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Ford v Ferrari – Ford vs Ferrari

Um filme emocionante, com algumas imagens incríveis, com uma direção impecável e um bom trabalho de atores. Apesar disso, Ford v Ferrari incomoda um pouco por sua versão dos fatos que trabalha apenas o lado americano da história. Para quem gosta de Fórmula 1 e de outras competições de alta velocidade, certamente este filme será um deleite. Para os demais, Ford v Ferrari é um filme interessante sobre fatos históricos curiosos e sobre uma história de amizade que marcou as corridas de carro. Curioso, mas não é um dos melhores do ano.

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The Great Wall – A Grande Muralha

Volta e meia Hollywood resolve gastar centenas de milhões de dólares em uma grande produção com “requintes” históricos. Certo que muita gente se interessa pelo cinema essencialmente pelos efeitos visuais e especiais que ele pode nos apresentar, mas um pouco de história para “rechear” o tempo gasto na sala escura não é má ideia, não é mesmo? Pois bem, é justamente história ao menos razoável que falta para The Great Wall. O filme é mais que previsível, ele dá sono.

A HISTÓRIA: Começa mostrando a Terra do espaço e afirma que a Grande Muralha foi, durante séculos, considerada uma das grandes maravilhas do mundo. A câmera lentamente se aproxima da gigantesca construção e aparecem mais informações sobre ela. A Muralha da China tem 5,5 mil milhas (cerca de 8,85 mil quilômetros) de extensão e demorou pouco mais de 1.700 anos para ser construída. A razão para a sua construção foi a China proteger-se de inúmeros perigos, alguns conhecidos, outros são lendas. A história contada neste filme é de uma destas lendas.

VOLTANDO À CRÍTICA (SPOILER – aviso aos navegantes que boa parte do texto à seguir conta momentos importantes do filme, por isso recomendo que só continue a ler quem já assistiu a The Great Wall): Eu tinha curiosidade de assistir a este filme. Primeiro, porque eu gosto de filmes de ação, e achei que este poderia ter uma boa história por trás. Afinal, filmes de ação com um toque histórico sempre são interessantes. Depois porque eu achei ele um dos mais atrativos em cartaz no cinema atualmente e, terceiro, porque fiquei curiosa de ver a um fracasso comentado no Oscar.

Verdade que fui na sessão do cinema deste filme em 3D um tanto cansada. Mas pensei: “Bem, por ser um filme de ação, talvez ele tire o meu sono e me deixe bem desperta”. Ledo engano. A história super manjada no início e, principalmente, a perda de ritmo do filme da metade para a frente me deram mais sono do que qualquer outra coisa. Infelizmente o roteiro do trio Carlo Bernard, Doug Miro e Tony Gilroy, que trabalharam sobre a história original de Max Brooks, Edward Zwick e Marshall Herskovitz é muito fraco.

Entendo os produtores deste filme em colocar um astro mundialmente conhecido como Matt Damon como protagonista da produção. Afinal, o rosto dele ocupando grande parte do cartaz atrai um público considerável em diversos países. Mas, francamente, talvez The Great Wall funcionasse melhor se tivesse um elenco 100% chinês e, quem sabe, até um estilo um pouco mais “original” e de “raiz” do que o filme que nos apresentaram, muito preocupado com a audiência e pouco com a qualidade.

Para começar, vamos combinar que é um bocado manjado e forçado aquele começo do filme. Um grupo de “mercenários” foge de um grupo bem maior de maneira quase milagrosa. Depois, os “heróis” William (Matt Damon) e Tovar (Pedro Pascal) sobrevivem ao ataque de uma “figura não humana” novamente por milagre e, no dia seguinte, voltam a ser perseguidos pelo mesmo bando. Um tanto inverossímil isso, não? Pois bem, logo William e Tovar dão de cara com a Muralha da China. São tomados como prisioneiros pouco antes de um ataque esperado há 60 anos pelo Exército chinês acontecer.

O restante da história, depois desta introdução forçada, é bastante manjado. O Exército chinês com suas diferentes subdivisões enfrenta o inimigo com a ajuda dos “novos heróis” do pedaço, os “estrangeiros”. Mais do que simplesmente buscar sobrevida, William se mostra uma espécie de “cavaleiro da Távola Redonda”, defendendo a “mocinha” comandante Lin Mae (Tian Jing) que, evidentemente, não precisava da proteção dele. O roteiro dá uma forçada no personagem de William, fazendo dele quase um super-herói e o tornando “o queridinho” de Lin Mae de forma difícil de acreditar.

Em resumo, depois que os estrangeiros entram na jogada da guerra dos chineses contra os algozes alienígenas que aparecem de 60 em 60 anos – outro argumento forçado – eles viram os salvadores da pátria. Difícil acreditar que nenhum daqueles chineses que se prepararam há tanto tempo não tivessem a mesma capacidade de William de resolver tudo. Então The Great Wall decide trilhar o caminho besta e já conhecido do “herói bonitinho que salva a pátria” ao invés de contar uma história de lenda chinesa.

O desenrolar da história acaba sendo bem óbvio, com uma vitória dos chineses em uma primeira batalha e o retorno do inimigo depois para tentar reverter o jogo. Os alienígenas conseguem entrar na cidade, e a resolução do conflito é ainda mais forçado. Em resumo, o roteiro de The Great Wall é mais que fraco, previsível e forçado. Ele consegue a proeza de fazer um filme de ação ser monótono e dar sono. Mas outros elementos desta produção funcionam muito bem.

O que pode valer o seu tempo, mas eu recomendo que você espere para ver o filme em casa – não há necessidade de gastar com um ingresso no cinema -, são algumas cenas de ação, de luta e de batalha. Destaco, em especial, as cenas que envolvem a parceria de William e Tovar contra os alienígenas sobre uma das torres da muralha na primeira batalha e as cenas interessantes das chinesas que se lançam com cordas para enfrentar o inimigo na parte externa da muralha. São sequências realmente muito bacanas.

O 3D não vale muito a pena, exceto por algumas flechadas e alguns machados jogados contra os inimigos. Nada demais. Matt Damon se sai bem em diversos momentos, mas em outros ele parece estar em cena totalmente sem vontade. A interpretação dele é bem irregular. Os outros atores, especialmente os chineses, estão bem.

O diretor chinês Yimou Zhang faz um trabalho regular, mas o roteiro não lhe ajuda. Além disso, ele faz um trabalho previsível, sem grandes inovações de uso de câmera ou outros recursos. Talvez se ele tivesse mais liberdade criativa, poderia ter feito algo melhor. Em resumo, um filme bem feito tecnicamente, mas com roteiro ruim e interpretações ok, mas sem destaque nesta categoria.

NOTA: 6.

OBS DE PÉ DE PÁGINA: O filme só recebeu a nota acima por causa de suas qualidades técnicas. Vale destacar, especialmente, a direção de fotografia de Stuart Dryburgh e Xiaoding Zhao; o design de produção de John Myhre; os belos figurinos de Mayes C. Rubeo; o trabalho do departamento de arte com 32 profissionais; o trabalho dos 19 profissionais envolvidos nos efeitos especiais; o resultado do trabalho do inacreditável time de 397 profissionais envolvidos com os efeitos visuais; a trilha sonora de Ramin Djawadi e a edição de Mary Jo Markey e de Craig Wood.

Impressionante o quanto este filme gastou com efeitos visuais. Certamente grande parte do orçamento da produção foi para pagar os quase 400 profissionais envolvidos com esta parte da produção. Por falar em custos, The Great Wall custou cerca de US$ 150 milhões. Quantos filmes independentes ou de orçamento mediano poderiam ser feitos com este orçamento? Incrível. Nos Estados Unidos o filme não foi bem nas bilheterias. Faturou quase US$ 38,7 milhões. Pouco para um filme que custou US$ 150 milhões. A sorte da produção é que no restante do mundo o filme não foi mal, faturou pouco mais de US$ 269,8 milhões. Ou seja, no acumulado, está com pouco mais de US$ 308,5 milhões. Não será um retumbante fracasso, mas também não pode ser chamado de sucesso.

Além dos atores já citados, vale comentar o trabalho razoável do veterano Willem Dafoe como Ballard, o “mercenário prisioneiro” veterano da produção; Andy Lau como o estrategista Wang; Hanyu Zhang como o general Shao; Kenny Lin como o comandante Chen; Eddie Pen como o comandante Wu; Xuan Huang como o comandante Deng; Ryan Zheng como Shen, que acaba sendo protegido por William; Karry Wang como o imperador “bobalhão”; Pilou Asbaek como Bouchard e Numan Acar como Najid, mercenários que morrem logo no início da produção.

Mais até do que Matt Damon, chama a atenção neste filme a interpretação do chileno Pedro Pascal. Conhecido pelas séries Narcos e Game of Thrones, esse é um dos papéis de maior destaque dele no cinema dos Estados Unidos recentemente. Tem boas chances de decolar a partir de agora.

Este filme é uma coprodução da China e dos Estados Unidos.

Os usuários do site IMDb deram a nota 6,3 para The Great Wall, enquanto os críticos que tem os seus textos linkados no Rotten Tomatoes dedicaram 116 críticas negativas e 62 positivas para a produção, o que lhe garante uma aprovação de 35% e uma nota média de 4,9. Devo admitir que concordo com as duas médias, tanto do IMDb quanto do Rotten Tomatoes. O filme poderia ganhar menos que o 6 que eu dei para ele, mas resolvi dar uma nota razoável para ele especialmente pelos efeitos visuais.

CONCLUSÃO: Roteiro não é apenas mais um elemento de um filme. Para mim, é parte central de uma grande produção. Então é chover no molhado dizer que a falta de um roteiro razoável, ao menos, é o principal problema de The Great Wall. Mas não é o único. Matt Damon se esforça para ser um herói na história, mas nem ele convence muito.

O que salva o filme e é por isso que eu dei a nota acima para ele são os efeitos especiais e alguma sequências de ação realmente muito boas. Pena que elas são poucas, levando em conta todo o tempo do filme. Ou seja, pense bem em investir o seu tempo nesta produção. Não achei o 3D tão fantástico, então talvez você possa esperar para fazer uma “sessão da tarde” com ele em casa.

