Star Wars: Episode VIII -The Last Jedi – Star Wars: Os Últimos Jedi

star-wars-the-last-jedi

O que realmente vale a pena ser ensinado e aprendido não pode ser encontrado em um conjunto de livros. Aprendemos com o exemplo, com a experiência e a sabedoria de quem já viveu um bocado, com suas histórias de sucesso e, principalmente, de fracasso. É o mestre Yoda que nos ensina em Star Wars Episode VIII: The Last Jedi que o fracasso é o nosso grande mestre. Que belo filme esse, aliás! Bom saber que a saga Star Wars voltou a encontrar o seu bom caminho, resgatando personagens fundamentais e nos apresentando uma nova geração interessante. A essência dos filmes originais está aqui, e avançando ainda mais na explicação da Força e do equilíbrio que é preciso ter no Universo.

A HISTÓRIA: Começa com a famosa trilha sonora que arrepia qualquer fã de Star Wars. Na sequência, os também famosos letreiros que introduzem a história explicam que a Primeira Ordem está dominando o Universo. Logo depois de dizimar a pacífica República, o Líder Supremo Snoke (Andy Serkis) mandou as suas tropas para assumir o “controle militar” da Galáxia. Apenas a General Leia Organa (Carrie Fisher) e o seu grupo de combatentes da Resistência se opõem à “crescente tirania”, acreditando que o Mestre Jedi Luke Skywalker (Mark Hamill) regressará e ajudará a reacender a luz de esperança de dias mais justos. O problema é que a Resistência foi descoberta, e enquanto a Primeira Ordem se dirige para acabar com a base dos rebeldes, um grupo de heróis organiza a fuga dos sobreviventes.

VOLTANDO À CRÍTICA (SPOILER – aviso aos navegantes que boa parte do texto à seguir conta momentos importantes do filme, por isso recomendo que só continue a ler quem já assistiu a Star Wars VIII): A primeira grata surpresa desse filme: o diretor Rian Johnson não começou pelo óbvio. Digo isso porque como o filme anterior terminou com o encontro da nova heroína da saga, Rey (Daisy Ridley), com o até então “sumido” Luke Skywalker (o grande Mark Hamill), a expectativa “óbvia” dos fãs era que o novo filme começasse justamente desenvolvendo este encontro com expectativa alimentada durante o filme anterior.

Mas não. Johnson começa Star Wars Episode VIII de forma diferente. A espera pela primeira troca de palavras entre Rey e Luke acaba levando mais alguns minutos no novo filme. Antes, assistimos a algumas cenas de batalha e perseguição no Espaço, algo sempre muito celebrado pelos fãs da saga criada há exatos 40 anos – o primeiro filme, que virou Star Wars Episode IV, comentei há alguns meses aqui no blog.

Então o Episode VIII começa com a tentativa de fuga dos sobreviventes da Resistência, perseguidos pela Primeira Ordem – sistema que surgiu após a queda do Império Galáctico. Como a “fórmula” Star Wars pede – e que é seguida à risca nesta nova produção com roteiro de Johnson, baseado nos personagens criados por George Lucas -, o novo episódio da saga equilibra nas doses certas o humor, a ação, a adrenalina, o drama e a emoção.

O primeiro elemento que aparece em cena é o humor, com o piloto da Resistência Poe Dameron (Oscar Isaac) enganando o General Hux (Domhnall Gleeson), que está liderando o “cerco” contra as naves que tentam fugir. Em seguida, surge a ação, a adrenalina e a emoção, com a mobilização de parte das forças da Resistência para acabar com um encouraçado da Primeira Ordem.

Nessa operação, a Resistência registra muitas baixas e surge a primeira heroína desta produção – Paige Tico (Veronica Ngo), que se sacrifica para que a tentativa do grupo tenha êxito. O protagonismo das mulheres nesta produção, tão celebrada pelo retorno do personagem Luke Skywalker, que marcou a trilogia original da saga, chama a atenção, aliás.

Os fãs da série já esperavam um certo protagonismo das personagens Rey e Leia Organa (a maravilhosa Carrie Fisher) que, no Episode VII (com crítica neste link), já tinham mostrado bastante relevância na “nova trilogia”. Mas, tudo indicava, elas teriam ainda mais importância no Episode VIII. E isso, de fato, acontece. Mas elas não são as únicas mulheres que brilham em seus papéis e que acabam sendo decisivas no filme.

A personagem de Paige Tico aparece rapidamente na produção, mas ela acaba sendo lembrada por Rose Tico (Kelly Marie Tran) durante o restante do filme. A própria Rose, assim como a Almirante Holdo (Laura Dern) e Maz Kanata (com voz de Lupita Nyong’o), além de Rey e Leia Organa, são fundamentais para os acontecimentos desta história. Então sim, o Episode VIII mostra diversas mulheres corajosas, determinadas, valentes e que são as donas de seus destinos – e que influenciam, desta forma, diversas outras pessoas.

Assim, esse novo Star Wars está afinado com o nosso tempo, uma era em que (ainda bem!) cada vez mais mulheres assumem as suas opiniões e desejos sem ter que pedir licença para ninguém. O famoso “empoderamento feminino” está presente nesta nova produção da saga Star Wars. Mas isso não é tudo que chama atenção neste filme.

Gostei muito do equilíbrio que a produção busca (e consegue alcançar) dos elementos fundamentais que comentei anteriormente, assim como apreciei muito o lado mais “filosófico” desta história – se compararmos, por exemplo, com o Episode VII – e os encontros especiais que o filme promove. A verdade é que o Episode VIII é emotivo, desde o início, por sabermos que estamos vendo, na nossa frente, ao último filme estrelado pela atriz Carrie Fisher.

Essa atriz foi – e eternamente será – importante para a saga Star Wars, e quando vemos ela em cena neste seu último filme, cada “aparição” dela se torna especial. Como no Episode VII tivemos encontros emocionantes, como o de Leia Organa com Han Solo (Harrison Ford), neste novo episódio temos o memorável encontro de Leia com o seu irmão, Luke. Pessoalmente, achei até mais marcante e tocante o encontro do Episode VIII do que o ocorrido no episódio anterior. De arrepiar, por exemplo, quando Luke diz para Leia que alguém, quando morre, realmente não desaparece – impossível não pensar na atriz nesse momento.

Aliás, algo que gostei muito nesta produção é o avanço do filme na parte “filosófica” e de princípios da saga Star Wars. Quando Rey insiste e consegue vencer a resistência de Luke em ensiná-la sobre a Força, vemos a alguns minutos preciosos sobre a interpretação do personagem sobre a essência que perpassa todas as histórias da saga. (SPOILER – não leia se você não assistiu ao filme). Com uma narrativa muito bem pensada e planejada, Johnson nos mostra a essência sobre a Força que, nada mais é, que a energia que perpassa todos os seres e que busca o equilíbrio constante.

Assim, como diversas religiões – inclusive o catolicismo – ensinam, nunca teremos realmente apenas a luz e/ou o bem no Universo. Como existe a luz, existe a treva, e como existe o bem, também existe o mal. Nunca teremos apenas luz ou apenas o bem, mas o equilíbrio entre estes elementos e a escuridão e o mal. Este é o ponto. No fim das contas, Star Wars e todos os seus filmes tratam desta busca constante pelo equilíbrio e sobre os problemas que surgem quando um destes elementos – mais notadamente o mal – prevalece.

Achei muito bacana a forma com que Johnson apresenta a explicação de Luke sobre a Força e como o próprio Luke questiona a existência dos Jedi. Talvez nesta parte que alguns fãs tenham se sentido “traídos” ou tenham ficado insatisfeitos com a história. Luke diz com todas as letras que os Jedi não são os únicos detentores da Força e nem os únicos que podem utilizá-la para o bem. Ele realmente “diminui” a importância dos Jedi e questiona como a arrogância deles – ou de parte deles, para ser mais precisa – acabou provocando mais danos do que ajudando para o equilíbrio do Universo.

Os super fãs da saga podem até não ter gostado disso, mas eu achei muito positiva esta ponderação. Afinal, podemos perceber isso em várias partes… como os detentores da “verdade” acabam se perdendo na sua arrogância e, apesar de terem qualidades e muito conhecimento, acabam indo contra tudo aquilo que acreditam e provocando mais mal do que bem. Esse comentário importante de Luke, que vivenciou a Força muito bem e que viu como ela podia ser mal utilizada – como muitas religiões, diga-se de passagem -, ajuda a explicar a cena final do Episode VIII.

Na sequência final, um grupo de crianças que são escravas está animado com a passagem das pessoas da Resistência por onde elas viviam e sonham com um futuro em que elas possam ser livres. Nessa cena, fica evidente o que Luke nos disse antes. Todos têm a Força dentro de si, basta acreditarem nela e a utilizarem da melhor forma possível para atingir os seus objetivos – e, preferencialmente, causas maiores que beneficiem mais pessoas. Aquelas crianças no final simbolizam a esperança e como a Força realmente está presente em todos. O que importa é o que fazemos com ela.

Ah sim, e antes de terminar estes comentários e avaliação sobre o Episode VIII, vale citar outro encontro mais que marcante nesta produção: o que acontece entre o mestre Yoda (voz de Frank Oz) e Luke. Para mim, uma das grandes sequências do filme – assim como o encontro entre Leia e Luke e a batalha “lado a lado” de Rey e Kylo Ren (Adam Driver).

No encontro entre o mestre Yoda e Luke, o mestre mostra toda a sua sabedoria ao dizer que Luke não deve se preocupar com a destruição dos “livro sagrados” e do primeiro tempo Jedi. Porque o que importa mesmo é o que aprendemos nas nossas trajetórias e em como repassamos isso para a frente – valendo as histórias de sucesso e, especialmente, as de fracasso. Uma grande lição, e que vale para todos nós. Para mim, um dos melhores filmes da saga.

NOTA: 9,8.

OBS DE PÉ DE PÁGINA: Eu assisti a esse filme em sua versão 3D. A exemplo do Episode VII, achei que este novo filme da saga merece ser visto na versão 3D, ainda que ele não tenha realmente um grande ganho, digamos assim, nesta versão. Mas a qualidade do 3D, especialmente na profundidade de cada plano e nos detalhes de alguma cena, tornam a experiência do filme ainda mais interessante. Recomendo.

Três personagens dos filmes originais voltam com tudo nesta nova produção. Dois deles, claro, com um protagonismo maior, e o terceiro em apenas uma sequência muito marcante. Me refiro aos personagens de Luke Skywalker, Leia Organa e Mestre Yoda, nesta ordem de importância para o Episode VIII. Luke aparece um bocado, e sempre com uma interpretação marcante de Mark Hamill. O ator mostra, agora de forma amadurecida, porque gostamos tanto dele no passado. Ele está ótimo. Carrie Fisher arrepia em cada cena em que aparece pela presença marcante e pelo talento da atriz e também por aquela questão “nostálgica” e de despedida que eu comentei anteriormente. E o Mestre Yoda tem algumas das falas mais importantes da história. Então estes três personagens “clássicos” retornando neste filme fazem qualquer fã arrepiar e delirar – ao menos isso aconteceu comigo.

Outros personagens da “velha guarda” aparecem nesta produção, mas com uma presença menos importante. Vale citar o C-3PO de Anthony Daniels; o maravilhoso Chewbacca de Joonas Suotamo – eu admito que quase tive um “ataque”, no bom sentido, cada vez que o Chewbacca apareceu em cena nesse novo filme; e o R2-D2 de Jimmy Vee. Bacana ver esses personagens marcantes novamente no cinema – mesmo que em participações menores, como é o caso do C-3PO e do R2-D2.

Algo bacana nesta nova trilogia que dá sequência para a saga Star Wars é encontrar novos personagens que seguem a essência dos personagens que deram início à série nos anos 1970 e 1980. Então é bacana “reencontrar” os personagens apresentados no Episode VII e se aprofundar um pouco mais nas suas histórias e, principalmente, personalidades. Dos novos personagens, o destaque vai, sem dúvida, para a Rey interpretada por Daisy Ridley; para o Finn do ótimo John Boyega – muito bons o ator e o personagem, aliás; e para o Kylo Ren de Adam Driver. Como na trilogia original existia o duelo entre o bem e o mal entre Luke e Darth Vader, agora o mesmo duelo é vivenciado por Rey e Kylo Ren.

