Hymyilevä Mies – The Happiest Day in the Life of Olli Mäki – O Dia Mais Feliz da Vida de Olli Mäki


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Qual é a medida do sucesso? Afinal de contas, o que significa vencer? O simples, belo e interessante Hymyilevä Mies (The Happiest Day in the Life of Olli Mäki no título internacional) nos apresenta estas questões de forma muito sutil. Enquanto alguns poderiam encarar o circo que orbita uma grande conquista como o ápice da trajetória e de tudo que eles fizeram, outros como o protagonista deste filme encontram sentido muito além daqueles holofotes e daquela pressão por resultados e apertos de mãos. Eis um filme singelo e muito, muito eficaz em sua mensagem. Uma grande produção que mereceu sim avançar na lista dos indicados ao Oscar de Melhor Filme em Língua Estrangeira em 2017.

A HISTÓRIA: Olli Mäki (Jarkko Lahti) entra devagar no vagão do trem. Ele observa tudo, com atenção. Corta. Olli tenta fazer o carro pegar, e consegue fazer isso acionando o afogador. Ele retira as crianças do automóvel e parte para se encontrar com Raija Jänkä (Oona Airola). Ele percorre um bom caminho passando por bosques até que chega na casa de Raija. Ele cumprimenta o pai da garota e outras pessoas da família até que encontra Raija, que lhe diz que eles vão a um casamento. Durante a cerimônia, vários homens pergunta para ele sobre o seu peso e sobre a categoria em que ele vai disputar o cinturão de boxe. Em breve ele tentará fazer história em uma luta contra um norte-americano.

VOLTANDO À CRÍTICA (SPOILER – aviso aos navegantes que boa parte do texto à seguir conta momentos importantes do filme, por isso recomendo que só continue a ler quem já assistiu a Hymylevä Mies): Este é um filme simples. Uma história de amor, no fim das contas, ambientada nos anos 1960. O protagonista é um lutador de boxe mas, pelo apelido que lhe deram, antes de assumir as luvas ele trabalhava como padeiro. Ou seja, ele não dedicou a vida inteira para a carreira de pugilista – foi amador durante boa parte da “carreira”, na verdade.

Com os pés bem estabelecidos no chão e vindo do interior, Olli Mäki é um sujeito simples que se vê enredado em uma trama de expectativas e de aparências que orbitam sobre a disputa de um título mundial de boxe. Logo nos primeiros minutos do filme, alguns elementos desta produção nos chamam a atenção. Para começar, a maravilhosa fotografia em preto e branco assinada por J.P. Passi.

Essa fotografia nos ajuda a não apenas nos transportamos para aquela época na qual a história se passa mas, principalmente, a focarmos no que realmente interessa – evitando as “distrações” das cores. Percebemos melhor, com o preto e o branco, as nuances das interpretações e do roteiro. Além disso, até parece que o romance entre Olli e Raija fica ainda mais bonito – e que o filme ganha uma aura de “atemporal”.

Com as distrações dos cenários e do vestuário, que poderiam ser muito chamativos, anulados pela fotografia en preto e branco, nos focamos na ação e nas relações entre os personagens. Como comentei antes, a história de Hymyilevä Mies parece simples. Acompanhamos a trajetória de um pugilista nos dias que antecederam a grande luta “definidora” da sua carreira até então. O treinador e agente dele, Elis Ask (Eero Milonoff), mudou o pupilo de categoria, colocando ele em um peso menor do que ele deveria estar para buscar a sua consagração como campeão mundial pena – tudo porque, aparentemente, ele não queria Olli “rivalizando” com ele próprio, o treinador, que tinha o mesmo peso que Olli quando ainda lutava.

Quando Olli viaja para encarar a reta final do treinamento e fica na casa de Elis, ele leva consigo a namorada Raija. Eles acabam ficando no quarto dos filhos de Elis, em camas separadas, mas a falta de “intimidade” – algo normal para a época – não muda nada para os dois. Apenas a presença de Raija anima Olli para seguir a sua trajetória em busca do cinturão. Ela lembra ao pugilista das suas origens e, mais que isso, o tipo de relação que ele tanto aprecia e que lhe dá sentido. Por outro lado, Elis se esforça em tirar o máximo de proveito da situação, fazendo todo um “jogo de cena” com patrocinadores e apoiadores para conseguir dinheiro.

