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Ma Rainey’s Black Bottom – A Voz Suprema do Blues


Uma mulher com um talento fenomenal e que tinha conhecimento de sua grandeza. Diferente das outras mulheres pretas da sua geração, Ma Rainey (Viola Davis) teve a chance de ocupar o seu espaço e de fazer o seu valor ser notado. Mas nunca sem resistência. E este pano de fundo de Ma Rainey’s Black Bottom é o que torna este filme uma produção diferenciada. Que trata não apenas de boa música e de uma grande mulher, mas de um contexto social muito desigual que segue desta forma até hoje.

A HISTÓRIA

Em uma floresta escura, dois homens correm. Ouvimos a respiração ofegante deles e alguns latidos. No final do caminho, vemos tochas acesas e ouvimos uma voz. O local é Barnesville, na Georgia. O ano, 1927. Os rapazes entram em uma fila grande. Todos para assistir a Ma Rainey (Viola Davis). Sobre o palco, ela faz uma performance magnética, acompanhada apenas de um piano. A plateia delira. Corta.

Em fotografias que começam a se movimentar e reproduções de notícias da época, entendemos o contexto daquele momento nos Estados Unidos. Em seguida, a apresentação de Ma Rainey ganha novas camadas com outros músicos e as dançarinas em cena. Um dos músicos, Levee (Chadwick Boseman) se atreve a ir para a frente do palco, quando então Ma Rainey responde com sua voz espetacular. Esta é a história dela – e de seu entorno.

VOLTANDO À CRÍTICA

(SPOILER – aviso aos navegantes que boa parte do texto à seguir conta momentos importantes deste filme, por isso recomendo que só continue a ler quem já assistiu a Ma Rainey’s Black Bottom): Assisti esse filme há dois meses. Quantas saudades eu estava deste espaço desde então! Não vou mentir para vocês. Voltei agora, perto da cerimônia do Oscar, só para não perder esta tradição. De, a cada ano, cobrir a cerimônia mais importante de Hollywood para vocês e escrever a respeito por aqui.

Mas não vou mentir dizendo que voltei para “ficar”. Minha rotina atual, infelizmente, não me dá muito espaço para atualizar o blog com frequência. Infelizmente. Gostaria que fosse diferente. Tentarei atualizar o blog algumas vezes nos próximos meses, mas não posso garantir. O que eu posso garantir é que cobrirei o Oscar neste próximo domingo. Mantendo nossa tradição. 😉

Feitas essas observações, vamos falar do que interessa, que é sobre Ma Rainey’s Black Bottom. Admito que quando eu assisti a este filme, me senti um pouco “decepcionada” com a produção. Talvez porque eu ame o trabalho de Viola Davis e de Chadwick Boseman e estivesse, especialmente por isso, esperando um grande filme pela frente. Mas, quando comecei a escrever este texto, lembrei de toda a história e, ao ponderar sobre ela, descobri que gostei mais do filme do que eu tinha imaginado.

Verdade que eu me surpreendi um pouco com o estilo “teatral” da produção. Afinal, Ma Rainey’s Black Bottom se passa, essencialmente, em poucos espaço. Tem muitos diálogos. Muitas “brincadeiras” e discussões entre músicos. Admito que a minha expectativa era de ver mais Viola Davis em cena e de ter mais música e menos “conversa de coxia” pela frente. Mas pensando na produção agora, consigo ver que ela tem justamente esta característica como qualidade.

Ainda que o nome do filme faça referência à grande Ma Rainey, o entorno dela é o que interessa para o roteirista Ruben Santiago-Hudson, que se baseou na peça teatral de August Wilson para escrever este roteiro. Ou seja, faz sentido o filme ter esse espírito teatral. Santiago-Hudson preservou boa parte da dinâmica do trabalho de Wilson.

Por isso temos poucos espaços em cena. Grande parte da história se passa no porão da gravadora de Chicago que paga bem para ter mais um disco da estrela Ma Rainey. Queremos ver essa grande artista, mas Santiago-Hudson e o diretor George C. Wolfe querem nos mostrar algo muito mais profundo e amplo do que ela.

(SPOILER – não leia se você não assistiu ao filme ainda). Eles querem nos mostrar uma sociedade extremamente desigual, que ainda não superou o fim da escravidão e que dá espaço para os negros apenas quando eles trazem retorno financeiro para os brancos. Isso fica tão evidente neste filme, em tantos momentos, que é impossível ignorar esta realidade.

