Winter on Fire: Ukraine’s Fight for Freedom


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Quando as pessoas sabem o que querem e se organizam para isso, resistindo contra a violência e se sacrificando para o bem comum, as mudanças acontecem. Mas observem bem: é preciso sacrifício. Talvez isso que muitas vezes falte por aqui, no Brasil, as pessoas saírem de suas posições egoístas para se sacrificarem pelo coletivo. Winter on Fire: Ukraine’s Fight for Freedom conta a história de um coletivo que conseguiu fazer isso. Juntar forças e sacrificar o individual para buscar o que o grupo queria para o seu país. Um documentário valente e feito no meio da ação com imagens verdadeiramente impressionantes.

A HISTÓRIA: Começa na cidade de Kiev, na Ucrânia, no dia 20 de fevereiro de 2014. O manifestante de 16 anos Dmytro Holubnychyy pede para o diretor fazer algo pela revolução. Ele diz que está filmando. Holubnychyy então fala sobre como é divertido participar da Revolução Ucraniana. Eles estão no meio de um tiroteio. Holubnychyy fala que achava que seria fácil participar da resistência ao poder, que bastaria ir na praça Maidan, mas isso foi no início. Corta. O filme passa a contar o contexto daquele conflito explicando que durante séculos a Ucrânia ficou no meio dos eixos Leste e Oeste, entre a Europa e a União Soviética (agora Rússia).

Em 1991 o país se declarou independente da União Soviética. Em 2004 Viktor Yanukovych, candidato pró-Rússia, ganhou a presidência em uma eleição que teria sido manipulada. A população sai às ruas em protesto na chamada Revolução Laranja. Eles conseguem anular os resultados das eleições, mas o país vive uma situação econômica complicada nos anos seguintes. Em 2010 Yanukovych volta e consegue se eleger novamente como presidente.

Ele declara apoio à campanha para que a Ucrânia se torne membro da União Europeia mas, nos bastidores, continua pró-Rússia. No outono de 2013 a data para a assinatura do acordo com a União Europeia se aproxima, mas o governo ucraniano não cumpre o prometido. No dia 21 de novembro de 2013 as pessoas começam a se juntar na Maidan Nezalezhnosti, a Praça da Independência da capital Kiev. Este filme mostra o que aconteceu ali a partir deste dia e até o final dos conflitos que envolveram a deposição de Yanokovych e a entrada do país na União Europeia.

VOLTANDO À CRÍTICA (SPOILER – aviso aos navegantes que boa parte do texto à seguir conta comentos importantes do filme, por isso recomendo que só continue a ler quem já assistiu ao filme): Chega a ser revigorante ver um filme como este. Apesar da ignorância e da violência no mundo, há esperança. Para cada Viktor Yanukovych que existe no mundo, traidor de seu próprio país e joguete de um cretino como Vladimir Putin, existem centenas de pessoas que resistem a defender os interesses de poucos para abraçar o que eles consideram o melhor para todos.

O diretor Evgeny Afineevsky fez um grande trabalho que ninguém mais se preocupou em fazer. Ele acompanhou tudo que aconteceu na praça Maidan, em Kiev, desde o primeiro dia do levante popular ucraniano e até o final daquele movimento. Sem ele, nunca poderíamos ter assistido tão de perto o que aconteceu na Ucrânia. Não saberíamos de que forma a violência foi evoluindo, o que incluiu o governo ucraniano contratando mercenários para fazer o trabalho sujo e autorizando a sua própria polícia a atirar em pessoas desarmadas.

Acompanhei as notícias no final de 2013 e especialmente em 2014. Aqui no Brasil sempre recebemos as informações filtradas – normal – e com uma distância que não ajuda a explicar o que de fato está acontecendo. A Ucrânia está localizada em um local estratégico e de disputa quase eterna entre Ocidente e Oriente, entre a liberdade simbolizada pela tradição européia e pelo totalitarismo e o controle simbolizados pelos soviéticos. Mesmo hoje, após o fim da União Soviética, do Muro de Berlim e da Guerra Fria, o local é importante para o geopolítica.

