The Social Network – A Rede Social


Como transformar a história de um nerd, cheia de termos técnicos de informática, em um filme interessante? O primeiro passo é convocar um ótimo roteirista que adota uma estratégia que parece, como o protagonista, pouco popular: um texto rápido, com muitas linhas por minuto. Depois, adicione uma ótima trilha sonora, uma direção de fotografia precisa, bons atores e um diretor para dar a unidade perfeita para tudo isso – e que ainda apresente, aqui e ali, minutos inspirados e de pura sugestão de sentidos. The Social Network transforma a história dos bastidores da criação do Facebook, a mais importante e badalada rede social do mundo, em um filme interessante que brinca com velhos estereótipos dos nerds recriando estes elementos. Quase perfeito por conseguir um ótimo resultado mesmo com muitos elementos que nadam contra a corrente dos filmes produzidos para as grandes audiências, The Social Network falha apenas ao simplificar algumas partes da história – tornando, no final, a vida do jovem bilionário Mark Zuckerberg pouco mais que uma obsessão por computadores e uma garota em especial.

A HISTÓRIA: Um garoto de fala rápida comenta com uma garota, na mesa de um bar, entre um gole e outro de cerveja, que existem mais pessoas com QI elevado na China do que habitantes nos Estados Unidos. Ela duvida, e a conversa segue em um troca constante de farpas e de conflitos de opinião. Para Mark Zuckerberg (Jesse Eisenberg) esta é mais uma das várias conversas sem fim com a sua namorada e diva Erica Albright (Rooney Mara). Só que a garota, farta da falta de modéstia e de percepção “da realidade” do rapaz, decide dar um fim no relacionamento. Ele, indignado, vai para casa e detona Erica em seu blog pessoal. Por diversão, começa a fazer um ranking das garotas mais interessantes das principais “casas” (e/ou irmandades) que compõe Harvard. Esta brincadeira cria um colapso na internet da universidade. Zuckerberg ganha evidência e, nesta noite, começa a história que levaria o rapaz a criar o Facebook e se tornar, assim, um dos jovens mais ricos e conhecidos do mundo.

VOLTANDO À CRÍTICA (SPOILER – aviso aos navegantes que boa parte do texto à seguir conta momentos importantes do filme, por isso só recomendo que continue a ler quem já assistiu a The Social Network): Verborrágico. Esta é a primeira característica evidente de The Social Network. É preciso ter atenção e conhecer um bocado dos termos/jargões da internet e/ou tecnológicos para acompanhar o roteiro de Aaron Sorkin. O filme é adaptado do livro de Ben Mezrich intitulado The Accidental Billionaires – antes que alguém me pergunte, ainda não li a obra, mas pretendo fazer isso em breve.

Sorkin foi ousado. Não abriu mão de ser fiel aos “personagens” (reais, diga-se) e ao seu modo de falar e agir. Com isso, ganhou pontos na minha análise. Mas, seguramente, perderá pontos entre o grande público. Especialmente porque não é todo mundo que conhece os termos “técnicos” usados na história. Essa ousadia, juntamente com o texto farto e veloz, diferenciam The Social Network de um filme “puramente” comercial. Se ele quisesse ser realmente popular, simplificaria muito mais o texto. Em outras palavras, parabéns ao roteirista por sua preocupação em ser fiel a uma versão da história – sim, porque mesmo o livro de Mezrich é considerado apenas uma “parte” de vários lances que compõe os bastidores que envolveram a criação do Facebook.

O roteiro de The Social Network é, sem dúvida, um de seus pontos fortes. Juntamente com a trilha sonora e a direção. Diria que este triângulo é decisivo por tornar o filme interessante, denso em conteúdo e leituras. O trabalho de Sorkin merece elogios não apenas por sua preocupação em tentar ser fiel aos personagens e ao que teria acontecido com eles. Mas também porque ele faz mágica com a história. Equilibra de forma exata momentos “cerebrais” com sequências que lembram os clássicos de festas em universidades estadunidenses vistas em tantos filmes “juvenis”, como Porky’s e Cia.

As festas regadas a bebidas, a homarada tentando se dar bem com as meninas, os caras que ficavam à margem de tudo isso… tudo está lá. Claro que em uma versão “repaginada”. Afinal, não estamos vendo uma história ambientada nos anos 1980, mas um enredo dos anos 2000, no qual gênios da informática poderiam se tornar celebridades mesmo tendo dificuldade em se relacionar pessoalmente. Esta, aliás, é uma das principais mensagens do filme… de como a informática ajudou a pessoas antes “marginalizadas” por falta de dotes físicos a conseguir uma certa evidência por apresentarem outros predicados.