Além destes três personagens centrais da nova trilogia, vale destacar o bom trabalho de Oscar Isaac como Poe Dameron e de Andy Serkis como Snoke. Outros personagens relevantes neste novo episódio e que foram bem interpretados por seus atores são a Maz Kanata de Lupita Nyong’o; o General Hux de Domhnall Gleeson; a Rose Tico de Kelly Marie Tran; e a Almirante Holdo de Laura Dern. O personagem DJ, interpretado por Benicio Del Toro, também tem relevância na história, mas achei ele o mais forçado de todos e o menos interessante da turma.

Entre os coadjuvantes do Episode VIII, vale ainda comentar o bom trabalho de Gwendoline Christie como a Capitã Phasma; de Billie Lourd como a Tenente Connix; de Amanda Lawrence como a Comandante D’Acy; e de Brian Herring e Dave Chapman como BB-8 (a nova “mascote” da trilogia).

Gostei tanto da direção quanto do roteiro de Rian Johnson. Acho que o diretor americano, que tinha pouco mais de três anos de idade quando o primeiro Star Wars estreou em 1977, encarnou bem o espírito dos filmes criados por George Lucas e soube resgatar a essência da saga no Episode VIII. Antes de fazer este filme, Johnson dirigiu a outras nove produções, incluindo quatro curtas, três longas e duas séries – 1 episódio de Terriers e 3 episódios da ótima Breaking Bad. A estreia dele em longas foi com Brick, em 2005. Depois viriam os longas The Brothers Bloom (2008) e Looper (2012) – esse último comentado aqui no blog.

Claro que um filme de ficção científica tem em seus aspectos técnicos alguns de seus principais trunfos. Isso sempre foi uma característica de Star Wars e continua sendo neste novo filme da saga. Entre os aspectos técnicos desta produção, destaque para a sempre marcante trilha sonora do mestre John Williams; para a direção de fotografia de Steve Yedlin; para a edição de Bob Ducsay; para o design de produção de Rick Heinrichs; para a direção de arte que envolveu 10 profissionais; para a decoração de set de Richard Roberts; para os figurinos de Michael Kaplan; para o Departamento de Maquiagem com 36 profissionais; para o Departamento de Arte com 180 profissionais – incluindo artistas conceituais e construtores de maquetes e afins; para os Efeitos Especiais criados por 63 profissionais; e para os Efeitos Visuais criados por cerca de 600 profissionais – admito que eu me cansei de contar e parei perto dos 300 artistas, mas a lista deve ser quase o dobro disso. Números impressionantes e que mostram o tamanho gigantesco desta produção. Sem essa turma, que não ganha os holofotes de outros nomes, o Episode VIII não existiria.

Star Wars Episode VIII estreou em première em Los Angeles no dia 9 de dezembro. Depois, no dia 12, ele fez première em Londres e, no dia seguinte, estreou no Festival Internacional de Cinema de Dubai e em 17 países – incluindo o Brasil.

De acordo com o site Box Office Mojo, Star Wars: The Last Jedi já figurava, no dia 27 de dezembro, como o segundo filme com a maior bilheteria de 2017, somando US$ 445,2 milhões apenas nos Estados Unidos – ficando atrás, apenas, de Beauty and the Beast. Olhando para os restante do mundo, no acumulado do ano, Star Wars já figurava em quarto lugar no ranking de 2017, com US$ 892,1 milhões até o dia 27 – atrás de Beauty and the Beast, Fate of the Furious e Despicable Me 3. Certamente o filme vai passar a marca de US$ 1 bilhão em breve.

Star Wars Episode VIII foi filmado em quatro países: Croácia, Irlanda, Bolívia e Reino Unido. Entre as cidades em que a produção passou, vale citar Dubrovnik, na Croácia, que fez as vezes de Cidade do Canto Bright; Skellig Michael e Brow Head, na Irlanda, que fez as vezes do Planeta Ahch-To; Salar de Uyuni, na Bolívia, cenário das cenas da batalha final; e muitas e muitas cenas rodadas no Pinewood Studios, em Iver Hearth, Reino Unido.

Eu vou abrir mão, dessa vez, de citar curiosidades sobre a produção, beleza? É que apenas o site IMDb traz nada menos que 129 tópicos sobre o filme… quem estiver muito curioso(a) em fazer essa imersão nas curiosidades de Star Wars Episode VII, sugiro visitar a página específica do IMDb.

Por falar em site IMDb, vale comentar que Star Wars Episode VIII registra a nota 7,6 no site que registra a opinião do público – menos que o seu antecessor, que registra a nota 8,0. Os críticos que tem os seus textos linkados no Rotten Tomatoes dedicaram 314 textos positivos e apenas 31 negativos para o Episode VIII, o que garante para o filme uma aprovação de 91% e uma nota média de 8,1. O nível de aprovação e a nota do Episode VIII também estão ligeiramente menores que o do Episode VII no Rotten Tomatoes. Gostei mais do Episode VIII, pelas razões que comentei, e acho que estou mais próxima dos críticos, em relação a este filme, do que do público em geral.

Até o momento, Star Wars: The Last Jedi ganhou um prêmio e foi indicado a outros três – acredito que o filme será indicado em uma ou mais categorias técnicas do Oscar 2018. O único prêmio que o filme recebeu, até o momento, foi o Golden Trailer de Melhor Poster Fantasia/Aventura no Golden Trailer Awards.

Este filme é uma produção 100% dos Estados Unidos. Por isso, ele entra na lista de filmes que atendem a uma votação feita há algum tempo aqui no blog.

CONCLUSÃO: Eis um filme com o coração e o espírito nos lugares certos. Muito bom ver a saga Star Wars voltando aos seus grandes momentos. Este filme, mais até que o anterior da grife, nos apresenta a alguns dos elementos que fazem os fãs delirarem. Muitas batalhas no ar e algumas bem marcantes sobre a terra. Grandes personagens que voltam a se encontrar e uma nova geração que volta a formar a disputa clássica entre o Bem e o Mal, naquele jogo constante entre as forças contrárias em busca do equilíbrio. Aliás, Star Wars VIII avança um bocado sobre a explicação da Força e de como a lógica por trás da saga funciona. Além de todas as suas qualidades técnicas, que são variadas, este filme vale por alguns reencontros realmente marcantes e especiais. Para quem gosta de Star Wars, não dá para perder.

PALPITES PARA O OSCAR 2018: Star Wars Episode VIII tem grandes chances de fechar o ano como a maior bilheteria dos cinemas americanos. E isso com menos de um mês de tempo nos cinemas. Esse é um elemento importante que pode ajudar o filme a ser indicado a alguns Oscar’s. Acredito na indicação do filme em algumas categorias técnicas.

A Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood inovou ao divulgar, no final de 2017, mais notícias sobre os filmes que foram, pouco a pouco, avançando na disputa por uma indicação. Até o final do ano, Star Wars seguia na disputa por uma vaga na categoria de Melhores Efeitos Visuais com outros nove títulos. Acho que o filme deve chegar na lista dos cinco indicados nessa categoria, assim como vejo chances dele ser indicado nas categorias Melhor Edição de Som e Melhor Mixagem de Som.

Talvez o filme até possa emplacar indicações nas categorias Melhor Trilha Sonora e Melhor Design de Produção, mas com chances menores de emplacar indicação e de ganhar uma estatueta. Na categoria Melhor Maquiagem e Cabelo o filme já ficou de fora da disputa – a Academia divulgou sete produções que seguem na disputa por uma das vagas de finalistas, e Star Wars não está no meio. Resumindo, esse filme pode até conseguir algumas indicações, mas possivelmente sairá de mãos vazias do Oscar – talvez vencendo apenas como Melhores Efeitos Visuais, e olha lá.

Anúncios

Star Wars: Episode VII – The Force Awakens – Star Wars: O Despertar da Força

star-wars-the-force-awakens

O que é bom, o que nos traz ótimas lembranças, deveria ser sempre revisitado. Assim como é bom, depois de quatro décadas do início de uma das grifes mais famosas do cinema, retomar alguns personagens que foram lançados há tanto tempo. E é exatamente isso que Star Wars Episode VII: The Force Awakens faz. Alguns de vocês podem estar achando estranho eu comentar este filme agora, mas é que eu perdi de assisti-lo quando ele estreou nos cinemas. E como eu quis assistir, nesse final de ano, ao segundo filme da nova trilogia da saga, segui o conselho de um amigo e vi a este filme primeiro. Star Wars VII é realmente um deleite, especialmente para quem ainda tem a saga original (relativamente) fresca na memória.

A HISTÓRIA: Inicia com a frase clássica “Há muito tempo em uma galáxia muito, muito distante…” e a música de início da saga que marcou o cinema há exatos 40 anos. Episode VII inicia comentando que Luke Skywalker (Mark Hamill) desapareceu, e que na ausência dele, a sinistra Primeira Ordem surgiu das cinzas do Império. Esse grupo procura por Skywalker e não descansará até que o “último Jedi” seja destruído. Com o apoio da República, a General Leia Organa (Carrie Fisher) lidera a Resistência que, por sua vez, também procura por Luke. Na missão de encontrar o seu irmão, Leia envia para uma missão secreta o piloto Poe Dameron (Oscar Isaac), que busca no planeta Jakku informações sobre o paradeiro de Luke.

VOLTANDO À CRÍTICA (SPOILER – aviso aos navegantes que boa parte do texto à seguir conta momentos importantes do filme, por isso recomendo que só continue a ler quem já assistiu a Star Wars VII): O meu amigo, o Félix, estava certo. Eu realmente precisava assistir a esse Episode VII antes de conferir, nos cinemas, ao novo Episode VIII. Desta vez, aqui no blog, eu também fiz diferente. Assisti a este filme, comecei a escrever sobre ele, mas só terminei o texto cerca de duas semanas depois… nesse meio tempo, conferi ao Episode VIII nos cinemas e também escrevi sobre ele, começando o texto sobre o novo filme logo depois de assisti-lo e terminando o seu conteúdo apenas hoje.

Ou seja, pela primeira vez na história desse blog – ao menos pelo que eu tenho lembrança -, eu termino agora de escrever sobre um filme que foi o penúltimo que eu assisti e com uma crítica escrita posteriormente ao do blog post que eu ainda vou publicar. Eita! Espero não ter dado um nó na cabeça de alguém, mas tenho que ser sincera sobre a ordem dos fatos. Assim, assisti ao Episode VII um dia antes de ver nos cinemas ao Episode VIII, mas finalizei o texto do Episode VIII antes de terminar este texto aqui do Episode VII.

A escolha pela ordem dos fatos tem a ver com o “frescor” das lembranças na minha mente. Em casa, estou escrevendo este texto e vendo novamente ao Episode VII, enquanto que para escrever a crítica do Episode VIII eu contei apenas com as lembranças do que eu vi no cinema. Comentado isso, vamos ao que realmente interessa: as minhas impressões sobre este primeiro filme da nova trilogia da saga Star Wars.

Eu gostei do início do filme, com aquela alusão clara da nave gigante de outras naves menores saindo dela relacionadas com o filme que inaugurou a saga e que foi lançado em 1977 – revisto por mim este ano e comentado neste texto. Mas admito que algo me incomodou um pouco. (SPOILER – não leia se você não assistiu ao filme). Na parte inicial do Episode VII, fiquei me perguntando: o que separa uma história que faz diversas homenagens para o filme original daquela história que parece carecer de imaginação?

Acredito que boa parte dos fãs curtiu as várias “homenagens” feitas pelo roteiro de Lawrence Kasdan, J.J. Abrams e Michael Arndt, inspirados nos personagens de George Lucas, à história original que apresentou a saga para o mundo em 1977. Digo isso pelas ótimas avaliações que esse filme recebeu e por verificar que, apesar do Episode VIII ter me parecido mais criativo e interessante, ele ter uma avaliação menos positiva que esse Episode VII. Entendo os fãs, mas eu fiquei um pouco incomodada com toda aquela “repetição” de padrões.

Nesse Episode VII temos, novamente, uma mensagem importante sendo escondida em um pequeno robô que, de forma leal, passa por diversos mal bocados até chegar a alguém de confiança que possa ajudá-lo. Mais uma vez, o vilão da história captura a um dos personagens importantes para tentar arrancar informações dele. No lugar do R2-D2, o robô da vez é o ágil BB-8 (interpretado por Brian Herring e Dave Chapman), e ao invés de um Darth Vader torturando uma Princesa Leia, temos Kylo Ren (Adam Driver) interrogando e torturando Poe Dameron.

