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Nomadland


Você não tem uma casa – pelo menos não uma nos “moldes tradicionais”. Você não tem um emprego – pelo menos não um que lhe permita saber que ficará meses em um mesmo local. Apesar disso, você tem a liberdade de ir e vir e praticamente surpresas diárias. Nomadland é um filme profundo, que começa tratando sobre pessoas ora chamadas de nômades, ora chamadas de sem-teto e sobre as desigualdades da sociedade americana e que, depois, se aprofunda em questões existencialistas. Muito bem construído e narrado, este filme faz pensar, tem uma trilha sonora maravilhosa, excelentes atuações e muito de verdade. Imperdível.

A HISTÓRIA

Começa nos informando que no dia 31 de janeiro de 2011, depois de amargar uma queda grande na demanda e nas vendas por gesso, a US Gypsum fechou a fábrica que tinha na cidade de Empire, no estado de Nevada, depois de 88 anos de atividades. Em julho, o código postal da cidade de Empire, 89405, foi desativado. Neste local, começamos a acompanhar a história de Fern (Frances McDormand). Ela abre a porta do depósito, pega uma caixa e se emociona com um casaco. Em seguida ela paga pelo aluguel do espaço, se despede do amigo e cai na estrada.

VOLTANDO À CRÍTICA

(SPOILER – aviso aos navegantes que boa parte do texto à seguir conta momentos importantes do filme, por isso recomendo que só continue a ler quem já assistiu a Nomadland): Tem filmes que, sou franca em dizer, tenho dificuldade de escrever a respeito. Isso acontece quando o filme é tão bom, tão perfeito, me toca tanto que eu acho que qualquer comentário escrito por aqui acaba sendo pequeno, dispensável. Nomadland é um destes casos.

Para mim, este filme é irretocável, uma obra perfeita que deveria ser conhecida e vista por todos. Até um certo ponto, Nomadland me parece uma versão mais madura e aprofundada de outro filme marcante, Into the Wild, que eu assisti e, vejam só, escrevi a respeito no distante ano de 2008.

Os dois filmes tem algumas semelhanças e diferenças. Primeiro, Nomadland é protagonizado por uma mulher, que vive um momento da sociedade americana ainda mais desafiador do que o apresentado no filme estrelado por um jovem rapaz sonhador. Depois, temos nos protagonistas dos dois filmes uma diferença fundamental. Enquanto alguns poderiam considerar o protagonista de Into the Wild um jovem sonhador, um tanto “naïf”, a protagonista de Nomadland está na meia idade – ou já passou desta barreira -, é experiente e tudo menos “naïf”.

Ainda assim, os dois filmes começam com uma observação crítica interessante sobre a sociedade capitalista americana – e o modelo dominante no mundo. Ambos criticam este modelo, mas com olhares e perspectivas diferentes. Enquanto em Into the Wild a resposta para este consumismo é não querer acumular muita coisa e voltar a ter um contato próximo com a natureza, em Nomadland as razões que fazem as pessoas viverem em trailers é variada, não passa apenas pelas motivações de falta de grana ou de vontade de ter uma residência e um emprego fixo.

Assim, Nomadland começa sim mostrando a falta de oportunidades para as pessoas mais velhas. Isso vale nos Estados Unidos, isso vale no Brasil e em quase todos os lugares. Depois de uma certa idade, quem poderia se aposentar mas não ganha o suficiente buscando por uma aposentadoria para viver, encontra poucas oportunidades de trabalho. A busca por empregos temporários, muitos deles por “temporada”, faz com que muitas destas pessoas se desloquem pelo país durante o ano.

Isso é o que acontece com Fern. O ponto alto dela no ano, aparentemente, é o emprego temporário que ela consegue no final de cada ano na Amazon. O pagamento da empresa parece ser bom e garantir um bom tempo dos deslocamentos da protagonista. Isso acontece com Fern e com outras pessoas como ela. Independente da falta de oportunidades, Fern busca sempre por sua liberdade e independência.

Esses são valores presentes na história da protagonista e nas outras que vemos em cena. Algo que gosto muito na proposta da diretora e roteirista Chloé Zhao, que se inspirou no livro de Jessica Bruder para escrever este roteiro, é como ela visivelmente mergulha em histórias reais nesta produção. De fato, temos poucos atores em cena.

