Victoria and Abdul – Victoria e Abdul: O Confidente da Rainha


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Algumas posições que certas pessoas ocuparam – ou ocupam ainda hoje – na História são verdadeiramente impraticáveis. Muito poder e tudo o que vem junto com ele para um único indivíduo. A carga disso tudo, o nível de bajulação, de covardia, de interesses e de traição que certas “posições” despertaram (e despertam) não deveria ser carregada por ninguém. Victoria and Abdul nos conta uma história interessante sobre este nível de peso e sobre como as pessoas até podem ser consideradas diferentes por suas “posições” e sociedades, mas que, no fundo, todos nós queremos o mesmo. Quase sempre, ao menos. Filme interessantíssimo. Mais um bom achado na temporada “pré-Oscar”.

A HISTÓRIA: Começa afirmando que o filme é baseado em fatos reais… ou, pelo menos, grande parte dele. A narrativa inicia na cidade de Agra, na Índia, em 1887. Como a introdução explica, a Grã-Bretanha governou a Índia por 29 anos. Naquela cidade, Abdul (Ali Fazal) tem um dia comum, como qualquer outro. Ele faz as orações, logo que acorda, e depois segue apressado pelas ruas apinhadas de gente e de mercadorias. Ele passa por alguns guardas e chega no posto de trabalho, onde registra os dados das pessoas que estão sendo presas. É ali que ele acaba sendo chamado pelo governador.

Abdul Karim foi a pessoa que ajudou a escolher os tapetes que foram enviados para a Rainha Victoria. Como eles gostaram muito dos tapetes, agora a Índia vai oferecer para a rainha um mohur – uma espécie de moeda mongol comemorativa. Por ser o indiano mais alto que o governador conhece, Abdul foi escolhido para entregar o mohur pessoalmente para a rainha em uma cerimônia. E é assim que este indiano comum e sem grandes perspectiva acaba viajando para Londres e conhecendo a rainha e a corte real no Palácio de Buckingham. Esta viagem dele mudará a vida de muitas pessoas de forma inesperada.

VOLTANDO À CRÍTICA (SPOILER – aviso aos navegantes que boa parte do texto a seguir conta momentos importantes do filme, por isso eu recomendo que só continue a ler quem já assistiu a Victoria and Abdul): Antes de mais nada, quero dizer que demorei demais para escrever sobre esta produção. Assisti ela há uma semana e só hoje estou terminando de escrever este texto. Terminando é a palavra exata porque, afinal, eu sempre tenho o mesmo “modus operandi”: escrevo o primeiro parágrafo, a conclusão e, muitas vezes, como fiz com esta crítica, a parte sobre “a história” e os “palpites para o Oscar” para, só depois, escrever este miolo.

E é justamente o miolo que eu demorei sete dias para terminar. Admito que isso aconteceu porque, esta semana, tudo que eu queria era ter um dia de folga ao menos de escrever. Como no meu trabalho eu escrevo todos os dias, e muito, nos horários livres que eu tive esta semana eu quis fazer outras coisas que não escrever. E por pouco hoje eu não deixei este texto para lá outra vez. Só não fiz isso por causa de vocês, meus caros leitores. Afinal, ao menos um texto por semana eu tenho que me “obrigar” a escrever, não é mesmo? Então é por vocês que eu escrevo isso aqui hoje.

Bem, como eu disse, há uma semana eu fui no cinema para assistir a Victoria and Abdul. O meu interesse maior pelo filme, é claro, foi o fato dele ser um “leve” concorrente ao Oscar. Algumas bolsas de apostas colocam ele como possível candidato em algumas categorias. Mas, já vou deixando claro, ele corre sempre “por fora”. Ou seja, até tem alguma chance de emplacar, mas não está entre os favoritos. Esta foi uma boa motivação, assim como o elenco e o diretor – gosto muito de Judi Dench e respeito o trabalho de Stephen Frears.

E aí que este filme é mais uma grande produção de época do perfeccionista Stephen Frears. É impressionante e muito marcante a forma com que o diretor e a sua equipe de colaboradores nos transporta para a Agra e para a Londres do final do século 19. A história que vemos em cena tem nada menos que 140 anos, quando inicia, e chama muito a atenção como os realizadores conseguem reproduzir as condições da época com perfeição.

