Defiance – Um Ato de Liberdade


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Sete décadas depois do início da 2ª. Guerra Mundial, a história continua sendo revisitada. Novas publicações apontam aspectos do confronto pouco ou nada explorados por distintos autores até o momento. Defiance aparece no meio deste “levante” de revisão histórica ao apresentar a trajetória de um grupo de judeus que resistiu ao extermínio promovido pelos nazistas. Este é o primeiro filme que assisti com esta temática. Essa “inovação” que a produção traz, sem dúvida, é um dos seus maiores trunfos, ao promover a mudança do foco narrativo dos judeus como vítimas – algo que também foi uma realidade, claro – para mostrar-lhes como pessoas corajosas, lutadoras e convictas de seu direito de sobreviver.

A HISTÓRIA: Adolf Hitler cumprimenta parte de seu Exército. O ano é 1941 e a história que vamos assistir acompanha fatos que ocorreram na ocupação da Bielo-Rússia por parte da Alemanha. Imagens em preto-e-branco mostram o trabalho da SS e da polícia local em cercar e prender os judeus que moravam no país. Estas cenas logo se convertem em imagens coloridas que “reconstituem” o que teria acontecido com os irmãos Bielski. Depois de assistirem a morte dos pais, em agosto, eles se escondem na Floresta Lipiczanska, onde começam a formar um grupo de resistência ao regime de repressão e extermínio nazista.

VOLTANDO À CRÍTICA (SPOILER – aviso aos navegantes que boa parte do texto à seguir conta momentos importantes do filme, por isso recomendo que só continue a ler quem já assistiu a Defiance): Quando bons roteiristas encontram um trabalho de pesquisa bem acabado como base para seus filmes, normalmente o resultado do processo de adaptação de uma obra literária para os cinemas tem êxito. Este é, em muitos momentos, o caso deste filme, que se debruça sobre vários aspectos do cotidiano de um grupo de judeus que decidiu resistir à perseguição promovida pelos nazistas durante a 2ª Guerra. As qualidades do texto para o cinema escrito por Clayton Frohman e o diretor Edward Zwick começaram pelo trabalho de Nechama Tec, professora de sociologia que publicou a obra Defiance: the Bielski Partisans.

Tec, como outros escritores e pesquisadores históricos fizeram recentemente, buscou ir a fundo na investigação histórica daquela época, procurando outras versões sobre o que aconteceu no período de 1939 e 1945 na Europa. A curiosidade deles está provocando uma verdadeira revisão histórica do período, lançando luz sobre muitas dúvidas a respeito dos diferentes papéis que países, exércitos e civis desempenharam no período de expansão nazista. Assim, Tec e outros escritores têm mostrado que os judeus não foram sempre as vítimas indefesas e incapazes de lutar contra seus algozes como estávamos acostumados a aprender nas aulas de História ou através de filmes.

A revista Superinteressante trouxe, em setembro deste ano, uma reportagem sobre estas novas descobertas dos pesquisadores que se preocupam com o tema. Segundo a reportagem da revista, o grupo de resistência dos irmãos Bielski chegou a aniquilar aproximadamente 400 inimigos. Outros grupos de judeus perseguidos pelos nazistas resistiram em florestas e pântanos do Leste Europeu, repetindo os passos dos irmãos vistos em Defiance: além de se abrigarem em lugares de difícil acesso, estes grupos interceptavam carregamentos de comida para as tropas alemãs, sabotavam “usinas elétricas e fábricas”, descarrilhavam “trens inimigos e, quando possível”, matavam “algum nazista”.

Este poderia ser um bom resumo sobre Defiance. Mas o filme é mais que isso. O roteiro de Zwick e Frohman tem espaço para as ações estratégicas do grupo dos irmãos Bielski, mas também (e esta é a parte mais curiosa) se ocupa em relatar a organização deles para sobreviver em locais isolados. Os trabalhos de construção de acampamentos, de distribuição de comida, a queda-de-braço pela liderança do grupo, os romances, o perigo de uma epidemia de tifo, enfim, o cotidiano de um grupo formado por pessoas com formação, faixa etária e condições de saúde tão diferentes é o que torna Defiance um filme curioso.

Um dos acertos do roteiro é o de não exagerar na dose de “santificação” dos protagonistas. Ainda que exista algum “embelezamento” de suas biografias, ele é feito de maneira moderada. Desta maneira é que acompanhamos, ao mesmo tempo, a bravura e a covardia de Tuvia Bielski (Daniel Craig), o líder do grupo de resistência que busca ser justo com aqueles que o cercam, dita regras coerentes para homens, mulheres e crianças, age com bravura na busca por alimentos para seu grupo mas, também, é capaz de invadir a casa de uma família e matá-la praticamente inteira por vingança.