O diretor David Fincher aproveita todas as “brechas” do roteiro para dar ritmo a esta história. E consegue. Acompanhos a história de Mark Zuckerberg do outono de 2003 em diante. Entre um momento e outro de verborragia do personagem – seja em diálogos com alguns interlocutores ou através de elocubrações de seus próprios pensamentos “compartilhada” conosco, espectadores -, Fincher destila cenas que mostram o contraste entre as diferentes faunas que compõe o compus de Harvard. E, mais tarde, o ambiente de desenvolvedores de produtos tecnológicos.

O roteiro e a direção bem feitos acabam tornando uma história cheia de termos técnicos e fidelidade a personagens “não muito interessantes” em algo bastante atrativo – pelo menos para quem se interessa por estes “bastidores” do mundo tecnológico. A história do surgimento do Facebook acaba sendo apresentada como uma disputa pela inovação que terminou nos tribunais. Parcerias e amizades foram alteradas com a velocidade de uma banda larga quando a proximidade com a fama e a oportunidade de tornar o experimento global foram se consolidando.

Só fico em dúvida sobre o interesse deste roteiro para os “não iniciados” com a tecnologia. Ou entre as pessoas que não se interessam tanto assim pelo mundo “dos nerds”. Acho que o grande público, os “não familiarizados”, podem ficar boiando boa parte do tempo. Daí o roteiro de Sorkin introduz outros elementos, como bebidas, flertes, disputas em tribunais e bastidores de Harvard para tentar agradar um pouco mais este público não muito familiarizado com a tecnologia. Talvez funcione, mas não acho que o filme se tornará tão popular quanto outras produções menos “técnicas”.

Algo fundamental, neste filme, é a trilha sonora. Um trabalho incrível, preciso, ponderado e provocante de Trent Reznor e Atticus Ross. Sem a trilha desta dupla, The Social Network perderia, pelo menos, 25% do ritmo e da graça. Vale destacar ainda a direção de fotografia de Jeff Cronenweth. Ele ajuda a colocar em prática as ideias de Fincher. As cenas noturnas e diurnas, como as que mostram festas e competição de canoagem, respectivamente, ganham plasticidade por esta parceria.

Sem dúvida o filme tem mais acertos do que erros. A aposta em intercalar o tradicional “suspense de tribunais” com uma narração do que é debatido entre os interessados nos processos, promove as quebras salutares na produção. A preocupação em reproduzir o jeito de falar do protagonista e de seus amigos, assim como em mostrar o contraponto entre os diferentes “jeitos de ser” das tribos de Harvard e das outras universidades também dá o “caldo” necessário para a história. Mas nem tudo são flores.

(SPOILER – não leia se você não assistiu ao filme). Na sua preocupação em ser, ao mesmo tempo, “fiel” à realidade vivida pelos “personagens reais” e fazer-se interessante para um público maior do que o de “iniciados” naquele entorno de alta tecnologia, The Social Network acaba simplificando alguns aspectos da realidade. Torna muito evidente a fronteira de Zuckerberg como a de um sujeito isolado, quase um “loser” entre os bem-sucedidos da universidade. Segue uma trilha bastante perseguida, neste sentido, por outros filmes ambientados no mesmo universo de universidades de ponta dos Estados Unidos.

Não que Zuckerberg não fosse um nerd. Mas não acredito que ele fosse tão “isolado” quanto este filme e, aparentemente, o livro de Mezrich, sugerem. Com esta ideia, reforça-se o estigma de que os gênios da informática são sujeitos com dificuldade de se relacionar. E mesmo que isso aconteça, não deve ser visto como regra. Acho que é uma simplificação muito grande – e que já ocorreu antes com outros gênios de outras áreas do conhecimento. É fato que pessoas inteligentes demais não conseguem encontrar muito “eco” entre os demais mortais. Mas daí a mostrar-lhes como sujeitos isolados… acho uma simplificação um tanto burra.

De qualquer forma, para mim, esta simplificação até era esperada. Mas algo me surpreendeu – e negativamente. (SPOILER – não leia, realmente, se você não assistiu ao filme). Não gostei do final. Ele dá a entender que tudo que o criador de Facebook fez foi por causa de uma garota. Saída típica, e boba, eu diria. Por que tudo, sempre que possível, tem que se resumir a “um cara que não se conforma por ter perdido uma garota”? Não acho que esta seja a história de Zuckerberg. Posso até concordar que ele quis se tornar um sujeito excepcional. E que, obstinado e realmente com uma inteligência acima da média, batalhou para conseguir isso. E conseguiu. Mas resumir todo o seu trabalho e conquista a uma dor de cotovelo… menos, bem menos!