Assim, temos uma história “ficcional” que nos conduz por várias estradas, paisagens, cidades e estados americanos, ao mesmo tempo em que, claramente, mergulhamos nas histórias reais de muitos “nômades”. Todos que vemos em cena sem ser a brilhante e sempre maravilhosa Frances McDormand e o ator David Strathaim são pessoas que inspiraram a obra de Jessica Bruder e outros nômades que realmente vivem aquela vida.

Isso é visível, perceptível, inestimável. A verdade nas falas, nas palavras e nos olhares daquelas pessoas nos marca de forma definitiva enquanto assistimos a Nomadland. Muito interessante também ver como tudo aquilo também marca a atriz/personagem Frances McDormand/Fern. Toda essa verdade traz muita profundidade e interesse para o filme. Este é um dos grandes diferenciais desta produção em relação a Into the Wild.

Mas não é apenas isso. Verdade que os dois filmes tratam sobre “o sentido da vida”, lá pelas tantas. Afinal, o que nos move? Afinal, o que realmente é importante? Respiramos e nosso coração bate por qual razão? Conforme Fern vai caminhando, se deslocando, ou mesmo quando está parada em um lugar em que conseguiu um emprego ou no qual quer ficar por um tempo por causa da paisagem, Nomadland entra em sua vertente existencialista.

Claro que cada pessoa encontra as suas próprias respostas para as perguntas acima. Mas Nomadland e Fern nos apresentam algumas sugestões muito interessantes sobre estas questões fundamentais. Antes de entrar nestes pontos, contudo, quero comentar o quanto AMEI a trilha sonora e a direção de fotografia deste filme, dois aspectos que valorizam a história, a narrativa, a direção e a interpretação de Frances McDormand.

Também queria comentar como achei interessante a forma com que este filme aborda e questiona a noção sobre lar, sobre casa. Quando a mãe de duas jovens encontra Fern em uma loja, uma das garotas pergunta se é verdade que a protagonista é uma “sem-teto”. Fern responde que não, que ela é uma “sem casa”, e que há uma grande diferença entre estes dois conceitos.

Para Fern e para todos os “nômades” que vemos pelo caminho, de fato eles não tem uma casa, pelo menos não na classificação tradicional de casa, mas eles tem um “teto” sobre a cabeça. Ou seja, eles não dormem sobre uma calçada, ao relento, ou sobre a cobertura de uma marquise ou na entrada de alguma loja ou empresa. Eles não estão em situação de rua mas, mesmo assim, para a maior parte da sociedade, eles estão à margem da sociedade. Afinal, o conceito normal de casa é uma residência que tenha endereço fixo, CEP e diversos predicados que significam conforto.

Verdade que a “casa móvel” de Fern não tem o conforto de uma residência fixa. Mas ela tem um teto sobre a cabeça e, dependendo do clima externo, seu trailer lhe dá o aconchego de um lar. Mais que isso, ela se sente bem, se sente confortável naquele local. E existe alguma definição melhor para lar? Uma casa, um lar, deveria ser sempre o local em que nos sentimos bem, onde tudo que nos cerca nos parece familiar e ajude a contar nossa história. No mais, o acúmulo de objetos nada mais é do que isso, acúmulo de objetos.

Daí entramos em algumas das indicações que este filme, com alta dose de existencialismo, nos dá para aquelas questões fundamentais. (SPOILER – não leia se você não assistiu ao filme). O que importa para Fern é a sua liberdade, a sua possibilidade de ir e vir e de seguir conhecendo lugares incríveis, pessoas idem e vivendo experiências no caminho. A troca, os encontros, com pessoas e lugares, com sentimentos e sensações, é o que importa.

A sociedade consumista nos faz desejar sempre comprar, adquirir e buscar o conforto de um emprego estável e de uma casa própria. Mas o quanto estes elementos nos aprisionam ou nos limitam? Fern já viveu bastante tempo de sua vida em uma casa, em um casamento e com um emprego fixo. Quando ela perde tudo isso, decide não se prender mais em lugar algum. Ou com pessoa alguma. Opta pela liberdade, curtindo os momentos em que está sozinha na mesma medida em que curte os bons encontros com pessoas com quem sempre tem diálogos francos.

Ela não se priva mais, não se prende em seguranças que ela aprendeu, na prática, que não perduram. Porque as mudanças, a incerteza e a falta de segurança é o que perdura durante a vida inteira. O que temos hoje pode acabar amanhã, ou nós mesmos podemos acabar antes de terminarmos de pagar uma longa dívida como pode ser a compra de uma casa própria – uma casa no modelo “tradicional”. Com isso não quero dizer que a busca de segurança não deve ser almejada. Mas o quanto antes entendermos que essa “segurança” é fugaz, melhor.