Ma Rainey consegue um lugar diferenciado na sociedade da época por causa do seu talento e porque, graças a ele, vende muitos discos. Movimenta plateias país afora. Apenas por isso ela tem todos os seus desejos atendidos e é “paparicada” por produtores como Irvin (Jeremy Shamos) e Sturdyvant (Jonny Coyne). Mas o segundo não disfarça o seu “descontentamento” por ter que “aguentar” os “humores” de Ma Rainey.

E as pessoas ao redor dela? Como toda grande artista, Ma Rainey está cercada de grandes músicos. Mas eles, diferente dela, podem ser substituídos. Afinal, eles não tem a voz que ela tem. Alguns, os mais velhos, estão agradecidos por trabalhar com a grande artista e ter dinheiro para pagar as suas contas. Mas um jovem talento quer mais do que isso.

Neste ponto é que conhecemos o complexo e interessante Levee (Chadwick Boseman). Talentoso, ele quer o seu próprio espaço, quer sair à luz e ter a oportunidade de gravar os seus próprios discos. (SPOILER – não leia… bem, você já sabe). Mas o que ele descobre, naquele dia quente de gravações em Chicago, é que os donos dos estúdios, os donos do dinheiro, não querem dar muitas oportunidades para pretos.

Se eles puderem roubar o talento deles e substituí-los por músicos e cantores brancos, tanto melhor – sob a ótica destes senhores donos do “sistema” e que não querem mudar nada do status quo. Eles são racistas e querem que a sociedade siga desigual. Para eles, quanto mais desigual, melhor. Quanto mais injusta, melhor. Isso era válido para aqueles anos e, guardadas as devidas proporções, válido até hoje. E não apenas nos Estados Unidos.

A forma com que olham para Ma Rainey neste filme, seja na cena da batida de carro na rua, seja quando ela pede a Coca-Cola gelada no estúdio e diz que não vai cantar sem isso, diz muito sobre as nossas sociedades. A forma com que Sturdyvant trata Levee e despreza suas músicas para, depois, repassar sua composição para uma banda de brancos gravar, idem.

Por tudo isso, Ma Rainey’s Black Bottom fala sobre muito mais do que uma grande artista e sobre um dos grandes momentos do blues. Esta produção trata de questões ainda não resolvidas nos Estados Unidos, no Brasil e em diversas outras partes. A parte da música e as interpretações dos atores no filme são fenomenais. Assim como a direção de fotografia caprichada de Tobias A. Schliessler.

Mas o personagem vivenciado por Chadwick Boseman não é fácil de assistir. Tenho que admitir que o personagem dele é que me deixou em dúvida sobre esta produção quando eu a assisti há dois meses. Levee é um personagem complexo. Por um período de tempo, achamos ele “ousado demais”, talvez um pouco “insolente”. Afinal, ele quer medir forças com todos ao redor, aparentemente, e sempre se destacar.

Conforme a história se desenvolve, contudo, vamos nos aprofundando mais nas camadas deste rapaz e entendemos muito mais do que ele. Compreendemos um pouco melhor, e falo isso a partir da perspectiva de quem não tem um lugar de fala neste assunto, sobre o que ele passou e sente. Depois de ter tantas frustrações e perdas na vida, ele precisa mostrar o seu valor daquela forma, dizendo a si mesmo que é melhor que os outros e que terá o seu próprio espaço para brilhar.

(SPOILER – não leia… bem, você já sabe). Quando ele tem mais algumas frustrações sobrepostas – para começar, não toca a versão da música de Ma Rainey que ele acha ser a melhor, depois perde o seu espaço como músico dela e, por fim, tem a recusa da gravação de suas composições -, Levee responde contra o que aconteceu tendo uma reação violenta. E o pior: contra alguém como ele.

É chocante ver o que ele faz com seu colega de banda. Um cara correto, que apenas quer fazer um bom trabalho, mas que acaba sendo atacado por uma razão “besta”. Esse acontecimento é a cereja do bolo da provocação que este filme nos faz. Levee não consegue ser violento contra um branco. Ele acaba descontando sua raiva em alguém tão perseguido e desvalorizado quanto ele. É de doer na alma, mas é uma mensagem forte e que nos faz pensar. Até que ponto alguém pode aguentar tanto ultraje?

