Invictus


Poucos diretores conseguem extrair o máximo de emoção de uma história aparentemente simples. Clint Eastwood é um dos “mestres” neste sentido. Seu último filme, Invictus, mistura duas grandes paixões da África do Sul: rugby e Nelson Mandela. Titulado inicialmente como The Human Factor, esta nova produção dirigida por Eastwood reflete como a força de uma paixão e de uma causa pode mudar a história de uma pessoa, de uma sociedade e, em determinados momentos históricos, de uma nação. Claro que a mudança na África do Sul não pode ser explicada apenas pelo investimento de Mandela em unir a nação sob a torcida para que seu país vencesse um mundial de rugby, mas o exemplo que o líder político deu neste episódio – e em tantos outros – é o que torna Invictus um filme tão especial. Ainda que o rugby esteja na ponta de mira do roteiro de Invictus, não consegui deixar de fazer um paralelo com o futebol e a força que o esporte tem no Brasil e, claro, não pude deixar de pensar na Copa do Mundo do próximo ano (que será celebrada, justamente, na África do Sul).

A HISTÓRIA: Um grupo de rapazes brancos fortes e bem uniformizados treina rugby de um lado da rua, protegidos por uma cerca bem construída, enquanto do outro lado da avenida um grupo de rapazes negros, magros e mal vestidos joga futebol em um campo precário cercado por uma frágil cerca de arame. Desta forma simbólica, através de duas cenas esportivas, o filme revela parte da realidade da África do Sul em fevereiro de 1990. Os negros que jogam futebol páram sua brincadeira para saudar, animados, a escolta que leva o recém-libertado Nelson Mandela (Morgan Freeman). Do outro lado da rua, os jogadores de rugby assistem a tudo desconfiados e com certo menosprezo. O país, mais dividido do que nunca entre brancos e negros – mesmo com o fim do apartheid – vê Mandela ser consagrado, poucos anos depois, presidente. O líder surge com atitudes que surpreendem a todos, trazendo uma visão única para unir os sul-africanos. Suas idéias passam por conquistas no esporte, mais especificamente por uma campanha surpreendente do presidente para que o South Africa Springboks, liderado pelo capitão François Pienaar (Matt Damon), ganhe a Copa do Mundo de Rugby sediada no país em 1995.

VOLTANDO À CRÍTICA (SPOILER – aviso aos navegantes que boa parte do texto à seguir conta momentos importantes do filme, por isso recomendo que só continua a ler esta seção quem já assistiu a Invictus): Curiosa a escolha de Clint Eastwood e sua equipe em contar uma parte decisiva da vida de Nelson Mandela menos conhecida do “grande público”. Todos conhecem a luta de resistência do líder africano em seus quase 30 anos de cárcere. Mas Eastwood e o roteirista Anthony Peckham resolveram se debruçar sobre o início de seu governo de reconciliação entre brancos e negros, mais especificamente na aposta do líder político em valorizar um esporte até então quase que exclusivo dos brancos: o rugby.

Quem busca informações sobre a história da África do Sul ou de Nelson Mandela, em diferentes resumos em enciclopédias, livros ou pela internet, poucas vezes encontra alguma menção sobre a campanha do presidente para engrandecer o Springboks. Mas este gesto, que valorizava e resgatava o “fator humano” em uma mudança social, ganhou protagonismo através do livro de John Carlin, Playing the Enemy – Nelson Mandela and the Game That Made a Nation (que no Brasil recebeu o título de Conquistando o Inimigo – Nelson Mandela e o Jogo que Uniu a África do Sul). Sabendo que ter chegado à presidência era apenas um passo no dificílimo processo de criar uma nação, Mandela viu no esporte – e na paixão que ele pode despertar – o recurso necessário para promover a mudança que tanto sonhava.

