Precious: Based on the Novel Push by Sapphire – Preciosa: Uma História de Esperança


Imagine a pior história possível envolvendo uma adolescente de 16 anos. Precious: Based on the Novel Push by Sapphire conta uma destas histórias duras, que criam espanto quando pensamos que elas realmente poderiam ter acontecido (e talvez tenham ocorrido, mas com outros nomes no lugar daqueles do filme). Mas diferente de outras produções que seguem a linha do “dramalhão”, este filme dirigido por Lee Daniels não cai em recursos fáceis, prefere uma narrativa que mistura nas mesmas proporções o realismo e a fantasia escapista/de alívio da protagonista. Mérito do diretor, do roteirista e, principalmente, da escritora que viveu parte de sua vida no Harlem e que escreveu a obra que inspirou este filme. Potente, impressionante, impactante. Precious mereceu os prêmios que recebeu e, sem dúvida, fez “por onde” para estar indicado em várias categorias do Globo de Ouro e, possivelmente, em algumas do próximo Oscar. Com pelo menos três interpretações de tirar o chapéu, é destes filmes “pesados” que cairá no gosto de quem procura lições de vida também no cinema – e que não busca apenas por entretenimento.

A HISTÓRIA: Imagens de uma cidade cinza tem a sua rotina quebrada por uma fita vermelha que faz parte de um sonho de uma adolescente. No Harlem (bairro de Nova York) em 1987, uma garota negra, obesa, se apresenta: ela se chama Claireece Precious Jones (Gabourey “Gabby” Sidibe). Ela fala de seus desejos e sonhos enquanto os espectadores mergulham em sua duríssima realidade. Sentada no fundão da sala do colégio público onde tem aulas, ela tenta se concentrar no que o professor de matemática fala quando recebe um chamado para ir até a direção. A Sra. Lichtenstein (Nealla Gordon), diretora da instituição de ensino, confirma com Precious que a garota, aos 16 anos, está grávida pela segunda vez. Ela então se oferece para ir até a casa da adolescente para conversar com a mãe de Precious, Mary (Mo’nique) sobre as possibilidades da estudante, sem saber que a vida dela é um verdadeiro inferno. Mesmo expulsa do colégio, Precious acaba sendo encaminhada para uma instituição de ensino alternativo e, conforme vai evoluindo com seu aprendizado, ela vai também desvelando suas agruras e, simultaneamente, vai conseguindo mudar os rumos de sua vida.

VOLTANDO À CRÍTICA (SPOILER – aviso aos navegantes que boa parte do texto à seguir conta momentos importantes do filme, por isso recomendo que só continue a ler quem já assistiu a Precious): Desde que o filme baseado no livro de Sapphire saiu consagrado do Festival de Sundance, em janeiro deste ano, eu queria assistí-lo. Precious entrou na minha lista de “filmes-para-assistir-logo-que-possível”, mas precisei esperar até quase os últimos dias do ano para realizar este meu desejo. Ainda que a espera tenha sido longa, valeu a pena. Alguns podem considerar este filme “deprimente”, outros, pesado demais. A verdade é que muitos não tem o mínimo interesse de “saber da desgraça alheia”. Como eu respeito a tudo e a todos, também respeito a estas pessoas. Mas se você é uma delas, passe longe de Precious.

Por outro lado, se você tem o mesmo desejo que eu de conhecer todas as histórias possíveis, especialmente de personagens que passaram por situações absurdas e conseguiram dar a volta por cima, superando tudo e todos e dando verdadeiras lições de vida, este é seu filme. Mas que ninguém se engane: há temas muito fortes em jogo. (SPOILER – não leia se você não assistiu ao filme). Eu lembrava que Precious tratava da história de uma garota que tinha sido estuprada pelo pai. Mas além do incesto, estão em jogo, nesta história, o abuso sexual praticado por um pai (e uma mãe) contra a filha, gravidez na adolescência, violência doméstica (física e psicológica), discriminação racial e por aparência física, evasão/exclusão escolar e uma doença sexualmente transmissível. O filme é barra, sim senhores(as).

Mas na mesma medida em que há muita tensão, violência e, aparentemente, uma notícia pior que a outra na vida de Precious, há nesta garota uma vontade inabalável de dar certo, de sacudir a poeira e sair por cima. Impressionante o seu exemplo. E junto com ele, o exemplo da única mulher que lhe extendeu a mão e que acabou sendo fundamental para que a adolescente superasse seus problemas através da educação: a professora Miss Rain (a encantadora Paula Patton). Sei que parece conversa vencida ou utopia, mas sempre que vejo/escuto uma história como esta fica cada vez mais forte a minha convicção que só através da educação e da cultura as pessoas podem se sentir realmente inseridas na sociedade. Podem, em outras palavras, perceberem todo o seu potencial e almejarem algo melhor para suas vidas.

