Extremely Loud & Incredibly Close – Tão Forte e Tão Perto


Como ensinar o seu filho, que tem medo de tomar determinadas atitudes que você tomava na idade dele sem pestanejar, a aventurar-se? E como uma criança deve lidar com o pior dos acontecimentos? Quando eu soube que Extremely Loud & Incredibly Close resgatava alguns dos sentimentos que circundaram os ataques ao World Trade Center, e que um garotinho narraria a história por sua ótica, fiquei com o pé atrás. Seria este mais um dramalhão? Outra desculpa para Hollywood fazer chorar com o seu drama, muito legítimo, do 11 de Setembro? Para a minha surpresa, este filme é mais que um dramalhão. Ainda que ele seja pensado para fazer o espectador chorar, ele também guarda algumas boas ideias e reflexões. Mais do que eu esperava (sim, minha expectativa era bastante baixa).

A HISTÓRIA: Um homem parece voar. O menino Oskar Schell (Thomas Horn) olha fixo para a frente e reflete sobre como, atualmente, um número maior de pessoas vive mais tempo, enquanto aumenta também o número de mortos. Ele comenta que se aproxima o dia em que não haverá mais espaço para enterrar tanta gente, e que será necessário construir edifícios submersos, cidades inteiras sob a terra para colocar estas pessoas mortas. Da imagem dele no quarto, saltamos para vê-lo no carro com a avó (Zoe Caldwell). Oskar assiste dali um enterro, e pergunta para a avó se ninguém sabe que o caixão está vazio. Ele não vê sentido no que chama de “funeral falso”. O garoto sai do carro e senta em um banco. Olha para a cidade, Nova York, e lembra do melhor dos desafios lançado por seu pai, Thomas (Tom Hanks): o sexto bairro da cidade. A partir daí, acompanhamos a rotina da família de Oskar, e sua busca pelo legado do pai.

VOLTANDO À CRÍTICA (SPOILER – aviso aos navegantes que boa parte do texto à seguir conta momentos importantes do filme, por isso recomendo que só continue a ler quem já assistiu a Extremely Loud & Incredibly Close): A primeira qualidade que eu vi neste filme foi a busca do roteirista por destacar a missão de um pai em despertar a curiosidade e o encantamento de um filho. Algo muito bacana em Extremely Loud é que os “segredos” do filme vão sendo contados aos poucos. Para começar, não sabemos até que ponto aquele menino está ou não fora da curva. Ele é apenas muito inteligente ou tem alguma doença ou distúrbio? Também ficamos sabendo logo que o pai do menino morreu, mas demora um pouco para sabermos como foi esta morte.

Esta é uma ótima vantagem da história. O roteiro de Eric Roth, sem dúvida, é o ponto forte do filme. Ele destilou alguns diálogos simplesmente geniais – todos proferidos pelo protagonista. O garoto Thomas Horn também segura muito bem a responsabilidade e a complexidade de seu papel. Em alguns momentos, e falarei deles depois, ele chega a irritar. Mas isso, antes de mais nada, é uma responsabilidade do roteiro. Roth é o que o filme tem de melhor mas ele é, também, o responsável por suas derrapadas.

As dúvidas sobre a origem de toda aquela genialidade do menino duram exatos 30 minutos. Quando o filme chega neste ponto, Oskar conta sobre a origem de sua personalidade diferenciada para Abby Black (Viola Davis). Os minutos até ali guardam o tempo mágico do filme, quando ele funciona muito bem. Naquela meia hora, vemos a parceria entre Horn e Tom Hanks. O ator veterano e premiado incentiva a criatividade e a imaginação do filme. Pode parecer loucura, mas cheguei a ver, neste trecho, o mesmo incentivo ao encantamento e à imaginação feito por The Artist e Hugo, mas sem que o tema cinema fosse o foco desta vez.

Os jogos entre o pai e o filho foram mostrados de uma maneira encantadora. E se encaixam com perfeição para o novo desafio de Oskar, depois que o pai dele já tinha morrido. Com sua maneira peculiar de raciocinar, Oskar tenta reconstruir os minutos que separaram as mensagens deixadas pelo pai e o final de sua vida. O garoto demora um ano para entrar no quarto do pai e buscar “pistas” que ele pode ter deixado para ajudar o filho a entender o que aconteceu. Na tentativa de pegar uma máquina fotográfica, ele encontra uma chave, misteriosa. Referência bastante simbólica, pois. Decifrar o que aquela chave é capaz de abrir poderia ser o último jogo entre pai e filho, e essa possibilidade passa a mover Oskar.