Como Olli Mäki é o mais novo protótipo de “herói nacional”, ele é chamado a participar de jantares, reuniões e encontros orquestrados pelo agente e que tem como finalidade conseguir mais dinheiro para os dois – especialmente para Elis. Olli participa de tudo aquilo por inércia, mas claramente ele não está satisfeito com aquele circo. A história contada pelo diretor Juho Kuosmanen e pelo parceiro do diretor no roteiro, Mikko Myllylahti, trabalha esta dicotomia entre o que a maioria considera um sonho e o que pode ser considerado o “dia perfeito” pela ótica do indivíduo (e não da maioria). O que é bom para “todos” ou para a maioria pode não ser bom para uma pessoa que usa o cérebro e exerce a sua própria liberdade consciente.

O pugilista que protagoniza esta história deixa se levar pelas circunstâncias – como nós mesmos em tantas fases da nossa vida. Ele agarra as oportunidades que aparecem e ganha suficientes vezes para chegar até o momento que muitos consideram ser o ápice de sua carreira. O agente e treinador dele, ex-campeão de boxe, lhe diz que o dia da disputa do cinturão será o “dia mais feliz de sua vida”. Sob a ótica de Elis, assim como da maioria das pessoas, isso significa que ele vai ganhar e que terá um dia de glória, colocando o seu nome “na história”.

Mas realmente o dia mais feliz de uma pessoa é quando ela ganha um campeonato ou um prêmio que a distingue dos demais? O que este filme demonstra de forma muito natural e singela é que ser “melhor” ou “maior” muitas vezes não é sinônimo de felicidade – até porque é uma ilusão esta ideia de “maior” ou “melhor”.

A felicidade ou a realização não surge destas fontes. Muito pelo contrário. Olli Mäki quer tudo menos ser tratado de forma distinta ou especial. Ele apenas deseja ser igual a tantas outras pessoas que são felizes quando encontram e desfrutam da companhia de alguém que amam (especialmente quando este sentimento é correspondido, claro). Ser comum pode ser algo maravilhoso, especialmente se você desfruta a sua vida cuidando de si e dos outros, olhando cada pessoa nos olhos e se importando com os demais e com o que lhe rodeia.

Incomoda a Olli todo o circo que é montado ao redor da sua disputa. Ele vem de uma longa trajetória como boxeador amador – Elis cita, em uma entrevista, que apesar de Olli ter vencido apenas oito de 10 lutas como profissional, que ele tem um histórico de 300 lutas como amador. Ele não é um principiante, e isso fica claro no comportamento de respeito que ele tem com o esporte e com a sua preparação. Mas ele não gosta de todo aquele “jogo de cena” de adular pessoas, apertar mãos, simular sorrisos e pensar em respostas inteligentes para repórteres e a dupla de documentaristas contratados para acompanhar o novo “herói nacional”.

Ele se cansa de todo este teatro e percebe que a companhia de Raija incomoda Elis. A garota, simpática, sempre bem humorada e inteligente, também percebe como é deixada de lado sempre que possível pelo agente de Olli. Sentindo-se um tanto “peixe fora da água”, ela acaba voltando para casa, para o interior tão desprezado por Elis – e por tantas outras pessoas. (SPOILER – não leia se você não assistiu ao filme). Olli sente a ausência da amada e vai atrás dela. Mesmo correndo o risco de se prejudicar antes da decisão do campeonato mundial, ele não pensa duas vezes em procurar a sua própria felicidade.

Interessante como Hymyilevä Mies se junta a vários outros filmes que nos mostram como a vida é feita de escolhas. Que até podemos chegar a um momento considerado dos sonhos pela maioria, mas que se aquilo não fizer sentido para a gente, de nada vai valer o sacrifício. De forma muito honesta o diretor Juho Kuosmanen apresenta um trabalho de desconstrução do que é considerado o “grande momento” da vida de alguém. (SPOILER – não leia… bem, você já sabe). No fim das contas, quando chega a hora H, tudo o que Olli deseja é que aquilo tudo termine logo. Ele quer se ver livre daquele compromisso, daquela pressão, e voltar para a vida que ele deseja.

Quem de nós não foi “levado pela vida” para situações de “prestígio”, de todos os “holofotes” voltados para nós e, nem por isso, nos encontrávamos satisfeitos. Algumas vezes, quando fazemos um trabalho excepcional e “damos o sangue” para um determinado projeto ou empresa, convites aparecem e acabamos aceitando desafios sem saber exatamente para onde um “não” nos levaria. Isso acontece com o protagonista desta produção. Ele se sai bem como boxeador e vai galgando posições até que chega, pelas mãos de Elis, a uma disputa de mundial.

Quando atinge aquele ponto, contudo, Olli percebe que não era exatamente aquilo que ele desejava. Mas ele não tem mais como fugir e, como Olli é um sujeito ético, ele vai cumprir o peso acordado com o agente/treinador mesmo que aquele peso não era o ideal para ele. Olli se sacrifica e atinge uma condição física deplorável apenas para ficar no peso que o treinador ambicioso estipulou para ele. Tudo que o protagonista quer é terminar logo aquele calvário para que ele possa voltar para a vida tranquila que ele tinha e para desfrutar o anonimato – ou quase isso – ao lado de Raija.