O criador do Facebook foi (ou é?) um gênio desta era recente por captar, como ninguém, o que as pessoas queriam. Utilizou tendências da alta tecnologia, criou ferramentas para isso e manteve o hábito mais que saudável de adaptar-se de forma contínua. Seja a ideias novas – de forma inteligente ele atuou como uma “parabólica” de sugestões dos que lhe cercavam – e/ou a desafios impostos pelos concorrentes e pelo mercado. Criou um produto novo, juntou uma equipe de gente talentosa para trabalhar nele – grupo esse pouco explorado pela história, aliás – e continuou modificando-o até torná-lo um fenômeno global.

Ainda que The Social Network sofra com aquelas simplificações que eu comentei acima, algo positivo este filme tem: ele não toma partido. Tenta contar a história sob as diversas óticas conflitantes e o espectador, em geral, fica livre para tirar as suas próprias conclusões. Ainda assim, como 99% dos filmes de Hollywood, ele meio que “encaminha” o público em uma direção.

E há uma sequência emblemática neste sentido. (SPOILER – não leia se você não assistiu ao filme). A partir de uma hora e 20 minutos da produção, Fincher e Sorkin brincam com duas realidades que jogam com um mesmo conceito/objetivo: a superação/fama. Primeiro, vemos os olhos do Zuckerberg de Jesse Eisenberg brilharem com as promessas de sucesso de Sean Parker (o criador do Napster, interpretado por Justin Timberlake). Em seguida, assistimos a uma competição disputadíssima de canoagem. O paralelo é evidente: todos aqueles jovens buscam a superação, ultrapassar os próprios limites, apenas para… conseguir a fama. Ser popular, diferenciar-se dos demais, era o objetivo final. De uns e de outros. Esta reflexão do filme, que reflete de forma tão evidente a nossa era, torna-o especial. Apesar de suas simplificações aqui e acolá. “Fraquezas” menores frente a um trabalho diferenciado.

NOTA: 9,6.

OBS DE PÉ DE PÁGINA: Não falei antes deles, mas os atores merecem um comentário à parte. Jesse Eisenberg se destaca entre todos os outros nomes. O ator nova-iorquino de 27 anos imita o jeito de falar e os trejeitos de Zuckerberg com perfeição. Um desempenho que, sem dúvida, merece uma indicação ao Oscar. Além dele, mostram talento Andrew Garfield no papel do brasileiro Eduardo Saverin; Armie Hammer no papel duplo dos gêmeos Cameron e Tyler Winklevoss (em algumas cenas Tyler foi interpretado também por Josh Pence) e Max Minghella como Divya Narendra. Além deles, vale comentar que os já citados Rooney Mara, como Erica Albright, e Justin Timberlake como Sean Parker fazem um bom trabalho. Em papéis menores, se saem bem Patrick Mapel como Chris Hughes; Brenda Song como a engraçada e “deslumbrada” Christy; e Rashida Jones como a advogada “solidária” a Zuckerberg.

A história real de Zuckerberg é realmente impressionante. Encontrei muitas matérias sobre ele. Para os interessados, vale citar esta, que revela que o patrimônio do criador do Facebook está estimado em US$ 6,9 bilhões e que ele passou a figurar na 35ª posição entre os homens mais ricos dos Estados Unidos da revista Forbes. Detalhe: aos 26 anos de idade!! Um fenômeno, sem dúvida. Neste novo ranking da Forbes, Zuckerberg ultrapassou Steve Jobs, da Apple. Mas fica atrás de Bill Gates, que continua sendo o número 1, com uma fortuna de US$ 54 bilhões; e da dupla Larry Page e Sergey Brin, criadores do Google, com uma fortuna de US$ 15 bilhões cada um.

O criador do Facebook tem uma forma interessante de pensar. Segundo esta matéria, no início do ano, Zuckerberg comentou que as pessoas não “esperam” mais ter privacidade. Curioso. Uma forma diferente de ver a realidade. Certamente as pessoas abriram bastante mão de suas privacidades nos últimos tempos mas, como efeito seguinte a esta exposição, começaram a perceber os riscos de tanta exposição. Tanto que passaram a reagir a isso e “voltar atrás”, em certa medida. Há fases e flutuações, é claro, mas passou a primeira fase da “inocência” nas exposições e eu diria que, agora, as pessoas estão mais “ligadas” em tudo de bom e de ruim que uma grande exposição, inclusive para desconhecidos, pode trazer.

