True Grit – Bravura Indômita


Os irmãos Coen continuam com a vocação inabalável de desmontar mitos e lugares-comum que compõe a “alma” dos Estados Unidos. Desta vez, a dupla focou o seu talento para contar a história de um faroeste em que uma garota de 14 anos dá as cartas. True Grit levou os Coen novamente para os holofotes do Oscar, em um ano em que eles devem enfrentar uma concorrência feroz – cenário em que outras duas produções lideram a disputa na frente deles. Além de tornar uma garota nada usual como heroína da história, True Grit desmonta mitos da época das “terras selvagens” norte-americanas, mostrando dois tipos de “oficiais da lei” de maneira pouco dignas. De um lado, um Marshall alcóolatra e considerado mercenário por alguns. De outro, um Ranger arrogante, cheio de soberba e um bocado pavão. E para melhorar a situação, no melhor estilo de humor dos Coen, os dois tem as suas “bravuras” colocadas à prova por uma garota, o que acaba rendendo momentos de competição quase infantil.

A HISTÓRIA: Uma mulher narra a sua história. Conta como, aos 14 anos, mesmo contra as previsões de todos, ela conseguiu vingar a morte do pai. Pela sua versão, quando ela tinha esta idade, um covarde chamado Tom Chaney atirou no pai dela e o matou. Robou-lhe “a vida e o cavalo, e duas peças de ouro da Califórnia”. Chaney tinha sido contratado pelo pai da menina para ajudá-lo a buscar alguns cavalos comprados em Forth Smith. Na cidade, Chaney foi para o bar beber, jogou cartas e perdeu todo o dinheiro que tinha. Achou que estava sendo enganado e voltou para a pensão para apanhar um rifle, quando o pai de Mattie Ross (Hailee Steinfeld) tentou impedí-lo. Chaney então matou o homem e fugiu. Mattie critica que ninguém na cidade se interessou em capturá-lo ou perseguí-lo. Mas ela tomou a frente disso, na busca do corpo do pai, de conseguir reaver o dinheiro por ele gasto com os cavalos, e contratando um U.S. Marshall para perseguir a Chaney. Após receber três recomendações do xerife de Forth Smith, Mattie escolhe Rooster Cogburn (Jeff Bridges), considerado o mais “malvado, durão, impiedoso” Marshall das redondezas. Cogburn não teria “medo de nada, mas tem problema com a bebida”. Mattie não se importa com este último detalhe e o contrata, seguindo o Marshall na caçada do assassino de seu pai.

VOLTANDO À CRÍTICA (SPOILER – aviso aos navegantes que boa parte dos textos à seguir contam momentos importantes do filme, por isso recomendo que só continue a ler quem já assistiu a True Grit): “Os ímpios fogem sem que haja ninguém a perseguí-los” (Provérbios 28,1). Mais uma vez, e logo após A Serious Man, os irmãos Joel e Ethan Coen voltam a começar um filme citando a Bíblia. Pena que, desta vez, eles não completaram a frase. Após “Os ímpios fogem sem que haja ninguém a perseguí-los”, o provérbio continua: “mas os justos são ousados como um leão”.

As leituras possíveis sobre o uso de trechos tão sugestivos da Bíblia pelos diretores são variadas. Mas, para mim, desde a primeira vez que eles fizeram isso, há dois sentidos claros nestas citações. Primeiro, elas reforçam a análise crítica que os Coen fazem da sociedade dos Estados Unidos, considerada “puritana” por alguns, mas que, de fato, tem na Bíblia um alicerce histórico – para o bem, e para o mal. Porque o problema – antes que alguém me interprete mal, vou explicar – não está nunca na Palavra, mas na interpretação equivocada e, especialmente, no seu uso com fins que não passam pela essência do cristianismo. Mais que isso, convenhamos, não preciso explicar. Para bom entendedor… Voltando a primeira razão: ao citar a Bíblia, os Coen estão deixando ainda mais claro que o que veremos a seguir é uma reflexão crítica, irônica e, algumas vezes, um pouco cínica, sobre os efeitos e influências que a religião teve e continua tendo na sociedade da qual eles estão falando.

Depois, as citações bíblicas sempre parecem resumir a “alma” da história que vamos assistir. Aqui, ao comentar que os “maus” fogem quando não há pessoa que os persiga, os diretores deixam claro que True Grit é, além de outras coisas, uma crítica pesada a falta de justiça, ao sistema falho que existe nos Estados Unidos, no Brasil e em qualquer parte do mundo – em maior ou menor grau. A parte que faltou eles citarem, do provérbio, parece estar diluída no próprio filme: aqueles que estão do lado da justiça ganham coragem redobrada e vencem todos os perigos, como o leão em uma floresta.