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The Martian – Perdido em Marte

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Dificuldades e desafios sempre vão aparecer pela frente. Algumas vezes eles são tão grandes e decisivos que ameaçam a nossa vida. Nestes momentos, alguns indivíduos parecem crescer e se tornam maiores. Conseguem superar a dificuldade ou o desafio para sobreviver. The Martian é uma ficção, mas ela nos conta uma destas histórias inspiradoras que trata do espírito da superação e da busca pela sobrevivência a qualquer preço.

A HISTÓRIA: Imagens do planeta vermelho. Uma terra ainda inóspita e desabitada. A parte denominada Acidalia Planitia foi utilizada pela missão Ares III da Nasa como local de pouso. Começamos a acompanhar o dia da missão relacionada ao sol 18. Um dos astronautas, Mark Watney (Matt Damon), comenta com a equipe que o solo está mais fino na seção 29, o que deve facilitar as futuras análises.

Ele está recolhendo diversas amostras do solo de Marte. Outro astronauta, Rick Martinez (Michael Peña), tira sarro da descoberta e Watney pergunta o que de importante ele irá fazer no dia, talvez verificar se a VAM (veículo utilizado pela tripulação) segue no mesmo local. Em breve, uma tempestade fará o grupo de astronautas sair de Marte, exceto por um deles que sofre um acidente.

VOLTANDO À CRÍTICA (SPOILER – aviso aos navegantes que boa parte do texto à seguir conta momentos importantes do filme, por isso recomendo que só continue a ler quem já assistiu a The Martian): Os leitores que me acompanham aqui no blog há mais tempo sabem que eu tenho algumas manias. Uma delas é não assistir ao trailer dos filmes antes de assisti-los. Outra é de evitar o máximo possível ler qualquer coisa a respeito deles antes de conferir a produção. Segui estas regras mais uma vez ao ver The Martian.

Sendo assim, a minha primeira surpresa foi me deparar, logo nos minutos iniciais, com um elenco tão bom e que parece ter sido reunido à dedo para The Martian. Ainda que grande parte do filme seja focado no solitário personagem de Matt Damon, o elenco de apoio é um verdadeiro deleite. Sem contar que o próprio Matt Damon está muito bem em seu papel – talvez um dos melhores de sua carreira até agora.

A segunda surpresa ao assistir ao filme foi a qualidade das imagens da produção. O diretor Ridley Scott reuniu uma equipe de primeira linha para conseguir fazer um filme impecável de ficção científica com o que há de melhor atualmente em tecnologia para o cinema. E tudo isso a serviço de uma grande história. Drew Goddard faz um belo trabalho no roteiro desta produção – texto baseado no livro homônimo de Andy Weir.

Vencedor da categoria Melhor Filme – Musical ou Comédia no Golden Globes deste ano, The Martian também me surpreendeu por não ser um filme de comédia. Claro que há humor na produção, mas esse humor é inteligente, não é forçado e nem é o ponto forte do filme. Há bastante ação, aventura e drama além da evidente ficção científica. Definitivamente não acho que The Martian pode ser considerado uma comédia pura e simplesmente.

Feitas estas observações, quero dizer que The Martian foi uma grande surpresa. Tanto pela excelência técnica da produção quanto e principalmente pela qualidade do roteiro e da equipe envolvida no projeto. Gostei demais do texto de Goddard. E a direção de Ridley Scott é impecável em cada detalhe. Não teve nenhum momento em que o filme me deu sono ou “preguiça” de assisti-lo. Pelo contrário. Mesmo tendo duas horas e 24 minutos de duração, The Martian tem um bom ritmo e prende a atenção do espectador do primeiro até o último minuto.

Claro que há muitas cenas que são um pouco “forçadas”. (SPOILER – não leia se você não assistiu ao filme). Para começar, o protagonista ter sobrevido aos ferimentos causados por aquele pedaço de antena que ficou enfiado em seu corpo. Se o pedaço tivesse atravessado uma perna ou um braço dele, tudo bem. Teria resolvido o que ele fez – inclusive aqueles grampos. Mas a tal antena atravessou a barriga dele, atingindo, não há dúvida, algum órgão interno. Pelo local de entrada do objeto, provavelmente o intestino. Sério mesmo que ele não teria, sem uma operação, uma hemorragia interna e morreria disso em alguns dias?

Mas aí vale aquela regra de quando assistimos filmes de ação ou de ficção científica: não dá para exigir que tudo que vemos seja lógico. Se pedíssemos isso não existiram produções como Mission Impossible. Então vamos combinar de dar diversos descontos para alguns fatos que acontecem em The Martian – além do citado, acho que chama mais a atenção a viabilidade das “coberturas” com plástico que Watney faz para sobreviver na estação em que ele está vivendo em Marte e depois na cápsula que vai levá-lo para fora do planeta vermelho.

Se tivermos boa vontade e dermos descontos para estes “tropeços” da história, podemos nos centrar no que importa mesmo em The Martian. A grande mensagem do filme é a de não desistir nunca. Você foi preparado, é inteligente e tem diversos instrumentos para encontrar soluções para os seus problemas. Então você tenta, acerta e erra, e quando algo dá errado, volta a tentar. Watney encarna o espírito de todo cientista, especialmente aqueles envolvidos em missões espaciais. E este é um diferencial desta produção.

Como você eu já vi a diversos filmes de ficção científica. Mas nunca, antes de The Martian, assisti a um que tratasse tanto do espírito do astronauta. Como Watney deixa bem claro no final, eles sempre estão em situações extremas e em locais nada amigáveis ou propícios para a vida. Muitas vezes eles tem que lutar para sobreviver. Para isso, devem estar muito bem preparados. Sempre que encontram um problema, devem encontrar uma solução para ele. E, desta forma, tentar sobreviver sempre e completar as suas missões.

Os astronautas são a elite dos cientistas – ou parte dela, pelo menos. Não por acaso é tão difícil e competitiva a seleção de astronautas. Não lembro de ter visto a outro filme que tratasse tão bem do perfil deles e dos bastidores da Nasa. Afinal, lá pelas tantas, Watney consegue se comunicar e a trama se divide entre o que acontece em Marte e o que acontece na Terra. Esse é outro ponto interessante deste filme. Não ficamos assistindo a um homem solitário falando com a câmera (no fundo, o público que está assistindo ao filme) o tempo todo, ao estilo de Cast Away. Não.

O que vemos é uma dinâmica muito interessante entre o que acontece em Marte e na Terra e, em certo ponto, inclusive com uma terceira linha narrativa, a da nave com a equipe de astronautas comandada por Melissa Lewis (Jessica Chastain). Em cada realidade destas há problemas acontecendo e exigindo escolhas dos personagens envolvidos.

Em Marte, Watney dá um banho de como ter uma atitude adequada frente a uma situação complicada. Ele encara as situações com humor e com sabedoria, tentando aprender e se superar a cada momento. Na Terra, o diretor da Nasa Teddy Sanders (Jeff Daniels) lidera uma equipe diversificada e tem diversas questões que analisar, inclusive o orçamento e a política. Ao lado dele, destaque para o ético Mitch Henderson (Sean Bean) e para o supercompetente e preocupado com cada etapa dos planos envolvendo Watney, Vincent Kapoor (Chiwetel Ejiofor).

E, finalmente no espaço, na viagem de retorno para a Terra, os colegas de Watney estão no escuro por uma parte da viagem até que ficam sabendo que ele sobreviveu. Em certo momento eles devem decidir se voltam para buscá-lo ou não. Eles próprios tem os seus desafios e o risco de perder o que mais amam.

Envolvente e bem escrito, o roteiro deste filme surpreende e convence – descontados aqueles detalhes. O texto tem algumas tiradas muito boas, especialmente as referências nerds. Matt Damon, como eu disse antes, está ótimo, assim como o estrelado elenco de coadjuvantes. Todos estão muito bem e convencem. A produção também é impecável e cheia de detalhes nos três ambientes.

Ridley Scott dá uma aula de direção. Para diferentes momentos da produção ele utiliza distintas técnicas e elementos de filmagem. Todos se justificam e se explicam. Nas cenas no espaço, o filme não deixa nada a desejar para o elogiado Gravity. Aliás, impossível não lembrar da produção de Alfonso Cuarón que ganhou sete estatuetas do Oscar (e que foi comentada aqui). Pessoalmente, prefiro muito mais The Martian – gosto pessoal, evidentemente. Em termos de qualidade técnica e entrega de elenco, The Martian é tão bom quanto Gravity – ou superior.

Honestamente, gostaria de não dar uma nota tão efusiva quanto a abaixo para esta produção. Pensei muito, mas não vi nenhuma grande falha que pudesse ser apontada. Também levei em conta não apenas as qualidades desta produção, mas o efeito que ela teve em mim. Gostei e me surpreendi com a narrativa, assim como com os outros elementos. E quando eu não consigo achar um defeito em um filme e ele me toca por sua mensagem, dá nisso.

NOTA: 10 9,8.

OBS DE PÉ DE PÁGINA: Admito que The Martian não chamou a minha atenção antes dele ser indicado e ganhar em diversas categorias do Globo de Ouro e, principalmente, de ser indicado ao Oscar. Como vocês que me acompanham sabe, todos os anos me esforço para assistir ao máximo de filmes que concorrem ao Oscar. Primeiro porque eu respeito e admiro a premiação. Depois porque eu acho que ela nos ajuda a encontrar alguns filmes realmente bons. Qual a minha surpresa, ao ser “obrigada” a assistir The Martian – especialmente porque ele concorre a Melhor Filme -, que ele era tão bom. Merece estar nas listas dos críticos entre os melhores de 2015, sem dúvida.

Ridley Scott é um grande diretor. Um dos grandes de Hollywood. Mas ao mesmo tempo que ele foi capaz de nos apresentar grandes produções como American Gangster, Hannibal e Gladiator – para falar das mais recentes – e clássicos insuperáveis como Blade Runner e Alien, nos últimos anos tive um pouco de preguiça de assistir a produções dele que não foram nada bem na avaliação de crítica e público como Exodus: Gods and Kings, The Counselor ou Robin Hood. Sou franca em dizer que não assistir a nenhum destes. Scott estava me dando uma certa “preguiça” ultimamente. Mas parece que ele voltou à boa forma com The Martian. Que bom! Esperamos que ele siga nesta maré nas próximas produções.

