District 9 – Distrito 9


Eu não poderia fechar o ano de 2009 sem assistir a um dos principais fenômenos do cinema deste ano. Para ser franca, alguns “fenômenos” eu devo dispensar – ou deveria, como The Hangover. Outros, como Precious, Paranormal Activity e um curto etcétera, devo assistir nas próximas semanas. Mas District 9, este sim, não poderia ser adiado por muito mais tempo. Antes de assistí-lo, ouvi falar muito a seu respeito. Para alguns, ele revolucionou o filme sobre alienígenas. Para outros, ele é o melhor filme do ano. Mesmo com toda a expectativa que este tipo de argumentos pode despertar, gostei muito do filme. Ele realmente traz um roteiro muito criativo e que transforma o que o cinema tinha feito até agora sobre o tema “invasões alienígenas”. De quebra, District 9 não deixa de ser uma alegoria sobre segregação social, racial (ou, neste caso, de espécies) e sobre a exploração dos mais “fracos” por pessoas que querem tirar proveito deles e/ou corrompê-los.

A HISTÓRIA: Wikus van de Merwe (Sharlto Copley), funcionário da empresa MNU que trabalha no departamento de relacionamento de humanos com alienígenas, se prepara para falar para as câmeras. Até então um funcionário como outro qualquer, Wikus acaba ganhando uma importante missão da noite para o dia: comandar o processo de notificação dos alienígenas que vivem no chamado Distrito 9. Esse local foi criado de forma provisória, 20 anos antes, no subúrbio de Johanesburgo, para servir de abrigo e local de atendimento emergencial de um grupo de alienígenas que foram encontrados em uma nave parada sobre parte da cidade. Como não apareceu nenhuma missão de resgate dos alienígenas e nenhum governo da cidade encontrou uma saída melhor para este problema, o grupo de extraterrestres ficou no local. Mas depois de duas décadas e uma série de problemas – inclusive crescentes enfrentamentos entre humanos e aliens -, a MNU é designada para a missão de transferir os extraterrestres para outro local, mais retirado, na cidade. Wikus fica responsável por essa missão e acaba se contaminando no processo.

VOLTANDO À CRÍTICA (SPOILER – aviso aos navegantes que boa parte do texto à seguir conta momentos importantes do filme, por isso recomendo que só continue a ler quem já assistiu a District 9): A grande qualidade deste filme, sem dúvida, é o roteiro incrível que o diretor Neill Blomkamp escreveu ao lado de Terri Tatchell. Quem, além deles, poderia imaginar uma “invasão” alienígena tão diferente de tudo que já havíamos visto no cinema? Ao invés de chegarem à Terra com planos mirabolantes de conquista, dominação e/ou extermínio da raça humana, os aliens chamados perjorativamente de “camarões” de District 9 aportaram por aqui por uma falha mecânica. Tudo o que Christopher Johnson e outros aliens querem é sobreviver e, preferencialmente, conseguirem alguma maneira de voltarem para “casa” deixand os humanos e suas vidas para trás. Ainda assim, e isso é uma qualidade do roteiro, os alienígenas não são completamente um grupo de vítimas.

District 9 torna a chegada de uma nave de outro planeta um problemão social, científico e militar. E para a sorte de nós, espectadores, o roteiro de Blomkamp e Tatchell foge do “lugar-comum” dos filmes do gênero que, sempre, tornavam os aliens o símbolo da maldade ou da inocência. Em District 9, a exemplo dos humanos, eles são capazes de praticamente tudo. Do bem, do mal, dos atos mais degradantes ou dos gestos mais heróicos. Por serem tão parecidos com os humanos – provavelmente por mimetismo – no comportamento e, na aparência, tão diferentes, eles passam a ser cada vez mais desprezados pelas pessoas que, com o passar do tempo, vê a presença deles como uma ameaça na medida em que os aliens passam a “competir” com os terráqueos pelas ajudas de governos e organizações não-governamentais.

Neste ponto, District 9 também se mostra um filme capaz de levantar reflexões e debates muito interessantes. Como ocorre com grupos de imigrantes/refugiados em diferentes partes do mundo, o que incomoda mais aos habitantes dos lugares “invadidos” é a disputa que os “intrusos” despertam por saúde, assistência social, educação, segurança pública e todas as ajudas possíveis que podem surgir de governos e ONGs. Para alguns, District 9 seria uma alegoria do apartheid vivido pelos negros na África do Sul (inclusive pelo fato da história do filme “ironicamente” se passar no mesmo país). Certamente o assunto está inserido na história, mas o roteiro acaba ampliando este tema para um campo muito mais amplo, tanto no campo territorial quanto no histórico. As segregações por credo, raça, origem social ou territorial continuam sendo feitas hoje em dia, enquanto escrevo estas linhas, em diversos países pelo mundo.