Esta é, sem dúvida, uma das lições do filme. Outra é que, não importa o quanto um pai ou uma mãe podem ter trabalhado de forma costumaz para destruir o seu filho ou filha, este indivíduo pode exorcizar os maus tratos, os abusos e a maldade paterna para seguir em frente. Fazer, a duras penas e com sacrifício, o seu próprio caminho. O exemplo desta produção é maravilhoso neste sentido. Precious, fruto de um casal pelo qual é difícil listar adjetivos, resolve dar o exemplo com a sua maternidade, formando uma família real da melhor forma possível.

Impressionante também o desprendimento da garota em não querer se vingar e, aparentemente, não nutrir nem mesmo ódio pelas pessoas que praticaram todos aqueles atos desumanos contra ela. (SPOILER – não leia se você não assistiu ao filme). Em uma das sequências finais e mais impressionantes do filme, quando a assistente social Sra. Weiss (Mariah Carey) junta, frente à frente, Precious e Mary, o que a adolescente parece sentir pela mãe é uma mescla de pena e desprezo. Mas para ela, o importante é que as duas mantivessem distância suficiente para que, finalmente, Precious conseguisse ter a sua própria vida – com valores muito maiores do que os seus progenitores um dia tiveram.

O roteiro deste filme funciona com perfeição. Mérito de Geoffrey Fletcher, que fez uma adaptação inspiradíssima do livro de Sapphire. Inicialmente, a história de Precious se assemelha a de tantas outras garotas norte-americanas que sonha com o estrelato, com a fama, o sucesso e em ser desejadas. Mas não demora muito para que o espectador mergulhe em sua trágica realidade. Primeiro, o assunto da gravidez. Depois, as cenas de violência praticadas pelo pai (misteriosamente desaparecido) e a mãe (que compete com a filha e quer sempre diminuir a garota).

Para acompanhar este texto matematicamente planejado para ir surpreendendo pouco a pouco o espectador, está o trabalho decisivo do diretor Lee Daniels. Ele privilegia, o tempo todo, a interpretação dos atores. Com isso, Daniels valoriza cada detalhe da impressionante estréia de Gabourey Sidibe nos cinemas, valorizando cada aspecto de sua revolta, estado letárgico e dedicação amorosa aos filhos. Outros atores também passam pelo mesmo destaque, merecendo uma atenção especial, pela forma com que roubam a cena cada vez que aparecem, Mo’Nique e Paula Patton.

Algumas vezes, contudo, esta tentativa frequente do diretor em tornar-se “invisível” durante o trabalho dos atores, acaba resultando em câmeras trêmulas e/ou um pouco descontroladas (vide a conversa de Precious com a diretora do colégio do qual ela será expulsa) ou closes um pouco rápidos demais. Mas estes são apenas detalhes de um trabalho que, no geral, teve um resultado muito bom – especialmente no que se refere a captar o melhor das interpretações essencialmente femininas da história. Daniels também consegue a dinâmica e o tom exatos nos flashbacks e nas sequências de fantasia/sonhos da protagonista. Tudo se justifica e nada parece sobrar nesta história que, no fim das contas, é uma grande, bem escrita e emocionada crônica da realidade dura e cruel de uma adolescente que resolveu dar a volta por cima e buscar uma vida nova, apesar de tudo.

Um aspecto do filme me pareceu muito interessante: como Precious, assim como tantas outras garotas da sua idade, não conseguiam a devida atenção dos professores nas escolas. Elas eram marginalizadas em todos os graus possíveis. Algumas, pela cor de sua pele. Outras, por serem imigrantes, falarem diferente ou serem obesas. E apenas através do trabalho dedicado de uma professora, Srta. Rain, e do ambiente “propício” – composto por pessoas com as mesmas dificuldades – é que aquele grupo conseguiu avançar. Aprendeu a ler, a escrever e, pouco a pouco, foi conseguindo avançar nos estudos. Um grande exemplo – e que, certamente, pode ser aplicado em muitos lugares, porque esta realidade, infelizmente, ainda acontece.

