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Frankenstein (2025)


Uma história conhecida, um dos grandes clássicos da literatura mundial, já bem retratada no cinema também. O que faria Frankenstein voltar a ser adaptado para os cinemas? Sem dúvida alguma, a vontade do diretor Guillermo del Toro, que tem uma assinatura toda própria, em dar a sua própria versão sobre o clássico. Eu assisti a essa versão de Frankenstein porque esse é um dos filmes mais indicados ao Oscar 2026.

Se não fosse por isso, francamente, provavelmente eu teria ignorado essa produção. Investido o meu tempo em uma história mais original. Mas o Oscar faz dessas. Nos faz assistir a filmes que não eram tão desejados assim. Francamente? Acho que apenas os grandes fãs de Guillermo del Toro vão tirar o chapéu para essa produção. Como esse não é o meu caso, achei um filme ok, mas nada demais. Não considero um dos melhores dessa temporada.

A HISTÓRIA

Começa com o “capítulo” Prelúdio. No Extremo Norte, em 1857, em meio a um cenário gelado, vemos um navio aprisionado no gelo. O capitão se afasta um pouco de seus comandados para olhar para o horizonte, mas logo é chamado pelo seu imediato. O capitão Anderson (Lars Mikkelsen) consulta o horário no relógio de bolso e retorna para falar com o imediato Larsen (Nikolaj Lie Kaas).

O imediato diz que eles precisam quebrar o gelo que está prendendo o navio, mas que os homens estão famintos e exaustos. E que se eles mantiverem esse ritmo, isso vai ter um preço. Anderson grita para os homens que quanto mais eles demorarem no esforço de quebrar o gelo, mais eles vão ficar presos no local. Ele diz para continuarem e para alternarem os grupos, mas Larsen comenta que os homens precisam de uma garantia de que eles irão voltar para casa.

Anderson fala para todos que eles não devem pensar em nada, apenas que eles assumiram uma missão e que vão levar ela até o fim. O capitão enfatiza que eles vão chegar até o Polo Norte e sobe pela escada do navio, caminhando até sua cabine. Ele está aquecendo os pés gelados na cabine quando escuta um barulho alto. Larsen diz que houve uma explosão. Já está noite, e ele aponta em direção ao barulho, afirmando que a explosão ocorreu a cerca de três quilômetros. Anderson vê o fogo e pede para Larsen reunir um grupo de homens. Eles vão até o local e encontram um rastro de sangue. Em seguida, localizam um homem ferido. Em breve eles vão conhecer a história desse homem, Victor Frankenstein (Oscar Isaac), e de como ele chegou até ali.

VOLTANDO À CRÍTICA

(SPOILER – aviso aos navegantes que boa parte do texto à seguir conta momentos importantes do filme, por isso recomendo que só continue a ler quem já assistiu a Frankenstein): Então, acho difícil alguém hoje em dia não conhecer a história de Frankenstein e não ter assistido a pelo menos um filme inspirado no clássico de Mary Shelley. É que já foram lançados tantos, mas tantos filmes sobre Victor Frankenstein e sua criação… então por que fazer um novo filme sobre eles?

Olha, a única explicação que eu vejo para isso é o diretor e roteirista Guillermo del Toro querer apresentar a sua versão particular sobre essa história. Claramente ele buscou também com esse novo Frankenstein dar maior protagonismo para a criação de Victor Frankenstein, dando espaço para ele contar sua versão da história e, claro, desmistificar a ideia de que ele seria um monstro tenebroso e procurar torná-lo mais humano e sensível.

Ok, entendo esse desejo do diretor. Claramente esse é um projeto muito pessoal para del Toro. Mas, e para nós, amantes do cinema? Eu diria que esse filme pode ser interessante para quem tem menos de 20 anos de idade e para quem praticamente não assistiu a nada que foi lançado anteriormente e que foca na história de Frankenstein. Quem já tem um pouco mais de “bagagem” e já assistiu a alguns filmes inspiradas nessa história vai achar essa produção um pouco mais do mesmo. Porque realmente é um pouco mais do mesmo.

O início do filme, apesar do tom exagerado que é um pouco típico de del Toro, até que foi bom. Aquele Prelúdio é um belo cartão de visitas do filme, deixando claro pra gente que esta é uma super produção, com altos valores investidos e com muito recurso disponível para realizar o sonho de del Toro de lançar o seu próprio Frankenstein.

As qualidades técnicas desse filme, aliás, são o ponto forte da produção. O que de melhor o cinema pode apresentar em termos de recursos técnicos está aqui. Então, em termos visuais, Frankenstein é belíssimo. Uma produção muito bem realizada. Mas a história… bem, nada muito de novo. Esse não é o primeiro filme que busca demonstrar como Frankenstein, a criatura, foi mal interpretada e perseguida como monstro sem que o verdadeiro monstro dessa história fosse visto desta forma.

Outros já buscaram “humanizar” a criatura antes, assim como explicar as motivações de Victor em querer jogar o papel de Criador. Tudo isso está em cena aqui. (SPOILER – não leia se você não assistiu ao filme ainda). Talvez a maior “novidade” do roteiro de del Toro seja mostrar um pouco mais da infância de Victor e, principalmente, a relação dele com a mãe – uma questão fundamental nessa versão da história – e a indignação dele com sua morte. O fato dele não ter aceitado a morte da mãe que faz ele ficar obcecado por tentar “vencer a morte” criando alguém que não pode ser morto. Um ser imortal.