Por isso mesmo, os temas de District 9 se mostram tão atuais. Outro deles é o debate sobre o sentimento que uma pessoa tem de pertencer a um grupo ou outro da sociedade. (SPOILER – não leia se você não assistiu ao filme). Inicialmente, Wikus tem muito claro que ele faz parte dos “donos da terra”, os humanos superiores que fazem “a caridade” de aceitar os alienígenas em sua cidade. Desastrado, arrogante, sedento por aparecer bem frente às câmeras, ele provoca um ato de imperícia com um artefato extraterrestre que lhe vai custar caro. E assim, ele entra em uma crise de identidade que tem tanto a ver com a nossa época, dos habitantes do planeta Terra do século 21. Sem saber o quanto ele ainda era humano ou alienígena, Wikus toma medidas desesperadas e passa a ser visto também com desconfiança por seus “pares” (humanos, claro). Afinal, mesmo antes do final (e apesar dele), Wikus era mais humano ou alienígena? A falta de definição clara sobre a própria identidade parece ser uma constante nos dias atuais.

Mas a série de reflexões do filme não termina por aí. Wikus acaba sendo objeto de cobiça de governos, exércitos, poderosos “letrados” e iletrados. (SPOILER – não leia se você não assistiu ao filme). Vide os poderosos envolvidos com a empresa MNU e o “comandante dos nigerianos criminosos” que acredita que, ao comer pedaços dos alienígenas, conseguirá “os seus poderes”. Todos buscam, através de Wikus, o único “exemplar” de uma mutação humana/alienígena, poder – conseguido através do manejo das armas trazidas pela nave extraterrestre. Como sempre, a corrida armamentista e os bilhões de dólares que ela movimenta está por trás de torturas, abusos de poder e mortes.

Para completar o quadro de pontos curiosos do filme, aparecem os nigerianos e seu comércio ilegal de comidas de gato (sim, o roteiro também tem umas mega ironias como esta), prostituição e demais recursos de “má índole” que são, no fundo, uma forma de exploração dos alienígenas isolados em um gueto. Sempre alguém que se acha um pouco superior a outro consegue subjugá-lo e explorá-lo – mesmo que, no caso dos nigerianos, eles sejam vistos como “inferiores” pelos demais humanos da região. Mas aquele que é explorado e humilhado, muitas vezes, apenas reflete em alguém mais fraco os mesmos mecanismos de dominação – algo que pode ser visto tanto no ceio de algumas famílias, com os papéis sendo desempenhados por pais e filhos, quanto por nações e governos.

Por tudo isso, District 9 é um filme excepcional. Muito criativo e cheio de nuances e detalhes curiosos. E o melhor: todos estes questionamentos e o belo arsenal de informações que contextualizam o filme são apresentados para o espectador de forma muito natural. Como tantos outros filmes produzidos nos últimos anos, District 9 joga com a complicada divisão entre ficção e realidade. Vídeos feitos pela MNU, noticiários de televisão, vídeos com depoimentos de especialistas e pessoas envolvidas com o caso de Wikus procuram dar uma sensação de realismo para a história. Assim como o uso constante de câmeras junto aos atores (muitas vezes, é utilizada a já conhecida “câmera tremida” que acompanha cenas de ação). Por tudo isso, tecnicamente falando, a direção de Neill Blomkamp apenas segue a tendência de filmes que brincam com esta noção de documentário/ficção.

Um ponto muito positivo do filme, também, é o de utilizar os efeitos especiais para complementar a história – e não para roubar a cena e o protagonismo do roteiro e dos atores. Os aliens em cena convencem e o uso de suas armas não parece exageradas. Tudo, basicamente, segue a idéia de “realismo” extremo. Mas para não dizer que tudo são flores… admito que não consigo dar um 10 para este filme por uma única razão. (SPOILER – não leia se você não assistiu ao filme). Achei uma boa forçada de barra aquele recurso do “herói-que-não-se-importa-com-nada-além-do-próprio-nariz” e que, na última hora, resolve ser magnânimo. Não acho que Wikus teria abandonado, de maneira tão displicente, a sua única chance de conseguir uma cura e, pouco depois, teria se dado conta que estava tornando um pequeno alienígena órfão. Achei uma forçadinha de barra desnecessária para um filme que estava indo tão bem. Mas, diante de todas as outras qualidades da história, este é apenas um detalhe.

