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Minari – Minari: Em Busca da Felicidade


Por quantos temporais uma relação pode passar? Quantos desastres alguém é capaz de suportar? Existe um limite para tudo, na vida, mas também a vida persiste e as pessoas buscam sempre o recomeço. Minari é um dos filmes que eu assisti após o Oscar 2021 ter sido realizado. Infelizmente, um dos poucos filmes que eu assisti no ano. Gostei do que eu vi, ainda que o filme tenha se revelado abaixo da minha expectativa.

A HISTÓRIA

Uma família viaja de carro. Na frente do veículo, um caminhão de mudança. No volante do carro, está Monica (Yeri Han). A paisagem é feita de casas e de muito verde. O meio é rural, e o novo endereço é um trailer. Monica sai do carro e pergunta o que é aquilo. Jacob (Steven Yeun) responde que é a nova casa deles. Os filhos correm e se animam com o local, mas Monica diz que não foi isso que Jacob prometeu para eles. Ali começa a nova fase na vida da família de coreanos que busca prosperar na América do Tio Sam.

VOLTANDO À CRÍTICA

(SPOILER – aviso aos navegantes que boa parte do texto à seguir conta momentos importantes do filme, por isso recomendo que só continue a ler quem já assistiu a Minari): O burburinho foi grande sobre este filme. Eu tinha muita expectativa sobre ele e, como vocês bem sabem, toda expectativa grande é difícil de ser alcançada. Minari é uma bela produção, um filme delicado, com muitas sutilezas e um elenco ótimo, mas a história em si não é surpreendente ou realmente marcante.

Sim, imagino que ao escrever isso, muitas pessoas que são fãs do filme vão ficar chateadas comigo. Não estou dizendo que Minari não é bom, mas que eu esperava algo um pouco mais marcante depois da chuva de elogios que a produção recebeu. Muitos, inclusive, acharam que ele poderia ganhar o Oscar de melhor filme. Apesar de ser bom, definitivamente ele não tem a profundidade de Nomadland (com crítica neste link). Ao menos para o meu critério, é claro.

Vejamos sobre o que este filme trata. (SPOILER – não leia se você não assistiu ao filme ainda). Essa produção trata sobre a busca pela prosperidade de um casal jovem coreano, com dois filhos ainda na infância, em solo americano. Lá, eles tem que encarar um emprego desgastante e que paga pouco. Eles vivem mal, sempre com o dinheiro contado, mas após 10 anos de trabalho na Califórnia, Jacob consegue juntar dinheiro para comprar uma fazenda no Arkansas.

A vida da família muda bastante com a mudança, é claro. Porque eles saem de uma cidade urbana para ir para o interior. A expectativa do casal é muito diferente, assim como as preocupações e a forma de pensar. Claramente, o casamento de Monica e Jacob vive um momento difícil. Enquanto o marido acredita no recomeço, Monica parece descrente.

Minari trata, portanto, sobre como o amor e o casamento enfrentam diversos desafios. Um relacionamento supera tudo? O amor consegue superar todas as frustrações, diferenças, ameaças de tornado, falta de dinheiro, de água, incêndio, risco de morte de um filho? Sobre isso que este filme trata. Sobre as diferenças de expectativas, as dificuldades e a capacidade de superação de tudo isso quando o amor e a família falam mais alto.

Mas esse filme não era sobre imigrantes e como os Estados Unidos não é a terra para todas as oportunidades para todos? Algum lugar é capaz de ser a “terra prometida” para todos? Acredito que não. Claro que os Estados Unidos sempre venderam bem a ideia de “sonho americano”, mas isso já mudou bastante com o tempo e com a dificuldade do país – como todos os outros com o mesmo perfil – de dar oportunidades para todos.

Então sim, Minari também trata sobre estas questões. Aborda, a exemplo de outros filmes recentes, esta questão do “sonho americano” e o quanto ele é real ou ilusório. Trata, especificamente, sobre os coreanos e descendentes de coreanos nos Estados Unidos. Cultura cada vez mais valorizada, admirada e “exportada”, claro que um filme que trate uma família coreana ganha interesse logo de cara.