A exemplo de Luke Skywalker, que contemplava os dois sóis no Star Wars Episode III, temos agora a nova heroína da saga, Rey (Daisy Ridley), também observando o anoitecer em sua cidade natal. Os dois personagens não foram criados por seus pais e tem curiosidade sobre as suas origens. Diversas semelhanças para um começo de história, não? Ao menos para o meu gosto, esse excesso de referências incomodou um pouco.

Mas descontado isso, devo dizer que esta história dirigida com esmero por J.J. Abrams cumpre totalmente o seu papel. Com um bom ritmo e resgatando a essência da trilogia original de George Lucas – aquela que encantou o público mundo afora nos anos 1970 e 1980 -, esse Episode VII volta a colocar a série de filmes com o selo Star Wars no caminho certo. Temos nesse Episode VII todos os elementos que encantaram as pessoas há algumas décadas.

O principal trunfo, possivelmente, destes filmes – e desse Episode VII – seja equilibrar os diversos elementos que fazem parte da vida de qualquer um de nós. Assim, nós temos drama, humor, ação, romance – ao menos sugerido – e suspense em um mesmo pacote. Um destaque deste filme, assim como do original de 1977, é a presença maior do humor e da ação na história. Esses elementos fazem com que esse Episode VII seja puro entretenimento. Um filme bem conduzido, com ritmo e que prende a atenção do público a cada segundo.

O interessante é que, ao mesmo tempo em que temos o resgate do “espírito” Star Wars nesse Episode VII e que vemos, literalmente, a personagens importantes da trilogia original voltando à tela, conferimos o protagonismo de novos personagens. São eles que trazem os elementos novos para a saga e que ajudam a renová-la, projetando um futuro interessante para Star Wars.

Os novos personagens apresentam várias semelhanças com os heróis que fizeram história na trilogia original ao mesmo tempo em que avançam na compreensão dos fãs sobre o significado da Força, dos Jedi e de tudo o mais que faz parte do universo de George Lucas. Rey resgata algumas características e valores da Princesa Leia, ao mesmo tempo em que ela se parece mais com o exemplo de mulher “empoderada” da atualidade.

O mesmo pode ser dito sobre Finn (John Boyega), personagem interessantíssimo que lembra um pouco o relutante e corajoso Han Solo da trilogia original. Poe Dameron recorda um pouco a Luke, mas apenas na parte da destreza como piloto – está claro que Poe não terá a importância de Luke para a história, não apenas pelo que vemos no Episode VII, mas especialmente pelo Episode VIII. E assim, de forma muito sutil, J.J. Abrams, George Lucas e companhia demonstram como a saga Star Wars tem muito para nos contar ainda e pode ser renovada com talento por muito tempo ainda.

As cenas de batalha aérea são o principal do filme em termos de sequências de ação neste Episode VII. Da minha parte, senti falta de mais disputas em solo, seja com sabres de luz ou não – isso eu fui ver mais apenas no Episode VIII. Os efeitos visuais e especiais, assim como o ritmo do filme, são impecáveis. Em relação à história, descontada a parte que comentei antes de um certo “excesso” de referências ao filme de 1977, gostei da forma com que o roteiro apresentou os novos personagens, resgatou o espírito dos filmes originais e promoveu reencontros importantes e emocionantes.

É muito marcante cada momento em que vemos em cena, novamente, personagens tão marcantes como Han Solo (Harrison Ford), Leia Organa (Carrie Fisher), Chewbacca (Peter Mayhew e Joonas Suotamo) e C-3PO (Anthony Daniels). Especialmente emocionante os momentos entre Han Solo e Leia Organa. O quanto não aconteceu entre os dois entre os episódios VI e VII? Espero que um dia esta história ainda seja contada. 😉

Este filme é mais concentrado na apresentação dos novos personagens e no início do embate entre a Primeira Ordem e a Resistência. É um filme também sobre a busca do herói – ou a ideia que temos dele – e sobre a busca particular de cada um sobre a sua essência e sobre o que lhe faz sentido. Alguns dos elementos fundamentais da saga original, pois, voltam à cena, mas de forma renovada e inteligente. Um filme divertido e que mostra, ao mesmo tempo, como sempre podemos escolher entre o bem e o mal. Ninguém nos leva por um caminho se não quisermos seguir aquela direção.

O novo vilão, neto de Darth Vader e filho de Han Solo e de Leia Organa, tem muitos elementos interessantes para tornar este um personagem forte na saga Star Wars. E para equilibrar com ele, que é um dos personagens centrais do “lado negro” da Força, temos personagens da estirpe de Rey, uma garota que percebe o “lado claro” da Força despertando em si neste Episode VII. Outros personagens como ela devem surgir, é claro, especialmente após o Episode VIII. Bom ver, neste dois novos episódios, como a saga Star Wars tem ainda muito gás para dar.

NOTA: 9,6.

OBS DE PÉ DE PÁGINA: Como eu disse antes, perdi esse filme quando ele passou nos cinemas. Mas, agora, prestes a ver ao Episode VIII, consegui uma versão em 3D do Episode VII para ver em casa. Realmente é um filme fascinante, muito bonito e que utiliza bem a tecnologia 3D a seu favor.

Han Solo e Leia Organa são os dois grandes retornos/presentes desse filme. Como é bom rever personagens tão “clássicos” e carismáticos novamente em cena! Os atores Harrison Ford e Carrie Fisher estão ótimos, tão bons e carismáticos como nos filmes originais – ou até melhores, após algumas décadas de experiência. Além deles, os destaques desta produção são os atores Daisy Ridley, John Boyega, Adam Driver e Oscar Isaac, as novas estrelas que apresentam os personagens da nova trilogia Star Wars. Todos estão muito bem, com protagonismo de Daisy Ridley e John Boyega.

Entre os atores coadjuvantes, vale citar o bom trabalho de Lupita Nyong’o como Maz Kanata; de Andy Serkis como o Supremo Líder Snoke; o de Domhnall Gleeson como General Hux; o de Gwendoline Christie como Capitã Phasma; e o de Ken Leung como Almirante Statura. Além deles, vale citar as participações pequenas, mas muito marcantes, de Max von Sydow como Lor San Tekka e de Mark Hamill como Luke Skywalker. J.J. Abrams sabe alimentar muito bem, aliás, a expectativa até revermos ao grande Mark Hamill em cena. A sequência final é muito marcante.

O diretor J.J. Abrams faz um belo trabalho na direção. Nada realmente inovador, mas ele segue bem a cartilha de George Lucas, de Irvin Keshner e de Richard Marquand, os diretores da trilogia original. Além do belo trabalho na direção, Episode VII se destaca, entre os aspectos técnicos, pela marcante e inesquecível trilha sonora de John Williams; pela direção de fotografia de Dan Mindel; pela edição de Maryann Brandon e de Mary Jo Markey; pelo design de produção de Rick Carter e de Darren Gilford; pela decoração de set de Lee Sandales; pelos figurinos de Michael Kaplan; e pelo trabalho decisivo e coletivo da equipe de 16 artistas responsáveis pela Direção de Arte; dos cerca de 170 profissionais envolvidos com o Departamento de Arte; dos cerca de 100 profissionais responsáveis pelos Efeitos Especiais e pelo trabalho do espantoso contingente de cerca de 1.250 profissionais envolvidos com os Efeitos Visuais desta produção.

Star Wars Episode VII estreou no dia 14 de dezembro de 2015 em uma première em Los Angeles. No dia seguinte, o filme teve première em Jakarta e, no dia 16 de dezembro, em Sydney. No Brasil, o Episode VII estreou no dia 17 de dezembro de 2015.

Vocês vão me perdoar, mas desta vez eu não vou citar curiosidades sobre esta produção. Até porque a lista é beeeeem grande. Quem quiser conferir curiosidades sobre o Episode VII, pode dar uma conferir em alguns (ou todos) dos 380 tópicos listados por aqui pelo site IMDb.

Star Wars Episode VII foi indicado em cinco categorias do Oscar, ganhou 57 prêmios e foi indicado a outros 123. O filme não ganhou nenhum Oscar, mas entre as premiações que levou para casa, destaque para a de Melhores Efeitos Visuais no Prêmio Bafta; o de Melhor Trilha Sonora para Mídia Visual para John Williams no Grammy; e o Trailer de Filme Mais Visto no YouTube em 24 horas no Guinness World Record Award.

Episode VII foi rodado na Irlanda, na Islândia, no Reino Unido, nos Emirados Árabes e nos Estados Unidos. Apesar de ser rodado em todos esses países, Star Wars The Force Awakens é uma produção 100% dos Estados Unidos – por isso o filme entra na lista de produções que atendem a uma votação feita há tempos aqui no blog.

De acordo com o site Box Office Mojo, Star Wars Episode VII faturou quase US$ 936,7 milhões nos Estados Unidos e pouco mais de US$ 1,13 bilhão nos outros países em que o filme estreou. Ou seja, no total, superou a marca de US$ 2 bilhões.

Os usuários do site IMDb deram a nota 8,0 para Star Wars Episode VII, enquanto que os críticos que tem os seus textos linkados no Rotten Tomatoes dedicaram 350 textos positivos e apenas 28 negativos para esse filme, o que lhe garante uma aprovação de 93% e uma nota média de 8,2. Especialmente o patamar das notas chama a atenção – bem acima da média para os dois sites.

CONCLUSÃO: Um filme que coloca lado a lado ótimos personagens da trilogia anterior da saga e novos nomes que vão renovar Star Wars nesta nova fase de filmes. Como manda o figurino dos filmes Star Wars, este Episode VII tem muitas batalhas no ar e na terra, confrontos marcantes, equilíbrio entre ação, emoção e comédia e, claro, personagens interessantes. Novamente a disputa entre as forças do bem e do mal está no centro na narrativa, assim como o esperado reencontro de alguns personagens. Para os fãs, não há como não se arrepiar com algumas cenas. Para os demais mortais, este filme será, pelo menos, puro entretenimento. Sob uma ótica ou sob a outra, ele funciona muito bem. Um belo retorno da saga.

Ex Machina – Ex_Machina: Instinto Artificial

exmachina1

Desde que o homem se imagina sendo Deus pensamos como será quando as máquinas pensarem por si mesmas. Quando elas tiverem o controle. Antes veio 2001: A Space Odyssey e Blade Runner, divisores de água neste sentido. E agora vem se juntar a eles este Ex Machina. Provocador em outro sentido, menos sombrio mas com uma boas surpresas no caminho, este filme é mais uma produção acertada que o Oscar selecionou para estar entre os seus indicados neste ano.

A HISTÓRIA: Em uma empresa em que todos estão conectados, Caleb (Domhnall Gleeson) recebe a mensagem de que ele foi sorteado com o primeior prêmio. Na sequência ele manda uma mensagem para Andy T avisando que ele ganhou o prêmio. O amigo pede para ir junto com ele e, na sequência, várias pessoas cumprimentam Caleb pela conquista. Corta.

Um helicóptero rasga uma área de montanhas geladas. Caleb pergunta quando eles vão chegar na propriedade de seu chefe, Nathan (Oscar Isaac). O piloto ri e diz que eles já estão sobrevoando a propriedade há duas horas. Caleb desce e tem que andar até a casa de Nathan, com alta segurança. Lá ele vai conhecer Ava (Alicia Vikander), o mais recente experimento de Nathan e a consolidação de uma AI (Inteligência Artificial da sigla em inglês) humanoide pra valer.

VOLTANDO À CRÍTICA (SPOILER – aviso aos navegantes que boa parte do texto à seguir conta momentos importantes do filme, por isso recomendo que só continue a ler quem já assistiu a Ex Machina): Não é uma tarefa exatamente simples fazer um filme de AI (Inteligência Artificial). Especialmente porque já temos ótimos filmes do gênero, inclusive os super clássicos 2001 e Blade Runner já citados. Apesar disso, Ex Machina assumiu este desafio e consegue um bom resultado com o que ele se propôs a fazer.

Ex Machina tem alguns diferenciais importantes em relação aos filmes anteriores. Ele acerta em apostar em um viés mais psicológico e conceitual, além de acrescentar algumas colheradas de apelo sexual na história. O caráter psicológico marcou 2001 e uma pitada de provocação sexual podemos encontrar em Blade Runner, mas sem dúvida alguma Ex Machina explora mais estes dois pontos – nos outros filmes há outras questões importantes em cena.

