Saving Mr. Banks – Walt nos Bastidores de Mary Poppins


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As histórias dos bastidores do cinema sempre são fascinantes. Mesmo quando elas se apresentam um pouco confusas. Este é o caso de Saving Mr. Banks. Para quem, como eu, desconhecia a obsessão de Walt Disney pela história de Mary Poppins e todas as dificuldades que ele enfrentou para conseguir adaptar o romance de Pamela Lyndon Travers para o cinema, este filme é um grande achado. Pena que a própria Disney contou esta história exagerando nas doses de açúcar e que o roteiro, algumas vezes, mais confunde do que explica a história para o espectador.

A HISTÓRIA: Começa com a câmera deslizando por um céu com nuvens em vários formatos e colorações. Até que surgem algumas palmeiras e a informação de que estamos em Maryborough, na Austrália, no ano de 1906. Uma mulher caminha empurrando um carrinho, e uma voz fala do vento do leste que traz a magia. Sentada sobre um gramado, uma garotinha aproveita a luz do sol. Corta. Praticamente na mesma posição, mas sentada em uma cadeira em frente à escrivaninha com uma máquina de escrever, vemos a P.L. Travers (Emma Thompson).

No bloco sobre a mesa, vemos a data: 2 de abril de 1961. Entre outros objetos, a foto de uma família. Toca a campainha, e a Sra. Travers se levanta. A escritora recebe o seu empresário, Diarmuid Russell (Ronan Vibert), que luta para fazer com que ela não desista da viagem para Los Angeles, onde vai conversar com Walt Disney (Tom Hanks) em mais uma etapa da longa e dura negociação sobre o livro de maior sucesso da Sra. Travers, Mary Poppins.

VOLTANDO À CRÍTICA (SPOILER – aviso aos navegantes que boa parte do texto à seguir conta momentos importantes do filme, por isso recomendo que só continue a ler quem já assistiu a Saving Mr. Banks): Uma única cena ajuda o espectador a não ficar confuso neste filme. Admito que a perdi. E por isso, o roteiro de Kelly Marcel e Sue Smith me deixou confusa por boa parte da produção. Se isso aconteceu com você também, não se sinta culpado(a). Saving Mr. Banks não tem, de fato, um primor de texto. Mas isso também faz parte do jogo.

Vejamos. A história começa com duas linhas de tempo correndo em paralelo. Primeiro, aquela que mostra uma família em fase de mudança na Austrália no início do século 20. A outra linha temporal se passa no início dos 1960 em Londres, na Inglaterra. O que une estas duas linhas? (SPOILER – não leia se você não assistiu ao filme). Se você for muito, mas muito atento, vai perceber que a foto que aparece no escritório de P.L. Travers ajuda a explicar tudo. Mas se você, como eu, não der muita importância para aquele retrato, vai ficar em dúvida sobre a origem daquela família australiana.

Outra saída para não haver confusão na leitura destas duas linhas temporais é se você é fã de Travers ou de Disney o suficiente para saber a história de ambos. Porque daí sim vai ficar claro que o que se passa na Austrália tem a ver com a família da escritora e não com a de Walt Disney que, afinal, era originária do Canadá. Como eu não sou tão fã da autora de Mary Poppins e nem do grande empresário do cinema e de parques temáticos, tive sérias dúvidas sobre quem eram aquelas pessoas.

Inicialmente, claro, pensei que a garotinha chamada pelo pai, o bancário alcoólatra Travers Goff (Colin Farrell), como Ginty (Annie Rose Buckley) poderia ser a adulta P.L. Travers. Mas depois eu pensei que a esposa de Goff, Margaret (Ruth Wilson) até poderia ser a escritora – ainda que, neste caso, a conta não batia, já que ela teria que ter quase uns 80 anos de idade na segunda linha do tempo, o que não pareceria ser possível pela caracterização. Finalmente, pensei que aquela família poderia ter alguma relação com Walt Disney… ou que poderia ser apenas a imaginação da autora de Mary Poppins.

Para um filme da Disney que é tão escancarado em suas intenções, achei que este enredo um tanto confuso destoa do restante da produção. O espectador só terá certeza sobre a identidade daquelas pessoas quando a charada é revelada pelo próprio Walt Disney. Claro que muito antes há vários indicativos sobre esta referência – e, como eu disse, aquela foto nos minutos iniciais do filme é suficiente para matar a charada junto com um cálculo simples sobre as duas datas que aparecem na tela.