Então o visual deste filme é o seu primeiro grande acerto. O segundo, claro, é a escolha do elenco. Judi Dench rouba a cena sempre que aparece. Mas, ao lado dela, temos um ator com um sorriso cativante e uma simpatia difícil de ignorar. Ali Fazal não se intimida com o personagem e nem com a grande atriz Judi Dench. Muito pelo contrário. Ele faz uma dupla perfeita com a atriz veterana que, muitas vezes, não precisa dizer nem uma palavra para transparecer tudo que a sua personagem está pensando ou sentindo. Ela é divina!

Junto com eles, o elenco de coadjuvantes também faz um grande trabalho. Vou falar deles mais para a frente. Apesar de todos estarem bem, sem dúvidas o grande mérito desta produção, como a história mesmo exige, é dos atores Judi Dench e Ali Fazal. Isso porque, ainda que alguns coadjuvantes tenham relevância na história, em muitos momentos importantes da produção Dench e Fazal estão sozinhos em cena. E se eles não estivessem perfeitos em seus respectivos papéis, eles não nos convenceriam com a intensidade com que fazem neste filme.

E a história? Vocês sabem que, para mim, o roteiro é um elemento mais que fundamental. Ele consagra ou destrói um filme na minha avaliação. Então o roteiro de Lee Hall, baseado no livro de Shrabani Basu, tem muitos acertos. Mais acertos do que erros, sem dúvida alguma. Mas, nem por isso, ele é realmente surpreendente ou perfeito. Vamos falar dos acertos primeiro.

O texto de Hall tem alguns diálogos preciosos e uma dinâmica “clássica”, com narrativa linear e construído de uma forma que é para fazer o público ir se encantando aos poucos até que nos emocionemos no final. Como pedem os bons roteiros, Victoria and Abdul se centra em poucos personagens e tenta se aprofundar neles. Como o título do filme sugere, este mergulho é feito nos últimos anos de vida da rainha Victoria e do seu inusitado “munshi” (professor de uma língua nativa) que vira, o que é ainda mais inusitado, uma espécie de “confidente” da rainha.

Além da reconstituição de época, o que eu achei marcante nesta produção e um grande acerto do roteiro foi nos desvelar, em todos os detalhes, o tipo de “súditos” que uma rainha como Victoria tinha ao seu redor. Impressionante como absolutamente tudo que ela fazia era “facilitado” e/ou acompanhado pelos outros. Do levantar da cama em determinado horário e com a assistência de diversas criadas até todos os quase infindáveis compromissos que a rainha tinha durante o dia. A agenda dela era de arrepiar qualquer mortal.

Acima de tudo isso, Victoria – e tantas outras rainhas e reis – tinha um poder “soberano” que era assustador. O que ela dizia era seguido – pelo menos até que começassem a surgir traições ao seu redor. Mas ela sabia como ser temida, e provavelmente qualquer outra rainha e rei que a precedeu ou que a seguiu também sabiam o poder de alguém ser temido. Então, por trás daquela vida cheia de compromissos, de criados e de bajulação, restava tudo, menos qualquer sombra de liberdade.

Alguém muito “poderoso”, no fim das contas, não é livre. Esta foi uma das maiores constatações que eu tive ao assistir a este filme. Então eu acho que ninguém, por mais brilhante ou capacitado que seja, deveria ter tanto poder e tanta limitação ao mesmo tempo. Chama muito a atenção, neste filme, a corte de interesseiros, puxa-sacos e bajuladores que cerca a rainha. No fim das contas, ninguém está ali porque gosta de Victoria, mas sim porque gosta do “status” de seus cargos e de disputar quem pode ter a maior migalha de atenção e de benesses dadas pela rainha.

É esta corja que não aceita que um estrangeiro, mestiço, que veio da Índia apenas para entregar uma moeda comemorativa, ganhe mais atenção e carinho da rainha do que eles que estão ao lado dela “este tempo todo”. Ah, bem sabemos que estar ao lado por muito tempo não quer dizer nada. Quantas famílias vivem juntas por uma vida inteira e não tem afeto, compreensão e amor suficientes? Ou mesmo que se comparem quando existe um verdadeiro “encontro de almas” em uma relação que até pode durar pouco, no tempo, mas que transcende as limitações desta vida?