Antes do minuto 30, o espectador dá risadas com a personalidade diferenciada de Oskar. Com os preparativos dele para sua nova e maior aventura. Mas pelas mesmas linhas do roteiro de Roth, o espectador também fica assustado com a lista de coisas simples que o menino acha complicado fazer, experiências que ele não consegue vivenciar – especialmente as listadas quando ele começa a buscar os Black pelas ruas de Nova York. Isso tudo seriam efeitos do trauma da perda do pai? Faria sentido… E daí surge um dos melhores momentos do filme, aquele em que Thomas estimula Oskar a experimentar a sensação de usar um balanço.

Este momento é a grande sacada de Extremely Loud. Afinal, ele nos faz refletir sobre esta geração pós-11 de Setembro. As crianças estão contaminadas com o medo que reinou no mundo logo após os ataques às Torres Gêmeas? Se estão, como incentivá-las a se arriscarem, a fazerem algo com a esperança de ter um futuro melhor? Como quebrar o medo da queda, de machucar-se, para que elas possam viver aventuras e sentir prazer em coisas simples? Até o minuto 30, estes parecem ser os questionamentos que começam a ser esboçados em Extremely Loud. A chave, os medos do garoto, tudo parece ser uma forma sugestiva de tratar de outros temas, mais profundos. Pena que isso mude pouco depois.

Porque quando Oskar conversa com a primeira pessoa Black que ele encontra, ele explica a origem de seus temores e de sua inteligência fora do comum: o garoto tem a Síndrome de Asperger. Essa informação é fundamental para entender o que se passa. Por isso mesmo, para o meu gosto, ela poderia ter sido dada muito depois – pela metade do filme, por exemplo, sem prejuízos para a história. Manteria o suspense e as leituras diferenciadas por mais tempo. Isso porque, ao saber que o menino tem Asperger, sabemos a origem de tudo.

Essa síndrome, mais comum entre garotos, é uma variação do autismo. Ela faz os portadores terem uma relação diferenciada com tudo. Uma das características da síndrome é que a criança desenvolve um interesse excessivo por determinados temas, concentrando toda a sua atenção e conversas nestes assuntos de interesse. Ela permite que a pessoa desenvolva um conhecimento profundo sobre aquilo que lhe chama a atenção mas, ao mesmo tempo,  dificuldade em lidar com outros temas que repudia. Reações ao extremo, pois. Isso explica totalmente Oskar, verdade?

Talvez uma boa parte dos espectadores não entenda isso logo de cara e pode ter ido buscar informações sobre a Síndrome de Asperger depois do filme terminar. Mas graças a Mary and Max, comentado aqui, a minha ficha logo caiu. E daí as outras leituras do roteiro evaporaram. Ainda assim, o texto de Roth e a ótima direção de Stephen Daldry seguram a atenção até o final.

Alguém pode ter se perguntado: “Mas caramba, não teria sido muito mais fácil Oskar perguntar para a mãe se ela sabia o que aquela chave poderia abrir?”. Claro, teria sido mais fácil. Mas no contexto do filme essa saída mais prática não faria sentido. Primeiro porque aquela busca era tudo que Oskar precisava para perdurar aquelas lembranças do pai, a sensação que ele passou a ter de que Thomas continuava lá, jogando com ele. Depois que para um portador da Síndrome de Asperger a lógica é sempre diferente do que a de uma pessoa comum. Para Oskar a mãe não teria a resposta, e seria uma bobagem perguntar isso para ela.

Claro que nós, adultos, duvidamos que aquilo poderá chegar a algum lugar. Torcemos, claro, porque o roteiro foi feito para isso, para que o espectador cruze os dedos para que aquele garoto consiga encontrar a resposta que ele tanto deseja. Mas daí lembramos daquelas frases famosas… “Um homem viaja o mundo à procura do que ele precisa e volta para casa para encontrar” (de George Moore), “Viajar é fazer uma jornada para dentro de si mesmo” (Dena Kaye) e, principalmente, aquele clássico de que o viajar é mais importante que chegar no destino.