Mas o que as pessoas daquele país querem? Normalmente sabemos o que os grandes países e/ou blocos defendem, mas o que o cidadão comum deseja? O comum é que esse tipo de informação não chegue na gente porque as questões “macro” são o pão de todo dia das agências de comunicação que alimentam o mundo com informações limitadas e, muitas vezes, pasteurizadas. Pois bem, aqui neste filme importante de Afineevsky vemos de perto o povo ucraniano, suas motivações, desejos, opiniões e atos.

O trabalho do diretor foi feito com perfeição. Vemos o que aconteceu no país desde que o movimento na praça Maidan começou e de que forma a resistência do povo e a represália do governo foi crescendo conforme o tempo foi passando. É um trabalho jornalístico, narrativo e ao mesmo tempo uma crônica do que aconteceu. O presidente ucraniano foi um verdadeiro covarde e canalha por ordenar os ataques contra aquele movimento pacífico que apenas pedia por mudanças no país.

Mas a crônica apresentada por Winter on Fire deve servir de lição e de exemplo para todos nós. O Brasil, por exemplo, que vive anos em que o governo estabelecido é questionado, deve respeitar o direito democrático das manifestações. Nunca um governo, apenas para se manter no poder, deve autorizar a violência contra o seu próprio povo. Isso deveria ser proibido e combatido pela comunidade mundial. Mas sabemos que não é isso que acontece. A verdade é que ONU, Otan e demais organizações com representatividade mundial não tem força ou, parece, interesse de combater estes absurdos.

Países poderosos, como Estados Unidos, França, Inglaterra e até a China, que poderiam investir contra estes absurdos que acontecem mundo afora, preferem apenas emitir declarações de reprovação. Na prática, ninguém interfere, porque isso significaria custos e porque, vamos admitir, ninguém se importa o suficiente com o que está acontecendo além de suas fronteiras. O egoísmo não é uma característica apenas individual, mas também coletiva.

Mortes injustificáveis foram provocadas nos confrontos na praça Maidan e nos seus arredores. Em diversas cenas as pessoas que estavam exercendo o seu direito de exigir mudanças no governo da Ucrânia pediam pela consciência dos policiais e das forças armadas que foram autorizadas pelo governo para combater os manifestantes. Não adiantou de nada. E aí outra lição para todos nós: não adianta pedir pela consciência de policiais e forças militares.

Ainda que o argumento de que eles estão agredindo pessoas do povo como eles são, a consciência não parece ser algo acessível nestes casos. Com o argumento de que eles estão “seguindo ordens”, tudo parece justificável. Como se eles não tivessem um cérebro e a capacidade de dizer não para absurdos. Nunca vou concordar que alguém use a justificativa de que “estou seguindo ordens” para justificar carnificina, mortes e violência. Todos nós, todos os dias e em todas as situações, temos o poder da escolha. E podemos sim, mesmo usando uma farda, decidir o que vamos aceitar e o que não vamos seguir.

Achei comovente as pessoas de diferentes idades, profissões e crenças apelarem para a consciência dos policiais e das demais forças armadas antes de cada confronto. Infelizmente a força bruta foi utilizada. Como resposta, as pessoas começaram a se organizar cada vez mais, resgatando técnicas de defesa e inclusive de guerrilha. O objetivo era se defender e resistir até que o poder na Ucrânia mudasse. Agora eles não queriam apenas que o país retomasse as negociações e adentrasse na União Europeia. Eles queriam a queda do presidente e novas eleições.

Winter on Fire ganha pontos ao mostrar não apenas como a resistência e os conflitos foram se desenvolvendo com o passar do tempo, mas também como a sociedade civil se organizou para mudar o sistema. Também há uma leitura interessante sobre a falta de credibilidade da oposição política do governo – alguma semelhança com o Brasil? – e sobre o envolvimento de diferentes perfis de pessoas no movimento.

Além de cenas na praça Maidan e de tentativas de avanço do movimento em direção ao centro do governo na capital ucraniana, o documentário mostra depoimentos de diferentes pessoas que participaram direta e indiretamente no movimento de resistência. Fora a introdução que mostra o jovem manifestante Dmytro Holubnychyy, já em uma parte mais avançada do conflito, Winter on Fire tem uma narrativa basicamente linear. Acompanhamos cronologicamente a evolução dos fatos.

