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Joker – Coringa

Quando uma sociedade caótica, com uma cidade cada vez mais desumana, encontra-se com uma pessoa que sofre de sérios distúrbios mentais abandonada e sacaneada por todos, temos o caos. Finalmente, depois de uma longa espera – e de certo atraso -, assisti a Joker. Admito que estava com um pouco de receio do filme. Afinal, sou fã de HQs e conheço bem o personagem. Mas, para o meu alívio, o que encontrei pela frente foi um filme adulto e muito bem construído.

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Avengers: Endgame – Vingadores: Ultimato

A saga foi longa e os fãs da grife Marvel nos cinemas estavam sedentos. Avengers: Endgame veio para fechar um ciclo e colocar um pingo final em uma trajetória que pedia por isso. Mas o filme é excepcional? Destes que serão citados por você quando fores indicar um filme para alguém? Bem, eu diria que Avengers: Endgame cumpre o seu papel, mas não vai além disso. A história é um bocado previsível, mas o filme entrega o que promete. Há sequências incríveis, há momentos engraçados e um pouco emocionantes e, claro, efeitos especiais e visuais excelentes. Mas é isso. Nada fora do normal ou do que você já estava esperando.

A HISTÓRIA: Lila Barton (Ava Russo) está aprendendo com o pai, Clint Barton (Jeremy Renner), mais conhecido como Gavião Arqueiro, como aperfeiçoar os seus disparos de arco e flecha. O local em que eles estão é tranquilo e paradisíaco. A família Barton está vivenciando um dia tranquilo, com a esposa de Clint, Laura (Linda Cardellini) preocupada em saber quem vai querer maionese, mostarda ou ketchup no hot dog. Tudo parece perfeito, até que Lila e os demais, menos Clint, desaparecem.

Em uma nave sem condições de retornar para a Terra, Tony Stark (Robert Downey Jr.), mais conhecido como Homem de Ferro, grava mais uma mensagem para a sua amada Pepper Potts (Gwyneth Paltrow). Ele sobreviveu aos fatos ocorridos com Thanos (Josh Brolin) com ajuda de uma das “filhas” do vilão, Nebulosa (Karen Gillan). Como ele conta, se passaram 22 dias desde que Thanos ganhou a batalha e destruiu metade da vida na Terra. Agora, Stark espera o oxigênio da nave acabar e a vida dele terminar, consequentemente. Mas aí aparece em cena Carol Danvers (Brie Larson), mais conhecida como Capitã Marvel, que resgata o Homem de Ferro. A partir daí, vamos acompanhar a busca dos Vingadores por reparar o mal que foi feito por Thanos.

VOLTANDO À CRÍTICA (SPOILER – aviso aos navegantes que boa parte do texto à seguir conta momentos importantes do filme, por isso recomendo que só continue a ler quem já assistiu a Avengers: Endgame): Quando eu vi que esse filme tinha três horas de duração, eu pensei: “Puxa, eles terão fatos para contar!”. Claro que mais que uma história rica e cheia de detalhes interessantes o que temos em cena é um roteiro planejado com esmero para agradar aos fãs do Universo Marvel. Assim, temos sim o reencontro de diversos personagens queridos pelo público com os seus passados e, porque não dizer, com um vislumbre do que seriam os seus futuros.

O tempo é algo interessante nesta produção. (SPOILER – não leia se você não assistiu ao filme). Não apenas porque contamos com uma viagem no tempo durante a história, com personagens como Tony Stark e Steve Rogers (Chris Evans) revendo os seus próprios passados e tendo reencontros emocionantes com pessoas que eles tiveram que deixar para trás, mas também porque algumas histórias nos fazem refletir sobre como construímos o nosso futuro.

A parte boa do filme é quando o roteiro de Christopher Markus e Stephen McFeely, baseados nos HQs criados por Stan Lee, Jack Kirby e Jim Starlin, exploram os aspectos mais pessoais dos personagens. Seja pela sequência inicial, que é visualmente muito bem construída e emocionalmente marcante, do Gavião Arqueiro vendo tudo que ele ama desaparecer na frente dos seus olhos, seja depois, no “futuro”, quando Tony Stark está com uma família constituída, esses momentos de proximidade com os atores são o ponto forte da produção, a meu ver.

Gosto sempre que um filme se aproxima dos personagens, de suas escolhas e sentimentos. Acho que as histórias de HQ transportadas para a telona funcionam muito bem quando buscam essa profundidade maior dos personagens – vide Logan (comentado aqui) e Black Panther (com crítica neste link). Quando Avengers: Endgame investe nesta proximidade com os personagens, o filme ganha em sentimento. Mas claro não é apenas isso que o público espera e nem é só disso que o filme é feito.

As grandes cenas de batalha precisam existir, e elas são feitas com esmero. Ainda assim, há pouca surpresa quando a batalha acontece. Mas antes de falar deste ponto do filme, vamos voltar um pouco para o desenvolvimento da história dirigida por Anthony Russo e Joe Russo.

As escolhas sobre a narrativa até que foram interessantes. Afinal, quem poderia esperar que logo aniquilariam Thanos? Quando Thor (Chris Hemsworth) acaba com o vilão, após ele ter destruídos as Joias do Infinito (apresentadas no filme anterior, comentado aqui), que poderiam, em tese, retornar com as vidas perdidas, o que poderia seguir na produção?

Bem, como o filme estava no início, certamente teríamos uma reviravolta na história. Quem assistiu a Ant-Man and the Wasp (com crítica neste link), logo relacionou A com B e sabia que a solução para o problema viria através da descoberta de Scott Lang (Paul Rudd), conhecido como Homem-Formiga. Ou seja, não demora muito para você matar praticamente toda a charada de Avengers: Endgame. Isso é bom para o filme? Definitivamente não.

Mas beleza, o que nos resta quando não somos surpreendidos pela história? Nos resta curtir os encontros e reencontros dos personagens, ver aquela constelação de estrelar surgir na nossa frente e, claro, nos divertirmos com as piadinhas, com algumas tiradas boas, sequências emocionantes e com os efeitos visuais e especiais sem fim que aparecem em cena. Por tudo isso, Avengers: Endgame é exatamente o que se esperava dele: um grande entretenimento.

Os fãs, acredito, em geral, vão amar. Afinal, o filme apresenta todos os elementos que já esperamos, naturalmente, de filmes da Marvel. Mas para mim, que sou fã das HQs, dos personagens e dos filmes da Marvel – especialmente dos melhores -, mas, especialmente, sou fã do bom cinema, Avengers: Endgame deixou um pouco a desejar. Especialmente pelo roteiro, que me pareceu estrategicamente medido para agradar aos fãs da Marvel e não necessariamente feito para agradar aos fãs do cinema.

O fato do roteiro ser bastante previsível tira um pouco da graça do filme para mim. Mas no demais, claro, Avengers: Endgame é maravilhoso. Sempre bacana ver tantos atores bons juntos, assim como nos aproximarmos destes heróis depois que eles foram “derrotados”.

O grupo, então, se divide essencialmente em duas partes: em figuras como o Capitão América e Natasha Romanoff (Scarlett Johansson), conhecida como Viúva Negra, que, apesar de não negarem o luto, tentam seguir a vida buscando ajudar uns aos outros; e, de outro lado, em figuras como Thor e Gavião Arqueiro, que se enchem de desesperança, de bebida ou de ânsia assassina, respectivamente, e que não conseguem ver um horizonte pela frente.

Nesse aspecto o filme é interessante. Ao nos lembrar que mesmo os heróis são diferentes e agem de maneira diversa quando perdem tudo. Avengers: Endgame os humaniza de uma forma mais ampla, apesar de não ter tempo de se aprofundar muito na história e nos sentimentos de ninguém – afinal, é um grupo grande para retratar. No geral, contudo, Avengers: Endgame se apresenta um filme com tempo adequado, bom desenvolvimento de personagens, ótimas cenas de ação e de batalha e alguns acontecimentos feitos sob medida para emocionar os fãs.

Tenho certeza que a despedida de alguns personagens que, aparentemente, partiram para sempre, e alguma passagem de “bastão” entre personagens mexeu com os espectadores. É fato que em certos momentos, como aconteceu antes com Logan, alguns personagens precisam se despedir do público. Faz parte.

Quem sabe eles não ensinem, desta forma, os jovens a entenderem um pouco mais sobre a finitude da vida? Porque por mais que os super-heróis estejam aí para nos inspirar e nos fazer pensar, a maioria deles é mortal. Que graça teria se eles não fossem assim?

O único problema de Avengers: Endgame, a meu ver, e infelizmente esse não é um problema pequeno, é que sua narrativa é bastante previsível. Dá para você matar a maioria das charadas bem cedo na história. Ainda que ser surpreendido não é algo fundamental, e sim é mais importante ser coerente, agradecemos quando ao menos um pouco de surpresa acontece em cena. Mas Avengers: Endgame não tem espaço para isso. Uma pena. Ele poderia ser melhor se tivesse procurado ousar um pouco mais.

NOTA: 8,5.