Como é típico dos irmãos Coen, em True Grit o espectador é presenteado com um roteiro saboroso, cheio de referências a lugares e personagens da história estadunidense. Cá entre nós, algumas vezes, esse excesso de referências chega a cansar. Mas imagino que os estudiosos da história dos Estados Unidos devem saciar os seus desejos por referências com este tipo de roteiro. Diria que este tipo de texto tem seu lado positivo e negativo, por isso. O roteiro dos Coen também segue apostando em diálogos escritos com perfeição e esmero, na construção de frases em que não sobram palavras. Concisão e rapidez por um lado, excesso de referências de outro. Típico dos diretores e roteiristas.

Em True Grit, os Coen respeitam todos os preceitos de um faroeste, com ótimas cenas de perseguição, suspense e algo de adrenalina. Há pelo menos uma grande sequência, impecável e que relembra os grandes momentos do gênero. Mas se o filme fosse só isso, seria tudo, menos uma obra dos Coen. Para ter a assinatura deles, além das características do gênero reinventadas, é preciso adicionar outros elementos. Especialmente a crítica ácida e a ironia. Que desmontam “lendas” e tentam desmascarar “heróis”. (SPOILER – não leia se você não assistiu ao filme). Só com os Coen poderíamos ver um Marshall interpretado por Jeff Bridges cambaleante, caolho, durão, mercenário, corajoso, beberrão e partidarista. Para contrastar com esta figura, um Ranger interpretado de maneira hilária por Matt Damon. Ranger este bastante ineficaz e que, como tantos outros, tinha mais histórias do que feitos de bravura para contar.

Existe, neste filme, claro, espaço para os bandidos. (SPOILER – não leia se você não assistiu ao filme). Mas como é típico também, entre os Coen, a linha que separa mocinhos de bandidos parece bastante difusa. Nada é tão claro quanto algumas religiões gostariam. No lugar do preto e do branco, o cinza predomina nas intenções e nos atos dos personagens. Quem é mais mercenário? Quem é mais corajoso? Quem está defendendo uma boa causa? O bandido que rouba para sobreviver, porque só encontra ali uma alternativa? O Marshall ou o Ranger que perseguem recompensas porque o que eles ganham do governo é insuficiente para viver? Neste cenário, uma garota de 14 anos ensina para os adultos o que é bravura, inteligência e correção.

Para os Coen, não existe sociedade modelo. Em parte alguma. Mas eles não falam do Japão. Os diretores e roteiristas contemplam sempre o próprio quintal. Falam de terras inóspitas e geladas aqui, de terrenos “selvagens” de uma história vistas com orgulho (e muito desconhecimento) dali. Por isso mesmo, eles são grandes – e admirados pela Academia e pela indústria. Porque não se cansam de ousar, perseguindo com identidade própria uma reflexão sobre o passado e o presente da sociedade dos Estados Unidos. E mesmo quando falam de um tempo de terras inóspitas, como em True Grit, eles estão tratando de assuntos atuais. Que ninguém se engane que os Coen, com este último filme, não estão refletindo sobre corrupção, interesses escusos, falta de justiça, família e tantas outras questões muito pertinentes nos nossos dias – e que, ao olhar para trás, apenas entendemos melhor a origem de tudo isso.

Equilibrando ação, humor, crítica – com fina ironia, um bocadinho de drama e suspense, True Grit comprova, outra vez, a capacidade dos Coen de apresentar o seu próprio país, para o mundo, de uma forma diferenciada. E de promover, em próprio solo norte-americano, um incentivo para a revisão histórica e de valores. Apenas por isto, eles já merecem aplausos. Mas, além das intenções e resultados, o que importa mesmo, é que eles são ótimos cineastas. Ou, em outras palavras, sabem fazer filmes envolventes, com boas histórias e perfeitos na técnica. Aqui, mais uma vez, eles acertaram. E só não dou a nota máxima porque, apesar de todas as qualidades, achei que eles não foram muito além do que já vimos antes. Faltou um pouco mais de ousadia ou de reinvenção deles próprios. Mas, acredito, olhando para a filmografia da dupla, que isto em breve poderá acontecer novamente. Para a nossa sorte.

NOTA: 9,6.