Invictus é a história desta aposta de Mandela. O grande destaque do filme, sem dúvida, é a direção de Eastwood (como sempre, aliás). Ele comprova porque é um dos grandes diretores vivos da atualidade. Utilizando diferentes câmeras e lentes, o diretor simula imagens de TV “da época” e orquestra cenas impecáveis de jogos de rugby. Acredito que mesmo as pessoas que não gostam do esporte – ou que nunca assistiram a uma partida inteira, como é o meu caso – ficarão empolgadas com a forma com que o diretor narra esta história. Não é qualquer um que tranformar o rugby em algo interessante de ser visto. 😉 O mérito, claro está, é de Eastwood e de seus editores, Joel Cox e Gary Roach. O uso da câmera e da lente certa para cada momento passou ainda pelo trabalho decisivo do diretor de fotografia Tom Stern.

O filme, inspirado no livro de John Carlin, segue uma narrativa linear tradicional, utilizando alguns dos recursos mais básicos das produções que contam a “grandeza” de um esporte para inspirar/emocionar as pessoas. Há um bocado de política e de “realidade” no filme, como não poderia deixar de ser. Ainda que o foco de Eastwood e equipe seja a crônica da vitória do Springboks e de Mandela neste episódio, há tempo para mostrar os constrastes sociais da África do Sul (com especial atenção para as favelas e seus barracos) e parte da filosofia do líder político ganhador do Nobel da Paz em 1993.

O trabalho envolvendo este filme, seja nas cenas de “reprodução histórica” (leia-se imagens de TV) ou nas complicadas sequências em estádios superlotados, foi dos grandes. Algumas das melhores linhas do roteiro Peckham caíram, como era de se esperar, na boca de Morgan Freeman. Em mais um de seus grandes momentos no cinema, o ator dá o tom exato de sabedoria, clareza de objetivos, obstinação e grandeza do líder Nelson Mandela. Mas o “coração” desta história, ou seja, a parte emocional do filme passa mesmo pelas cenas de rugby. Eastwood mostra que pode transformar este esporte, desinteressante para muitos, em um espetáculo de gladiadores – em algumas cenas que valorizam os atores em closes e sequências lentas, o som dos choques de corpos e gemidos ganha protagonismo e valoriza a “batalha” pela vitória.

Segundo notas de produção de Invictus, seu diretor é fã do esporte. Como outros cineastas fizeram antes com o futebol americano, Eastwood quis dar a sua contribuição para “engrandecer” o rugby ao filmar com inspiração cenas da competição – algumas vezes as sequências que mostram a disputa e a “brutalidade aparente” do rugby lembram coreografias de dança, dando um sentido de arte para o esporte. Clint Eastwood mostra, mais uma vez, que domina a arte do cinema, valorizando a plasticidade de algumas cenas nos momentos adequados, assim como a trilha sonora e, quando necessário, abrindo espaço para os momentos mais “filosóficos” e/ou de discursos dos personagens principais – notavelmente de Mandela.

Mesmo sendo considerada uma “cinebiografia” por muitos, Invictus é um pequeno extrato da trajetória de Nelson Mandela. Ainda assim, apenas com esta produção, é possível ter uma amostra de seu exemplo de superação e de grandeza, ao deixar para trás qualquer sentimento de revolta e de vingança para abraçar a causa de unir uma nação através do perdão dos crimes praticados por uma minoria no passado. O maior exemplo visto em Invictus é o da busca da união de um povo, através da superação dos anseios individuais pela busca do bem de uma maioria.

As intenções do filme são as melhores. E ainda que algumas das sequências mais impressionantes/marcantes tenham sido filmadas em um estádio como o Ellis Park, um dos mais tradicionais e importantes do país, senti falta do filme explorar melhor a história de Mandela. O ponto positivo desta história, e que serve para nós, se considerarmos o futebol, ou para outros países, levando em conta seus esportes de destaque, é o de mostrar a capacidade dos atletas em se superarem e, com sua luta, inspirarem e emocionarem aos demais. Só que o filme acaba cansando um pouco por algumas sequências de rugby longas demais – que, provavelmente, irão agradar completamente apenas aos fãs do esporte. Por buscar este equilíbrio entre o “heroísmo” de um líder político e o ato de bravura dos atletas que souberam refletir a sua busca pela união de um país, Invictus divide suas forças em duas frentes e, infelizmente, se torna menos potente do que poderia se escolhesse apenas um lado da moeda (preferencialmente Mandela).