E essa é uma das qualidades desta produção. Minari mergulha na intimidade de um casal coreano que teve os filhos nos Estados Unidos. A proposta do protagonista, inclusive, é a de seguir valorizando a cultura coreana ao produzir alimentos que fazem parte da culinária deles. Como ele comenta para a filha, Anne (Noel Cho), milhares de coreanos chegam nos Estados Unidos a cada ano.

Produzir alimentos típicos desta cultura para suprir a necessidade deste coletivo faz sentido. Mas nem tudo funciona como as pessoas sonham, especialmente quando elas sonham sozinhas, sem fazer a salutar pesquisa de mercado ou a conversa com distribuidores e possíveis parceiros antes de começar o plantio.

Jacob comenta com Monica que ele é o filho mais velho e, por isso, tem o dever de sustentar a família. O problema dele, como de tantos outros homens, não importa a origem deles, é a de fazer antes de pensar e refletir. Ele diz para o filho, David (Alan S. Kim), que diferente dos americanos, que tem “crendices” e acreditam em forquilhas para achar água, os coreanos usam a “cabeça”.

Esse é um exemplo, de vários outros, de como a adaptação da família que acompanhamos nesta história é relativa. Eles querem fazer a vida dos Estados Unidos, mas estão lá por causa do dinheiro e das “oportunidades” que o país oferece para quem deseja trabalhar duro. Mas não admiram os americanos e seguem com a mesma cultura que tinham na Coreia.

Sem problemas seguir e preservar a própria cultura. É claro. Mas faz sentido, realmente, ir para outro país e não aprender nada com ele? Será mesmo que os Estados Unidos só tem dinheiro a oferecer, nada mais? Isso que Minari dá a crer. A relação mais próxima que a família estabelece no Arkansas é de um veterano de guerra hiper cristão que carrega uma cruz para pagar penitências, Paul (Will Patton).

Apesar de estar disposto sempre a trabalhar junto com Jacob, Paul claramente traz cicatrizes da guerra e parece uma pessoa um tanto “descolada” da realidade. O personagem dele, assim como outros americanos mostrados neste filme, parecem caricaturas.

Por mais que parte da cultura dos Estados Unidos seja construída no materialismo e no consumismo, aquele país é gigante e muito diverso. Certamente a família de Monica e Jacob poderia aprender algo com essa cultura diversa, se estivessem dispostos a isso – especialmente Jacob.

Ele, como tantos outros homens, está muito certo e seguro de si. Busca ser forte com toda essa certeza, já que é o “provedor”, o “responsável” pela família. Mas ele não poderia, ao invés de assumir esse papel todo para si mesmo, dividir um pouco mais das responsabilidades e, principalmente, das decisões com a esposa?

Afinal, eles estão no mesmo barco. Estão juntos, ainda que grande parte das decisões sejam tomadas apenas por ele. Mas Monica, assim como outras mulheres que estão em um casamento, querem ser ouvidas e não apenas seguir o que o “homem da casa” acha certo.

Até porque, diferente do que a maior parte dos homens pensam, eles não tem todas as respostas, assim como suas esposas. Então por que não dividir um pouco a responsabilidade? Por que não admitir que são indivíduos que acertam e que erram, como qualquer outro, e que é muito menos pesado ter que ficar demonstrando que se é forte e que se tem tudo no controle quando ninguém é forte o tempo todo e temos pouco da vida sob controle, de fato?

Dividir responsabilidades, decisões e as “cargas” que aparecem na vida pode tornar tudo mais simples, menos pesado. Isso é algo que o protagonista deste filme aprende, após sofrer um bocado. Mas fora a questão do casal, que é bastante presente nesta história, e da busca da família por uma vida melhor nos Estados Unidos, Minari trata de outras questões, como a proximidade de um neto com a avó que ele não conhecia até que ela é chamada para ajudar nesta nova fase da família.