Mesmo não sendo muito inovador, Ex Machina introduz o tema dos “riscos” que a AI pode trazer para quem se arriscar a ser Deus para uma nova geração. Entendo porque muitos espectadores sem as referências anteriores devem ter ficado maravilhados com esse filme. Mas quem já assistiu aos clássicos, certamente, terá outra impressão. Menos eufórica e mais embasada. Ainda assim, preciso admitir, esse filme tem mais acertos que erros.

Para começar, gostei da atmosfera criada pelo diretor e roteirista Alex Garland. O clima de suspense começa a ser criado logo no início, especialmente na chegada do protagonista na “terra prometida” do seu chefe e ídolo. Todo aquele excesso de segurança, claro, esconde algo sinistro. Inicialmente Garland vende, acertadamente para o desenrolar da história, a ideia que aquele aparato todo é porque o empresário Nathan é um grande desconfiado.

Rico, famoso, ele está se preservando de problemas – como sequestros – e, principalmente, de ter os seus avanços tecnológicos “vazados”. Como pede a regra do bom cinema, o roteiro de Ex Machina vai crescendo com o tempo. Nos primeiros dias do teste que Caleb aplica em Ava o “gelo” vai sendo quebrado e a interação mais íntima entre os dois começa a ganhar corpo. Em paralelo, temos a perda de energia estranha do local – não demora muito para o espectador desconfiar sobre a fonte daqueles acontecimentos.

A conversa entre Caleb e Ava segue o roteiro esperado, até que ela larga algumas frases bem estranhas quando mais um blecaute acontece – neste momento as gravações e o monitoramento feito por Nathan acabam sendo interrompidos. (SPOILER – não leia se você não assistiu ao filme). A quebra da previsibilidade na conversa de Caleb e Ava é muito bem feita mas, cá entre nós, é difícil de acreditar que um cara tão controlador e metódico quanto Nathan aceitaria ficar tanto tempo sem ouvir tudo que os dois falavam, ou não?

Neurótico pela segurança e pelo próprio experimento, sem dúvida alguma Nathan não aceitaria facilmente ficar no “blecaute” tantas vezes. (SPOILER – não leia… bem, você já sabe). No final, na última pequena reviravolta do roteiro, Nathan comenta que instalou um sistema para registrar tudo independente dos blecautes. Só não fez muito sentido ele demorar tanto para fazer isso. Claro, para o roteiro de Garland foi importante isso acontecer apenas no final, mas é difícil acreditar que Nathan realmente daria tanta bobeira durante vários dias.

Depois das dicas de Ava, Caleb começa a observar tudo com uma dupla atenção. Em certo momento ele percebe que Nathan realmente tem um comportamento estranho. Na verdade, para o espectador um pouco mais atento, essa desconfiança está presente desde o início. Afinal, quem está sempre mergulhado em bebida tem que estar enfrentando algum problema sério, ou não? O problema pode ser transitório ou mais grave. A resposta para esta dúvida o espectador terá com o tempo – ao lado de Caleb.

Pouco a pouco o tom sinistro vai ganhando espaço e Caleb nos guia pela mente de Nathan. Afinal, tudo gira em torno do anfitrião do programador e criador de Ava. Mas a pessoa que dá um baile em todo mundo é a ciborgue – como manda o figurino do gênero, aliás. Até aí, nenhuma inovação. Os maiores acertos do filme estão mesmo no jogo psicológico entre os personagens – Nathan, Caleb e Ava – e na atuação provocativa de Alicia Vikander.

A atratividade da personagem, cuidadosamente planejada por Nathan, é um elemento provocador importante para a história. Finalizando os ganhos do filme, vale comentar a forma com que ele segue uma nova linha de produções que mostram as mulheres dando a volta por cima.

Vimos isso antes de forma marcante com Mad Max: Fury Road (comentado aqui). Depois veio Carol (com crítica neste link), Room (uma das grandes surpresas do Oscar, comentado aqui), Mustang (comentado neste link) e, agora, Ex Machina. Várias produções apostam as suas fichas na “libertação” feminina. Uma onda positiva que, esperamos, não seja apenas “modinha”. Ex Machina vem nesta levada sendo provocativo, sexy, psicológico e com a pitada adequada de suspense e esquisitice.

NOTA: 9.

OBS DE PÉ DE PÁGINA: Diversos elementos contribuem para este filme funcionar bem. Sem dúvida alguma uma das qualidades é o roteiro de Alex Garland que, descontados os pequenos erros, tem o ritmo adequado e as pequenas viradas de direção nos momentos certos. A direção dele também é bem competente, sempre próxima dos atores e da ação, distanciando-se apenas nos momentos em que isso interessa para a história.

Da parte técnica do filme, sem dúvida alguma os grandes destaques são o design de produção de Mark Didby; a direção de arte de Katrina Mackay e Denis Schnegg; a decoração de set de Michelle Day; o departamento de arte com 43 profissionais; o departamento de efeitos especiais com 11 profissionais e os efeitos visuais envolvendo nada menos que 148 profissionais. Destes filmes que empregaram muita gente nos bastidores e que exigiu muito trabalho além das câmeras.

Apesar de ser um bom roteiro, três pontos me incomodaram nesta produção. Vejamos. (SPOILER – não leia se você não viu o filme). Para começar, aquele ponto que citei na crítica: dificilmente o genial e um tanto neurótico por segurança e controle Nathan deixaria de ouvir as conversas durante os blecautes entre Caleb e Ava por tantos dias. Depois, segundo Caleb, ele havia invertido a lógica da segurança da casa quando os blecautes aconteciam. Quando Ava sai do local, aparentemente, a casa passa por novo blecaute. Segundo Caleb, naquele momento, as portas não deveriam todas abrir? Neste caso ele poderia sair do local tranquilamente. O terceiro ponto é a falha temporal da história. Quando Caleb e Nathan estão conversando, na cozinha, o dono da casa comenta que Caleb irá embora no dia seguinte às 8h. Aparentemente, logo depois, Nathan mostra que estava ouvindo as conversas entre Caleb e Ava mesmo nos blecautes, e toda a sequência seguinte se desenrola. Mas quando Ava sai da casa ainda é dia e ela logo vai pegar o helicóptero… é como se toda essa ação tivesse acontecido muito cedo na manhã da saída de Caleb. Mas não é isso que o roteiro nos apresenta. Teríamos dois dias diferentes para acompanhar – desde a fala de Caleb e Nathan e até a “manhã seguinte” em que Ava escapa. Ou seja, uma bela falha temporal na história. Descuido do roteirista.

Outros aspectos técnicos que valem ser citados é a trilha sonora de Geoff Barrow e Ben Salisbury; a direção de fotografia de Rob Hardy e a edição de Mark Day.

Como protagonista deste filme Domhnall Gleeson mostra, mais uma vez, que é um ator a quem devemos estar atentos. Ele sempre se sai bem em seus papéis e, parece, está em rota crescente de boas produções. O mesmo se pode dizer de Alicia Vikander que, ao que tudo indicada, deve levar o Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante este ano por The Danish Girl (com crítica neste link). São dois jovens talentos em ascensão e que merecem ser acompanhados. Normalmente o ator Oscar Isaac não me chama muito a atenção. Mas admito que neste filme ele está muito bem. Possivelmente é o melhor filme que eu vi dele até agora.

Além dos atores citados, vale comentar o bom trabalho de Sonoya Mizuno como Kyoko. Ela literalmente faz um papel mudo, mas tem bastante expressão e momentos feitos para ela se destacar.

Ex Machina estreou em janeiro de 2015 no Reino Unido, na Coreia do Sul, na Irlanda e na Suécia. No final daquele mês ele participou do primeiro festival, o de Göteborg. Depois o filme participaria, ainda, de outros cinco festivais. Em sua trajetória o filme acumulou 51 prêmios e foi indicado a outros 114 – um número impressionante. Entre as indicações estão duas para o Oscar 2016.

Esta é uma produção que teria custado US$ 15 milhões e faturado, apenas nos Estados Unidos, pouco mais de US$ 25,4 milhões. No restante dos mercados em que o filme já estreou ele fez outros US$ 11,4 milhões. Ou seja, tem conseguido se pagar.

Boa parte de Ex Machina foi rodado na Noruega, mas houve cenas também rodadas no Reino Unido, nas cidades de Londres e Buckinghamshire.

Entre os prêmios que recebeu, destaque para os de Melhor Filme Independente Britânico, Melhor Diretor, Melhor Roteiro e Melhores Efeitos Visuais no British Independent Film Awards; e a escolha dele para figura na lista dos 10 melhores filmes independentes do ano pelo National Board of Review.

Agora, algumas curiosidades sobre a produção. Na visão do diretor Alex Garland o futuro de Ex Machina está a apenas “10 minutos” de distância da realidade que temos agora. “Se alguém como o Google ou a Apple anunciar amanhã que eles tinham feito a Ava, todos ficariam surpreendidos, mas eu não ficaria tão surpreso”, comentou.

O título é um derivado da expressão “Deus Ex-Machina”, que significa “um Deus para a máquina”, uma frase que tem origem nas tragédias gregas. Segundo a história original um ator interpretando Deus desceria por uma plataforma (a máquina) para resolver os problemas dos personagens, o que resultaria em um final feliz para todos.

Não comentei antes, mas o filme acerta em fazer diversas referências interessantes, que vão de Pollock até Robert Oppenheimer e o seu livro Prometheus Americano. A fala de Nathan pouco antes de dormir bêbado é um trecho de Gita que foi citado por Oppenheimer antes dos testes com explosivos que ele estava fazendo falhou.

Os três personagens principais deste filme tem os seus nomes inspirados em personagens da Bíblia – nada mais apropriado para um filme que trata dos riscos do homem querer tornar-se Deus. Ava é, claramente, uma alusão à Eva; Nathan era um profeta do tempo de Davi; e Caleb foi um emissário de Moisés para avaliar a Terra Prometida.

Outras referências interessantes no filme são um retrato de Margaret Stonborough-Wittgenstein pintada pelo artista Gustav Klimt no quarto de Nathan – Margaret era irmã de Ludwig Wittgenstein, autor de The Blue Book, mesmo nome do motor de busca criado por Nathan segundo a história de Ex Machina; e uma pintura de Ticiano que aparece do lado esquerdo na parede cheia de post-its de Nathan – a obra intitulada A Alegoria da Prudência tem três cabeças em três animais que podem ser interpretados pelos conceitos de memória, inteligência e perspicácia.

Este filme marca a estreia na direção de longas de Alex Garland. Sem dúvida nenhuma uma grande estreia!

Ex Machina seria uma releitura moderna da última peça de William Shakespeare, A Tempestade, na qual existe um “mestre mágico” no domínio da situação, a sua bela pseudo-filha que nunca havia conhecido outro homem além do “pai” e um homem jovem que acaba sendo ferido por ela.

Durante o filme as cores verde, vermelha e azul são valorizadas – o verde na floresta e nas plantas; o vermelho nos blecautes e o azul no teclado do sistema de segurança, por exemplo. Esta é uma referência para o padrão RGB utilizado para exibir imagens nos sistemas eletrônicos.

Agora, hora das curiosidades com SPOILER (não leia… bem, você já sabe). No final do filme aparece Sessão 7 – Ava, ainda que Caleb não esteja mais administrando o Teste de Turing e que Nathan seja morto. Essa parte dá a entender que no fim das contas quem estava aplicando o teste nos dois era Ava. Em certo momento Nathan provoco Caleb a pensar em uma cena da Jornada nas Estrelas. De fato Ex Machina se parece muito com Star Trek: Requiem for Methuselah, de 1969, episódio em que um gênio inventor cria um androide feminino e coloca o capitão Kirk como catalisador de uma experiência para descobrir se a androide poderia amar. Tanto o episódio de Star Trek quanto Ex Machina tem cenas em que aparecem vários robôs parcialmente inativos.

Quando está apenas como máquina, Ava não pisca. Ela só dá as primeiras piscadas quando veste a pele de outra androide e, com isso, termina de “construir-se” como mulher.

Os usuários do site IMDb deram a nota 7,7 para esta produção, enquanto os críticos que tem os seus textos linkados no Rotten Tomatoes dedicaram 206 críticas positivas e apenas 17 negativas para o filme, o que lhe garante uma aprovação de 92% e uma nota média 8.

Esta é uma produção 100% do Reino Unido.

Apesar de ter sido bem elogiado e bastante premiado, Ex Machina foi praticamente ignorado no Globo de Ouro 2016. Praticamente, eu digo, porque ele acabou rendendo uma indicação a Melhor Atriz Coadjuvante para Alicia Vikander – ela perdeu para Kate Winslet. Menos mal que o Oscar fez mais jus ao filme e o indicou em duas categorias.

