Shame


Duas pessoas com problemas. Graves, sem uma solução fácil. Mas a dificuldade para a solução está, justamente, na forma desapegada de vivermos atualmente. Shame permanece focado na história de dois indivíduos mas, através deles, o filme reflete sobre a hiper sexualidade de uma geração sem amarras, com pouca capacidade para se comprometer, mas que busca constantemente o prazer. Ainda que interessante e com duas grandes atuações, Shame é um filme um tanto repetitivo e bastante erótico. Bem feito, mas lhe falta um pouco de inventividade.

A HISTÓRIA: Um homem está acordado e olha para o alto enquanto está deitado nu na cama, com o lençol tapando metade de seu corpo. Ele se levanta. Depois, aparece na estação do metrô. Dentro de um vagão, ele observa os passageiros, até fixar o olhar em uma jovem bonita. Corta. Em outra ocasião, logo após gozar ao lado de uma mulher qualquer, ele sai nu pela casa e ouve uma mensagem na secretária eletrônica. Uma mulher pede para ele atender o telefone. A garota no metrô começa a ficar constrangida com o olhar fixo dele. O homem, em outra ocasião, recebe uma garota de programa em casa. Segue a sequência anterior, da gravação, e descobrimos que o nome deste homem é Brandon (Michael Fassbender). Vamos acompanhá-lo no trabalho e em suas variadas cenas de conquista e sexo.

VOLTANDO À CRÍTICA (SPOILER – aviso aos navegantes que boa parte do texto à seguir conta momentos importantes do filme, por isso só recomendo que continue a ler quem já assistiu a Shame): Logo de cara, nós sabemos que aquele homem tem algum problema. E a música que o acompanha, de permanente “suspense” apenas aumenta a expectativa para que algo de muito errado aconteça. O bom é que esta expectativa não termina em um lugar-comum fácil, como de que ele é um psicopata, assassino de prostitutas, ou um maluco deste gênero.

Pelo contrário. O personagem de Brandon Sullivan assusta pelo tanto que ele é um “sujeito comum”. Não sei vocês, mas eu fiquei o tempo todo pensando sobre a quantidade de homens solteiros que fazem o mesmo que ele. Que estão pensando o tempo todo em sexo e cuidando de sentir prazer o máximo de tempo possível. Não é ruim, é claro, sentir prazer. Mas buscá-lo daquela forma, simplesmente, sem nenhum apego ou risco de compromisso, é sinal de doença. E grave.

Impressionante como o protagonista de Shame não tem apego por nada. Ele vai para o trabalho, mas não gosta do que faz. Ou não se interessa o suficiente pela profissão – do contrário, não chegaria constantemente atrasado. Não tem relacionamentos verdadeiros. Sai com o chefe, David Fisher (James Badge Dale), que vê em Brandon a isca perfeita para despertar o interesse de mulheres interessantes. Pega mulheres à torto e direito, mas não se encontra com elas mais do que uma noite.

No início, fiquei impressionada com o apetite dele por sexo. Parece que ele pensa o tempo inteiro no prazer que uma transa pode proporcionar. A dúvida, e ela é plantada de maneira eficaz desde a sequência inicial do metrô, é se ele chega a ser perigoso na ânsia de saciar a própria necessidade por prazer. Pessoalmente, fiquei o tempo todo esperando ele fazer uma grande besteira. Estuprar uma mulher, ou algo pior. Bela sacada dos roteiristas Steve McQueen e Abi Morgan plantar esta dúvida logo no início do filme.

Shame segue em bom ritmo. Não demora muito para a personagem de Sissy (Carey Mulligan) invadir a rotina do protagonista. E ela desestabiliza aquela rotina “segura” e previsível dele que parece se resumir a chegar no trabalho atrasado, sair com o chefe para caçar e terminar a noite sempre com uma mulher diferente. Sissy é um risco para essa “segurança” vazia de Brandon. Ela grita, e de forma insistente, por atenção e carinho. Tenta resgatar laços, manter uma relação. Tudo que ele parece incapaz de conseguir.

Além disso, e percebi isso só quando assisti ao trailer do filme, depois que eu já tinha assistido a Shame, Brandon fica tão perturbado com a presença da irmã porque ele não consegue lidar com a ideia dos homens tratando ela da mesma forma com que ele trata todas as mulheres que ele encontra. Ou seja: ele não suporta pensar em Sissy como apenas um corpo que pode ser usado e jogado fora depois por qualquer homem – especialmente os que ele conhece. Ele fica perturbado com isso, e acaba repensando seus próprios atos. Interessante.