Temos um encontro geracional muito interessante neste filme. A gigante e maravilhosa atriz Yuh-Jung Youn faz a avó de David, que conheceu o neto apenas quando ele tinha sete anos de idade. Ela é uma figura, uma avó nada convencional. Inicialmente, David resiste à ela, diz que ela não é uma avó de verdade, mas a relação e as trocas entre eles são um contraponto interessante da aridez da vida do casal Monica e Jacob.

(SPOILER – não leia… bem, você já sabe). Ainda assim, mesmo a relação entre avó e neto sendo a parte suave e divertida da história, a fragilidade do menino coloca um ponto de tensão constante no filme. A cada “aventura” de David com a avó por aí, tememos que algo aconteça com ele. Minari, tem, assim, por boa parte do filme, essa tensão no ar, essa ideia de que uma tragédia familiar possa acontecer a qualquer momento.

Como a vida mesmo, muitos problemas acontecem na trajetória da família que busca pela própria independência no Arkansas. Essas tentativas e erros, acertos e frustrações que devem ser administradas, fazem as pessoas se aproximarem e, algumas vezes, se afastarem. Mas a troca entre as diferentes pessoas desta família é o que torna Minari interessante. A exemplo da planta que dá nome ao filme, essa família também cresce tendo que se superar e após encontrar o que é essencial para eles.

Diferente do que Jacob acredita, que deve quase se destruir trabalhando, poupando o máximo de dinheiro e tudo o mais para conseguir uma ótima colheita e fazer sua fazenda dar certo, o que fará a família dar certo é a união. Juntos, vivos, eles podem conquistar o que desejam. Com o tempo, superando todas as dificuldades, sem desistir apesar dos problemas variados e das frustrações.

Tem um certo momento do filme no qual a avó comenta que o casal de protagonistas briga por tudo. Isso é quase verdade. De fato, eles brigam demais. Mas estão brigando por visões diferentes de futuro, o que nunca é pouco. A verdade é que quando duas pessoas se casam, dificilmente elas realmente conhecem o suficiente umas às outras. No caminhar é que as pessoas se conhecem, de fato – enquanto indivíduos e em uma relação. Algumas vezes as diferenças são superadas pelo amor e por visões de futuro parecidas. Outras vezes, isso não é possível.

Mas, no final das contas, o fundamental é nunca perder o foco do essencial. Minari trata disso. Mas o difícil, algumas vezes, é encontrar esse essencial. Muitas pessoas se perdem gastando energia e tempo no que não é realmente importante, até que não exista mais tempo ou energia para gastar. Mas enquanto há vida, há possibilidades, inclusive de recomeçar. Minari trata muito bem sobre isso.

Nesse aspecto, o filme acerta em cheio. Mas eu esperava um pouco menos de lugares-comuns e de estereótipos em uma produção que foi tão comentada e “badalada”. O desenvolvimento da produção, incluindo suas “reviravoltas”, acabou sendo um bocado previsível. Então o que diferencia esta produção, realmente, é o elenco e a direção atenta aos detalhes de Lee Isaac Chung, responsável também pelo roteiro do filme.

No mais, Minari é um filme ok, que nos mostra como, independente do país ou da cultura de origem, somos mais parecidos nos nossos sonhos, desejos, dores, desafios, lutas cotidianas e superações do que muitas vezes estamos dispostos a perceber.

NOTA

8,8.

OBS DE PÉ DE PÁGINA

Minha gente, que ano foi esse??? Uma prova de como este ano de 2021 foi difícil é que eu atualizei este blog apenas em janeiro, fevereiro e abril e, depois destes meses, apenas agora, nesta última crítica do ano. Acho que este foi o ano em que menos vi filmes na vida. Esse Minari mesmo, assisti, acredito, que em junho. Então é complicado falar sobre uma produção que eu assisti há tanto tempo.

Claro que para escrever essa crítica, não me fiei apenas na minha memória. Coloquei Minari para rodar na televisão de casa para relembrar sobre a história e seus detalhes, mas fazer isso não é o mesmo que escrever sobre o filme assim que eu o assisti pela primeira vez – e que é o que costumo fazer por aqui, escrever sobre a produção logo depois de assisti-la e antes de ver a outro filme. Mas paciência. Isso é o que 2021 me permitiu fazer.