O trabalho do diretor Afineevsky é bem conduzido. Ele tem registros ótimos e por dentro do movimento de tudo que aconteceu, inserindo algumas imagens de TV da época e muitos depoimentos de participantes do movimento. Há depoimentos feitos durante aquela época, quando a praça Maidan ainda estava ocupada, e outros que parecem ter sido feitos depois – especialmente as gravações com as lideranças religiosas.

Algo interessante que o filme mostra, ainda que não explore muito esta questão, é como o movimento começou de forma espontânea e com convocação pela internet. As primeiras 300 a 400 pessoas que se juntaram no dia 21 novembro de 2013 na praça Maidan foram para lá atendendo uma convocatória nas redes sociais – e levadas, claro, por amigos e familiares que ficaram sabendo pela internet do movimento. Isso aconteceu antes na Espanha e em outros momentos recentes em que as pessoas resolveram protestar contra os seus governos.

Hoje a tecnologia facilita a organização social e as manifestações públicas. Pena que Winter on Fire não aborde muito este tema. É bacana ver pessoas de diferentes profissões, de uma arquiteta até um professor, um jornalista e diferentes artistas ucranianos, dando depoimentos sobre o movimento popular contra o governo ucraniano.

Também importante ver nas imagens como haviam pessoas de todas as idades no movimento – de crianças como Roman Savelyev, de 12 anos, até pessoas de meia idade e idosos, homens e muitas mulheres, sendo que a maioria parecia ser jovem. Muitas cenas fortes foram captadas por Afineevsky. Me chamaram a atenção, em especial, as cenas em que diversos policiais e milicianos covardes atacavam uma única pessoa já caída no chão, quando começaram a atacar o pessoal da Cruz Vermelha e quando diferentes religiosos rezavam na frente das forças armadas antes da violência começar.

Aliás, algo interessante é como todas as religiões trabalharam junto com o povo, apoiando aquele movimento, mesmo em meio aos conflitos. Há representantes de muçulmanos, judeus e católicos dando depoimentos no documentário. Isso apenas mostra, junto com as outras variedades do coletivo envolvido, como todos se uniram em prol do país, deixando o conforto das suas casas e seu cotidiano para abraçar a causa de uma nação realmente livre e melhor.

Mas como acontece com muitos documentários, Winter on Fire claramente defende um ponto de vista. O que é válido, claro. Acho mesmo que ele deveria defender o ponto de vista da sociedade civil. Não questiono isso. Mas admito que eu senti falta de ouvir o “outro lado”. Não porque eu acho que ele poderia se justificar, mas porque acho que seria válido ter escutado algumas das pessoas que provocaram aqueles ataques contra as pessoas que estavam apenas exercendo o seu direito de protestar e resistir.

Francamente eu gostaria de ter escutado os policiais ou os milicianos falando sobre o que eles estavam fazendo e as razões para defenderem um governo – seria isso mesmo? – que estava por um triz. Também acho que o filme poderia ter entrado um pouco mais na história de algumas das vítimas que morreram por aquela causa.

O filme aposta na questão documental, em mostrar as imagens “por dentro” do conflito. Mas acho que a história não teria sido prejudicada se tivessem sido retiradas algumas das cenas sobre os fatos que aconteceram em Maidan e arredores e acrescentado um pouco mais sobre a biografia das vítimas ou “o outro lado” do conflito. Também acho que teria sido interessante mostrar um pouco sobre a repercussão do conflito no mundo. De que forma o assunto foi tratado com certa displicência pela comunidade mundial.

NOTA: 8,8.

OBS DE PÉ DE PÁGINA: Fiquei contente, quando comecei a ver ao filme, de perceber que esta era uma produção com apoio e recursos da Netflix. Acho bacana que este meio de difusão alternativa esteja cada vez mais sendo indicado e reconhecido com prêmios de diferentes portes. Serviços como o Netflix ajudam a oxigenar a indústria e a provocar o “mainstream” a também se atualizar. Importante.