Claro que uma questão fundamental da história de Frankenstein é essa reflexão sobre o desejo do homem em tornar-se Deus e de vencer a morte. Por isso essa história é um dos maiores clássicos de todos os tempos. Outro ponto fundamental da história é como lidamos com o que é estranho e diferente, geralmente com exclusão e com violência. Tudo isso está nessa nova versão de Frankenstein.

Então temos aquele início bem construído, com aquele cartão de visitas bem realizado do filme. Logo percebemos que essa é uma produção de alto custo e que teremos a parte técnica entregue com perfeição. Ok. Mas e o roteiro, e os atores? Honestamente, eu respeito o estilo um tanto exagerado de Guillermo del Toro, mas achei o exagero aqui um pouco além da conta. Me incomodou, devo ser franca.

Os intérpretes, em particular, achei vários tons acima do ideal. (SPOILER – não leia se você não assistiu ao filme). Especialmente Oscar Isaac como Victor Frankenstein e Christoph Waltz como Harlander, o homem que está doente e que resolve financiar o projeto de Victor para buscar a sua própria imortalidade, achei exagerados, quase caricatos em alguns momentos. Honestamente, não curti.

Daí diante de um elenco que tem uma parte dos atores alguns tons acima do ideal e uma parte abaixo do que era esperado (a exemplo de Felix Kammerer, contido um pouco demais como William Frankenstein, o irmão mais novo de Victor), outros atores que estão no tom exato de seus personagens acabam se destacando… não exatamente por fazerem um trabalho realmente excepcional, mas por estarem melhores em cena do que os seus colegas.

Esse é o caso de Jacob Elordi, que vive “a criatura” (como identificam a criação de Victor nos créditos do filme), e de Mia Goth, que interpreta tanto Elizabeth quanto Claire Frankenstein, a mãe de Victor e William – sim, a mesma atriz faz a mãe deles, claro que com muita maquiagem e prótese para distinguir uma personagem e outra. Achei interessante essa escolha de Mia interpretar as duas personagens, porque isso deixa ainda mais clara a atração que Elizabeth exerce sobre os irmãos Frankenstein.

Não temos o contexto sobre a relação entre William e Elizabeth, não sabemos exatamente como eles se conheceram ou se apaixonaram, mas fica nítido no desenrolar da produção que Victor desenvolve uma fixação com Elizabeth muito porque ela enxerga nela a substituição da mãe – Freud explica e o fato da mesma atriz interpretar as duas personagens apenas reforça tudo isso.

(SPOILER – não leia… bem, você já sabe). Além disso, me parece parece óbvio que Victor faz a política da “boa vizinhança” com o irmão, mesmo eles não sendo próximos, mas que em seu íntimo ele deve colocar um pouco da “culpa” da morte da mãe no irmão mais novo, além de competir com ele indiretamente. Victor queria a mãe apenas para ele – por isso ele também nunca se sentiu próximo do pai ou demonstrou afeto em relação a ele – e, por isso, a morte dela acaba marcando a vida dele de forma definitiva.

Tudo isso é mostrado de forma bem objetiva na Parte 1 desse filme, focada na História de Victor. Toda essa parte é bem conhecida e já foi explorada de forma ampla em diversas produções focadas em Frankenstein. Mas algumas questões são melhor exploradas nessa produção, como a relação diferente que Victor tinha com a mãe e com o pai, o isolamento social que ele tinha desde a infância, a forma superprotetora com a qual a mãe o tratava, entre outros pontos que ficam melhor demonstrados no roteiro de del Toro.

Depois de acompanharmos toda aquela parte formativa do caráter de Victor, algo importante para o futuro do personagem, vemos ele já adulto defendendo suas ideias controversas em público. É desta forma que ele atrai o interesse de Harlander, um homem poderoso e com capital suficiente para transformar as ideias de Victor em realidade.

Daí temos todo o desenvolvimento do projeto de Victor, praticamente todo executado pelo irmão William, que parece ser um homem muito diferente do irmão. Enquanto William corre para cima e para baixo para conseguir tudo que Victor precisa para seu projeto, o irmão mais velho dele procura se aproximar e flertar com Elizabeth.

Ela, por mais que acabe dando mais atenção para Victor do que ele merece, claramente sabe muito bem onde está pisando. (SPOILER – não leia se você não assistiu ao filme). Sobrinha de Harlander, que está doente e perto de morrer, mas ninguém sabe disso, Elizabeth parece ser uma mulher sensível, com pensamento crítico e, ao mesmo tempo, extremamente curiosa. É essa curiosidade e sensibilidade que faz ela se aproximar um pouco de Victor, mas não demais, e que faz ela se interessar principalmente pela criação dele.

Depois de conseguir realizar seu sonho e comprovar sua tese sobre a possibilidade de criar alguém que pode vencer a morte, Victor trata essa nova criatura como um objeto. Ele testa o personagem interpretado por Jacob Elordi como se ele fosse um objeto esculpido que precisa ter uma certa funcionalidade. Como ele não consegue as respostas que deseja, Victor não pensa duas vezes em destruir o que ele criou.

