Ghost in the Shell – A Vigilante do Amanhã: Ghost in the Shell


Um filme futurista que exagera em alguns aspectos que vemos atualmente e que aposta todas as suas fichas em uma história de ação com muitos, muitos efeitos visuais. Essa parece ser a fórmula básica de um filme do gênero. Realmente é. Esta fórmula básica é o núcleo central deste Ghost in the Shell, um filme com uma história bem previsível mas que justifica o ingresso pela exuberância dos efeitos visuais e especiais. A protagonista também está muito bem, como outros personagens da produção. Ainda assim, não consegue renovar o gênero.

A HISTÓRIA: Pelos corredores de uma empresa de altíssima tecnologia, médicos transportam um corpo do qual apenas uma parte interessa. Em um laboratório da Hanka Robotics, um cérebro humano preservado é implantado em um corpo todo fabricado. O projeto 2571 da empresa é construído parte a parte, camada a camada, na nossa frente e sob a supervisão da cientista Dra. Ouelet (Juliette Binoche).

Quando Major (Scarlett Johnasson) desperta, ela pergunta porque não está sentindo o corpo e sobre o que aconteceu. Dra. Ouelet lhe avisa que o cérebro dela, a sua “alma”/ghost foram salvos, mas que o restante não, e que o corpo foi substituído por alta tecnologia. Diz que eles conseguiram lhe salvar após um ataque a um barco de refugiados, mas que o restante da família dela não foi salvo. Mira também fica sabendo que ela é a “primeira da espécie” e que ela é muito especial. Na sequência, Cutter (Peter Ferdinando) avisa que quer que a garota seja enviada para a Seção 9, porque mais que um avanço da ciência, ela é uma arma.

VOLTANDO À CRÍTICA (SPOILER – aviso aos navegantes que boa parte do texto à seguir conta momentos importantes do filme, por isso recomendo que só continue a ler quem já assistiu a Ghost in the Shell): Este é um daqueles filmes exuberantes, visualmente falando, mas um bocado ocos no conteúdo. Exceto se esta for a primeira produção de ficção científica futurista que você assiste e tem na memória, Ghost in the Shell não vai bater a praticamente nenhuma outra que você tenha na lembrança com os predicados principais de um filme.

Para mim, a grande qualidade que uma produção deve ter é uma grande história. E quando me refiro a grande, de preferência, ela deve ser ao menos um pouco surpreendente. No caso de gêneros bem batidos, como os de ficção científica, faroeste, etc., a história deveria tentar, ao menos, reinventar um pouco o gênero. Não fazer um compêndio de elementos já conhecidos, mas apresentar algo novo. Este não é o caso de Ghost in the Shell.

Depois de um belo roteiro, o segundo elemento mais importante de um filme, para mim, é o elenco. Os atores tem que ser bons e realmente convencerem o espectador sobre os sentimentos e as situações que eles estão vivendo. Neste quesito, esta produção é razoável. Alguns atores estão bem, outros apenas cumprem o script, mas sem convencer muito.

Finalmente, o terceiro elemento mais importante é o a direção, a forma com que o filme é narrado, com bom ritmo e atenção aos detalhes – sem grandes falhas aparantes. Neste quesito Ghost in the Shell está um pouco melhor. Rupert Sanders sabe fazer ótimas cenas, algumas bem difíceis tecnicamente falando, mas ele consegue tornar a história bem batida e previsível em algo interessante de se assistir.

Daí entram outros elementos que podem fazer diferença em um filme, como direção de fotografia, efeitos visuais e efeitos especiais, edição, trilha sonora, e etc. Nesta parte técnica, sem dúvida, é onde o filme se sai melhor. Se fosse falar de roteiro, provavelmente esta produção ganharia uma nota 5. Atuações, possivelmente um 7. Direção, daria um 9. Conjunto de aspectos técnicos, mais ou menos o mesmo, também um 9 ou 9,5. Por tudo isso é que sugiro a nota abaixo.

Ghost in the Shell fala de um “futuro não muito distante”, segundo alguns, em que a humanidade atingiu um nível de conhecimento científico que permite que todos que tem um bocado de dinheiro consigam se “aprimorar” com uma parte artificial. Então se alguém tem um fígado comprometido, por exemplo, basta ter dinheiro e pagar por um fígado novo que é pura tecnologia – não faz mais falta ter ou não doadores para órgãos.