CONCLUSÃO: Um filme competente em sua proposta. A história vai crescendo conforme mergulhamos junto com o protagonista na relação com Eva. Há um par de quase-reviravoltas na história, e isso faz Ex Machina cair no gosto de quem gosta de ser surpreendido. E ainda que este seja um filme que caminha ao lado de outras produções que contam uma certa “revolução feminina”, ele não apresenta, realmente, um grande avanço no gênero. Apesar de ser competente, ele não tem o impacto para o público atual que antes os clássicos da Inteligência Artificial – os já citados 2001 e Blade Runner – tiveram para os seus públicos. É bom, vale ser conferido, mas não é genial.

PALPITES PARA O OSCAR 2016: Ex Machina está concorrendo em duas categorias do maior prêmio da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood que será entregue na noite deste próximo domingo, dia 28 de fevereiro. O filme concorre como Melhor Roteiro Original e como Melhores Efeitos Visuais. Sem dúvida alguma merecidas as duas indicações, ainda que eu tenha algumas ressalvas quanto à primeira indicação. Se bem que, devemos admitir, este ano está mais fraco em termos de Roteiro Original.

Ex Machina tem boas sacadas no roteiro, como eu comentei na crítica acima. Mas ele não consegue ir tão além no subgênero da AI a ponto de reinventar a roda. Ou seja, Ex Machina até ajuda a refrescar os filmes de inteligência artificial, ganha pontos na escolha de um texto mais psicológico e com provocação sexual, mas não chega a deixar o espectador maravilhado. Ainda assim, é bem conduzido e tem as surpresas desejadas no roteiro. Sendo assim, merece chegar entre os cinco finalistas em Melhor Roteiro Original.

Sobre ganhar… francamente prefiro o roteiro de Spotlight (comentado por aqui). E sobre originalidade, acho que até Inside Out (com crítica neste link) é mais original que Ex Machina – levando em conta os filmes anteriores dos dois gêneros. Sendo assim, acho que ele não deve levar esta estatueta – eu consideraria um pouco de zebra se isso acontecesse. Acredito que Spotlight será premiado nesta categoria.

Analisando a outra categoria, Melhores Efeitos Visuais, Ex Machina também mereceu a indicação. Não assisti a Star Wars: The Force Awakens, mas há outros três grandes concorrentes na disputa: The Martian (com crítica por aqui), The Revenant (comentado neste link) e, principalmente, Mad Max: Fury Road. Francamente, na maior parte das quedas-de-braço entre Star Wars: The Force Awakens e Mad Max: Fury Road eu acredito que dará o segundo. Neste caso, desconfio, Mad Max vai faturar. Um segundo possível vencedor seja The Martian – o filme merecia, mais que os outros quatro.

Para resumir, em Melhores Efeitos Visuais Mad Max: Fury Road é o grande favorito, mas The Martian pode faturar. Ex Machina ganharia apenas se tiver bom lobby e para não sair de mãos vazias – o que eu acho ser o resultado mais provável.

E o Globo de Ouro foi para… (cobertura online e todos os premiados)

goldenglobes2

Saudações queridos leitores e leitoras deste blog.

Como vocês bem sabem, tenho como tradição acompanhar todos os anos a entrega do Oscar, prêmio máximo da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood. Desde que eu estreei o blog, em agosto de 2007, apenas em 2010 eu fiz uma experiência de cobertura do Globo de Ouro – pelo blog e, especialmente, pelo Twitter (veja como foi por aqui).

Mas desta vez resolvi acompanhar também a premiação menos badalada mas, todos dizem, mais divertida do Golden Globes (Globo de Ouro), entregue todos os anos pela Associação de Imprensa Estrangeira de Hollywood. Diferente do Oscar, concentrado apenas na indústria do cinema, o Globo de Ouro tem algumas categorias do cinema e outras da TV norte-americana.

A transmissão do tapete vermelho está sendo feita pelo canal E! Entertainment e também pelo site do Globo de Ouro. Confira aqui o que está acontecendo antes da premiação começar.

O Globo de Ouro sempre antecede a entrega do Oscar em mais de um mês. Para quem acompanha a premiação da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood, ele é mais um termômetro para o maior reconhecimento do cinema dos Estados Unidos. Algumas vezes há coincidência entre os premiados, mas isso não acontece sempre.

No ano passado, por exemplo, enquanto o Globo de Ouro premiou Boyhood como Melhor Filme – Drama, o Oscar consagrou Birdman. Entre os atores, houve coincidência entre as duas premiações: tanto no Globo de Ouro quanto no Oscar ganharam a disputa principal Eddie Redmayne e Julianne Moore. O mesmo aconteceu nas categorias de coadjuvante, com J.K. Simmons e Patricia Arquette levando as estatuetas das duas premiações. Na categoria Melhor Diretor, novamente, não houve coincidência entre Oscar e Globo de Ouro: enquanto no primeiro o vencedor foi Alejandro González Iñarritu, no segundo o premiado foi Richard Linklater.

Isso comprova que o Oscar não repete o Globo de Ouro sempre, mas que há muitas coincidências entre as duas premiações. Por isso mesmo é interessante acompanhar o Globo de Ouro – eu mesma tenho utilizado a lista de indicados da premiação para me guiar na escolha dos filmes para assistir pensando no Oscar.

Tenho achado o tapete vermelho do site oficial do Golden Globes o mais interessante até agora. Afinal, ali o áudio está aberto, no melhor estilo “bastidores reais”. Tem uma figura que deve estar fotografando que sempre pede com a sua voz fina e um pouco esganiçada para os astros e estrelas virarem para a direita. Divertido!

Entre os astros e estrelas que apareceram no tapete vermelho até agora, gostei de Brie Larson com um vestido longo dourado. Ela está ótima em Room e, francamente, estou torcendo por ela hoje à noite. Ainda que, claro, Cate Blanchett levar a estatueta não seria uma injustiça. A interpretação de Saoirse Ronan ainda não vi para opinar a respeito. Na entrevista no E! ela disse que estava vestindo um Calvin Klein feito especialmente para ela. Linda.

Como era esperado, a cobertura do canal TNT começou as 22h. Ainda com o tapete vermelho. Will Smith, indicado como Melhor Ator – Drama por Concussion, comentou que é importante ser indicado por um filme que tem uma mensagem. Taraji P. Henson, da série Empire, fala sobre a importância de estar no Globo de Ouro, uma premiação com projeção internacional. Ela usava um vestido Stella McCartney.

Em seguida apareceu em cena a maravilhosa Helen Mirren, que acumula 14 indicações no Globo de Ouro. Neste ano ela concorre como Atriz Coadjuvante por Trumbo – filme que tem ainda o genial Bryan Cranston no elenco. Estou curiosa para vê-lo. Alicia Vikander, indicada em duas categorias do Globo de Ouro, aparece na sequência. Estou curiosa para ver o desempenho dela em The Danish Girl – aonde ela contracena com Eddie Redmayne.

O Globo de Ouro 2016 será apresentado por Ricky Gervais, um grande ator, roteirista e produtor. Responsável pela genial série de TV The Office, estou confiante que ele se sairá bem na apresentação de hoje.

No tapete vermelho, o superastro Harrison Ford. Ele diz que está muito agradecido pelo sucesso do último Star Wars. Ele vai entregar a homenagem do Globo de Ouro para outro ator de grande peso: Denzel Washington. Gostei, em especial, do brinquinho prateado que ele usava em uma das orelhas. Estiloso.

Depois de Jennifer Lopez aparecer em cena em um vestido colado amarelo, temos o prazer de ver Eddie Redmayne. Eleito o homem mais bem vestido da Inglaterra, ele está muito bem vestido nesta noite. Ano passado, como eu comentei, Redmayne ganhou como Melhor Ator no Globo de Ouro e no Oscar e, este ano, está concorrente novamente como Melhor Ator – Drama por The Danish Girl.

A premiação propriamente dita vai começar as 23h. Até lá, overdose de tapete vermelho. 😉

Sylvester Stallone com a esposa e suas três filhas Ele está indicado a Melhor Ator Coadjuvante. Incrível. Em seguida aparece outra veterana: Jane Fonda. Linda, super elegante e interessante, Jennifer Lawrence aparece em cena. Ela está indicada como Melhor Atriz – Musical ou Comédia por Joy. Estou curiosa para assistir a este filme também.

E agora em cena Leonardo DiCaprio, bem cotado para ganhar como Melhor Ator – Drama por The Revenant. Ele está cada vez melhor em seus papéis. Sobre o filme, ele comenta que sabia que enfrentaria dificuldades para fazer o papel, mas que tudo transcorreu bem e que eles estão contentes com o desempenho da produção nas bilheterias. The Revenant estourou nas bilheterias dos Estados Unidos, fazendo cerca de US$ 38 milhões na última semana.

Denzel Washington, que vai ganhar o prêmio Cecil B. DeMille neste Globo de Ouro, comenta que é uma honra receber este reconhecimento e mostra o papel em que anotou nomes que ele não quer esquecer de agradecer. Ele é, sem dúvida, um dos meus atores preferidos de todos os tempos. Merecido ganhar este e qualquer outro prêmio.

Algo interessante do tapete vermelho do Globo de Ouro é que os astros e estrelas aparecem com os seus acompanhantes, na maioria das vezes as suas famílias. Algo bacana de se ver.

A supertalentosa Rooney Mara, fantástica em Carol, aparece em cena. Ela diz que está muito orgulhosa de ter sido indicada junto com Cate Blanchett. Ela diz que não está pensando propriamente na premiação, mas que está orgulhosa pelo filme e por todos que trabalharam nele. Fofa!

Kirsten Dunst, em um vestido um tanto estranho, comenta que para ela é igual fazer TV ou cinema, porque para um ator o importante é estar envolvido em grandes produções. Ela tem razão. Há diversos anos a TV americana, inglesa e de outros países tem apresentado produções tão ou mais interessantes do que os cinemas de seus países. Sem ser entrevistada, mas apareceu em cena rapidamente Cate Blanchett, lindíssima. Torço por ela sempre – ainda que, admita, há outras atrizes ótimas concorrendo com ela este ano.

O Globo de Ouro 2016 entregará prêmios em 25 categorias. O filme mais indicado é Carol, com cinco chances de ganhar esta noite. Em segundo lugar, empatados com quatro chances, estão The Big Short, The Revenant e Steve Jobs. Pontualmente as 23h começou a cerimônia de premiação.

Ricky Gervais começou interpretando a persona de “mal-criado” e mandando todos calarem a boca. Ele disse que faria um monólogo e depois desapareceria. Em seguida, tomou um belo gole de um chope. Entre as piadas, brincou que a rede que estava transmitindo a premiação não tinha sido indicada em nada e por isso era imparcial. Em seguida, brincou que seria legal e nada ofensivo, diferente de anos anteriores.

Algumas piadas dele foram boas, mas muitas, cá entre nós, beeeeem sem graça. Só bebendo como boa parte da plateia para achar engraçado. Exemplo: de que a Igreja Católica odiou Spotlight, enquanto Roman Polanski achou este um dos melhores filmes já feitos. Em seguida ele falou dos principais indicados. Nada demais.

katewinslet1Na primeira entrega da noite, Kate Winslet ganhou como Melhor Atriz Coadjuvante no Cinema. Ela ganhou por Steve Jobs. Interessante. Adoro ela. Em seu agradecimento, ela disse que estava completamente surpresa e maravilhada pelo prêmio. Em seguida, homenageou as mulheres, dizendo que elas tiveram ótimos papéis no ano. Kate Winslet sempre merece um prêmio. Na sequência ela diz que Michael Fassbender é uma lenda e que assistiria ele sem cansar sempre, além de dizer que ele estabeleceu um padrão muito alto para todos. Mega talentosa e simpática. E verdadeiramente surpresa pelo prêmio.

A segunda entrega da noite foi para Melhor Atriz Coadjuvante em Série de TV. E o Globo de Ouro foi para Maura Tierney por The Affair. Ouvi falar muito bem desta série, mas ainda não a assisti. Fiquei curiosa. Ainda assim, pena Joanne Froggatt não ter ganho – afinal, ela se despediu de Downton Abbey. Gosto de Maura Tierney. É uma atriz muito talentosa, sem dúvida. Agora resta assistir a The Affair. Ela agradeceu principalmente ao elenco e aos familiares.