Falando em voltar à boa forma, Matt Damon também está incrível nesta produção. Ele fará uma boa queda-de-braços com Leonardo DiCaprio no Oscar – ainda que, me parece, o protagonista de The Revenant leva uma boa vantagem na disputa. Mas não seria injusto premiar a Matt Damon. Veremos.

Sobre o elenco de The Martian, vale citar os outros nomes envolvidos no projeto e que são fundamentais para dar qualidade para a produção – eles se saem muito bem em seus papéis, sejam eles pequenos ou quase uma ponta: Kristen Wiig como Annie Montrose, relações públicas da Nasa; Kate Mara como a astronauta Beth Johanssen, especializada em sistemas e a “nerd” da turma; Sebastian Stan como o astronauta Chris Beck, responsável mais pela parte operacional da missão no espaço – ele que sai para fazer manutenções fora da nave, por exemplo; Aksel Hennie fecha o grupo de astronautas da missão de Watney como Alex Vogel; Benedict Wong como Bruce Ng, que lidera o grupo responsável por construir as naves e o módulo que vai levar alimentos para a sobrevivência de Watney; Mackenzie Davis como Mindy Park, a operadora que descobre que Watney está vivo; e Donald Glover como Rich Purnell, o super nerd que faz os cálculos e descobre que a nave que está indo para a Terra pode retornar para Marte e buscar Watney.

Aliás, agora eu vou me dar o direito de fazer um comentário bem nerd. Além de adorar filmes, eu tenho um fraco por séries de TV. Então foi um prazer rever nesta produção quatro atores que eu gostei muito de acompanhar em quatro séries distintas. Jeff Daniels, astro de The Newsroom – série infelizmente cancelada após a terceira temporada; Sean Bean, ator consagrado como o Ned Stark de Game of Thrones; Kate Mara, a Zoe Barnes de House of Cards; e o figuraça Donald Glover, da genial e cancelada Community. Também foi um prazer rever em cena tão bem a ótima Jessica Chastain e o ator Michael Peña.

Para quem gosta de saber aonde os filmes foram rodados, The Martian teve cenas na Jordânia, na Hungria e nos Estados Unidos. As cenas de Marte, claro, foram rodadas em Wadi Room, na Jordânia, que tem um deserto de cor vermelha. As cenas da Nasa foram feitas no Johnson Space Center, nos Estados Unidos, e as de interior na Hungria.

Agora, algumas curiosidades sobre esta produção. O livro que inspirou The Martian tem uma história interessante. Andy Weir publicou a história pela primeira vez, apenas para se divertir, em seu blog. Aos poucos as pessoas pediram para ele colocar a história de alguma forma para download. Até que ele colocou a história para download na Amazon Kindle ao custo de US$ 0,99.

Ridley Scott filmou as cenas individuais com Matt Damon durante cinco semanas seguidas, para que o ator ficasse mais livre após estas filmagens. Desta forma, Damon se encontrou com muitas pessoas do elenco apenas quando o filme foi promovido.

Agora, uma dúvida que eu tive e certamente você teve no final do filme. (SPOILER – não leia se você não assistiu à produção ainda). Matt Damon realmente emagreceu dezenas de quilos para aparecer tão magro na reta final de The Martian? O ator gostaria de ter feito isso, de ter emagrecido para aparecer inclusive nas cenas finais, mas Ridley Scott lhe proibiu. No lugar dele foi utilizado um dublê de corpo na sequência em que ele aparece nu de costas e bem magro.

No livro de Weir, Mark Watney tem dois mestrados, um em botânica e o outro em engenharia mecânica. No filme é citado apenas o PhD dele em botânica – ainda que fique claro, pelos fatos, que ele entende de engenharia, mas isso não fica claro no roteiro como está no livro.

Interessante que durante o filme, quando Watney pensa em plantar batatas, logo de cara eu pensei: “Certo, e a água para isso?”. Na sequência veio a resposta para a minha dúvida – bastante criativa, diga-se. Agora, algo interessante sobre a realidade superando a ficção. Quatro dias antes do filme ser lançado nos cinemas, a Nasa revelou que tinha encontrado provas de que ainda há água salgada em Marte. Ou seja, a questão da água seria ainda mais fácil para um possível Watney no planeta vermelho – bastaria dessalinizá-la para usar em um cultivo ou consumir bebendo.

A missão a Marte mostrada no filme emularia missões reais que a Nasa está planejando para o futuro.

Parece incrível, mas The Martian foi filmado em apenas 72 dias.

Um dia ou “sol” em Marte é cerca de 37 minutos mais longo do que um dia na Terra. O ciclo sono-vigília do ser humano é de 24 horas e 11 minutos, mas experimentados tem mostrado que ciclos que variam entre 23 horas e 30 minutos e 24 horas e 36 minutos não causam problemas de adaptação para as pessoas, por isso um ser humano não teria grandes problemas para se adaptar no “tempo” de Marte.

O abrigo-barraca em que Watney passa a maior parte do tempo é chamado “hab” (abreviação para Mars Lander Habitat). A Nasa já tem protótipos de habs completos para Marte, com oxigenadores, recuperadores de água e sistemas de portas que protegem os astronautas da atmosfera quase sem ar e com frequentes bombardeios de radiação de Marte.

A paisagem e o ambiente de Marte que vemos no filme foram feitos com a combinação de cenas reais do deserto e computação gráfica.

As cenas exteriores em Marte foram rodadas no Korda Studios em Budapeste, na Hungria. Considerado o maior estúdio do mundo, lá o desenhista de produção Arthur Max pode instalar uma tela verde gigantesca, que ocupou quatro paredes. “Era o espaço suficiente para fazer uma paisagem marciana grande”, comentou Max.

De acordo com as notas de produção do filme, há algumas diferenças entre o livro e a produção de Ridley Scott. (SPOILER – não leia… bem, você já sabe). Watney teria passado por bem mais dificuldades do que as que vemos no filme, por exemplo, e quem acaba resgatando ele no espaço foi Beck e não Lewis como aparece no filme. No livro também não há aquela sequência final de Watney como professor na Nasa – a obra termina com ele sendo resgatado e eles voltando para a Terra.

The Martian estreou em setembro de 2015 no Festival Internacional de Cinema de Toronto. Depois o filme participaria, ainda, dos festivais de Nova York e Bergen. Até o momento o filme recebeu 18 prêmios e foi indicado a outros 124. Entre os que recebeu, destaque para os prêmios de Melhor Filme – Musical ou Comédia e Melhor Ator – Musical ou Comédia para Matt Damon no Globo de Ouro; cinco prêmios como Melhor Roteiro Adaptado; por ter aparecido em quatro listas como um dos melhores filmes de 2015; e, finalmente, pelos prêmios de Melhor Diretor para Ridley Scott, Melhor Ator para Matt Damon e Melhor Roteiro Adaptado pelo National Board of Review.

Antes falei do elenco, mas é preciso falar da parte técnica do filme – uma parte fundamental da produção. Além do ótimo roteiro de Drew Goddard, se destacam em The Martian a direção de fotografia de Dariusz Wolski; o design de produção de Arthur Max; a trilha sonora de Harry Gregson-Williams; a direção de arte com nove profissionais; a decoração de set de Celia Bobak e Zoltán Horváth; os figurinos de Janty Yates; o departamento de arte com 93 profissionais; o departamento de som com 29 profissionais; os efeitos visuais que contaram com uma equipe de 30 pessoas; e os efeitos visuais com uma equipe interminável – parei de contar em 300. Nunca vi uma equipe tão grande de efeitos visuais envolvida em um filme. Realmente impressionante.

The Martian teria custado US$ 108 milhões e faturado, apenas nos Estados Unidos, pouco mais de US$ 227 milhões. No restante do mundo, nos mercados em que a produção já estreou, ele fez pouco mais de US$ 370,5 milhões. Ou seja, até agora, faturou cerca de US$ 597,6 milhões. Nada mal. Um belo lucro, apesar do custo bastante alto.

Os usuários do site IMDb deram a nota 8,1 para esta produção – uma bela avaliação levando em conta o padrão do site. Os críticos que tem os seus textos linkados no Rotten Tomatoes dedicaram 262 textos positivos e 20 negativos para a produção, o que lhe garante uma aprovação de 93% e uma nota média de 7,9. A avaliação dos críticos, para mim, poderia ter sido melhor – especialmente a nota. Mas gostos são gostos, não é mesmo?

Esta é uma coprodução dos Estados Unidos com o Reino Unido.

CONCLUSÃO: Um dos melhores filmes de ficção científica que eu já assisti. Verdade que The Martian tem diversos episódios difíceis de acreditar. Mas é como em filmes de ação. Quem pode exigir que tudo seja verossímil? The Martian tem um grande roteiro, é bem contado e tem um ator esforçado em cena. Há humor inteligente, ação e um certo suspense em cena, além de ótimas sequências de pura ficção científica.

Ainda que seja um filme sobre exploração espacial, ele é, principalmente, uma produção sobre a força do espírito humano e o amor pela ciência. Há nesta produção mais testemunhos sobre o que faz homens e mulheres passarem meses ou anos longe de casa e em situações inóspitas e arriscadas do que em qualquer outro filme. Para mim, foi surpreendente o que The Martian me passou. Uma das surpresas desta reta final para o Oscar.

PALPITES PARA O OSCAR 2016: The Martian é o terceiro filme com o maior número de indicações no prêmio anual da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood. Ele só está atrás de The Revenant (com crítica aqui), indicado em 12 categorias, e de Mad Max: Fury Road (com comentário neste link), indicado em 10.

A produção dirigida por Ridley Scott concorre a Melhor Filme, Melhor Ator (Matt Damon), Melhor Roteiro Adaptado, Melhor Design de Produção, Melhor Mixagem de Som, Melhor Edição de Som e Melhores Efeitos Visuais. Vejamos cada categoria destas. Em Melhor Edição de Som há grandes concorrentes. Vejo que Mad Max: Fury Road e Star Wars: The Force Awakens estão liderando nesta categoria. Ainda que The Martian tenha um grande trabalho aqui. Ainda assim, acho que ele concorre por fora.