Este filme, por tudo isso, é um retrato do lado cínico e sem capacidade de comprometer-se que caracteriza parte das pessoas do nosso tempo. Todos muito ocupados em ter vidas vazias, sem maiores significados ou relações pessoais. Brandon sofre e vive uma rotina autodestrutiva, regada a sexo, bebidas, noitadas e alguma carreira de cocaína. Sissy sente-se frágil, sugere constantemente estar doente e acaba voltando, de forma recorrente, à tentativa do suicídio.

Os dois são lindos, inteligentes, tem oportunidades na vida. Ele, um ótimo trabalho – ainda que nunca fique evidente o que ele faça, mas ele está em uma empresa que parece ter futuro. Ela, com uma voz maravilhosa, pode virar uma estrela da noite cantando. Mas nenhum dos dois irmãos parece ser capaz de dar certo, de ser feliz. Sissy percebe isso e pede ajuda para o irmão tentando, ao resgatar o laço deles, ajudá-lo também. Não sabemos se isso dará certo. E pouco importa. O retrato, a crítica e a reflexão sobre este tipo de “enfermidade social” já estão feitos. E essa é a principal qualidade de Shame.

Pena que nem tudo seja perfeito nesta produção. Depois dos roteirista acertarem com o elemento de suspense e tensão e em não demorar muito para introduzir a ótima Carey Mulligan na produção, as boas ideias parecem ter quase evaporado. As cenas de sexo do protagonista se repetem, ficando cada vez mais estimulantes, é verdade. O drama da irmã dele também fica mais intenso, mas ela aparece menos do que deveria. O problema é que as situações se repetem além do desejado. O filme perde um pouco da força, ainda que a trilha sonora cheia de tensão tente deixar o espectador sempre neste estado de alerta.

Ainda que o filme não termine com uma conclusão óbvia, eu vi naquele olhar do ótimo ator Michael Fassbender na última cena no metrô uma diferença. Ele pareceu, finalmente, entender que não poderia seguir com aquela vida sem comprometimento. Talvez ele consiga mudar. Talvez não. Mas o olhar não parece mais ser o mesmo.

NOTA: 9,4.

OBS DE PÉ DE PÁGINA: Eis um grande trabalho do diretor Steve McQueen, que também assina o roteiro da produção ao lado de Abi Morgan. Ele acerta ao acompanhar de perto o protagonista e contar, através de seu olhar, os vícios de uma geração obcecada pelo prazer. Essa busca, com a Aids por aí, ainda incurável, é apenas mais uma forma de tentar acabar com a própria vida. E quem está imerso neste consumo desenfreado por sexo, parece incapaz de perceber que exagera na dose, que sua busca tornou-se uma enfermidade. Shame mostra isso, e um rápido lapso de consciência do protagonista quando ele joga sua imensa “coleção” fora.

Gostei do trabalho do diretor de fotografia Sean Bobbitt. Ele usa lentes que fazem a produção ter um ar frio permanente. As roupas escolhidas por David C. Robinson para o figurino da produção reforçam esse clima. Já a trilha sonora, fundamental para a produção e assinada por Harry Escott, cumpre bem o seu papel. No início. Depois, o filme perde o momento de mudar de tom. Gostei quando a música clássica entra em cena. Mas aquele ritmo de “filme de suspense” quase permanente chega a irritar um pouco.

Da parte técnica do filme, vale comentar ainda o bom trabalho do editor Joe Walker.

Como tantos e tantos homens por aí, David não se importa de sair à noite para caçar mulheres com um anel que mostra que ele é casado no dedo. Acho errado, com certeza. Mas pelo menos ele deixa claro, para quem quiser ver – e se importar – qual é o seu estado civil. Mais honesto que outros homens que fazem o mesmo, mas tirando o anel do dedo.

Existe pelo menos uma questão dúbia nesta produção. (SPOILER – não leia se você não assistiu ao filme). Não sei vocês, mas fiquei permanentemente na dúvida se Brandon e Sissy teriam tido alguma relação incestuosa anteriormente. Porque percebe-se que ele fica muito incomodado com a presença da irmã, e fiquei na dúvida se seria apenas porque ela estava quebrando a rotina dele – o que não é pouca coisa, concordo – ou se eles teriam alguma relação complicada e, quem sabe, sexual no histórico. Acho que esta questão não fica esclarecida, mas há uma certa sugestão no ar. Assim como não fica claro se Sissy estaria realmente com algum problema mais grave, como alguma doença, ou se ela estava apenas em mais uma fase de baixa estima gravemente baixa. São pontos sem resposta única e que fazem o filme ser ainda mais complexo e interessante.

Shame é, claramente, uma produção focada no trabalho de um ator. Se fosse um texto, seria uma narrativa em primeira pessoa. No caso, a ótima é do personagem de Brandon, por isso Michael Fassbender se destaca. Mas há espaço para pelo menos uma outra ótima atuação. No caso, do oposto do protagonista, encarnado pela personagem de Carey Mulligan. Maravilhosa. A versão dela de New York, New York é incrível. Uma das melhores que já ouvi.