E então o filme entra no capítulo que é o maior diferencial do roteiro de Guillermo del Toro. Na Parte 2 do filme, intitulada “A história da criatura”, somos apresentados ao que acontece com a criação de Victor depois que o protagonista coloca fogo e explode o local em que eles viviam. Como já sabemos em outras adaptações dessa história, a criatura é perseguida de todas as formas e tentam matá-lo porque todos o veem como um monstro, como algo que precisa ser destruído porque ninguém o entende e todos o veem como uma ameaça.

Nesse caminho entre quase ser explodido e finalmente encontrar Victor no Polo Norte, descobrimos como a criação de Frankenstein saiu de falar apenas o nome do seu criador e o nome de Elizabeth e passar a ter um vocabulário muito mais amplo. Isso acontece quando ele passa a conviver com um senhor cego (David Bradley) que fica sozinho durante o inverno por escolha própria, depois que seus familiares vão para a cidade para se protegerem durante a época mais difícil do ano.

A criação de Victor já está vivendo no celeiro próxima deles e já começou a ampliar seu vocabulário aprendendo palavras junto com a neta do idoso, Anna-Maria (Sofia Galasso), mas ele realmente aumenta muito seu repertório quando fica sozinho com o idoso cego. Por não ver a criação de Victor, e também por ter muito mais idade que os demais, o idoso não exclui aquele que outros veem como monstro. Assim, apesar de perceber que a maioria o considera uma ameaça que precisa ser eliminada, a criação de Victor também colhe olhares de bondade, afeto e busca de compreensão por parte do idoso cego e de Elizabeth.

Essas experiências é que fazem a criação de Victor não desejar destruir a tudo e a todos. Ele percebe a diferença nos tratamentos, mas também se sente cansado e sem respostas. Toda vez que tentam exterminá-lo, ele sente dor e o peso da morte, mas ele não pode morrer. E isso é o pior para ele. Porque ele está fadado a viver para sempre – e sozinho, já que não existe mais ninguém como ele no mundo. Por isso a criação de Victor busca seu criador para pedir que ele lhe dê uma companheira.

Essa busca acaba em tragédia – algo já conhecido também na obra original e em diversas adaptações para o cinema. Quase tudo para demonstrar para os espectadores que a busca pela imortalidade – algo que parece estar em alta ultimamente com os infinitos procedimentos estéticos e outras técnicas para tornar os ricos “eternamente jovens”, uma grande ilusão, por óbvio – não é algo realmente positivo. Essa busca costuma cobrar um preço alto e ser uma grande ilusão.

Afinal, do que serve viver eternamente se as pessoas que amamos não vão existir mais? Se vamos viver sozinhos, o que vai contra toda a nossa predisposição social? Em essência, esse filme e essa história é uma tragédia em si. Ninguém sai ganhando dessa história. A ambição de um homem, causada por sua incapacidade de se relacionar e por sua obstinação por uma mãe morta, acaba deixando um rastro de destruição e colocando no mundo uma vida que nunca terá descanso.

Quer dizer, no Polo Norte, longe de quase toda a humanidade, talvez a criação de Victor encontre alguma paz. Mas ele terá que viver sempre conformado com o infinito branco, com o isolamento e com a solidão. Um fim triste para alguém que não teve culpa nenhuma por ter nascido como nasceu – aliás, nenhum de nós tem essa “culpa”, não é mesmo? E talvez essa seja outra reflexão de Frankenstein – ao menos da obra original. Já que ninguém tem culpa sobre suas origens, talvez a melhor forma de seguirmos seja não lutar contra isso. Não carregar esse peso que não é responsabilidade nossa.

Aquela partida da criação de Victor em direção ao desconhecido no final pode apontar para isso. Para a busca dele por algum futuro possível. Só espero que, de fato, ele tenha deixado para trás o passado e, principalmente, o seu criador. Para tentar encontrar alguma paz em algum lugar, olhando para a frente e não para trás. Acho que essa pode ser uma boa lição para todos nós, independente das nossas origens.

Apesar de preservar a essência da obra original e de demonstrar como o cinema atual pode nos apresentar um Frankenstein super elaborado, essa nova adaptação da história clássica incomoda por alguns fatores. O primeiro, para mim, é o fato dela revisitar uma história já muito adaptada. Meio que impossível trazer algo novo por aqui. Ok, pode servir para audiências jovens, que quase não assistiram a nenhum filme sobre Frankenstein, mas ainda assim… eu gastaria esses recursos produzindo vários outros filmes independentes.

Além desta questão prática, existem alguns outros detalhes do roteiro em si que me incomodaram um pouco. Para começar, aquele exagero em diversas interpretações e até mesmo na condução do filme que eu comentei antes. Ok, algumas escolhas visuais exageradas se explicam para causar impacto e impressionar o pública. Beleza quanto a isso. Mas as interpretações afetadas de alguns personagens, especialmente Oscar Isaac e Christoph Waltz, me incomodaram. Eles estão em tons exagerados o tempo todo. Enquanto isso, outros personagens ficaram apagados demais, também de forma exagerada, como William.

Mas o que mais me incomodou foram outros dois pontos. (SPOILER – não leia se você não assistiu ao filme). Primeiro, como uma pessoa que é criada de diversas partes humanas consegue ter uma cognição praticamente intocada? Inicialmente a criação de Victor reage como uma criança recém-nascida, que “aprende” apenas imitindo o gestual do adulto próximo e repetindo o que ele diz – no caso, apenas o nome Victor. Se logo depois de ter acordado ele seria o equivalente a uma criança recém-nascida, mas capaz de logo repetir o nome Victor, por que ele não poderia repetir outras palavras logo naquele início?