O irmão de Tuvia, Zus (Liev Schreiber) é um homem que defendia o uso de armas mais que a diplomacia. Corajoso e assombrado por um certo complexo de inferioridade em relação a Tuvia (o que acaba resultando em ações de competição entre os irmãos), ele acaba aderindo a Otriad Outubro, formada por soldados do Exército Vermelho comandados por Viktor Panchenko (Ravil Isyanov).

A separação dos irmãos acabou sendo inevitável porque,enquanto Tuvia apostava em uma resistência estratégica, com a ação do grupo focada em assaltos contra alemães e seus colaboradores para conseguir comida e algumas armas, Zus acreditava em ações de represália mais duras. Ele também não concordava muito com o gesto do irmão em ser um “bom samaritano” e abrigar/cuidar de pessoas que não poderiam “pegar em armas” e resistir a um confronto com os nazistas. A verdade é que o grupo que foi se formando ao redor dos Bielski era composto, maioritariamente, por velhos, mulheres e crianças. Comentei tudo isso para demonstrar como Zus também foi mostrado como um personagem complexo, capaz dos gestos mais heróicos na luta direta contra os nazistas ao mesmo tempo em que demonstrava um bocado de inveja/disputa a respeito do irmão mais velho e egoísmo ao querer defender apenas a si próprio e aos familiares, não se importando muito com os demais.

Em filmes que buscam contar gestos heróicos de pessoas reais, existe um grande risco por ignorar os vários aspectos da personalidade destes personagens. Normalmente, os roteiristas se focam apenas nas qualidades ou nos defeitos das pessoas retratadas, dificilmente mostrando a complexidade de suas personalides – exceto quando se trata de uma cinebiografia. Defiance corria o risco de contar uma história um bocado rasa a respeito de seus protagonistas porque há muitos aspectos da história a serem mostrados. Levando isso em conta, os roteiristas se sairam bem no seu trabalho.

Os personagens mais “lineares” ou “rasos” ficaram para os outros dois irmãos Bielski. Asael, interpretado pelo sempre ótimo Jamie Bell, incorpora o papel do bom moço. Depois de ficar abalado com a morte do pai, ele passa a auxiliar Tuvia com o acampamento e, observando o irmão, aprende a se tornar também um líder. Na verdade, Asael aprende tanto com Tuvia quanto com Zus e, aparentemente, saca o melhor de cada um deles. Algumas das melhores cenas e diálogos do filme acabam sendo protagonizadas pelo garoto. O outro Bielski da história, Aron (George MacKay) aparece menos. Essencialmente ele encarna a fragilidade e o drama vivido pelas crianças do grupo, que ficaram órfãs da noite para o dia.

Comentei apenas sobre os irmãos Bielski, mas outros personagens também tiveram um certo destaque nesta história. Entre eles, destaco a bela francesa Alexa Davalos, que interpreta a Lilka Ticktin, uma mulher de posses e que estudou música na universidade e que acaba se apaixonando pelo protagonista; a encantadora australiana Mia Wasiowska como Chaya Dziencielsky, uma jovem salva junto com Asael que acaba motivando a operação de resgate de muitos judeus de um gueto criado pelos nazistas na região; o competente ator sueco Allan Corduner como Shamon Haretz, ex-professor dos Bielski e um dos organizadores do acampamento; e o nova-iorquino Mark Feuerstein como Isaac Malbin, um intelectual que acaba demonstrando para Tuvia que não bastava sobreviver aos nazistas, era preciso criar e fomentar a idéia de comunidade entre as pessoas do acampamento.

Seguindo ainda o que eu dizia antes sobre os acertos do roteiro, achei curioso como Defiance aborda alguns dos pré-conceitos que rondavam o imaginário da população sobre os judeus naquela época – e talvez até hoje. Idéias estas, é importante comentar, muitas vezes assumidas pelos próprios judeus. Entre outras, as de que eles eram incapazes de lutar ou de passar uma noite bebendo com os amigos, assim como de serem pessoas leais e capazes de gestos de doação. Os irmãos Bielski e as demais pessoas que fizeram parte de seu acampamento, em sua maioria, demonstraram que estes pensamentos estavam errados e que, como em qualquer outro grupo, eles também abrigavam pessoas de índole muito diferentes. Tuvia teve, por exemplo, que enfrentar uma tentativa de insurreição no próprio acampamento, liderada pelo absurdo Arkady Lubczanski (Sam Spruell).

