Blackfish – Blackfish: Fúria Animal


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Gosto de assistir a documentários porque a maioria deles coloca o dedo nas feridas. Claro que volta e meia nos encontramos com histórias de vida edificantes e interessantes. Mas em tantas outras vezes o foco dos diretores é um assunto que merece ser debatido e questionado. Este é o exemplo de Blackfish, uma produção que vai fundo no trabalho de organizações como o SeaWorld. O objetivo do filme é claro: questionar o trabalho nestes parques, o tratamento dado às baleias e o treinamento das equipes. Mesmo deixando a conclusão para o espectador, Blackfish é bastante claro na crítica, mexendo com um gigante do entretenimento que está na bolsa e tem muito poder no mercado.

A HISTÓRIA: Começa no dia 24 de fevereiro de 2010 no SeaWorld Orlando. Ouvimos o áudio de um atendimento do Corpo de Bombeiros. Uma mulher avisa aos bombeiros que há uma treinadora na água com uma baleia e que eles precisam de socorro. A equipe que for enviada deve ir para o Shamu Stadium. O áudio seguinte é do gabinete do delegado do condado de Orange. Um homem pede para que eles atendam ao chamado de uma pessoa morta no parque SeaWorld. Um dos treinadores teria sido comido por uma baleia. Enquanto ouvimos as gravações, acompanhamos cenas de interações de baleias com treinadores dentro destes parques em filmagens submersas. Daí corta para um comercial da SeaWorld que mostra as baleias como um sonho. E começam os depoimentos do filme que mergulha na lógica de parques como o SeaWorld, combatidos em diversos processos judiciais e por variadas personalidades e campanhas, mas que seguem abertos e faturando alto.

VOLTANDO À CRÍTICA (SPOILER – aviso aos navegantes que boa parte do texto à seguir conta momentos importantes do filme, por isso só recomendo que continue a ler quem já assistiu a Blackfish): Interessante como esta produção começa com a pior notícia e depois faz uma virada radical. Saímos da informação de que uma treinadora de baleias foi morta para uma sequência de profissionais que trabalharam lá contarem as suas próprias histórias. De maneira muito estratégica a diretora Gabriela Cowperthwaite inicia com a notícia impactante para, depois, recuar apresentando o fascínio dos parques que ela irá atacar na sequência.

A estratégia funciona. E o filme, com depoimentos ricos e francos, não para até nos apresentar todos os seus argumentos contra a exploração de baleias nos parques SeaWorld. Os treinadores que passaram pela empresa contam como se interessaram pelo trabalho e como iniciaram as próprias carreiras – curioso como uma das entrevistadas, Kim Ashdown, desmistifica a preparação dos treinadores do parque. Diferente do que ela pensava, eles não precisavam saber muito sobre o cuidado dos animais. Bastava terem a personalidade adequada e saberem nadar bem.

As imagens de arquivo dos ex-treinadores são fundamentais para a narrativa. E no resgate destas imagens, Jeffrey Ventre vê a si mesmo jovem e, em seguida, ele e outros entrevistados vem a imagem de Dawn Brancheau quando eles eram jovens, em 1994. Na sequência, ficamos sabendo o quanto ela era uma das melhores, o que não evitou que ela fosse morta no trabalho.

A diretora cria impacto quando tira qualquer imagem de cena, coloca um fundo negro e “datilografa” a fala da detetive Revere, que pega o depoimento de Thomas George Tobin no caso 10-16715 do Departamento de Polícia de Orange County. Tobin é ouvido no mesmo dia em que Brancheau foi morta. Ao ser perguntado se ele viu algum sangue na água, ele diz que viu uma parte de Brancheau, que havia sido escalpelada, e que eles acreditam que o coração dela não batia mais. Seguindo o depoimento, ele conta que o braço dela foi engolido.