Fern já viveu um grande amor e já teve outros elementos que lhe deram felicidade e segurança. Hoje ela quer viver a vida da melhor maneira, fazendo o melhor que pode em cada lugar que trabalha, mesmo sabendo que o emprego será temporário, e vivendo cada encontro estando 100% presente. Cada conversa é sincera, olho no olho, sem frases feitas. Cada encontro com um belo lugar é vivido ao máximo. Ela vive mais intensamente sendo uma “sem casa” do que quase todos que estão “seguros” em uma casa própria ou em um emprego fixo.

Isso nos faz pensar, não é mesmo? Sobre nossas vidas, nossas escolhas e o que elas significam sobre o que abraçamos e o que abrimos mão. Para Fern, a vida sem o seu grande amor tem sentido porque ela segue em frente. Ela segue na estrada, segue em movimento.

Todos nós ganhamos e perdemos muito durante a vida, durante nosso caminho. Ganhar e perder faz parte do jogo. Mas o que Nomadland nos ensina muito bem, especialmente no final, é que precisamos aprender com estas perdas e ganhos e viver tudo isso seguindo sempre em frente depois. O que e quem encontramos no caminho é o que importa. Assim como a forma com que nos respeitamos e nos amamos, nos escutamos. Se somos capazes de curtir bem o tempo sozinhos, o silêncio, somos capazes também de aproveitar bem cada encontro, cada passo, cada novo fato. Simples e complexo, mas verdadeiro, como o excelente Nomadland.

Claro que o “way of life” (modo de vida) de Fern e dos outros nômades que vemos neste filme não é para todos. Há pessoas que querem mais estabilidade, “segurança” e conforto. Que querem ter um lugar para voltar, um teto seguro sobre a sua cabeça. Não gostam da incerteza da estrada, do risco de morar em um lugar mais vulnerável como pode ser um trailer.

Fato que Nomadland não mostra a insegurança que viver em um trailer pode trazer. Nada de ruim, como um assalto ou outro tipo de crime, acontece com a protagonista desta história. Isso porque o objetivo do filme não era explorar tanto a fragilidade deste público e sim mostrar o seu modo de vida, sua visão sobre o que é importante. Nesse sentido, Nomadland cumpre o seu papel com louvor.

Assim, esta produção não tem o objetivo de servir como um “manual” de estilo de vida para qualquer pessoa. A maioria continua sonhando com a ideia de segurança que um emprego estável e uma casa própria simbolizam. Tudo bem perseguir estes sonhos e conquistá-los. Mas temos que saber que isso não nos preenche, não dá sentido para nossa vida por si mesmo. Para além destas “conquistas”, o que acaba marcando mesmo nossos dias são os encontros que temos, o amor que espalhamos e vivemos.

Para outras pessoas, contudo, esta segurança “ilusória” não faz sentido. Fern, por exemplo, já viveu essa segurança na cidade de Empire, criada a partir do surgimento e do crescimento de uma grande empresa, mas que desapareceu depois que esta companhia fechou as portas. Agora optando por viver em um trailer, não faltam para Fern convites para ela viver em uma residência novamente.

(SPOILER – não leia se você não assistiu ao filme). O encontro dela com Dave (David Strathairn) mostra que ela tem uma nova oportunidade de ter um companheiro, de viver em uma casa e de ter uma família. Mas quando ela visita Dave e percebe que tipo de vida ela terá se ficar lá, ela percebe o que deseja. Não quer abrir mão da sua liberdade e da sua autonomia. E parte para a estrada novamente. Consigo entender ela e todos os nômades. A vida deles nos ensina que precisamos viver cada dia com maior foco, interesse e intensidade. Afinal, estamos aqui apenas de passagem – e por menos tempo do que gostaríamos.

NOTA

10.

OBS DE PÉ DE PÁGINA

Não tenho dúvidas que este é um dos grandes filmes do ano. Ou o melhor da temporada – ainda a conferir. Entre os elementos que me chamaram a atenção nesta produção estão o roteiro, muito bem escrito e planejado, bebendo bem da fonte do livro de Jessica Bruder ao mesmo tempo que soube aproveitar a espontaneidade de uma produção que é ficcional e, ao mesmo tempo, tem uma boa carga de estilo documental.