NOTA: 9,7.

OBS DE PÉ DE PÁGINA: Acredito que tudo praticamente já foi dito sobre este filme. Sem dúvida, muitos comentaram sobre District 9 antes do que eu. Mas como perdi o momento da “estréia” deste filme, quis pelo menos parar de ignorá-lo até o final deste ano. Sei que a maioria de vocês, meus caros leitores, já devem tê-lo assistido. Gostaria de saber as suas impressões sobre esta produção – acertos, erros, surpresas, o quanto ele é entretenimento e o quanto provoca reflexões, e por aí vai.

District 9 começou a surpreender o mundo no dia 13 de agosto deste ano, quando estreou na Nova Zelândia, seu país de origem, e em outros seis países. No dia seguinte, ele chegou às salas de cinema dos Estados Unidos, país que co-financiou a produção, do Canadá e da Estônia. Depois, pouco a pouco, ele foi chegando a outras nações. Divulgado pela propaganda boca a boca e  por uma engenhosa fórmula de “propaganda viral”, District 9 conseguiu, até o dia 25 de outubro, a respeitável bilheteria de US$ 115,5 milhões apenas nos Estados Unidos. Um belíssimo resultado para um filme que teria custado aproximadamente US$ 30 milhões.

Segundo esta reportagem do jornal espanhol El País, District 9 foi precedido, nos Estados Unidos, por uma interessante campanha publicitária que espalhou, por inúmeras ruas de diferentes cidades, cartazes que pediam a colaboração dos cidadãos para denunciar a presença de alienígenas. Como resultado, a Sony recebeu milhares de ligações telefônicas que davam informações sobre a aparição de extraterrestres. 😉 Na mesma matéria do El País, o diretor Neill Blomkamp comenta: “Essecialmente o filme salta da nossa história, que é obviamente fictícia, para uma espécie de modo ultrarealista”, disse o diretor, se referindo ao tom documental do filme.

O filme de Neill Blomkamp caiu no gosto de público e de crítica. Os usuários do site IMDb deram a nota 8,4 para District 9, enquanto que os críticos que tem seus textos linkados no Rotten Tomatoes dedicaram 214 críticas positivas e apenas 23 negativas para a produção (o que lhe garante uma aprovação de 90%).

Muitos filmes exploram com eficácia os recursos da internet para divulgar sua produção mas, honestamente, poucos me pareceram tão criativos e interessantes quanto o site oficial de District 9 (que pode ser acessado no início deste texto). Além da página dos Estados Unidos, os curiosos podem conferir a versão brasileira (infinitamente menos rica em detalhes, mas também bem feita visualmente).

Lendo as notas de produção do filme é que fiquei sabendo o significado da sigla MNU: União Multinacional, uma empresa privada que conseguiu o controle sobre o District 9 e a vida dos alienígenas.

Este filme, até o momento, ganhou quatro prêmios e foi indicado ainda a outros nove. Entre os que ganhou, destaque para aqueles entregues pelas associações de críticos de Boston e Austin que premiaram a estréia do novo cineasta Neill Blomkamp. O diretor nascido em Johanesburgo há exatos 30 anos teve experiência, anteriormente, apenas com curtas-metragens. Quatro deles marcaram a trajetória de Blomkamp antes deste seu primeiro longa.

Dos prêmios aos quais ele foi indicado – mas que ainda não apontaram seus vencedores -, sem dúvida, o Globo de Ouro é o mais importante. District 9 concorre na categoria de Melhor Roteiro. Diante dos concorrentes – até o momento, assisti apenas a Inglourious Basterds e The Hurt Locker -, eu acho que ele merece ganhar. Ainda que sejam melhores que ele, Inglourious Basterds e The Hurt Locker se destacam por seus roteiros, é claro, mas especialmente por suas respectivas direções. Por sua vez, District 9 tem como sua principal qualidade o roteiro – por isso mesmo, merece ganhar nesta categoria do Globo de Ouro. Bem, digo isso sem ter assistido, ainda, a Up in the Air e I’ts Complicated.