Em Melhor Mixagem de Som novamente grandes concorrentes para esta produção. Além de Mad Max: Fury Road e Star Wars: The Force Awakens está na parada Bridge of Spies (com crítica aqui). Ou seja, nesta duas categorias The Martian concorre por fora. Não seria injusto ele ganhar, mas ele teria que derrotar os favoritos. Em Melhor Ator, sem dúvida, Matt Damon tem como grande rival Leonardo DiCaprio – para mim, o favorito. Mas, como sabemos, DiCaprio já mereceu um Oscar antes, mas até agora a Academia o esnobou. Veremos se neste ano ele leva a melhor. De qualquer forma, novamente, não seria injusto Damon levar a estatueta. E falando em esnobada… desta vez quem a Academia esqueceu foi Ridley Scott, que acabou não sendo indicado a Melhor Diretor.

Na categoria Melhor Design de Produção The Martian tem dois grandes rivais: Mad Max: Fury Road e The Revenant. Parada dura. Ainda acho que Mad Max: Fury Road leva vantagem aqui também. Em Melhores Efeitos Visuais, talvez aquela equipe gigantesca que eu cite antes façam The Martian levar a estatueta. Para isso, ele terá que vencer os fortes Mad Max: Fury Road, Star Wars: The Force Awakens e The Revenant. Outra disputa entre gigantes.

Como Melhor Roteiro Adaptado o filme tem alguma chance. De fato o roteiro é um dos pontos fortes de The Martian. Mas o mesmo pode ser dito de Room (comentado neste link) e Carol (com crítica aqui). Francamente, fico em dúvida entre eles, mas acho que meu voto iria para Room. Nesta categoria tudo pode acontecer, há chances para os três – vejo menos possibilidade para The Big Short (com crítica neste link). Brooklyn ainda preciso assistir.

E, finalmente, Melhor Filme. Acho que The Revenant e Spotlight estão na frente de The Martian na disputa. Ainda que não seria injusto o filme levar o caneco. A safra está boa neste ano – talvez a produção mais “fraca” na disputa seja Bridge of Spies. Todos os outros, de fato, são muito bem acabados – ainda que Mad Max: Fury Road não tenha “feito a minha cabeça”, ele é muito bem acabado. Será um Oscar interessante de ser assistido.

ADENDO (18/01): Pensei melhor e achei que dar um 10 para o filme seria um pouco de exagero. Por isso reduzi a nota um bocadinho. 😉 De qualquer forma, é uma bela produção. Uma das melhores sobre exploração do espaço que eu já assisti.

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Globo de Ouro 2016

E o Globo de Ouro foi para… (cobertura online e todos os premiados)

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Saudações queridos leitores e leitoras deste blog.

Como vocês bem sabem, tenho como tradição acompanhar todos os anos a entrega do Oscar, prêmio máximo da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood. Desde que eu estreei o blog, em agosto de 2007, apenas em 2010 eu fiz uma experiência de cobertura do Globo de Ouro – pelo blog e, especialmente, pelo Twitter (veja como foi por aqui).

Mas desta vez resolvi acompanhar também a premiação menos badalada mas, todos dizem, mais divertida do Golden Globes (Globo de Ouro), entregue todos os anos pela Associação de Imprensa Estrangeira de Hollywood. Diferente do Oscar, concentrado apenas na indústria do cinema, o Globo de Ouro tem algumas categorias do cinema e outras da TV norte-americana.

A transmissão do tapete vermelho está sendo feita pelo canal E! Entertainment e também pelo site do Globo de Ouro. Confira aqui o que está acontecendo antes da premiação começar.

O Globo de Ouro sempre antecede a entrega do Oscar em mais de um mês. Para quem acompanha a premiação da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood, ele é mais um termômetro para o maior reconhecimento do cinema dos Estados Unidos. Algumas vezes há coincidência entre os premiados, mas isso não acontece sempre.

No ano passado, por exemplo, enquanto o Globo de Ouro premiou Boyhood como Melhor Filme – Drama, o Oscar consagrou Birdman. Entre os atores, houve coincidência entre as duas premiações: tanto no Globo de Ouro quanto no Oscar ganharam a disputa principal Eddie Redmayne e Julianne Moore. O mesmo aconteceu nas categorias de coadjuvante, com J.K. Simmons e Patricia Arquette levando as estatuetas das duas premiações. Na categoria Melhor Diretor, novamente, não houve coincidência entre Oscar e Globo de Ouro: enquanto no primeiro o vencedor foi Alejandro González Iñarritu, no segundo o premiado foi Richard Linklater.

Isso comprova que o Oscar não repete o Globo de Ouro sempre, mas que há muitas coincidências entre as duas premiações. Por isso mesmo é interessante acompanhar o Globo de Ouro – eu mesma tenho utilizado a lista de indicados da premiação para me guiar na escolha dos filmes para assistir pensando no Oscar.

Tenho achado o tapete vermelho do site oficial do Golden Globes o mais interessante até agora. Afinal, ali o áudio está aberto, no melhor estilo “bastidores reais”. Tem uma figura que deve estar fotografando que sempre pede com a sua voz fina e um pouco esganiçada para os astros e estrelas virarem para a direita. Divertido!

Entre os astros e estrelas que apareceram no tapete vermelho até agora, gostei de Brie Larson com um vestido longo dourado. Ela está ótima em Room e, francamente, estou torcendo por ela hoje à noite. Ainda que, claro, Cate Blanchett levar a estatueta não seria uma injustiça. A interpretação de Saoirse Ronan ainda não vi para opinar a respeito. Na entrevista no E! ela disse que estava vestindo um Calvin Klein feito especialmente para ela. Linda.

Como era esperado, a cobertura do canal TNT começou as 22h. Ainda com o tapete vermelho. Will Smith, indicado como Melhor Ator – Drama por Concussion, comentou que é importante ser indicado por um filme que tem uma mensagem. Taraji P. Henson, da série Empire, fala sobre a importância de estar no Globo de Ouro, uma premiação com projeção internacional. Ela usava um vestido Stella McCartney.

Em seguida apareceu em cena a maravilhosa Helen Mirren, que acumula 14 indicações no Globo de Ouro. Neste ano ela concorre como Atriz Coadjuvante por Trumbo – filme que tem ainda o genial Bryan Cranston no elenco. Estou curiosa para vê-lo. Alicia Vikander, indicada em duas categorias do Globo de Ouro, aparece na sequência. Estou curiosa para ver o desempenho dela em The Danish Girl – aonde ela contracena com Eddie Redmayne.

O Globo de Ouro 2016 será apresentado por Ricky Gervais, um grande ator, roteirista e produtor. Responsável pela genial série de TV The Office, estou confiante que ele se sairá bem na apresentação de hoje.

No tapete vermelho, o superastro Harrison Ford. Ele diz que está muito agradecido pelo sucesso do último Star Wars. Ele vai entregar a homenagem do Globo de Ouro para outro ator de grande peso: Denzel Washington. Gostei, em especial, do brinquinho prateado que ele usava em uma das orelhas. Estiloso.

Depois de Jennifer Lopez aparecer em cena em um vestido colado amarelo, temos o prazer de ver Eddie Redmayne. Eleito o homem mais bem vestido da Inglaterra, ele está muito bem vestido nesta noite. Ano passado, como eu comentei, Redmayne ganhou como Melhor Ator no Globo de Ouro e no Oscar e, este ano, está concorrente novamente como Melhor Ator – Drama por The Danish Girl.

A premiação propriamente dita vai começar as 23h. Até lá, overdose de tapete vermelho. 😉

Sylvester Stallone com a esposa e suas três filhas Ele está indicado a Melhor Ator Coadjuvante. Incrível. Em seguida aparece outra veterana: Jane Fonda. Linda, super elegante e interessante, Jennifer Lawrence aparece em cena. Ela está indicada como Melhor Atriz – Musical ou Comédia por Joy. Estou curiosa para assistir a este filme também.

E agora em cena Leonardo DiCaprio, bem cotado para ganhar como Melhor Ator – Drama por The Revenant. Ele está cada vez melhor em seus papéis. Sobre o filme, ele comenta que sabia que enfrentaria dificuldades para fazer o papel, mas que tudo transcorreu bem e que eles estão contentes com o desempenho da produção nas bilheterias. The Revenant estourou nas bilheterias dos Estados Unidos, fazendo cerca de US$ 38 milhões na última semana.

Denzel Washington, que vai ganhar o prêmio Cecil B. DeMille neste Globo de Ouro, comenta que é uma honra receber este reconhecimento e mostra o papel em que anotou nomes que ele não quer esquecer de agradecer. Ele é, sem dúvida, um dos meus atores preferidos de todos os tempos. Merecido ganhar este e qualquer outro prêmio.

Algo interessante do tapete vermelho do Globo de Ouro é que os astros e estrelas aparecem com os seus acompanhantes, na maioria das vezes as suas famílias. Algo bacana de se ver.

A supertalentosa Rooney Mara, fantástica em Carol, aparece em cena. Ela diz que está muito orgulhosa de ter sido indicada junto com Cate Blanchett. Ela diz que não está pensando propriamente na premiação, mas que está orgulhosa pelo filme e por todos que trabalharam nele. Fofa!

Kirsten Dunst, em um vestido um tanto estranho, comenta que para ela é igual fazer TV ou cinema, porque para um ator o importante é estar envolvido em grandes produções. Ela tem razão. Há diversos anos a TV americana, inglesa e de outros países tem apresentado produções tão ou mais interessantes do que os cinemas de seus países. Sem ser entrevistada, mas apareceu em cena rapidamente Cate Blanchett, lindíssima. Torço por ela sempre – ainda que, admita, há outras atrizes ótimas concorrendo com ela este ano.

O Globo de Ouro 2016 entregará prêmios em 25 categorias. O filme mais indicado é Carol, com cinco chances de ganhar esta noite. Em segundo lugar, empatados com quatro chances, estão The Big Short, The Revenant e Steve Jobs. Pontualmente as 23h começou a cerimônia de premiação.

Ricky Gervais começou interpretando a persona de “mal-criado” e mandando todos calarem a boca. Ele disse que faria um monólogo e depois desapareceria. Em seguida, tomou um belo gole de um chope. Entre as piadas, brincou que a rede que estava transmitindo a premiação não tinha sido indicada em nada e por isso era imparcial. Em seguida, brincou que seria legal e nada ofensivo, diferente de anos anteriores.