Não faz muito sentido. A não ser para explicar o rápido desinteresse de Victor por sua criação. E, ainda assim, um desinteresse também um pouco forçado e exagerado – como tudo no personagem de Victor. Daí como, não muito tempo depois, quando a criação de Victor se refugia na propriedade daqueles camponeses, ele rapidamente aprende outras palavras e, logo na sequência, a ler obras inteiras? Novamente, isso não faz sentido. Porque toda essa curva de aprendizado para um “recém-nascido” e para uma criança exige uma série de recursos didáticos e não é tão simples assim.

Ah, alguém pode dizer que ele não estava aprendendo nada, na verdade, mas acessando memórias do cérebro que o formou. Por isso ele logo aprendeu novas palavras e conseguiu ler. Hummm… acho isso uma solução mágica para um problema mais complexo. Porque se esse fosse o caso, o que impediria a criação de Victor de também acessar memórias antigas da pessoa que lhe forneceu seu cérebro? E não apenas a questão de memórias, mas de outras habilidades. E qual era a probabilidade de alguém morto na guerra ter tanto repertório linguístico ou até ele saber ler? Não era algo impossível, mas muito improvável.

Nesse sentido, gosto mais da versão de Poor Things (produção comentada por aqui) sobre o que seria a criação de um novo indivíduo adulto a partir de uma origem tipo a proposta por Frankenstein. Naquele filme, a personagem de Bella Baxter evolui de forma mais condizente com a curva de aprendizado de uma pessoa. Ela não dá grandes saltos nessa evolução, o que faz muito mais sentido. Sim, é estranho vermos uma mulher adulta agindo como uma recém-nascida, depois como uma criança um pouco maior, mas isso faz mais sentido do que o que vemos acontecer com a criação de Frankenstein no filme de del Toro.

Por fim, teve uma outra questão que me incomodou. Novamente, um deslize causado pelo tom exagerado do filme. (SPOILER – não leia se você não assistiu ao filme). Certo que a criação de Victor conseguiu fugir de algumas perseguições e de alguns tiros, escapando de quem o perseguia. Mas daí tem dois momentos em que ele é perseguido e atacado e que não faz muito sentido ele continuar sendo “imortal”. Primeiro, quando ele é atacado pelos familiares do idoso cego após ele ter sido morto pelos lobos. Faria mais sentido aquela família ter colocado fogo nele ou ter cortado ele em pedacinhos depois, não? E aí não teria cicatrização incrível que resolvesse o problema dele.

Depois, e esse é o furo que me parece mais importante, precisamos falar da reta final da produção. (SPOILER – não leia… bem, você já sabe). A criação de Victor literalmente é explodida no Polo Norte. Me desculpem, mas depois de ter literalmente uma dinamite explodindo entre as mãos, ele não perder uma parte do rosto, um braço ou outra parte do corpo me parece totalmente despropositado. Del Toro querendo nos fazer acreditar no impossível mais uma vez. Logo após a explosão, vemos o personagem apenas com pedaços de carne faltando.

Qualquer reprodução da Primeira Guerra Mundial ou de outros conflitos nos mostra o que acontece com a carne humana quando uma bomba explode perto do corpo. Então, me desculpem, mas achei essa sequência totalmente nada a ver. Ou aquela dinamite foi comprada em uma loja de 1,99, ou então faria mais sentido a explosão ter acontecido de outra forma ou a tentativa de Victor ter sido consolidada com outros recursos. Mas enfim, tenho certeza que alguns nem vão se importar com isso. Para mim, foi algo que me incomodou. Além do filme ser um pouco longo demais e de não ter apresentado nada de muito novo.

Mais do mesmo por mais do mesmo, prefiro assistir filmes com enredos novos e propostas criativas. Mas ok, assisti a esse Frankenstein por causa do Oscar e foi bom ver que rios de dinheiro seguem entregando filmes com qualidade técnica excepcional. É o caso desse Frankenstein. Um filme óbvio, que preserva parte da essência da obra original, que mostra o que de melhor o cinema nos apresenta nos aspectos técnicos, especialmente visuais e sonoros, e que exagera muito no tom narrativo. Cansa um pouco nesse sentido.

NOTA

7,6.

OBS DE PÉ DE PÁGINA

Olha, eu tenho que admitir que eu tenho um bocado de preguiça de assistir a história que já foram muito adaptadas para o cinema. E agradeço por ter assistido a mais de um filme sobre Frankenstein antes de conferir a essa produção com roteiro e direção de Guillermo del Toro. Sou sincera em dizer que acho que temos adaptações melhores, apesar dessa ser muito bem produzida, mas acho que falta alma e coração nesse filme. Ele parece uma peça muito bem acabada, bem lapidada, rica em detalhes, mas vazia de conteúdo, de emoção. Temos filmes melhores, nesse sentido, que contam a história de Frankenstein.

Segundo as notas de produção de Frankenstein, essa produção teria custado cerca de US$ 120 milhões. Agora, pensem comigo, quantos filmes originais e com uma história inédita poderiam ter sido produzidos com esse dinheiro? Enfim, eu teria preferido cinco ou até 10 filmes de baixo orçamento e interessantes do que esse Frankenstein.