Victoria e Abdul nos conta sobre um destes encontros. Quando uma rainha, já idosa e cheia de limitações causadas por sua idade em uma época em que a Medicina não era tão avançada, encontra finalmente alguém que tem a coragem de olhar para dentro dos olhos dela. Abdul é um sujeito que não está afeito à regras ou que realmente se preocupa com a própria vida. Ele quer conhecer tudo e todos que o cercam e tem muito respeito pela vida e por todos os encontros que ela nos permite. Assim, ele olha realmente para a rainha Victoria, com uma admiração e um interesse que há muito ela desconhecia.

Isto é o que justifica as “loucuras” da rainha Victoria ao tornar um indiano desconhecido como alguém tão próximo dela. No fundo, tudo o que a rainha queria – e quem de nós não quer ou precisa? – era ter “alguém com quem conversar, alguém que depois” não usasse o que ela poderia dizer contra ela (para citar uma letra da Legião Urbana). Ela queria ter alguém para falar o que ela realmente pensava e sentia, o mais profundo e verdadeiro que ela poderia dizer, sem que esta pessoa a julgasse ou depois pudesse usar as suas “fraquezas” de forma estratégica e vil contra ela.

Típicos atos que poderíamos esperar do filho dela, o príncipe Bertie (Eddie Izzard) ou de quase toda a corja que a cercava – exceto, talvez, o seu secretário mais próximo, Sir Henry Ponsonby (Tim Pigott-Smith), talvez a pessoa mais fiel à rainha, apesar de seus preconceitos e de sua dificuldade em aceitar Abdul próximo da monarca. Os desabafos da rainha e as falas de Abdul, especialmente quando ele fala sobre o próprio entendimento dele para o “sentido da vida” – que é o de servir – são alguns dos pontos altos do roteiro. Falas realmente interessantes, diretas e bem escritas.

Por outro lado, Victoria e Abdul não é um filme perfeito porque ela acaba sendo um bocado repetitivo e tem parte da sua narrativa um tanto “exagerada” para fazer o público se chocar e/ou emocionar. Depois que Victoria pede para Abdul a acompanhar pela primeira vez no momento das suas deliberações e despacho, boa parte do enredo acaba circulando, ao menos em relação ao elenco de apoio, sobre “maneiras de despachar o indiano insolente”.

Desta forma, o filme acaba sendo um tanto repetitivo sobre a aproximação de Victoria de Abdul e sobre os movimentos da Côrte em fazer Abdul voltar para a Índia. Senti falta, por exemplo, já que a história transcorre por vários anos, de saber sobre algumas decisões tomadas pela rainha naquele período. Afinal, a vida dela não se resumiu às conversas com Abdul, à uma série de jantares para cumprir agenda, à aproximação da monarca aos costumes indianos e nada mais. Certamente ela tomou decisões importantes, e nada disso aparece em cena.

Também senti falta, por exemplo, de saber mais sobre a família de Victoria. Em certo momento, ela mesma comenta que teve nove filhos… mas em cena, nos aparece apenas o pusilânime Bertie. E os outros? Senti falta de conhecer um pouco mais, realmente, sobre a vida de Victoria, quem lhe era próximo, sobre sua família, etc. Também achei um tanto “forçado” a rainha rapidamente começar a aprender um dos idiomas falados na Índia. Certo que ela estava fascinada por Abdul, encantada por ele – a quem achava bonito e interessante.

Mas daí a uma rainha como Victoria começar a dedicar tanto tempo para aprender um idioma… faria sentido se o filme mostrasse como ela era poliglota, que ela falava X idiomas e que era uma ávida “devoradora” de informações de outras nações. Isso não fica claro no filme – falarei sobre este assunto mais abaixo. Então eu senti falta destes pontos na produção e no trabalho de Hall. Ainda assim, Victoria and Abdul é uma produção importante pois nos apresenta uma história que, certamente, muitas pessoas tiveram grande interesse de ocultar ou mesmo de apagar para sempre.