Algumas piadas dele foram boas, mas muitas, cá entre nós, beeeeem sem graça. Só bebendo como boa parte da plateia para achar engraçado. Exemplo: de que a Igreja Católica odiou Spotlight, enquanto Roman Polanski achou este um dos melhores filmes já feitos. Em seguida ele falou dos principais indicados. Nada demais.

katewinslet1Na primeira entrega da noite, Kate Winslet ganhou como Melhor Atriz Coadjuvante no Cinema. Ela ganhou por Steve Jobs. Interessante. Adoro ela. Em seu agradecimento, ela disse que estava completamente surpresa e maravilhada pelo prêmio. Em seguida, homenageou as mulheres, dizendo que elas tiveram ótimos papéis no ano. Kate Winslet sempre merece um prêmio. Na sequência ela diz que Michael Fassbender é uma lenda e que assistiria ele sem cansar sempre, além de dizer que ele estabeleceu um padrão muito alto para todos. Mega talentosa e simpática. E verdadeiramente surpresa pelo prêmio.

A segunda entrega da noite foi para Melhor Atriz Coadjuvante em Série de TV. E o Globo de Ouro foi para Maura Tierney por The Affair. Ouvi falar muito bem desta série, mas ainda não a assisti. Fiquei curiosa. Ainda assim, pena Joanne Froggatt não ter ganho – afinal, ela se despediu de Downton Abbey. Gosto de Maura Tierney. É uma atriz muito talentosa, sem dúvida. Agora resta assistir a The Affair. Ela agradeceu principalmente ao elenco e aos familiares.

Até agora gostei da dinâmica do Golden Globes. Fora a introdução meio xarope do Gervais, as entregas são agilizadas e bem diretas. Isso é bom.

Depois do intervalo, a entrega de Melhor Atriz em Série de TV – Musical ou Comédia. Quem ganhou foi Rachel Bloom de Crazy Ex-Girlfriend. Me desculpem a ignorância, mas nunca tinha ouvido falar da série. Bloom disse que a série quase não aconteceu porque o piloto foi rejeitado por quase todos, inclusive seis vezes no mesmo dia. Ela agradece a quem permitiu que a série acontecesse.

Na sequência foi entregue o prêmio para Melhor Série da TV – Musical e Comédia. E o vencedor veio da Amazon: Mozart in the Jungle. Bacana ver uma outra produtora de séries ganhar uma premiação como esta. Agora, sem dúvida, tenho que me atualizar com as séries – ainda que musicais não sejam o meu forte.

A linda e talentosa Viola Davis apareceu na sequência para apresentar cenas de Carol, um belo filme e que foi o mais indicado da noite.

Após o intervalo, Ricky Gervais voltou à cena. Ele disse que o Globo de Ouro não tem uma seção para os falecidos do ano para deixar a todos deprimido mas que, no lugar disso, há um discurso com o presidente da Associação de Imprensa Estrangeira de Hollywood.

Na sequência, Matt Damon apresenta ao filme The Martian, que ele estrela e é dirigido por Ridley Scott. A entrega seguinte foi para Melhor Telessérie ou Telefilme. E o prêmio foi para Wolf Hall, do canal inglês PBS. Não conheço a série, mas gostei de ver o ator Damian Lewis no grupo de premiados pela série. O produtor da série agradeceu a BBC e disse que sem ela produções como Wolf Hall não existiriam. E pediu para o governo inglês seguir apostando na TV.

O premiado na categoria Melhor Ator em Minissérie ou Telefilme foi Oscar Isaac de Show Me a Hero. Isaac foi rápido nos agradecimentos, basicamente homenageando pessoas da equipe da série. A premiação do Golden Globes é mais rápida que a do Oscar mas, francamente, até agora, achei mais sem graça. É mais direta, objetiva, mas ainda prefiro as “firulas” e o espetáculo do Oscar. Mas ok, é bom acompanhar tudo.

Na volta do intervalo, os espectadores são apresentados a Spy, indicado a Melhor Filme – Musical ou Comédia. Lady Gaga e Tom Ford entraram na sequência para apresentar a categoria Melhor Ator Coadjuvante em Minissérie, Telessérie ou Filme para a TV. E o vencedor foi Christian Slater por Mr. Robot. Estou louca para ver a essa série, aliás. Muito elogiada. Slater diz que é uma honra receber o prêmio e agradece ao roteirista de Mr. Robot por criar um personagem tão bom. Ele agradeceu também a esposa e Hollywood por permitir que ele possa fazer o que ele ama.

Na sequência foi entregue o Globo de Ouro por Melhor Trilha Sonora Original para o genial veterano Ennio Morricone, autor da trilha de The Hateful Eight. Quem recebeu o prêmio por ele foi Quentin Tarantino, diretor e roteirista do filme. Ele comenta que Morricone está na mesma categoria de Mozart e Schubert e que, até então, ele nunca tinha ganho um prêmio por suas trilhas nos Estados Unidos – apenas na Itália. Ele agradece muito a Morricone e a sua esposa. Figura! E Morricone, sem dúvida, é um dos grandes do cinema. Merece não apenas esse prêmio, mas qualquer outro de trilha sonora. Ele é um mito na área.

jonhamm1Gervais retorna para tirar um sarro de Donald Trump, que quer deportar estrangeiros. Em seguida aparecem as atrizes America Ferrera e Eva Longoria para apresentar a categoria Melhor Ator de Série de TV – Drama. E ganha o prêmio Jon Hamm, de Mad Men. Nesta categoria estava concorrendo o brasileiro Wagner Moura. Francamente Hamm merece o prêmio, especialmente pela despedida de Mad Men. Uma série que demorei um pouco para assistir mas que, de fato, é muito bem acabada. Hamm diz que não esperava receber o prêmio e agradece a todas as pessoas que permitiram que a série fosse realizada por tanto tempo. Francamente ele não era o favorito para a categoria, mas foi bacana terminar Mad Men com ele recebendo mais esse prêmio.

Mais um intervalo e, na volta, Gervais aparece para chamar as “grandes amigas” Jennifer Lawrence e Amy Schumer – a primeira de Joy e a segunda de Trainwreck. As atrizes apareceram para apresentar os vídeos de seus filmes – elas disputam entre si na categoria Melhor Atriz – Musical ou Comédia. Não sei, mas as piadas da noite estão difíceis. Ainda bem que os astros e estrelas em cena não precisam destes momentos para ganhar a vida.

Na sequência, Amy Adams apresenta a categoria Melhor Ator em Filme – Musical ou Comédia. E o ganhador foi… Matt Damon, por The Martian. Ele agradeceu pelo prêmio e mandou uma mensagem para os filhos. Damon pediu para eles irem para a cama e homenageou a esposa. Ele lembrou que começou a carreira há 18 anos e que teve muita sorte de ter feito The Martian com Ridley Scott. Até aonde eu acompanhei a vitória de Damon era mais que esperada. Não vi ao filme ainda, mas desconfio que ele esteja muito bem – afinal, temos Ridley Scott na direção.

Na volta dos comerciais, vence a categoria Melhor Filme de Animação a produção Inside Out, da Pixar e da Walt Disney. Favoritíssimo desta noite e também do Oscar. Perdi ele nos cinemas, mas quero assisti-lo em breve. Sucesso de público e crítica, sem dúvida.

Os atores Ryan Gosling e Brad Pitt entram em cena para uma das trocas mais interessantes até agora. Gosling brinca que tinham dito para ele que ele iria apresentar sozinho o vencedor… e na verdade nem é uma categoria. Eles subiram ao palco para apresentar The Big Short, concorrente na categoria Melhor Filme – Musical ou Comédia.

Os vencedores do ano passado Patricia Arquette e J.K. Simmons apresentam a categoria Melhor Ator Coadjuvante em Filme. E o prêmio foi para Sylvester Stallone. Primeira entrega que foi aplaudido pela plateia de pé. Stallone agradece a todos e diz que a última vez que ele esteve ali foi em 1977, e que agora tudo é diferente. Ele disse se considerar uma pessoa com sorte e agrade a muita gente, da mulher até o produtor de Creed. No final, ele agradece ao amigo imaginário Rocky Balboa, o “melhor amigo” que ele jamais teve. Interessante ver Stallone sendo reconhecido. Mas surpresa mesmo seria isso se repetir no Oscar. 😉

No retorno do intervalo, Mark Wahlberg e Will Farrell entram com óculos coloridos de 2016 para apresentar a categoria Melhor Roteiro. Farrell pede silêncio completo e enrola por um bom tempo antes do vencedor ser anunciado. E o Globo de Ouro como Melhor Roteiro foi para Aaron Sorkin por Steve Jobs. Para mim, francamente, foi uma grande surpresa. Ainda que ele seja um grande roteirista, eu esperava outro resultado. Sorkin diz que francamente não imagina que poderia ganhar. Nos agradecimentos ele homenageia a Danny Boyle e a todos do elenco.

Na sequência, o Globo de Ouro de Melhor Ator em Série de TV – Musical ou Comédia foi para Gael García Bernal por Mozart in the Jungle. Bacana. Um grande ator e que merece ser reconhecido. Não vi a série e aos demais concorrentes para saber se ele mereceu, mas foi legal vê-lo tão emocionado sobre o palco. Muito humilde. Agradeceu a toda a equipe da série, como é de praxe, e dedicou o prêmio para a música. Curti. Até porque cinema e música são as minhas grandes paixões – além do jornalismo, é claro.

sonofsaul1Mais um intervalo. No retorno, Helen Mirren e Gerard Butler apresentam a categoria de Melhor Filme em Língua Estrangeira. Eles brincam que para quem não os assiste, é possível ler as produções porque eles tem legenda. Visível piada com o fato dos americanos raramente verem filmes de fora do país. E o vencedor foi… Son of Saul. Mirren pediu palmas para os vencedores porque, segundo ela, esta foi a primeira vez que um filme da Hungria foi premiado. O diretor László Nemes agradece a todos que ajudaram o filme a ser realizado e comentou, no final, como o Holocausto jamais será esquecido. Tudo indica que Son of Saul será o favorito do Oscar também.