O sucesso deste filme deve muito a um sujeito chamado Peter Jackson. Ele produziu District 9 e foi o grande responsável por torná-lo tão conhecido. A parceria entre Jackson e o diretor Neill Blomkamp começou há dois anos, quando o diretor da trilogia The Lord of the Rings contratou Blomkamp para adaptar o game Halo para os cinemas. Como o projeto acabou naufragando, segundo esta reportagem, por problemas entre as produtores envolvidas, Jackson perguntou para seu contratado se ele teria outro projeto. Sim, ele tinha: a idéia amplificada de seu primeiro curta, Alive in Joburg, de 2005. Em outras palavras, District 9.

Tecnicamente o filme funciona muito bem. Destaque especial para a edição de Julian Clarke, a direção de fotografia de Trent Opaloch e os efeitos especiais da equipe liderada por David Barkes. Dos atores, destaque para o protagonista – Sharlto Copley faz um grande trabalho em cena, imprimindo toda a fragilidade, despreparo, coragem e determinação de seu personagem. Mas vale citar ainda o trabalho de apoio de Vanessa Haywood como Tania Van De Merwe, esposa de Wikus; Jason Cope como Gray Bradnam, o primeiro a dar um “depoimento” sobre a presença dos alienígenas em Johanesburgo (no filme ele desempenha o papel de correspondente da UKNR); Nathalie Boltt como a socióloga Sarah Livingstone; Marian Hooman em uma ponta como Sandra Van De Merwe, mãe do protagonista; Mandla Gaduka como Fundiswa Mhlanga, colega de Wikus que acompanha de perto toda a sua ação de campo no Distrito 9; Louis Minnaar como Piet Smit, chefe de Wikus e pai de Tania; e David James como Koobus Venter, o coronel do Exército sedento por eliminar alguns alienígenas – e que acaba perseguindo Wikus quando ele começa a se transformar.

CONCLUSÃO: Um filme que consegue equilibrar, de forma acertada e perfeita, entretenimento e reflexão. Com um dos melhores roteiros de ficção científica dos últimos anos, District 9 é um prato cheio para as pessoas que gostam de boas histórias. Concordo com todos que dizem que seu realizador, o diretor Neill Blomkamp, trouxe novos ares, subverteu e/ou reinventou o gênero de “invasão alienígena” da Terra. Nunca, tenham certeza, vocês viram os aliens desta maneira. 😉 De quebra, District 9 serve de alegoria para diversos processos de segregação que foram ou ainda são praticados pelo mundo. Um filme inteligente, divertido e contestador ao mesmo tempo. Cairá certamente no gosto de quem gosta de ficção científica e, talvez, dos curiosos de plantão. Tem suas cenas escatológicas, um bom grau de ironia/humor e, claro, muitos tiros e ação envolvendo alienígenas. Um filme do gênero bem acima da média.

PALPITE PARA O OSCAR 2010: Como a maior premiação de Hollywood este ano terá 10 filmes concorrendo na categoria de melhor produção do ano, não seria nada surpreendente se District 9 conseguisse uma vaguinha entre os indicados. Até o momento, levando os filmes que eu assisti e que tem boas chances de serem indicados, acredito que ele mereça chegar lá. Agora, sem dúvida, ele deverá ser finalistas na categoria Melhor Roteiro Original – na qual, francamente, ele seria um dos mais fortes candidatos. Ele pode ser indicado ainda em categorias técnicas como Melhor Maquiagem, Melhor Mixagem de Som, Melhores Efeitos Especiais e Melhor Edição no Oscar 2010. Na categoria de Melhor Diretor, que seria outra possível, acho muito difícil o estreante Neill Blomkamp chegar – até porque, para isso, teria que deixar veteranos de fora. As melhores chances do filme, resumindo, são na categoria Melhor Roteiro Original e em algumas das categorias técnicas. Mas da mesma forma, District 9 pode sair de mãos abanando da premiação.

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12 comentários em “District 9 – Distrito 9

  1. Olha Ale, você não deixou muito o que comentar – nunca vi uma resenha tão completa! Quando eu pensava em acrescentar alguma informação, lá vinha você com ela. =P

    Devo dizer que fiquei muito feliz da sua opinião sobre o filme, já que, como você sabe, você acabou virando meu termômetro de qualidade de cinema. Gostei muito mesmo de D9, um filme inovador no meio de tanta porcaria e mais do mesmo (apesar de gostar muito de Tarantino e ter adorado Inglorious, é um filme com todas as características dele e portanto não tem taaanta inovação), e já vinha anunciando ele há muito tempo no Paragons. Infelizmente não tive como fazer uma resenha, mas enfim, já posso indicar a sua.