De uma forma bastante singela, mas interessante, Hymyilevä Mies nos mostra que não é um problema nos equivocarmos e deixarmos a “vida nos levar”. Não é ruim quando atingimos um estágio da carreira em que ganhamos evidência para que outros – e poucas vezes nós mesmos – se beneficiem. O problema não estava com Olli, mas com Elis e o circo de aparências ambicioso que se formou ao redor de um desafio da carreira do pugilista. O que seria um problema, naquele cenário, é se Olli se deixasse levar por tudo aquilo e perdesse o foco no que realmente era importante para ele.

Isso acontece com muitas pessoas. Especialmente nos esportes – não são poucos os talentos que saíram de uma carreira amadora no boxe, por exemplo, e se perderam na busca por títulos profissionais. Mas isso também pode acontecer em qualquer área. A falsa sensação de “riqueza”, “poder” ou “prestígio” pode levar as pessoas a cometerem atos absurdos, abjetos. Elas deixam “a vida” lhes levar para caminhos que elas nunca desejariam e a trilhar rotas que, em outras épocas, a “versão mais jovem” e honesta delas lamentaria. É a velha transformação do indivíduo pelo dinheiro, pelo poder ou pela vaidade.

Hymyilevä Mies nos apresenta uma história simples de resistência a tudo isso. O filme de Kuosmanen mostra que outras escolhas são possíveis. Ou seja, a noção de vitória e de êxito pode variar muito e ser muito diferente conforme os valores que colocamos na balança. É bacana um filme que leve este tipo de ponderação a sério sem que estas questões, filosóficas para alguns, sejam abordadas de forma pesada ou pretensiosa. Um verdadeiro alívio para estes tempos em que efeitos especiais a borbotões muitas vezes procuram substituir boas histórias. Isso nunca vai acontecer.

NOTA: 9,3.

OBS DE PÉ DE PÁGINA: Alguns aspectos técnicos de Hymyilevä Mies são de “encher os olhos”, mesmo quando eles não atendem exatamente ao nosso sentido visual. 😉 A qualidade mais “gritante” do filme, como comentei rapidamente antes, é a direção de fotografia de J.P. Passi. Em filmes como esse, ambientado nos anos 1960, faz todo o sentido ter uma fotografia em preto e branco e com uma certa “granulação”. É como se estivéssemos assistindo a um filme feito realmente naquela época. Muito interessante.

A trilha sonora desta produção, mais presente na parte inicial do filme, também é um elemento interessante de Hymyilevä Mies. Mérito do trio Laura Airola, Joonas Haavisto e Miika Snare. Eles ajudam o espectador a se ambientar no início dos anos 1960.

Os figurinos também foram escolhidos a dedo. Um belo trabalho de Sari Suominen. Da parte técnica do filme, vale ainda comentar a competente edição de Jussi Rautaniemi; e o design de produção de Kari Kankaanpää.

Curioso que nos agradecimentos do filme, os produtores e o diretor Juho Kuosmanen agradecem a Olli Mäki e a Raija Mäki. Até observar isso eu não sabia que esta produção era baseada em fatos reais. 😉 Mais uma razão para gostar do filme. Achei interessante como Kuosmanen homenageou o pugilista que “frustrou” uma nação no início dos anos 1960 e que, ao mesmo tempo, simbolizava tantos valores interessantes.

Hymyilevä Mies estreou em maio de 2016 no Festival de Cinema de Cannes. Depois, logo na sequência, o filme participou dos festivais de Munique, Karlovy Vary e Melbourne. Na sequência, a produção participaria, ainda, de outros 24 festivais pelo mundo.

Em sua trajetória, Hymyilevä Mies conquistou 12 prêmios e foi indicado a outros 11. Entre os prêmios que recebeu, destaque para o prêmio “Un Certain Regard” para Juho Kuosmanen no Festival de Cinema de Cannes; para o Gold Hugo na competição para jovens diretores no Festival Internacional de Cinema de Chicago; para o Descoberta Europeia do Ano para Juho Kuosmanen dado no European Film Awards; para o Prêmio de Melhor Filme Internacional no Festival de Cinema de Zurique; e para oito prêmios, incluindo o de Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Ator para Jarkko Lahti, Melhor Atriz Coadjuvante para Oona Airola e Melhor Direção de Fotografia no Jussi Awards, um tipo de “Oscar finlandês”.

Interessante que este filme não segue o estilo Rocky de ser… Nesta produção o sujeito não fica com o cinturão, com a vitória e com a garota. Respeito Rocky, mas é interessante ver a uma produção que apresenta outra proposta de “final feliz”.

