La Teta Asustada – A Teta Assustada


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Viver com medo e, em certo momento, perder a pessoa que sempre foi a sua segurança no mundo. A aparição da morte, a única visita inevitável para qualquer pessoa que esteja viva, marca uma mudança radical na trajetória da protagonista de La Teta Asustada, a produção peruana que arrebatou este ano o principal prêmio do Festival de Berlim. Eis aqui um filme impressionante por sua singulariedade. Ainda que trate de alguns temas universais, que poderiam ser vivenciados de maneira parecida em diferentes locais do mundo, La Teta Asustada conta uma história com forte carga de sua nação de origem, ou seja, com uma marcante identidade peruana. Esta característica da produção, assim como o excepcional trabalho de sua diretora e atriz principal, fazem de La Teta Asustada um dos grandes filmes latinos deste ano.

A HISTÓRIA: Um canto triste, quase um lamento, conta a história de dor de Perpétua (Bárbara Lazón), mãe de Fausta (a maravilhosa Magaly Solier). A mulher, vítima de um dos vários ataques terroristas na cidade de Ayacucho, no Peru, foi estuprada durante a gestação da filha. Segundo reza a lenda local, os filhos de atos de violência como aquele nascem com uma doença chamada de “teta assustada”. Com a morte da mãe, Fausta enfrenta o medo de sair de casa sozinha para trabalhar na residência de Aída (Susi Sánchez), uma mulher rica que vive na região central da cidade. Tudo o que a amedrontada protagonista deseja é conseguir dinheiro suficiente para enterrar a sua mãe.

VOLTANDO À CRÍTICA (SPOILER – aviso aos navegantes que boa parte do texto à seguir conta momentos importantes do filme, por isso recomendo que só continue a ler quem já assistiu a La Teta Asustada): Fiquei impressionada com este filme. Primeiro, pela força e beleza de sua história. Depois, pela seriedade com que cada ator envolvido neste projeto leva o seu papel. O elenco, formado por poucos atores profissionais, traz para a tela ainda mais realismo para a história. Impressionante a força de algumas tradições e crendices em comunidades com pouca cultura e informação. Também fiquei admirada com a forma delicada com que a diretora e roteirista Claudia Llosa trata assuntos importantes e sensíveis para diferentes realidades peruanas, como são o da violência, da insegurança pública e o da sexualidade.

Infelizmente, nós, brasileiros, sabemos muito pouco sobre os costumes, as tradições e a realidade de “nuestros hermanos” da América Latina. Peço desculpas às pessoas que podem visitar este blog e que se encaixam dentro do pacote de exceções desta regra mas, especialmente depois de morar na Espanha por alguns anos, é que me dei conta de como, no geral, a frase que abre este parágrafo é verdadeira. Estando tão longe do Brasil é que comecei a me aproximar de equatorianos, bolivianos, chilenos, colombianos, peruanos, argentinos, uruguaios, enfim, de pessoas de distintas nacionalidades que formam este imenso e rico continente em que vivemos. Foi na Espanha que passei a conhecer e entender as diferenças e semelhanças entre as distintas nacionalidades dos latinos. E, francamente, quanto mais eu conheço sobre as pessoas destes países, mais vontade tenho de saber mais a seu respeito.

La Teta Asustada pode servir como um pontapé inicial neste saudável processo de conhecer um pouco mais as culturas dos nossos irmãos latinos. O filme está carregado com algumas cores, paisagens, costumes, tradições e crenças peruanas. Sua história foca a importância da família e o “nascimento” tardio de uma mulher feita que, ao perder a mãe, seu escudo em relação à realidade, deve aprender a seguir adiante. Fazer a escolha, como bem comenta o personagem de Noé (o ótimo Efraín Solís), entre continuar vivendo com medo ou não. La Teta Asustada é, na verdade, uma bela história sobre a libertação de uma pessoa que viveu sempre assustada pela violência. Emocionante. E o melhor: sem pirotecnia, ou seja, sem fazer uso de recursos batidos para emocionar o espectador.