Mas esta margem que o roteiro abre para a confusão do espectador eu achei desnecessária. Além disso, me incomoda um pouco a forma com que Saving Mr. Banks “floreia” os fatos. Se por um lado é interessante assistir o embate entre Travers e os realizadores da versão cinematográfica de Mary Poppins – incluindo o todo-poderoso Walt Disney -, por outro é difícil de acreditar que tudo ocorreu exatamente daquela forma.

A razão da descrença é simples: ninguém é tão amargo o tempo todo quanto a P.L. Travers que aparece na telona, e ninguém é tão sonhador e obstinado sem cometer exageros e passar por cima de algumas pessoas como o Disney mostrado por esta história. Em outras palavras, incomoda um pouco o quanto os dois personagens centrais são explorados de maneira rasa, com poucas nuances.

Outro detalhe que me deixou um pouco perdida em Saving Mr. Banks é que a produção praticamente não resgata a história de Mary Poppins – nem a versão literária, nem a do cinema. Apenas no finalzinho do filme, quando Travers confere a versão da Disney para a sua história, que relembramos algumas cenas de Mary Poppins. Se você assistiu recentemente ao filme clássico ou seu leu o livro há pouco tempo, este é um problema que já nasce resolvido. Mas se você, como eu, viu este filme há mais de 20 anos, fica difícil lembrar de detalhes da história.

Este é um ponto importante para desfrutar de Saving Mr. Banks. Para o meu gosto, o roteiro da dupla Marcel e Smith deveria facilitar a vida do espectador e não exigir que retomemos o clássico antes de nos lançarmos nesta nova produção. Mas é claro que é do interesse dos produtores que as pessoas voltem para a Mary Poppins lançada em 1964 – afinal, isso significa mais dinheiro para a Disney.

O problema de faltar este link entre a história de Mary Poppins e o que vemos em Saving Mr. Banks poderia ter sido facilmente resolvido. Bastava a dupla de roteirista dar menos espaço para as canções que estavam sendo compostas para o filme de 1964 e permitir que P.L. Travers fizesse o que ela realmente foi fazer em Los Angeles: conferir de perto o roteiro de Don DaGradi (Bradley Whitford). Uma inserção maior de momentos de leitura e de embate entre Travers e DaGradi poderia ajudar a todos nós a nos situar melhor na história de Mary Poppins.

Claro que eu lembro que o filme que rendeu tanta batalha entre Travers e Disney trata de uma babá diferenciada e que surge na família Banks para revolucionar a vida do casal e dos filhos. Também recordo da importância da música no filme, mas é só. Um dos erros de Saving Mr. Banks é que ele inicia com a citação literal de uma parte da obra e, depois, larga este caminho que sempre é interessante (de mergulhar na obra original).

Depois de falar dos problemas principais do filme, falemos de suas qualidades. Antes de mais nada, muito bacana o resgate de uma história que não havia sido explorada antes e que nos ajuda a entender um pouco mais sobre as negociações entre autores e estúdios de cinema. Além disso, Saving Mr. Banks tem uma trilha sonora marcante, muito inspirada, assinada pelo veterano Thomas Newman, e um cuidado técnico que é marcante nas produções Disney.

Entre os atores, sem dúvida o destaque fica com Emma Thompson que, apesar de ter uma personagem um tanto “rasa” dramaticamente – em boa parte do roteiro P.L. Travers se apresenta como uma mulher fechada e “do contra” -, entrega uma interpretação bastante convincente e que emociona no final. O mesmo não pode ser dito de outros dois trabalhos centrais nesta produção: os de Tom Hanks e Colin Farrell.

O primeiro também é prejudicado pela construção um tanto rasa de Walt Disney. No filme, ele aparece como um empresário obstinado e sonhador, que dá a volta por cima na infância dura para seguir o sonho de fazer a alegria de muitas crianças. Certo que este é um perfil do fundador do estúdio e dos parques que levam o nome Disney, mas certamente ele não era apenas aquilo. Hanks aparece menos que Thompson, o que também pode ter prejudicado o trabalho dele.

Farrell, por outro lado, tem um personagem muito mais complexo e aparece com frequência maior. Ainda assim, em vários momentos, a interpretação dele me pareceu exagerada. Diferente da parceira de cena do ator, a jovem Annie Rose Buckley, que dá um show como a principal atriz mirim da produção.