Filmado com exatidão por Zwick, com uma direção de fotografia bastante correta do português Eduardo Serra, Defiance apresenta um ritmo de ação e drama geralmente condizentes com a história. Quando o espectador se dá conta, ele foi levado pelas mãos até a epopéia daquele grupo, torcendo para que eles sobrevivam mesmo quando todas as condições apontam para o contrário. Apenas perto do fim a produção exagera um pouco na dose. (SPOILER – não leia se você não assistiu ao filme). Duvido muito, por exemplo, que Tuvia não tivesse tido nenhum romance no acampamento antes daquele primeiro beijo em Lilka. Também é difícil engolir a maneira com que os alemães atacaram os sobreviventes do acampamento no cerco final. Aquele não era o método do exército alemão em atacar os adversários – apenas com um núcleo e em uma única direção, tornando-se alvo fácil de um cerco como o mostrado em Defiance. Mas ok, entendo que um filme com tantos aspectos a serem abordados não pode ser muito fiel à realidade. Afinal, por mais que ele seja “baseado em uma história real”, trata-se de uma reconstrução da realidade, suscetível a interpretações e simplificações.

E ainda que Defiance apresente um Tuvia e um Zus um bocado complexos, lá pelas tantas o roteiro “esquece” esta complexidade para transformá-los basicamente em heróis. Assim, rapidamente esquecemos que Tuvia foi capaz de matar a sangue frio uma família quase inteira e aceitamos o momento em que ele critica Zus por querer fazer o mesmo. Também “perdoamos” os gestos de egoísmo e inveja de Zus quando ele aparece para ajudar o irmão no final da história. Esta “manipulação” do roteiro na tentativa de tornar os personagens ainda mais heróicos era dispensável.

NOTA: 9 8,5.

OBS DE PÉ DE PÁGINA: Com uma fotografia muito boa, este filme registra algumas das paisagens da Lituânia, onde Defiance foi filmado. Achei curioso a produção ter sido feita naquele país, vizinho da Bielo-Rússia, onde os fatos realmente aconteceram. Lendo as notas de produção de Defiance fiquei sabendo que os produtores nem cogitaram filmar na Bielo-Rússia porque o atual regime daquele país é o de uma ditadura.

A trilha sonora assinada pelo oito vezes indicado ao Oscar James Newton Howard é um dos destaques do filme e, até o momento, foi o único aspecto técnico da produção que rendeu alguma premiação para Defiance. Além de ter sido indicado ao Oscar neste ano, por esse trabalho, Howard recebeu graças a ele o prêmio Sierra da Sociedade de Críticos de Cinema de Las Vegas. Como em qualquer filme que busca sacar lágrimas com sua história, Defiance também consegue, com uma ajuda fundamental da trilha sonora, levar os espectadores pelas mãos neste caminho.

Gostei muito da interpretação dos atores que fazem os irmãos Bielski, com especial destaque para o másculo (e charmoso, convenhamos) Daniel Craig e para o geralmente linear Liev Schreiber. Jamie Bell, novamente, comprova que é um dos grandes nomes de sua geração.

Edward Zwick consegue equilibrar muito bem cenas de batalha e de ação cuidadosamente planejadas com momentos mais “introspectivos”, como os que revelam as relações de poder, disputa, aprendizado e amor entre os diferentes personagens do acampamento judeu.

Defiance deu prejuízo para os seus produtores. O filme, que teria custado aproximadamente US$ 50 milhões, conseguiu arrecadar, apenas nos Estados Unidos, pouco mais de US$ 28,6 milhões até abril deste ano. Pouco, muito pouco.

Os usuários do site IMDb deram a nota 7,3 para o filme. Se você achou ela baixa, é porque ainda não viu a avaliação dos críticos que tem seus textos linkados pelo site Rotten Tomatoes: eles dedicaram 90 textos positivos e 74 negativos para a produção, o que lhe garante uma aprovação de apenas 55% (e uma nota média de 5,8).

Para o crítico Mick LaSalle, do San Francisco Chronicle, infelizmente nem toda história verdadeira sobre o Holocausto rende um filme de Hollywood. Nesta crítica (em inglês), LaSalle afirma que a história dos irmãos Bielski poderia render em um grande artigo para uma revista ou em um documentário do History Channel, mas que ao ser transformada em filme, ela acabou tendo seu fascínio diluído em uma produção longa e árdua. Ainda assim, o crítico afirma que os detalhes sobre a vida dos sobreviventes na história acabam tornando a primeira hora do filme interessante. LaSalle enfatiza o fato de que a história em si dos Bielski é significativa mas, para um filme, pouco dramática.

Destaco também este texto do crítico Michael Phillips, do Chicago Tribune, que afirma que a determinação do filme em “mitificar o heroismo da vida real de seus personagens” acaba se demonstrando inadequada. Para Phillips, o roteiro de Defiance resume todos os fatos ao mais simples, apostando em “máximas redutoras”. Os personagens, para o crítico, não parecem pessoas reais em uma situação dramática como aquela. Phillips destaca o gosto de Zwick por manter os seus extras (personagens secundários) apenas como extras, ou seja, limitados a uma existência galgada em frases feitas. Mesmo com estas críticas, Phillips destaca a técnica de Zwick como um de seus pontos fortes.