Sim, porque Oskar vai colecionando histórias, alegrias e dores de pessoas com o sobrenome Black pelo caminho. Mesmo o foco dele estando na fechadura que seria aberta por aquela chave, ele aprende um bocado no caminho – especialmente quando a mãe dele, Linda (Sandra Bullock) repassa todas aquelas histórias com o menino, uma a uma. E daí surge a única reflexão que justifica o filme fazer referência ao 11 de Setembro – além daquela anterior, sobre a questão do medo das gerações mais jovens. A de que, apesar do que todos nós sabemos que cada uma das 2.606 pessoas mortas nos ataques às Torres Gêmeas farão falta, que cada uma de suas famílias entrou em luto e teve que batalhar para sair da dor, existem tantas outras histórias parecidas, de dor e de perdas, espalhadas por aí…

O filme não minimiza a tragédia do 11 de Setembro. Pelo contrário, mostra em detalhes o impacto que um fato como aquele pode ter na vida de uma família – e, em especial, no cotidiano de um menino como Oskar, com a Síndrome de Asperger. Mas também dimensiona o fato com um pouco de distanciamento, mostrando que tantas outras tragédias pessoas antecederam e continuam acontecendo em diferentes bairros de Nova York e, além daquele cenário, no mundo. Essa sim, parece uma reflexão com a marca do diretor, Stephen Daldry.

Pessoalmente, acho que o filme teria ganho mais pontos se contasse a história do menino, de sua perda e de sua busca pelo legado do pai sem colocar a tragédia do 11 de Setembro no meio. Compreendo a necessidade dos Estados Unidos de continuar retratando aquela dor e plasmando ela no cinema para a posteridade. Mas acho que o tema já está muito desgastado. Focar um garoto com a Síndrome de Asperger, tornando esta doença um pouco mais conhecida, é uma grande sacada. O restante… bem, ainda que aumente o drama e a tensão, achei um bocado desnecessário. E que aí sim, devo concordar, leva o filme ao patamar do melodrama. Não fazia falta.

Para finalizar, mais um detalhe sobre a busca do garoto. Interessante como ele tenta achar lógica no que aconteceu. Mas a mãe dele, lá pelas tantas, em uma das sequências que eu achei mais forçadas do filme, fala para o menino, aos berros, que é impossível chegar a uma explicação lógica para o que aconteceu. Para Oskar, esse é o maior drama. Porque o mundo precisa de lógica.

Difícil para qualquer mãe ou pai explicar para o filho ou filha que, muitas vezes, não há lógica, realmente. Explicações sempre existem. Mas, ainda assim, não há lógica. Como neste caso do 11 de Setembro. E em tantas outras perdas de familiares. De qualquer forma, e bastante sem querer, Oskar encontra a sua resposta final. E segue a vida. Eis a grande mensagem do filme, de que a vida continua, por mais absurdos que sejam alguns fatos.

NOTA: 8,3.

OBS DE PÉ DE PÁGINA: Não falei antes sobre os fatos um tanto irritantes da produção. Thomas Horn faz um grande trabalho, mas os momentos de descontrole de seu personagem, quando ele surta e atira coisas enquanto grita, acabam irritando. Eu sei, crianças agem assim em alguns momentos. Isso poderia ter acontecido uma vez no filme, sem maiores problemas de irritação. Mas repetir a cena, apenas para reforçar o drama e a empatia do espectador, foi forçado.

Gostei muito do trabalho do veteraníssimo Max von Sydow. (SPOILER – não leia se você ainda não assistiu ao filme). Para alguns, foi irritante aquela infindável exposição de bilhetes do avô de Oskar. Eu não achei exagerados. Eles foram inteligentes, alguns inusitados. E Sydow consegue tornar o personagem interessante, conseguindo afastá-lo da provável caricatura. Não é difícil matar este mistério. Um espectador um pouco mais atento descobre a ligação entre o hóspede da avó de Oskar e o garoto muito antes do próprio menino verbalizar a sua conclusão. Isso não estraga o filme, como o restante das surpresas reveladas antes da hora. Mas por ser previsível, poderia ter sido desvelada antes, talvez.

Viola Davis é um monstro. O papel dela neste filme não é muito grande e, mesmo assim, ela arrebenta. Não adianta, esta atriz se diferencia da maioria de sua geração. Está na hora, realmente, dela ganhar um Oscar. Por tudo que apresentou até agora em uma carreira relativamente curta, que soma quase 16 anos – e feita, no início, principalmente por trabalhos em séries para a TV.