OBS DE PÉ DE PÁGINA: Não vou mentir para vocês. Eu não assisti a toooodos os filmes da Marvel lançados até agora. Perdi um aqui, outro acolá, mas, me parece, assistindo a esse filme de “arremate” de todas as produções lançadas até agora e que faz um divisor de águas entre o que passou e o que virá no Universo Marvel, acho que não perdi nada de importante ou realmente fundamental. Menos mal. 😉

Em outros textos sobre filmes da Marvel eu já comentei sobre o meu apreço pelas HQs. Quando era criança e adolescente, eu lia muuuitos HQs – 90% das vezes, da Marvel. Da DC Comics, basicamente, me interessava as histórias do Batman – mas algumas, não todas. Assim, gosto sim de ver os filmes com essa galera em cena, ainda que nem sempre eles me pareçam tão fascinantes quanto as HQs eram para mim no passado – hoje, só continuo lendo mais The Walking Dead em HQ. Claro que, na fase adulta, li a outros quadrinhos, geralmente obras mais densas do que os filmes da Marvel. 😉

Impossível falar do elenco inteiro de Avengers: Endgame que tem algum destaque na produção. Ainda assim, inevitável falar do excelente trabalho do elenco principal, formado por figuras que já se conhecem e trabalham há muitos anos juntas, como Robert Downey Jr., Chris Evans, Mark Ruffalo, Chris Hemsworth, Jeremy Renner, Scarlett Johansson e Paul Rudd. Eles são os personagens que tem mais relevância nessa história.

Além deles, como “segundo time” que aparece bem no filme, estão Don Cheadle, Brie Larson, Karen Gillan, Elizabeth Olsen, Zoe Saldana, Rocket (com voz de Bradley Cooper), Gwyneth Paltrow, Josh Brolin e Chadwick Boseman. Aparecem menos, mas com relevância na história, Benedict Cumberbatch, Tom Holland, Evangeline Lilly, Anthony Mackie, Sebastian Stan, Tom Hiddleston, Danai Gurira, Benedict Wong, Letitia Wright, John Slattery, Tilda Swinton, Jon Favreau, Michael Douglas, Michelle Pfeiffer, Sean Gunn, Hiroyuki Sanada, Robert Redford, Chris Pratt, Lexi Rabe (como Morgan Stark). Além desse povo todo, temos ainda Stan Lee em sua última aparição como motorista de um carro. Esse é o verdadeiro herói desta história toda. 😉

Avengers: Endgame estreou no dia 22 de abril em uma première em Los Angeles. No dia 24 de abril o filme estreou em 30 países em diversos continentes. No Brasil, ele estreou no dia 25 de abril. Como esperado, o filme é um arrasa-quarteirão. A produção, que teria custado cerca de US$ 356 milhões, faturou, até o dia 5 de maio, cerca de US$ 619,7 milhões apenas nos Estados Unidos – e outros US$ 1,57 bilhão nos outros países em que o filme já estreou.

Ou seja, teria faturado algo em torno de US$ 2,2 bilhões até o dia 5 de maio. Isso já coloca o filme como a segunda maior bilheteria do cinema da história – atrás apenas de Avatar, segundo o site Box Office Mojo. Mas, pelo que tudo indica, será fácil do filme que fecha a saga da Marvel dos Vingadores passar para o primeiro lugar. Devastador.

Os usuários do site IMDb amaram o filme. Hahahaha. Prova disso é que Avengers: Endgame ostenta a impressionante nota de 8,9 no site. Os críticos que tem os seus textos linkados no site Rotten Tomatoes dedicaram 412 críticas positivas e 22 negativas para a produção, o que lhe garante uma aprovação de 95% e uma nota média de 8,29. Nota bastante alta para o padrão do site também. O site Metacritic apresenta um “metascore” 78 para o filme, fruto de 52 críticas positivas, de três medianas e de uma negativa.

Até o momento Avengers: Endgame não recebeu nenhum prêmio. Mas não vou ficar admirada se ele ganhar alguns no futuro – talvez até alguns técnicos no Oscar? Aliás, entre os aspectos técnicos do filme, vale destacar o excelente trabalho das equipes envolvidas nos Efeitos Visuais, nos Efeitos Especiais e na Maquiagem e Cabelo; assim como a dupla responsável pela edição, Jeffrey Ford e Matthew Schmidt; e o diretor de fotografia Trent Opaloch. A exemplo do roteiro e da direção, que achei um bocado previsíveis, achei o mesmo da trilha sonora de Alan Silvestri. Além deles, vale citar o bom trabalho de John Plas e de Charles Wood no Design de Produção; de Leslie Pope na Decoração de Set; e de Judianna Makovsky nos Figurinos.

Avengers: Endgame é um filme 100% dos Estados Unidos. Por causa disso, essa crítica acaba entrando na lista de textos que atendem a uma votação feita há tempos aqui no blog.

CONCLUSÃO: Meio que a conclusão sobre esse filme eu já apresentei na introdução, não é mesmo? 😉 Mas é exatamente aquilo o que eu penso. Avengers: Endgame é um belo entretenimento. O filme é bem conduzido, envolvente, tem ótimos atores em cena. Mas a história, em si, não é nada surpreendente. Ok, a questão Thanos ter sido “resolvida” logo no início da produção surpreendeu um pouquinho. Mas o que vemos depois, não foi tão surpreendente assim. Basta lembrar bem do filme anterior e de outras produções próximas para saber em que toada o filme deveria seguir. Ainda assim, vale o ingresso. Especialmente para quem acompanhou a saga até aqui.

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Ant-Man and the Wasp – Homem-Formiga e a Vespa

O filme mais família do Universo Marvel. Pelo menos, analisando as produções deste universo que eu já vi. Ant-Man and the Wasp é um filme divertidinho, com belas cenas de ação e efeitos especiais e uma narrativa que valoriza a família. Do início ao fim. Alguma surpresa? Se você já assistiu a pelo menos um filme do gênero, nenhuma. O roteiro é um bocado previsível e tem alguns “repetecos” narrativos, mas também apresenta alguns bons momentos. O mais fraco entre os filmes recentes da Marvel, mas se você é fã dos personagens ou desse gêmero, isso pouco vai importar.

A HISTÓRIA: Começa com uma narrativa feita pelo Dr. Hank Pym (Michael Douglas). Ele comenta que, às vezes, pensa na noite em que ele e a esposa, Janet Van Dyne (Michelle Pfeiffer) tiveram que deixar a filha. Hope Van Dyne (Evangeline Lilly) era uma criança, e viu os pais saírem mais uma vez para uma “viagem de negócios inesperada”. Hank e Janet tem pena de deixar a filha, mas eles tem uma missão a cumprir como Ant-Man e Wasp. Desta vez, eles agem para desarmar um míssil que pode ser mortífero para centenas de pessoas.

O problema é que o casal, mesmo em tamanho diminuto, não consegue chegar no local correto para desarmar o míssil. A única saída é que um deles utilize o regulador para diminuir até o nível subatômico e, desta forma, acessar o núcleo do míssil. Janet é mais rápida que Hank e entra no “mundo subatômico”, de onde ela não conseguirá sair mais. Mas quando Scott Lang (Paul Rudd) conseguiu ir e voltar desse mundo subatômico, Dr. Hank Pym volta a acreditar que pode ser possível resgatar a mulher desse local. Para isso, ele vai construir um túnel subquântico que atrairá o interesse de muitas outras pessoas.

VOLTANDO À CRÍTICA (SPOILER – aviso aos navegantes que boa parte do texto à seguir conta momentos importantes do filme, por isso recomendo que só continue a ler quem já assistiu a Ant-Man and the Wasp): Eis um filme sobre o qual eu não tenho muito o que falar. Ou, melhor dizendo, eis um filme sobre o qual não precisamos falar muito. Lembro bem de ler as HQs dos Vingadores e dos Heróis Marvel. Em meio a tantos heróis interessantes, o Homem-Formiga e a Vespa apareciam sempre como uma espécie de “personagens de apoio”.

Eles nunca me chamaram muito a atenção, para ser franca. E, novamente, nesse filme dedicado a eles, eu tive a mesma impressão. Ok, eles são graciosos, bonitinhos e tem uma história de fundo focada na família e no valor dos laços familiares bacaninha, mas é só isso. Em um ano em que vimos Black Panther, fica difícil a comparação. Claro, o personagem do Pantera Negra, especialmente pela forma com que ele foi desenvolvido no cinema, se apresenta muito mais completo em termos de temas subjacentes do que Ant-Man and the Wasp.

Importante observar isso antes de assistir a essa produção. Porque Black Panther – e, antes, Logan – elevaram tanto o nível dos roteiros dos filmes da Marvel, que é preciso reajustar as expectativas para assistir a esse Ant-Man and the Wasp. Admito que eu fui para o cinema assistir a esse filme sem grandes expectativas. Fui “desarmada” e para receber bem o que viesse. Achei, assim, o filme bacaninha, com um roteiro previsível e com algumas sequências interessantes. Os atores estão bem, mas a história em si é bastante fraquinha.

Vejamos. Tudo se resume à busca do Dr. Hank e de sua filha, Hope, pela figura materna desaparecida décadas antes. Contra essa busca deles estão os interesses de um mercenário, Sonny Burch (Walton Goggins), e do FBI e da polícia – que tem o Dr. Hank e Hope como foragidos. Para ajudar pai e filha a encontrarem a esposa/mãe desaparecida, entra em cena Scott Lang/Homem-Formiga. Antigo “discípulo” do Dr. Hank, Scott se sente em dívida com eles.