Algumas vezes, e está é a dura realidade que Ma Rainey’s Black Bottom faz questão de nos fazer lembrar, a corda rompe do lado mais fraco. Quem acaba pagando a conta de tanta desigualdade, ultraje e abusos é alguém que não deveria passar por isso. Infelizmente esta não é a história apenas de uma grande mulher, de uma grande cantora que fez época com seu talento. Esta é uma história sobre cicatrizes que nunca são fechadas.

Agora, vou admitir o que me incomodou um pouco quando assisti a este filme. Primeiro, foi ver menos Viola Davis como eu gostaria. Depois, porque não gostei que o final do personagem Levee fosse ele cometendo um crime. O único final possível dele poderia ser esse? Certamente não. Particularmente, como sempre torço por quem não teve oportunidades, eu esperava que ele tivesse um destino/futuro melhor.

Mas vejo que este final foi planejado para pensarmos em como uma vida de abusos pode terminar mal. Além disso, acho que a morte de Toledo (Glynn Turman) foi simbólica. Levee estaria, digamos, matando a sua versão mais velha? Estaria matando o próprio futuro? O crime dele pode ser visto como a consolidação de algo que foi feito por outras pessoas primeiro. Esta é uma interpretação.

Um grande filme, apesar de ser muito difícil de assistir. Um pouco por seu estilo, teatral. Mas muito por sua mensagem. Mas, por isso mesmo, ele é importante e merece ser visto. Assim como merece ser premiado, ganhar mais evidência e, como consequência, ser mais visto. Um grande trabalho final do talentoso Chadwick Boseman. Potente sua interpretação. Digna da estatueta que ele deve ganhar de forma póstuma. Pena que o prêmio não veio antes. Ele merecia.

NOTA

8,7.

OBS DE PÉ DE PÁGINA

Mantenho esse blog ativo, mal ou bem, desde agosto de 2007. Vivi muitas fases da minha vida desde então. Essas fases influenciaram na quantidade de vezes em que consigo aparecer por aqui. Infelizmente, na minha fase atual, apareço pouco. Não é algo que me satisfaz, devo admitir, mas é o que tenho para o momento. E não posso reclamar, já que tenho emprego, saúde e família por perto em um momento tão complicado para o mundo como é este da COVID-19.

Faço esse comentário apenas para justificar a minha ausência nos últimos dois meses. Nunca gosto de deixar o blog desatualizado desta forma. Mas, algumas vezes, é inevitável. E também para comentar que eu acredito que chego no Oscar 2021 tendo assistido o menor número de filmes que estão concorrendo ao prêmio desde que eu me conheço por gente e acompanho esta premiação. Gostaria de ter assistidos a muitos dos concorrentes. Mas vou ficar devendo desta vez.

Falo sobre isso para dizer também que vou sim acompanhar a premiação da Academia de Ciências e Artes Cinematográficas de Hollywood, que será realizada neste próximo domingo, apesar desta falta de conhecimento mais aprofundado sobre os indicados deste ano. Quero ver se, quando a vida voltar um pouco mais ao ritmo normal, consigo tirar alguns atrasos e assistir a filmes que eu queria muito, como Minari, The Father e Mank, entre outros.

Mas vamos lá, vamos falar um pouco mais sobre Ma Rainey’s Black Bottom. Assisti esse filme em fevereiro, como comentei antes, porque eu já sabia que ele tinha boas chances em ser indicado ao Oscar. E não deu outra. O filme está concorrendo em cinco categorias no prêmio mais importante de Hollywood. Falo sobre elas de forma mais detalhada abaixo.

Primeiro fator que chamou a minha atenção neste filme: a direção de fotografia de Tobias A. Schliessler. Ele realmente faz um trabalho diferenciado neste filme. Tão importante quanto o trabalho dele e o segundo elemento que se destacou para mim ao assistir a esta produção é o trabalho do departamento de maquiagem, que contou com 24 profissionais, e os figurinos deslumbrantes e inspiradores da veterana premiada Ann Roth. Todos esses elementos nos ajudam, assim como a fotografia e o design de produção de Mark Ricker, a nos transportar para os Estados Unidos dos anos 1920.

Outros elementos que ajudam muito nesta história são a trilha sonora de Branford Marsalis; a edição de Andrew Mondshein; a direção de arte de James F. Truesdale; a decoração de set de Karen O’Hara e Diana Stoughton.