Mas na produção, claro, há espaço para alguns coadjuvantes. Além do já citado James Badge Dale, que interpreta o cafajeste chefe de Brandon, vale citar o trabalho de Nicole Beharie como Marianne. Ainda que o diálogo dela com o protagonista pareça um pouco premeditado no restaurante, ela toca na ferida dele. E ajuda Brandon, em outro momento, a perceber que tem um problema sério a ser tratado. Ela está muito bem, ainda que não apareça muito.

Muitos filmes competentes são de baixo orçamento. Shame é mais um exemplo disto. Esta produção teria custado aproximadamente US$ 6,5 milhões. Para vocês terem uma ideia, The Descendants, que não tem nenhum grande efeito especial e pode ser considerado um bocado “cru”, custou mais de três vezes isto – ou US$ 20 milhões.

Mas sem tanto apelo e nenhuma indicação ao Oscar, Shame não se saiu bem nas bilheterias dos Estados Unidos. Até o dia 26 de fevereiro ele tinha arrecadado pouco mais de US$ 3,8 milhões nas terras do Tio Sam. No restante dos países onde estreou, ele conseguiu pouco mais de US$ 9 milhões. Ufa, ainda bem! Pelo menos ele se pagou e conseguiu algum lucro. Mesmo que o público estadunidense não tenha ajudado muito para isso.

Shame estreou em setembro no Festival de Veneza. Depois, ele participou de outros 10 festivais, incluindo os de Toronto, San Sebastian e Londres. Nesta jornada, ele conquistou 21 prêmios e outras 41 indicações. Números importantes. Entre os que recebeu, destaque para os prêmios FIPRESCI e CinemAwenire como Melhor Filme no Festival de Veneza, onde o ator Michel Fassbender foi premiado ainda como Melhor Ator no Volpi Cup. Destaque também para o prêmio de Melhor Ator recebido por Fassbender no British Independent Film Awards e o prêmio de Melhor Atriz Coadjuvante para Carey Mulligan no Hollywood Film Festival.

Esta produção foi ignorada pelo Oscar, mas teve Michael Fassbender indicado ao Globo de Ouro de Melhor Ator – ele perdeu a estatueta para George Clooney, por The Descendants.

Curiosidades sobre o filme: ele foi rodado em apenas 25 dias; a cena em que Carey Mulligan canta foi rodada em tempo real, com a atriz realmente soltando a voz e com os dois atores que aparecem em cena presenciando, pela primeira vez, o desempenho dela como cantora. Outras curiosidades sobre esta cena: ela foi rodada as três horas da manhã e teve três câmeras focando os atores individualmente – para que fossem captadas as suas reações em detalhes (ou seja, Fassbender realmente chorou com a performance).

E mais uma: Fassbinder disse que realmente urinou na cena em que ele aparece fazendo isso – e que aquela sequência foi rodada três vezes, com ele repetindo a “performance” em cada uma. Para finalizar, o hotel onde Fassbender transa com Amy Hargreaves na frente da janela, o Manhattan’s The Standard, inaugurado em 2009 próximo do parque High Line, é conhecido por várias cenas similares, de clientes que transam na janela podendo ser assistidos por pedestres que passam abaixo.

Shame foi totalmente rodado em Nova York, mas é uma produção 100% inglesa.

Os usuários do site IMDb gostaram do filme, dando para ele a nota 7,9. Os críticos que tem seus textos linkados no Rotten Tomatoes chegaram bem perto desta avaliação, dedicando 140 críticas positivas e 36 negativas para a produção, o que lhe garante uma aprovação de 80% e uma nota média de 7,4.

Carey Mulligan, mais uma vez, mostra um ótimo gosto na escolha de seus papéis. E ela brilha. Vejo que ela terá cada vez mais destaque no cinema e será uma questão de tempo para aparecer no Oscar como indicada outra vez.

Este é o segundo longa do diretor londrino Steve McQueen. Antes, ele dirigiu Hunger, muito elogiado – e que eu ainda não vi, mas está na minha lista. Antes destes, ele fez apenas o curta Exodus. Atualmente, ele trabalha na pré-produção de Twelve Years a Slave, estrelado novamente por Michael Fassbender e ainda com Brad Pitt. Ele vale ser acompanhado.

