CitizenFour


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Vale a pena fazer um trabalho alternativo e que rompe com as regras do jogo para mostrar a verdade por trás dos fatos suavizados pelo mainstream. Tanto isso é verdade que Edward Snowden procurou um blogueiro e uma documentarista alternativos e que vinham fazendo um trabalho sólido de denúncia de abusos do governo dos Estados Unidos para fazer a denúncia que abalou o mundo em 2013. CitizenFour conta os bastidores da boca no trombone de Snowden por uma das duas pessoas escolhidas por ele para falar das espionagens da NSA (National Security Agency, ou Agência de Segurança Nacional): a diretora Laura Poitras.

A HISTÓRIA: Começa com uma explicação da diretora. Ela diz que em 2006 foi colocada em uma lista secreta após ter feito um filme sobre a Guerra do Iraque. Nos anos seguintes, ela foi diversas vezes presa e interrogada nas fronteiras dos Estados Unidos. O filme seguinte dela foi sobre Guantánamo e a guerra contra o terror. Ela comenta que este é o terceiro filme da trilogia sobre a América após o 11/9.

Enquanto vemos a imagem de um túnel escuro com uma luz deslizando pelo teto, ouvimos a diretora narrando um e-mail que recebeu. Nele, um sujeito dizia que era funcionário do governo do mais alto nível da comunidade de inteligência, e que contatar com ela era de alto risco. Sugere que ela tome precauções de segurança antes deles continuarem a conversar. E termina assinando CitizenFour. Na cena seguinte, vemos a Glenn Greenwald no Rio de Janeiro, em sua residência em 2011, entrando ao vivo para falar de um contrassenso do presidente Barack Obama. Em breve, acompanharemos o encontro entre CitizenFour, Greenwald e Laura Poitras em Hong Kong.

VOLTANDO À CRÍTICA (SPOILER – aviso aos navegantes que boa parte do texto à seguir conta momentos importantes do filme, por isso recomendo que só continue a ler quem já tenha assistido a CitizenFour): A única possibilidade de você nunca ter ouvido falar de Edward Snowden é se você viveu dentro de uma bolha no fundo do mar nos últimos dois anos. Desde que a primeira matéria de Gleen Greenwald sobre a espionagem em massa e global do governo dos Estados Unidos veio à tona, foi inevitável não ouvir falar deste assunto e, depois, de Snowden.

Sendo assim, CitizenFour não apresenta um personagem novo. Pelo contrário. O documentário da corajosa e elogiada diretora Laura Poitras explora parte dos nuances deste nome tão conhecido mundo afora nos últimos anos. Ver Snowden “mais de perto” e em momentos tão decisivos, como quando as primeiras matérias foram publicadas e começaram a repercutir, é o que este filme tem de mais interessante.

O jeito de Laura filmar é “naturalista”, ou seja, ela procura ter o mínimo de interferência possível no que está acontecendo. Mas como bem nos ensinou o diretor brasileiro Eduardo Coutinho, não existe documentário sem interferência de quem está por trás da câmera. Então é apenas uma ilusão a ideia que Laura tenta nos passar que ela está de forma “invisível” acompanhando tudo, sem muitas perguntas ou interferências de outros tipos. Isso fica evidente toda vez que Snowden comenta com Greenwald, especialmente, sobre algo que ele tinha conversado com Laura.

A diretora sabe, contudo, narrar uma história sem grandes interferências. Para isso, ela utiliza diferentes recursos. Lê e-mails que recebeu do CitizenFour, intercala cenas dos dias decisivos em que ela e Greenwald conversaram com Snowden, mostra parte do cotidiano de Greenwald, segue com Snowden mesmo quando o ex-advogado e articulista não estava mais no quarto já famoso de Hong Kong, e tempera tudo isso com cenas de outros personagens, como William Binney, um lendário cripto-matemático da NSA, e Ladar Levinson, fundador do serviço de correio eletrônico criptografado LAVABIT.