Tudo ocorre muito naturalmente neste filme. Tanto que ficamos surpresos e asustados com cada revelação sobre a vida de Fausta. (SPOILER – não leia se você não assistiu ao filme). Apenas em uma comunidade pobre, aonde ainda predominam as crendices e falta informação sobre saúde pública e tudo o mais, alguém pode realmente acreditar que uma batata colocada na vagina é a melhor forma de evitar estupros. A mãe de Fausta foi violentada por terroristas, mas sua filha foi a maior vítima desta violência. Permanentemente assustada, com receio das pessoas, ela acaba aprendendo a duras penas que realmente é preciso ter o pé atrás com essa gente que faz promessas. A violência praticada pelos terroristas contra sua mãe acaba se repetindo no ato de pessoas ricas como Aída, que se interessam pelos “coitados” como Fausta apenas para robar-lhes sua criatividade e explorá-los pelo trabalho.

Muitas pessoas podem achar que o filme é lento demais ou que, ao mostrar preparativos para casamentos como o da prima de Fausta, apenas “enchem a linguiça”. A verdade é que o cotidiano da família de Lúcido (Marino Ballón), tio da protagonista, é o elemento que dá a devida contextualização daquela realidade para o espectador. Mesmo narrando uma história, aparentemente, singela, La Teta Asustada se debruça sobre questões importantes e traz, em seu dorso, um bocado da essência do povo peruano. Francamente, vi nesta produção o mesmo espírito batalhador, um bocado sofrido (daí suas canções-lamentos) e carregado de esperança que encontrei nos peruanos que tive o prazer de conhecer na Espanha. A capacidade de Claudia Llosa em trazer parte da essência de seu povo para este filme é o que o torna tão especial e potente.

Cuidadoso em suas imagens, La Teta Asustada só cai um pouco no lugar-comum quando mostra, perto do final, o encontro da protagonista e de sua mãe com o mar. Esta odisséia, de um lugar do interior até o mar, é um dos símbolos mais conhecidos/batidos para o sentimento de liberdade humana. Não deixa de ser bonito, claro, mas acho que enfraquece um pouco a originalidade da história. Mas apesar disto, para nossa sorte, ainda nos espera uma cena final depois desta sequência do mar. 😉

NOTA: 9,5.

OBS DE PÉ DE PÁGINA: Claudia Llosa já havia impressionado muitas pessoas com seu filme anterior, Madeinusa. Ao repetir a dobradinha com a atriz Magaly Solier, a diretora conseguiu ir ainda mais longe neste La Teta Asustada. A verdade é que o filme não seria o mesmo se a protagonista fosse outra. Magaly Solier nos mantêm hipnotizados à sua frente desde o primeiro minuto em que ela aparece em cena. Impressionante. Mas não é apenas ela a responsável pela qualidade do filme. Os outros atores centrais da história, especialmente Efraín Solís, Marino Ballón e Susi Sánchez, contribuem muito para que o interesse pela história não desvaneça pelo caminho.

Além da direção cuidadosa de Claudia Llosa, que mantêm sua câmera sempre próxima dos atores ao mesmo tempo em que enfoca os detalhes dos lugares, La Teta Asustada apresenta uma trilha sonora muito emotiva e carregada pela tradição peruana, mérito de Selma Mutal. Merecem elogios também a direção de fotografia de Natasha Braier. Através de suas lentes, percebemos um tom “terral” onipresente, como que tornando o cenário ainda mais árido do que ele é na realidade.

Há meses eu queria assistir a este filme. Ele havia sido indicado por uma querida amiga espanhola, a Maite, que viveu um tempo em Lima, capital peruana e cidade aonde La Teta Asustada foi filmado. Como outros filmes que foram indicados por pessoas que admiro muito, eu tinha receio de criar muitas expectativas com esta produção e, depois, me decepcionar. Mas isto não ocorreu – para minha alegria. 🙂 Obrigada, Maite, por essa grande indicação!

La Teta Asustada estreou no Festival de Berlim, em fevereiro deste ano. Co-produzido pelo Peru e pela Espanha, o filme saiu do principal prêmio de cinema alemão com duas estatuetas: o Urso de Ouro como melhor filme do ano e o prêmio da Fipresci (Federação Internacional da Imprensa Cinematográfica). Até o final de 2009, La Teta Asustada será exibido em outros sete festivais. Em um deles, o Guadalajara Mexican Film Festival, promovido em março, o filme recebeu os prêmios de Melhor Filme e de Melhor Atriz para Magaly Solier.

Neste texto de um portal de notícias do Peru encontrei mais informações sobre o “mal da Teta Assustada”. Esta crença, originada nas cidadezinhas da serra peruana, afirma que as mulheres que foram estupradas e maltratadas durante a sua gravidez carregam, no leite materno, o terror pelo ato que sofreram e, através da amamentação, este terror migraria para os filhos, que cresceriam com medo.