O roteiro de Ruben Santiago-Hudson tem um tom bastante teatral. Não conheço a peça de August Wilson na qual o roteirista se inspirou e sobre a qual ele trabalhou em cima para escrever este roteiro, mas me parece que ele buscou preservar ao máximo o espírito do original. Temos poucos ambientes em cena, ou seja, a maior parte do filme se passa em dois cenários – estúdio de gravação e sala para ensaios. A consequência é que temos poucas cenas externas, pouca movimentação de câmera e variação de cenários. Isso nos ajuda a verificarmos cada detalhe da interpretação dos atores, ao mesmo tempo que torna o filme mais “estático” e com pouca movimentação. Ou seja, esta é uma produção indicada para quem não se importa com este perfil de produção “teatralizada”.

A direção de George C. Wolfe respeita o roteiro e busca valorizar o trabalho dos atores. Ele nos apresenta um trabalho seguro, mas nada excepcional.

Falando nos atores desta produção, é claro que as estrelas, os destaques e quem realmente brilha em cena são os atores Viola Davis e Chadwick Boseman, com ele mais presente em cena do que ela. Ambos são fantásticos e acima da média sempre. Mas, de fato, a entrega dos dois nesta produção poderia lhes render um Oscar. Dizem que as chances estão maiores para ele. Logo mais saberemos.

Além dos atores que interpretam Ma Rainey e Levee, têm destaque nesta produção os três músicos que acompanham a estrela do blues: Colman Domingo como Cutler, o líder da banda; Glynn Turman como o pianista Toledo; e Michael Potts como o violoncelista Slow Drag. Aparecem bem em cena também Jeremy Shamos como Irvin, produtor do novo disco de Ma Rainey; Jonny Coyne como Sturdyvant, dono do estúdio onde a artista e sua banda vão gravar; Taylour Paige como Dussie Mae, amante de Ma Rainey e que acaba caindo no “charme” de Levee; e Dusan Brown como Sylvester, o sobrinho gago de Ma Rainey. Todos fazem um bom trabalho, mas com um leve destaque para Domingo, Turman e Potts.

Ma Rainey’s Black Bottom estreou de forma limitada, como as poucas estreias que foram feitas no cinema em 2020. Ele estreou desta forma nos Estados Unidos no dia 25 de novembro de 2020. Na internet, na Netflix, o filme estreou no dia 18 de dezembro.

Agora, vale citar algumas curiosidades sobre esta produção. O ator Denzel Washington, um dos produtores de Ma Rainey’s Black Bottom, foi mentor de Chadwick Boseman desde quando o jovem ator estava na universidade. Em 2015, Washington divulgou que levaria as 10 peças de Century Cycle, do autor August Wilson, para as telas grandes ou pequenas. Ou seja, adaptaria suas peças para o meio cinematográfico. O primeiro filme desta série foi Fences, uma produção poderosa que comentei aqui.

Este é o último filme feito pelo ator Chadwick Boseman. Ele morreu em 28 de agosto de 2020 depois de lutar por quatro anos contra um câncer de cólon. Sem que seus colegas de cena soubessem, ele estava fazendo tratamento contra o câncer enquanto filmava Ma Rainey’s Black Bottom.

Apesar de interpretar a personagem que dá título ao filme, Viola Davis aparece em cena apenas 26 minutos e 41 segundos.

Com sua indicação ao Oscar deste ano por esse filme, Viola Davis se torna a atriz preta mais indicadas à premiação máxima de Hollywood da história, recebendo quatro indicações até o momento. Além disso, ela é a primeira atriz preta a receber duas indicações de Melhor Atriz no Oscar. Por sua vez, Chadwick Boseman é o primeiro ator preto a receber uma indicação póstuma ao Oscar. Com este filme, Mia Neal e Jamika Wilson são as primeiras mulheres pretas a serem indicadas ao Oscar de Melhor Maquiagem e Cabelo.

Este é o primeiro filme indicado nas categorias Melhor Atriz e Melhor Ator no Oscar sem ter sido indicado a Melhor Filme desde as indicações de Walk the Line.

Ma Rainey’s Black Bottom recebeu, até o momento, 74 prêmios e foi indicado a outros 187, incluindo na lista cinco indicações ao Oscar. Entre os prêmios que recebeu, destaque para o Globo de Ouro de Melhor Ator – Drama para Chadwick Boseman. O filme ainda concorreu na categoria de Melhor Atriz no Globo de Ouro, mas Viola Davis acabou perdendo o prêmio para Andra Day, do filme The United States vs. Billie Holiday.