Até agora gostei da dinâmica do Golden Globes. Fora a introdução meio xarope do Gervais, as entregas são agilizadas e bem diretas. Isso é bom.

Depois do intervalo, a entrega de Melhor Atriz em Série de TV – Musical ou Comédia. Quem ganhou foi Rachel Bloom de Crazy Ex-Girlfriend. Me desculpem a ignorância, mas nunca tinha ouvido falar da série. Bloom disse que a série quase não aconteceu porque o piloto foi rejeitado por quase todos, inclusive seis vezes no mesmo dia. Ela agradece a quem permitiu que a série acontecesse.

Na sequência foi entregue o prêmio para Melhor Série da TV – Musical e Comédia. E o vencedor veio da Amazon: Mozart in the Jungle. Bacana ver uma outra produtora de séries ganhar uma premiação como esta. Agora, sem dúvida, tenho que me atualizar com as séries – ainda que musicais não sejam o meu forte.

A linda e talentosa Viola Davis apareceu na sequência para apresentar cenas de Carol, um belo filme e que foi o mais indicado da noite.

Após o intervalo, Ricky Gervais voltou à cena. Ele disse que o Globo de Ouro não tem uma seção para os falecidos do ano para deixar a todos deprimido mas que, no lugar disso, há um discurso com o presidente da Associação de Imprensa Estrangeira de Hollywood.

Na sequência, Matt Damon apresenta ao filme The Martian, que ele estrela e é dirigido por Ridley Scott. A entrega seguinte foi para Melhor Telessérie ou Telefilme. E o prêmio foi para Wolf Hall, do canal inglês PBS. Não conheço a série, mas gostei de ver o ator Damian Lewis no grupo de premiados pela série. O produtor da série agradeceu a BBC e disse que sem ela produções como Wolf Hall não existiriam. E pediu para o governo inglês seguir apostando na TV.

O premiado na categoria Melhor Ator em Minissérie ou Telefilme foi Oscar Isaac de Show Me a Hero. Isaac foi rápido nos agradecimentos, basicamente homenageando pessoas da equipe da série. A premiação do Golden Globes é mais rápida que a do Oscar mas, francamente, até agora, achei mais sem graça. É mais direta, objetiva, mas ainda prefiro as “firulas” e o espetáculo do Oscar. Mas ok, é bom acompanhar tudo.

Na volta do intervalo, os espectadores são apresentados a Spy, indicado a Melhor Filme – Musical ou Comédia. Lady Gaga e Tom Ford entraram na sequência para apresentar a categoria Melhor Ator Coadjuvante em Minissérie, Telessérie ou Filme para a TV. E o vencedor foi Christian Slater por Mr. Robot. Estou louca para ver a essa série, aliás. Muito elogiada. Slater diz que é uma honra receber o prêmio e agradece ao roteirista de Mr. Robot por criar um personagem tão bom. Ele agradeceu também a esposa e Hollywood por permitir que ele possa fazer o que ele ama.

Na sequência foi entregue o Globo de Ouro por Melhor Trilha Sonora Original para o genial veterano Ennio Morricone, autor da trilha de The Hateful Eight. Quem recebeu o prêmio por ele foi Quentin Tarantino, diretor e roteirista do filme. Ele comenta que Morricone está na mesma categoria de Mozart e Schubert e que, até então, ele nunca tinha ganho um prêmio por suas trilhas nos Estados Unidos – apenas na Itália. Ele agradece muito a Morricone e a sua esposa. Figura! E Morricone, sem dúvida, é um dos grandes do cinema. Merece não apenas esse prêmio, mas qualquer outro de trilha sonora. Ele é um mito na área.

jonhamm1Gervais retorna para tirar um sarro de Donald Trump, que quer deportar estrangeiros. Em seguida aparecem as atrizes America Ferrera e Eva Longoria para apresentar a categoria Melhor Ator de Série de TV – Drama. E ganha o prêmio Jon Hamm, de Mad Men. Nesta categoria estava concorrendo o brasileiro Wagner Moura. Francamente Hamm merece o prêmio, especialmente pela despedida de Mad Men. Uma série que demorei um pouco para assistir mas que, de fato, é muito bem acabada. Hamm diz que não esperava receber o prêmio e agradece a todas as pessoas que permitiram que a série fosse realizada por tanto tempo. Francamente ele não era o favorito para a categoria, mas foi bacana terminar Mad Men com ele recebendo mais esse prêmio.

Mais um intervalo e, na volta, Gervais aparece para chamar as “grandes amigas” Jennifer Lawrence e Amy Schumer – a primeira de Joy e a segunda de Trainwreck. As atrizes apareceram para apresentar os vídeos de seus filmes – elas disputam entre si na categoria Melhor Atriz – Musical ou Comédia. Não sei, mas as piadas da noite estão difíceis. Ainda bem que os astros e estrelas em cena não precisam destes momentos para ganhar a vida.

Na sequência, Amy Adams apresenta a categoria Melhor Ator em Filme – Musical ou Comédia. E o ganhador foi… Matt Damon, por The Martian. Ele agradeceu pelo prêmio e mandou uma mensagem para os filhos. Damon pediu para eles irem para a cama e homenageou a esposa. Ele lembrou que começou a carreira há 18 anos e que teve muita sorte de ter feito The Martian com Ridley Scott. Até aonde eu acompanhei a vitória de Damon era mais que esperada. Não vi ao filme ainda, mas desconfio que ele esteja muito bem – afinal, temos Ridley Scott na direção.

Na volta dos comerciais, vence a categoria Melhor Filme de Animação a produção Inside Out, da Pixar e da Walt Disney. Favoritíssimo desta noite e também do Oscar. Perdi ele nos cinemas, mas quero assisti-lo em breve. Sucesso de público e crítica, sem dúvida.

Os atores Ryan Gosling e Brad Pitt entram em cena para uma das trocas mais interessantes até agora. Gosling brinca que tinham dito para ele que ele iria apresentar sozinho o vencedor… e na verdade nem é uma categoria. Eles subiram ao palco para apresentar The Big Short, concorrente na categoria Melhor Filme – Musical ou Comédia.

Os vencedores do ano passado Patricia Arquette e J.K. Simmons apresentam a categoria Melhor Ator Coadjuvante em Filme. E o prêmio foi para Sylvester Stallone. Primeira entrega que foi aplaudido pela plateia de pé. Stallone agradece a todos e diz que a última vez que ele esteve ali foi em 1977, e que agora tudo é diferente. Ele disse se considerar uma pessoa com sorte e agrade a muita gente, da mulher até o produtor de Creed. No final, ele agradece ao amigo imaginário Rocky Balboa, o “melhor amigo” que ele jamais teve. Interessante ver Stallone sendo reconhecido. Mas surpresa mesmo seria isso se repetir no Oscar. 😉

No retorno do intervalo, Mark Wahlberg e Will Farrell entram com óculos coloridos de 2016 para apresentar a categoria Melhor Roteiro. Farrell pede silêncio completo e enrola por um bom tempo antes do vencedor ser anunciado. E o Globo de Ouro como Melhor Roteiro foi para Aaron Sorkin por Steve Jobs. Para mim, francamente, foi uma grande surpresa. Ainda que ele seja um grande roteirista, eu esperava outro resultado. Sorkin diz que francamente não imagina que poderia ganhar. Nos agradecimentos ele homenageia a Danny Boyle e a todos do elenco.

Na sequência, o Globo de Ouro de Melhor Ator em Série de TV – Musical ou Comédia foi para Gael García Bernal por Mozart in the Jungle. Bacana. Um grande ator e que merece ser reconhecido. Não vi a série e aos demais concorrentes para saber se ele mereceu, mas foi legal vê-lo tão emocionado sobre o palco. Muito humilde. Agradeceu a toda a equipe da série, como é de praxe, e dedicou o prêmio para a música. Curti. Até porque cinema e música são as minhas grandes paixões – além do jornalismo, é claro.

sonofsaul1Mais um intervalo. No retorno, Helen Mirren e Gerard Butler apresentam a categoria de Melhor Filme em Língua Estrangeira. Eles brincam que para quem não os assiste, é possível ler as produções porque eles tem legenda. Visível piada com o fato dos americanos raramente verem filmes de fora do país. E o vencedor foi… Son of Saul. Mirren pediu palmas para os vencedores porque, segundo ela, esta foi a primeira vez que um filme da Hungria foi premiado. O diretor László Nemes agradece a todos que ajudaram o filme a ser realizado e comentou, no final, como o Holocausto jamais será esquecido. Tudo indica que Son of Saul será o favorito do Oscar também.

Na sequência vieram as indicadas na categoria Melhor Atriz em Minissérie, Telessérie ou Filme para a TV. E o Globo de Ouro foi para Lady Gaga por American Horror Story: Hotel. Uau! Lady Gaga ganhando um Globo de Ouro vai me fazer assistir a essa última edição da série. Na ida para o palco, Leonardo DiCaprio rindo muito. Não sei se dela ou de alguma piada paralela. 😉 Gaga comentou que se sente como a Cher e considerou esse um dos grandes momentos de sua vida. Isso Madonna não conseguiu. Gaga agradeceu genericamente a todas as pessoas do elenco que fizeram ela brilhar. Também disse que antes de ser cantora ela queria ser atriz. Demorando muito no discurso, subiu a música para interrompê-la. Visivelmente surpresa.

Francamente, até agora, me surpreenderam os prêmios para Steve Jobs e para Sylvester Stallone, falando de cinema. O primeiro caso pode render indicações para o Oscar, mas Stallone acho difícil ganhar no prêmio da Academia. Entre os premiados da TV, acho que não dá para ignorar os prêmios de Mozart in the Jungle. Fiquei com vontade de assistir a série. E o paralelo de Stallone na noite talvez seja Gaga – que me fez querer assistir ao último American Horror Story.

Após mais um intervalo, Kate Perry sobe ao palco para apresentar a categoria Melhor Canção Original em Filme. E a vencedora foi Writing’s on the Wall, do filme Spectre, escrita por Sam Smith e Jimmy Napes. Realmente grande fase do Sr. Sam Smith. Ele agradece a todos os envolvidos na produção, enquanto Napes afirma que foi um sonho ter escrito uma música para um filme de James Bond.

Ricky Gervais, que eu já achei que tinha se enterrado em um barril de chope, volta para falar sobre a relação dele com a emissora de TV. Faz referência a anos anteriores em que ele fez apresentações polêmicas. Tira sarro de figuras da platéia e chama Mel Gibson para subir ao palco. Gervais tira sarro de Gibson por causa da bebida, e Gibson responde que é bom revê-lo a cada três anos porque o encontro lhe recorda que ele tem que fazer uma endoscopia. Gibson com aquela cara clássica de louco apresenta o clipe de Mad Max: Fury Road.

Em seguida, aparecem os indicados na categoria Melhor Série de TV – Drama. E o Globo de Ouro foi para… Mr. Robot. Era previsto mas, mesmo assim, sempre vou torcer por Game of Thrones. Com mais esse prêmio para a série fiquei ainda mais com vontade de assisti-la. Para vocês que conhecem todas as séries que concorreram nesta categoria (a saber: Empire, Narcos e Outlander além de Game of Thrones), Mr. Robot realmente mereceu? O diretor Sam Esmail agradece a todos os envolvidos na série, especialmente ao elenco, cumprimenta a noiva Emmy Rossum e manda um recado para o seu pessoal na Índia. Bacana ver alguém como ele, que tem as bases fora dos Estados Unidos, fazendo referência para as suas origens.

Na volta de mais um intervalo, Tom Hanks brinca a respeito do resfriado que ele tem e também com Denzel Washington. Ele fala sobre os grandes atores que marcaram as suas épocas, destes atores que não podem ser copiados mas, no máximo, imitados. E que isso não lhes trará frutos. Atrizes e atores deste naipe são conhecidos apenas por um nome. Ele cita vários, e comenta que um deles é o homenageado da noite. Hanks diz que Denzel Washington deixou um legado honrado, superlativo, e que ele se iguala a qualquer outro da história do cinema que virou referência de uma época.

Bacana o trailer com um resumo do trabalho de Denzel neste tempo todo de carreira. Hanks chama o colega para o palco e ele é aplaudido pela plateia de pé. Não tinha como ser diferente. Um ator que merece ser ovacionado é ele, sem dúvida. Denzel subiu ao lado da mulher e de um dos filhos e chamou o restante da família antes de discursar. Mas lembrou que um dos filhos, cineasta, estava ausente porque está fazendo a sua tese. Ele agradeceu pelo prêmio e pela imprensa estrangeira por ter acompanhado a carreira dele por tanto tempo. Entre os agradecimentos, destaca o primeiro agente que ele teve; a mãe por ter convencido o pai a comprar lâmpadas mais fortes ao invés de economizar em energia; e agradeceu à família antes de pedir que Deus abençoe a todos.