Mas comento isso para dizer que esta não é a melhor crítica que eu poderia escrever sobre Minari. Tentei lembrar sobre o que eu senti ao ver ao filme pela primeira vez e repercutir por aqui questões que a história me passou naquela época e ao revê-lo em partes agora. Ainda assim, admito que não é a forma certa e melhor de trabalhar.

O que eu quero mesmo é fazer um 2022 diferente. Tentar retomar o blog com tudo, escrevendo bem mais do que em 2021 e recuperando as melhores temporadas deste site. Ele, eu e vocês merecemos! Então que esse seja um dos meus votos para 2022. Muito mais filmes, cinema e blog pra todos nós! 😉

Bem, depois destes vários comentários aleatórios sobre a vida e o blog, vamos voltar a falar sobre algumas questões envolvendo Minari. Como comentei na crítica acima, o ponto alto do filme, para mim, é o elenco. Poucos atores em cena, já que o filme está centrado na história de uma família em particular. Mas isso é suficiente para sermos conduzidos pela história escrita e dirigida por Lee Isaac Chung.

Aliás, este é outro ponto de destaque do filme. A direção de Chung. O diretor de 43 anos contou uma história sobre a qual ele conhece bem. O próprio Chung é filho de imigrantes coreanos. Ele nasceu em Denver, no Colorado, e foi inspirado, certamente, por sua cultura, assim como vivenciou de perto os desafios e as perspectivas dos imigrantes nos Estados Unidos. O roteiro de Minari, portanto, foi escrito com propriedade. Mas a direção dele é que se destaca.

Chung tem um olhar diferenciado e cuidadoso para os personagens de seu filme e também para o local em que eles vivem. Há várias sequências em Minari que são um verdadeiro deleite, uma pausa e uma brisa de beleza e de calma em meio a tantos momentos de tensão, incerteza e problemas enfrentados pela família que protagoniza a história. Essas sequências são mérito do diretor e também do diretor de fotografia Lachlan Milne. Belo trabalho de ambos nestes aspectos.

O roteiro do filme, com comentei antes, é bom, mas não é excepcional. Ele tem muita verdade, pelas experiências que Chung passou, mas também tem uma boa dose de lugar-comum e de estereótipos. Parte da escrita nos apresenta momentos interessantes, mas parte é apenas uma repetição de outras histórias já vistas e conhecidas, sem uma grande novidade neste sentido.

Lendo um pouco sobre a história de Chung, fica ainda mais evidente como ele utilizou a própria história como inspiração neste filme. Filho de imigrantes coreanos, ele cresceu em uma fazenda de pequeno porte no Arkansas – como David e sua família. Como diretor, ele estreou com o curta Highway em 2004. Depois de outros dois curtas, ele lançou o primeiro longa, Munyurangabo em 2007. Antes de Minari, ele tinha dirigido outros três filmes, incluindo um documentário que ele assinou como codiretor. Atualmente, Chung mora em Nova York e trabalha, entre outros projetos, em uma produtora de filmes em Ruanda.

Como comentei antes, o elenco é o ponto forte de Minari. Neste sentido, vale destacar o trabalho excepcional de Yuh-Jung Youn como a avó de David; de Alan S. Kim como David, filho caçula do casal de protagonistas; de Steven Yeun como Jacob, o pai de família preocupado em dar conta de tudo sozinho e prosperar a qualquer custo nos Estados Unidos; Yeri Han em um trabalho interessantíssimo como Monica, a mãe de família preocupada com os filhos, especialmente com a saúde de David, e que enfrenta as frustrações de uma vida difícil ao lado do marido pouco aberto a outros ideias que não as dele; e, com um destaque menor, Noel Cho como Anne, a filha mais velha do casal.