OBS DE PÉ DE PÁGINA: Deixei para falar dos aspectos técnicos do filme e de curiosidades por aqui mesmo. Há tanto para se falar de True Grit… mas tentarei ser “comedida” desta vez. Até porque tenho que me atracar a outros filmes antes do Oscar. 🙂

Mais uma vez, Jeff Bridges está digno de um reverência. O ator incorporou até a medula o personagem de Cogburn e merece, sem dúvidas, a segunda indicação seguida para o Oscar. Mas diferente do ano passado, dificilmente neste ele consiga levar a estatueta para casa. Contrapondo com ele, servindo muitas vezes como uma “consciência” adjunta do “herói”, a mais que reveladora Hailee Steinfeld. Seu desempenho aqui é tão bom que a Academia lhe indicou como coadjuvante. Tudo bem que ela teve um roteiro incrível para proferir em cena, mas sua interpretação é tão marcante que fiquei em dúvida na categoria de Melhor Atriz Coadjuvante deste ano.

Além da dupla mais encantadora do filme – sim, Bridges e Steinfeld acabam sendo encantadores -, palmas também para a interpretação engraçadíssima de Matt Damon. Como os Coen haviam feito antes com George Clooney, aqui foi a vez deles “retocarem” e modificarem a imagem de Damon. Ele está perfeito. Além deles, merecem ser citados Josh Brolin como o bandido Tom Chaney, ainda que seu papel tenha sido bem diminuto; Barry Pepper, especialmente inspirado, como o chefe de quadrilha e “inimigo” histórico de Cogburn, Lucky Ned Pepper; e o cômico Bruce Green em quase uma ponta como o bandido “que faz vozes de bichos” Harold Parmalee.

Na parte técnica do filme, inevitável falar da direção de fotografia. Claro que a história ajuda, e os cenários também, mas a técnica de Roger Deakins lhe rendeu, não por acaso, uma indicação ao Oscar. O trabalho dele se diferencia nos detalhes, como na captação de uma luz expressiva que entra no galpão em que Cogburn está dormindo, por exemplo, ou na fogueira que aquece o trio de personagens principais em uma noite fria. Bom o trabalho de Carter Burwell na trilha sonora, ainda que eu tenha achado ela um tanto “clássica” (alguns podem interpretar como previsível) demais. Mas envolvente, isso é preciso registrar. Bom o trabalho de pesquisa e de desenho dos figurinos, assinados por Mary Zophres, ainda que eu não ache que ela chegue ao ponto de ganhar um Oscar. Os demais elementos técnicos também acompanham a qualidade do projeto ainda que, como a própria direção dos Coen, eles não tenha apresentado realmente inventividade ou muita ousadia.

True Grit estreou com uma premiere em Nova York no dia 14 de dezembro. Além de concorrer a 10 estatuetas no Oscar, a produção participará do Festival de Berlim, que começa daqui a dois dias, em 10 de fevereiro.

Para quem ficou curioso/a para saber onde True Grit foi filmado, o último filme dos Coen foi rodado no Texas e no Novo México. Foi uma produção relativamente cara: custou US$ 38 milhões. Mas está indo bem, muito bem nas bilheterias dos Estados Unidos. Até o dia 30 de janeiro, ou seja, em pouco mais de um mês em cartaz nos cinemas, o filme acumulou US$ 148,3 milhões. Um resultado muito bom e que só tende a crescer em fevereiro, até pelo impulso que o Oscar deverá dar para a produção. E algo fundamental para este resultado: o trabalho massivo de marketing em torno do filme. Isso pode ser percebido pela publicidade nos sites, como o IMDb, e nos vários cartazes produzidos para promovê-lo.

O roteiro, sem dúvida um dos pontos fortes de True Grit, foi inspirado no livro homônimo de Charles Portis, publicado em 1968. Segundo este texto da Wikipédia, o livro foi adaptado para o cinema no ano seguinte, em uma produção estrelada por John Wayne. Fiquei curiosa para assistir, até para saber do grande contraste que deve separar a produção dos Coen daquela “clássica” com Wayne. Depois, segundo o mesmo texto, o ator veterano e conhecido pelos filmes de faroeste voltou a interpretar o destemido U.S. Marshall na produção Rooster Cogburn, de 1975.