O material de divulgação do filme comenta que ele trata de assuntos universais como “a reconciliação e o perdão”, assim como aborda a “violência que se considera como a doença que a sociedade guarda no seu ventre, e que precisa ser enfrentada através do seu reconhecimento”.

Neste site encontrei um vídeo com a diretora do filme na ocasião em que ela recebeu os prêmios em Berlim. Nele, Claudia Llosa afirma, por exemplo, que demorou aproximadamente dois anos pesquisando o tema da “teta assustada” e que, pelo fato de não ter conhecido ninguém que tenha “padecido desta doença”, teve que criar, no filme, uma idéia do que seria isso. Segundo este texto, que traz mais informações a respeito da “teta assustada”, Llosa teria se inspirado no depoimento de mulheres que foram vítimas de violência durante os 20 anos em que os conflitos armados ocorreram no Peru.

Busquei mais informações sobre os ataques terroristas em solo peruano e encontrei esta monografia de Luís Alfredo Alarcón Flores sobre o tema. A parte que interessa neste trabalho começa a partir do título “El procedimiento del Terrorismo”. Neste trecho, o seu autor comenta sobre as ações de grupos como o Sendero Luminoso e o Movimiento Revolucionario Tupac Amaru que, a partir dos anos 1980, teriam provocado o terror em muitas partes do Peru.

O filme registra a nota 7,5 pela votação dos usuários do site IMDb. O Rotten Tomatoes abriga apenas duas críticas sobre o filme, ambas positivas.

La Teta Asustada foi co-produzido pela Espanha. Em seu discurso de agradecimento pelo Urso de Ouro em Berlim, a diretora Claudia Llosa dedicou o prêmio a seu país de origem, o Peru, mas também à Barcelona e à Espanha que, segundo ela, lhe adotaram há oito anos.

Filha do diretor de cinema Lucho Llosa, Claudia conseguiu rodar La Teta Asustada com a ajuda do World Cinema Fund, uma organização ligada ao Festival de Berlim.

Além do espanhol, o filme traz diálogos em quechua, idioma falado por muitas comunidades andinas.

CONCLUSÃO: Uma produção impactante que revela uma história pouco debatida em seu país de origem, o Peru. Filmada com atenção nos detalhes por Claudia Llosa, La Teta Asustada é destas produções que ficam perambulando pela nossa lembrança e imaginação por muito tempo. Revelando uma parte curiosa de distintas realidades peruanas, este filme trata de família, costumes, tradições, crendices, desigualdades sociais e uma violência que, quanto mais silenciada, mais presente se torna. Vale ser visto tanto por seu caráter único, muito ligado à realidade e ao passado dos nossos irmãos peruanos, quanto por seu caráter universal e simbolista – que nos mostra como é complicado, mas possível, enterrar o passado e seguir adiante.

ATUALIZAÇÃO (31/10) – PALPITE PARA O OSCAR 2010: La Teta Asustada apareceu na lista dos pré-candidatos ao Oscar de melhor filme estrangeiro de 2010 divulgada pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood. O filme peruano disputa com outras 64 produções uma das cinco vagas finais da cobiçada estatueta. Ainda preciso assistir aos demais concorrentes, mas francamenteu eu gostaria que La Teta Asustada surpreendesse a maioria dos críticos e ficasse entre os finalistas. Acho difícil, para ser franca, porque parece que este ano há grandes produções na disputa. Mas de todos os filmes latinos que buscam um lugar ao sol no Oscar 2010, acho que a produção de Claudia Llosa é a que tem mais chance de chegar longe. Pessoalmente, estou na torcida!

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13 comentários em “La Teta Asustada – A Teta Assustada

  1. Oi Alessandra,
    Para falar a verdade, estou ‘viciada” no teu blog!! (risos)
    Quando aparece algum filme aqui que eu não tenha visto, lá vou eu procurar o filme para poder ler o resto (spoiler) da tua crítica (pós filme).
    Eu já tinha “A Teta Assustada” aqui, porém não havia assistido.
    Gostei bastante do filme e concordo com você.
    Pouco sabemos da cultura de nossos vizinhos sul americanos.
    Você reparou com que “ginga” os peruanos dançam neste filme?
    A minha filha conviveu com peruanos e colombianos durante um ano e ficou impressionada como eles dançam.
    Abraços (estou sempre aqui no aguardo – já vi que você escreveu sobre Os Abrazos Rotos, outro filme que gostei) .
    Só estou aguardando a tua crítica sobe “A Culpa é do Fidel” (um dos melhores filmes que assisti em 2009)

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  2. Oi Claudia!!