O espectador é apresentado, assim, a uma prévia do caso trágico. Passamos então para o caso movido pela Administração de Segurança e Saúde Ocupacional (OSHA, da sigla em inglês Occupational Safety and Health Administration) contra o SeaWorld. O argumento da organização é que trabalhar com as “orcas assassinas” é perigoso por natureza, e que a solução para o problema seria afastar as pessoas deste contato direto.

E é aí que entra a argumentação de Blackfish. Logo no início, foi impossível para mim não lembrar de outro documentário, The Cove – comentado aqui no blog -, e que acabou levando o Oscar em 2010. Depois falarei mais destas duas produções. Para defender a própria tese, a diretora de Blackfish apresenta a morte de Brancheau e a repercussão forte que ela teve na mídia para, na sequência, voltar 39 anos no tempo. 

Com algumas imagens de arquivo bastante raras, ela revela como foram feitas as primeiras capturas de baleias em 1970 em Washington. O depoimento do mergulhador John Crowe, que participou daquelas capturas, é um dos mais fortes do filme. Não apenas por explicar a crueldade da captura das baleias mais jovens, que eram separadas das mães e famílias, mas por deixar claro que eles estavam cometendo um crime ao matar alguns animais.

Como explica o pesquisador de baleias Howard Garrett, depois de serem “expulsos” de Washington por causa de uma ordem judicial em 1976, os caçadores migraram para a Islândia, onde seguiram fazendo o mesmo. Depois de Crowe dizer que a pior coisa que fez na vida foi capturar baleias, somos apresentados a imagens da captura de uma baleia assassina macho com dois anos de idade que foi capturado no Atlântico Norte em 1983. O nome dele era Tilikum. E esta baleia macho será como a protagonista da história.

O ex-treinador de Sealand, Eric Walters, conta sobre a experiência que ele teve com a Tilikum no parque. Mas as afirmações do ex-diretor de Sealand, Steve Huxter, são bem elucidativas sobre o tratamento cruel que não apenas Tilikum mas os outros animais tinham no parque. Quando as baleias não faziam o que era pedido no treinamento, elas ficavam sem comer. E as mais velhas acabavam punindo o “novato” Tilikum. Inúmeras vezes – e isso vai acontecer depois no SeaWorld também – Tilikum e outras baleias eram muito machucadas.

Agora imaginem um animal inteligente e de forte característica familiar e social sendo enclausurado e torturado de diferentes formas – seja com a privação de comida, além da de espaço, e ainda sendo machucada com certa frequência? Que tipo de reação você pode esperar de um animal acuado e que frequentemente é mal tratado? Blackfish vai alinhando estas perguntas aos poucos.

E daí surge a primeira história de morte de um treinador. Em 20 de fevereiro de 1991, uma treinadora de Sealand, Keltie Byrne, foi morta por Tilikum. A diretora Gabriela Cowperthwaite consegue depoimentos importantes de duas irmãs que presenciaram tudo, Corinne Cowell e Nadine Kallen.

Aliás, um trunfo da diretora, apesar dela não ter conseguido o depoimento de ninguém da SeaWorld para o filme, foi encontrar as pessoas certas para falar do assunto das baleias assassinas. Ela conseguiu não apenas reunir um grupo de ex-treinadores do SeaWorld importante, mas também pegar muitas testemunhas oculares de fatos importantes, resgatar imagens e depoimentos históricos (de investigações policiais e de um julgamento contra a SeaWorld) e conduzir o filme de uma maneira que prende a atenção dos espectadores do início ao fim e nos surpreende.

Antes de mostrar o que seria feito com Tilikum, o filme argumenta com o depoimento de especialista sobre como as baleias assassinas se comportam na Natureza. Eles não apenas são animais dóceis, mas como tem uma grande inteligência e capacidade de comunicação, além de compreensão sobre si próprias e sobre os outros indivíduos da espécie.

Diferente das mentiras contadas pelos treinadores de SeaWorld, baleias como aquelas podem viver até a idade máxima dos humanos – ou seja, até por volta de 100 anos. Mas na Natureza, evidentemente. Porque enclausuradas em parques aquáticos elas duram a média de 25 a 35 anos.