NOTA: 9.

OBS DE PÉ DE PÁGINA: O filme emociona e prende a atenção do espectador, mas a nota acima tem mais a ver com o trabalho de Clint Eastwood do que com o resultado final de Invictus. A produção convence, mas se coloca, em termos de qualidade, abaixo dos filmes anteriores do diretor.

Impossível assistir aos jogos mostrados no filme, com aquela participação belíssima da torcida sul-africana, e não pensar na Copa do Mundo de futebol do próximo ano. Os Bafana Bafana (como são conhecidos os torcedores da seleção da África do Sul) vão fazer muito barulho e sua força pode empurrar os jogadores para a frente de forma decisiva. Não sei se da mesma forma com que os sul-africanos fizeram com a seleção de rugby mostrada em Invictus – afinal, era uma outra época e outro momento político/social -, mas é algo a se considerar.

Encontrei neste link do site da Fifa (muito bom, aliás) algumas informações históricas do Estádio Ellis Park, situado na cidade de Johanessburgo. Na Copa 2010, o Brasil jogará ali na partida contra a Coréia do Sul. Esperamos que os sul-africanos fiquem do nosso lado. 😉

Não sei vocês, mas eu me sinto uma ignorante no quesito “entender sobre futebol americano e/ou rugby”. Honestamente, eu não sabia a diferença entre estes dois esportes até que encontrei esta página da Wikipédia. Mesmo que o artigo, aparentemente, carece de contexto e da  citação de fontes, achei um documento interessante para que os “não-iniciados” nas duas modalidades esportivas tenham uma idéia de suas diferenças.

Falando em futebol americano, para mim foi inevitável ver as cenas de rugby filmadas por Clint Eastwood em Invictus e não lembrar do trabalho do diretor Oliver Stone em Any Given Sunday ou, em uma proporção menor, o de Boaz Yakin com seu Remember the Titans. Lembrando que o filme de Stone completou, em 2009, exatos 10 anos de seu lançamento. Estas duas produções foram homenagens de seus diretores ao futebol americano.

Para os que ficaram interessados em saber um pouco mais sobre a África do Sul, o apartheid e Nelson Mandelo, recomendo a visita a alguns sites que fazem um resumo instrutivo sobre estes temas. Para começar, esta página com vários links sobre a história da África do Sul, mantida pela Embaixada da República da África do Sul no Brasil. Depois, este link da TV Cultura sobre o país, com alguns fatos importantes de sua história – como o apartheid – e ainda esta página com um resumo de um livro biográfico de Mandela. Vale a pena para dar a contextualizada que o filme não proporciona aos espectadores.

Fiquei sabendo, através de um destes links, por exemplo, que as leis de segregação racial na África do Sul eram anteriores a Segunda Guerra Mundial, mas que ganharam mais força com a vitória do Partido Nacional em 1948. Esse partido, conhecido como dos “afrikaners”, trouxe mecanismos de “repressão mais eficientes” para reforçar o apartheid. Ele, basicamente, estabelecia a existência de quatro grupos distintos na sociedade: brancos, negros, mulatos e asiáticos. Cada um deles tinha, pelo apartheid, direito a viver em um local determinado, todos separados entre si, e com lugares muito definidos na sociedade – para a maioria negra lhes restava trabalhos forçados e condições de vida precárias.

Quando era um jovem estudante de direito, Mandela começou a se envolver com a oposição ao regime do apartheid. Ele criou, junto com outros, a Liga Jovem do Congresso Nacional Africano. Partidário da política da não-violência, ele acabou se rendendo às armas depois de um massacre contra negros promovido pelo governo em 1960. Mandela ajudou a fundar o “braço armado” do Congresso Nacional Africano e, com ele, coordenava ações de sabotagem contra alvos militares e do governo. Ele foi preso em 1962 com a ajuda da CIA – mais informações, para os interessados, neste link.