Algo que irrita um pouco também nesta produção tem a ver com a personagem de Linda Schell. (SPOILER – não leia se você ainda não assistiu ao filme). Convenhamos, alguém engoliu aquela versão de que a mãe de Oskar poderia ser tão ausente ao ponto de deixar o filho sair a qualquer momento, com a desculpa esfarrapada que fosse, e tudo bem? Aquilo não se encaixava e a explicação final apenas ajustou algo que parecia absurdo. Não, aquela mãe não era tão desnaturada e nem estava tão imersa na própria dor a ponto de abandonar o garoto. Aliás, Roth poderia ter deixado pelo menos essa dúvida um pouco mais séria. Se mostrasse a mulher deprimida, por exemplo, ou entregue a algum vício, talvez pudesse ter preservado o suspense até o final. Do jeito que ele explorou a história de Linda, ficou só estranha aquela ideia do “abandono” – pelo menos até o final, redentor. Por outro lado, a explicação sobre os atos de Linda só tornou ainda mais evidente qual era a função daquela chave: provocar uma busca que não distanciou Oskar de Linda, mas que os aproximou e fez ambos superarem melhor o luto.

Muito inteligente o personagem de Thomas Schell. Com os jogos e desafios que ele propunha para o filho, sabendo que Oskar gostava daquelas “pesquisas”, ele estimulava o garoto a explorar a cidade e a interagir com as pessoas. Tentando minimizar o risco do isolamento social do menino.

Stephen Daldry é um grande diretor. Aqui, mais uma vez, ele ganha pontos pelos detalhes. Primeiro, pelo ótimo trabalho desenvolvido com o garoto Thomas Horn. Ele consegue tirar o melhor do menino, que é um estreante. E esta não é a primeira vez que ele consegue fazer isso. No ano 2000, ele revelou para o mundo o talento de Jamie Bell no lindo Billy Elliot. O diretor ganha o espectador também nos detalhes. Na busca do melhor ângulo da câmera e na captura das nuances da cidade, como quando ele foca Oskar do alto, mostrando uma revoada de pássaros abaixo da câmera e sobre o garoto. Por estas e por outras que Daldry é um diretor diferenciado.

Além dos atores já citados, vale citar John Goodman em uma super ponta, como o porteiro Stan, um tanto cômico – mas com uma participação fundamental para a história. Jeffrey Wright também faz uma ponta na história, aparecendo quase no final do filme – pelo menos com alguma relevância porque, antes, ele nem dá “as caras” direito – como William Black, ex-marido de Abby.

Da parte técnica do filme, vale citar o trabalho sempre acima da média de Alexandre Desplat na trilha sonora. Ele embala o drama e as aventuras de Oskar com precisão. Maximiza a mensagem da produção. A direção de fotografia de Chris Menges também valoriza o trabalho de Daldry, destacando Nova York com cores sérias e um tanto efêmeras. Finalmente, bom o trabalho de edição de Claire Simpson.

Extremely Loud & Incredibly Close se justifica de várias formas. Pelo sentimento do menino, cada vez que ele sai de casa e, com sua aventura, sente-se mais próximo do pai, enquanto parece tornar-se mais distante da mãe – e isso o deixa dividido – e, principalmente, pelo jogo de palavras que Oskar fazia com o pai, juntando expressões que parecem conflitantes. A tradução para o Brasil ficou horrível, claro, porque não dimensiona nem uma justificativa, nem outra.

O filme é uma adaptação do livro homônimo de Jonathan Safran Foer lançado em abril de 2005. Foer é o mesmo autor do genial Everything is Illuminated. Não li a nenhum dos dois livros, mas posso dizer que a versão para o cinema de Everything is Illuminated é – perdão o trocadilho que isso possa suscitar – brilhante.

Extremely Loud estreou nos Estados Unidos em circuito comercial no dia 1º de janeiro. De lá até o dia 12 de fevereiro, o filme acumulou pouco mais de US$ 29,4 milhões nas bilheterias. Não está mal, mas certamente está abaixo da expectativa do estúdio – especialmente por causa dos nomes estelares de Tom Hanks e Sandra Bullock no elenco.

A estreia do filme ocorreu em Toronto, no Canadá, e de forma restrita nos Estados Unidos no dia 25 de dezembro. Depois o filme começou a estrear mundo afora. Com uma carreira tão curta, até o momento, o filme participou apenas de um festival, o de Berlim.