Blackfish é contundente com estes e outros fatos. E depois parte para a reta final da narrativa, quando sabemos que mesmo tendo sido a baleia que vitimou Keltie Byrne, Tilikum acabou sendo levada para o Whale and Dolphin Stadium da SeaWorld em 1992. De acordo com o ex-treinador Jeffrey Ventre, Tilikum tinha o dobro do tamanho do segundo maior animal do local. E a partir daí a história foca as atenções em Tilikum.

Algo importante do filme é a explicação de como funciona a maquiagem do negócio do SeaWorld. Os ex-treinadores deixam muito claro que o assunto dos “acidentes fatais” não é algo que circule no meio. Sem contar a desinformação que é repassada para as equipes dos parques repetir até cansar para o público – como a de que as baleias vivem mais nos parques do que na Natureza (!!!wtf???).

A diretora Gabriela Cowperthwaite joga muito com a expectativa do público para saber os detalhes do caso de Brancheau. Ao ponto de que pensamos que vamos chegar aos “finalmentes” do caso antes do filme chegar a uma hora de duração, mas o desfecho só acontece mais de 20 minutos depois. Entre um momento e outro, sabemos de outros acidentes fatais ou que chegaram perto de ser, e de como, repetidas vezes, SeaWorld tentou responsabilizar os treinadores pelos casos em que eles saíram feridos ou mortos.

Blackfish não entrega a conclusão de bandeja para o público. Mas apresenta todas as ferramentas para que as pessoas possam tirar as suas próprias conclusões. O filme é contundente, mas não pega tão pesado com cenas fortes como The Cove. Naquele filme, não há espaço para aceitar o absurdo da morte de golfinhos. Porque nenhum argumento – mesmo o que trata da tradição – convence. Em Blackfish ainda há algum “encantamento” pela exibição de baleias que pode resistir.

Além disso, até imagino o comentário de algumas pessoas justificando estes parques porque, afinal, se podem existir zoológicos, por que não poderiam existir parques com animais marinhos? E de fato, se pensarmos de forma criteriosa, nem os zoológicos se justificam. Mas daí o debate vai longe, e o foco seria outro. E a situação das baleias, aparentemente, é ainda mais cruel que a de qualquer animal de zoológico. Blackfish sabe dar o seu recado.

NOTA: 9,3.

OBS DE PÉ DE PÁGINA: Como eu comentei antes, a diretora Gabriela Cowperthwaite sabe valorizar o caso de Brancheau. Em diferentes momentos do filme a morte da treinadora é lembrada, apenas para deixar “viva” a curiosidade da platéia. No fim das contas, todas as peças se encaixam, o que torna ainda mais revoltante a estratégia do parque em culpar a vítima por sua própria morte.

Algo interessante da parte final de Blackfish são as opiniões opostas dos ex-treinadores Mark Simmons e John Jett. Enquanto o primeiro defende a existência destes parques porque eles teriam aproximado as pessoas dos animais marinhos e ajudado em uma “educação” natural, o segundo afirma que não vai querer que a filha dele tenha esse tipo de contato com animais que são privados de sua vida natural. Interessante a escolha da diretora em colocar pontos de vista conflitantes – ao invés de optar pelo caminho mais cômodo de deixar apenas a opinião de Jett, que evidentemente iria mais de acordo com a “teoria” que o filme quer defender.

No final do processo da OSHA contra SeaWorld, decidida no dia 30 de maio do ano passado, o juiz Ken Welsch determinou que os treinadores da rede de parques trabalhem atrás de algumas barreiras, separados das orcas. No fim das contas a morte de Brancheau provocou uma mudança na indústria. Mas o problema é que estes parques continuam existindo. E por mais que, de fato, eles propiciem algumas imagens belíssimas e uma experiência indescritível, as pessoas deveriam se perguntar a qual custo elas estão obtendo aquele prazer. Ou não?