Como comentei rapidamente no início deste texto, Invictus é inspirado no livro Playing the Enemy, de John Carlin. Encontrei dois links que falam um pouco mais sobre o livro: este, bem resumido, e este outro, que é uma crítica de Bill Keller escrita para o The New York Times. Segundo o texto de Keller, o livro de Carlin descreve o “trabalho metódico, a campanha improvável e brilhante de Mandela para reconciliar os negros ressentidos e os brancos temerosos ao redor de um evento esportivo”.

O rugby é descrito como uma espécie de “religião secular dos afrikaners, a tribo de brancos que inventou e reforçou o apartheid” por Keller, que afirma ainda que o esporte era considerado, pelos negros, um exemplo da brutalidade de um povo estranho. Lendo o artigo do jornalista fica realmente clara a jogada de mestre de Mandela, que conseguiu afagar os brancos do país em um momento decisivo – emprestando a sua imagem para atrair a simpatia da maioria negra para apoiar o símbolo esportivo antes rechaçado. Invictus mostra esta façanha, ainda que a produção gaste tempo demais mostrando belas imagens do esporte e contextualize pouco a paixão dos brancos pelo Springboks e, por outro lado, a repulsa dos negros a esse antigo símbolo dos inventores do apartheid.

Achei interessante também que Bill Keller comenta que é um “exagero romântico” de John Carlin acreditar que apenas um jogo decisivo de rugby foi capaz de curar as feridas deixadas por três séculos de divisões raciais. Este mesmo pensamento me acompanhou durante todo o filme – ok, a história é bonita e emocionante, o exemplo de Mandela é revigorante, mas é exagero colocar a sua campanha em favor da união de brancos e negros em torno do campeonato mundial de rugby como a solução para uma nação dividida. Mesmo fazendo a consideração anterior, Keller comenta que o episódio de 1995 foi considerado, por muitos, um lance decisivo para impedir uma guerra civil na África do Sul. Lendo a crítica do jornalista do The New York Times, a impressão que eu tenho é que Invictus foi bastante fiel ao livro de Carlin.

O último filme de Clint Eastwood tem uma “carreira curta” nos cinemas. Ele teve sua premiere no dia 3 de dezembro em Beverly Hills, e entrou no circuito comercial dos Estados Unidos, do Canadá e da África do Sul apenas no dia 11. Em janeiro de 2010 ele chega a outros países, inclusive ao Brasil. Até o dia 25 de dezembro, apenas nos Estados Unidos, o filme tinha arrecadado pouco mais de US$ 23 milhões – pouco, muito pouco, levando em conta os astros, o diretor e o personagem principal desta história.

O poema Invictus, que acabou dando nome ao filme, foi escrito por William Ernest Henley, um poeta britânico, durante o período em que ele ficou internado em um hospital – quando teve um de seus pés amputado. Parte de seu poema é citado por Mandela no filme.

Uma curiosidade da produção: o próprio Nelson Mandela disse que apenas Morgan Freeman poderia interpretá-lo – e, por isso, seu nome foi considerado certo pelos produtores desde o início. Interessante que Freeman e a produtora Lori McCreary tinham interesse de fazer um filme sobre Mandela há muitos anos. Inicialmente, eles queriam filmar a autobiografia do líder político, Long Walk to Freedom mas, como ela se desenvolve durante muitas décadas, o projeto acabou sendo visto como inviável de ser lançado como um único longa-metragem – uma pena, diga-se. Freeman e McCreary viajaram à África do Sul para pedir a benção de Mandela para a produção, e antes mesmo de terminarem de contar sobre o projeto, o líder político sabia que eles iriam comentar sobre o episódio da Copa do Mundo de Rugby.

Morgan Freeman, como sempre, consegue uma interpretação única. Ele mimetiza, com perfeição, o jeito de falar e os gestos típicos de Mandela. Impecável o seu trabalho.