O filme perde um pouco porque já sabemos muito sobre as denúncias de Snowden, mas ganha pontos pela forma da narrativa de Laura. Ela vai nos situando sobre como tudo aconteceu. O trabalho que ela fez, assim como Gleen Greenwald, acaba atraindo o interesse de Snowden. Se Laura não tivesse feito os documentários My Country, My Country e The Oath e tivesse sido perseguida pelo governo dos Estados Unidos por causa disso, Snowden não a teria procurado após sentir dificuldade de manter um contato seguro com Greenwald.

Por coincidência, ou não, Laura era amiga de Greenwald. No livro “No Place to Hide” (ou “Sem Lugar para se Esconder”), lançado por Greenwald em 2014, ele conta como recebeu e-mails assinados por Cincinnatus, que dizia ter informações importantes, mas que só poderia manter um contato mais aprofundado se o articulista conseguisse uma conexão segura – o que ele não tinha, e de como acabou conhecendo a pessoa com quem ele se correspondeu desde o final de 2012 em poucas ocasiões por intermédio de Laura.

Isso, infelizmente, não fica claro no filme. Este é um problema de CitizenFour. O documentário não situa o espectador sobre a amizade de Greenwald com Laura e muito menos contextualiza um pouco melhor a importância dele para as denúncias envolvendo os exageros praticados pelo governo dos Estados Unidos especialmente após o 11 de Setembro. Esse é um ponto fraco do filme. A falta de contextualização é sempre um problema, especialmente para documentários.

Mas a narrativa sobre como tudo começou e foi se desenvolvendo é perfeita. Ficamos sabendo as razões de Laura ter sido escolhida por Snowden, acompanhamos o primeiro e-mail entre eles e sabemos, por exemplo, que a conversa entre o delator e Greenwald só não avançou por uma falta de segurança na comunicação. A parte mais interessante e de relevância histórica está nos dias em que o trio se encontrou no hotel de Hong Kong.

O primeiro encontro foi no dia 3 de junho de 2013. Durante oito dias Snowden se encontrou com Laura, Greenwald e durante parte deste tempo, com o jornalista investigativo do The Guardian Ewen MacAskill para tentar esmiuçar para eles os documentos ultra secretos que ele estava divulgando, explicar as suas intenções e motivações.

É fascinante ouvir Snowden falar sobre o desejo dele que a internet voltasse a ser livre, e que as pessoas tivessem a tranquilidade de serem e pensarem o que elas quisessem sem o medo de que algo de ruim poderia acontecer com elas simplesmente porque um determinado governo não quisesse que elas pensassem de determinada forma ou defendessem certas ideias.

Além de documento histórico, CitizenFour nos mostra um lado diferente de Snowden. Fica claro como ele sabia que o pior poderia acontecer com ele, após ele fazer contato com Greenwald e Laura, mas que ele não se importava com isso. Interessante ver como ele é um sujeito comum, apesar de ter uma inteligência fora do comum. Em certo momento, quando se sentiu mais frágil, ele se olhou no espelho e preocupou-se com a aparência. Como qualquer pessoa faria em algum momento da vida.

Também interessante ver como a reação de Snowden muda com o passar do tempo. No início, ele está tranquilo e bem seguro do que está fazendo. Diz que sabe que o pior pode acontecer com ele, mas está confiante de estar fazendo o que é certo – denunciar a vigilância e espionagem global do governo dos Estados Unidos, com potencial de monitorar todas as comunicações e localização de qualquer pessoa mundo afora. Até que as denúncias começam a aparecer, o assunto ganha repercussão, a namorada dele é encurralada, a família questionada, e ele já não está tão seguro assim.

Bacana essa parte. Afinal, nós temos coragem de fazer o que é necessário, mesmo que o pior aconteça com a gente. Mas quando vemos pessoas próximas sendo ameaçadas, essa segurança inicial é abalada. Nos sentimos responsáveis, culpados, e fragilizados por causa disso. Snowden passa por isso. Mas segue em frente. E é especialmente curioso que após o assunto vir à tona, ele percebe a ameaça real e já não está tão tranquilo sobre o que irá acontecer. O que comprova que uma coisa é idealizarmos uma situação, outra bem diferente é vivenciarmos ela.