Outro aspecto curioso tem a ver com o tipo de idéias preconceituosas que uma criança ou um jovem podem aprender com seus pais – e o efeito que elas tem na sociedade. (SPOILER – não leia se você não assistiu ao filme). Precious foi educada para temer e abominar aos casais homossexuais. Mas quando ela percebe o amor, o respeito e o carinho que existem entre a Srta. Rain e sua companheira, Katherine (Kimberly Russell) e, também, em relação a ela, Precious reve seus conceitos. Exercício esse que deveria ser mais fácil das pessoas, algumas vezes criadas cheias de preconceito e de forma absurda, fazerem. No mais, não deixa de surpreender como a história de Precious, já complicada, ainda se mostra mais trágica quando ela descobre que está com Aids – doença transmitida por seu pai, que a estuprou por muitos anos. Ainda assim, ela foi capaz de escrever um livro sobre a sua história e, com isso, alertar a milhares (ou milhões, através do filme inspirado em sua obra) sobre a capacidade de alguns em buscar a destruição de inocentes aos quais eles deveriam se ocupar em proteger. Sua história, mais que “depressiva ou deprimente”, é um libelo de luta, coragem e capacidade de superação. Uma luz no fim do túnel, talvez, para alguns.

NOTA: 10.

OBS DE PÉ DE PÁGINA: Há tempos eu não assistia em um filme dois momentos tão emocionantes quanto os que Precious nos traz neste filme. (SPOILER – não leia se você não assistiu ao filme). Primeiro, quando a protagonista revela para sua professora e para suas colegas de classe que descobriu ser portadora do vírus HIV. Depois, quando a assistente social Sra. Weiss coloca, frente à frente, Precious e a mãe e, de quebra, questiona a mulher sobre os abusos sexuais sofridos pela filha. Impressionante, nestes dois momentos – os pontos altos da história -, a intepretação das atrizes, o texto e a forma com que o diretor se posicionou para exprimir o melhor de cada cena. Lee Daniels capricha nos closes neste filme – o que ressalta o seu desejo de potencializar as emoções dos atores.

Além de Mariah Carey, outro nome forte do showbizz norte-americano faz um papel secundário – ainda que importante – neste filme. Ele é Lenny Kravitz, que interpreta o enfermeiro John. Tanto Carey quanto Kravitz se saem bem em seus papéis, o que, admito, me surpreendeu positivamente.

Aspectos técnicos que funcionam muito bem neste filme: a edição de Joe Klotz; a direção de fotografia de Andrew Dunn (que faz um importante trabalho com lentes e saturação para diferenciar tempos, situações e realidade/sonho); a direção de arte de Matteo De Cosmo; a decoração de cenários de Kelley Burney e a trilha sonora de Mario Grigorov.

Precious estreou no Festival de Sundance, como eu disse antes, em janeiro deste ano. No festival, um dos mais importantes do cinema alternativo nos Estados Unidos, o filme se consagrou embolsando o Grande Prêmio do Júri, o Prêmio do Público como melhor filme e ainda um prêmio especial do júri para a interpretação de Mo’nique. Merecedíssimo. Especialmente porque Precious teria custado apenas US$ 10 milhões (um orçamento baixíssimo para os padrões de Hollywood).

Ainda falando em prêmios, até o momento, Precious acumulou 19 – além de ter sido indicado a outros 26 prêmios. Além dos três conquistados no Festival de Sundance, merecem destaque os prêmios de Melhor Performance de Estréia para Gabourey Sidibe entregue pela respeitada National Board of Review; os prêmios do público dos festivais de San Sebastián e de Toronto; o prêmio de Novo Talento para Gabourey Sidibe no Satellite Awards; o prêmio de melhor atriz para Mo’nique e uma menção honrosa no Prêmio FIPRESCI do Festival de Cinema de Estocolmo; assim como os prêmios de melhor atriz coadjuvante para Mo’nique segundo as associações de críticos de Washington, Southeastern, Nova York, Los Angeles e Boston.

O livro que conta a história da “Precious real” teve a sua primeira edição publicada em 1996. O título original da obra era Push: A Novel. Este ano, com o lançamento do filme, uma nova edição foi lançada, agora com o título Precious: Based on the Novel Push by Sapphire, ainda que se trate, claro está, do romance Push – e não de uma adaptação dele como o título sugere.

Precious foi filmado em apenas cinco semanas. Inicialmente, havia sido escalada para interpretar a personagem da Sra. Weiss a atriz Helen Mirren. Para a escolha da garota que interpretaria Precious foram entrevistadas pouco mais de 400 adolescentes em diferentes partes dos Estados Unidos. Gabourey Sidibe se apresentou para os testes apenas seis semanas antes do filme começar a ser rodado. E uma baita coincidência: a garota havia lido o livro Push anos antes porque sua mãe, a cantora Alice Tan Ridley, havia sido cotada para interpretar o papel de Mary no filme – em um projeto que nunca se concretizou.