Para quem ficou curioso para saber mais sobre as adaptações da obra de Mary Shelley para os cinemas, vou deixar por aqui alguns links de conteúdos que nos apresentam uma pequena amostra de tudo que já foi feito até aqui. De acordo com esse texto da Wikipédia, o primeiro filme sobre Frankenstein foi lançado em 1910 – sim, mais de um século de adaptações da obra para a telona! O conteúdo da Wikipédia é bastante completo e interessante sobre as adaptações feitas dessa história. Recomendo.

Também deixo como sugestões de leitura por aqui esse conteúdo do site TechTudo que traz 15 filmes inspirados na história de Shelley e um resultado de busca no site IMDb que traz diversas outras produções que tem Frankenstein como mote ou inspiração. Claro que, vou falar o óbvio agora, sempre que vocês assistirem a filmes antigos, da era inicial do cinema ou das primeiras décadas do século passado, é preciso conferir essas produções com um olhar histórico, entendendo que recursos técnicos cada realizador tinha naquele período. Não dá para comparar com o que temos agora, em 2025 e 2026.

Por falar nos aspectos técnicos, que são o ponto forte desse Frankenstein, tenho que admitir que a parte visual do filme, o que engloba desde a direção de fotografia até a cenografia, o design de produção, os figurinos e a maquiagem, estão perfeitos. Irretocáveis. Não há o que criticar. Os aspectos sonoros da produção idem. Por isso sim, o filme merece as indicações a prêmios e os prêmios que recebeu até aqui – e mais os que deve levar no Oscar. Logo abaixo falo mais sobre isso.

Entre os aspectos técnicos da produção, vale destacar a direção de fotografia de Dan Laustsen; o design de produção de Tamara Deverell; a direção de arte de Brandt Gordon, Celestria Kimmins e Emer O’Sullivan; a decoração de set de Shane Vieau; os figurinos maravilhosos de Kate Hawley; o Departamento de Arte com dezenas de profissionais e o trabalho do Departamento de Maquiagem que envolveu 58 profissionais. A fotografia, os figurinos, o design de produção e, especialmente, a maquiagem são pontos fundamentais do filme.

Outros aspectos técnicos que merecem ser mencionados, ainda que chamem um pouco menos a nossa atenção, são a trilha sonora do veterano super premiado Alexandre Desplat; a edição de Evan Schiff; o Departamento de Som, o Departamento de Efeitos Visuais e o Departamento de Efeitos Especiais, cada um deles com dezenas de profissionais envolvidos – nesses quesitos está concentrado boa parte do orçamento do filme.

Sobre o roteiro, a direção e os atores, falei um pouco antes, mas comentou um pouco mais agora. Sim, Guillermo del Toro entende muito bem do ofício da direção. Com esse Frankenstein ele nos entrega um trabalho correto, atento aos detalhes e tudo o mais. A direção mostra que ele entendo do ofício, mas ele não nos entrega nada excepcional por aqui – nenhuma grande ideia, nenhuma novidade. O mesmo sobre o roteiro. Ok, ele dá mais espaço para a criação de Victor falar e se expressar, para entendermos o seu ponto de vista, mas o tom exagerado do roteiro e alguns “furinhos” aqui e ali não passam desapercebidos. Não achei esse um grande roteiro, devo dizer.

Agora, sobre o elenco. Grande parte do filme está centrado no trabalho do ator Oscar Isaac. Ele é um bom ator, mas aqui ele nos apresenta um Victor Frankenstein em um tom geralmente muito acima, exagerado. Há quem vá defender essa escolha, dizendo que o personagem realmente era assim, sem medida, sem freios, etc. Não sei, achei um pouco além do indicado e do desejado. Over, para resumir.

Como grande parte do filme está centrado no personagem de Victor Frankenstein, esse tom acima da média de Oscar Isaac impregna e afeta toda a produção. O ator Christoph Waltz também aparece nesse mesmo tom acima com seu Harlander. Um pouco chatos, ambos. Daí, contrastando com eles, temos Jacob Elordi e Mia Goth, dois atores que interpretam personagens com maior relevância na história e que nos fazem entregas muito mais equilibradas e condizentes. Gostei do trabalho deles. Especialmente de Mia Goth, que tem uma presença incrível em cena.

Falaram tanto de Jacob Elordi. Acho que, talvez, pelo ator ser menos conhecido. Porque acho o trabalho dele bom, equilibrado, com um personagem que exigiu bastante da parte física do ator, mas, apesar dessas qualidades em sua interpretação, não achei um trabalho excepcional ou que merece muitos prêmios. Achei ok, nada assim tão impressionante.

Além desses atores, ganham destaque na produção o trabalho de Felix Kammerer como William Frankenstein, o irmão mais novo de Victor. O ator faz um bom trabalho, mais condizente com a personalidade do seu personagem, mas acaba sendo um pouco ofuscado pela personalidade exagerada de Victor e da interpretação de Oscar Isaac. Merecem ser destacados ainda os atores Charles Dance como Leopold Frankenstein, o pai de Victor e de William; David Bradley como o homem cego que acaba sendo o que melhor trata a criação de Victor; e Lars Mikkelsen como o capitão Anderson. Esses três veteranos estão muito bem e tem presenças muito marcantes em cena.