Agora, uma certa ironia da vida real… (SPOILER – não leia se você não assistiu ainda ao filme). Lá pelas tantas, The Social Network brinca com o “fascínio” dos nerds com as garotas asiáticas. No final, a produção deixa a entender que Zuckerberg fez tudo o que fez por causa de um amor “mal resolvido” com Erica Albright. Pois bem, não deixou de ser engraçado ver a este comentário no blog Somos Mulheres Reais e a foto que ela traz. Zuckerberg atualmente namora Priscilla Chan, uma estadunidense de origem chinesa que estuda Medicina. Como era de se esperar, eles se conheceram em uma festa em Harvard… hehehehehe. Uma ironia interessante, pois.

Em julho deste ano, o Facebook atingiu a marca de 500 milhões de usuários. No início, Zuckerberg tentou ignorar The Social Network e disse que não assistiria ao filme. Depois, acabou cedendo. Ao comentar sobre a produção, Zuckerberg afirmou que os produtores não entenderam como alguém pode ter construído algo simplesmente pelo gosto de “construir coisas”, referindo-se ao Facebook – afirmando, ainda, que não produziu a rede social pela fama ou para se tornar um bilionário. Ele teria afirmado também que “Cada camiseta e cada casaco que eu tinha no filme era de fato uma camiseta ou casaco que eu tenho”.

Fiquei curiosa sobre o atual paradeiro de Eduardo Saverin e sobre o que ele poderia ter dito sobre o filme. Aparentemente, ele está “ausente” de comentários a respeito e de entrevistas. Nesta matéria, falam um pouco a respeito disto. Nesta outra, um rápido resumo sobre a trajetória de Saverin.

Como comentei anteriormente, The Social Network sofre um pouco pela simplificação que ele faz da história. Também pelo fato do filme se basear no livro de Ben Mezrich que, declaradamente, “toma partido” de Eduardo Saverin e dá pouco – ou nenhum espaço – para a versão de Zuckerberg da história. Por isso mesmo, claro, a produção é um tanto “partidária” – ainda que, pelo visto, menos que o livro – o que é um acerto, pois. Neste link, uma entrevista de Mezrich sobre a forma com que Saverin se sentiu “traído” pelo ex-amigo e parceiro.

Uma curiosidade da produção: aquela verborragia inicial entre Zuckerberg e Erica Albright, que abre The Social Network, ocupou oito páginas de roteiro e 99 tomadas das filmagens. Impressionante.

Outro fato curioso: em certo momento do próprio julgamento, Zuckerberg afirma que sua invenção foi o fato mais importante de Harvard, incluindo 19 prêmios Nobel, 15 ganhadores do prêmio Pulitzer, dois futuros atletas olímpicos e uma estrela de cinema. Ainda que ele não cite quem seria esta estrela, ela é Natalie Portman, que estou em Harvard entre 1999 e 2003 e que ajudou o roteirista de The Social Network com algumas informações sobre os bastidores da universidade naqueles anos. A atriz, aliás, é a mais cotada a ganhar o Oscar 2011 por seu desempenho em Black Swan – filme dirigido por Darren Aronofsky que estou louca para assistir.

A atriz Rooney Mara impressionou David Fincher. A ponto dele convidá-la para seu próximo filme, The Girl with the Dragon Tatoo.

The Social Network estreou no dia 24 de setembro no Festival de Cinema de Nova York. Entrou, no dia 1º de outubro, no circuito comercial dos Estados Unidos e do Canadá. Esteve também em festivais de cinema na Rússia, em Tóquio e em São Paulo. Deve estrear no Brasil, no circuito comercial, dia 3 de dezembro.

Segundo os produtores do filme, The Social Network teria custado US$ 50 milhões. Faturou, apenas nos Estados Unidos, até o dia 14 de novembro, US$ 87,8 milhões. Contabilizadas as bilheterias mundiais, especialmente se o filme for indicado e, quem sabe, ganhar alguns Oscar’s, certamente ele faturará mais que o dobro em relação aos custos.

O filme tem tido uma bela recepção de público e, especialmente, como já era esperado, de crítica. Os usuários do site IMDb deram a nota 8,3 para a produção. O site Rotten Tomatoes, por sua vez, abriga links para 245 críticas positivas e apenas oito negativas para o filme, o que lhe garante uma aprovação impressionante de 97%. Sem dúvida ele está cotadíssimo para o Oscar e para outras premiações – como o Globo de Ouro e afins.