    Agora quanto às atitudes do Wikus no final, eu não sei se foi forçado, não. Ele era um cara desesperado por algo que todos sabíamos que não ia conseguir. Nas condições dele, eu acho que teria feito qualquer coisa – incluindo acreditar na conversa fiada do Christopher de que ele voltaria em breve para curá-lo – e ajudá-lo assim a partir, o que mais restava pra ele? Sua tentativa de pilotar a nave foi patética, só pra citar um exemplo.

    Já sabe, não deixe a peteca cair! Ainda tá me devendo uma resenha!

    Beijoca!

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  2. Olá Alessandra, tudo bom?
    Depois de muito tempo sem comentar seu blog, entro e deparo com District 9!
    Concordo muito com o que você disse, o filme é surpreendente.
    Realmente não vale um 10, mas chega muito, muito perto. Fora o final, de ter resolvido virar um camarão, para salvar os amigos. O fato de ele ser salvo no filme umas 8 vezes me deixou um pouco irritado, quando alguma coisa ruim esta pra acontecer, ele ta encurralado e na mira de centenas de armas, da MMU outrora dos Nigerianos e é salvo!

    Gostei muito do filme mostrar o quanto somos influenciados pela midia ou pelo o que as pessoas qua confiamos nos contam, que é o caso da mulher de Wikus. A industria das armas tratar um de seus melhores agente de campo como um alienigena e fazer milhoes de teste. A crença nigeriana de comer partes de alienígenas para obter o poder deles.

    Ah uma coisa que chamou muito a minha atenção, eu gosto muito de trailers, não gosto de ler a respeito de um filme antes de assistilo, no máximo saber a história, mas tem que ser de uma fonte mais imparcial possível. E eu não conseguia ver os trailers de District 9, os únicos que eu via eram curtissimos, menos de 1 minuto. E isso aflorava minha curiosidade, e o bom que não me decepsionou.

    Assiti ao filme na compania de minha mãe, que nunca se apaixonou pelo cinema igual a sua cria e nem tem um gosto refinado. E ela tbm adorou o filme, algumas vezes ficou com nojo, outras reclamou que a camera se mexia muito, mas ela realmente gostou do filme.

    Abraços Alessandra

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  3. Olá Dan!!

    Puxa, eu e você parece que estamos sempre em sintonia, hein? Essa história de você pensar em comentar algo e eu, metida, logo falar sobre isso na minha crítica… hehehehehe.

    Como te disse outras vezes, acho uma grande responsabilidade ser o seu “termômetro de qualidade de cinema”. Só espero o dia em que eu vou te decepcionar. 😉

    Concordo contigo que District 9 é um filme inovador e que traz novos ares para um gênero que parecia meio repetitivo. Essa é a sua grande qualidade, sem dúvida. Mais uma vez fico feliz se indicares a minha crítica no teu blog – novos leitores, você sabe, sempre são bem-vindos.

    Estou contigo de que o Wikus estava desesperado e pronto para qualquer ação suicida só para conseguir a sua vida de volta (leia-se humanidade). Mas, ainda assim, achei estranha a sua mudança brusca de atitude a respeito de seu “salvador”. Do desprezo e do abandono para deixar o outro morrer ele rapidamente se converteu em “arrependido” e em herói do dia. Não sei, mas ele realmente não me convenceu. De qualquer forma, é um pequeno, muito pequeno detalhe em uma história extremamente bem escrita e contada.

    Pode deixar, eu sei que estou te devendo uma resenha… mas você já viu que estes meses pré-Oscar são complicados. Acabo me enrolando na tentativa de assistir e comentar todos os filmes virtualmente candidatos e, com isso, o restante da lista vai ficando para depois. Mas pode deixar que, ainda em 2010, comento o filme que me pediste. 🙂

    Um abração, beijocas e inté!

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  4. Olá Lorenzo!!

    Por aqui tudo bem. Aproveitando meus últimos dias de férias… depois, recomeço a labuta com o meu doutorado.

    Fazia um tempinho mesmo que não comentavas nada… que bom que reapareceste.

    Olha, na verdade o Wikus não “ressolve” virar um camarão, não é mesmo? Digamos que ele é forçado a isso – dentro de um acidente que ele mesmo, pateta, provocou. Agora, estou contigo que ficou um negócio um pouco “Rambo” ou “Duro de Matar” o lance de atirarem nele o tempo todo e, apenas aos 46 minutos do segundo tempo, algum tirinho finalmente acertá-lo. Forçada de barra, assim como a “rápida piedade” que ele sente por seu “virtual salvador”.