Laura nos dá um documento importante não apenas por contribuir na narrativa dos fatos, mas também por mostrar um Snowden que ninguém conhecia. Interessante também como ele fez questão das primeiras notícias darem conta dos fatos e não apresentarem ele, o denunciante. Em mais de uma ocasião ele reforça que ele não era a notícia. Mas em certo momento Greenwald e ele falam sobre ele aparecer, ter a história contada, e de como isso poderia ser uma forma de contar os fatos da maneira correta, inclusive protegendo ele – o que não ocorreria se a revelação da identidade dele fosse feita pelo governo dos Estados Unidos, por exemplo.

Desta forma, CitizenFour nos dá algumas boas lições sobre o poder da informação e do jornalismo. Quando um trabalho é feito de forma séria, comprometida, e com as informações sendo dadas sempre em primeira mão, quem está divulgando estes dados tem o poder na mão. Por mais que as pessoas da NSA e do governo dos Estados Unidos seguiram mentindo por bastante tempo, negando a vigilância feita a nível global, os fatos revelados por Snowden comprovavam o contrário. Ele, um sujeito comum, aliado com Greenwald e outros jornalistas, conseguiu mudar o poder de mãos.

Pela forma com que esta produção é narrada, com um pouco de ajuda da trilha sonora marcante que acompanha a história, CitizenFour parece um filme de espiões. E não deixa de ser. Ainda que Snowden nunca trabalhou para governos “inimigos” dos Estados Unidos, mas apenas quis alertar o mundo sobre a vigilância individual e que acaba com a privacidade das pessoas. Do início ao fim o espectador sente que está acompanhando uma história de espionagem e contra-espionagem.

Bem narrado, este filme ajuda a dar um quadro mais amplo sobre as discussões envolvendo os temas levantados por Snowden – a diretora mostra palestras e audiências sobre o tema que ocorreram paralelamente ao interesse de Snowden de colocar a boca no trombone e pouco depois dele ter feito isso. O Brasil aparece em alguma cenas, tanto por causa da residência de Greenwald no Rio quanto por matérias que foram publicadas por aqui e audiências sobre o tema feitas no Congresso. Laura, claro, sempre está acompanhando Greenwald e Snowden, os personagens centrais desta história.

O problema desta produção, além dela não provocar tanta surpresa ou arrebatamento porque já sabemos boa parte da história, é que a diretora nem sempre contextualiza os personagens para o espectador. Além de não sabermos muito sobre Greenwald, não entendemos muito bem a aparição de outras figuras em cena. Como Jeremy Scahill. Quem acompanha o jornalismo norte-americano sabe quem é Scahill. Especializado em assuntos envolvendo a segurança nacional dos Estados Unidos, Scahill é um jornalista investigativo. Conheci ele por causa do filme Dirty Wars (comentado aqui no blog), que foi indicado como Melhor Documentário no ano passado.

Mas se você não assistiu a Dirty Wars ou acompanha as denúncias de Scahill na imprensa norte-americana, não vai entender nada quando ele aparece em cena em CitizenFour. Descontado este e outros pequenos problemas, o filme é marcante e será lembrado no futuro, com certeza. Especialmente pelo conteúdo – ainda que a forma/narrativa também seja interessante.

O mais incrível, e que fica como mensagem nesta história, é como o governo dos Estados Unidos usou como desculpa a segurança nacional para infringir leis do próprio país e leis de consenso mundial. Utilizando a tecnologia, presente em quase todas as partes, o governo norte-americano tem o potencial de vigiar qualquer pessoa, incluindo você e eu.

O mais grave, contudo, é essa vigilância envolver governantes e empresas estratégicas de diferentes países. Parece argumento de ficção científica, mas é real essa invasão de privacidade. Filme importante e que agrega elementos novos sobre a história de Snowden. Envolvente, documento histórico, só peca um pouco pela contextualização.

NOTA: 9,3.

OBS DE PÉ DE PÁGINA: O primeiro projeto com o qual a diretora Laura Poitras se envolveu foi a série de TV Split Screen, de 1997, quando ela atuou como assistente de direção. Ela atuaria na mesma posição no ano seguinte no documentário Free Tibet, quando ela também se envolveu como produtora associada. Como diretora, o primeiro projeto foi Flag Wars, de 2003, quando Laura atuou como co-diretora. A estreia na direção sozinha foi feita três anos depois, com My Country, My Country, indicado ao Oscar de Melhor Documentário em 2007.