Depois, me chamou muito a atenção o fato do filme ter poucos atores profissionais – basicamente dois, Frances McDormand e David Strathairn – e de explorar muito bem os “personagens reais” que vivem aquela vida de nômade que é o foco principal da história. Estas escolhas revelam muito do estilo da diretora e roteirista Chloé Zhao, que faz um ótimo trabalho ao registrar a espontaneidade do trabalho genial de Frances McDormand e as interações delas com as outras pessoas que vemos em cena. Fantástico o trabalho da diretora – depois falo um pouco mais dela.

Em seguida, chama a atenção o trabalho mais uma vez inspirador e incrível de Frances McDormand. Sou suspeita para falar sobre ela. Admiro a atriz há décadas – desde Raising Arizona, filme dos irmãos Coen de 1987 e, principalmente, por seu trabalho em Fargo, dos mesmos diretores, de 1996. A atriz, de 63 anos, parece estar cada vez melhor. Neste filme, ela claramente vive a personagem, seja trabalhando nos locais em que Fern atua, seja nas trocas com os nômades que não são atores. Essas trocas, aliás, valem ouro e são um ponto alto do filme.

Todos que aparecem em cena estão muito bem. Especialmente os que não são atores e que estão ali tentando contar sua própria história – cada uma daquelas histórias daria um filme, tenho certeza, mas eles se saem muito bem no “resumo” de suas trajetórias e na mensagem que deixam para os espectadores. Entre as pessoas comuns que contam suas histórias neste filme, vale citar Gay DeForest, Patricia Grier, Linda May (maravilhosa!), Angela Reyes, Carl R. Hughes, Douglas G. Soul, Ryan Aquino, Teresa Buchanan, Karie Lynn McDermott Wilder, Brandy Wilber, Makenzie Etcheverry, Bob Wells, Annette Webb, Rachel Bannon, entre outros.

Este é um dos grandes trabalhos de Frances McDormand. Mas será que sua entrega, excepcional, irretocável, será o suficiente para ela ganhar o seu terceiro Oscar? Logo saberemos. As duas primeiras estatuetas que a atriz recebeu foram pelos filmes Fargo e Three Billboards Outside Ebbing, Missouri. Segundo a bolsa de apostas do site GoldDerby, a favorita para ganhar a estatueta de Melhor Atriz no Oscar 2021 é a atriz Viola Davis, por seu desempenho no filme Ma Rainey’s Black Bottom. Frances McDormand estaria em segundo lugar na disputa. Caso vencer, Viola Davis vai ganhar o segundo Oscar da carreira – o primeiro foi recebido por Fences. Ainda preciso assistir ao filme da Viola Davis, mas admito que qualquer uma das duas atrizes vencendo, estarei feliz. Gosto das duas!

Além de Frances McDormand, o outro ator profissional que estrela Nomadland, mas em um papel de coadjuvante, é o ator David Strathairn. Ele faz um bom trabalho, buscando o mesmo tom realista assumido por Frances McDormand. A entrega dele é boa, mas com um destaque menor que da protagonista por razões óbvias. Em resumo, ele faz seu trabalho, sem roubar a cena – o que é bom para o filme. Segundo as bolsas de apostas do Oscar, David Strathairn aparece na décima posição na lista dos favoritos para a categoria Melhor Ator Coadjuvante no Oscar 2021. O favorito nesta categoria é o ator Leslie Odom Jr. por One Night in Miami.

Verdade que Nomadland não tem uma trilha sonora assinada por Eddie Vedder, um dos pontos altos do filme Into the Wild. Mas, apesar disso, a trilha sonora do filme dirigido por Chloé Zhao é um dos destaques desta produção. Durante o filme todo eu fiquei maravilhada com a trilha sonora de Ludovico Einaudi e com a direção de fotografia fantástica de Joshua James Richards. Dois elementos que fazem toda a diferença para a beleza desta produção e para diversos momentos em que ela nos faz “viajar” sobre questões existenciais que o filme trata.

Além das questões já citadas e que me chamaram a atenção neste filme, destaco ainda a ótima edição de Chloé Zhao; o design de produção de Joshua James Richards; a direção de arte de Elizabeth Godar; os figurinos de Hannah Peterson; e o trabalho do Departamento de Arte formado por Melissa Barnard, Kaili Corcoran e Madison Pflug.