Sou natural de um Estado em que existe uma experiência interessante – mas da qual eu nunca participei: a observação de baleias francas. Mas esta prática, que era feita em Santa Catarina, foi suspensa por decisão da Justiça em maio deste ano. A justificativa era que os barcos que levam os turistas para observar as baleias que passam pelo litoral prejudicaria os animais. Agora, imaginem que estamos falando da observação de baleias livres… e já há todo este cuidado da Justiça sobre o tema. Mas é um tipo de observação que me parece muito mais respeitosa do que os parques aquáticos que privam os animais de uma vida saudável.

Nenhum entrevistado sobra neste filme. Mas é preciso tirar o chapéu para os ex-treinadores que decidiram revelar os bastidores dos parques aquáticos. Entre outros, vale citar os nomes de John Hargrave, Samantha Berg, Mark Simmons, Carol Bay, Dean Gomersall, John Jett e Jeffrey Ventre.

Interessante como Blackfish já teve algumas reações importantes. Para começar, a Barenaked Ladies cancelou uma apresentação que faria no parque temático SeaWorld de Orlando depois que o baterista Tyler Stewart assistiu ao filme. Os fãs da banda fizeram uma petição online para que eles desistissem do show marcado para fevereiro de 2014 e foi o que eles acabaram fazendo. Aqui está a notícia completa sobre a desistência com as justificativas da banda.

Depois, foi a vez de Willie Nelson pular fora de um acordo para se apresentar no SeaWorld de Orlando. De acordo com esta notícia da CNN, a atitude do cantor pode ter sido uma resposta a uma petição online que tinha 9 mil assinaturas no último dia 6 e que pedia para Nelson não se apresentar no parque após os fatos mostrados em Blackfish. A versão oficial da SeaWorld foi que Nelson desistiu por causa de um “conflito de agendas”. Ah, ok. 🙂

Aliás, vale ressaltar que Blackfish é uma produção da CNN. O canal de TV exibiu o filme para o grande público em outubro, o que fez ele chegar a muito mais gente e ter uma repercussão maior.

Acho importante, sempre, o debate saudável. Por isso mesmo, para quem gostou do filme, recomendo a leitura de dois textos. Deste, assinado por Michael Scarpuzzi, vice-presidente de operações zoológicas do SeaWorld San Diego que defende o “outro lado do balcão”. Scarpuzzi é o contraponto de Blackfish e traz informações que o documentário ignora. E também recomendo este, assinado pela diretora Gabriela Cowperthwaite e que explica as motivações dela para filmar Blackfish. Ambos são importantes. E o de Cowperthwaite, em especial, inspirador.

O trabalho da diretora de Blackfish me parece mais uma história de Davi contra Golias. Porque ela “afronta” e provoca uma indústria bilionária. O conglomerado SeaWorld começou a sua história em 1959 com um “pequeno santuário para pássaros e jardins” chamado Busch Gardens. Em pouco tempo o local seria expandido para um zoológico, até que em 1964 foi aberta a empresa SeaWorld, tendo como sócios George Millay, Milt Shedd, Ken Norris e David DeMott.

No primeiro ano, o SeaWorld de San Diego, na Califórnia, atraiu 400 mil visitantes atrás de golfinhos e leões-marinhos. De acordo com o site da empresa, atualmente existem três parques aquáticos SeaWorld nos Estados Unidos: além do original, em San Diego, existem o de Orlando, na Flórida, e o de San Antonio, no Texas.

O grupo que administra estes complexos também trabalha com outros formatos de parques. De acordo com esta notícia da Exame, 24 milhões (!!!) de pessoas visitaram os 11 parques do grupo em 2012, o que fez com que o SeaWorld faturasse US$ 1,5 bilhão – um crescimento de 19% em dois anos. Além disso, o SeaWorld Entertainment entrou na bolsa dos EUA em abril deste ano conseguindo US$ 702 milhões. Um negócio muito lucrativo e que tem altos interesses em “abafar” propagandas contrárias como pode ser um filme como Blackfish. Então, mais uma vez, ressalto a coragem de Cowperthwaite de comprar uma briga deste tamanho!