Na sequência vieram as indicadas na categoria Melhor Atriz em Minissérie, Telessérie ou Filme para a TV. E o Globo de Ouro foi para Lady Gaga por American Horror Story: Hotel. Uau! Lady Gaga ganhando um Globo de Ouro vai me fazer assistir a essa última edição da série. Na ida para o palco, Leonardo DiCaprio rindo muito. Não sei se dela ou de alguma piada paralela. 😉 Gaga comentou que se sente como a Cher e considerou esse um dos grandes momentos de sua vida. Isso Madonna não conseguiu. Gaga agradeceu genericamente a todas as pessoas do elenco que fizeram ela brilhar. Também disse que antes de ser cantora ela queria ser atriz. Demorando muito no discurso, subiu a música para interrompê-la. Visivelmente surpresa.

Francamente, até agora, me surpreenderam os prêmios para Steve Jobs e para Sylvester Stallone, falando de cinema. O primeiro caso pode render indicações para o Oscar, mas Stallone acho difícil ganhar no prêmio da Academia. Entre os premiados da TV, acho que não dá para ignorar os prêmios de Mozart in the Jungle. Fiquei com vontade de assistir a série. E o paralelo de Stallone na noite talvez seja Gaga – que me fez querer assistir ao último American Horror Story.

Após mais um intervalo, Kate Perry sobe ao palco para apresentar a categoria Melhor Canção Original em Filme. E a vencedora foi Writing’s on the Wall, do filme Spectre, escrita por Sam Smith e Jimmy Napes. Realmente grande fase do Sr. Sam Smith. Ele agradece a todos os envolvidos na produção, enquanto Napes afirma que foi um sonho ter escrito uma música para um filme de James Bond.

Ricky Gervais, que eu já achei que tinha se enterrado em um barril de chope, volta para falar sobre a relação dele com a emissora de TV. Faz referência a anos anteriores em que ele fez apresentações polêmicas. Tira sarro de figuras da platéia e chama Mel Gibson para subir ao palco. Gervais tira sarro de Gibson por causa da bebida, e Gibson responde que é bom revê-lo a cada três anos porque o encontro lhe recorda que ele tem que fazer uma endoscopia. Gibson com aquela cara clássica de louco apresenta o clipe de Mad Max: Fury Road.

Em seguida, aparecem os indicados na categoria Melhor Série de TV – Drama. E o Globo de Ouro foi para… Mr. Robot. Era previsto mas, mesmo assim, sempre vou torcer por Game of Thrones. Com mais esse prêmio para a série fiquei ainda mais com vontade de assisti-la. Para vocês que conhecem todas as séries que concorreram nesta categoria (a saber: Empire, Narcos e Outlander além de Game of Thrones), Mr. Robot realmente mereceu? O diretor Sam Esmail agradece a todos os envolvidos na série, especialmente ao elenco, cumprimenta a noiva Emmy Rossum e manda um recado para o seu pessoal na Índia. Bacana ver alguém como ele, que tem as bases fora dos Estados Unidos, fazendo referência para as suas origens.

Na volta de mais um intervalo, Tom Hanks brinca a respeito do resfriado que ele tem e também com Denzel Washington. Ele fala sobre os grandes atores que marcaram as suas épocas, destes atores que não podem ser copiados mas, no máximo, imitados. E que isso não lhes trará frutos. Atrizes e atores deste naipe são conhecidos apenas por um nome. Ele cita vários, e comenta que um deles é o homenageado da noite. Hanks diz que Denzel Washington deixou um legado honrado, superlativo, e que ele se iguala a qualquer outro da história do cinema que virou referência de uma época.

Bacana o trailer com um resumo do trabalho de Denzel neste tempo todo de carreira. Hanks chama o colega para o palco e ele é aplaudido pela plateia de pé. Não tinha como ser diferente. Um ator que merece ser ovacionado é ele, sem dúvida. Denzel subiu ao lado da mulher e de um dos filhos e chamou o restante da família antes de discursar. Mas lembrou que um dos filhos, cineasta, estava ausente porque está fazendo a sua tese. Ele agradeceu pelo prêmio e pela imprensa estrangeira por ter acompanhado a carreira dele por tanto tempo. Entre os agradecimentos, destaca o primeiro agente que ele teve; a mãe por ter convencido o pai a comprar lâmpadas mais fortes ao invés de economizar em energia; e agradeceu à família antes de pedir que Deus abençoe a todos.

Mais um intervalo – falha de memória minha ou o Oscar não tem tantas paradas assim? Enfim… No retorno, Chris Evans apresentou o vídeo de Spotlight, indicado a Melhor Filme de Cinema – Drama. Ricky Gervais volta para chamar ao palco Morgan Freeman. O grande ator sobre ao palco para apresentar os indicados a Melhor Diretor em Filme. E o vencedor foi… Alejandro González Iñarritu por The Revenant. Francamente? Eu já esperava. Ele realmente faz mais um grande, grande trabalho com o filme estrelado por Leonardo DiCaprio. Iñarritu diz que todo filme é difícil de ser feito, mas que ainda assim o ano em que ele fez The Revenant foi o mais difícil que ele teve. O diretor relembra o que todos da sala sabem: que dor é temporária, mas que um filme é para sempre. Iñarritu também agradece a todos os produtores e aos estúdios envolvidos. Finalizou agradecendo, em especial, o elenco, chamando DiCaprio de herói e do grande responsável por essa que foi a sua grande experiência como diretor.

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Correndo contra o tempo, apresentaram a categoria Melhor Atriz em Série de TV – Drama. E o Globo de Ouro foi para Taraji P. Henson, de Empire. Não assisti a essa série ainda, mas sei que ela virou um fenômeno nos Estados Unidos. Agora, mais que antes, fiquei curiosa para assisti-la. Henson ganhar de Viola Davis e Robin Wright é porque seu trabalho tem que ser incrível. Quiseram interromper o discurso dela, mas ela pediu para darem mais tempo porque ela esperou 20 anos por isso. Entre os agradecimentos, os especiais foram para o elenco e a equipe.

Logo após mais um intervalo, Michael Keaton sobe ao palco para relacionar as indicadas na categoria Melhor Atriz em Filme – Musical ou Comédia. E o Globo de Ouro foi para Jennifer Lawrence por Joy. Hollywood realmente gosta dela. Se é o melhor desempenho entre as concorrente eu não sei porque, francamente, não assisti a nenhum dos filmes concorrentes. Lawrence agradece pelo prêmio e, em especial, pelo trabalho do diretor David O. Russell, elogiando o fato dele fazer cinema porque ele ama e não pelo que os outros possam falar de seus filmes.

Na sequência, Maggie Gyllenhaal sobe ao palco para apresentar a mais um concorrente na categoria Melhor Filme de Cinema – Drama, o maravilhoso Room. E depois, mais um dos intermináaaaaaveis intervalos da premiação.

No retorno, o talentoso e querido ator Tobey Maguire apresenta o vídeo do filme The Revenant, que está concorrendo na categoria Melhor Filme de Cinema – Drama. Na sequência, Jim Carrey tira sarro sobre ter sido premiado no Golden Globe e sobre o que ele sonha, que é ganhar mais um prêmio deles. Ele brinca de como o Globo de Ouro é importante e apresenta os indicados a Melhor Filme em Cinema – Musical ou Comédia. E o vencedor foi… The Martian. Ridley Scott caminha para o palco e é aplaudido de pé pela plateia.

Ele agradece pelo prêmio e brinca que achou que ganharia um Globo de Ouro após a sua morte. Ele faz uma menção muito bacana sobre os outros filmes concorrentes e que acha que fez um bom filme. Citou o sucesso de Star Wars, antes de homenagear o roteirista, Matt Damon e todas as pessoas que fizeram parte do projeto. Mesmo ele sendo Ridley Scott, não se furtaram de colocar a música para pressioná-lo a parar de falar. Ele tinha uma boa lista para falar e foi até o final dela. Ridley Scott é gênio e sempre merece ser reconhecido. Mas é preciso assistir aos concorrentes para ter certeza se foi justo.

Após mais um intervalo, Ricky Gervais retorna para chamar ao palco Eddie Redmayne. Esse ator supertalentoso aparece para listar as indicadas na categoria Melhor Atriz em Cinema – Drama. E o Globo de Ouro foi para… Brie Larson, do filme Room. Que legal! Ela pode até não ganhar ao Oscar, mas pelo menos levou o Globo de Ouro. Ela está ótima no filme. Larson agradece pelo prêmio e diz que foi um prazer conhecer as pessoas da associação de imprensa. Os agradecimentos dela começam pela roteirista de Room e segue pelas demais pessoas da produção, dizendo que metade do prêmio é também de Jacob Tremblay. Ela tem razão. Os dois dividem os méritos igualmente.

Rapidinho, porque o prêmio parece estar atrasado, sobe ao palco Julianne Moore para apresentar os indicados na categoria Melhor Ator em Cinema – Drama. E o Globo de Ouro foi para… Leonardo DiCaprio, por The Revenant. Bola bem cantada, diga-se. Ele é aplaudido por toda a plateia de pé. DiCaprio agradece ao prêmio e comenta que é uma honra ser premiado com tantos ótimos atores concorrendo na mesma categoria. Ele homenageia Iñarritu, por sua visão e direção precisa. Complementa dizendo que ele nunca teve uma experiência como essa em sua vida, e agradece ao restante do elenco, assim como ao técnico de maquiagem que fez parte de The Revenant. DiCaprio ainda agradeceu a sua equipe, seus pais, seus amigos e terminou homenageando aos indígenas, dizendo que eles devem lutar por manterem as suas terras livres dos exploradores.

Mais um intervalo e, depois dele, a última categoria do Globo de Ouro 2016: Melhor Filme de Cinema – Drama. Até o momento, os grandes derrotados da noite foram, nesta ordem, Carol e The Big Short. Finalizando a premiação, Harrison Ford subiu ao palco para apresentar os finalistas da categoria. E o Globo de Ouro foi para… The Revenant. Iñarritu sobre ao palco mais uma vez e termina de listar os nomes que precisavam ser agradecidos, dando destaque, entre outros, aos nativos dos Estados Unidos. Sem dúvida The Revenant é um filme muito bem feito, mas não achei, até o momento, o melhor do ano. Tenho outras preferência. E ganhar o Globo de Ouro é uma coisa, o Oscar é outra. Logo veremos o que vai acontecer na premiação da Academia.