Mais um intervalo – falha de memória minha ou o Oscar não tem tantas paradas assim? Enfim… No retorno, Chris Evans apresentou o vídeo de Spotlight, indicado a Melhor Filme de Cinema – Drama. Ricky Gervais volta para chamar ao palco Morgan Freeman. O grande ator sobre ao palco para apresentar os indicados a Melhor Diretor em Filme. E o vencedor foi… Alejandro González Iñarritu por The Revenant. Francamente? Eu já esperava. Ele realmente faz mais um grande, grande trabalho com o filme estrelado por Leonardo DiCaprio. Iñarritu diz que todo filme é difícil de ser feito, mas que ainda assim o ano em que ele fez The Revenant foi o mais difícil que ele teve. O diretor relembra o que todos da sala sabem: que dor é temporária, mas que um filme é para sempre. Iñarritu também agradece a todos os produtores e aos estúdios envolvidos. Finalizou agradecendo, em especial, o elenco, chamando DiCaprio de herói e do grande responsável por essa que foi a sua grande experiência como diretor.

therevenant1

Correndo contra o tempo, apresentaram a categoria Melhor Atriz em Série de TV – Drama. E o Globo de Ouro foi para Taraji P. Henson, de Empire. Não assisti a essa série ainda, mas sei que ela virou um fenômeno nos Estados Unidos. Agora, mais que antes, fiquei curiosa para assisti-la. Henson ganhar de Viola Davis e Robin Wright é porque seu trabalho tem que ser incrível. Quiseram interromper o discurso dela, mas ela pediu para darem mais tempo porque ela esperou 20 anos por isso. Entre os agradecimentos, os especiais foram para o elenco e a equipe.

Logo após mais um intervalo, Michael Keaton sobe ao palco para relacionar as indicadas na categoria Melhor Atriz em Filme – Musical ou Comédia. E o Globo de Ouro foi para Jennifer Lawrence por Joy. Hollywood realmente gosta dela. Se é o melhor desempenho entre as concorrente eu não sei porque, francamente, não assisti a nenhum dos filmes concorrentes. Lawrence agradece pelo prêmio e, em especial, pelo trabalho do diretor David O. Russell, elogiando o fato dele fazer cinema porque ele ama e não pelo que os outros possam falar de seus filmes.

Na sequência, Maggie Gyllenhaal sobe ao palco para apresentar a mais um concorrente na categoria Melhor Filme de Cinema – Drama, o maravilhoso Room. E depois, mais um dos intermináaaaaaveis intervalos da premiação.

No retorno, o talentoso e querido ator Tobey Maguire apresenta o vídeo do filme The Revenant, que está concorrendo na categoria Melhor Filme de Cinema – Drama. Na sequência, Jim Carrey tira sarro sobre ter sido premiado no Golden Globe e sobre o que ele sonha, que é ganhar mais um prêmio deles. Ele brinca de como o Globo de Ouro é importante e apresenta os indicados a Melhor Filme em Cinema – Musical ou Comédia. E o vencedor foi… The Martian. Ridley Scott caminha para o palco e é aplaudido de pé pela plateia.

Ele agradece pelo prêmio e brinca que achou que ganharia um Globo de Ouro após a sua morte. Ele faz uma menção muito bacana sobre os outros filmes concorrentes e que acha que fez um bom filme. Citou o sucesso de Star Wars, antes de homenagear o roteirista, Matt Damon e todas as pessoas que fizeram parte do projeto. Mesmo ele sendo Ridley Scott, não se furtaram de colocar a música para pressioná-lo a parar de falar. Ele tinha uma boa lista para falar e foi até o final dela. Ridley Scott é gênio e sempre merece ser reconhecido. Mas é preciso assistir aos concorrentes para ter certeza se foi justo.

Após mais um intervalo, Ricky Gervais retorna para chamar ao palco Eddie Redmayne. Esse ator supertalentoso aparece para listar as indicadas na categoria Melhor Atriz em Cinema – Drama. E o Globo de Ouro foi para… Brie Larson, do filme Room. Que legal! Ela pode até não ganhar ao Oscar, mas pelo menos levou o Globo de Ouro. Ela está ótima no filme. Larson agradece pelo prêmio e diz que foi um prazer conhecer as pessoas da associação de imprensa. Os agradecimentos dela começam pela roteirista de Room e segue pelas demais pessoas da produção, dizendo que metade do prêmio é também de Jacob Tremblay. Ela tem razão. Os dois dividem os méritos igualmente.

Rapidinho, porque o prêmio parece estar atrasado, sobe ao palco Julianne Moore para apresentar os indicados na categoria Melhor Ator em Cinema – Drama. E o Globo de Ouro foi para… Leonardo DiCaprio, por The Revenant. Bola bem cantada, diga-se. Ele é aplaudido por toda a plateia de pé. DiCaprio agradece ao prêmio e comenta que é uma honra ser premiado com tantos ótimos atores concorrendo na mesma categoria. Ele homenageia Iñarritu, por sua visão e direção precisa. Complementa dizendo que ele nunca teve uma experiência como essa em sua vida, e agradece ao restante do elenco, assim como ao técnico de maquiagem que fez parte de The Revenant. DiCaprio ainda agradeceu a sua equipe, seus pais, seus amigos e terminou homenageando aos indígenas, dizendo que eles devem lutar por manterem as suas terras livres dos exploradores.

Mais um intervalo e, depois dele, a última categoria do Globo de Ouro 2016: Melhor Filme de Cinema – Drama. Até o momento, os grandes derrotados da noite foram, nesta ordem, Carol e The Big Short. Finalizando a premiação, Harrison Ford subiu ao palco para apresentar os finalistas da categoria. E o Globo de Ouro foi para… The Revenant. Iñarritu sobre ao palco mais uma vez e termina de listar os nomes que precisavam ser agradecidos, dando destaque, entre outros, aos nativos dos Estados Unidos. Sem dúvida The Revenant é um filme muito bem feito, mas não achei, até o momento, o melhor do ano. Tenho outras preferência. E ganhar o Globo de Ouro é uma coisa, o Oscar é outra. Logo veremos o que vai acontecer na premiação da Academia.

Finalizada a entrega do Globo de Ouro, dá para dizer que o grande premiado da noite foi The Revenant, vencedor em três categorias, seguido de Steve Jobs e de The Martian que ganharam em duas categorias. Francamente acho que o Oscar não vai repetir todos os premiados, mas se o repeteco entre os atores for repetido, ficarei feliz – Leonardo DiCaprio e Brie Larson merecem ganhar.

Resumindo a noite, os premiados no Globo de Ouro 2016 foram os seguintes:

  • Melhor Atriz Coadjuvante em Cinema: Kate Winslet por Steve Jobs
  • Melhor Atriz Coadjuvante em Série de TV: Maura Tierney por The Affair
  • Melhor Atriz em Série de TV – Musical ou Comédia: Rachel Bloom por Crazy Ex-Girlfriend
  • Melhor Série de TV – Musical ou Comédia: Mozart in the Jungle
  • Melhor Minissérie ou Filme feito para a TV: Wolf Hall
  • Melhor Ator em Minissérie ou Filme feito para a TV: Oscar Isaac por Show Me a Hero
  • Melhor Ator Coadjuvante por Série de TV: Christian Slater por Mr. Robot
  • Melhor Trilha Sonora Original: Ennio Morricone por The Hateful Eight
  • Melhor Ator em Série de TV – Drama: Jon Hamm por Mad Men
  • Melhor Ator de Cinema – Musical ou Comédia: Matt Damon por The Martian
  • Melhor Filme de Animação: Inside Out
  • Melhor Ator Coadjuvante em Cinema: Sylvester Stallone por Creed
  • Melhor Roteiro: Aaron Sorkin por Steve Jobs
  • Melhor Ator em Série de TV – Musical ou Comédia: Gael García Bernal por Mozart in the Jungle
  • Melhor Filme em Língua Estrangeira: Son of Saul
  • Melhor Atriz em Minissérie ou Filme para a TV: Lady Gaga por American Horror Story: Hotel
  • Melhor Canção Original: Writing’s on the Wall de Spectre
  • Melhor Série de TV – Drama: Mr. Robot
  • Melhor Diretor de Cinema: Alejandro González Iñarritu por The Revenant
  • Melhor Atriz de Série de TV – Drama: Taraji P. Henson por Empire
  • Melhor Atriz de Cinema – Musical ou Comédia: Jennifer Lawrence por Joy
  • Melhor Filme – Musical ou Comédia: The Martian
  • Melhor Atriz de Cinema – Drama: Brie Larson por Room
  • Melhor Ator de Cinema – Drama: Leonardo DiCaprio por The Revenant
  • Melhor Filme – Drama: The Revenant

Muito obrigada a você que acompanhou essa cobertura online do Globo de Ouro. Agora, vamos correr para assistir aos filmes que devem chegar ao Oscar 2016 e acompanhar, no final da manhã desta quinta-feira, a lista dos indicados para a premiação deste ano. Abraços!

Drive

Um filme com estilo. No conteúdo e na forma. Drive resgata um jeito de fazer cinema um tanto esquecido e presenteia o espectador com uma história bem contada e envolvente. Quem diria que um sujeito bom de braço no volante poderia ser tão versátil. E render tantas cenas instigantes muito além da ação. Drive lembra um pouco o estilo da boa fase de Quentin Tarantino. Mas não é uma cópia do estilo do diretor ou mesmo uma releitura. Ele tem criatividade e estilo próprio, com foco menor nos diálogos e uma atenção maior em outros quesitos.

A HISTÓRIA: Um homem (Ryan Gosling) comenta, por telefone e olhando por uma janela de hotel, que há milhares de ruas em Los Angeles. E que basta o interlocutor dizer hora e local, que ele dará cinco minutos para ele. Depois deste tempo, ele irá embora, não importa o que aconteça. Em seguida, ele diz que a pessoa não poderá falar mais com ele naquele celular. O homem pega uma bolsa e sai do quarto. Dirige pelas ruas iluminadas, até chegar em uma oficina e pegar um Chevy Empala, um carro mais básico e comum para ele dirigir. O dono da oficina, Shannon (Bryan Cranston) explica que este é o carro mais usado na Califórnia. O protagonista então dirige, escutando a transmissão do jogo entre Celtics e Clippers. Chega no lugar combinado, vê dois homens atravessando a rua e tira o relógio do pulso para colocá-lo no volante. Ele dá cinco minutos para eles fazerem o roubo e depois segue para a fuga. A partir daí, mergulhamos na vida deste motorista.

VOLTANDO À CRÍTICA (SPOILER – aviso aos navegantes que boa parte do texto à seguir conta momentos importantes do filme, por isso só recomendo que continue a ler quem já assistiu a Drive): Uma pessoa nunca é uma coisa só. Um médico não é apenas um sujeito que tenta curar pessoas. Ele também pode ser um pai, sem dúvidas é um filho – ou já foi um -, um apreciador de bons vinhos, um especialista em mitologia grega, um ótimo pescador e tantas outras coisas… Da mesma forma, o protagonista de Drive não é apenas um ótimo motorista. Mas a habilidade dele para guiar com maestria um carro e seu conhecimento das ruas de Los Angeles fazem ele utilizar este diferencial para muitas funções.

No começo de Drive, ele parece ser apenas um motorista voraz e especialista em fugas espetaculares. E aí surge a primeira boa sacada da direção de Nicolas Winding Refn: mostrar como o ingrediente principal do protagonista não é a destreza, dirigir o carro de uma maneira enfurecida, mas a inteligência. Ele conhece como ninguém as ruas e quebradas de Los Angeles. Sabe como a polícia funciona. E, pouco a pouco, o roteiro de Hossein Amini vai nos mostrando que ele conhece também, com precisão, o funcionamento da bandidagem.

Um grande acerto do filme, para começar, é esta resistência em cair no lugar-comum de um filme de ação. Ainda que a destreza no volante seja fundamental para o protagonista, este não é o único elemento que o diferencia dos demais. A inteligência e o comportamento reto, centrado em proteger a Irene (Carey Mulligan) e seu filho, Benicio (Kaden Leos), e a manter-se vivo, contam muito mais. Então Drive acaba tendo elementos de filmes de ação, mas ele também abraça o drama e o suspense. Faz lembrar dos filmes noir, não apenas pelo estilo, mas pela lógica da produção, na qual o protagonista parece fadado a se dar mal – e tem que lutar para manter-se o mais limpo possível em um ambiente de contravenções e de um tipo de “submundo”.