Esse é o filme. Junto com essa narrativa, com dinâmica previsível, temos o lado “fofinho” da história que é a relação de Scott com a filha Cassie (Abby Ryder Fortson). A relação entre pai e filha, no núcleo do Homem-Formiga, e de pais e filha, no núcleo da Vespa, fazem desta produção algo tão família. Ah sim, e outra ameaça importante para os “heróis” vem de uma menina que sofre justamente com o que? Com a falta da família! Estou me referindo a Ava (chamada também de Ghost/Fantasma), interpretada por Hannah John-Kamen.

O roteiro de Chris McKenna, Erik Sommers, Paul Rudd, Andrew Barrer e Gabriel Ferrari busca, desta forma, equilibrar os elementos conhecidos das HQs para agradar a todas as faixas etárias de público. Mas vejo Ant-Man and the Wasp agradando, em especial, aos mais jovens, já que este filme abre mão das cenas mais violentas e da “complexidade” dos personagens e narrativa de Black Panther e Logan para centrar-se mais na parte “divertida” e familiar dos personagens.

O roteiro feito a 10 mãos segue uma narrativa linear e com um contínuo “rouba” e “recupera” do laboratório do Dr. Hank e da peça que faltava para o invento dele e de Hope funcionar. No fim das contas, como previsto, eles conseguem terminar com o experimento e a história tem um final feliz.

(SPOILER – não leia se você não assistiu ao filme). Todos conseguem se sair bem, até Scott em sua incansável quebra-de-braços com o FBI e a polícia. Mas é importante assistir ao filme até depois dos créditos, para assistir a uma cena final que nos remete a Avengers: Infinity War. A família Van Dyne desaparece após a vitória de Thanos, e aí fica a pergunta de quem irá resgatar Ant-Man do “mundo subatômico”.

Entre as qualidades de Ant-Man and the Wasp está o bom trabalho dos atores principais, os efeitos especiais e algumas sequências realmente engraçadas – ainda que estas últimas possam ser contatas nos dedos. Por incrível que pareça, a melhor sequência do filme não conta nem com Paul Rudd e nem com Evangeline Lilly em cena. Para mim, o grande momento de Ant-Man and the Wasp é quando o amigo de Scott, Luis (Michael Peña) é obrigado a toma uma injeção da verdade e acaba contando a história da amizade dele com Scott.

Luis não para de falar e volta para o momento em que os dois se conheceram. Ele conta tudo rápido até chegar ao “esconderijo” atual do amigo. Achei essa sequência genial e o ponto forte da produção. Apesar de todos do elenco estarem bem, achei que faltou um pouco de “química” entre Rudd e Lilly. Não vi neles toda aquela sintonia que esperamos de personagens que vão trabalhar como casal.

A grande surpresa da produção foi mesmo ver nomes do quilate de Michael Douglas e Michelle Pfeiffer em um filme baseado em HQ. Uma grata surpresa. No mais, nada de novo. Você verá tudo que já viu – e algumas vezes melhor – em outras produções do gênero. Mas vale assistir, é claro. Assim como valia assistir a muitos filmes da Sessão da Tarde. 😉

NOTA: 7,5.

OBS DE PÉ DE PÁGINA: Ant-Man and the Wasp é um filme “divertidinho” da Marvel. Ele não tem o humor ácido de Deadpool e nem a profundidade dos personagens de Logan, Black Panther e alguns filmes do X-Men, mas ele tem a pegada de humor e de ação que marcam os filmes da grife. Como eu disse, nada que você já não tenha visto antes. Mas até por isso vale conferi-lo.

Afinal, quem é fã das HQs e de seus personagens, sabe que nem sempre todos os personagens são relevantes. Alguns nasceram para ser protagonista, como Homem de Ferro e Wolverine, enquanto outros nasceram para ser coadjuvantes – a exemplo do Homem-Formiga e da Vespa. Mas todos, mesmo os coadjuvantes, merecem ter as suas histórias contadas, e é isso que esse Ant-Man and the Wasp nos demonstra.

Essa produção é uma bela deixa para vermos ótimos atores em cena. Tiro o meu chapéu, em especial, para Michael Douglas e Michelle Pfeiffer – ainda que ela faça quase uma ponta nesta produção. Douglas rouba a cena cada vez que aparece. Paul Rudd manda bem. Ele tem carisma e humaniza muito bem o personagem. Evangeline Lilly… tenho um problema ao vê-la em cena porque sempre me lembro de Lost – quando a atriz viveu a sua grande fase. Ela está bem em Ant-Man and the Wasp, mas acho, sinceramente, que ela não tem toda aquela química desejada com Rudd. Mas faz parte. De qualquer forma, foi bom vê-la novamente em cena.

Além desses atores, que sempre valem serem acompanhados, um coadjuvante que rouba a cena é Michael Peña. Para mim, ele tem algumas da principais cenas e falas da produção – como disse antes, o momento alto do filme é quando ele está em cena, e sem contracenar com nenhum dos protagonistas. Ele está muito bem.

Entre os coadjuvantes, vale citar também o bom trabalho de Walton Goggins como Sonny Burch, um dos “vilões” da produção; de Bobby Cannavale como Paxton, novo marido da ex-mulher de Scott; Judy Greer como Maggie, a ex-mulher de Scott, mulher interessante que não perde a oportunidade para marcar posição; T.I. como Dave, um dos funcionários de Luis e Scott; David Dastmalchian como Kurt, outro funcionário da dupla; Hannah John-Kamen como Ava/Ghost, a garota que busca desesperadamente para uma solução para a sua morte iminente; Abby Ryder Fortson ótima como Cassie, filha de Scott; Divian Ladwa como Uzman, o homem do “soro da verdade” e funcionário de Sonny; Laurence Fishburne como Dr. Bill Foster, ex-colega de Dr. Hank Pym e protetor de Ava; e Randall Park como Jimmy Woo, o sujeito do FBI que tenta flagrar Scott em suas “estripulias”, mas que nunca consegue pegá-lo no flagra.

Como sempre, um detalhe muito interessante é vermos Stan Lee em uma das cenas da produção – no melhor estilo das aparições Alfred Hitchcock. Desta vez, ele aparece como um motorista que acaba tendo o seu carro miniaturizado. A fala dele é divertida, brincando com os “velhos tempos”. Eu babo e tiro o meu chapéu para Stan Lee. Grande sujeito!

Entre os aspectos técnicos do filme, sem dúvida alguma o destaque vai para os efeitos especiais e visuais da produção, assim como a maquiagem. Essa é a velha magia dos filmes da Marvel – e volta a funcionar em Ant-Man and the Wasp. Além disso, vale citar a direção de fotografia de Dante Spinotti e a edição de Dan Lebental e Craig Wood; assim como a trilha sonora de Christophe Beck; o design de produção de Shepherd Frankel; a direção de arte de Rachel Block, Michael E. Goldman, Kiel Gookin, Calla Klessig, Jay Pelissier, Domenic Silvestri e Clint Wallace; a decoração de set de Gene Serdena e Christopher J. Wood; e os figurinos de Louise Frogley.

Ant-Man and the Wasp estreou no dia 25 de junho de 2018 em uma première em Los Angeles. Depois, no dia 4 de julho, o filme estreou em 12 países, incluindo Dinamarca e Espanha. No Brasil o filme estreou no dia seguinte, dia 5 de julho.

Esse é nada menos que o vigésimo filme da Marvel dentro do “Marvel Cinematic Universe”. Uau! Para uma fã antiga de quadrinhos, eu jamais poderia imaginar que a Marvel chegaria tão longe. Acho bacana, especialmente pelo incentivo que isso dá para as HQs continuarem em evidência. Leiam quadrinhos! Garanto que é algo maravilhoso! 😉

E pensando aqui, que já são 20 filmes “made in” Marvel, certamente tenho que concluir que uma boa parte deles eu não assisti. Então não posso me considerar uma “especialista” da grife – ao menos nos cinemas. Um dos filmes que eu percebi agora que eu perdi foi o Ant-Man que lançou os personagens no cinema. Puff!!

Agora, uma curiosidade sobre essa produção. Nos quadrinhos, Ghost nunca lutou contra Ant-Man. Ou seja, eis uma “licença poética” desta produção.

Esse filme é dirigido por Peyton Reed. Nem lembrei de citar o nome dele antes porque, francamente, acho que ele faz um trabalho mediano e dentro do esperado – nada além disso.

Para quem é super fã do universo Marvel e tem certinho na mente a evolução dos personagens, vale citar: Ant-Man and the Wasp é ambientado no “capítulo oito da fase três do Universo Cinematográfico Marvel”.

Esse é o segundo filme da grife Marvel que estreia em 2018 tendo o ator protagonista como um dos roteiristas. O anterior foi Deadpool 2, onde Ryan Reynolds aparece nesses créditos – como Paul Rudd em Ant-Man and the Wasp.

Os usuários do site IMDb deram a nota 7,5 para Ant-Man and the Wasp, enquanto que os críticos que tem os seus textos linkados no Rotten Tomatoes dedicaram 224 críticas positivas e 34 negativas para esta produção, o que lhe garante uma aprovação de 87% e uma nota média de 6,9. Por sua vez, o site Metacritic apresenta um “metascore” 70 para o filme, fruto de 38 avaliações positivas e 13 medianas. Ou seja, o filme caiu no gosto de público e de crítica.

De acordo com o site IMDB, Ant-Man and the Wasp teria custado cerca de US$ 162 milhões – uma pequena fortuna, não? E conforme o site Box Office Mojo, o filme faturou US$ 164,6 milhões apenas nos Estados Unidos e outros US$ 188,9 milhões nos outros mercados em que o filme já estreou. Ou seja, no total, até o dia 22 de julho, o filme teria faturado cerca de US$ 353,5 milhões. Está no caminho de começar a dar lucro. E deve seguir nessa levada.