Finalizada a entrega do Globo de Ouro, dá para dizer que o grande premiado da noite foi The Revenant, vencedor em três categorias, seguido de Steve Jobs e de The Martian que ganharam em duas categorias. Francamente acho que o Oscar não vai repetir todos os premiados, mas se o repeteco entre os atores for repetido, ficarei feliz – Leonardo DiCaprio e Brie Larson merecem ganhar.

Resumindo a noite, os premiados no Globo de Ouro 2016 foram os seguintes:

  • Melhor Atriz Coadjuvante em Cinema: Kate Winslet por Steve Jobs
  • Melhor Atriz Coadjuvante em Série de TV: Maura Tierney por The Affair
  • Melhor Atriz em Série de TV – Musical ou Comédia: Rachel Bloom por Crazy Ex-Girlfriend
  • Melhor Série de TV – Musical ou Comédia: Mozart in the Jungle
  • Melhor Minissérie ou Filme feito para a TV: Wolf Hall
  • Melhor Ator em Minissérie ou Filme feito para a TV: Oscar Isaac por Show Me a Hero
  • Melhor Ator Coadjuvante por Série de TV: Christian Slater por Mr. Robot
  • Melhor Trilha Sonora Original: Ennio Morricone por The Hateful Eight
  • Melhor Ator em Série de TV – Drama: Jon Hamm por Mad Men
  • Melhor Ator de Cinema – Musical ou Comédia: Matt Damon por The Martian
  • Melhor Filme de Animação: Inside Out
  • Melhor Ator Coadjuvante em Cinema: Sylvester Stallone por Creed
  • Melhor Roteiro: Aaron Sorkin por Steve Jobs
  • Melhor Ator em Série de TV – Musical ou Comédia: Gael García Bernal por Mozart in the Jungle
  • Melhor Filme em Língua Estrangeira: Son of Saul
  • Melhor Atriz em Minissérie ou Filme para a TV: Lady Gaga por American Horror Story: Hotel
  • Melhor Canção Original: Writing’s on the Wall de Spectre
  • Melhor Série de TV – Drama: Mr. Robot
  • Melhor Diretor de Cinema: Alejandro González Iñarritu por The Revenant
  • Melhor Atriz de Série de TV – Drama: Taraji P. Henson por Empire
  • Melhor Atriz de Cinema – Musical ou Comédia: Jennifer Lawrence por Joy
  • Melhor Filme – Musical ou Comédia: The Martian
  • Melhor Atriz de Cinema – Drama: Brie Larson por Room
  • Melhor Ator de Cinema – Drama: Leonardo DiCaprio por The Revenant
  • Melhor Filme – Drama: The Revenant

Muito obrigada a você que acompanhou essa cobertura online do Globo de Ouro. Agora, vamos correr para assistir aos filmes que devem chegar ao Oscar 2016 e acompanhar, no final da manhã desta quinta-feira, a lista dos indicados para a premiação deste ano. Abraços!

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Elysium

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Eis mais uma obra de um cineasta multicultural e que gosta de utilizar diferentes referências em sua obra. E o melhor: com dois ótimos desempenhos de atores brasileiros. Elysium é mais uma demonstração do talento do diretor e roteirista Neill Blomkamp que reforça nesta nova produção o estilo de cinema moderno e com preocupação social que tínhamos visto antes em District 9. Novamente o espectador tem aqui uma história futurística, mas que trata de desigualdades sociais, segregação e a busca pela sobrevivência. Mas com alguns toques diferentes.

A HISTÓRIA: Lixões e favelas por todos os lados. No final do século 21, a Terra sofre com o excesso de poluição e de habitantes. Cenas gerais de Los Angeles mostram prédios em decadência acentuada, como frutas em decomposição. Fora da Terra, vista do alto com aquela bela imagem tradicional, os ricos mantêm o padrão de vida em um complexo de alta tecnologia chamado Elysium. Lá não existe poluição e nem superpopulação.

Na Terra, o garoto Max (Maxwell Perry Cotton quando criança, Matt Damon na vida adulta) olha para Elysium e sonha com o dia em que poderá levar Frey (Valentina Giron quando criança, Alice Braga na vida adulta) para lá. No futuro, na Los Angeles de 2154, Max tenta levar uma vida regrada, enquanto cumpre liberdade condicional, mas após um acidente no trabalho, ele empreende uma cruzada para tentar furar o bloqueio de Elysium e buscar a cura por lá.

VOLTANDO À CRÍTICA (SPOILER – aviso aos navegantes que boa parte do texto à seguir conta momentos importantes do filme, por isso só recomendo que continue a ler quem já assistiu a Elysium): Quem assistiu a District 9 (comentado aqui no blog) vai encontrar muitos elementos em comum em Elysium. Para começar, o ambiente futurista. Depois, a crítica nas entrelinhas para a desigualdade social que vivemos atualmente, só que potencializada com o passar do tempo. Novamente o diretor Neill Blomkamp não coloca as suas fichas em um futuro cheio de esperança para a Humanidade.

Pelo contrário. Ele acredita na filosofia popularizada por Thomas Hobbes de que o homem é o lobo do homem. Novamente a pobreza e a degradação viraram paisagem costumeira nas grandes cidades. Só que diferente de District 9, os guetos futuristas dividem as pessoas em diferentes órbitas. Enquanto os ricos vivem no paraíso com vistas para o azul da Terra e para o infinito do restante da nossa galáxia, os demais humanos se lascam por aqui mesmo, sofrendo com doenças cada vez mais frequentes causadas pela escassez de recursos e pela poluição.

E aí surge o primeiro questionamento sobre Elysium: por que cargas d’água os ricos resolveram fazer o seu oasis particular tão perto da Terra, tornando-se alvos relativamente fáceis a ataques dos terráqueos “pobretões”? A resposta passa pelo estilo de vida que os ricos parecem ter assumido em Elysium. Lá, todos vivem “na gaita” o tempo todo. Pelo menos é o que o roteiro de Blomkamp sugere.

Há alguns homens de negócios, mas as empresas deles, como a Armadyne, de John Carlyle (William Fichtner), funcionam na Terra, explorando uma mão de obra barata. Alguém precisa fabricar os robôs que fazem o trabalho pesado em Elysium e na Terra, e estas pessoas só podem ser os pobretões que não tem dinheiro para pagar pela tecnologia que promete resolver todos os problemas de saúde na estação futurista que orbita próxima da Terra.

Impossível não lembrar de The Terminator, um clássico do gênero, e pensar que mais eficaz que fazer missões para invadir Elysium, sendo que a maioria acabava em naves destruídas, seria promover uma rebelião contra as máquinas e os humanos que estavam por trás delas na Terra, não? Elysium funciona bem enquanto está acontecendo, porque o filme não para. A ação planejada por Blomkamp impede que o espectador pense nos detalhes sobre o que está vendo.

Claro que durante o filme eu já achei estranha aquela escolha de local para Elysium, assim como a lógica do revolucionário Spider (Wagner Moura), que queria que todas as pessoas na Terra tivessem os mesmos direitos que os ricaços de Elysium. A proposta é idealista e inviável, evidentemente. E isso você consegue pensar durante o filme. Mas quando ele termina, muitos outros questionamentos surgem. Mas afinal, por que a ideologia de Spider, apesar de bonita, é inviável e absurda?

Porque de acordo com o roteiro de Blomkamp, os ricaços de Elysium tem a seu dispor tecnologia que cura todas as doenças e, assim, dá “vida eterna” para quem pode pagar por isso. (SPOILER – não leia se você não assistiu ao filme). Certo. E o que acontece quando esse tratamento é dado para todas as pessoas? Bem, segundo a introdução do filme, a Terra já está superpovoada. Agora, imagine as pessoas parando de morrer? O mundo seria totalmente inviável. Não teria cópias de Elysium suficientes para abrigar esta lógica um bocado pueril.

Claro que há um razão de ser para o diretor e roteirista tocar neste ponto das possíveis desigualdades sociais. Ele foca na segregação das pessoas que tem diferentes formas de conseguir assistência à saúde quando elas precisam porque este é um filme feito em Hollywood. Nada melhor que ambientar a produção em Los Angeles, uma das principais cidades do país onde a saúde é um caso sério, difícil de ser resolvido, e que virou tema de batalha quase campal nos últimos três anos. Barack Obama foi eleito prometendo mudanças sérias no sistema de saúde dos Estados Unidos.

O chamado Obamacare dividiu o país em profundos debates. Elysium roça neste assunto que é importante para qualquer país, independente do sistema de saúde adotado. Vide o Brasil, que funciona com outra lógica, e onde a assistência médica é complicada da sua própria maneira. Igualmente criticada e alvo de polêmica, como o recente programa Mais Médicos.

Bueno, explicado o contexto da ficção, o importante é que a vontade do diretor e roteirista em deixar a fantasia com uma corrente amarrada na realidade segue forte. Para o meu gosto, vejo como importante um cineasta definir um estilo de fazer filmes e manter-se coerente com ele. Neste sentido, Elysium tem boas intenções.

Apesar desta assistência médica perfeita inviável que é o alvo principal dos personagens centrais do filme, a produção tem um bom ritmo, efeitos especiais de primeira, uma boa condução da história e, o que de fato nos interessa, ótimas atuações. Os brasileiros – e não quero ser preconceituosa com o comentário, mas o passado alguma vezes nos condena – desta vez fazem um belo trabalho. Wagner Moura e Alice Braga tem papéis de destaque na produção.

Diferente de outros filmes em que tivemos a paixão verde-e-amarela de pontas erroneamente inflada, neste caso realmente há protagonismo de conterrâneos em um filmão de Hollywood. Eles, assim como o amigo de Max, Julio, vivido pelo sempre ótimo Diego Luna, fazem interpretações convincentes.

Mesmo Wagner Moura afirmando em uma entrevista para a Folha de S. Paulo recente de que prefere exagerar nos personagens, apostando no estilo “axé acting”, do que fazendo interpretações abaixo do tom, achei o trabalho do brasileiro exatamente no nível adequado. Convenhamos que o personagem dele é naturalmente exagerado, porque vive sempre pisando na linha tênue entre o vilão e o herói. Aquele que busca uma saída honrosa para todo mundo e que, ao mesmo tempo, explora muita gente.