Outra curiosidade do filme: na sequência em que Precious dá um tapa em Consuelo (Angelic Zambrana) depois que ela a chama de gorda, a reação das demais jovens em cena foi realmente improvisada. É que o diretor Lee Daniels havia dado a instrução para que Gabourey Sidibe desse o tapa mais forte que pudesse na companheira de cena sem que as demais soubessem. Típica ação de quem busca realismo em cena.

Falando das garotas que dividem a sala com Precious, vale citar o nome de suas atrizes: Chyna Layne interpreta a Rhonda, uma jamaicana que procura aprender bem o idioma inglês; Stephanie Andujar interpreta a Rita, uma garota que nasceu no Harlem e que era viciada em drogas antes de recomeçar a estudar; Amina Robinson interpreta a Jermaine, uma jovem do Bronx que buscou a escola alternativa para “fugir dos problemas” de seu bairro; e Xosha Roquemore interpreta a figuraça Joann, uma garota que mantêm a panca de estrela todo o tempo.

Como comentei anteriormente, Precious teria custado aproximadamente US$ 10 milhões. Até o dia 20 de dezembro deste ano, o filme havia arrecadado pouco mais de US$ 40 milhões apenas nos Estados Unidos – conseguiu um belo lucro.

Este filme, aparentemente, parece ter agradado muito mais aos críticos que ao público. Os usuários do site IMDb, por exemplo, deram apenas a nota 7,6 para a produção. Por sua vez, os críticos que tem textos linkados no site Rotten Tomatoes dedicaram 137 críticas positivas e apenas 14 negativas para o filme – o que lhe garante uma aprovação de 91%. Um dos textos que elogia Precious é o de Lisa Kennedy, do Denver Post. Ela ressalta como Lee Daniels é “destemido” e como ele se aproxima do escritor Toni Morrison ao trabalhar o realismo de forma mágica. A crítica ressalta, por exemplo, como o diretor é sutil ao apresentar idéias como a de que, ao ser chamada para a sala de aula da escola alternativa, Precious parece estar caminhando lentamente para a luz – o que, de fato e simbolicamente, ela está fazendo.

O crítico Peter Howell, do The Star.com, considerou Precious um dos melhores filmes de 2009. Nesta sua crítica, Howell classifica o filme como implacável e comenta que, ainda que a história pareça “insuportavelmente triste”, ela também parece “completamente honesta”. Uma bela definição, eu diria. O crítico ainda ressalta o uso de ângulos de câmera “únicos” pelo diretor de Precious que, por essas escolhas, ressalta a “melancolia urbana, fazendo com que sua lente às vezes pareça uma criança olhando com admiração para o mundo”.

Achei interessante algumas reflexões da crítica de Colin Covert do Star Tribune. Ela comenta, por exemplo, como este filme consegue mostra um pouco de humanidade no “monstro” chamado Mary, uma mulher que tenta reinar em seu apartamento sujo e pequeno e que sente um ciúmes doentio da filha. Ao mesmo tempo, segundo Covert, o filme se recusa a vestir a personagem de Precious com um manto de “nobreza trágica”. Em outras palavras, a adolescente que sofre abusos sexuais e psicológicos dos pais é a mesma que rouba mercadorias quando está com fome e que, por grande parte do filme, se mostra uma vítima passiva.

Para quem ficou interessado em saber um pouco mais sobre a história que inspirou este filme, sugiro esta entrevista de Sapphire, que escreveu o livro Push. Ela revela, por exemplo, que a personagem central de sua obra não é inspirada em uma pessoa específica. Trata-se, sim, de uma composição de histórias reais. Sapphire comenta, por exemplo, que conheceu, enquanto lecionava, uma garota que teve um filho do próprio pai quando tinha 12 anos de idade. Essa mesma estudante, posteriormente, revelou que tinha Aids e que queria escrever a sua história. Mas Sapphire, em seu lugar, escreveu um livro que mescla a história daquela estudante e de tantas outras adolescentes excluídas da sociedade. Esta outra reportagem traz mais informações sobre Sapphire e seu livro. Nela, por exemplo, fiquei sabendo que a autora começou a escrever Push em 1993, quando ela estava prestes a deixar o seu trabalho como professora de leitura corretiva no Harlem. A autora recusou repetidamente as propostas para adaptar o seu livro para os cinemas, até que ela assistiu aos filmes anteriores de Lee Daniels e resolveu voltar atrás.

A apresentadora Oprah Winfrey e o diretor, roteirista e produtor Tyler Perry sairam em defesa do filme e ajudara a promovê-lo – especialmente quando muitos começaram a atacá-lo por “explorar” a pobreza e a questão da discriminação racial.