Ant-Man and the Wasp é uma produção 100% dos Estados Unidos. Assim, esse filme entra na lista de produções que atendem a uma votação feita há tempos aqui no blog.

CONCLUSÃO: Um filme bem “Sessão da Tarde”. Ant-Man and the Wasp nos entrega o básico do que é previsto para um filme de super-heróis. Ou seja, equilíbrio entre ação, drama, romance e comédia, diversas sequências ótimas de conflito e efeitos especiais, um bom grupo de atores e nada mais. A diferença desta produção para outras recentes da Marvel é que este filme foca na família e nas amizades, deixando para lá outros assuntos mais complexos – tratados em filmes como Black Panther e Avengers: Infinity War. Se você assiste a todos os filmes da Marvel, esse será apenas mais um no seu currículo. Se você está começando a ver a esse tipo de filmes, comece com algum outro – como Black Panther. Há filmes melhores do gênero. Mas para completar uma figurinha do álbum, esse filme é ok.

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Avengers: Infinity War – Vingadores: Guerra Infinita

Tudo o que os fãs dos super heróis esperam para um filme estrelado por eles encontramos em Avengers: Infinity War. Para começar, o que há de melhor em efeitos visuais e virtuais. As imagens mais incríveis criadas por artistas com a ajuda da tecnologia vemos em cena. Depois, temos alguns dos personagens mais amados das HQs reunidos e um super vilão – possivelmente o mais temido de todos os tempos – para ser combatido. Embalando tudo isso, um roteiro recheado de cenas de ação, de algumas piadas perspicazes e de certo drama pincelado aqui e ali.

A HISTÓRIA: Uma nave de refugiados está sendo atacada. Famílias de asgardianos estão sendo mortas, e um pedido de socorro percorre o Universo. Dentro da nave, Ebony Maw (Tom Vaughn-Lawlor), um dos mais fieis seguidores e aliados de Thanos (Josh Brolin), diz para as vítimas que elas devem se alegrar, porque elas serão sacrificadas em nome do equilíbrio do Universo. Thanos, por sua vez, diz que o destino sempre chega, e exige que Loki (Tom Hiddleston) lhe entregue o cubo de Tesseract para que Thor (Chris Hemsworth) não seja morto.

Thor diz que não adianta Thanos pedir por Tessaract porque ele foi destruído em Asgard. Mas Loki mostra o cubo e entrega uma das Joias do Infinito que Thanos tanto queria. Apesar de ceder, Loki diz que eles continuarão a ver a luz do dia, e afirma que eles tem o Hulk (Mark Ruffalo). Ele ataca Thanos, mas acaba sendo vencido. Antes de Hulk ser morto, contudo, Heimdall (Idris Elba), que está caído no chão, consegue enviar o gigante verde para a Terra. Agora, Thanos tem duas Joias do Infinito. Em breve, ele seguirá atrás das outras quatro, incluindo duas que estão na Terra.

VOLTANDO À CRÍTICA (SPOILER – aviso aos navegantes que boa parte do texto à seguir conta momentos importantes do filme, por isso recomendo que só continue a ler quem já assistiu a Avengers: Infinity War): Eu prometo tentar não escrever um texto gigante sobre esse filme, beleza? 😉 Como já comentei antes em algum texto aqui no blog, eu sempre fui uma grande fã de HQs. Li bastante, especialmente na adolescência. Hoje, leio mais The Walking Dead, apenas – e, eventualmente, alguma outra HQ mais antiga.

Dito isso, claro que eu já tinha visto os principais heróis da Marvel em ação antes. Dos vários filmes da grife lançados no cinema, assisti a alguns – mas a maioria, acredito, eu perdi. Dito isso, quero dizer sim que eu me lembrei de todos os personagens principais desse filme – exceto Thanos e seus aliados, dos quais eu não tinha lembrança.

Acho importante para você que, como eu, talvez não tenha assistido a todos os filmes de heróis da Marvel dos últimos 10 ou 15 anos, dar uma olhada nessa matéria do jornal O Globo. Nela, são citados os sete filmes mais importantes que você deveria assistir antes de conferir Avengers: Infinity War. O quarto e o sétimo filme da lista me parecem os mais importantes – os demais são bacanas também, mas para quem conhece bem os personagens dos quadrinhos, talvez eles não sejam tãoooo fundamentais assim.

Dito isso, comento que sim é possível assistir a Avengers: Infinity War sem ter visto aos sete filmes listados pelo O Globo ou mesmo às outras produções da Marvel que envolvem Os Vingadores e que não estão na lista. O importante mesmo é você conhecer relativamente bem os personagens, as suas personalidades e a importância de cada um naquela constelação de heróis. Fui assistir ao filme em um cinema 3D logo na primeira sessão de sábado, e qual a minha surpresa em conseguir um dos últimos ingressos para a sessão.

O cinema estava praticamente lotado – exceto pelas fileiras bem na frente, que ninguém quer. Tive sorte em consegui entrar. E gostei muito do que eu vi. Para começar, Avengers: Infinity War tem aquela pegada de uma nave no espaço sendo atacada que faz os fãs de cinema e da cultura nerd lembrarem imediatamente de Star Wars. Logo essa impressão desaparece quando vemos ao vilão Thanos, a Loki e Thor, o que nos faz “cair” rapidamente no universo da Marvel.

O começo de Avengers: Infinity War é ótimo. Com bons diálogos e uma luta bacana entre Hulk e Thanos que serve como um “cartão de visitas” do que veremos depois. Essa qualidade inicial do filme também acaba sendo um problema depois. (SPOILER – não leia se você não assistiu ao filme). Isso porque você acaba esperando um filme cheio de cenas de ação, de disputas e de muita adrenalina, mas temos várias partes da história com “cenas emotivas” entre dois ou mais personagens.

Sim, há cenas de ação que todo fã espera, mas talvez em menor número do que gostaríamos. No fim das contas, a narrativa mostra Thanos, que acredita que tem como “missão” exterminar metade da vida no Universo para que o equilíbrio seja reestabelecido, em busca das cinco Joias do Infinito que lhe faltam – ele começa a narrativa já com a Joia do Poder. Se Thanos conseguir o seu objetivo, ele se tornará onipotente e poderá, com um estralar de dedos, exterminar metade da vida nos planetas Universo afora.

Sobrevivem àquela cena inicial do filme os heróis Thor e Hulk. Cada um deles parte em uma direção para buscar aliados para tentar impedir Thanos. E aí que a narrativa se fragmenta, com um núcleo na Terra liderado por Hulk, Doutor Estranho (Benedict Cumberbatch), Tony Stark/Homem de Ferro (Robert Downey Jr.) e Peter Parker/Homem Aranha (Tom Holland) tentando proteger a Joia do Tempo que está com o Doutor Estranho, enquanto outro grupo, liderado por Thor e os Guardiões da Galáxia busca atacar Thanos em duas frentes.

Mesmo o grupo da Terra também acaba se dividindo. Depois de Doutor Estranho ser atacado por Ebony Maw e sequestrado por ele, o Homem de Ferro e o Homem Aranha conseguem embarcar na nave e seguir o vilão para tentar resgatar o Doutor Estranho, enquanto o Hulk, que ficou na Terra, entra em contato com Steve Rogers/Capitão América (Chris Evans).

Quando o Visão (Paul Bettany), que tem a Joia da Mente, passa a ser o novo alvo dos aliados de Thanos, o herói e a sua companheira Wanda Maximoff/Feiticeira Escalate (Elizabeth Olsen) acabam sendo socorridos por Steve Rogers, Sam Wilson/Falcão (Anthony Mackie) e Natasha Romanoff/Viúva Negra (Scarlett Johansson). Enfim, isso tudo vocês sabem, vendo o filme.

Mas fiz questão de contar toda essa fragmentação da narrativa para comentar como a história, que é linear e parece bastante “simples” no direcionamento da narrativa, acaba ganhando em velocidade e em fragmentação ao se dividir em algumas linhas de ação. Não temos apenas a Thanos perseguindo Joia por Joia. O tempo dos heróis fica mais curto porque enquanto Thanos persegue algumas Joias, os seus comparsas atacam outras frentes para conquistar as demais.

O objetivo dos heróis, por outro lado, é tentar preservar as Joias que estão no poder de dois membros desse grupo: Doutor Estranho e Visão. (SPOILER – não leia… bem, você já sabe). Enquanto isso, boa parte da turma dos Guardiões da Galáxia – com exceção de Groot (voz de Vin Diesel) e de Rocket (voz de Bradley Cooper), que acabam seguindo a direção de ajudar Thor a forjar um novo martelo para combater Thanos -, incluindo a “filha adotiva” do vilão, Gamora (Zoe Saldana), tentam impedir Thanos de conseguir as duas Joias que estão em outros lugares do Universo.

Como os fãs dos heróis da Marvel sempre esperam dos filmes que buscam honrar os personagens das HQs, Avengers: Infinity War tem ação, humor e suspense nas doses certas. Essa produção rende algumas boas risadas, em tiradas um tanto sarcásticas com as quais estamos acostumados. As cenas de ação são ótimas, mas talvez o filme poderia ter um pouco mais desse elemento.