Estes cinco atores são os grandes responsáveis pelo filme. Além deles, temos como destaque, em um papel de coadjuvante, apenas Will Patton como Paul, o veterano de guerra que é considerado um tanto “esquisito” pela família de coreanos que está buscando por uma nova vida no meio rural. Outros atores fazem papéis muito secundários. Deste elenco, vale citar o papel de Esther Moon como Mrs. Oh, companheira de trabalho na granja onde Jacob e Monica vão trabalhar no Arkansas; e Jacob M. Wade como Johnnie, o garoto que tenta fazer amizade com David.

Entre os aspectos técnicos do filme, além da direção de fotografia já citada, a trilha sonora de Emile Mosseri também é outro ponto de destaque. Ela é fundamental para conduzir a história nos momentos planejados com precisão para que ela ganhe protagonismo, geralmente junto com sequências mais “líricas” e nas quais a fotografia se destaca. Também vale ditar a edição de Harry Yoon; o design de produção de Yong Ok Lee; a direção de arte de W. Haley Ho e Joshua Sampson; a decoração de set de Hanrui Wang; e os figurinos de Susanna Song.

Steven Yeun era mais conhecido, especialmente pela projeção que o ator conquistou com a série The Walking Dead. Mas o restante do elenco deste filme mostrou o seu valor e ganhou projeção. Todos os citados anteriormente estavam ótimos, mas destaco duas mulheres. Yeri Han faz o papel mais difícil do filme com muita sensibilidade e talento. Eu não conhecia a atriz, mas vi que ela tem 34 títulos no currículo, entre filmes e séries para a TV. Além disso, ela conta com 11 prêmios na carreira. Depois de Minari, ela engatou a participação em três séries.

Outro destaque é a atriz Yuh-Jung Youn, que vive uma avó figuraça e bem fora do “script” em Minari. Não por acaso ela ganhou o único Oscar do filme, como Melhor Atriz Coadjuvante. Com 74 anos de idade, ela apresenta um currículo como atriz com 48 títulos, incluindo filmes, curtas e séries de TV. Ela começou a carreira em 1971 e, desde então, recebeu 57 prêmios – além do Oscar já citado. Divina.

Minari estreou em janeiro de 2020 no Festival de Cinema de Sundance. Até outubro de 2021, o filme percorreria outros 17 festivais em diversos países. Nesta trajetória, o filme ganhou 1 Oscar, o de Melhor Atriz Coadjuvante para Yuh-Jung Youn, e outros 108 prêmios. Um número impressionante e um reconhecimento importante para os seus realizadores, sem dúvidas.

Além do Oscar, os outros prêmios de destaque que o filme recebeu foram o BAFTA de Melhor Atriz Coadjuvante para Yuh-Jung Youn; o Screen Actors Guild Awards de Melhor Atriz Coadjuvante para Yuh-Jung Youn; o Globo de Ouro de Melhor Filme em Língua Estrangeira; os prêmios de Melhor Filme segundo a Audiência e de Melhor Filme na categoria Dramático pelo critério dos jurados do Festival de Cinema de Sundance; e o National Board of Review de Melhor Atriz Coadjuvante para Yuh-Jung Youn, de Melhor Roteiro Original e de um dos 10 melhores filmes do ano.

Apesar da história ser ambientada no Arkansas, Minari foi rodado em outro estado americano, em Oklahoma.

Interessante como Minari nasceu. (SPOILER – não leia se você não assistiu ao filme). Como costumo fazer, nas minhas críticas por aqui, primeiro escrevo o que eu achei sobre o filme e só depois pesquiso a respeito. Assim, considero que as minhas interpretações não são “contaminadas” por pesquisas ou outras informações. Mesmo processo que eu faço quando vejo uma obra de arte em um museu. Primeiro me “deleito” sobre a arte para depois saber mais sobre ela. Pois bem, após pesquisar sobre o diretor, busquei saber um pouco mais sobre o filme. Em um artigo que ele escreveu para o Los Angeles Times, Chung comentou sobre como surgiu a ideia de Minari. Ele queria escrever um roteiro e, em um café, pensou na escritora Willa Cather. Ele é apaixonado pelo livro dela “Minha Antônia” e se lembrou do que ela falou sobre como a vida começou para ela quando ela deixou de admirar e passou a lembrar. Com isso em mente, Chung passou a lembrar da própria história, de como a família dele foi viver em um trailer em Ozark e de como a mãe dele ficou chocada ao saber que a família moraria ali. E ao lembrar da própria história, ele pode criar Minari. Como eu imaginava mas, ao ler sobre o que ele escreveu, tive certeza.