Os usuários do site IMDb deram a nota 7 para esta produção, enquanto que os críticos que tem os seus textos linkados no Rotten Tomatoes dedicaram 279 críticas positivas e cinco negativas para o filme – o que lhe garante uma aprovação de 98% e uma nota média de 8,2. No site Metacritic esta produção aparece com o “metascore” 87, fruto de 43 críticas positivas e de três medianas, além de apresentar o selo “Metacritic must-see”.

Ma Rainey’s Black Bottom é uma produção 100% dos EUA. Por isso o filme passa a figurar na lista de produções que atendem a uma votação feita aqui no blog.

CONCLUSÃO

Um filme potente, e que se revela desta forma nos detalhes. Ma Rainey’s Black Bottom parece, para um espectador apressado, um filme simples, que trata de um contexto de crescimento do blues nos Estados Unidos. Mas este filme trata de desigualdade de oportunidades, de resistência, talento e de repressão. Fala sobre a violência que carregamos e reproduzimos sem perceber. Nas entrelinhas, é um filme potente e necessário. Com grandes interpretações e uma narrativa bem conduzida. Ainda que demore um tempo para entendermos tudo isso.

PALPITES PARA O OSCAR 2021

O tempo passou rápido. Não consegui, por causa do meu trabalho, ver a mais filmes que estavam, em fevereiro, cotados para concorrer a uma vaga no prêmio da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood. Agora, depois desse tempo todo, ficou fácil dar palpites por aqui porque não vou falar mais de especulações. Vou falar sobre indicações já consolidadas.

Como comentei antes, Ma Rainey’s Black Bottom recebeu cinco indicações ao Oscar: Melhor Ator para Chadwick Boseman; Melhor Atriz para Viola Davis; Melhor Design de Produção; Melhor Maquiagem e Cabelo; Melhor Figurino. Não vou mentir que achei surpreendente o filme não ser indicado na categoria Melhor Filme.

Apesar de não ter achado Ma Rainey’s Black Bottom excepcional e de achar que ele bebe um pouco demais da fonte do teatro, achei que ele ao menos concorreria nesta categoria. Mas não. Também me surpreendeu ele ficar de fora da categoria Melhor Fotografia – acho que ele poderia ter entrado no lugar de The Trial of the Chicago 7 (com crítica neste link), por exemplo.

Mas ok, falemos das cinco categorias nas quais ele está concorrendo. Acredito que o filme tenha chances, principalmente, nas categorias Melhor Ator e Melhor Figurino. Em todas as categorias o filme tem grandes concorrentes pela frente, mas ainda acredito que Chadwick Boseman vai levar a melhor, assim como o filme tem boas chances com o Figurino.

Viola Davis tem chances como Melhor Atriz. Mas, para isso, terá que se sair melhor que Frances McDormand, de Nomadland (comentado aqui), que seria a minha favorita, e que Carey Mulligan, indicada por Promising Young Woman. No momento, segundo as bolsas de apostas, Carey Mulligan é a favorita nesta categoria.

Falando em bolsas de apostas, elas apontam Ma Rainey’s Black Bottom como favorito para ganhar em Melhor Figurino e em Melhor Maquiagem e Cabelo. O filme estaria em segundo lugar em Melhor Design de Produção, perdendo na disputa, segundo os especialistas, para Mank.

Ou seja, se eles acertarem, o filme sairá da premiação de Hollywood com três das cinco estatuetas que ele tem chances de levar para casa. Nada mal. Particularmente, eu apostaria em duas estatuetas. Mas, de fato, o filme pode levar mais – e até surpreender os apostadores. Ou decepcionar os fãs levando nada ou quase nada para casa. Veremos.

Por Alessandra

Jornalista com doutorado pelo curso de Comunicación, Cambio Social y Desarrollo da Universidad Complutense de Madrid, sou uma apaixonada pelo cinema e "série maníaca". Em outras palavras, uma cinéfila inveterada e uma consumidora de séries voraz - quando o tempo me permite, é claro.

Também tenho Twitter, conta no Facebook, Polldaddy, YouTube, entre outros sites e recursos online. Tenho mais de 20 anos de experiência como jornalista. Trabalhei também com inbound marketing e, atualmente, atuo como professora do curso de Jornalismo da FURB (Universidade Regional de Blumenau).

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