Em 2010, Laura lançou o segundo documentário solo: The Oath. Depois, ela participaria com dois episódios na série de TV P.O.V. – os dois fruto dos documentários anteriores, um exibido em 2006 e, o outro, em 2010. Em 2011 e 2013 ela dirigiu dois curtas, O’Say Can You See e Death of a Prisoner, respectivamente. No ano passado foi a vez dela lançar CitizenFour.

Com o documentário sobre Edward Snowden a diretora chega a segunda indicação ao Oscar. As bolsas de apostas inglesas apontam que, desta vez, ela deve ganhar a estatueta dourada. Veremos. Até o momento, a diretora acumula 26 prêmios recebidos e outras 19 indicações.

Um nome me chamou a atenção logo nos primeiros minutos do filme: Steven Soderbergh. Ele é um dos produtores executivos do filme. A produção propriamente dita é dividida entre Laura Poitras, Dirk Wilutzky e Mathilde Bonnefoy. Mas é bacana ver Soderbergh como um dos apoiadores do projeto. Por estas e por outras que eu gosto dele.

A direção de fotografia de CitizenFour é feita por Laura Poitras – quase todos os documentários tem o diretor como diretor de fotografia também -, Kirsten Johnson, Trevor Paglen e Katy Scoggin. A edição ficou por conta de Mathilde Bonnefoy.

Para quem quiser saber um pouco mais sobre a NSA, uma introdução pode ser feita por este artigo da Wikipédia. Ao assistir a esse documentário, fiquei pensando: “Não ouvimos mais falar, nos últimos meses, de Snowden. Como ele estará?”. Pois bem, procurando um pouco a respeito, fiquei sabendo que seguem saindo matérias relacionadas com dados que ele divulgou, como esta em que documentos revelados por ele demonstraram que os serviços de informação dos Estados Unidos e da Grã-Bretanha invadiram a rede de computadores da maior fabricante mundial de chip de celulares, a holandesa Gemalto. Essa notícia é de ontem, dia 20 de fevereiro de 2015. Snowden segue “causando”.

Depois de muita confusão sobre o asilo político para Snowden – inclusive foi feita uma campanha para ele ser aceito pelo Brasil -, ele foi recebido pela Rússia, como bem explica o filme de Laura. Mas a autorização dos russos era por um ano. O que aconteceu depois. Segundo esta matéria, o governo russo autorizou Snowden a permanecer por mais três anos abrigado no país. Como essa permissão foi dada em agosto do ano passado, ele tem pouso garantido por lá pelo menos até 2017. Menos mal que o mundo não tem apenas uma nação predominante. Nestas horas, acho bom China e Rússia, além de outros países, conseguirem colocar um pouco de equilíbrio na geopolítica mundial.

Quais nomes foram fundamentais nas discussões mundo afora nos últimos anos? Para mim, além de Edward Snowden, só mesmo o Papa Francisco. Pois bem, aparentemente os dois vão concorrer ao Nobel da Paz em 2015. Pelo menos é isso o que sinaliza esta reportagem. Se isso realmente for confirmado, vai ser interessante a definição sobre qual dos dois teve mais importância para a Paz mundo afora. O que vocês acham? Se eu tivesse que votar, eu teria sérias dúvidas em quem votar.

CitizenFour estreou em outubro de 2014 no Festival de Cinema de Nova York. Depois, o filme participaria de outros 10 festivais e eventos relacionados com filmes documentários. Nesta trajetória a produção recebeu 39 prêmios e outras 19 indicações – incluindo a indicação de Melhor Documentário no Oscar 2015. Entre os prêmios que recebeu, destaque para o BAFTA de Melhor Documentário; para o prêmio de melhor direção em documentário dado pelo Directors Guild of America; para o prêmio de Melhor Filme dado pela Associação Internacional de Documentaristas; para o prêmio de Melhor Filme de Não-Ficção dado pelo Sociedade Nacional de Críticos de Cinema dos Estados Unidos; e para o prêmio de “cineasta que faz a diferença” no Festival Internacional de Cinema de Palm Springs.