O diretor John Lee Hancock apresenta uma direção segura em um filme onde o roteiro é que se apresenta como a peça chave. Mas Hancock consegue orquestrar bem os atores e produzir algumas cenas muito bonitas, especialmente quando a família Goff se muda para Allora, a 16 horas da cidade de origem de Ginty. Também é bacana ver novamente a um filme com a “alma” da Disney, ou seja, onde a fantasia predomina sobre a realidade.

Porque fica evidente que Saving Mr. Banks “enfeita” a história real. Mesmo antes de ler a alguns textos que vou citar para vocês na sequência, apenas vendo ao filme eu já suspeitava que a dupla Marcel e Smith havia tornado o trabalho de Disney e equipe mais “leve” e bacaninha do que na vida real. E que eles também haviam carregado um pouco demais nas “tintas” de uma P.L. Travers “irredutível” e “do contra”.

De fato, como os textos ajudam a explicar, Saving Mr. Banks fantasia o que aconteceu de fato, tornando Disney mais “bondoso” e bem intencionado do que de fato ele foi. Digo isso porque é evidente que ele queria rodar Mary Poppins não apenas porque fez uma promessa para as filhas, mas porque sabia que iria faturar alto com o filme. E a própria Travers acabou cedendo os direitos da personagem mais por uma questão financeira do que por concordar com o que seria feito.

Sem contar que muito do que ela achou que faria nesta história – como participar da pós-produção, contribuindo para a montagem do filme – acabou não acontecendo. O filme mesmo mostra, mas sem dar muito destaque para este ponto, de como o produto final não agradou a escritora – e não, ela não chorou no lançamento do filme porque ficou emocionada com a homenagem para o pai, e sim porque viu a essência da história de Mary Poppins ser bem alterada pelo estúdio Disney.

Por ser originado deste mesmo estúdio, Saving Mr. Banks presta um serviço interessante de nos apresentar uma história curiosa, mas ele acaba fantasiando muito mais do que resgatando o que aconteceu. Por um lado, isso é bacana – afinal, a vida muitas vezes merece ser fantasiada -, mas, por outro, acho que tanto Travers quanto o próprio cinema (e nele, Walt Disney) mereciam um filme um pouco mais trabalhado, com profundidade e menos leviandade.

NOTA: 7,8.

OBS DE PÉ DE PÁGINA: Antes dos indicados ao Oscar 2014 serem divulgados, vários especialistas em cinema nos Estados Unidos apontavam Saving Mr. Banks como um possível candidato de diversas categorias. No fim das contas, esta produção acabou conseguindo uma indicação: a de Melhor Trilha Sonora. De fato, nesta produção, o trabalho de Thomas Newman se destaca, sendo um dos carros-chefe do filme. Ainda assim, o compositor perdeu a disputa para Steven Price, responsável pela trilha de Gravity, no último domingo, quando a cerimônia do Oscar foi realizada.

Como comentei antes, Saving Mr. Banks apresenta algumas cenas muito bonitas espalhadas aqui e ali na produção. O mérito principal delas é, além do diretor John Lee Hancock, do diretor de fotografia John Schwartzman. E ainda que eu tenha sentido falta de mais trechos do livro original e/ou do roteiro de Mary Poppins sendo citados/revelados no decorrer desta produção, gostei da homenagem que os realizadores fizeram para a produção da Disney no final de Saving Mr. Banks. Aquela projeção do clássico no cinema, com a surpresa e as reações da escritora na plateia, foram uma boa sacada. Ainda que, como vocês podem conferir nos textos que eu vou indicar abaixo, a escritora não tenha reagido “tão bem” como o que Saving Mr. Banks sugere.

Da parte técnica do filme, também gostei do trabalho do editor Mark Livolsi e do design de produção de Michael Corenblith. O segundo foi o grande responsável, junto com a direção de arte de Lauren E. Polizzi, a decoração de set de Susan Benjamin e os figurinos de Daniel Orlandi, por nos transportar para a Austrália do início do século 20 e para a Los Angeles do início dos anos 1960.

Agora, vejam como são as coisas… O livro Mary Poppins foi publicado em 1934. Walt Disney tentou negociar os direitos para a adaptação da história para o cinema com a autora P.L. Travers durante 20 anos – ele teria começado as conversas com ela em 1938 e conseguido avançar nas negociações apenas em 1958. Mas as negociações avançaram para valer três anos depois, em 1961, quando Travers foi para Los Angeles conferir de perto o roteiro inicial do projeto, uma das condições para as negociações avançarem.