A narrativa, que na maior parte do tempo se apresenta bem envolvente e ágil, tem algumas desaceleradas importantes – e, algumas vezes, elas me pareceram um tanto forçadas – para explorar o lado “sentimental” dos personagens. Sim, é bacana ver a tantos personagens importantes em cena. Também faz sentido que o roteiro de Christopher Markus e de Stephen McFeely explorasse as relações entre os personagens, mas algumas sequências entre eles me pareceram um tanto previsíveis e exageradas – especialmente as sequências entre Visão e Wanda Maximoff e entre Thanos, Gamora e Nebulosa (Karen Gillan).

Mas ok, nem sempre dá para um filme tão complexo como esse, com tantos personagens e tanta narrativa contada em diversos HQs e resumida em apenas uma produção, ser totalmente coerente ou equilibrado. O que importa, no fim das contas, é que Avengers: Infinity War atende a grande parte da expectativa dos fãs do gênero. Para começar, o filme é impecável nos efeitos especiais e visuais. Depois, para os fãs, é inegável o efeito de êxtase que uma produção com tantos astros e estrelas juntos, interpretando os seus personagens preferidos, desperta.

Também são importantes – e os pontos altos do filme – as cenas de batalha, luta e as de humor. Para arrematar tudo isso, ainda temos o final dessa produção. (SPOILER – não leia se você não assistiu ao filme). Assim como um dos arcos narrativos do HQ conta, em uma das realidades possíveis – o Doutor Estranho viu pouco mais de 4 milhões de alternativas ao viajar “no tempo” -, Thanos consegue todas as Joias do Infinito e faz realmente a limpa que ele gostaria no Universo.

Não deixa de ser emocionante e até de nos arrepiar quando vemos, no final de Avengers: Infinity War, diversos heróis sumindo na nossa frente após o sucesso de Thanos. É de doer o coração ver a T’Challa/Pantera Negra (Chadwick Boseman), o Homem-Aranha, Doutor Estranho, Peter Quill/Senhor das Estrelas (Chris Pratt) e tantos outros partirem tão repentinamente. Quando o filme acaba, a plateia fica se perguntando se aquilo realmente aconteceu.

Bem, avaliando as HQs que tratam sobre esse assunto, sim, em um dos arcos narrativos Thanos conseguiu exatamente o que queria. E se metade da população do Universo foi exterminada com o estrelar de dedos dele, é de se presumir que metade – ou um pouco menos – dos heróis também passaria pelo mesmo, não é?

Ainda assim, segundo o próprio Doutor Estranho comentou ao viajar no tempo, havia uma possibilidade – entre mais de 4 milhões – dos heróis vencerem o vilão. Quem sabe essa possibilidade realmente não aconteceu em alguma realidade paralela e os heróis conseguem reverter o que sucedeu nas demais linhas narrativas?

Estou apenas fazendo uma especulação aqui. Mas mesmo que o final seja aquele mesmo, interessante ver a um filme da Marvel que não termina com os heróis se dando bem – afinal, nem sempre é isso que acontece. Uma outra possibilidade que vejo no desdobramento desse filme é que na próxima produção os Vingadores e os Guardiões da Galáxia que restaram realmente unam as forças (talvez até com a adição de outros heróis) e, ao derrotar Thanos, eles consigam “restabelecer” a vida com a Manopla do Universo e as suas Joias. Afinal, se um estralar de dedos mata metade da população do Universo, por que um novo estralar de dedos não poderia “reviver” as mesmas pessoas? A conferir, pois.

Pensando na cena que vemos após os créditos e que mostra Nick Fury (Samuel L. Jackson) também desaparecendo, mas, antes, enviando uma mensagem de Código Vermelho, podemos presumir que o alerta será respondido por alguém. Provavelmente pelos heróis que restaram – e que devem se reunir para enfrentar Thanos. Então muito mais virá pela frente ainda.

Finalizando essa crítica, comento que esse filme me agradou, mas que ele teve um impacto menor do que outra produção recente que assisti baseada em HQs: Black Panther (comentada por aqui). Se, por um lado, Avengers: Infinity War agradou pelos efeitos visuais e especiais e por fazer desfilar tantos astros e personagens legais na nossa frente, por outro lado essa quantidade de personagens torna a narrativa menos rica. Diferente de Black Panther, que teve muito mais espaço para desenvolver os personagens e suas relações.

Apesar disso, vale comentar como Avengers: Infinity War trata de um assunto que parece exagerado mas que já fez parte da nossa história no passado e que volta à tona agora, com o recrudescimento de posturas de direita extremista: o desejo de alguns de determinar quem deve viver ou morrer e de, movidos por essa ânsia, promover “limpas” e/ou genocídios de contingentes importantes em nome de um “equilíbrio” da sociedade.

Hitler, antes, defendia o extermínio de vários grupos que não eram da “raça superior”. Vários políticos, atualmente, querem fechar fronteiras para refugiados, tirar do próprio território pessoas que eles consideram “indignas” de estar no país e outros tipos de exclusão/extermínio por causa de raça ou credo.

Muitos, a exemplo de Thanos, defendem essas práticas em nome do “equilíbrio” e como solução para o crescimento da população e a diminuição dos recursos finitos da Terra. Assim, guardadas as devidas proporções de um filme de ficção e baseado em HQs, Avengers: Infinity War nos faz pensar sobre questões bastante reais e que fazem parte da nossa realidade – mesmo que não estejamos inseridos (ainda) em regimes de exceção. Mas vale o alerta – e a reflexão.

Dito isso, devo comentar que sim, Avengers: Infinity War e Black Panther são estilos de filmes bem diferentes, com propostas igualmente diferenciadas. Mas, inevitavelmente, sempre comparamos as nossas experiências com o cinema. Assim, sendo, gostei sim de Avengers: Infinity War, mas não tanto gostei de Black Panther. Dito isso, quero dizer que vale muito a pena assistir a Avengers: Infinity War em 3D e nos cinemas, é claro.

NOTA: 9,2.

OBS DE PÉ DE PÁGINA: Eu li a algumas histórias de Thanos. Mas não sou nenhuma especialista no super vilão e em suas peripécias envolvendo Os Vingadores e demais heróis das HQs – como o Surfista Prateado. Mas do que eu conheço e do que eu li, me parece que Avengers: Infinity War toma diversas “licenças poéticas”, digamos assim. Parece que o filme não é muuuuito fiel aos quadrinhos. E beleza os realizadores produzirem algo diferente, mas fico me perguntando se o filme ficou melhor que o original. Se tiver algum especialista por aqui que puder comentar, agradeço.

Falando em Thanos e as suas peripécias, se você, como eu, não é um(a) especialista no assunto, sugiro dar uma conferida em dois sites que ajudam a nos situar sobre esse personagem e as suas narrativas na Marvel. A primeira leitura que eu recomendo é essa, do site Universo HQ, que dá uma bela resumida no personagem e em suas aparições em gibis da Marvel. Depois, sugiro a leitura desse texto do site Aficionados que traz um bom resumo sobre as Joias do Infinito, incluindo a função de cada um delas e os seus atuais e antigos detentores. Leituras bastante recomendadas e que ajudam a rememorar e/ou conhecer alguns fatos envolvendo Thanos e as Joias.

Enquanto eu via o vilão Thanos na minha frente, era impossível para mim não lembrar de personagens da mitologia grega como Thánatos e Hades. Quem já ouviu falar deles – quem sabe em uma música da Legião Urbana – sabe que eles estão ligados à morte e à destruição. Ou seja, faz muito sentido o nome de Thanos, que acredita que tem como “missão” matar para colocar equilíbrio no Universo. Quem quer saber um pouco mais sobre Thánatos e Hades, pode encontrar uma boa introdução nesse texto da Wikipédia.

O roteiro de Christopher Markus e Stephen McFeely é inspirado em uma série de personagens criados por alguns dos grandes gênios da história das HQs. Vale citar toda a inspiração dos roteiristas: eles se inspiraram nos quadrinhos de Stan Lee e Jack Kirby; no personagem do Capitão América criado por Joe Simon e Jack Kirby; no Senhor das Estrelas (Star-Lord) criado por Steve Englehart e Steve Gan; no Rocket Raccoon criado por Bill Mantlo e por Keith Giffen; no Thanos, Gamora e Drax criados por Jim Starlin; no Groot criado por Stan Lee, Larry Lieber e Jack Kirby; e na Mantis criada por Steve Englehart e Don Heck.

Como comentei antes, um dos destaques de Avengers: Infinity War é o elenco estelar da produção. Entre os vários nomes em cena, destaco as atuações de Chris Hemsworth, de Mark Ruffalo, de Benedict Cumberbatch, de Zoe Saldana, de Josh Brolin e de Chris Pratt. Aparecem bastante na produção, mas achei que com um nível de interpretação um pouco menor, os atores Robert Downey Jr., Chris Evans, Scarlett Johansson e Tom Holland. Eles estão bem, mas acho que se destacam menos que os anteriores.

Além deles, vale citar o bom trabalho de Scarlett Johansson, Don Cheadle, Chadwick Boseman, Karen Gillan, Paul Bettany, Elizabeth Olsen, Vin Diesel, Bradley Cooper, Benedict Wong e Letitia Wright. Eles aparecem um pouco menos que os atores citados anteriormente, mas fazem um bom trabalho. Estão bem no filme, mas em papéis ainda menos – quase de pontas – os atores Tom Hiddleston, Anthony Mackie, Sebastian Stan, Idris Elba, Danai Gurira, Peter Dinklage, Pom Klementieff, Dave Bautista, Gwyneth Paltrow, Benicio Del Toro, Winston Duke e Florence Kasumba.