Fiquei especialmente interessada pelo olhar diferenciado da diretora e roteirista Chloé Zhao. Sem dúvida o filme tem a qualidade e a sensibilidade que ele tem por causa dela. A diretora chinesa de 38 anos está trabalhando, em 2021, no seu oitavo filme. Ela estreou na direção em 2008 com o curta Post e dirigiu outros três curtas antes de estrear na direção de longas em 2015 com Songs My Brothers Taught Me. Mas ela ficou conhecida mesmo em 2017 com The Rider – que sim, acabei perdendo, mas sei que foi muito elogiado. Em seguida, veio Nomadland. Este é o primeiro filme que eu vejo dela mas, sem dúvida, tentarei a partir de agora acompanhá-la com maior frequência.

Até o momento, Chloé Zhao ganhou 85 prêmios. Será que 2021 trará para a diretora o seu primeiro Oscar? Sem dúvida ela mostra competência e um trabalho diferenciado em Nomadland. Acho que ela deve, pelo menos, ser indicada ao prêmio. Agora, para saber se ela vai levar a estatueta para casa, é necessário antes ver aos outros concorrentes. Segundo as bolsas de apostas do site GoldDerby, Chloé Zhao é a favorita para ganhar a estatueta dourada. Em segundo lugar, mas com uma pontuação bem menor que a dela para ganhar o prêmio, aparece David Fincher por seu trabalho na direção de Mank. Na lista dos principais concorrente, aparece em quinto lugar outra diretora, Regina King por One Night in Miami.

Nomadland estreou em setembro de 2020 no Festival Internacional de Cinema de Toronto. Depois, até dezembro, o filme participou de uma maratona de festivais e mostras de cinema, participando de outros 29 eventos. No Brasil, a data de estreia do filme na internet será 4 de fevereiro de 2021.

Para quem gosta de saber onde os filmes foram rodados, Nomadland foi filmado em diversos locais dos estados de Nevada, Arizona e California.

Agora, vale fazermos aquela pausa para citar algumas curiosidades da produção. A atriz Frances McDormand apelidou a van do filme de “Vanguard”. Ela decorou o interior da van com itens pessoais e dormiu no veículo durante as filmagens. Depois de algum tempo, ela parou de fazer isso porque, segundo o que ela disse para a The Hollywood Reporter, ela descobriu que era “muito melhor fingir que estava exausta do que realmente estar exausta”.

Nomadland foi filmado durante quatro meses. Durante este período, a atriz Frances McDormand, de fato, realizou vários dos trabalhos que são feitos por nômades do país e que inspiraram o livro que foi adaptado para o filme. Entre os trabalhos que eles fazem e que vemos em cena está o de colher beterrabas e embalar pedidos da Amazon com o programa CamperForce.

Durante o período de filmagens, Frances McDormand adotou o estilo de vida de estar constantemente em movimento. O objetivo foi trazer mais autenticidade para o filme, evitando que ela apenas “encenasse” aquele estilo de vida. De fato, percebemos isso ao assistir à produção.

Quando um filme me marca, gosto de buscar entrevistas com os realizadores para saber o que eles pensaram ou conhecer mais sobre o ponto de vista deles. Neste sentido, recomendo esta entrevista com a diretora e roteirista Chloé Zhao publicada pela IndieWire. Nela, a diretora comenta como não gosta de “apenas” fazer filmes. Ela diz: “Eu tenho que estar apaixonada pelo assunto e querer aprender mais sobre ele. Alguém uma vez me disse que a paixão não sustenta, mas a curiosidade sim. Tenho que ficar animada com as pequenas coisas que descubro ao longo do caminho”. Que linda! E que verdadeira. Tudo isso vemos neste filme.

Até o momento, Nomadland ganhou impressionantes 97 prêmios e foi indicado a outros 65. Entre os prêmios que recebeu, estão 14 prêmios de Melhor Filme, incluindo o Leão de Ouro do Festival de Cinema de Veneza; 30 prêmios de Melhor Diretora ou similares; nove prêmios de Melhor Roteiro Adaptado ou similares; 11 prêmios de Melhor Atriz para Frances McDormand; e 18 prêmios de Melhor Direção de Fotografia, só para citar os principais ou mais recorrentes.

Os usuários do site IMDb deram a nota 7,7 para esta produção, enquanto que os críticos que tem os seus textos linkados no Rotten Tomatoes dedicaram 200 críticas positivas e nove negativas para o filme, o que lhe garante uma aprovação de 96% e uma nota média de 8,9. Chama a minha atenção como a nota do público está bem abaixo da avaliação da crítica. Será que o público não está tão interessado em conhecer a vida de nômades, pessoas que, geralmente, serão tão diferentes deles?