Winter on Fire: Ukraine’s Fight for Freedom estreou em setembro de 2015 no Festival de Cinema de Veneza. Depois o filme participaria, ainda, dos festivais de Telluride e Toronto. Em sua trajetória até agora o filme ganhou um prêmios e foi indicado a outros dois, incluindo a indicação como Melhor Documentário no Oscar 2016. O prêmio que ele recebeu até agora foi o de Melhor Documentário segundo a escolha do público no Festival Internacional de Cinema de Toronto.

Como o filme mesmo sugere, ele foi totalmente rodado na cidade de Kiev, capital da Ucrânia, aonde os fatos se desenrolaram.

Além do excelente trabalho na direção feito por Evgeny Afineevsky, vale destacar da parte técnica do filme a trilha sonora de Jasha Klebe e a importante, competente e difícil edição de Will Znidaric. Digo edição difícil porque, certamente, eles tinham centenas, possivelmente milhares de horas de gravações para editar e escolher as cenas mais relevantes para o filme. Belo trabalho.

Diversos nomes aparecem como responsáveis pela direção de fotografia do filme. Isso me faz acreditar que todos estes nomes ajudaram com a gravação de imagens. Vale, então, destacar o nome destes valentes que fizeram um grande trabalho documental do levante ucraniano: além e Evgeny Afineevsky aparecem como diretores de fotografia Oleg Balaban, Maxim Bernakevich, Ruslan Ganushchak, Eduard Georgadze, Inna Goncharova, Kostyantyn Ignatchuk, Alex Kashpur, Lizogub Khrystyna, Lina Klebanova, Kirill Kniazev, Damian Kolodiy, Maria Komar, Viktor Kozhevnikov, Yuriy Krivenko, Vladimir Makarevich, Arturas Morozovas, Dmytro Patyutko, Pavlo Paleshok, Viacheslav Poliantsev, Galyna Sadomtseva-Nabaranchuk, Constantin Shandybin, Zhenya Shynkar, Ielizaveta Smith, Oleg Tandalov, Tsvetkov Vyacheslav e Igor Zakharenko.

O diretor Evgeny Afineevsky tem 43 anos, é natural de Kazan, na Rússia, foi criado em Israel e vive, atualmente, em Los Angeles, nos Estados Unidos. Mesmo jovem, ele já tem 12 títulos no currículo como diretor. Ele estreou como codiretor de Days of Love, filme feito para TV e lançado em 1999. No ano 2000 e no ano 2002 ele lançou dois curtas até que em 2009 Afineevsky lançou o primeiro longa-metragem dirigido por ele, a comédia Oy Vey! My Son Is Gay!!. O primeiro longa documentário veio em 2014, Divorce: A Journey Through the Kid’s Eyes. Até o momento Afineevsky recebeu 22 prêmios por seu trabalho.

Os usuários do site IMDb deram a nota 8,5 para esta produção. Uma bela avaliação se levarmos em conta o padrão do site. Os críticos que tem os seus textos linkados no Rotten Tomatoes dedicaram 18 críticas positivas e apenas uma negativa para o filme, o que lhe garante uma aprovação de 95% e uma nota média de 7,7. O nível da aprovação achei bom, mas a nota, para mim, poderia ter uma média maior.

Não há dúvidas de que Vladimir Putin é um sujeito nada confiável e absurdo. Winter on Fire comenta, no final, que após a queda do presidente ucraniano os conflitos seguiram, a ponto da Crimeia ser anexada pela Rússia. Neste texto Putin coloca os Estados Unidos entre as ameaças para o seu país. Que dificuldade os russos tem de viverem em paz com o resto do mundo! Porque eles sempre tem que estar medindo forças com os Estados Unidos e outras nações? O que isso agrega em qualidade de vida para o povo russo? Em nada, tenho certeza. Muito pelo contrário. Os ucranianos já acordaram, será que os russos vão acordar quando?

Ah sim, vale comentar que no link acima fica claro que Putin e companhia acreditam que os Estados Unidos e a União Europeia apoiaram “um golpe de Estado anticonstitucional” na Ucrânia. Oi? Winter on Fire mostra justamente o contrário, que o levante foi popular e não uma “armação” dos inimigos da Rússia. Isso só torna o documentário ainda mais importante. Afinal, ele vai contra o discurso absurdo deste demente chamado Vladimir Putin.