Além deles, vale comentar os trabalhos de Christian Convery como Victor Frankenstein quando criança; Nikolaj Lie Kaas como o segundo no comando do navio encalhado no Polo Norte, Larsen; a família de camponeses formada pelo casal interpretado por Kyle Gatehouse e Lauren Collins, pais de Anna-Maria, interpretada por Sofia Galosso. Esse seria o elenco central, que tem maior importância na história, mas o filme está cheio de pontas e de atores e atrizes em papéis menores.

Agora, vale citar algumas curiosidades sobre a produção. Algumas, inclusive, ajudam a explicar o orçamento altíssimo de Frankenstein. O laboratório de Victor Frankenstein e o navio comandado por Anderson foram cenários totalmente construídos para o filme. O diretor Guillermo del Toro explicou o que ele queria com isso: “Eu quero cenários reais. Não quero digital, não quero inteligência artificial, não quero simulação. Quero o trabalho artesanal à moda antiga: pessoas pintando, construindo, martelando, rebocando”.

O papel da criação de Victor Frankenstein foi o mais difícil da carreira de Jacob Elordi até aqui. Ele ficava até 10 horas por dia na cadeira de maquiagem para aplicar tudo que era necessário colocar em seu corpo para ele viver seu personagem em Frankenstein. Para chegar à tempo para as filmagens, muitas vezes o ator chegava no trailer de maquiagem às 22h e passava a noite nessa função de preparação para o personagem. De acordo com del Toro, algumas vezes Elordi trabalhava 20 horas por dia – incluindo, claro, esse tempo de preparação. A equipe de maquiagem, liderada por Mike Hill, produziu 42 próteses de silicone que eram aplicadas sobre o ator nesse processo que levava 10 horas.

Segundo Elordi, toda a experiência envolvendo o trabalho em Frankenstein foi incrível: “Foi a vez que eu me senti mais à vontade, interpretando um personagem e fazendo um filme. Foi o período em que me senti mais confortável em toda a minha vida”. Isso e ainda ser premiado e bastante indicado por esse papel, é tudo que um ator pode desejar, não é mesmo? Acertou na loteria aqui, porque esse papel deu muita visibilidade para o ator.

O ator Andrew Garfield foi inicialmente escalado para o papel da criação de Victor, mas ele acabou desistindo de Frankenstein por causa de conflitos de agenda. A equipe de maquiagem tinha trabalhado nove meses no visual de Garfield antes dele desistir do projeto. Depois que a mudança foi anunciada e que escalaram Jacob Elordi, essa mesma equipe teve poucas semanas para adaptar o visual para o novo ator.

Achei uma observação das notas de produção interessante. A ideia de que a criação de Victor tomou vida através da eletricidade é apenas sugerida no romance de Mary Shelley. No livro, de forma proposital o personagem omite o método exato que ele utilizou para dar vida à criatura. Apesar disso, é amplamente aceito que o método utilizado envolvia a eletricidade porque na época em que o romance foi escrito o galvanismo era um tema em voga. Para quem quer saber sobre esse assunto, indico esse artigo do Instituto Newton Braga. Achei muito interessante e faz muito sentido em relação a Frankenstein.

Segundo as notas de produção, foi muito importante para Guillermo del Toro a atriz Mia Goth ter interpretado tanto Claire Frankenstein quanto Elizabeth, porque a mesma atriz ter feito os dois papéis ajudou o diretor e roteirista a explorar os temas edipianos e o anseio de Victor por sua mãe ao longo da vida. Eu tinha pensado nisso e comentado aqui antes de ler essa nota de produção. Então eu estava certa. 😉

Henrich Harlander é um personagem totalmente original do filme. No romance de Mary Shelley, o personagem mais próximo dele seria Dr. Waldman, mentor de Victor e a pessoa que inspira o personagem a tentar criar uma criatura.

O diretor Guillermo del Toro chegou a considerar transformar Frankenstein em uma trilogia, com um filme focado na história de Victor Frankenstein, outro na história da Criatura e o terceiro na história do Capitão Robert Walton, que é o narrador do livro de Shelley e que aparece no filme como Anderson. Agora, imaginem uma trilogia para essa história… ah, me desculpem os super fãs de del Toro, mas não tem condições disso não. Um filme revisitando uma história tão conhecida já está mais do que suficiente. Uma trilogia, francamente, ninguém merece.

A história de Frankenstein é uma das favoritas do diretor e roteirista Guillermo del Toro. Acho que as notas de produção nem precisavam citar isso, né? Porque só ele amando essa história para voltar a contá-la aqui mais uma vez.

Achei muito interessante a explicação do maquiador Mike Hill sobre a paleta de cores que eles utilizaram na pele da criação de Victor Frankenstein: “Guillermo queria cinza-ostra, então usei essa cor, mas também usei azul, em uma homenagem a Boris Karloff, porque Jack P. Pierce usava maquiagem azul-acinzentada. E um pouco de amarelo, porque Mary Shelley escreveu que a pele da Criatura era amarela. Depois, pintei todos esses tons sutis de alabastro, roxos, amarelos e vermelhos que normalmente você não pensaria em usar em Frankenstein”.

Frankenstein foi lançado de forma limitada em alguns cinemas em versões 35mm e IMAX no dia 17 de outubro de 2025, três semanas antes do filme ser lançado na Netflix. Essa tem sido uma estratégia comum para os filmes que a Netflix produz e que a empresa de streaming deseja qualificar para o Oscar e para outras premiações.