Me perdoem por ter demorado tanto para escrever este texto. Assisti o filme há mais de 10 dias e só agora consegui parar para escrever sobre ele. Tenho outro já na ponta da “agulha” para soltar por aqui. Forte candidato ao Oscar também. Pretendo publicá-lo mais rapidamente, deste vez. Obrigada a todos aqueles que não desistem de acompanhar o blog, mesmo quando demoro, como agora, para publicar algo por aqui. Abraços!!

Ah sim, e muitos vão perguntar: mas afinal, o quanto do filme é verdade? Bem, uma boa parte, certamente, é verdade. Mas uma certa parte, não. Afinal, o filme se baseia em um livro que, basicamente, escuta os críticos de Zuckerberg. Ele não é ouvido. Sua versão não está no livro e nem no filme. Ou seja: nem toda a verdade está aí. O criador do Facebook disse, recentemente, que sua vida foi menos dramática do que é mostrado na produção. Naturalmente. Sempre um filme irá dramatizar mais do que a realidade. Para tornar-se interessante, claro.

Francamente, a grande história do filme e que deve ter ocorrido na vida real é a seguinte: Zuckerberg é um cara inteligente acima da média. Soube criar um produto interessante e se aliar a pessoas fundamentais. Mas, ainda assim, não tinha a menor ideia do caminho que seu produto iria seguir no futuro. Ele teve sorte, bons contatos e uma boa dose de talento para conseguir o que conseguiu. Sem planejar cada passo, mas conseguindo tirar o melhor proveito de cada etapa. Isso também lhe torna genial. Basta saber até quando o Facebook dominará o mercado. E como Zuckerberg irá reagir quando não for mais o “dono” do pedaço. Questões para o futuro.

Só agora assisti ao trailer do filme. Simplesmente, genial. Perfeito. Ele resume The Social Network de forma perfeita. Afinal, “todos querem ser especiais”. De alguma forma.

CONCLUSÃO: O filme que trata dos bastidores da criação do Facebook não facilita o trabalho para os espectadores. Com a maior proporção de diálogos por minutos dos últimos tempos, The Social Network mergulha na vida do “nerd” Mark Zuckerberg, o criador da rede social, e mostra como o seu “invento” foi parar nos tribunais. Até um certo ponto, esta produção recria história de grupos universitários e irmandades já contadas por outras produções. Por outro lado, tem o cuidado de refletir sobre uma era diferente, caracterizada pelas comunicações por intermédio do computador. Este olhar cuidadoso – ainda que um pouco simplificado – sobre a geração Y (que nasceu com um mouse nas mãos) é o que diferencia The Social Network de outras produções. Assim como a sua evidente “crítica” a esta era de busca pela fama, pelo reconhecimento público. O roteiro de Aaron Sorkin é um dos pontos fortes da produção. Desafia o público com linhas rápidas e inteligentes a acompanhar o que está sendo dito. Ao mesmo tempo, junto com o trabalho preciso do diretor David Fincher, intercala cenas de tribunal e a narrativa dos fatos de forma cadenciada e envolvente. Os atores principais também ajudam, com destaque para Jesse Eisenberg. Talvez ele seja menos interessante para os “não iniciados” nas redes sociais. The Social Network será entendido, em sua plenitude, por quem acompanha a tecnologia. Talvez isso prejudique um pouco o filme. Ainda que, sem dúvida, ele mereça estar na lista das produções mais importantes de 2010 – com vaga garantida no Oscar, basta saber em quais e quantas categorias.

PALPITE PARA O OSCAR 2011: Ninguém duvida que The Social Network será indicado ao Oscar. Agora, resta saber, além das bolsas de apostas, em quais e quantas categorias ele estará. Pessoalmente, acredito que a produção deverá ser indicada na categoria de Melhor Filme, especialmente porque ela continuará com 10 produções na disputa, garantindo a vaga de The Social Network mesmo que o filme não se torne tão “popular” quanto os produtores gostariam. Também acho inevitável – se houver justiça – uma indicação de Aaron Sorkin para a categoria de Melhor Roteiro Adaptado. Ele merece. Fora estes dois, que são óbvios, com um bom lobby a produção pode ainda ser indicada a Melhor Trilha Sonora Original, Melhor Ator para Jesse Eisenberg e Melhor Diretor para David Fincher. Estas duas últimas indicações, realmente, vão depender de um bom trabalho dos produtores para convencer os votantes. Mas é possível. Sobre levar a estatueta para casa, acho que ele tem boas chances em Melhor Filme, roteiro, trilha sonora e diretor. Veremos…

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19 comentários em “The Social Network – A Rede Social

    1. Oi Ricardo!!

      Que bom que você gostou do blog. Agora, espero que voltes aqui mais vezes, inclusive para falar sobre os filmes. Este espaço foi criado justamente para isto, para o debate.