O site Metacritic apresenta um “metascore” de 96 para Nomadland, fruto de 33 críticas positivas, assim como o selo “Metacritic Must-see”.

Nomadland é uma coprodução dos Estados Unidos com a Alemanha.

Ah, importante comentar algo. Dei uma pausa na sequência de filmes que estão concorrendo à uma vaga na categoria Melhor Filme Internacional porque estou com dificuldade em conseguir assistir a alguns dos favoritos. Por isso, decidi começar a mirar nas produções favoritas nas categorias principais do Oscar para conseguir avançar com esta experiência enquanto estou em “semi férias” – semi porque as aulas não voltaram na universidade em que estou atuando, mas nesta semana comecei a trabalhar em outra frente. Como depois que eu voltar ao cotidiano de trabalho regular não sei o quanto de tempo terei para ver filmes, tentarei ver a alguns dos filmes principais do Oscar 2021 a partir de agora, beleza? Quando possível, volto para a lista dos filmes que concorrem em Melhor Filme Internacional.

CONCLUSÃO

Um filme que mergulha na “América profunda” e bebe muito de sua realidade desigual para tratar de temas importantes para qualquer pessoa em qualquer parte do mundo. Nomadland, diferente do que o nome pode sugerir, não trata apenas de “nômades”. Fala de família, amores, definição de lar, capitalismo, sentido da vida, escolhas, apegos e desapegos, encontros e desencontros. Trata também sobre o que mais importa e sobre as relações que fazemos no caminho. Um dos grandes filmes da temporada – ainda a descobrir se o melhor de todos. Assista.

PALPITES PARA O OSCAR 2021

Olha, não preciso consultar os “oráculos” de Hollywood ou as bolsas de apostas para o Oscar 2021. Nomadland vai chegar até lá com força. Será inevitável, a meu ver. Porque este é um dos melhores ou, como eu disse antes, pode ser o melhor filme da temporada. Uma produção narrada com esmero e com muita sensibilidade que merece, de fato, ter várias indicações na maior premiação do cinema norte-americano.

De cara, considero que Nomadland será indicado a Melhor Filme, Melhor Roteiro Adaptado, Melhor Atriz para Frances McDormand e, quem sabe, Melhor Diretora. Além do meu palpite, vale olhar o que diz a bolsa de apostas do site GoldDerby. Lá, Nomadland figura bem posicionado na concorrência de seis categorias.

Vou listá-los por aqui: Melhor Filme, Melhor Diretora, Melhor Atriz (Frances McDormand), Melhor Roteiro Adaptado, Melhor Fotografia e Melhor Edição. Destas seis categorias, Nomadland aparece liderando em três e em segundo lugar em outras três. Ou seja, um fortíssimo concorrente segundo os apostadores do site. Além disso, o filme aparece na décima posição na categoria Melhor Ator Coadjuvante (David Strathairn).

Concordo com os apostadores do GoldDerby. Ainda que, eu admito, não é tão raro eles errarem. 😉 Mas, particularmente, acho sim que Nomadland tem grandes chances de levar as estatuetas de Melhor Filme, Melhor Diretora, Melhor Roteiro Adaptado e Melhor Fotografia. Ainda acho cedo eu opinar sobre Melhor Atriz – preciso ver aos outros trabalhos. Gosto demais da trilha sonora do filme, então apostaria também em Melhor Trilha Sonora. Mas teremos que esperar.

Entre as categorias técnicas, acho que o filme pode ser indicado ainda em Melhor Direção de Arte. Assim, juntando os palpites/apostas do site GoldDerby e o meu palpite, Nomadland tem sérias chances de ser indicado em 7 categorias do Oscar. Caso isso ocorrer, será merecido. De fato, o filme merece ser reconhecido e assistido. Chances de ganhar, vejo o filme com boas perspectivas em até 6 categorias – mas podendo ficar em 4.

Por Alessandra

Jornalista com doutorado pelo curso de Comunicación, Cambio Social y Desarrollo da Universidad Complutense de Madrid, sou uma apaixonada pelo cinema e "série maníaca". Em outras palavras, uma cinéfila inveterada e uma consumidora de séries voraz - quando o tempo me permite, é claro.

Também tenho Twitter, conta no Facebook, Polldaddy, YouTube, entre outros sites e recursos online. Tenho mais de 20 anos de experiência como jornalista. Trabalhei também com inbound marketing e, atualmente, atuo como professora do curso de Jornalismo da FURB (Universidade Regional de Blumenau).

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