Esta produção foi rodada em Hong Kong, em Berlim, Bruxelas, Londres, Rio de Janeiro, Moscou e nos Estados Unidos. Ou seja, Laura Poitras deu uma boa volta ao mundo para fazer este documentário. E ela migra de um local para o outro com muita suavidade.

Agora, uma curiosidade relacionada com Edward Snowden: ele será interpretado pelo ator Joseph Gordon Levitt na cinebiografia que será dirigida por Oliver Stone – outro diretor com posições políticas bem claras. O que eu admiro.

Não encontrei informações sobre os custos de CitizenFour, mas sim sobre o resultado dele nas bilheterias. De acordo com o site Box Office Mojo, este filme conseguiu pouco mais de US$ 2,6 milhões nos Estados Unidos e cerca de US$ 202,3 mil no restante dos mercados em que já estreou.

Na verdade, o filme estreou de forma limitada (em poucos cinemas) nos Estados Unidos, no Reino Unido, no Canadá e na Austrália, e entrou em cartaz em poucos países, como Alemanha, Dinamarca e Áustria. Ou seja: ele ainda precisa estrear na maioria dos lugares. Isso explica a bilheteria ainda baixa. CitizenFour tem previsão de estrear em março na França e na Espanha. Não há previsão ainda para o Brasil.

Os usuários do site IMDb deram a nota 8,2 para o filme de Laura Poitras. Os críticos que tem os seus textos linkados no Rotten Tomatoes dedicaram 120 textos positivos e apenas três negativos para a produção, o que lhe garante uma aprovação de 98% e uma nota média de 8,3 – o nível da aprovação e a nota são ótimos levando em conta o padrão do site.

Este filme é uma coprodução da Alemanha com os Estados Unidos. Sendo assim, ele entra na lista de produções pedidas por vocês, caros leitores, aqui no blog.

CONCLUSÃO: A história que Edward Snowden contou, todos conhecem. Mas parte dos bastidores dos contatos dele com os porta-vozes da novidade que ele veio trazer, de que o governo dos Estados Unidos através da NSA armazena informações da comunicação de pessoas do mundo inteiro, incluindo aí líderes de outros países, é apresentada neste CitizenFour. A outra parte da história pode ser conferida no livro de Gleen Greenwald.

Este documentário acerta ao nos mostrar os bastidores de parte das negociações e das entrevistas, assim como ajuda a desmistificar a figura séria de Snowden. Mas ele não chega a arrebatar, ou a nos revelar fatos muito surpreendentes sobre o personagem central. É bom, mas não é excepcional, apesar de ser um documento importante e que fecha uma trilogia da diretora.

PALPITE PARA O OSCAR 2015: Nas bolsas de apostas do Reino Unido, não tem para ninguém. CitizenFour é, disparado, o favorito para ganhar a estatueta dourada na categoria Melhor Documentário este ano. Os mesmos apostadores dão como certa a vitória de Birdman (comentado aqui) como Melhor Filme. Caso eles estejam certos nestas duas categorias, o Oscar vai dar passos largos no caminho da ousadia.

Começando por Birdman: o filme de Iñarritu atira para todos os lados ao fazer uma crítica geral ao mainstream. O filme ataca do cinemão norte-americano – simbolizado pelos filmes de heróis – até a Broadway e a parada de sucessos musical dos Estados Unidos. Ser nove vezes indicado ao Oscar este ano já era um grande feito para o filme. Se ele sair com as estatuetas de Melhor Filme e Melhor Diretor, o feito terá sido memorável.

CitizenFour vai na mesma direção. Primeiro porque o filme trata como herói um dos maiores inimigos dos Estados Unidos dos últimos anos. Edward Snowden escancarou a vigilância dos cidadãos dos Estados Unidos e do resto do mundo, virando um dos principais assuntos de 2013.

Se ganhar como Melhor Documentário, este filme não apenas consagrará ainda mais Snowden, mas também a diretora Laura Poitras que fez outras duas produções corajosas sobre a América após o 11/9. Por tudo isso, acredito que seria justo o filme ganhar. Isso iria coroar o trabalho corajoso da diretora e também a ousadia de Snowden.

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2 comentários em “CitizenFour

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