Pensar que a proximidade de Abdul com a rainha Victoria demorou mais de 100 anos para vir à tona. Certamente a parte da realeza britânica não queria que a lembrança de Abdul e o seu ponto de vista aparecesse. Mas passado tanto tempo, pudemos saber um pouco mais sobre os bastidores dos anos finais da rainha Victoria. Um filme fascinante pela sua reconstrução de época, pelo trabalho dos atores e por algumas linhas de roteiro realmente preciosas.

Destaco, em especial, a forma com que o filme desnudou a Côrte e a intimidade de uma rainha tão importante como Victoria, além de nos dar alguns ensinamentos preciosos sobre os muçulmanos e as suas crenças. Hoje, por causa de movimentos terroristas, muitas vezes pensamos que o que está por trás destes absurdos é o Islã e a fé muçulmana. Mas houve uma boa parte da História também em que a Bíblia foi usada para diversas pessoas cometerem absurdos. E, hoje, muitos usam o Alcorão da mesma forma. Infelizmente.

Algo bacana que Victoria and Abdul nos mostra é que esta não é a essência nem do Alcorão e nem da Bíblia. No fundo – e isso alguns tem dificuldade de entender -, todas as religiões pregam a paz, a harmonia entre as pessoas e os povos, o respeito entre as pessoas e, como bem diz Abdul, a compreensão de que todos estamos aqui para servir uns aos outros. Deveria ser assim, ao menos. Quando as pessoas não entendem errado as suas próprias religiões e utilizam os livros sagrados de suas religiões apenas para benefício próprio, de forma totalmente equivocada.

Então Victoria and Abdul, de maneira inesperada, nos faz pensar que todos somos muito mais parecidos do que muitas vezes nos damos conta. Todos precisamos de alguém que nos veja como realmente somos, sem preconceitos, sem julgamentos e sem diversos interesses próprios colocados sobre a capacidade de entendimento do outro. Quando duas pessoas realmente resolvem dialogar, se conhecer e se respeitar, todas as barreiras caem por terra – sejam sociais, sejam de origem ou o que mais pensarmos. Um belo filme por nos fazer pensar em tudo isso.

NOTA: 9,2.

OBS DE PÉ DE PÁGINA: Como comentei antes, uma das características marcantes desta produção é a reconstituição de época. Mérito do design de produção de Alan MacDonald; da direção de arte de Sarah Finlay e de Adam Squires; dos ótimos figurinos de Consolata Boyle; do Departamento de Maquiagem com 22 profissionais; do trabalho dos 29 profissionais do Departamento de Arte; e do trabalho dos 23 profissionais responsáveis pelos Efeitos Visuais.

Além destes profissionais, que nos ajudaram a nos transportar no tempo e no espaço, vale comentar o ótimo trabalho do veterano Thomas Newman na trilha desta produção, assim como a direção de fotografia impecável de Danny Cohen e a edição de Melanie Oliver.

A atriz Judi Dench, mais uma vez, está divina. Impecável. Como eu disse, ela convence em cada gesto, em cada olhar e na mudança grande que ela consegue dar para a personagem conforme as expressões, a “leveza” ou o “peso” de seus humores. Consequentemente, parece que vemos a rainha Victoria interpretada por ela sofrendo com a idade, rejuvenescendo e, na reta final, voltando a envelhecer após algumas decepções e traições. Impressionante como a atriz consegue nos passar tudo isso com o seu talento e interpretação – e a ajuda de maquiagem e da fotografia, claro. Além dela, o grande nome do filme é o de Ali Fazal. Ele faz um belo trabalho, é carismático, mas claro que não tem as nuances de interpretação de Dench.

Alguns atores se destacam nos papéis de coadjuvante – até porque os papéis deles tem relevância para a história. Neste sentido, vale destacar o belo trabalho de Tim Pigott-Smith como Sir Henry Ponsonby, braço direito da rainha; Adeel Akhtar ótimo como Mohammed, o outro indiano que viaja para presentear a rainha Victoria e que é um bom contraponto em relação a Abdul – afinal, não é todo indiano que olhava para a rainha com admiração – alguns, a exemplo de Mohammed, vinham naquela pessoa e no seu cortejo o sinônimo de exploração, algo bem representado por este personagem e bem interpretado pelo ator; Paul Higgins bem como o covarde e um tanto odioso médico Dr. Reid; Michael Gambon em quase uma ponta como Lord Salisbury, primeiro-ministro na época; Olivia Williams como Lady Churchill, uma das pessoas mais próxima da rainha; Fenella Woolgar como Miss Phipps, também próxima da rainha e usada como “bala de canhão” pelos outros covardes que a cercavam; e Eddie Izzard como o odioso e interesseiro Bertie, Príncipe de Wales e herdeiro do trono. Todos estão muito bem.