Os diretores Anthony Russo e Joe Russo fazem um belo trabalho com Avengers: Infinity War, especialmente nas cenas de ação. Pena que o roteiro não acompanhou tão bem o talento dos diretores.

Avengers: Infinity War teve a sua première em Los Angeles no dia 23 de abril de 2018. No dia 25, dois dias depois da première, o filme estreou nos cinemas de 25 países. No dia 26, estreou em outros 28 países, incluindo o Brasil. Assisti ao filme ontem, dia 28 de abril, em uma sessão praticamente lotada.

O filme deve consagrar-se com uma das grandes bilheterias de todos os tempos. Segundo o site Box Office Mojo, Avengers: Infinity War faturou, até o dia 29 de abril, US$ 250 milhões nos Estados Unidos e outros US$ 380 milhões nos outros países em que o filme estreou até essa data. Ou seja, em poucos dias, ele faturou US$ 630 milhões. Se seguir nessa pegada, logo ele será um filme com faturamento bilionário. Impressionante. Quem mesmo disse que as pessoas não vão mais nos cinemas? Para determinados filmes, não faltará público e lucro.

Agora, algumas curiosidades sobre essa produção. As filmagens de Avengers: Infinity War começou em janeiro de 2017 e terminou em janeiro de 2018. Essa produção foi rodada simultaneamente ao novo filme Avengers, que dá continuidade a Infinity War mas que ainda não tem o título definido e que deverá estrear nos cinemas em 2019.

De acordo com o presidente da Marvel Studios, Kevin Feige, a formação dos Vingadores vai mudar substancialmente entre esse filme lançado em 2018 e o próximo que será estrelado pelo grupo de heróis. Dá para entender o porquê disso assistindo a Avengers: Infinity War. 😉 Ainda segundo Feige, Avengers: Infinity War é o ponto alto de toda a saga dos super heróis da Marvel porque esta produção seria o “resultante” de todos os filmes anteriores.

Nesse filme, os atores Robert Downey Jr. e Chris Evans completam nove produções em que eles interpretam os personagens Homem de Ferro e Capitão América, respectivamente. Assim, eles empatam com Hugh Jackman, que também interpretou em nove filmes o personagem Wolverine. Mas tanto Downey Jr. quanto Evans demoraram muito menos tempo que Jackman para chegar a esse marco de nove produções interpretando o mesmo herói de HQ. Enquanto Jackman demorou 16 anos para somar esses nove filmes, Evans demorou sete anos e Downey Jr. demorou 10 anos.

Avengers: Infinity War é o primeiro filme – sem ser um documentário – totalmente filmado com câmeras IMAX.

O primeiro trailer de Avengers: Infinity War registrou 200 milhões de visualizações em 24 horas, o que estabeleceu um novo recorde para visualizações de um trailer em um único dia.

Quando eu estava no cinema, eu achei o filme um tanto longo… mas só agora eu me dei conta que Avengers: Infinity War tem 156 minutos de duração, ou seja, 2 horas e 36 minutos! Uau! No cinema, ele parece longo, mas não dá para perceber que ele tem mais de duas horas e meia. Por ter toda essa duração, Avengers: Infinity War é o filme baseado em HQs mais longo da história do cinema.

De acordo com os produtores do filme, Avengers: Infinity War está inspirado em três marcos narrativos das HQs da Marvel: The Infinity Gauntlet, The Thanos Imperative e Infinity. O enredo Civil War das HQs da Marvel, contudo, não tem nada a ver com a narrativa do filme. Que bom que esclareceram isso, porque realmente me pareceu estranho as HQs e o filme terem o mesmo nome mas não terem nada a ver uns com os outros.

Os usuários do site IMDb deram a nota 9,1 para esta produção, enquanto que os críticos que tem os seus textos linkados no Rotten Tomatoes dedicaram 226 críticas positivas e 42 negativas para o filme, o que lhe garante um nível de aprovação de 84% e uma nota média de 7,5. Especialmente o público está amando essa produção – mais do que os críticos. Reação mais que compreensível dos super fãs do Universo Marvel. No site Metacritic, Avengers: Infinity War apresenta um metascore de 68. Esse indicador resume 38 críticas positivas, 13 medianas e uma negativa.

Avengers: Infinity War é uma produção 100% dos Estados Unidos. Assim, esse filme atende a uma votação feita há bastante tempo aqui no blog.

CONCLUSÃO: Todos esperavam pela estreia de Avengers: Infinity War. Os fãs de HQ “raiz”, os fãs dos filmes que estão arrasando as bilheterias a cada nova estreia e mesmo aqueles que não são tão fãs assim desse gênero. Afinal, tanto se falou dessa produção… Como filmes do gênero competentes foram lançados recentemente, ficou difícil para esse filme superar toda essa expectativa. Então sim, Avengers: Infinity War é uma bela experiência de cinema. Um show de efeitos especiais e um belo desfile de astros e estrelas. O filme também agrada por não acabar de maneira óbvia, mas está longe de ser uma produção inesquecível. Vale pelo entretenimento e pelo visual. Mas isso é tudo.

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Black Panther – Pantera Negra

Um filme envolvente, com um elenco incrível e com alguns questionamentos bastante relevantes para os nossos dias. Black Panther é um desses filmes baseados em personagens de HQ que nos fazem sorrir no final da projeção. Nem tanto por ser engraçado, mas por sentirmos que a experiência de ter ido no cinema valeu a pena. Bem feito, com uma história bem parecida com o original do HQ, Black Panther é um dos belos exemplos do gênero – e que não interessa apenas para os fãs das adaptações de HQ, diga-se de passagem.

A HISTÓRIA: Começa na África, na origem dos tempos, quando cinco tribos lutavam entre si. Esses confrontos resultava em muitas mortes e destruição, até que são feitas orações para a Deusa Pantera, que escolhe uma liderança que se torna o primeiro Pantera Negra. Quatro tribos aceitam essa liderança e se unem ao redor do novo líder, menos a tribo das montanhas, que se isola e que não aceita o Pantera Negra. Corta. Em 1992, em Oakland, na Califórnia, um grupo de garotos joga basquete na quadra próxima de alguns prédios.

Enquanto isso, em um apartamento, N’Jobu (Sterling K. Brown) combina os últimos detalhes do que parece ser um crime com o jovem Zuri (Denzel Whitaker). N’Jobu percebe que há algo de errado do lado de fora. Zuri tenta descobrir o que está acontecendo e ele brinca que existem duas mulheres parecidas com Grace Jones e com lanças do lado de fora da porta. Chega no local o jovem rei T’Chaka (Atandwa Kani), que pergunta para N’Jobu e Zuri se eles sabem quem está roubando e comercializando o vibranium de Wakanda. Essa busca será uma questão fundamental nessa história.

VOLTANDO À CRÍTICA (SPOILER – aviso aos navegantes que boa parte do texto à seguir conta momentos importantes do filme, por isso recomendo que só continue a ler quem já assistiu a Black Panther): Eu sempre gostei de ler HQs. Desde que eu era criança e o meu pai me apresentou algumas, em casa, e, depois, o meu irmão começou a assinar um pacote de quadrinhos da Marvel. Todos os meses, recebíamos aquelas histórias em casal, e foi aí que eu comecei a gostar e conhecer os Vingadores, o Homem-Aranha, os X-Men, Conan, entre outros.

Depois, quando eu comecei a ter um dinheiro para chamar de meu, comecei a virar “rata” de sebos e passei a comprar os meus próprios HQs. Depois, com o tempo e a correria da vida “adulta”, larguei os HQs, até que há algum tempo eu resgatei um pouco esse hábito com The Walking Dead e outras leituras. Dito isso, esses tempos, busquei as origens dos Vingadores, e aí que eu me deparei com a origem também do Pantera Negra.

Apesar de gostar de HQs e de ser uma “viciada” em filmes e séries – sempre bem selecionados -, eu admito que não sou uma “fanática” por filmes baseados em histórias em quadrinhos. Dito isso, sim, fiquei na dúvida em assistir Black Panther. Mais que nada, porque eu não sabia se ele teria ou não uma grande relação com os filmes anteriores do universo Marvel – muitos dos quais eu não assisti.

Para o meu alívio, um amigo me disse que não, que esse era um filme independente dos outros e que eu poderia vê-lo sem erro. E era verdade. Black Panther apresenta a história do nosso herói, mas sem ligações com os outros personagens dos Vingadores.

A primeira característica que me chamou atenção nesse filme, além daquela interessante introdução “animada” sobre a origem dos tempos e as eternas disputas entre tribos e civilizações, foi o excelente elenco dessa produção. Realmente selecionado a dedo. Todos os atores estão bem, sem exceções, mas com especial destaque para as mulheres. Ou seja, esse filme não se destaca apenas por um ótimo elenco majoritariamente negro, mas também por ter mulheres em papéis fundamentais da produção.

Então sim, esse filme tem um papel importante de valorização de negros e mulheres que, todos nós sabemos, geralmente não tem as mesmas oportunidades ou são valorizados da mesma forma que os homens brancos. E o melhor: para contar a história do Pantera Negra, toda essa valorização não parece “forçada”, mas faz todo o sentido. Então o elenco é o primeiro ponto que chama a atenção. Depois, claro, os efeitos especiais e visuais do filme.