Pelo que o link da Wikipédia conta, a história original de Portis já tinha “o achado” de ter uma garota de 14 anos como heroína. Mattie Ross, pelo livro dele, foi a responsável por promover uma caçada ao assassino de seu pai. No livro, Portis explora mais a relação de Chaney com a família Ross, deixando para Mattie classificá-lo como “lixo”, um sujeito que não é afeito ao trabalho na fazenda. Na obra fica mais claro que Chaney mata o pai de Mattie para roubar-lhe o dinheiro – US$ 150 que não haviam sido gastos para comprar os cavalos, assim como as duas peças de ouro. Depois do crime, ele foge para o Território Índio – que era razoavelmente “protegido” e/ou “inacessível” -, atualmente Oklahoma.

Achei o máximo que, no livro de Portis, Rooster Cogburn é descrito como um Marshall envelhecido, “caolho”, que está acima do peso, alcoólatra, mas que é rápido no gatilho. A justa descrição do que os Coen colocaram na tela.

E uma curiosidade sobre o True Grit de 1969: o filme rendeu um Oscar de Melhor Ator para John Wayne em 1970. Aquela foi a única estatueta ganha pelo ator em sua carreira.

Agora, uma curiosidade sobre a versão dos Coen de True Grit: por causa da lei que proíbe o trabalho infantil, os diretores não puderam filmar cenas com Hailee Steinfeld após a meia-noite. Como há muitas cenas noturnas, parte do trabalho foi gravado com ela antes da meia-noite e, nas cenas em que ela aparece de costas, a atriz foi substituída por dublês adultas.

Para os curiosos do tema armas: em True Grit, o personagem de Rooster Cogburn utilizada uma Colt Single Action Army, uma Winchester Model 1873 e um par de revólveres Colt Navy 1851. Mattie herda do pai uma Dragoon Colt. O Ranger La Bouef carrega uma Colt Single Action Army e uma carabina Sharps 1874. Tom Chaney usa um rifle Henry Modelo 1860, e Ned Pepper leva um revólver Remington 1875 e um rifle Winchester 1866 Yellow Boy.

Até o momento, True Grit foi indicado a 10 Oscar, recebeu outros 12 prêmios e foi indicado a mais 55. Entre os que recebeu, destaque para os de Melhor Atriz Coadjuvante para Hailee Steinfeld pelas associações de críticos de cinema de Austin, Chicago, Kansas City, Central Ohio, Toronto e pela Sociedade de Críticos de Cinema Online (além de um prêmio por “jovem desempenho em filme” entregue pelos críticos de Las Vegas); e os de melhor direção de fotografia dados pelas sociedades de críticos de Cinema de Boston, Central Ohio, Phoenix, e dos Críticos de Cinema Online.

Os usuários do site IMDb deram uma nota boa para a produção: 8,2. Mas poderia ser melhor. Os críticos do Rotten Tomatoes, mais uma vez, foram mais generosos: publicaram 200 críticas positivas e apenas 10 negativas para a produção, o que lhe garantiu uma aprovação de 95% – e uma nota média de 8,3.

E um alerta importante: evite assistir ao trailer se você ainda não viu a True Grit. Porque no trailer eles praticamente acabam com todas as surpresas e dão uma palhinha dos momentos principais da história.

CONCLUSÃO: Um faroeste meio clássico, meio desconstruído. True Grit traz em seu dorso cenas de cavalgadas, aventuras, perseguição e o clássico “mocinho contra bandido”, ao mesmo tempo em que deixa claro que a separação entre uns e outros é muito tênue. No melhor estilo dos irmãos Ethan e Joel Coen, este filme esboça com fina ironia uma época em que a injustiça parecia imperar – exceto para aqueles que podiam pagar por ela. Voltando a temas abordados em filmes recentes da dupla, os Coen acrescentam mais uma colherzinha na crítica da sociedade em que eles vivem.

Tentando retirar máscaras e desmontar mitos. Revelando que ninguém pode ser catalogado facilmente e que os desejos de justiça e busca da verdade nem sempre são suficientes. Com interpretações inspiradas e o uso de recursos técnicos com perfeição, True Grit entra para a lista dos grandes filmes dos Coen. Para os que gostam de faroeste, então, é um prato cheio. Também pelo achado de colocar uma garota de 14 anos como grande heróina – mérito da obra original, do escritor Charles Portis, publicada em 1968. Os Coen desmontando o gênero inclusive por tirar a figura predominante do macho do holofote. Por estas e por outras, eles são geniais. Só que para não dizer que tudo é perfeito, os que acompanham a trajetória dos Coen talvez se cansem, nem que for um pouquinho, como eu, por eles seguirem a mesmíssima linha, sem muita invenção, há tanto tempo. Por um lado, isso é sinônimo de coerência. Mas por outro, talvez, esteja na hora deles ousarem um pouquinho mais.