Victoria and Abdul estreou em setembro no Festival de Cinema de Veneza. Poucos dias depois, o filme participou do Festival Internacional de Cinema de Toronto. Depois, até o final de outubro, a produção participou ainda de outros cinco festivais. Nesta trajetória, o filme conquistou dois prêmios: o Truly Moving Picture Award no Heartland Film e o de Compositor do Ano para Thomas Newman conferido pelo Hollywood Film Awards. Teremos uma ideia melhor do potencial desta produção no Oscar quando saírem os indicados ao Globo de Ouro. Pode ser que ele consiga emplacar uma ou mais indicações ou pode ser que ele seja categoricamente esquecido. Veremos.

Esta produção fez, apenas nas bilheterias dos Estados Unidos, pouco mais de US$ 21,9 milhões. Nos outros mercados em que o filme já estreou, ele fez outros US$ 40,9 milhões. Não são números desprezíveis, mas tenho minhas dúvidas se ele vai conseguir lucrar.

Victoria and Abdul foi rodada em três países: Inglaterra, Escócia e Índia. O filme teve cenas rodadas em Delhi e Agra, na Índia; em Cairngorms, na Escócia; e na Ilha de Wight, no Castelo de Belvoir, na Universidade de Greenwich, na Ham House, no Museu Nacional Railway, no West Wycombe House, no Castelo de Windsor, entre outros locais nas cidades de Londres, West Wycombe, York, Knebworth, Richmond, Greenwich e Belvoir.

Agora, algumas curiosidades sobre esta produção. Quando as filmagens de Victoria and Abdul começaram, em setembro de 2016, Judi Dench era um mês mais velha que a rainha Victoria quando ela morreu. Interessante esta semelhança e como hoje conseguimos envelhecer com muito mais qualidade de vida, não é mesmo? Viva aos avanços científicos, pois!

A atriz Judi Dench já havia interpretado a rainha Victoria antes, no filme Her Majesty Mrs Brown, de 1997, dirigido por John Madden. Filme esse que foi indicado a dois Oscar em 1998: Melhor Atriz para Judi Dench e Melhor Maquiagem.

Aliás, senti falta de Victoria and Abdul nos apresentar ao menos um pouco de tudo que Victoria significou para o Reino Unido. Como sempre, me interessei por buscar mais informações sobre os personagens dos filmes. Acho que vale começar por textos como este, do site Brasil Escola, que dão uma resumida simplificada sobre a rainha que, antes da atual rainha da Inglaterra, Elizabeth II, era a monarca que mais tempo ficou no poder. E em uma era muito expansionista para o Reino Unido, como o texto bem explica.

Neste texto é que eu fiquei sabendo, afinal, sobre um dos personagens citados pela rainha de Judi Dench no filme: Albert. Ela se referia ao seu primo, o príncipe Albert, com quem a rainha Victoria se casou em 1840 e com quem teve nove filhos. Neste texto, também descobri que ela era uma “amante das letras” e que falava francês e alemão, além da língua materna.

O marido, Albert, morreu em 1861, ou seja, 40 anos da rainha. Vale também conferir outros dois textos sobre a rainha: este da BBC e este outro do blog da Cultura Inglesa. E o outro personagem citado pela Rainha Victoria neste filme, John Brown? Quis saber mais sobre ele e achei esta interessante matéria do site da Revista Piauí. Vale conferir. Lendo sobre Brown, neste texto, me lembrei de Abdul. Me parece que a rainha realmente precisava de aliados, de pessoas francas e sinceras do seu lado, e encontrou em Albert, em Brown e em Abdul estas pessoas. Interessante.

Esta é uma coprodução do Reino Unido com os Estados Unidos.