Na fase em que conviveu com o homem cego, a criação de Victor leu Ozymandias, um poema de Percy Bysshe Shelley, marido de Mary Shelley. Ele aparece recitando versos do poema no filme. Achei interessante essa ligação que del Toro fez entre o casal Shelley.

Achei uma nota da produção especialmente interessante. (SPOILER – não leia se você não assistiu ao filme). Conforme o filme avança, a criação de Victor vai gradualmente andando mais ereta, como um homem, enquanto Victor começa a andar cada vez mais curvado, como uma besta. Isso demonstra de forma ainda mais clara a premissa central de demonstrar como Victor é o verdadeiro monstro da história.

Guillermo del Toro falou sobre o que ele considera como sendo o tema central de Frankenstein: “Para mim, não é uma história com uma lição moral. É sobre o espírito humano: é sobre perdão, compreensão e a importância de ouvir uns aos outros. É uma história europeia, contada a partir de uma perspectiva latino-americana”. Acadêmicos que estudam a obra de Mary Shelley afirmam que a crítica da primeira edição de Frankenstein está focada no tema moral da paternidade falha, enquanto o tom crítico da segunda edição está mais focado no mau uso da ciência.

Diferentemente do romance de Mary Shelley e da maioria das adaptações anteriores de Frankenstein para os cinemas, nessa versão de del Toro a personagem de Elizabeth não é a noiva de Victor Frankenstein e sim do irmão mais novo dele. Outra mudança em relação ao original é que William é retratado no filme de del Toro como um homem adulto, enquanto no original ele ainda é uma criança. Achei interessante essa mudança porque deixa ainda mais clara a rivalidade de Victor com o irmão e a sua falta de ligações sentimentais.

Existem outras mudanças na história feitas nesse filme em relação ao romance original de Mary Shelley – honestamente, eu não lembrava do primeiro detalhe, mas lembrava do segundo. (SPOILER – não leia se você não viu o filme ainda). No filme de del Toro, a Criatura é indestrutível e consegue conversar com Victor antes dele morrer. No romance de Shelley a Criatura chega depois de Victor morrer e afirma para o capitão do navio que pretende se matar no fogo. No filme lançado em 2025, Elizabeth é morta de forma acidental por Victor, enquanto que na obra de Shelley ela é morta na noite de núpcias pela Criatura, que deseja se vingar de Victor por ele ter negado criar uma companheira para ele. Gostei da mudança nesse segundo tópico, mas a mudança na primeira questão achei que não funciona tão bem.

Uma outra mudança feita nesse filme em relação ao livro de Mary Shelley é o perfil do pai de Victor. Enquanto no romance original ele era carinhoso, controlador e incentivava o filho a seguir o seu caminho, no filme de del Toro ele é rígido, severo, dominador e abusivo. Da minha parte, acho a figura paterna de Victor menos importante do que a fixação do personagem pela mãe e a forma como ele lidar com as figuras paternas, sem aceitar a perda que teve quando era muito jovem e querer passar o resto da vida lutando contra isso.

Algo interessante na história de Frankenstein, quando refletimos sobre esse aspecto que eu comentei agora, é percebermos que muito da crueldade e dos absurdos que vemos no mundo a partir da ação de homens poderosos ou que conseguem acessar grandes recursos é que a fonte de toda a destruição que eles provocam está em questões familiares mal resolvidas. Se eles fizessem terapia e percebessem a origem de seus problemas, muitas vidas seriam poupadas e muito terror seria evitado. E pensar que essa história tem séculos e que continuará, provavelmente, se repetindo por séculos ainda.

Frankenstein teria custado, como comentei antes, cerca de US$ 120 milhões. Não encontrei informações sobre o desempenho que o filme teve nas bilheterias – até porque ele estreou em poucos cinemas. O foco principal da produção foi chegar até o público pela Netflix mesmo.

Essa produção ganhou 51 prêmios até o momento e foi indicada outras 261 vezes. Achei impressionante, principalmente, o número de indicações que o filme recebeu. No Globo de Ouro, Frankenstein foi indicado em cinco categorias: Melhor Filme – Drama; Melhor Ator – Drama para Oscar Isaac; Melhor Ator Coadjuvante para Jacob Elordi; Melhor Direção para Guillermo del Toro e Melhor Trilha Sonora para Alexandre Desplat. O filme saiu de mãos vazias do Globo de Ouro. Mas teve força para ser indicado em oito categorias do BAFTA e em nove categorias do Oscar – comento mais sobre essas indicações na premiação da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood logo mais abaixo.

Entre os prêmios que o filme recebeu, vale destacar os de Melhor Ator Coadjuvante para Jacob Elordi, Melhor Figurino para Kate Hawley, Melhor Design de Produção para Tamara Deverell e Shane Vieau, e Melhor Maquiagem e Cabelo para Mike Hill, Jordan Samuel e Cliona Furey, todos conferidos pelo Critics Choice Awards.

Os usuários do site IMDb deram a nota 7,5 para Frankenstein, enquanto que os críticos que tem os seus textos linkados no site Rotten Tomatoes dedicaram 312 críticas positivas e 55 negativas para a produção – o que garante para o filme o nível de aprovação de 85%.