Um dos grandes acertos de Blackfish é a duração do filme. Ele tem cerca de 1h20min de duração. Tempo ótimo, porque consegue prender a atenção do espectador do início até o fim sem cansar.

Além de dirigir, Gabriela Cowperthwaite é responsável pelo roteiro de Blackfish, que assina junto de Eli B. Despres; pela edição do filme, que também divide com Despres; além de ser coprodutora. Ela apresenta uma direção segura e consegue uma narrativa bastante ajustada e com propósitos claros. Achei um trabalho bem honesto. A edição conta muito para o efeito final.

Blackfish estreou no Festival de Sundance em janeiro. De lá para cá, o filme participou de outros 11 festivais. Neste caminho, foi indicado a dois prêmios, mas não ganhou nenhum até o momento.

Não há informações sobre o custo de Blackfish. Mas até o dia 13 de outubro o filme tinha conseguido pouco mais de US$ 2 milhões nas bilheterias dos Estados Unidos. Não é muito, mas também não é algo que pode ser desprezado para um documentário.

Este é apenas o segundo documentário dirigido por Gabriela Cowperthwaite. Antes, ela havia feito a City Lax: An Urban Lacrosse Story junto com Tor Myhren.

Os usuários do site IMDb deram a nota 8 para Blackfish, o que é uma boa avaliação. Os críticos que tem os seus textos linkados no Rotten Tomatoes também foram enfáticos: dedicaram 103 textos positivos e apenas dois negativos para a produção, o que lhe garante uma aprovação de 98% e uma nota média de 7,9.

Este é um filme 100% Estados Unidos. Sendo assim, como vocês sabem, ele entra naquela lista de produções que atendem ao resultado de uma das votações feitas por aqui.

CONCLUSÃO: Esta é uma produção corajosa porque confronta interesses muito poderosos. E não é nada fácil fazer isso. Mas a diretora Gabriela Cowperthwaite não voltou atrás e seguiu com o propósito de fazer um documentário sobre os absurdos que são feitos com as fofíssimas baleias que milhares – ou milhões? – de pessoas adoram ver nos parques SeaWorld e similares. A nota acima vale por esta coragem. Porque o filme, ainda que bem planejado e bem conduzido, não tem o impacto que outra produção recente teve. The Cove foi muito mais contundente na denúncia do que os exploradores da vida marinha são capazes de fazer. Também a temática de The Cove era mais complexa. Consequentemente, rendeu um filme melhor. Mas este Blackfish é bastante honesto e acrescenta mais uma boa colherada de informações para que as pessoas tomem consciência desta indústria lucrativa e que explora os animais e muitos trabalhadores. Quem sabe, um dia, possamos nos divertir sem explorar e castigar outros animais.

PALPITES PARA O OSCAR 2014: Este é apenas o segundo documentário que eu assisto da lista dos 15 pré-indicados ao Oscar do próximo ano. Ainda falta assistir a outras produções bem cotadas. Mas o que eu posso comentar, desde agora, que a coragem de Blackfish e a qualidade da produção podem levá-la até a reta final, na lista dos cinco indicados. Se conseguir isso, a diretora Gabriela Cowperthwaise já terá conseguido uma grande vitória.

Este filme lembra, por muitas razões, como eu comentei anteriormente, o premiado com um Oscar The Cove. Mas Blackfish sai perdendo, na comparação. Além de ter saído na frente, The Cove me pareceu muito mais contundente – mesmo não tratando tão diretamente dos parques aquático como é o caso deste Blackfish. De qualquer forma, o filme de Cowperthwaise faz uma contribuição importante para o debate. E mostra grande coragem de enfrentar o poderia do grupo SeaWorld.