Os usuários do site IMDb deram a nota 6,8 para esta produção, enquanto que os críticos que tem os seus textos linkados no Rotten Tomatoes dedicaram 102 críticas positivas e 54 negativas para o filme, o que lhe garante uma aprovação de 65% e uma nota média de 6.2.

CONCLUSÃO: Faz toda a diferença quando alguém olha para os teus olhos de verdade. Tudo o que as pessoas desejam é que elas sejam notadas e respeitadas pelo que elas são e não pelo “poder” ou pela “posição” que elas possam ter na sociedade. Vitoria and Abdul nos fala de uma forma muito clara sobre isso. Assim como trata também de posições “impossíveis”, como pode ser a de uma rainha que domina 1/4 do mundo, por exemplo. Esta produção, com um roteiro muito bem escrito e atores impecáveis, nos transporta para uma outra época e local.

Mas, infelizmente, boa parte daquela desigualdade e do que vemos em tela segue válido hoje em dia, mais de um século depois. Quem dera que aprendêssemos, em algum momento, que todos somos iguais e que não faz sentido – ou mesmo seja algo justo – tanta desigualdade por todas as partes. Um belo filme. Que nos faz pensar sobre temas importantes, além de ter uma história envolvente. Merece ser visto, sem dúvidas.

PALPITES PARA O OSCAR 2018: Eis um filme interessante para a premiação da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood. Com um roteiro bem escrito, um diretor veterano e admirado no comando e uma atriz que dispensa apresentações, Victoria and Abdul pode chegar longe com o lobby certo. Ou pode nem chegar, dependendo dos humores dos votantes. Predicados este filme tem para emplacar – além dos já comentados, a temática da produção, sobre inclusão e respeito, temas tão em voga em uma Hollywood que está cuidando de seus próprios “pecados”.

Nas bolsas de apostas que começam a pipocar nos Estados Unidos, entre especialistas e literalmente apostadores, Victoria and Abdul têm aparecido com chances em algumas categorias. Mas nunca liderando as principais listas. Da minha parte, como o Oscar contempla até 10 produções na categoria Melhor Filme, eu não ficaria surpresa se o veterano Stephen Frears conseguisse emplacar esta produção na categoria principal do Oscar 2018. Mas, igualmente, não seria surpresa se o filme ficasse fora da lista.

Digo isso porque Victoria and Abdul não é um filme óbvio na disputa. Ou seja, ele pode chegar lá, mas não tem chances de levar o Oscar principal. Mas, pode sim ser indicado em várias categorias – o que, muitas vezes, é o suficiente para os produtores e distribuidores. Acho que esta produção tem chances de ser indicada ainda como Melhor Atriz, em mais uma indicação para a excelente Judi Dench; como Melhor Figurino e como Melhor Direção de Arte. Stephen Frears também poderia ser lembrado na categoria Melhor Diretor, assim como o roteiro como Melhor Roteiro Adaptado.

Mas para o filme receber tantas indicações, realmente parece ser fundamental uma grande campanha dos produtores e da Universal Pictures. Da minha parte, acho que o filme não receberá muitas indicações – talvez mesmo apenas como Melhor Atriz e Melhor Figurino – e, pelo andar da carruagem e das bolsas de apostas, mesmo que ele consiga emplacar alguma indicação, sairá da noite do Oscar de mãos vazias. Mas, como vocês sabem, isso não denota contra o filme. Afinal, poucos saem ganhando, mas muitos chegam – e poderiam chegar lá – cheio de méritos. Ou seja, vale assistir a esta produção. Mesmo que ela não tenha chances de emplacar as suas estatuetas no Oscar.

ATUALIZAÇÃO (11/12): Hoje, dia 11 de dezembro, saiu a lista de indicados para o Globo de Ouro 2018. Victoria & Abdul foi lembrado em uma categoria, a de Melhor Atriz – Musical ou Comédia para Judi Dench. Para muitas pessoas, como eu disse acima, ela pode chegar até a uma indicação ao Oscar. Este ano, a disputa está acirrada nesta categoria – mais do que na de ator. Veremos o que vai acontecer, mas acho que Judi Dench deve se contentar já se for indicada.

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