O site Metacritic apresenta o “metascore” 78 para Frankenstein, fruto de 50 críticas positivas e de oito críticas mescladas. Entre os filmes que eu assisti e que concorrem ao Oscar deste ano, esse é o primeiro em que o Metacritic não apresenta o seu selo de “você precisa ver”. Cá entre nós, concordo com isso. Acho essa produção dispensável.

Frankenstein é uma coprodução do México com os Estados Unidos.

CONCLUSÃO

Uma grande produção do primeiro até o último minuto para nos apresentar uma história clássica sob uma outra perspectiva. Sim, Frankenstein tem algumas boas ideias e uma execução condizente com o talento e a filmografia de Guillermo del Toro. Um filme que dá a versão pouco retratada do “monstro” Frankenstein apenas para deixar ainda mais claro que o verdadeiro monstro é seu criador, um sujeito narcisista e sem limites, que quer enfrentar a morte tornando-se um “criador”, tentando mimetizar Deus, mas sem ter o amor ou a empatia Dele. História que apenas demonstra com o poder, quando vazio, não significa nada, apenas um convite para a soberba e a destruição.

Apesar de ter essa “novidade” de uma visão mais atenta e cuidadosa para a “criatura”, além da leitura do “criador”, Frankenstein perde força ao manter um tom sempre exagerado, tanto no roteiro quanto nas interpretações. Por mais que o filme tente explicar as motivações e a personalidade de Victor Frankenstein, algo ainda parece faltar na equação. Então, por mais que a produção busque ser mais profunda e avançar em tópicos antes menos explorados em outras adaptações do clássico de Mary Shelley, ela acaba não atingindo o seu propósito. Bem realizada, com uma produção caríssima, o que fica evidente pelos recursos empregados, ela entrega menos do que o desejado. Me desculpem os fãs de del Toro, mas acho esse filme dispensável.

PALPITES PARA O OSCAR 2026

Como comentei anteriormente, decidi assistir a esse Frankenstein por causa do número de indicações do filme no prêmio da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood e, principalmente, pelas chances altas do filme ganhar em algumas categorias do Oscar.

Frankenstein recebeu nove indicações ao Oscar 2026. Ele foi indicado nas categorias de Melhor Filme; Melhor Fotografia; Melhor Som; Melhor Design de Produção; Melhor Figurino; Melhor Ator Coadjuvante para Jacob Elordi; Melhor Roteiro Adaptado; Melhor Trilha Sonora e Melhor Maquiagem e Cabelo.

Muitos desses elementos realmente são pontos de destaque da produção. Eu diria que os principais e inevitáveis são Maquiagem e Cabelo, Design de Produção, Fotografia, Som e Figurino. Seria impossível o filme não emplacar indicações nessas categorias. Outras indicações vieram porque essa é uma grande produção, possivelmente uma das mais caras dessa temporada e, com certeza, por causa disso, o filme deve ter uma campanha forte nos bastidores. Por isso emplacou outras indicações – principalmente a de Melhor Filme.

Eu não acho que ele tenha qualidade para aparecer na lista de Melhor Filme e Melhor Roteiro Adaptado. Eu, ao menos, não colocaria ele nessas categorias. Mas pouco importa a minha opinião, não é mesmo? 😉 O que interessa para Hollywood é dar visibilidade e premiar os seus. Mas em quais categorias Frankenstein tem chances de ganhar um Oscar?

Bem, segundo as bolsas de apostas, Frankenstein seria o favorito nas categorias Melhor Figurino; Melhor Maquiagem e Cabelo e Melhor Design de Produção. Nessas três categorias o filme que aparece em segundo lugar nas apostas é Sinners. Ou seja, caso os palpites se confirmarem, Frankenstein “roubaria” de Sinners (com crítica neste link) três prêmios.

Mas, de acordo com as mesmas bolsas de apostas, Sinners é o favorito em outros quatro categorias: Melhor Roteiro Original, Melhor Elenco, Melhor Fotografia e Melhor Trilha Sonora. Como One Battle After Another é apontado como o favorito em cinco categorias (Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Atriz Coadjuvante, Melhor Roteiro Adaptado e Melhor Edição), caso todas as previsões se confirmarem, Frankenstein estaria na lista das produções mais premiadas do Oscar neste ano. Para quem não viu ainda, comentei sobre One Battle After Another aqui.

Não sei se todas as previsões vão se confirmar, mas acho sim que o Oscar deste ano será bem espalhado. Não teremos um “papa-tudo” em termos de prêmios. Acredito mais na hipótese de que um pequeno grupo de produções irá receber as estatuetas douradas em algumas disputas e que teremos três ou quatro filmes se destacando entre os demais. Frankenstein tende a ser um desses filmes, nem tanto por ser uma excelente produção, mas pela parte técnica do filme realmente ter uma entrega excelente e bem acima da média.

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Por Alessandra

Jornalista com doutorado pelo curso de Comunicación, Cambio Social y Desarrollo da Universidad Complutense de Madrid, sou uma apaixonada pelo cinema e "série maníaca". Em outras palavras, uma cinéfila inveterada e uma consumidora de séries voraz - quando o tempo me permite, é claro.

Também tenho Twitter, conta no Facebook, Polldaddy, YouTube, entre outros sites e recursos online. Tenho mais de 25 anos de experiência como jornalista. Trabalhei também com inbound marketing, professora universitária (cursos de graduação e pós-graduação) e, atualmente, atuo como empreendedora após criar a minha própria empresa na área da comunicação.

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