      Obrigada pela visita e pelo comentário. Abraços!

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  1. Em comparação com filmes feitos sobre outras celebridades do mundo da computação, este é o que conta com melhor roteiro, sem dúvida.
    No entanto, fico me perguntando o motivo de analisar ESTE filme em questão. Seria por causa de ser um postulante ao Oscar? Seria por causa da sensibilidade do diretor em usar o “internetês” nas falas?
    Enfim, estas são minhas dúvidas, pois a princípio o filme não me empolgou muito. Talvez por influência das declarações do próprio Zulkenberg ou por causa do filme dar a entender que este fenôneno chamado FACEBOOK se deve a uma frustração quanto a uma garota.
    Assistirei novamente, sob nova ótica e tentarei fazer meu contra post ( na verdade meus comentários são tão longos que viram um post sobre o post =])

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    1. Oi Reinaldo!!

      Finalmente te respondo… ufa! hehehehe

      Então, sem dúvida eu comentei sobre The Social Network porque ele é um dos francos favoritos ao próximo Oscar. E como sabes, me proponho, a cada ano, assistir ao maior número possível de indicados a esta que é a maior premiação do cinema de Hollywood. Inclusive para ajudar as pessoas a escolherem o que assistir ou não.

      A primeira razão para assistir a este filme, pois, foi esta. Mas eu iria assistí-lo também porque me interessa esses bastidores da criação de grandes marcas e, mais que isso, porque este foi um dos filmes mais comentados deste segundo semestre, quando voltei a ter tempo de ver a mais filmes.

      Esse pacote de razões me fez assistí-lo. Todos falam que o livro é muito melhor que o filme… não sei, ainda não o assisti. De qualquer forma, acho que a produção tem muitas qualidade sim. Só não acho – e digo isso por intuição e pela esperança que tenho com outras produções que ainda não assisti – que ele seja o melhor do ano. Bem, terei certeza sobre isso em breve.

      Obrigada, mais uma vez, por teus comentários e visitas. Sabes que apreciou a tua presença por aqui.

      Abraços e inté!

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    1. Olá Anderson!!

      Olha, The Social Network está passando nos cinemas… pelo menos, em muitos deles pelo Brasil.

      Outros filmes eu encontro nas locadoras, outros consigo através de amigos, em sessões de pré-estréias, em festivais… depende muito.

      Abraços e boa sorte na procura!

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  2. Sobre os dois problemas que você encontrou no filme:

    1 – O fato de Zuckerberg ser isolado, assim como boa parte do filme, se baseia no livro de Mezrich, em que o autor ouviu inúmeras fontes que afirmavam isso (menos Zuckerberg, é claro). Se a história não fosse real, este poderia ser um ponto a ser mudado, mas no caso desta obra achei fundamental a manutenção dessa característica, uma vez que ela desencadeia uma série de outros acontecimentos do filme

    2 – Este filme não existiria se não fosse o livro de Mezrich. Na visão dele, que tem como base principal os antagonistas de Zuckerberg (o brasileiro Eduardo Saverin e outros que se dizem traídos por ele), a inabilidade social de Mark foi um dos motivos (o principal, talvez) para que ele criasse o Facebook. Isso fica claro, por exemplo, quando ele cria um site (Facemash) com o objetivo único de avaliar a beleza das mulheres de Harvard após se desentender com uma garota.

    Esta falta de sucesso social é vista de forma mais efetiva no contato com as mulheres, e o roteiro do filme se aproveita disso para criar uma personagem fictícia que representa toda a vida social de Zuckerberg (que é praticamente nula). É nesse contexto que o personagem passa a representar não apenas ele mesmo, mas toda a geração deste início de século XXI, que possui muito mais amigos virtuais do que reais. Por isso acredito que a cena final deve ser vista como simbólica, e não levada ao pé da letra. Mark Zuckerberg (o real) talvez até nem mereça o rótulo que o livro e o filme colocam nele, mas ele foi dado por Fincher e Sorkin para tornar o filme e a reflexão que ele propõe muito mais interessantes. Erica Albright, nesse contexto, representa todo o tipo de relacionamento que Zuckerberg pode ter. Depois de destruir a amizade com seu (único?) amigo e ganhar mais dinheiro a cada dia, Mark parece sentir falta de um relacionamento mais verdadeiro. E a opção pela busca por uma mulher no final do filme só representa aquela que é a principal e mais desejada forma de contato humano: o relacionamento amoroso.