A história começa com uma introdução muito bem feita e com uma dinâmica interessante. Logo naquele começo, em poucos minutos, percebemos que a disputa por poder é uma questão importante para a história. E que a divisão interna entre diferentes “tribos” também é um ponto fundamental. Em seguida, já entramos na trama dos personagens centrais de Wakanda. Como pede um roteiro “clássico”, partimos de um acontecimento aparentemente sem graaaaande importância para “os tempos atuais” para, depois, conforme a história avança, entender que aquele acontecimento era um ponto crucial da trama.

(SPOILER – não leia se você ainda não assistiu ao filme). E assim, primeiro vemos à cena em que os irmãos T’Chaka e N’Jobu se desentendem sobre qual era o papel do avanço obtido por Wakanda no mundo. Em contato com a realidade do “mundão”, em que negros sofrem cotidianamente com diferentes formas de violência, preconceito e marginalização, N’Jobu acreditava que o vibranium deveria ser “compartilhado” e “democratizado” no mundo como uma arma/ferramenta para justamente fazer justiça contra os oprimidos e excluídos.

Black Panther mostra que, por mais boas intenções que alguém tenha, a forma como a pessoa busca o seu senso de justiça faz toda a diferença. N’Jobu tentou buscar justiça para o seu povo através de artifícios complicados – e, principalmente, enganando o seu próprio irmão. Quando o conflito entre irmãos volta à cena “reeditado” na disputa da segunda geração, ou seja, dos primos T’Challa (Chadwick Boseman) e Erik Killmonger (Michael B. Jordan), descobrimos que N’Jobu não foi levado para o julgamento do Conselho de Wakanda, mas acabou sendo morto pelo próprio irmão.

Algo interessante nesse filme é como ele questiona alguns pontos muito presentes na nossa política e geopolítica atuais. Por exemplo, quantos conflitos temos hoje em diferentes partes do mundo que parecem uma “disputa sem fim”, ao exemplo da queda de braço familiar que vemos em Black Panther? Quantos “lados” de uma história acabam adotando as mesmas práticas que dizem condenar no lado oposto de um conflito? Quantas disputas e quanta morte continua acontecendo sem que as pessoas realmente se perguntem o porquê delas estarem fazendo aquilo?

Tudo isso chamou muito a atenção nesse filme. Como Black Panther, apesar de ser um entretenimento e apesar de ter muitos elementos previsíveis, é muito mais do que isso. Os fins justificam os meios? A exploração e a violência que os negros historicamente sofreram e continuam sofrendo justifica que essa moeda seja virada e que os brancos comecem a ser igualmente explorados, violentados e exterminados? Claro que a realidade não pode continuar como está, mas qual realmente pode ser a saída para esses conflitos sem que as pessoas que buscam justiça cometam os mesmos “pecados” e/ou crimes que os algozes que elas querem combater?

Essas são questões que rendem um longo, longo debate. Também é possível chegar a mais de uma resposta para estas perguntas. Da minha parte, eu sempre vou preferir o caminho de Gandhi, que defendeu sempre a não-violência. E falo dele para não citar um exemplo ligado à religião. Porque acho que estas decisões são tomadas pela gente no dia a dia, independente de nossa fé – ou da nossa falta de fé. Em tempos em que no Brasil – e em outras partes – muita gente inteligente defende que “cidadãos de bem” (odeio esse termo, quero deixar claro) tenham o direito de se armar para “defender” os seus direitos, acho que todos nós temos que parar para pensar sobre as saídas para os nossos problemas.

Isso é algo fundamental em Black Panther, diga-se de passagem. Afinal, o rei está morto… vida longa ao rei! Mas quem será o novo rei? Quatro tribos concordam que seja o filho do rei morto, ou seja, que T’Challa assuma o poder. A quinta tribo, que sempre se manteve “independente”, busca acabar com a dinastia no poder. M’Baku (Winston Duke) segue as tradições e enfrenta T’Challa em uma disputa justa, mas perde. Tudo parece sob controle, exceto pelo problema anteriormente não resolvido do invasor, assassino e ladrão de vibranium, Ulysses Klaue (Andy Serkis).

Mas nem tudo é simples, seja em Black Panther, seja na vida real. Assim, não demora muito para T’Challa descobrir, mais uma vez, que a maior ameaça de Wakanda não são os “invasores bárbaros” ou as ameças externas, e sim a ameaça interna e a disputa em seu próprio povo. Essa questão renderia uma tese de doutorado, provavelmente. Afinal, quantas civilizações já não caíram por causa de disputas internas? O lema “dividir para conquistar” é usado, literalmente, desde os tempos do romano César. E o mais incrível é que ele continua sendo usado, e com um bocado de eficiência, até hoje. Basta ver as disputas na “arena” das redes sociais e em outros espaços urbanos do Brasil e de outros países.

Assim, apesar do roteiro de Ryan Coogler e de Joe Robert Cole, baseado nos personagens do HQ criado por Stan Lee e Jack Kirby, ser um bocado previsível e até um pouco redundante – ao menos nessa parte da “disputa interna” -, ele se mostra muito, muito atual. Eu diria até, assustadoramente atual. O primeiro “extra” desse filme, aliás, é um belo manifesto dirigido para Donald Trump e para tantas outras figuras da política que utilizam como estratégia central a política da divisão de César e de tantos outros homens com poder que vieram depois.

Agora, falando menos de política e de geopolítica e tratando mais do filme, Black Panther é uma produção envolvente, com um bom ritmo e com um elenco excepcional. Especialmente o elenco “me ganhou”. Apesar dessas qualidades, esse não é um filme perfeito. Sim, ele traz importantes conquistas para os atores e realizadores negros – assim como para as mulheres. Trata de temas mais que atuais. Mas, apesar disso, devo dizer que eu esperava que Black Panther fosse além da origem do mais recente Pantera Negra.

Sim, foi importante essa produção tratar bastante sobre os temas das divisões internas, da busca pelo poder, do uso da tecnologia e dos recursos para um bem “maior” que não apenas a riqueza de uma nação. Mas eu esperava que o filme avançasse um pouco na história, pelo menos mostrando um pouco melhor a origem do Pantera Negra – no sentido da criação e dos valores que T’Challa recebeu do pai e de seus antepassados – e também a ligação dele com os Estados Unidos.

Afinal, esse personagem foi originalmente lançado por fazer parte dos Vingadores… não seria interessante sabermos um pouco mais sobre a relação dele com o país que, depois, o faria defender interesses que não são, exatamente, os de Wakanda? Claro, teremos muitos filmes da Marvel ainda pela frente para ver o desenvolvimento deste personagem. Quem sabe, até, uma outra produção que foque no Pantera Negra e não em todos os Vingadores. Mas acho que Coogler e Cole perderam uma boa oportunidade de nos fazer “entrar” mais no personagem.

Apesar desse porém e de uma certa “repetição” de lutas e de disputas internas, Black Panther é um filme que merece ser visto. E não apenas pelos fãs da Marvel ou dos personagens de HQs. Essa produção extrapola estes círculos e se revela uma bela peça de cinema independente. Um pouco ao estilo de Logan (comentado aqui), que trata de questões que ultrapassam as HQs e que entram mais no estudo de personalidades e nas relações humanas (ou entre “raças superiores” e humanos, como é o caso do X-Men) – algo que, para os leitores mais vorazes, é o que faz as HQs serem tão interessantes, além de outros fatores.

Então, seja por vários questionamentos que essa produção sucinta, seja por valorizar talentos que nem sempre são devidamente valorizados ou seja pela história envolvente e com uma boa dinâmica que apresenta, Black Panther merece ser visto. Seja você fã ou não do gênero. Esse filme entra na seleta lista de produções baseadas em HQs que extrapolam o gênero e que conseguem aliar bem entretenimento com crítica social. Por tudo isso, acredito que o filme merece o sucesso que está tendo. Não sei se ele consegue chegar com força no Oscar 2019 – acho muito difícil -, mas seria bom vê-lo ser indicado/lembrado ao menos em algumas categorias.

NOTA: 9.

OBS DE PÉ DE PÁGINA: Puxa, eu queria escrever pouco sobre esse filme. Mas quem disse que eu consegui? Assisti a Black Panther na semana passada, mas só hoje consegui terminar o texto que comecei no sábado. Me desculpem por não atualizar o blog na semana passada, mas a vida está extra corrida. De qualquer forma, vale lembrar que teremos a entrega do Oscar no próximo domingo. Mais uma vez, farei a cobertura da premiação por aqui. Então, aguardem e confiem. E sim, vamos correr para assistir a mais algum filme que falta da lista até lá. 😉

Como comentei na crítica de Black Panther, essa produção tem diversas qualidades. Além da história de Wakanda e do Pantera Negra ser muito, muito atual, esse filme tem o grande mérito de ter escolhido a dedo alguns dos melhores atores do mercado. Em cena, temos o prazer de ver o trabalho de nomes como Lupita Nyong’o (eu admito que eu fico arrepiada cada vez que vejo ela em cena, e isso desde 12 Years a Slave, comentado aqui), Danai Gurira, Letitia Wright, Florence Kasumba, Angela Bassett (sim, as mulheres dão um show à parte nesse filme), Chadwick Boseman, Daniel Kaluuya, Michael B. Jordan, Winston Duke, Sterling K. Brown (também fico arrepiada quando ele aparece em cena, sempre), Forest Whitaker, John Kani, Martin Freeman e Andy Serkis (que está excepcional, em um de seus melhores trabalhos na carreira).