    Fico feliz que você tenha assistido A Teta Assustada e que tenha gostado do filme. Viste que ele está pré-selecionado para concorrer no próximo Oscar? Tenho minhas dúvidas se ele chegará tão longe, se ficará entre os cinco finalistas, mas eu gostaria – até porque acho que está na hora do cinema latino voltar a ganhar mais espaço entre os holofotes.

    Também fico contente em saber que estás viciada (no bom sentido) no blog. Para mim, é uma honra ter uma leitora com um bom gosto tão grande para filmes como você entre meus leitores costumazes. Obrigada.

    Tens razão, os peruanos dançam um bocado neste filme. Só não consigo avaliar se eles dançam bem ou não – até porque isso é relativo, não é mesmo? 😉 Mas a impressão que eu tenho é que nós, latinos em geral, temos realmente uma bela vocação para a dança – o brasileiro, tem samba nos pés… os peruanos, colombianos, equatorianos e outras nacionalidades da região, a bachata e outros ritmos.

    Estou com uma lista gigantesca de filmes para assistir… e agora, comecei a contagem regressiva para o Oscar. Como no ano passado, tentarei assistir ao máximo de indicados para poder dar pitaco sobre eles.

    Obrigada por tua visita e por teu comentário… inté a próxima! Abraços.

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  3. Os nosso vizinhos latinos formam conosco uma miscelânea de culturas, línguas (sabia que o dialeto quíchua falado por Fausta é uma das línguas oficiais do Peru? Pois é, eu não sabia.) e histórias que nós valorizamos tão pouco não é mesmo? E um filme como La Teta Asustada é excelente tanto no sentido de mostrar o folclore do Peru quanto no de nos instigar a procurar saber mais sobre o país onde o filme é rodado, pelo menos funciona assim comigo.
    É deveras triste saber, no entanto, que conflitos civis que envolvem forças armadas como o Sendero Luminoso no Peru e as FARC na Colômbia marcaram e ainda marcam a vida de muitas pessoas que, por serem muito ligadas à terra, a essa cultura oral, levam seus traumas adiante.
    Alê, mais uma vez obrigado pela bela apresentação de um filme extraordinário e recomendadíssimo!

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  4. Olá Caio!!

    Pois é, para você ver… eu, devo ser honesta, só notei o quanto nós, brasileiros (na média, me refiro) somos ignorantes sobre “nuestros vecinos” quando fui morar na Espanha. Lá, ao me deparar com tantas pessoas de diferentes nacionalidades, é que eu percebi o quanto sabemos pouco dos demais países latinos. Foi aí, mais do que antes, que me senti impelida a saber mais sobre peruanos, bolivianos, equatorianos, e etcétera.

    Sim, o quechua é um dos idiomas mais falados no Peru. E há tantos outros idiomas/dialetos falados nos países vizinhos que nem ficamos sabendo.

    Tens razão sobre a importância de um filme como La Teta Asustada. Ele, sem dúvida, nos apresenta uma parte da história, do folclore e da vida peruana que, de outra forma, um estrangeiro não teria como conhecer. Apenas por isso, ele já se mostra um excelente projeto. Como você, eu também me interesso mais a respeito de um filme, de uma época histórica, de um costume ou do que for através dos filmes. Acho um hábito bastante saudável este.

    Pois sim, os traumas… eles são perpetuados de formas distintas, não é mesmo? Seja pelo folclore, como na história mostrada por La Teta Asustada, ou seja através de uma educação repressiva – no caso de tantas famílias. Traumas estão aí para serem resolvidos – mas, até que isso seja feito, eles seguem fazendo vítimas de formas muito diversas.