CONCLUSÃO: A história de uma adolescente marginalizada por distintas razões e de diferentes maneiras e que, mesmo assim, batalha por um lugar ao sol. Com algumas das sequencias dramáticas mais impactantes do ano, Precious coloca à prova o espectador com uma história duríssima. O roteiro (e aparentemente o livro no qual ele é inspirado) não alivia em momento algum. O diretor, Lee Daniels, equilibra o realismo extremo – com algumas cenas de violência bastente fortes – com a fantasia e o lirismo. Uma grande peça de cinema, destinada para pessoas que não temem o mergulho em uma das realidades mais difíceis já imaginadas. Misturando histórias reais e ficção, Precious traz interpretações arrebatadoras, um roteiro e uma direção inteligentes e, porque não, uma história edificante – no melhor exemplo “uma luz em meio às trevas”.

PALPITE PARA O OSCAR 2010: Precious tem boas chances de emplacar algumas indicações na maior premiação da indústria do cinema de Hollywood. Um indicativo disto, além das premiações de diferentes associações de críticos dos Estados Unidos, foram as suas três indicações no Globo de Ouro. Precious concorre na conhecida “prévia do Oscar” nas categorias de Melhor Filme – Drama, Melhor Atriz para Gabourey Sidibe e Melhor Atriz Coadjuvante para Mo’nique. Não considero o filme uma “carta fora do baralho” na categoria principal do Globo de Ouro, mas acho que ele não terá a força suficiente para derrubar a outros fortes candidatos. Por outro lado, acho quase certa a vitória de Mo’nique na categoria de atriz coadjuvante – ainda que, honestamente, ela terá que enfrentar pesos-pesados para levar o prêmio para casa. Gabourey Sidibe terá uma parada igualmente dura, tendo que derrotar a veterana Helen Mirren e a revelação Carey Mulligan. Em outras palavras, Precious pode surpreender com um, dois ou três prêmios no Globo de Ouro – assim como pode sair da premiação de mãos vazias.

Por outro lado, ao assistí-lo, acho que as chances do filme em chegar a uma indicação no próximo Oscar são muito grandes. Como este ano serão 10 filmes na disputa pela estatueta de melhor produção do ano, eu não me surpreenderia se Precious aparecesse ao lado de Avatar, Invictus, The Hurt Locker e outros. A indicação de Mo’nique, para mim, é certa. Gabourey Sidibe também pode ser indicada – mas suas chances são menores. O texto de Geoffrey Fletcher perfeitamente poderia ser indicado na categoria Melhor Roteiro Adaptado. De todas estas possíveis indicações, eu diria que apenas Mo’nique teria alguma chance real de levar um Oscar para casa.

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10 comentários em “Precious: Based on the Novel Push by Sapphire – Preciosa: Uma História de Esperança

  1. um dos filmes mais (desculpe o termo)…”soco no estômago” que vi em toda minha vida.

    Não sei se é um desejo muito utópico de minha parte, mas acredito que tanto o filme quanto o livro, deveriam ser adotados por instituições que trabalham com indivíduos envolvidos em histórico de violência e conflitos familiares, que acabam prejudicando ou interrompendo completamente todo o desenvolvimento de uma vida.
    Além de toda riqueza de direção e interpretação, vejo também um potencial educativo muito grande nesse trabalho.

    Sua crítica e o filme merecem nota 10 sem dúvida.

    e feliz ano novo alê!!!

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  2. Olá Mangabeira!!

    Não precisa pedir desculpas não… Precious é realmente um soco no estômago. Filme destes porreta mesmo, que te deixa pensando na realidade extremamente bruta e difícil que alguns tiveram (ou tem) que passar.

    Estou contigo que Precious deveria ser um destes filmes/livros obrigatórios. Eu iria até além… acho que ele deveria ser visto não apenas por pessoas que passaram por situações parecidas, mas também por estudantes do segundo grau, por exemplo. Abriria a mente de muita gente – e conscientizaria as pessoas sobre as distintas formas de preconceito que elas, muitas vezes de forma inconsciente (e por influência de pais ignorantes ou abusivos), praticam. Como bem comentas, ainda que muito “forte”, este filme tem um grande potencial educativo.

    Fico feliz, mais uma vez, que tenhas gostado do meu texto. Sempre acho mais difícil escrever sobre um filme do nível deste Precious. Mas se consegui falar o essencial, fico satisfeita.

    Um ótimo Ano Novo para ti, Mangabeira. Espero que você e eu possamos nos maravilhar com muitos filmes bons neste 2010 recém-começado. Um grande abraço e beijos.

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