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    1. Oi Adriano!!

      Sim, eu sei que o filme tem tudo a ver com o livro – ainda que o roteiro o ultrapasse e insira outras informações/ideias. Entendo que o Zuckerberg fosse realmente um sujeito isolado, que ele tivesse essa “inabilidade social” que comentas, mas daí a resumir quase toda a sua trajetória, criatividade e ambição a um fora da menina… achei um pouco demais. Vi, nesta escolha, uma forma de transformar a história em algo acessível para tantos adolescentes (e adultos) que simpatizam com este mesmo perfil. Foi isso que eu não gostei… desta simplificação que não era necessária. No mais, gostei muito do filme.

      Achei curiosa a tua leitura sobre uma personagem fictícia que procura resumir todas as outras “mulheres/garotas” que eram inacessíveis para o Zuckerberg. Interessante. Não li o livro, então não sei até que ponto aquela garota que dá o fora no bilionário foi real ou não. O que acho ruim é que, mesmo resumindo todas as outras garotas inacessíveis, ela simplifica demais as qualidades e defeitos do “personagem real”.

      Agora, estou contigo que o personagem não representa apenas o Zuckerberg, mas toda uma geração. Isso, sem dúvida. E aí está o grande lance de The Social Network. Sua grande sacada. Ele seria, quase, um Beleza Americana dos anos 2000. Guardada as devidas proporções e estilos de cinema, é claro.

      Bacana teu comentário. Realmente gostei.

      Obrigada por ele e por tua visita. Espero que voltes por aqui mais vezes.

      Abraços!

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  3. Não vai ter nada a ver com o filme, mas vamos lá…

    2010 foi um ano muito complicado. É interessante passar tanto tempo assim sem ver seu blog. Mandei-lhe algumas mensagens, mas nunca recebi resposta.

    Depois o tempo veio, me distraiu o suficente para poder voltar hoje e rever que o bom nível das críticas e filmes, sempre se manteve – all in all.

    “Here’s looking at you kid”

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    1. Oi l3on!!

      hehehehehe
      Realmente, 2010 foi um ano complicado. Mas 2011 há de ser melhor – pelo menos é o que o horóscopo chinês nos promete. 🙂

      Sim, demorei séculos para colocar os recados em dia. Estou conseguindo fazer isso agora. Como havia “prometido para mim mesma”, antes do ano terminar.

      Quero ver se em 2011 consigo manter este espaço melhor atualizado.

      Obrigada por teus comentários incentivadores e por tua presença por aqui. Fico feliz que a qualidade do blog tenha se mantido – segundo a tua avaliação. 🙂

      Abraços grandes e inté breve!

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  4. Como prometido, revi o filme em casa mesmo, pois para mim não vale o ingresso do cinema nem mesmo se eu tivesse direito a meia entrada.

    A única coisa nova é que o filme mostra dois estereótipos: o Judeu que, com sua inteligência e perspicácia fica rico e o brasileiro que, mesmo dando um duro danado, acaba se “ferrando” no final. (ok, sei que ambos são judeus, mas um é americano e outro brasileiro)

    Mais uma vez a velocidade da fala me desagradou, com legenda em português foi até pior que sem a legenda.

    Ainda fica a grande dúvida: Porque o nota tão alta para um filme tão mediano? Se você assistisse a Pirates of Silicon Valley, de 1999, com orçamento infinitamente menor e que conta uma parte da tragetória de Bill Gates e Steve Jobs, certamene você daria um 10 “Suma cum Laude”. Acho que sua avaliação foi mais pela admiração pelo trabalho roteirista e pelo envolvimento com o hype que com o filme em sí.

    No final do filme, não ficou muito claro o destino de personagens como Sean Parker (da napster).

    Também ficou a impressão que, junto com Parker, Zulkenberg é um grande filho da mãe, sociopata, insensível e mal agradecido o que, certamente não deve refletir muito a realidade, na minha opinião.

    Enfim, a sua posição quanto ao blog não é agradar a este ou aquele leitor, mas sim mostrar sua visão do filme, coisa que faz com maestria. A resenha (vou me referir as postagens assim, pois não são simples posts, são valiosas resenhas, ou análises) ficou boa, um tanto quanto passional, mas interessante.

    Sugiro, por fim que, em se tratando de celebridades do mundo da informática, vale a pena conferir Pirates of Silicon Valley e traçar um paralelo com este mesmo filme. Certamente não se arrependerá!