Um dos momentos mais surreais do filme, quando a seleção de rugby da Nova Zelândia, o All Blacks, faz a coreografia de uma dança esquisita para “amedrontar” seus adversários antes de um jogo, imita com perfeição a realidade. Os jogadores de rugby daquele país realmente fazem uma dança como aquela antes de um jogo decisivo. Curioso…

A produção de Invictus foi facilitada com a mágica da computação gráfica. As cenas no Estádio Ellis Park contaram com a participação de 2 mil figurantes que, com a tecnologia da captação de movimentos, depois foram transformados em 62 mil.

Outra curiosidade da produção: a banda preferida de Nelson Mandela, a Soweto String Quartet, foi contratada pelos produtores de Invictus para participar da trilha sonora do filme.

A parte técnica de Invictus funciona muito bem. Merecem destaque o trabalho dos editores, já citados anteriormente, a excelente direção de fotografia de Tom Stern; a trilha sonora de Kyle Eastwood (filho do diretor) e Michael Stevens; o desing de produção de James J. Murakami e a direção de arte de Tom Hannam e Jonathan Hely-Hutchinson.

Até o momento, este filme de Clint Eastwood ganhou três prêmios e foi indicado a mais oito. Os três que recebeu foram dados pela respeitada National Board of Review: melhor diretor, melhor ator para Morgan Freeman e ainda o Prêmio de Liberdade de Expressão.

Público e crítica aprovaram o filme, mas não se renderam a ele como alguns esperavam. Os usuários do site IMDb deram a nota 7,8 para Invictus, enquanto que os críticos que tem textos publicados no Rotten Tomatoes dedicaram 125 críticas positivas e 39 negativas para a produção – o que lhe garante uma aprovação de 76%.

Acredito que ninguém questiona o talento de Clint Eastwood, mas nunca é demais relembrar que o ator, produtor, compositor e diretor ostenta, aos 79 anos, 104 prêmios – incluindo quatro Oscar.

CONCLUSÃO: Mais um grande exercício de direção de Clint Eastwood, Invictus resgata um episódio marcante do início do governo de Nelson Mandela na África do Sul. Misturando uma pequena dose de política, uma boa quantidade de idealismo e, principalmente, muitas cenas de rugby, este filme prende a atenção do espectador com um bom ritmo narrativo e, principalmente, uma carga emotiva cuidadosamente manejada pelo “mestre” Easwood. Não chega a ter a força de uma cinebiografia real de Mandela – e nem dos filmes anteriores do diretor -, mas chega perto do público brasileiro se pensarmos no futebol em lugar do rugby. Um exemplo interessante de como o cinema pode captar a emoção e a capacidade de congraçamento do esporte – para unir raças, credos, distintas realidades sociais e, assim, uma nação. Claro que o filme sofre do mesmo “exagero romântico” do livro no qual ele é inspirado – ao acreditar que todas as diferenças e desigualdades históricas puderam ser resolvidas graças a um determinado evento esportivo. Mas o importante é o exemplo que a história pode propiciar – e as cenas magistralmente captadas por Eastwood. Entretenimento com emoção e alguma carga de idealismo – o que nunca faz mal à ninguém, ainda que, francamente, ele poderia ser melhor.

PALPITE PARA O OSCAR 2010: Não vejo, francamente, muita esperança para este filme sair vencedor do próximo Oscar. O primeiro termômetro para isto são as indicações que ele recebeu para o Globo de Ouro: melhor diretor, melhor ator (drama) para Morgan Freeman e melhor ator coadjuvante para Matt Damon. Não chegou a ser indicado nem como melhor filme (drama) e nem como roteiro adaptado. Talvez Invictus chegue a ser indicado no Oscar nas categorias de melhor diretor, melhor ator e alguma outra técnica – como melhor edição de som ou melhor edição. Mas acho difícil que ele chegue a levar algum Oscar para casa – se derem uma estatueta para Clint Eastwood, será mais para corrigir erros do passado do que por seu trabalho com Invictus.

