produção, o que lhe garante uma aprovação de 90% e uma nota média de 7 – boas avaliações também, especialmente pelo nível de aprovação.

CONCLUSÃO: Para ser bom, um filme não precisa muito mais que um ótimo roteiro e atores afinadíssimos. Venus in Fur tem estes dois elementos. Como foi feito antes, a produção inteira se passa em apenas um ambiente. Para quem gosta de milhões gastos em efeitos especiais e de adrenalina, certamente este não é um filme para ser visto. Mas se você aprecia literatura, história, mitos, teatro e o cinema na sua essência – que é a de contar histórias -, esta é uma ótima pedida. Envolvente, com um texto ótimo, como comentei lá no início, Venus in Fur nos faz refletir sobre os nossos desejos e atitudes como indivíduos e coletivos. Roman Polanski sendo ele mesmo, provocador e inteligente. E não dá para ignorar a história pessoal dele por trás deste filme. Recomendo.

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