Agora, falando exclusivamente de cinema e de inovação, devo dizer que gostei mais de Stories We Tell – comentado aqui no blog. O filme dirigido por Sarah Polley me pareceu mais ousado na proposta e na linguagem, além de tocar em temas contemporâneos muito interessantes.

Claro que pelo ponto de vista de importância social, Blackfish sai ganhando. Sem contar que o filme rompe a aura de inocência e de beleza de uma experiência importante para milhões de norte-americanos e turistas de outros países que, durante décadas, visitaram os parques SeaWorld. Ainda assim, tratando apenas de cinema, acredito que Stories We Tell se mostre uma obra com uma diferenciação maior. Meu voto, se ele contasse (hehehehe), iria para Stories We Tell. De qualquer forma, acredito que as duas produções tem grandes chances de chegar na lista de finalistas do Oscar. Agora, falta assistir às demais.

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8 comentários em “Blackfish – Blackfish: Fúria Animal

  1. Seu blog continua sendo uma fonte de entretenimento e informação. 3º documentário que vejo a partir de sua crítica. Sem fazer comparações com outros esse também é pesado e doloroso. Mas a revolta mesmo veio depois de ver o documentário, acessar o site do SeaWorld. Lá tem uma carta aberta explicando como eles lidam com as baleias. Bem, eu não consegui passar do 3º parágrafo, ou melhor da terceira mentira. Pode ter mudado alguma coisa para segurança dos treinadores, mas para as baleias, o futuro continua sombrio. O dinheiro impera, compra, paga e cala os gritos de revolta. O documentário deveria ser exibido em cadeia nacional, escolas etc..Só assim os verdadeiros patrocinadores (que somos nós) faríamos um império daqueles cair de verdade. Não custa sonhar.

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  2. recomendo fazer uma pesquisa sobre o background do documentário. ele foi feito com muita manipulação de depoimentos, treinadores que trabalharam muito pouco tempo no sea world (inclusive um que foi demitido por maus tratos), e informação errada.

    eu nao duvido da capacidade humana para a crueldade, porém esse filme nao é uma boa fonte de informações

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  3. É um documentário bem dirigido. Provoca sentimentos de compaixão, revolta, tristeza… coloca o ser humano frente a frente com ele mesmo, pois mostra o que somos capazes de fazer, nesse caso, para simplesmente divertir alguns e enriquecer outros, só! O direito do animal existir em sua plenitude, explorando suas potencialidades de caça, reprodução e fuga é completamente ignorado e justificado de forma imoral. Nenhum documentário e, é possível se arriscar dizendo, nenhum estudo científico é capaz de apresentar a dimensão do sofrimento (sim, os animais sofrem!) imposto a esses animais, não interessa o amor declarado por alguns treinadores, eles não pediram e não precisam desse amor. Ou melhor precisam de outro tipo de manifestação desse sentimento sublime, quem ama liberta! quem ama, preenche a alma com uma felicidade verdadeira ao ver o ser amado voar para onde quiser (nesse caso, nadar).
    Educação ambiental NÃO se faz em zoológicos! ensinar às crianças que prender os bichinhos é legal é um total contrassenso, que valor é esse? Não importa se as maravilhosas condições desses forem criadas pela NASA ou pelo Chico que alimenta os animais, nenhuma jaula é capaz de imitar a sensação de correr, nadar ou voar livremente.
    Todo esse comentário pode parecer sentimental, ele é! Quando nos colocamos verdadeiramente no lugar do outro é impossível não sofrer pelos seu sofrimentos ou não se alegrar pelas suas alegrias. Porém, colocar-se no lugar do outro não deixa de ser uma atitude racional, fazer isso dignifica a condição humana, cria valores individuais que culminam em valores sociais fundamentais para a formação de um mundo cada vez melhor, um mundo cantado por um certo poeta pop, “Heal the world, Make it a better place, For you and for me and the entire human race”.

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