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14 comentários em “Invictus

  1. Muito boa critica

    Apenas a resalva acerca do Rugby

    O campeão do Mundo actualmente é a Africa do Sul
    Ao contrário do que pode parecer é o 2º esporte mais jogado no Mundo
    Pelo menos o Mundo anglosacxónico vai delirar
    O Rugby no brasil tem nas meninas 3 copas da América do Sul (Nada Mal)
    O Rugby nasceu de uma jogada de Futebol à quase 200 anos em Inglaterra (Webb Wellis pai e fundador)
    Devo dizer que só critica este esporte, quem não conhece, viu ou não sabe das regras.
    A Argentina ficou em 3º lugar na ultima Copa e lá o esporte já é o 2º mais jogado
    Finalmente o Uruguai foi eliminado por Portugal

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  2. Olá Santiago!!

    Antes de mais nada, seja bem-vindo por aqui!

    Contagem regressiva para a estréia de Invictus no Brasil. Ele entra em cartaz logo mais, dia 29.

    Fizeste bem em não ler o texto inteiro para não se influenciar. Também tenho este hábito. 😉

    Volte aqui depois de ter assistido a Invictus para comentar as tuas impressões sobre o filme, o roteiro, o trabalho de Clint Eastwood e de Morgan Freeman.

    Um grande abraço e obrigada por tua visita e comentário. Volte sempre!

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  3. Olá Vicente!!

    Fico feliz que tenhas gostado da crítica. E te agradeço pelas informações que repassaste sobre o rugby.

    Realmente, até que seja promovida a próxima Copa do Mundo de Rugby (em 2011), a África do Sul é a atual campeã mundial. A Argentina, como bem disseste, ficou em terceiro na competição, atrás apenas da África do Sul e da Inglaterra. O Brasil nem fez parte da competição.

    Sou honesta em dizer que não acompanho jogos de rugby e nem sou uma conhecedora do esporte, mas achei muito interessante a forma com que ele foi mostrado no filme. Aliás, depois de assistí-lo, volte aqui para comentar o que achaste de Invictus – se ele foi fiel com o esporte e em retratar aquele mundial celebrado na África do Sul.

    Volte por aqui mais vezes. Um abraço!

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  4. Olha só a boa notícia.

    Ainda dizem que Rugby não é p’ra Brasileiro.

    A seleção feminina brasileira de rugby olimpico, que conta com a nikkei Paula Ishibashi, venceu o campeonato Sul-Americano, realizado em Mar del Plata, na Argentina. Com este titulo, as brasileiras, que venceram todas as partidas do torneio, garantiram o hexacampeonato da competição.

    Legal, hem…

    Para quem acha que eu não entendo nada de cinema só Rugby, Já faço produção de cinema internacional pelo menos à 15 anos, e trabalhei com estrelas como Gerar Depardieu, Cameron Dias, Peter O’tool, Geraldine Chaplin entre outros…
    Ah e na série dos Maias.
    Ao todo 9 nacionalidades diferentes.

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  5. Prezados,
    o rugby é um desporto extraordinario, e é verdadeiramente uma pena, que ainda nao seja muito conhecido no Brasil.
    Contudo, o seu potencial é muito grande, pois é um esporte dinamico, que se faz possivel praticar por individuos dos mais variados tipos fisicos.
    Alem disso, entre os praticantes, o rugby atua como um elemento aglutinador talvez sem igual entre os demais esportes coletivos. Cada equipe de rugby é como uma “confraria”, e tal caracteristica é a propria alma amadora deste esporte, tao popular em diversas partes do globo.
    Li o livro e penso que o filme tambem vai ser bom, aguardo com entusiasmo a oportunidade de ir ver no cinema.
    abraços a todos.