Como todo filme futurista, Ghost in the Shell exagera alguns conceitos que temos atualmente. Por exemplo, há muita gente que acredita realmente em uma vida “eterna” através de substituição de órgão e/ou partes do corpo e investem pequenas fortunas no avanço desta parte da ciência. Se um dia vão chegar lá, não sabemos. Mas provavelmente, se chegarem, vai demorar ainda algumas centenas de anos. Ghost in the Shell trabalha em um futuro em que esta tecnologia não apenas é possível, mas relativamente acessível para as pessoas.

Chegamos a um ponto da “popularização” desta tecnologia no filme que Major paga uma garota na rua que ainda é totalmente “humana” para ver de perto como uma mulher humana é. O cenário criado pelo roteiro de Jamie Moss, William Wheeler e Ehren Kruger e baseado na HQ The Ghost in the Shell de Masamune Shirow é o ponto forte da produção. Apesar de não sabermos o nome da cidade em que eles estão, ela parece uma Tokyo exageradamente tecnológica, mas com vários elementos que vemos atualmente na cidade que já é uma das mais “futuristas” do mundo.

Como a produção é baseada em um mangá, não dá para ignorar a inspiração asiática da história, de alguns personagens e da cidade. Esse terceiro elemento é bastante presente no filme. Os pontos fortes, assim, são a direção de fotografia, a direção de arte, a trilha sonora, a edição e, principalmente, os efeitos visuais e os efeitos especiais. Há muitas cenas de ação e de luta, e muitas delas com o efeito que foi popularizado por Matrix. Então, visualmente falando, o filme é ótimo, mas nem na técnica ele apresenta algo de novo.

Agora o roteiro, que sempre é o principal, deixa a desejar. Uma garota que vira um ciborgue e que tem uma “pequena parte” humana preservada é usada como arma de guerra até que encontra um “inimigo” que lhe conta a verdade sobre o seu próprio passado. Ela não é a primeira da espécie e muitos antes dela tiveram que morrer até que o “experimento” desse certo.

(SPOILER – não leia se você não assistiu ao filme). Major acaba buscando a outra parte da história e descobre também que não foi salva de um ataque terrorista no barco em que estava com a família. Na verdade, ela e o seu mais novo “inimigo”, Kuze (Michael Pitt) faziam parte de um grupo de resistência ao uso da alta tecnologia por todos os lados e foram combatidos por causa disso. Acabaram virando experimentos científicos. Então o inimigo, na verdade, é o amigo da garota.

Por trás da história de “autodescoberta” da protagonista está, claro, uma grande e inescrupulosa organização preocupada com dominar o mercado e ter um diferencial competitivo às custas de vidas humanas “pouco visíveis”. Ok. se dermos uma exagerada, podemos ver em Ghost in the Shell dois tipos de reflexão social.

A primeira é sobre os marginalizados da sociedade, considerados invisíveis (seriam os “ghosts” alternativos do título?) e que podem ser sempre utilizados como “bala de canhão” por organizações inescrupulosas. Quem nunca ouvi falar de crianças e adultos moradores de rua que eram mortos para que seus órgãos fossem roubados? Lenda urbana que acaba sendo a “denúncia” de Ghost in the Shell.

A outra “reflexão social” é sobre a própria sociedade hiper tecnológica e que perde o contato humano como um de seus mais preciosos valores. Ninguém neste filme parece ter uma relação pessoal – a questão é se isso tem a ver com o núcleo central da história ou toda a sociedade futurística ficou assim. Não sabemos.

Essa produção se resume a um eterno ataque e contra-ataque, busca de sobrevivência e de autoconhecimento da personagem principal e de seu “rival” Kuze. Ao redor deles é que orbitam os outros personagens em uma história que sabemos para onde caminha em 99% do tempo. Talvez apenas a origem dos personagens seja a parte mais interessante da trama. O restante você adivinha. Nada de muito novo, pois, nesta produção com altíssimo orçamento e que interessa, especialmente, para quem curte efeitos especiais e visuais.

NOTA: 8.