    Um grande abraço, Caio, e volte sempre! Obrigada, mais uma vez, por teus comentários. 😉

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  5. Sou peruano e fico bobo vendo os comentários e elogios dos irmãos brasileiros assim como os comentários mundo afora sobre este filme. Todos são unânimes e enxergam este filme além do que a diretora mostra. Talvez para vocês seja surpresa saber, mas a grande maioria de peruano sente vergonha deste filme e ficam postando críticas maldosas sobre a atriz Magaly Solier a chamando de índia burra que denigre aos peruanos, isso realmente é chocante de ver pra mim como peruano. Esta garota, nem sequer era atriz, era um miserável camponesa dos Andes que foi descoberta pela Claudia Llosa vendendo uma espécie de tapiocas nas ruas poeirentas de uma minúscula cidade dos Andes no interior do Peru; numa cidade onde não existe asfalto nem transporte decente, e agora, a olhem, fazendo o filme ganhar prêmios por onde passa. O melhor de tudo é que garota não perdeu a humildade, ela fala na língua nativa da sua comunidade coisa que peruano alienado quer esquecer. Tem peruano que sente profunda vergonha e não perdoa Magaly ter falado e cantando nesta língua (quéchua) em Berlin. Uma vergonha!
    Sou peruano mistura de espanhol com índio, no Peru passo por branco aqui algumas pessoas me chama de índio, mas nunca me ofendo, muito pelo contrário, sou feliz de ser uma mistura de duas culturas milenares, pena que nem todo conterrâneo meu pensa desta forma, uma verdadeira pena 

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  6. Hola Tito!!

    Qué gusto recibir una visita tuya por acá!

    Olha, realmente fiquei surpresa em saber que a maioria dos peruanos não gostou de La Teta Asustada. E que se sentem envergonhados com o filme. Acho que eles não entenderam exatamente do que ele trata, verdade?

    Se bem que, para ser franca, não me surpreende totalmente esta reação. Os brasileiros também já reagiram mal com filmes que não mostravam, exatamente, apenas as “belezas” e “conquistas” do país. Isso acontece. Ainda que a impressão que eu tenha é que a maioria dos brasileiros sabe diferenciar uma obra de arte do que seria uma forma de crítica pura e simples de determinada realidade.

    Gostei muito das considerações que fizeste sobre a atriz Magaly Solier. Ela é realmente maravilhosa, grande intérprete e, por tudo que comentaste, imprime uma legitimidade única para sua personagem.

    Realmente lamentável que muitas pessoas tenham vergonha de sua própria história, de sua origem e de línguas nativas do país. Estou contigo, as pessoas deveriam ter orgulho de suas raízes.

    Tito, adorei o teu comentário. Muito obrigada!! Aproveito para te convidar a participar mais vezes do blog, comentando sobre outros filmes e, quando puderes, indicando outras produções peruanas que achas interessante. Quero ter mais informações sobre o cinema do teu país e assistir a outras produções para comentá-las por aqui.

    Um grande abraço!!

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  7. Oi Ale, adorei o texto, me fez refletir sobre um monte de coisas que não tinha enxergado quando assisti o filme. Por exemplo, na relação colonizada ou colonizadora entre Aida e Fausta, e de como muitos dos grandes pilares de ocidente foram e ainda são feitos se baseando em pequenas ou grandes coisas da cultura não ocidental, dos colonizados. Mas fico me perguntando, no final das contas, quem foi colonizado?. Uma coisa que não falas no texto, mas que é sutil no filme porem muito interessante, é a relação entre a língua quíchua, a batata “papa” e a essência do povo peruano. A “papa” foi um dos cultivos principais dos incas e ainda é importante na culinária e na vida peruana, eu achei belíssima a forma em que o filme reivindica a “papa”, ao mesmo tempo em que mostra o processo de perdão e libertação de Fausta, é como se também se tratasse de entender a essência quíchua, e por tanto inca de ser peruano.
    Obrigada pelo belo texto
    Beijos

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    1. Oi menina!!

      Que bom que você gostou do texto. Pouco a pouco, estou atualizando as respostas para o povo…

      Descubriste, por aqui, um dos principais sentidos deste espaço. A troca de percepções, de leituras, diferentes formas de ver o mesmo.

      Perfeita a tua colocação sobre o significado da “papa” na cultura peruana. Bem verdade… mesmo aquela tradição, aquele sentido, parece estar um tanto “ameaçado” no filme, pelas mudanças que a própria sociedade peruana foi e vai sofrendo com o tempo.

      E obrigada você pela contribuição com o teu comentário. Sempre bacana ler um outro ponto de vista com conhecimento de “causa”, por assim dizer.

      Beijos e abraços e tudo de bom!

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  8. Oi Mac!

    Puxa, vejo que tens bom gosto… procurando textos sobre La Teta e Un Prophète, dois filmaços!

    Obrigada por tua visita, teu comentário e teu incentivo. Espero ver mais comentários teus por aqui, quem sabe até me dando boas dicas de filmes?

    Abraços e inté!

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