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  6. Ola novamente,
    ainda não vi o filme, mas gostaria de fazer algumas consideraões sobre o livro.
    Neste, temos o registro dos esforços de Mandela – ja eleito presidente da Africa do Sul – para conquistar os africaners – os brancos “holandeses” – por meio de uma clara e definitiva demonstração a respeito da sua intenção, de nao exercer uma governaça “anti-africaner” – no sentido de destruiçao do legado desse povo, sua cultura, religiosidade, compromisso com a terra e a pátria , e patrimonio material – mas sim, ao contrario, o objetivo claro de construir uma Africa do Sul na qual todo Africaner pudesse se sentir integrado, sem qualquer sentimento de submissão a “nova ordem”, mas sim como construtores deste novo país.
    O rugby entra então neste esforço, pq ele é para o Africaner um elemento cultural, quase religioso, um simbolo mesmo da identidade cultural deste povo, ainda que seja um desporto originariamente britanico.
    O interessante é que por influencia politica internacional, o seleciocionado de Rugby da Africa do Sul, estava alijado de competições, mesmo amistosas, ha 10 anos !
    Era portanto, um esforço de Mandela, restaurar o prazer do Africaner, de poder ver a sua equipe voltar a disputar os grandes jogos internacionais, as turnes europeias e os confrontos contra australianos e neo zelandeses.
    Pelo merito esportivo, era totalmente absurdo que a Africa do Sul não tivesse participado das duas primeiras edições da Copa do Mundo de Rugby -1987 e 1991 – e sua participação nao ocorreu em razao da pressao anti-apartheid, que buscava esmagar o espirito dos mantenedores do regime de segregação racial, atraves da imposicao da anatematizacao do regime, como sendo um “novo nazismo”.
    É particularmente interessante, que selecionados esportivos da China, da URSS, de Cuba, da Romenia comunista e de outros países subjugados pelo mais barbaro totalitarismo, não tenham sofrido tal punição por razoes politicas.
    Mas enfim…
    O livro registra que Mandela, ainda na prisão, deu inicio a uma busca por conhecer a alma africaner, o idioma, seus preceitos morais/religiosos, e tambem a paixão pelo rugby.
    É registrado que Mandela usa seu conhecimento sobre o esporte para conquistar a amizade dos carcereiros, e do diretor da prisão de segurança maxima na qual se encontrava. E essa estrategia funcionou, segundo Mandela.
    O livro, atraves das buscas de Mandela por conhecer o “inimigo” africaner – para conquista-lo- , registra que o presidente ex-revolucionario, passa a admirar muitos aspectos da cultura, da alma africaner, deixando a “satanização” comum, quando tratamos do regime do Apartheid, a margem.
    Não sei se o filme foi tao fundo nisso, nestas questões. É sempre dificil transportar tudo de um livro para uma outra linguagem, como um longa metragem. Mas espero que algo disso seja registrado.

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  7. Enfim, vi o filme. Como já esperava, não foi mesmo possível transportar muito das boas coisas do livro para o longa metragem, o que é compreensivel, mas inevitavelmente se torna um elemento negativo.
    É um filme apenas razoavel, e isso considerando que sou um entusiasta ferrenho de rugby…
    Como aficcionado por rugby, posso dizer que a maneira como se registrou as cenas de jogo, privilegiaram as ações do forwards, mas nao deram chances de perceber a beleza da movimentação dos backs. O rugby é conhecido tambem como “a arte do recuo”, justamente pelo mecanismo de ação ofensiva com bolas -paradoxalmente- passadas para tras. E isso se faz possivel unicamente pelo casamento do jogo compacto – pack- dos forwards -os numeros a 1 a 8 de uma equipe – com os backs.
    Johan Lomu,extraordinario talento da NZ – que na copa de 1995 tinha apenas 19 anos- era justamente um back – wing – e a sua extraordinaria ação em campo so poderia ser percebida com tomadas aereas, tao classicas do rugby – e inexistentes no football association .
    Sobre as questoes morais importantes, nao foi possivel colocar no filme, a reflexao de Mandela sobre o valor e os meritos dos africaners – fazendo parecer que Mandela foi apenas pragmatico, em buscar amançar as feras – e nem mesmo foi dado enfaze a mudança de rota ideologica de Mandela, abandonando suas conexões com o comunismo/terrorismo.
    Ha no livros registros muito bonitos, de como os jogadores da Africa do Sul se integraram, comprando a ideia do “um time, uma nação”, e uma das boas cenas hipoteticas que nao foram registradas no filme, foi o ensaio dos jogadores para aprender a cantar o hino novo.
    Da maneira como o filme registra, parece que apenas Pienar aderiu a ideia, e muito devido a estar “encantado” com Mandela. E isso nao foi a verdade, registrada no livro.
    Por fim, vale lembrar que os Boks conquistaram tambem a Web Elis Cup em 2007, e a grande “vedete” da equipe era/é um jogador negro – Brian Obana.
    Abraços a todos.