Natural que a atitude dele em cena tenha que ser exagerada em alguns momentos – mas totalmente dentro do esperado para o personagem. Alice Braga também está muito bem. Apesar de ser a “mocinha” da produção, contudo, ele é uma das personagens que menos aparece. E, assim como quase todos os outros, tem pouco de sua história aprofundada. Em um filme em que a ação, as perseguições e o velho jogo-do-gato-correndo-atrás-do-rato acabam sendo o miolo da história, sobra pouco espaço para aprofundar a história dos personagens. Senti um pouco de falta disso.

Ainda assim, Alice Braga está bem sempre que aparece. Linda, quando sorri é impossível pensar que Max vai ficar focado em si mesmo por muito tempo. 🙂 Além do pano de fundo da assistência de saúde ruim, Elysium faz uma crítica a outro tema polêmico e bastante atual: a postura que os departamentos de segurança de alguns países que são líderes mundiais assumem frente à diferentes “ameaças”. Essa crítica pode ser vista na definição de dois personagens.

Primeiro, a secretária de Defesa Delacourt, interpretada por Jodie Foster, que não pensa nem meio segundo em autorizar a explosão de duas naves com 46 pessoas inocentes e nada armadas dentro. Depois, aparece na figura do vilão desta história, Kruger, interpretado por Sharlto Copley, um agente não autorizado e “secreto” que é acionado sempre que necessário para fazer o serviço sujo.

Não apenas Guantánamo, mas tantas outras histórias recentes e reais demonstram que há abusos do “sistema”, seja nas ordens, seja na dinâmica da ação, em nome da “segurança” de uma nação poderosa. Finalmente, há um outro ponto que Elysium roça e que pode incomodar a algumas pessoas: o povo que ficou na Terra, pelo menos o que vive em Los Angeles, vive falando espanhol e inglês. Este detalhe faz uma clara alusão aos imigrantes que enchem cada vez mais as ruas de qualquer metrópole do planeta. No futuro longínquo, afinal, não seria nada absurdo pensar nos “pobres” dos Estados Unidos falando inglês e espanhol misturado.

Mesmo sendo compreensível, não deixa de ser estranho ver isso na telona. Comento estes pontos porque Elysium, sem dúvida, é um filme clássico de ficção científica com várias “mensagens subliminares” estrategicamente pensadas pelo seu realizador. Esse é o estilo de Neill Blomkamp, pelo menos até agora. Logo mais veremos até quando ele vai estender a mistura entre futurismo com críticas contemporâneas, quase um realismo fantástico, se ele comportasse o que ainda não existe. 🙂

No fim das contas, o que importa é que a narrativa de Elysium funciona, porque envolve o espectador e deixa algumas boas críticas no ar. Mesmo sendo pouco viável em termos lógicos, muitas vezes, ele tem um belo acabamento técnico, envolvimento dos atores, estilo de diretor/roteirista e toda aquela parafernália de quem curte os filmes de ficção científica. Divirta-se!

NOTA: 9.

OBS DE PÉ DE PÁGINA: Neill Blomkamp dirigiu cinco curtas antes de District 9. Não assisti a nenhum deles para saber se ele tinha um estilo definido desde sempre. Mas o longa que impressionou a tanta gente em 2009 e este novo Elysium sugerem que ele gosta de trabalhar aqueles conceitos comentados logo acima. Agora, ele trabalha na pré-produção de Chappie.

O que este próximo tem em comum com os anteriores? O que sabemos, desde já, é que ele é uma ficção científica. Esta característica segue os anteriores, verdade. Mas, ao mesmo tempo, Chappie será uma comédia. Será que também com uma certa crítica social? Em 2015, quando o filme for lançado, saberemos. É esperar para ver.

Como eu disse antes, Elysium é muito bem acabado tecnicamente. Como um filme deste porte e com estas características exige. Mas da parte técnica tenho que destacar, em especial, a excelente edição da dupla Julian Clarke e Lee Smith. Sem o trabalho deles, este filme certamente não teria o ritmo que Blomkamp queria que ele tivesse. Belo e difícil trabalho.

Muito boa a direção do realizador sul-africano que, como em District 9, toma a câmera no braço e faz muitas sequências no melhor estilo de “filme de guerra realista”. Mas, distinto da produção anterior, em Elysium há sequências mais lentas, panorâmicas, que dão tempo para mostrar o espaço conquistado e valorizar os “dramas humanos”, especialmente nas capturas de gente ou nos raros momentos em que os personagens tem tempo para se emocionarem.

Dos atores principais deste filme, só fiquei com pena da Jodie Foster. O papel dela é tão raso que ela não pode fazer muito com aquele perfil de “megera má”, com tudo que a redundância pode reforçar do conceito. Ela está bem, claro. Até porque eu não consigo vê-la mal em qualquer filme. Mas seu papel é muito raso, como outros deste filme – vide os da Alice Braga e do Diego Luna.

Dos coadjuvantes deste filme, vale comentar a atuação de Josh Blacker como Crowe, um dos homens de confiança do vilão Kruger e que, normalmente, fica vigiando a Frey e sua filha Matilda, interpretada por Emma Tremblay; Brandon Auret como Drake, outra figura importante nos confrontos da turma de Kruger; Jose Pablo Cantillo como o tatuadão Dr. Frankenstein amigo de Spider e que transforma o moribundo Max em uma semi-máquina de exterminar; e Faran Tahir como o presidente Patel, que tenta frear Delacourt.

Da parte técnica do filme, achei um pouco exagerada, acima do tom a trilha sonora de Ryan Amon. A direção de fotografia de Trent Opaloch, por outro lado, é precisa. E vale destacar o fantástico o design de produção de Philip Ivey; os efeitos especiais da equipe de 31 profissionais comandada por Kuba Roth; a maquiagem da equipe de Fay von Schroeder e Leeann Charette; e os efeitos visuais que mobilizaram a impressionante equipe de mais de 200 profissionais – não terminei de contar porque me cansei 🙂

Não sei se Elysium terá fôlego para chegar com força para ser indicado a algum Globo de Ouro ou Oscar, mas acho que especialmente os quesitos técnicos mereciam entrar na disputa por uma vaga. Só acho que ele ficou distante de qualquer indicação… veremos, parte 2.

E agora, uma curiosidade sobre Elysium. Originalmente, o papel de Delacourt havia sido escrito para um homem. Agora, cá entre nós, bem melhor a Jodie Foster, né? Com tantas mulheres em posição de comando, nada melhor que colocar uma em posição tão de comando no filme. Aprovada a mudança.

Vindo da África do Sul, Blomkamp é legitimamente preocupado com a segregação, incluindo a história do apartheid. Pois bem, depois de falar disto indiretamente em District 9 – e aqui em Elysium também -, Blomkamp dá um pequeno lembrete do tema em um detalhe que aparece neste lançamento. Quando Kruger pega o lança-foguetes de um veículo, é possível ver o nome da “agência” para a qual ele trabalha: Civil Cooperation Bureau. Durante o apartheid na África do Sul existia um esquadrão de ataque patrocinado pelo governo que se chamava The South African Civil Cooperation Bureau.

Prova de que as pessoas deste filme são imortais é que John Carlyle teria nascido em 2010, segundo o dado biográfico dele que aparece no display do computador. Ou seja, para o tempo de Elysium, ele teria 144 anos. E bem conservado. 🙂

E uma última curiosidade: a parte central de Elysium se passa em 2154, exatamente o mesmo ano em que a história de Avatar é ambientada.

Elysium estreou em Taiwan no dia 7 de agosto e, no dia seguinte, em Israel e na Ucrânia. Na sequência, foi entrando em cartaz nos demais países mundo afora. Esta megaprodução teria custado cerca de US$ 155 milhões. Apenas nos Estados Unidos o filme fez pouco mais de US$ 89,1 milhões até esta quinta-feira, dia 19 de setembro. No restante do mundo, ele teria acumulado pouco mais de US$ 233,25 milhões. Ou seja, está pago e terá algum lucro – descontados os outros gastos que não estão apenas na feitura do filme.

Esta produção foi filmada em British Columbia, no Canadá, na Cidade do México e em Nayarit, no México. Ainda assim, é uma produção 100% dos Estados Unidos.

Os usuários do site IMDb gostaram do filme, a ponto de dar para ele a nota 7. Uma bela avaliação para os padrões do site. Os críticos que tem os seus textos linkados no Rotten Tomatoes foram um pouco menos generosos. Eles dedicaram 151 críticas positivas e 71 negativas para a produção, o que lhe garante uma aprovação de 68% e uma nota média de 6,5.

E com este filme, engordo a lista de produções dos Estados Unidos que estou comentando por aqui após vocês, caros leitores, terem votado no país em uma enquete aqui do blog.

Ah, e antes de partir para a conclusão, vale deixar alguns textos sobre o Obamacare e afins. Aqui, um resumão sobre o governo do presidente dos Estados Unidos; neste texto, uma boa explicação sobre a reforma no sistema de saúde que Obama conseguiu aprovar em 2010; e aqui um outro explicando a campanha de defesa do presidente de suas propostas.

CONCLUSÃO: Neill Blomkamp virou uma referência em filmes de ação que se passam no futuro. E mesmo com essa ambientação futurística, as produções do diretor tem uma forte carga de reflexão contemporânea. Elysium marca o avanço no cinema de Blomkamp, que dá mais um show no domínio técnico dos recursos que ele tem disponível e também no domínio narrativo. Menos inovador que o anterior District 9, Elysium revela o que o diretor é capaz de fazer com um orçamento maior.

O visual desta produção, assim como os efeitos especiais e a escolha de ótimos atores mostra que ele sabe utilizar bem os recursos que tem disponíveis conforme vai ganhando pontos na indústria. Belo entretenimento, e com algumas pitadas de questionamento social. É o bom cinema de Blomkamp reforçando as suas credenciais. Vejamos se em uma próxima vez ele dá um passo à frente, até para não ficar muito repetitivo – dois filmes futuristas com estas características estão de bom tamanho, certo? Mesmo lembrando bastante District 9, Elysium é uma ótima experiência de cinema com argumentos, ainda que eles sejam um bocado absurdos. Vale ser visto, especialmente se você quiser abraçar a diversão e deixar para lá a lógica. Afinal, este é o típico filme em que os atores e os efeitos especiais fazem a gente esquecer as imperfeições.