Até o momento, Extremely Loud faturou seis prêmios e foi indicado a mais oito, incluindo dois Oscar. Três dos seis prêmios abocanhados pela produção foram para Thomas Horn. Mas nenhum, até agora, de grande relevância.

Entre os nove indicados como Melhor Filme no Oscar deste ano, Extremely Loud & Incredibly Close é o que registra a menor nota na avaliação dos usuários do site IMDb: 6,4. De fato, o filme não pode competir com outros que estão na lista. Mas como vocês sabem, analisando as outras críticas que publiquei por aqui, não considerei este o pior filme da disputa. Os críticos que tem seus textos linkados no Rotten Tomatoes foram ainda mais rígidos: publicaram 82 críticas negativas e 70 positivas para a produção, o que lhe garante uma aprovação de 46% e uma nota média de 5,6.

Agora, vou explicar a minha nota para Extremely Loud. De fato, o filme força a barra em alguns momentos e parece exagerar a dose no drama. Algumas de suas surpresas desaparecem muito rápido. Mas eu acho que as reflexões que ele suscita e, principalmente, o mérito dele em explorar a ótica de um menino com a Síndrome de Asperger torna as suas intenções superiores às falhas da produção. Eu gosto de boas intenções.

Stephen Daldry não é um diretor voraz. Depois de estrear no cinema em 1998, com o curta Eight, ele produziu apenas quatro longa-metragens. Os três que antecedem Extremely Loud são maravilhosos. Além do já citado Billy Elliot, estão The Hours e The Reader.

Para quem desconhece a Síndrome de Asperger, recomendo a animação citada anteriormente, Mary e Max. Muitos sites tratam da doença, mas achei este bastante direto e explicativo. Dá uma ideia geral e introdutória sobre a síndrome.

Ah sim, e uma explicação para uma das curiosidades do filme. Nova York tem cinco “boroughs” (bairros): Bronx, Brooklyn, Manhattan, Queens e Staten Island. Segundo o Censo dos Estados Unidos de 2010, a população da cidade chega a 8,17 milhões de pessoas.

CONCLUSÃO: Depois de mostrar as perdas dos ataques às Torres Gêmeas por diferentes ângulos, com a produção de diversos dramas e documentários, Hollywood volta ao tema a partir da ótica de uma criança. Os elementos estavam dados para Extremely Loud & Incredibly Close ser um dramalhão. Mas soma-se a isso algumas relações familiares complicadas e um garoto que foge dos padrões comuns, e temos pela frente uma história mais ampla. Dramas humanos acontecem por todas as partes, em todas as direções que se possa olhar. Interessante como a busca de um garoto pelo legado do pai nos mostra isso. Coloca a tragédia daquele 11 de Setembro em seu lugar. Porque a vida continua, nos conta o protagonista. Mesmo que seja preciso percorrer um longo caminho até sentir-se preparado para isto. Extremely Loud trata disto, e de como as diferenças podem ser compreendidas com um pouco de interesse e esforço. No fim das contas, este é um dramalhão, que simplifica muitas histórias e cai na repetição em muitos momentos. Mas o roteiro inteligente de Eric Roth faz a história não se perder e manter o interesse do espectador. Não é um filme brilhante ou inovador na forma ou conteúdo. Mas faz pensar enquanto tenta provocar o choro. Só por isso, ele já se diferencia um pouco do balaio de produções comuns.

PALPITE PARA O OSCAR 2012: Para muita gente, e eu me incluo neste grupo, foi uma surpresa Extremely Loud & Incredibly Close ter sido indicado ao Oscar de Melhor Filme este ano. Quando o nome dele apareceu na lista divulgada pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood, todos reclamaram. Alguns apontavam este ou aquele como injustiçado. Outros simplesmente chamaram a indicação de absurda. De fato, nos moldes antigos do Oscar, quando apenas cinco filmes eram indicados para a categoria principal, Extremely Loud não chegaria tão longe. Mas agora os tempos são outros.

Esta produção foi indicada também em outra categoria: melhor ator coadjuvante pelo trabalho de Max von Sydow. Na indicação principal, como melhor filme, Extremely Loud não tem chances. Ainda que o filme trate de um tema importante para os Estados Unidos e que ele comece muito bem, a verdade é que esta produção não tem força – e nem méritos, convenhamos – para vencer os favoritos The Artist, The Descendants ou Hugo. Mesmo Sydow, que faz um ótimo trabalho neste filme, não deve ganhar. Primeiro, porque o favoritíssimo da noite é Christopher Plummer. Depois porque outros nomes, como Jonah Hill, tiveram um peso mais decisivo em seus respectivos filmes do que Sydow. Para resumir, Extremely Loud deve contentar-se com as indicações. Porque ele não tem chance de vencer nas categorias nas quais compete neste Oscar.