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  8. Olá Vicente!!

    Muito boa essa notícia. Depois que comentaste sobre a vitória da seleção feminina brasileira fui atrás de mais informações e achei muito bacana a trajetória delas na competição. Merecidíssimo o título. Pena que pouco divulgado no Brasil, hein?

    Bacana que você tem toda essa experiência com as produções de cinema. Quando estiver envolvido em algum novo projeto interessante, por favor, fale sobre ele por aqui. Te agradeceria muito por isso.

    Mas fiquei curiosa: assististe a Invictus? Gostaste? Outra hora comenta sobre o filme por aqui. Aliás, seja bem-vindo! Espero que voltes por aqui muitas vezes ainda.

    Abraços!

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  9. Olá Marcelo!!

    Uau, quantos comentários seus… eu sempre acho que escrevo muito, mas algumas vezes encontro parcerias neste sentido entre os visitantes aqui do blog. 😉

    Bem, não vou escrever tanto quanto você, porque do contrário esta página ficará gigantesca apenas com as nossas observações.

    Te agradeço, em primeiro lugar, por tantas considerações sobre o rugby e sobre o livro que inspirou Invictus. Foram observações interessantes e deu para perceber como tens uma verdadeira paixão pelo rugby. 😉

    De tudo que falaste, apenas uma observação: não foi por acaso que a seleção sul-africana ficou afastada de competições internacionais. Esse tipo de afastamento ocorreu não apenas com o rugby, mas com o futebol e outras esportes que tinham representantes nacionais da África do Sul. E a razão para isso era evidente: a política da segregação racial ou, em uma palavra, o apartheid. Totalmente compreensível que os diferentes órgãos internacionais tenham vetado os sul-africanos enquanto o apartheid fazia parte do regime daquele país.

    Sobre países comunistas não sofrerem a mesma proibição, acho que tem a ver com o fato de que em nenhum deles a política oficial promovia formas de segregação e preconceito. Por mais que você discorde das características de um regime comunista – que, claro está, tem formas distintas de controle e exclusão dos regimes “democráticos” -, eles não podem ser colocados no mesmo balaio de um regime que declaradamente excluí ou busca exterminar parte de sua população.

    Mandela segue a linha de pensamento de muitos líderes políticos que lhe antecederam, “conquistou” o coração de seus antigos inimigos para ganhar uma “guerra”. Claro que a guerra que ele tinha que enfrentar não era declarada, mas estava enraizada em seu país. Ele foi brilhante ao utilizar o esporte para isto.

    Gostei também das tuas observações sobre o filme. Acrescentaste por aqui uma visão do esporte e de como ele foi retratado que eu não tinha. Obrigada por isto. Concordo contigo que Invictus deixou a desejar ao “simplificar” demais a história – e a desculpa de que uma produção de cinema não pode competir com uma obra literária, neste caso, não justifica todos os “pequenos deslizes”, como a idéia equivocada de que apenas o capitão do time teria ficado fascinado com Mandela.

    No mais, seja bem-vindo por aqui. Sei que tenho outros comentários teus para responder, então vou me lançar a eles, pouco a pouco.

    Abraços e volte sempre!

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