Agora, algumas curiosidades sobre Hymyilevä Mies. (SPOILER – não leia se você não assistiu ao filme). No final desta produção, Olli e Raija estão caminhando ao lado do porto e passam por um casal de idosos. Raija inclusive pergunta para Olli se ele acha que os dois vão ficar assim, velhos e felizes juntos. Ele responde que sim. O casal de idosos com o qual eles se cruzam são o Olli e a Raija da vida real. Bonitinho, não? 😉

O diretor Juho Kuosmanen assistiu a uma peça sobre a vida de Olli Mäki no teatro de Kokkola em 2011. Na ocasião, o verdadeiro Olli estava na plateia. No final da peça, o diretor de teatro pediu para fazer uma foto com Olli. Foi então que Kuosmanen disse para Lahti que se um dia ele fizesse um filme sobre Olli, o papel principal seria dele. Lahti levou à sério a questão e começou a treinar como boxeador. Ele chegou a disputar algumas lutas oficiais de amadores. Quando Kuosmanen resolveu fazer o filme, ficou óbvio que o protagonista da produção seria Lahti.

Por falar em Kokkola, o diretor Juho Kuosmanen, o produtor Jussi Rantamäki, o ator Jakko Lahti, a atriz Oona Airola e o verdadeiro Olli Mäki, todos são originários desta cidade finlandesa.

Nos testes iniciais para este filme, o uso das cores se mostrou incapaz de capturar o “período de tempo” da história. Por isso o diretor resolveu filmar em 16 mm preto e branco, o que ajudou os realizadores a “esconderem” detalhes modernos através de um “look vintage”. Realmente funcionou.

O apartamento de Elis que aparece no filme é, na verdade, o apartamento onde mora o diretor Juho Kuosmanen.

Por falar no diretor, vale comentar que esta produção é apenas o segundo longa feito por ele. Antes, ele dirigiu a quatro curtas e ao longa Taulukauppiaat, este último de 2010. Ou seja, é realmente um jovem talento que está despontando no mercado. Vale acompanhá-lo.

Os atores principais, assim como a direção interessante de Kuosmanen, o seu roteiro despretensioso e as maravilhosas direção de fotografia e trilha sonora da produção são os pontos fortes de Hymyilevä Mies. Jarkko Lahti e Oona Airola estão ótimos em seus respectivos papéis. Eles convencem e são encantadores, apresentando uma sintonia exemplar. Além deles, vale citar o bom trabalho dos coadjuvantes Eero Milonoff e Joanna Haartti como, respectivamente, Sr. e Sra. Ask – treinar e a sua esposa – e de John Bosco Jr. como o pugilista Davey Moore. Os demais atores fazem papéis de menor relevância.

Hymyilevä Mies foi a produção escolhida pela Finlândia para representar o pais no Oscar 2017.

Aliás, falando no título original desta produção, como eu não falo finlandês 😉 eu fui procurar o que Hymyilevä Mies significa. Em uma tradução livre, o título significaria algo como “O Homem Sorridente”. Interessante, não? O título internacional foi respeitado na tradução para o Brasil, ou seja, “O Dia Mais Feliz da Vida de Olli Mäki”. Achei importante eles terem preservado este título – que, aliás, é muito bom.

Hymyilevä Mies foi totalmente rodado na Finlândia, mais precisamente na cidade de Helsinque, em lugares como a estação de trem central da cidade, o Olympiastadion (Estádio Olímpico), Vartiosaari e Kaivopuisto.

Este filme é uma coprodução da Finlândia, da Suécia e da Alemanha.

Os usuários do site IMDb deram a nota 7,3 para Hymyilevä Mies, enquanto que os críticos que tem os seus textos linkados no Rotten Tomatoes dedicaram 46 positivas, em um raríssimo exemplo de um filme que obteve aprovação de 100% dos críticos. A nota média dada por eles no site foi de 7,6.

CONCLUSÃO: Para ser profunda, uma história não precisa estar cercada de diálogos difíceis ou de pirotecnia. Muito pelo contrário, Hymylevä Mies surpreende por nos questionar algumas das questões principais da vida. De qualquer um de nós. Afinal, como comentei no início, o que é ter sucesso? O que é vencer? Como se encontra a felicidade. O filme de Juho Kuosmanen nos mostra que não é atingindo o ponto alto de uma carreira, mas sendo coerente consigo mesmo e com os seus próprios sentimentos. Geralmente a vitória passa pelo amor. Seja ele na forma que for. Uma bela produção, feita com esmero e que nos apresenta uma história simples, mas com algumas mensagens potentes.

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