Ainda atualizando sobre o tema mostrado em Winter on Fire, no início deste ano entrou em vigor o acordo de comércio entre a União Europeia e a Ucrânia. Bacana ver um país lutando pela democracia e por estar aberta ao mundo e não ceder às pressões de um regime absurdo como o da Rússia. Neste link há informações sobre esta nova fase para a Ucrânia. Torço pelo país. E para que todos os povos mundo afora possam escolher o que eles consideram melhor para o coletivo e não terem a sua realidade imposta por um regime.

Procurei saber que fim teve o cretino Viktor Yanukovich. Pois bem, segundo esta matéria sobre protestos na Rússia após um ano da fuga de Yanukovich de seu país, o ex-presidente ucraniano segue asilado na Rússia. Ali ele disse que quer voltar para a Ucrânia para “primeiro liderar um movimento de protestos e depois participar da defesa da população”. Ah, certo.

Tudo bem que eu tenho certeza que parte da população ucraniana deve gostar dele e dos russos, mas certamente o regime não mudaria se a maioria do país não concordasse com a participação da Ucrânia na União Europeia. Além disso, é evidente que os russos seguem invadindo a Ucrânia e forçando a barra para que outras partes do país sejam anexadas ao território russo. Um verdadeiro absurdo. As pessoas tem que ter autonomia para decidirem o que é melhor para o país delas e não serem ameaçadas por um outro país que se considera superior e “intocável”. Winter on Fire surge em uma época importante para mostrar um outro lado da história.

Esta é uma coprodução do Reino Unido, da Ucrânia e dos Estados Unidos.

CONCLUSÃO: Este é um filme competente naquilo que ele se propôs a fazer. Independente das informações truncadas e ralas que todos nós recebemos sobre o que se passou na Ucrânia entre novembro de 2013 e fevereiro de 2014, Winter on Fire: Ukraine’s Fight for Freedom se colocou no meio da praça Maidan e nos arredores nos meses de conflito para registrar de perto o que realmente aconteceu. O filme cumpre o seu papel. Ainda assim, francamente, acho que não era uma produção para concorrer ao Oscar. Não assisti aos vários documentários lançados no ano passado, mas achei esta produção um tanto “simplista” para estar no Oscar. Ainda que, devemos admitir, ela seja muito corajosa. Registro histórico importante, sem dúvida.

PALPITES PARA O OSCAR 2016: Não assisti ainda a todos os concorrentes deste ano mas, desde já, posso dizer que este filme corre por fora na disputa. Apesar de ter várias qualidades, especialmente por ser um importante documento do que aconteceu na Ucrânia há poucos anos, Winter on Fire: Ukraine’s Fight for Freedom não tem a complexidade narrativa de outras produções na disputa.

Entre as qualidades de Winter on Fire está a coragem do diretor Evgeny Afineevsky em ter feito aquele registro histórico. De fato surpreende, no patamar da evolução histórica em que estamos, ainda assistirmos a massacres como o perpetuado por Viktor Yanukovych. Esse registro histórico, volto a dizer, é importante. Mas o trabalho apresentado no filme é, basicamente, jornalístico, de apresentar os fatos como eles acontecem, com um ou outro personagem destacado. Não há grande complexidade em cena.

Neste ano Winter on Fire concorre com produções fortes como The Look of Silence (comentado aqui) e Amy (com crítica neste link). Francamente, essas duas produções tem mais inventividade narrativa do que Winter on Fire. O primeiro filme é a segunda parte de um trabalho corajoso e impecável do diretor Joshua Oppenheimer. O segundo conta de uma forma bem diferenciada a trajetória de Amy Winehouse. Os dois fazem uma reflexão sobre os nossos tempos de uma forma muito mais profunda que Winter on Fire. Por tudo isso, acho que os dois tem mais chances de levar a estatueta.

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3 comentários em “Winter on Fire: Ukraine’s Fight for Freedom

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