    Também gostei deste aspecto que comentas, do quanto somos influenciados pela mídia ou pelo que as pessoas próximas nos contam – referente a mulher do Wikus. E todos os demais pontos que destacas. Cada um deles enriquece a história – já bastante criativa.

    Legal esse teu comentário sobre os trailers curtos de Distric 9. Sem dúvida a expectativa sobre uma história e a “propaganda viral” funcionam de uma forma mais efetiva que os velhos trailers que mostravam as cenas principais de um filme. E bacana que a tua mãe, que tem um gosto e uma percepção bem diferente de cinema que você, tenha gostado de District 9 também. Eu diria que ela só demonstra como o filme tem a capacidade de chegar a um público muito amplo – mérito de seus realizadores.

    Um grande abraço, Lorenzo, e apareça mais vezes. Inté!

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  5. Concordo que o roteiro é criativo, mas ficou aquele velho gosto de “poderia ter sido melhor”. Há muitas explicações desnecessárias no filme. Wikus não podia se mexer que vinham os comentários, a cobertura aérea, enfim, os macetes para o filme ter cara de documentário.

    Mas é louvável que o rapaz apresentado pelo Peter Jackson (que fez uma das decepções do ano com “Um olhar do paraíso”), tenha ido tão bem nos efeitos e na produção com tão pouco dinheiro.

    Não encontrei nenhum outro blog com críticas tão completas quanto o seu, vou passar sempre aqui. Estou seguindo o seu Twitter também para ficar atualizado nos posts.

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  6. Olá Claudio!!

    Em algo concordamos: cinema é questão de gosto. Quer dizer, o cinema de qualidade, não é? Porque quando um filme é ruim, mal feito, pedante, uma cópia piorada do que já foi feito, daí nem tem mal gosto que justifique. hehehehehehe

    Mas sério, sempre digo e repito – adoro ser repetitiva: o quanto um filme nos agrada ou desagrada depende necessariamente do momento que estamos vivendo na vida, da nossa própria biografia, de nossa visão de mundo, de tantas coisas… Sem contar que a expectativa é sempre um elemento determinante no processo de gostar ou não de uma obra cinematográfica.

    Para District 9, por exemplo, tive que fazer um esforço para não assistí-lo com muitas expectativas. É que todos tinham falado bem do filme. Então, quando isso acontece, é preciso aquele “distanciamento crítico”, o salutar exercício de tentar se livrar dos elogios e das referências positivas que você já ouviu antes de assistir ao filme.

    Dito isso, gostei muito de District 9, apesar dos elogios que tinha ouvido antes de assistí-lo. Não achei ele maçante ou cheio de explicações desnecessárias, como você comentou. Acho que filmes de ação e/ou sobre extraterrestres podem ter um fundo moral ou outras camadas de leitura além da óbvia disputa entre humanos e alienígenas. Como é o caso de District 9, que abre um leque de referências e ligações com outros sistemas de dominação que já vivemos (ou seguimos vivendo).

    Agora, a “cara de documentário” de District 9 é totalmente proposital, viu? Foi planejado para trazer mais “realismo” para uma história “surrealista”. Ou, o que é dizer o mesmo, para uma história alegórica que joga com a noção de realismo.

    Mas, claro está, podes discordar de tudo isso. Sem problemas. 😉

    Um grande abraço e volte mais vezes mesmo! Inté.

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  7. Oi Dan!!

    Super defensor de District 9. hehehehehehe

    Então, acho que é uma questão de gosto sim, e também de percepção sobre as razões que levam um diretor a usar esta ou aquela linguagem para contar uma história.

    Neill Blomkamp não flertou com a linguagem do documentário por acaso, de forma aleatória depois de fazer uni-duni-tê. Ele escolheu esta linguagem por razões muito fundamentadas. Gostei desta escolha, assim como da lógica do diretor.

    Mas, como bem afirmaste, há gostos e há gostos. Eu respeito todos. Só não respeito as opiniões compradas ou as que ignoram e/ou desrespeitam as opiniões dos demais. O que eu não acho que seja o caso. Então deixa o Claudio não gostar muito do filme… é seu direito. hehehehehe

    Um abraço, defensor de District 9! 😉

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