OBS DE PÉ DE PÁGINA: Logo no início do filme é impossível não admirar os efeitos visuais e especiais da produção. E essa admiração será constante até o final. O time envolvido nos efeitos especiais é composto por 26 profissionais, e o responsável pelos efeitos visuais é formado pelo número impressionante de 400 profissionais. Não por acaso esta produção teve o orçamento de US$ 110 milhões – certamente grande parte destes recursos foram gastos nos efeitos visuais.

Ghost in the Shell não foi bem na estreia nos Estados Unidos. O filme fez cerca de US$ 7,66 milhões na estreia, atrás das bilheterias do também estreante The Boss Baby, que fez US$ 15,5 milhões, e do filme da Disney há algumas semanas em cartaz, Beauty and the Beast, que fez US$ 13 milhões. Para uma produção que custou US$ 110 milhões, esta estreia está bem aquém do desejado.

Apesar da história de Ghost in the Shell se passar no Japão – pelo menos é o que o filme sugere -, esta produção realmente foi rodada na Nova Zelândia e na China.

Além do visual do filme, a sua parte mais interessante, vale destacar também a trilha sonora bastante adequada para a história e interessante assinada pela dupla Lorne Balfe e Clint Mansell. Outros elementos que funcionam bem são a direção de fotografia de Jess Hall; a edição de Billy Rich e de Neil Smith; o design de produção de Jan Roelfs; os figurinos de Kurt and Bart e a maquiagem com 17 profissionais.

Entre os atores, Scarlett Johansson se sai bem como a protagonista. Ela está bem focada e tem uns “tiques” que parecem estranhos, mas que fazem sentido se levarmos em conta a “mistura” que compõe a personagem. As demais pessoas do elenco também se esforçam e estão razoáveis, com destaque para Pilou Asbaek como Batou, “braço-direito” de Major; Takeshi Kitano como Aramaki, chefe da turma da Seção 9; Juliette Binoche como Dra. Ouelet, digamos que a parte mais “humana” da produção; Michael Pitt sendo robótico como Kuze; Chin Han como Han, da equipe de Major; Peter Ferdinando bem como o vilão Cutter – ainda que seja bem previsível e um tanto exagerado; Anamaria Marinca como Dra. Dahlin; e Kaori Momoi como Hairi, mãe de Motoko.

Essa produção foi alvo até de manifestações e uma petição online porque resolveram colocar uma “ocidental branca” como protagonista no lugar de uma asiática. O que dizer, não é mesmo? As liberdades que Hollywood sempre se dá. Colocaram um nome conhecido para tentar arrasar nas bilheterias, o que não deu muito certo no primeiro dia nos Estados Unidos. Veremos o restante do tempo…

Os usuários do site IMDb deram a nota 6,9 para esta produção, enquanto que os críticos que tem os seus textos linkados no Rotten Tomatoes dedicaram 86 críticas negativas e 63 positivas para a produção, o que lhe garante uma aprovação de apenas 42% e uma nota média de 5,5. Realmente a galera não gostou muito do filme, e eu posso entender o porquê. Ele é muito fraquinho no conjunto da obra.

Ainda que seja o ponto forte do filme, mesmo a estética de Ghost in the Shell não surpreende muito. Impossível não lembrar, nos primeiros minutos da produção, da série Westworld e, depois, em toda cena de personagens caminhando pela cidade, de Lost in Translation.

Assisti ao filme na versão 3D. Ela não é excepcional. Vale mais pela questão da profundidade e da perspectiva, mas entra para a lista de filmes que exploram melhor este recurso.

Esta é uma produção 100% dos Estados Unidos, por isso o filme entra na lista de produções que atendem a uma votação feita aqui no blog.

CONCLUSÃO: Um filme com cenários e paisagens incríveis e com o melhor que a tecnologia e um grande orçamento permitem de efeitos visuais e especiais. Ghost in the Shell é um deleite para quem gosta de tecnologia no cinema. Mas a história, como sempre, é o ponto fraco de produções como esta. Fora um par de filmes que já viraram clássicos, normalmente as produções futuristas carecem de uma história que nos surpreenda. Isso acontece aqui também. Apesar do roteiro ser fraquinho, o visual da produção e a atuação dos atores não torna a experiência no cinema ruim. Vale o ingresso de este for um gênero que você gosta. É uma boa produção do tipo, mas está longe de um Blade Runner.

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