Os atores Daniel Craig e Jamie Bell vão repetir a dobradinha de trabalharem juntos no filme The Adventures of Tintin: The Secret of the Unicorn. A produção, dirigida por Steven Spielberg, transportará para a telona uma das aventuras do popular personagem de HQ’s.

CONCLUSÃO: Um filme inovador em sua temática, mas tradicional em seu formato. Defiance contribui na recente revisão histórica da 2ª Guerra Mundial ao narrar a ação de resistência de um coletivo de judeus durante a invasão da Bielo-Rússia pelos nazistas em 1941. Bem equilibrado entre momentos de ação, guerrilha e drama, Defiance nos revela os desafios enfrentados pelos irmãos Bielski e o grupo que se formou ao seu redor para sobreviver. Tecnicamente irretocável, o filme sofre por uma certa inestabilidade de seu roteiro, que começa bem, ao mostrar a complexidade das personalidades de seus protagonistas, mas que depois acaba caindo em uma simplificação (e até “santificação”) de suas ações. Mesmo com alguns “poréns”, é um filme bem feito e que traz à luz uma história incrível. Apenas por isso, merece ser visto.

SUGESTÕES DE LEITORES: Defiance foi citado pela primeira vez aqui no blog pelo Assis, no dia 25 de janeiro deste ano. Na época, este querido leitor aqui do blog tinha acabado de assistir ao filme e queria ler um comentário meu a respeito. Pois bem, Assis, aqui está, finalmente, o texto. Como podes ver, gostei do filme, especialmente porque desconhecia os detalhes da história dos irmãos Bielski. Agora, como eu disse antes, achei uma pena os momentos em que o filme tentou “embelezar” a história e/ou simplificar demais os seus personagens. De qualquer forma, acho que Defiance é um filme bem interessante e que merece ser visto. Aguardo a tua visita e teus comentários a respeito dele. Um abraço!

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7 comentários em “Defiance – Um Ato de Liberdade

  1. Olá Alessandra,
    Quando comentei a respeito do filme “Defiance – Um Ato de Liberdade” no início do ano eu imaginava exatamente essa abrangência que você dar aos seus comentários quando analisa uma obra cinematográfica. Reconheço que “Defiance…” tem falhas no roteiro – talvez isso explique as inúmeros críticas negativas – , mas é um filme tencnicamente envolvente, com uma história de nos conduz a uma reflexão e que vale o ingresso. Conseguimos dar ao filme a mesma nota e isso exemplifica, com certeza, o quanto gostamos.
    Parabéns mais uma vez pelas excelentes críticas que você tem escrito aqui nesse espaço e que tem feito de mim um leitor voraz e assíduo.
    Abraços,
    Assis

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  2. Olá Assis!!

    Pois é, nem me fala… demorei um século e meio, praticamente, para assistir e comentar a tua sugestão. Desculpe a demora! Pretendia ter visto antes, mas não consegui.

    Olha, não sei se ficou parecendo que eu não gostei do filme, por causa das observações que fiz sobre o roteiro ou outros aspectos da produção. A verdade é que gostei sim de Defiance – daí a sua nota.

    Concordo contigo que ele é uma produção envolvente e muito bem feita. E que, apenas pelo fato de contar uma história desconhecida da maioria, ele já se justifica.

    Fico feliz que estejas sempre por aqui, presente. E que gostes dos textos do blog. Me sinto incentivada, por este e outros comentários como o teu, a continuar. Obrigada!

    Um grande abraço!

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  3. Gostei muito do filme e também de ver a História sendo um pouco mudada. Essa revisão foi muito interressante, já que só conhecíamos a história através dos livros e filmes. Nunca tinha visitado seu blog, amei a sua crítica. Abraços! Rô.

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  4. Olá Rosaura!!

    Antes de mais nada, seja bem-vinda por aqui!

    Concordo contigo que é muito bom sermos apresentados a uma parte da História pouco (ou nada) conhecida.

    Fico feliz que tenhas chegado até o blog e gostado dele. Espero que esta tua primeira visita e que teu comentário se repitam muitas vezes ainda. Volte sempre!

    Um grande abraço!

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  5. Oi felipe!!

    Muito bom o filme, não é mesmo?

    Também gostei. Ainda que, como comentei no texto, ele tenha alguns “probleminhas” no roteiro. Mas, no geral, é muito bem dirigido e tem atuações fantásticas.

    Obrigada por tua visita e pelos teus comentários. Espero que voltes por aqui mais vezes. Abraços!!

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