Depois deste passo, Mary Poppins, o filme, foi lançado nos cinemas em 1964 e, apenas dois anos depois, Walt Disney morreria aos 65 anos (10 dias depois de fazer aniversário) vítima de câncer de pulmão (no filme ele aparece se desculpando por fumar). Ou seja: este foi um dos últimos projetos e, talvez o mais difícil, que o empresário conseguiu concretizar antes de morrer.

Uma parte do roteiro de Saving Mr. Banks que eu gostei é aquele em que Marcel e Smith não fogem da responsabilidade de mostrar o quanto Disney era exagerado – ou extravagante? A quantidade de bichos de pelúcia de personagens que ele pede para colocarem no quarto de Travers é assustadora. E os modos dele, achando que poderia ter uma queda-de-braço constante com a escritora, também chamam a atenção. Chega a ser cômico acompanhar ele insistindo em chamar Travers de Pamela – quando ela pedia para ser tratada como Sra. Travers – e ela, por sua vez, chamá-lo de Disney, quando todos o chamavam de Walt. Dois cabeças-dura, sem dúvidas.

Para quem ficou curioso para saber mais sobre o livro e o filme de Mary Poppins, recomendo este texto com pílulas de informação do Blog dos Curiosos. E para comparar as figuras reais e os atores de Saving Mr. Banks, além de saber o quanto o filme se parece ou não com a realidade, recomendo este texto (em inglês) do site History vs. Hollywood.

Algo bacana de Saving Mr. Banks é que o filme valoriza o trabalho de dois grandes compositores que fizeram parte da história dos estúdios Disney: Richard Sherman (interpretado por Jason Schwartzman) e Robert Sherman (vivido pelo ator B.J. Novak). Os dois atores estão bem no filme, com especial destaque para Schwartzman que, de fato, canta e toca piano na produção.

Falando nos atores coadjuvantes deste filme, vale citar o bom trabalho de Ruth Wilson como Margaret Goff, esposa de Travers Goff; Rachel Griffiths quase em uma ponta como Helen Morehead, mais conhecida como tia Ellie, que teria inspirado, em parte, a personagem de Mary Poppins; Bradley Whitford como o roteirista Don DaGradi; e Paul Giamatti como Ralph, o motorista que leva a protagonista de Saving Mr. Banks para cima e para baixo em Los Angeles. Além deles, que tem mais destaque na produção, há outros rostos conhecidos em papéis menores. Exemplo: Kathy Baker como Tommie, secretária de Walt Disney.

Falando em personagens de Saving Mr. Banks, duas curiosidades: primeiro, o fato de que o Travers Goff original, pelo menos segundo aquela foto histórica divulgada pelo History vs. Hollywood, tinha bigode – algo que P.L. Travers não queria que o Mr. Banks, livremente inspirado no pai dela, tivesse em Mary Poppins, e algo que Walt Disney fez questão de acontecer; e, depois, o fato que o personagem de Ralph não existiu de fato. O motorista que Giamatti interpreta é um “compilado” de motoristas que atenderam a escritora na vida real – quiseram reunir todos em uma figura “amável” e que interagisse com Travers para tornar a personagem mais “simpática”.

Chega a ser engraçado ver o parque da Disney mostrado em Saving Mr. Banks. Ele parece um projeto amador perto do que se tornaria, depois, a franquia de parques que leva o nome do empresário. Mas vale lembrar que a primeira Disneylândia foi inaugurada em 1955, apenas seis anos antes da reconstituição de época explorada em Saving Mr. Banks. E, certamente, no início, ela tinha aquela cara de parque de diversões e sem toda a tecnologia e ousadia que passaria a ter conforme os anos foram passando.

Quem quiser saber um pouco mais sobre a vida de Walt Disney, recomendo este texto, publicado quando ele morreu; e também este outro, com 10 curiosidades sobre o empresário.

Saving Mr. Banks estreou em outubro de 2013 no Festival BFI de Cinema de Londres. Depois, o filme passaria ainda por outros quatro festivais. Nesta trajetória, a produção recebeu nove prêmios e foi indicada a outros 44 – incluindo a já citada indicação ao Oscar de Melhor Trilha Sonora. Entre os prêmios que recebeu, destaque para os de Melhor Atriz para Emma Thompson e por figurar no Top Ten Films da National Board of Review; e para os prêmios de Melhor Atriz para Emma Thompson e para o de Melhor Filme para a Família entregues no Prêmio da Sociedade de Críticos de Cinema de Las Vegas.