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4 comentários em “Extremely Loud & Incredibly Close – Tão Forte e Tão Perto

  1. Olá Alessandra, procurando aqui as críticas de Crazy Heart acabei caindo no seu blog, e me interessei em ler algumas delas. Essa em especial me chamou atenção pois discordamos em muito na opinião, o que acho bom e que me fez escrever esse comentário. Recentemente (bem recentemente mesmo, há menos de 1 mês) eu e dois amigos decidimos levar um pouquinho adiante a paixão pelo cinema e pela literatura e tentar, sem pressão alguma, escrever algumas críticas dos filmes que assístiamos. Teríamos então que tomar uma base para começar, e essa foi o Oscar. Acabamos recentemente de comentar os 9 indicados a melhor filme o que, no mínimo, nos proporcionou ótimas experiências. Voltando ao comentário do filme e a parte que digo que discordo, sem a pretensão de divulgar o blog, pois no geral não é essa nossa intenção, ao invés que lhe escrever aqui sobre o que achei, seria mais prático te enviar o link da crítica que fiz sobre. Não somos estudantes de Jornalismo, nem – até o momento – pretendemos. O blog é mais um passatempo mesmo, algo que possa nos gerar satisfação pessoal antes de qualquer coisa. Sem pressões, sem cobranças, sem responsabilidades. Escreve-se quando quer. 😉

    Eis o link: http://criticidaderesenheira.blogspot.com/

    Bom, tentei me controlar um pouco na escrita pra não parecer assustador ou algo do tipo. Talvez possamos trocar algumas ideias sobre esse filme por aqui. Abraço.

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    1. Oi Evandro!

      Antes de mais nada, seja bem-vindo por aqui.

      Obrigada pelo teu comentário e pela tua visita.

      Fico feliz que você e teus amigos tenham começado um blog com críticas também. Sempre que alguém deixa um recado divulgando o seu trabalho por aqui, dou o maior incentivo.

      Ainda não tive tempo de visitar o teu blog mas, desde já, desejo vida longa pra ele.

      Discordar faz parte. Sempre que se tem opinião sobre algo, há espaço para a discordância. Fico feliz que entendas isso. Já é uma grande vantagem frente a outras pessoas que só conseguem dialogar com quem pensa igual. 🙂

      Espero que voltes por aqui mais vezes, inclusive para falar de outros filmes.
      Te incentivo, desde já, a deixar mais as tuas opiniões por aqui. Nem que for em poucas frases. Fica mais fácil de trocarmos ideias desta forma. Infelizmente não tem sobrado muito tempo, para mim, de visitar outros blogs. Mas um ótimo trabalho para vocês. Um dia eu dou uma passada no espaço que indicaste.

      Abraços e inté!

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  2. interessante também como o filme retrata a incrível maneira que o Pai conduz a relação com o filho. A química é perfeita uma vez que Thomas vive o universo do filho naqueles jogos constante de desafios, xaradas, inteligência. Pra quem vê, o Pai brilhantemente “toma vantagem” do problema psicológico que o filho tem e acaba transformando isso em uma rica e terapêutica amizade, deixando uma grande mensagem pra todos nós.

    Baseado no que você escreveu sobre Stephen Daldry, esse cara promete hein Ale. Vamos acompanhar.

    bjão, obrigado pela dica de filme.

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    1. Oi Mangabeira!

      Exatamente. O pai sabe “tirar proveito”, no melhor sentido, das características da doença do filho para se aproximar dele, ajudá-lo a se desenvolver e a ser feliz. Criar, de fato, laços de família.
      Esse é um acerto interessante do roteiro.

      Sim, o Daldry merece muito ser acompanhado. É um diretor interessante.

      Olha, sou franca em dizer que só assisti a esse filme porque ele estava concorrendo ao Oscar. Mas não foi uma experiência ruim, como comentei acima. Eis uma das características bacanas do Oscar, nos “fazer” assistir a filmes que dificilmente assistiríamos por outra razão.

      Beijos grandes e inté!

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