CONCLUSÃO: Duas pessoas estão gritando por ajuda, ainda que sejam incapazes de verbalizar com clareza os seus próprios desesperos. A vida passa, o tempo corre, e quando os dois percebem, estão sozinhos. Ele, não fica nenhuma noite desacompanhado. Ela, procura abrigo na casa dele e atenção cantando delicadamente. Os dois são bons sedutores, mas não conseguem emocionar-se. Apenas gozam. Shame fala de sexo, prazer, solidão e desespero. Não é um filme fácil, mas também não é simples o cenário em que vivemos. Eis um retrato interessante de dois adultos belos, com muitas razões para serem valorizados, mas que se depreciam a cada dia. A história é ótima, mas só peca um pouco pela falta de ritmo. Algumas repetições também poderiam ter sido evitadas. E é bom que você esteja preparado para um semi-pornô. Ainda que o sexo não seja explícito, há muitas e reiteradas cenas do gênero. Mas todas elas se justificam é claro. Belo trabalho do diretor e dos dois atores principais. Este trio merece ser acompanhado.

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7 thoughts on “Shame

  1. Olá Alessandra, tudo bom?

    gostei do filme, embora em algum momento parece que o tempo parou, e que nada mais iria acontecer e a história num iria à lugar algum.
    Um filme muito bem filmado e com ótimas atuações, onde três cenas me chamaram muito atenção, a do metro que você mencionou seguida da espera dele pelo elevador até entrar no apartamento, parecia ao vivo aquilo…
    A cena da personagem de Carey Mulligan cantando é impecável temos a impressão de estarmos no restaurante assistindo, e outra é a cena que considero a mais angustiante e triste do filme, quando a personagem de Michael Fassbender não consegue ter relações sexuais com a colega de trabalho…
    O filme realmente enquadra o comportamento de Brandon, o abuso e “mal uso” da função sexual e seu comportamento diante de outras pessoas, principalmente com sua irmã, sua única família… um verdadeiro vôo solo, repetitivo, triste e sem perspectivas…

    Parabéns mais uma vez pelo site!!

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    1. Olá Marcus!

      Tudo certo.

      Concordo contigo. Há momentos no filme em que sentimos esta angústia, de que nada acontece. Para mim, algo muito planejado. Afinal, esta é a sensação do protagonista. E acertaram em conseguir fazer com que a gente sentisse o mesmo.

      Estas três cenas são fantásticas, tens razão. Assim como aquela dele correndo pela rua, tentando sentir algo…

      Que bom que você gostou do filme e de passar por aqui outra vez.
      Obrigada pelo teu incentivo. E volte mais vezes, viu?

      Abraços e inté!

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  2. É bem pertinente sua dúvida sobre a personagem da exuberante Carey Mulligan, no que diz respeito a uma possível relação anterior com Brandon. Ela parecia se sentir “a vontade” demais na presença dele ou sei lá, talvez a coisa fosse mais paternal. Realmente intrigante.
    Apesar de ser bombardeado com as indesejáveis cenas onde a anatomia do rapaz é exibida quase sem sentido algum, achei um filmaço com um aspecto quase documental, já que nas “entrelinhas” podemos claramente ler, baseado em fatos reais.

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    1. Oi Mangabeira!

      Mais uma vez muito legal te “encontrar” por aqui.

      Também acho que a relação tão próxima deles poderia passar pela questão paternalista, e por dependência afetiva dos irmãos… mas também pode haver uma tensão sexual ali.

      hahahahaha. Será que eu posso falar o mesmo que você em todos os filmes em que mulheres nuas ou seminuas aparecem na telona “quase sem sentido”? Em outros filmes, especialmente com mulheres, isso acontece muito. Aqui, acho justificadas as cenas com ele – afinal, o narcisismo, o culto ao corpo e ao sexo fazem parte da história. Mas entendo que quebrar “padrões” de filmes sempre seja mais difícil de “engolir”.

      Também gostei muito do filme pelo “realismo” que ele traz. Bem bacana.

      Obrigada por mais esta visita e comentário. Abraços e inté!

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  3. Olá! Não vejo nenhum aspecto negativo no filme, pois senti que o propósito era bem o de retratar a atmosfera quente, viciada, poluída, rarefeita de vida, atormentadora a que a compulsão sexual induz nos que nela ficam magnetizados. A presença do sexo em cena no filme é como que assexuada, não dá tesão, pelo contrário, dá é mesmo repulsa -a não ser que haja em si algo do auto masoquismo emocional de Brandon, essa tendência de querer sentir culpa, falta, esvaziamento através do sexo, algo que, para quem esteja inserido nesse universo, é muito estimulante.
    Conclusão: um filme muito bom.

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  4. Eu interpretei o filme de uma maneira totalmente diferente da sua, fui atrás de críticas sobre o filme é encontrei uma feita por psicólogos que refletiram os mesmos pensamentos q os meus. Brandon era claramente apaixonado por sua irmã, estava óbvio um relacionamento incestuoso no passado, por isso ele se afunda nessa promiscuidade, e por isso ele n suporta vê-la cm outros homens.

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