Segundo Chung, ele escreveu 80 memórias antes de esboçar um arco narrativo com temas “sobre família, fracasso e renascimento”.

Minari foi rodado em apenas 25 dias. Todas as cenas envolvendo o riacho foram gravadas em um dia.

Além de ter ganho o Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante, Minari rendeu outras 5 indicações para Minari. Essa produção foi indicada também como Melhor Filme, Melhor Ator para Steven Yeun, Melhor Diretor, Melhor Roteiro Original e Melhor Canção Original. Com essa indicação, Steven Yeun se tornou o primeiro asiático a ser lembrado pelo Oscar.

Um outro feito inédito relacionado com esse filme: a indicação de Lee Isaac Chung como Melhor Diretor no ano em que Chloé Zhao também foi indicada e ganhou nesta categoria, marca a primeira vez na história em que dois descendentes de asiáticos foram indicados como diretores no Oscar.

Minari é um tipo de aipo que cresce em locais com bastante água e é um alimento básico na Coréia do Sul.

Os usuários do site IMDb deram a nota 7,5 para esta produção, enquanto que os críticos que tem as suas avaliações lançadas no Rotten Tomatoes escreveram 304 críticas positivas e apenas 7 negativas para a produção, o que lhe garante uma aprovação de 98% e uma nota média de 8,7 – especialmente entre os críticos este nível de avaliação surpreende.

De acordo com o site Box Office Mojo, Minari arrecadou cerca de US$ 15,3 milhões nas bilheterias mundiais, sendo US$ 3,1 milhões apenas nos Estados Unidos. O melhor resultado do filme foi na Coréia do Sul, onde ele arrecadou cerca de US$ 9 milhões.

Esse filme é uma produção 100% dos Estados Unidos.

Meus bons, este foi o último filme que eu assisti em 2021 – visto, como comentei antes, em junho, acredito, mas revisto agora, para escrever esta crítica – e o último do ano que eu coloco aqui no blog. A partir de amanhã, 1º de janeiro de 2022, planejo me jogar em novos filmes e atualizar esse blog muito mais. Espero que nos “encontremos” por aqui muitas vezes em 2022. Muita saúde, paz, alegrias e ótimos filmes para vocês em 2022! Até breve! 😉

CONCLUSÃO

Um filme sobre família, recomeços, trabalho árduo e condições complicadas para quem não é do lugar e tem uma cultura diferente. Minari é um filme delicado, com muitas imagens marcantes e um olhar atento para o interior dos Estados Unidos e para uma família de imigrantes. Apesar de tratar destes outros temas, o grande foco do filme é a família e os sonhos de um casal que pensa e sonha de forma muito diferente. Um filme bonito, sensível, mas que não surpreende tanto quanto o “buzz” (burburinho) envolvendo ele levava a crer. Mas a mensagem que ele deixa, de superação e de que acreditar e lutar pelo que se deseja vale a pena, torna a experiência interessante, assim como o trabalho incrível dos atores.

Por Alessandra

Jornalista com doutorado pelo curso de Comunicación, Cambio Social y Desarrollo da Universidad Complutense de Madrid, sou uma apaixonada pelo cinema e "série maníaca". Em outras palavras, uma cinéfila inveterada e uma consumidora de séries voraz - quando o tempo me permite, é claro.

Também tenho Twitter, conta no Facebook, Polldaddy, YouTube, entre outros sites e recursos online. Tenho mais de 20 anos de experiência como jornalista. Trabalhei também com inbound marketing e, atualmente, atuo como professora do curso de Jornalismo da FURB (Universidade Regional de Blumenau).

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