A lista é grande, não é mesmo? Mas fiquei especialmente fascinada pelo trabalho das mulheres do elenco. Acho que esse filme segue uma linha recente de produções que valorizam – finalmente! – o talento feminino e os papéis de mulheres fortes. Não sei vocês, mas eu tive a sorte de ser educada e de ter como mãe uma mulher fenomenal, de uma sensibilidade, inteligência e fortaleza que inspiram. E sempre tive ótimos exemplos de mulheres – amigas, colegas de trabalho, entre outras – na vida, então fico muito feliz que o cinema esteja, pouco a pouco, nos presenteando com personagens de mulheres interessantes e com essas características.

Além do elenco feminino, para o qual eu bato palmas – para Lupita Nyong’o, Danai Gurira, Letitia Wright, Florence Kasumba e Angela Bassett, em especial -, acho que os talentos que se destacaram nessa produção foram, na ordem de importância (não para a trama, mas de entrega para o personagem): Andy Serkis, Chadwick Boseman e Michael B. Jordan. Gosto muito do Daniel Kaluuya, do Winston Duke, do Martin Freeman, do Forest Whitaker e do Sterling K. Brown, mas acho que esses atores foram “eclipsados” um pouco pelos outros nomes e acabaram tendo personagens muito secundários na trama. Sem dúvida alguma eles tem talento de sobra e poderiam ter sido melhor aproveitados na trama.

Como sempre, e seguindo um pouco a “tradição” criada por Alfred Hitchcock, o “criador” das “criaturas” Stan Lee faz uma aparição divertida em Black Panther. Se tem um cara, a exemplo de Hitchcock, que merece ser imortalizado nos filmes é o grande Stan Lee. Figura emblemática!

Um parabéns especial também para o diretor e roteirista Ryan Coogler. Pelo nome, não exatamente liguei  o “nome à pessoa”. Mas buscando a filmografia de Coogler, vi que ele tem uma bela trajetória mesmo tendo apenas 31 anos de idade – ele completa 32 anos no dia 23 de maio. Coogler tem apenas sete títulos no currículo como diretor, sendo três desses títulos de curtas – lançados entre 2009 e 2011 -, três longas e uma série de TV.

Antes de dirigir Black Panther, Coogler fez o seu nome ser projetado com as produções Fruitvale Station e Creed. Admito que não ter assistido a Fruitvale Station é uma das falhas do meu currículo – eu queria ver o filme, mas até hoje não “sobrou” tempo para isso. Mas eu assisti a Creed, filme que comentei nesse link. Apenas pelo trabalho apresentado até agora, Coogler já demonstrou que tem uma postura e uma “pegada” bastante claras, potentes e com assinatura. Tudo indica que valerá a pena ficarmos de olho nele e seguir os seus próprios passos.

Além do ótimo elenco, que é um dos pontos fortes de Black Panther, o filme satisfaz a exigência das pessoas que gostam de ação, algumas pitadas de humor e uma boa dose de adrenalina em cenas de perseguições de carros e de disputas “mano a mano”. Junto com isso, vale ressaltar o visual da produção, especialmente nas cenas que exploraram a Wakanda “verdadeira e escondida”.

Dito isso, vale destacar diversos aspectos técnicos do filme. Começando pela ótima trilha sonora de Ludwig Göransson, e passando pela direção de fotografia de Rachel Morrison; pela edição de Debbie Berman e Michael P. Shawver; pelo design de produção de Hannah Beachler; pela direção de arte de Jason T. Clark, Joseph Hiura, Alan Hook, Alex McCarroll, Jay Pelissier e Jesse Rosenthal; pela decoração de set de Jay Hart; pelos figurinos muito interessantes de Ruth E. Carter; e chegando até o trabalho dos 59 profissionais envolvidos com o Departamento de Maquiagem; e as centenas de profissionais responsáveis pelo Departamento de Arte, os Efeitos Especiais e os Efeitos Visuais.

Esses últimos três elementos são fundamentais para satisfazer o público que curte um grande visual e todo o potencial que o cinema moderno disponibiliza para as grandes produções. Mais um belo exemplo do gênero – exceto, talvez, pela “parede” de pessoas que assistem à primeira disputa pelo trono, entre T’Challa e M’Baku… aquela parte me pareceu um tanto “mal acabada”. Mas é apenas um pequeno detalhe, que não desmerece todo o esmero com outras sequências da produção.

Black Panther estreou no dia 29 de janeiro em uma première em Los Angeles. Depois, no dia 13 de fevereiro, a produção estreou no circuito comercial do Reino Unido, de Hong Kong, da Irlanda e de Taiwan. O filme estreou no Brasil dois dias depois, no dia 15 de fevereiro.

Essa produção tem nada menos que 110 curiosidades listadas no site IMDb. Eu não vou comentar todos, mas apenas alguns dos mais interessantes da lista. O diretor Ryan Coogler comparou as minas de vibranium de Wakanda com a situação real das minas do Congo, onde o “valão mineral valioso”, utilizado na fabricação de produtos digitais, está sendo explorado.

O tipo de luta que vemos em Black Panther é inspirada nas artes marciais africanas. Coogler também citou como referência as cenas de ação de Creed e da série de filmes Kingsman.

O personagem de Black Panther foi lançado em julho de 1966, dois meses antes da fundação do Partido dos Panteras Negras, nos Estados Unidos. Muitas pessoas acharam que o personagem tinha a ver com o movimento que buscava justiça para os negros. Por isso o personagem chegou a ser rebatizado para Black Leopard. Mas como nem os leitores e nem os criadores do personagem gostaram da mudança, esse nome não durou muito.

Quem quer curtir todas as curiosidades e notas de produção desse filme, pode acessar todos os itens nessa página do site IMDb.

Achei Black Panther um tanto longo demais. Acho que aquela longa batalha entre os dois lados que apoiam T’Challa e Erik poderia ter sido menor, assim como alguns outros minutos de outras partes poderiam ter sido facilmente eliminados. Um filme durar mais do que duas horas tem que ter muito, muito argumento para isso. Acho que Black Panther poderia ser um pouco mais curto sem fazer a história perder nada de importante.

Eu não encontrei informações sobre os custos dessa produção, mas é fato que Black Panther já é um sucesso de bilheteria. Até o dia 25 de fevereiro – ou seja, em menos de duas semanas de estreia em alguns mercados -, o filme acumulou pouco mais de US$ 403,6 milhões nas bilheterias dos Estados Unidos e pouco mais de US$ 305,3 milhões nos outros mercados em que ele estreou. Ou seja, ultrapassou a barreira dos US$ 708,9 milhões.

Isso já coloca Black Panther como o terceiro filme que conta a origem de um super herói com a melhor bilheteria da história, segundo o site Box Office Mojo. Ele já ocupa também a quinta colocação entre os filmes do Universo Marvel com a melhor bilheteria e é a quarta maior bilheteria em uma semana de estreia. Tudo indica que ele vai seguir na trajetória ascendente e vai fazer história não apenas na proposta conceitual da produção, mas também no faturamento que vai obter.

Os usuários do site IMDb deram a nota 7,9 para esta produção, enquanto que os críticos que tem os seus textos linkados no Rotten Tomatoes dedicaram 331 textos positivos e apenas 11 negativos para Black Panther – isso garante que o filme tenha uma aprovação de 97% e uma nota média de 8,2. Especialmente a nota do site Rotten Tomatoes está acima da média – o que prova que filmes de HQ com qualidade podem agradar não apenas ao público, mas também à crítica.

Esse filme é uma produção 100% dos Estados Unidos. Sendo assim, ele atende a uma votação feita há tempos aqui no blog e que pedia foco de várias críticas nos filmes daquele país. 😉

Black Panther não tem os efeitos visuais tão trabalhados para fazer com que seja fundamental assisti-lo em 3D, mas ele funciona bem nesse formato. Então sim, vale a pena assistir essa produção nesse formato. Mas o que eu achei fraquinho foi o “spoiler” no final de todos os créditos – aquele que os fãs do gênero já estão habituados a esperar e a assistir e que introduz o próximo filme da saga Marvel. Achei a sequência fraquinha. Eu esperava mais.

CONCLUSÃO: Um filme que faz jus ao personagem, sua história, sua cultura e seus valores. Isso é tão, mas tão importante! Afinal, quantos filmes realmente são fieis ao original? Além de ter essa preocupação e mérito, Black Panther também valoriza como poucas produções o talento dos atores negros e faz o público pensar sobre questões importantes. Quando alguns defendem com força o “nós contra eles” e as divisões, surgem obras como essa para nos lembrar que não é separados e isolados que vamos conseguir vencer os nossos problemas.

Com ótimas cenas de ação para saciar o desejo do público que curte esse estilo de filme e, ao mesmo tempo, um belo elenco, Black Panther apenas peca um pouco por não desenvolver tão bem os personagens centrais. Também senti falta do filme passar da origem do Pantera Negra e explicar um pouco mais da sua chegada aos Estados Unidos. Mas, no geral, é um belo filme, com o “coração” no lugar certo e com uma valorização importante de talentos que merecem cada vez mais espaço na indústria do cinema. Vale assistir, especialmente se você gosta do gênero.