Diferente do que Saving Mr. Banks sugere, a escritora P.L. Travers não gostou nada da adaptação feita pela Disney de sua Mary Poppins. A ponto dela proibir qualquer adaptação dos outros livros que ela lançou com a personagem para os cinema e de ter usado o resultado ruim, na opinião dela, da adaptação do cinema como um argumento para dificultar a adaptação da história para os teatros – no fim, ela acabou cedendo, mas após diversas reuniões com o produtor Cameron Mackintosh (responsável por sucessos da Broadway como Cats, Les Misèrables, Oliver!, Miss Saigon, entre outros).

Outra cena que o filme mostra e que, na verdade, não aconteceu, foi aquela visita de Walt Disney a P.L. Travers em Londres. Na vida real os dois só conversaram por telefone – o empresário nunca chegou a ir até a casa da escritora.

Para quem gosta de saber sobre as locações dos filmes, Saving Mr. Banks foi rodado na Disneylândia da Califórnia, nos Estados Unidos; no aeroporto de Ontário, no Canadá; no Pacific Southwest Railway Museum que está na Califórnia; nos estúdios da Universal e em outras locações da Califórnia.

Saving Mr. Banks teria custado US$ 35 milhões e faturado, até o dia 2 de março, pouco mais de US$ 82,8 milhões apenas nos Estados Unidos. Nos outros mercados em que já estreou o filme teria feito outros US$ 23,8 milhões. Passando da barreira dos US$ 100 milhões no acumulado, este filme já pode ser considerado um sucesso.

Alguns pontos que Travers não queria em Mary Poppins e que acabaram aparecendo no filme: animações como na cena dos pinguins; o ator Dick Van Dyke como Bert; Mr. Banks com um bigode; uma certa sugestão de romance entre Mary Poppins e Bert; entre outros pontos. E como falamos da bilheteria de Saving Mr. Banks, vale lembrar que Mary Poppins teria custado US$ 6 milhões e faturado, apenas nos Estados Unidos, pouco mais de US$ 92,67 milhões. Soma-se a isso cerca de US$ 44 milhões de outros mercados em que o filme estreou e a escritora Travers, que havia fechado um acordo de receber 5% do faturamento do filme, teria embolsado uma pequena fortuna: cerca de US$ 6,8 milhões. Nada mal – mesmo não tendo gostado do resultado final.

Os usuários do site IMDb deram a nota 7,7 para Saving Mr. Banks. Os críticos que tem os seus textos linkados no Rotten Tomatoes dedicaram 177 críticas positivas e 43 negativas para a produção, o que lhe garante uma aprovação de 80% e uma nota média 7. Boas avaliações.

Este é um filme com coprodução dos Estados Unidos, Austrália e Reino Unido.

CONCLUSÃO: Volta e meia você encontra um roteiro que mistura o tempo presente com o passado. Muitas vezes esta fórmula dá certo, apesar de já desgastada. Outras vezes, como é o caso deste Saving Mr. Banks, o recurso acaba jogando contra a própria história. Este é um filme interessante como qualquer outro que conta um pouco dos bastidores do cinema para os fãs desta grande arte. Mas ao mesmo tempo ele demora para decolar e se explicar, criando uma quantidade de dúvida no espectador que acaba sendo um desserviço para a história.

Saving Mr. Banks tem todos os elementos de um filme da Disney. A história é recheada de fantasia, tem uma moral edificante e investe em uma trilha sonora marcante. No fim das contas, você pensa sobre o quanto é importante ter aprendido com o amor e com a dor, e tem reafirmada a importância de saber perdoar e seguir em frente. Aprendizados básicos, mas que sempre valem ser recordados. De quebra, sabemos um pouco mais sobre a origem de Mary Poppins. O lado ruim é o exagero no perfil de Walt Disney, que é retratado de maneira unidimensional. O que salva o filme, além de uma reconstituição de época razoável, é a interpretação de Emma Thompson. Vale pela curiosidade, mas não vai mudar a sua vida e nem deve ser levado muito ao pé da letra.

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3 comentários em “Saving Mr. Banks – Walt nos Bastidores de Mary Poppins

  1. Muito boa sua resenha. Eu gostaria tanto de ouvir mais daquelas conversas em fita… =) Imagino como deve ser difícil tentar fazer algo que é plenamente direito seu, como a senhora Travers faz, tentar manter a adaptação de sua obra o mais próxima possível do original, contra uma corporação gigante como a Disney. Deve ter sido duro pra ela também.

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