Como em tantas outras produções, acompanhamos o protagonista em um momento de ruptura. Ele está deixando a vida de motorista de ladrões para abraçar apenas as suas outras duas profissões: dublê de astros em filmes de ação e mecânico. Neste momento, como manda a regra da roda-viva do cotidiano, ele também encontra outro motivo para mudar de foco: conhece a Irene e seu filho. Fica encantado por ela, e parece que o interesse é recíproco. Mas como nunca as coisas são fáceis, ele só se complica com esta ilusão de viver um grande amor.

Porque Irene é toda uma complicação. O protagonista não demora muito para saber que ela é casada com um cara que está na prisão. E ele, o marido, Standard (Oscar Isaac), também não tarda muito para dar as caras. (SPOILER – não leia se você não assistiu ao filme). E daí aquele primeiro lugar-comum básico: Standard é pressionado a fazer um “último trabalho” para pagar uma dívida contraída na prisão. E o protagonista se oferece para ajudar. Não por causa de Standard, claro, mas porque ele quer proteger Irene e Benicio. E como manda a regra de um filme que lembra o estilo noir, claro que algo vai sair errado. E sai.

A partir daí, o filme mergulha no submundo do crime, com os parceiros Bernie Rose (Albert Brooks, naquele que talvez seja o seu melhor desempenho em muito tempo) e Nino (Ron Perlman) assumindo os papéis de vilões no melhor estilo de mafiosos. O protagonista, sempre tão cuidadoso e cheio de regras – a principal delas, de não se envolver emocionalmente nos crimes – acaba se dando mal justamente quando perde o racionalismo. Drive, desta forma, também não deixa de ser um romance. Com elementos de ação, suspense e crime, mas um romance.

Assim, meio sem percebermos, adentramos na vida de um sujeito que simboliza as diferentes expressões de Los Angeles, dos Estados Unidos e, por que não dizer, de qualquer grande cidade e país do mundo? Esse motorista que dá título ao filme nos conduz pela história com maestria, revelando um pouco da simplicidade de quem enche as mãos de graxa, dos bastidores de uma indústria milionária como é o cinema, dos caminhos retos de quem trabalha muito e incorretos de quem busca a alternativa do crime para faturar muito em pouco tempo.

Los Angeles também é uma personagem da história. Se for olhado com uma lupa, Drive trata da busca tradicional do homem que parece perdido, sem sentimento, pela redenção, pelo amor, por um recomeço diferente. Ele quer mudar a lógica da roda que repete sempre a mesma fórmula. Vários filmes já trataram disto, é verdade. E ainda assim, Drive consegue contar esta história de forma diferente. E com muito estilo.

O personagem de Gosling é destes que há muito não vemos no cinema. Que cria fascínio pela personalidade, e porque nos colocamos muito próximos dele, ao mesmo tempo que desperta repúdio pelos crimes que comete ou ajuda a cometer. O ator dá um show. Convence e carrega o filme nas costas, ainda que os atores coadjuvantes também estejam muito bem. A direção de Refn, que nos aproxima sempre do protagonista e dos demais personagens, e que consegue criar a tensão exata nos momentos mais delicados, também é fundamental. Assim como o roteiro de Amini, que inova nos momentos precisos sem, para isso, tirar coelhos da cartola. A história parece realista, e esse tom é fundamental para que Drive funcione.

NOTA: 10.

OBS DE PÉ DE PÁGINA: Para funcionar tão bem, Drive tem na qualidade dos elementos técnicos um ponto fundamental. Além de dirigir muito bem as cenas de ação, o diretor Nicolas Winding Refn acerta em cheio na forma de dirigir as demais cenas. Em como criar a tensão exata quando o protagonista está sendo perseguido, e de como valorizar o trabalho dos atores e o texto bem escrito por Hossein Amini. Um grande trabalho do diretor.

Mas para o filme conseguir a nota máxima, ele precisou também que outros detalhes funcionassem com perfeição. O primeiro elemento que me chamou a atenção nesta produção é a trilha sonora. Envolvente, moderna, ela dita um ritmo importante para a produção, especialmente em seus momentos de “reflexão”, sem diálogos. Mérito de Cliff Martinez. Ele também é responsável por ficarmos com a música A Real Hero, de College, na cabeça. Ela também serve para “resumir” a mensagem do filme, de transformar aquele “sujeito comum”, suscetível a todos os acertos e erros possíveis, em um “herói”. Drive consegue fazer com que ele seja visto assim, e que o espectador torça por ele.

Depois da trilha sonora, palmas para a direção de fotografia de Newton Thomas Sigel, que consegue capturar a melhor luz de Los Angeles durante o dia e as cores artificiais da cidade pela noite com precisão. Além do olhar diferenciado de Refn, o filme se destaca por uma edição cirúrgica de Matthew Newman. Sem ele, o filme perderia bastante do ritmo.

Difícil escolher apenas algumas cenas de Drive para destacar. Há muitos momentos bem pensados e filmados nesta produção. Mas eu gostei de alguns mais do que outros. Por exemplo, a sequência do protagonista e de Blanche (Christina Hendricks, ótima atriz de Mad Men) no hotel e a descida de elevador dele com Irene pouco depois. Simplesmente, genial.

Este, sem dúvida, é o grande filme de Ryan Gosling. Agora sim, consigo entender porque Hollywood está badalando tanto este ator. Ele merece. Há muito tempo eu não via um intérprete se sair tão bem em um papel complexo, que alia o lado mais bandido com o de mocinho. Gosling é carismático. Está lindo em Drive. E consegue convencer em cada nuance do seu papel. Se ele acertar em outras escolhas de papel como esta, poderá tornar-se um dos principais nomes de Hollywood em pouco tempo.

Os demais atores desta produção também estão muito bem. Gostei de ver Bryan Cranston em cena. Lembrei do trabalho excepcional dele em Breaking Bad durante todo o tempo. Mas em Drive ele está muito mais como “cordeirinho”. 🙂 Carey Mulligan também está ótima. Frágil, observadora e carismática na medida. Ainda que em um papel muito menor que dos outros dois, achei que Christina Hendricks se destaca no filme.

Drive estreou no Festival de Cannes em maio de 2011. De lá para cá, a produção passou por outros 13 festivais mundo afora. Nesta trajetória, ganhou 39 prêmios e concorreu a outros 56. Números impressionantes. Entre os prêmios que recebeu, destaque para os de melhor diretor para Nicolas Winding Refn no Festival de Cannes; o de melhor filme americano no Robert Festival, na Dinamarca; e quatro prêmios no Satellite Awards, entregue pela imprensa de Hollywood. Nesta última premiação ele ganhou como melhor ator para Ryan Gosling; melhor ator coadjuvante para Albert Brooks; melhor diretor para Refn; e melhor som (edição e mixagem). Albert Brooks foi indicado ao Globo de Ouro como melhor ator coadjuvante, mas foi vencido pelo favorito também no Oscar, Christopher Plummer.

Esta produção demonstra, mais uma vez, como um ótimo filme não precisa custar mais de US$ 100 milhões. Drive teria custado cerca de US$ 15 milhões. Até o momento, ele arrecadou mais que o dobro apenas nos Estados Unidos. O acumulado nas bilheterias, até o dia 5 de fevereiro, chegou a pouco mais de US$ 35 milhões. Não é nenhum resultado fantástico, arrasa-quarteirão, mas também não é desprezível.

Curiosidades sobre Drive: Ryan Gosling assumiu o papel que seria de Hugh Jackman. Acho que o Wolverine teria se saído bem mas, certamente, teríamos uma produção muito diferente com ele. Refn também substituiu outro nome inicialmente cotado para o projeto, o diretor Neil Marshall. Durante a preparação para a produção, Gosling restaurou o Chevy Malibu de 1973 que o seu personagem iria utilizar na produção. Inicialmente, os personagens de Irene e Standard seriam latinos. Mas isso mudou com a entrada de Carey Mulligan no projeto.

O diretor Refn não tem carteira de motorista e falhou oito vezes em tentar obter uma. Ele também não conhecia muito Los Angeles. Para resolver esta questão, que poderia ser um problema para o filme, ele andou como carona do ator Ryan Gosling para cima e para baixo. O nome do protagonista não é revelado em momento algum, e os diálogos dele com Irene são tão raros porque os atores resolveram que os encontros dos personagens deveriam previlegiar o humor deles. Para tornar isso mais evidente, Mulligan e Gosling resolveram não falar muitas linhas do roteiro, apenas olharem um para o outro. Funcionou. E muito bem.

Drive faz uma referência à fábula do Sapo e do Escorpião, aquela em que um sapo aceita ajudar a um escorpião a atravessar um rio mas, no caminho, ele é picado pelo ferrão do escorpião e os dois acabam morrendo. Antes, o escorpião diz que ele não pôde evitar aquele gesto porque aquela é a sua natureza. Em Drive, o protagonista é o sapo, que dirige para os bandidos e acaba sendo “picado” por eles, arrastado para o lado destrutivo da vida por causa deles. Não por acaso ele usa aquela estilosa jaqueta com um escorpião – assim, ele leva sempre o animal perigoso nas costas. Ah, e o ator, Gosling, é do signo Escorpião. 🙂

Gostei do trabalho de Refn e fui buscar mais informações sobre ele. Dinamarquês, ele tem nove filmes no currículo, incluindo Only God Forgives, que está sendo filmado. Refn estrou nos cinemas em 1996 com Pusher. Em 2009 ele lançou o estiloso Valhalla Rising, que eu ainda não assisti. Agora é esperar para ver a Only God Forgives, estrelado novamente por Gosling e com Kristin Scott Thomas, entre outros, no elenco.

Os usuários do site IMDb deram a nota 8 para Drive. Não está mal, mas poderia ser melhor. Os críticos que tem seus textos linkados no Rotten Tomatoes foram mais generosos, dedicando 207 críticas positivas e apenas 16 negativas para a produção, o que lhe garante uma aprovação de 93% e uma nota média de 8,2.

O roteiro de Drive é inspirado no livro de James Sallis.

CONCLUSÃO: Estamos sempre ao lado do protagonista. Tão perto, fica difícil não compartilhar de sua adrenalina, ousadia, frieza e emoção. Drive acerta ao colocar o espectador em posição tão privilegiada. Filme de ação, mas com espaço para aprofundar nos sentimentos e desejos dos personagens, Drive entra em universos diferentes de Los Angeles para traçar um quadro interessante da cidade e de alguns de seus personagens. Com um ótimo estilo narrativo e visual, e com um desempenho irrepreensível de Ryan Gosling, Drive mantém o interesse do espectador do primeiro até o último minuto. E ainda que o roteiro tenha lugares-comuns um tanto inevitáveis, ele sabe dar as viradas narrativas no momento certo, tornando toda a aventura da história um belo achado. Uma forma diferenciada de fazer filme noir que dá gosto de assistir. Quem gosta de Quentin Tarantino, deverá curtir este filme. Drive lembra a melhor fase dele e de vários outros diretores que souberam recriar o estilo noir. Mas com a diferença deste filme ter um foco menor nos diálogos e maior nas características dos personagens e das situações vividas por eles.

PALPITE PARA O OSCAR 2012: Drive está concorrendo em apenas uma categoria: edição de som. Uma pena. Ele facilmente poderia ter sido indicado como melhor trilha sonora e edição, dois de seus pontes fortes. Mas ok, ele ficou apenas com edição de som. Nesta categoria, ele tem fortes concorrentes: The Girl with the Dragon Tattoo, Transformers: Dark of the Moon, War Horse e Hugo. Destes, assisti apenas ao último. Mesmo sem ter visto aos demais, acredito que os favoritos nesta categoria sejam Transformers e Hugo. Não vejo que Drive tenha muitas chances para vencer. Eu não apostaria nele.

SUGESTÕES DE LEITORES: Só depois de publicar o texto sobre Drive e começar a responder aos comentários de vocês, meus bons leitores, de janeiro, é que eu percebi que este filme tinha sido indicado pelo André Oliveira no primeiro dia deste ano. Grande dica, hein, André? Filmaço! Gostei muito. Estiloso, com um ritmo perfeito. Muito obrigada pela dica.