PALPITE PARA O OSCAR 2011: True Grit foi o segundo filme com o maior número de indicações ao Oscar deste ano. Só ficou atrás das 12 indicações de The King’s Speech. Pela minha análise, dificilmente teremos este ano um “grande ganhador”. O mais provável é que The Social Network, The King’s Speech e Inception fiquem meio que equilibrados no número de estatuetas. Mas então como ficaria True Grit? Um ano sem grandes ganhadores não significa, exatamente, que não teremos grandes perdedores.

Para começar, True Grit foi solenemente ignorado pelo Golden Globes. Claro que esta premiação não elimina as chances dele no Oscar, mas já servem como um bom termômetro. E quando digno ignorado no Globo de Ouro, não estou falando apenas da lista de vencedores, mas inclusive na de indicados. True Grit não disputou nada de nada.

Pela minha lista de palpites sobre o Oscar, ele também não aparece em parte alguma. Nem nas categorias técnicas. Mas dei os pitacos antes de ver ao filme. Agora, acho que ele talvez tenha alguma chance em duas categorias: Melhor Atriz Coadjuvante, para Hailee Steinfeld, e Melhor Direção de Fotografia. E só. Steinfeld tem a inglória tarefa de vencer a Melissa Leo, que está ótima em The Fighter. Mas, caso Steinfeld vença, será um prêmio muito merecido. E Roger Deakins deverá deixar para trás trabalhos estupendos, como as fotografias de Black Swan, The Social Network e The King’s Speech. Ambos tem a seu favor vários prêmios conquistados por associações de críticos. Mas não são os críticos, e sim as pessoas que fazem a indústria, quem decide sobre o Oscar. Cá entre nós, ainda que eles tenham méritos, não vejo nenhum dos dois levando o Oscar para casa.

Que chances, então, teria True Grit nas outras oito categorias que está disputando? Melhor Filme ele não leva – The King’s Speech e The Social Network, especialmente o segundo, dominam as bolsas de apostas. E com razão. Aliás, dei para True Grit a mesma nota que havia dado para The Social Network porque, para mim, os dois filmes são muito bons. Diferentes entre si, mas muito bons. Acima da média. Mas, para meu gosto, estão um pouco abaixo de The King’s Speech e Black Swan – meus favoritos, caso minha torcida valesse algo. 😉

Jeff Bridges não tem chance, este ano, com os concorrentes – especialmente Colin Firth. Não seria uma injustiça, caso ele ganhasse, mas seria uma grande surpresa – e zebra. Não acho que isso vá acontecer. A Direção de Arte do filme é boa, tem uma bela pesquisa, mas acho que não ganha de Inception, The King’s Speech ou Alice. Em Figurino o filme também corre por fora, atrás de Alice e The Tempest. Melhor Diretor, será muito difícil.

Ainda que a Academia goste muito dos Coen, mas este ano parece ser mesmo de David Fincher – ou de Tom Hooper, caso ocorra alguma zebra. Para ganhar como Melhor Edição de Som, True Grit tem a tarefa inglória de desbancar Inception ou, em segundo lugar, Unstoppable. O mesmo em Mixagem de Som – tendo, talvez em segundo lugar, após Inception, a rivalidade de The Social Network. Finalmente, em Melhor Roteiro Adaptado, não vejo que os Coen vão conseguir bater o ótimo e, até certa medida, ousado texto de The Social Network. Além dele, que é o favorito, True Grit teria que desbancar o elogiado Winter’s Bone e 127 Hours. Difícil, bem difícil.

Para resumir a ópera, True Grit pode ser um dos grandes perdedores deste Oscar. Não será surpresa se isso acontecer.

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4 comentários em “True Grit – Bravura Indômita

  1. Sugiro que você assista realmente ao original de 69. É engraçado como o texto de quem já viu os dois muda consideravelmente.

    Você, se não me engano, capaz de não achar graça nenhuma no original – inclusive porque a produção é bem inferior a dos Coen. Mas vale a comparação dos roteiros.

    Bjos

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  2. Oi mairagiosa!

    Anotei a tua recomendação e, logo que possível, vou atrás do original sim. E daí comento ele por aqui.

    Acredito mesmo que deve tratar-se de um filme bem diferente. E que a produção dos Coen seja melhor. Afinal, eles são diretores, roteiristas e produtores diferenciados.

    Muito obrigada por mais esta contribuição. Espero que voltes por aqui muitas vezes ainda, inclusive para falar de outros filmes.

    Beijos e inté!

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