    Abraços e até a próxima!

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  5. Oi Reinaldo!!

    Então, sobre estes estereótipos do “judeu” e do “brasileiro”, acho que eles não se aplicam nesta história. Pelo simples fato que eles não foram criados… Zuckerberg é realmente judeu e o Saverin é realmente brasileiro. hehehehehe. Entende o que eu quis dizer? Estes roles sociais não foram inventados, mas refletem a realidade. Por isso, não vejo como reforço a estereótipos, mas como uma reflexão sobre fatos – e olha que o filme não revela que o “enganado” era brasileiro. Nós sabemos disso porque conhecemos a história.

    Agora, sem dúvida o melhor é assistir a este filme dublado. Sem dúvida ele é uma exceção a minha regra de ver os filmes no original. É que ou você domina realmente o inglês e conhece as gírias de Harvard, de Palo Alto e do mundo “nerd”, ou esquece. Não vais entender metade da verborragia. Isto é algo que precisa ser observado pelo espectador antes de assistir a este filme.

    A nota alta para o filme é pela razão de sempre: eu gostei do que vi. E só não dei mais porque não achei ele sensacional. Achei ele bom, um “Beleza Americana” dos anos 2000 guardada as devidas proporções. Acho que ele não trata apenas da criação de um novo bilionário e de mais um site de relacionamentos, mas de toda uma geração e suas práticas de relacionamento. De qualquer forma, anotei a tua sugestão de filme e vou assistí-lo assim que possível.

    O filme não acaba… ou, em outras palavras, ele não tem a pretensão de mostrar o que aconteceu com aquelas pessoas. Por isso, não vi como um problema não mostrarem mais sobre o Sean Parker – que, na verdade, é bastante secundário na história.

    Não achei que o filme pinta os personagens como “sociopatas”, mas apenas evidencia a falta de capacidade de alguns deles para serem populares, para terem relacionamentos reais.

    Obrigada, mais uma vez, por teus comentários, que são importantes contribuições para o debate. Muito bacana!

    Abraços e inté!

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  6. Gostaria de saber é qual a sua opinião em relação ao melhor filme, o tão badalado A Rede Social, ou – o que gostei mais – A Origem.
    Os dois filmes são os favoritos para ganhar o Oscar de melhor filme, creio que seria o mais justo. Porém não sei o que todos vêem de tão revolucionário em A Rede Social, a história é muito boa e tal, o filme teve todo aquele lance de diálogos rápidos, tudo meio entrelaçado, uma pergunta que é respondida após um rápido corte onde somos enviados para um período no passado do jovem Mark.
    Porém vejo um A Origem como algo mais inovador – talvez nem tão real – mas estamos vendo um filme, um lugar onde a imaginação é fundamental. Li e reli várias críticas às quais não posso concordar, dizendo que o filme ficou longo demais ou que toda a parte onde eles estão na neve poderia ser tirada do filme. Sei lá, tive de vê-lo mais de uma vez para ter certeza de que tudo o que acontece deveria sim, estar lá.

    Finalmente, creio que A Origem seja algo mais cinema e nem tanto registro histórico muito bem produzido. Mas desejo que você me dê sua opinião em qual seria o melhor filme.

    Grato.

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    1. Oi João!

      Então, como podes ver acima, eu gostei de A Rede Social. Mais do que de A Origem – há um outro texto no blog sobre o filme do Nolan.

      Francamente, acho o roteiro de The Social Network excepcional. Muito bem escrito, com um estilo diferenciado, um bocado corajoso – não é qualquer um que consegue diálogos rápidos e uma boa construção de personagens com tanta naturalidade. Por isso achei ele fora do comum. Diferente de Inception que, para o meu gosto, fez um grande apanhado de várias ideias já exploradas por outros filmes e as apresentou como algo novo.

      Acho que Inception ganhou os Oscar que merecia – categorias técnicas, que valorizam o que a produção tem de melhor. E The Social Network recebeu os que deveria também.

      Não acho que toda a cena da neve em Inception deveria ser cortada… mas, sem dúvida, parte dela. Também concordo com todos que disseram que o filme deveria ser mais curto. Achei ele longo demais sim. Mas enfim, foram as minhas percepções… agora, claro, respeito as tuas.

      Sempre digo que acho bom quando alguém gosta de um filme que eu não gostei muito… porque assim, pelo menos, podemos dizer que aquele filme valeu o ingresso para alguém. 🙂

      Obrigada pela tua visita e pelo teu comentário. Abraços e inté mais!

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