A Star Is Born – Nasce Uma Estrela

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Sabe um filme que começa muito bem e que depois “descamba”? Para quem não conhece o manezês, vou explicar: aquela produção que começa com uma boa pegada e depois segue ladeira abaixo. Para mim, isso é exatamente o que acontece com A Star Is Born. Mas antes, um alerta importante: se você é super fã de Lady Gaga, nem se dê ao trabalho de continuar lendo. Sim, ela está muito bem no filme. Sim, a música é o melhor desta produção. Mas isso é tudo. Em sua parte inicial, A Star Is Born é envolvente, tem uma música excelente e nos faz embarcar de coração e alma. Mas isso não dura muito tempo.

A HISTÓRIA: Ouvimos os gritos de uma plateia. Vemos a um músico sobre o palco. No backstage, Jack (Bradley Cooper) toma um comprimido antes de entrar em cena e enlouquecer o público. O show começa, e a câmera está focada nos músicos e na visão de Jack de tudo aquilo. Jack canta uma de suas várias histórias pessoais, entregando-se em cada palavra. No final do show, ele entra em um carro.

Parece exausto, mas manda o seu motorista, Phil (Greg Grunberg) dirigir até que eles encontrem um bar aberto. Corta. No banheiro de um restaurante, Ally (Lady Gaga) discute com alguém pelo telefone. Quando está saindo, o chefe dela pede que ela tire o lixo. O amigo, Ramon (Anthony Ramos), pede que o chefe a deixe brilhar. Depois de trabalhar no restaurante, Ally vai se apresentar em um clube, onde acaba tendo o seu talento conferido de perto por Jack.

VOLTANDO À CRÍTICA (SPOILER – aviso aos navegantes que boa parte do texto à seguir conta momentos importantes do filme, por isso recomendo que só continue a ler quem já assistiu a A Star Is Born): Eu vou ser franca com vocês. Quando eu fui assistir ao filme A Star Is Born, eu fui com o peito aberto. Querendo ser surpreendida mesmo. Afinal, tinha ouvido falar – e não lido, vejam bem – todas as críticas positivas e o burburinho sobre o filme.

Daí que, ao assisti-lo, logo no início, fiquei fascinada pela produção. Realmente a música da parte inicial, na noite em que os protagonistas passam juntos e até o momento em que Jack deixa Ally em casa, me levaram ao céu. Amo boa música. Não vivo sem ela. Então gostei muito das composições do filme, especialmente nesta parte inicial, da direção de Bradley Cooper e da atuação dele e de Lady Gaga.

Tudo isso é verdade. Mas é verdade, também, que eu não consigo assistir a um filme que começa bem e que depois segue ladeira abaixo. E isso, especialmente, por escolhas ruins de roteiro. E é exatamente isso que acontece com A Star Is Born. O coração de um filme – ou a alma? não sei bem ao certo – é o seu roteiro. Uma produção pode ser brilhante com um ótimo roteiro que sustenta aos demais elementos que fazem um filme. Ou pode ser uma frustração justamente por causa de um roteiro preguiçoso e pouco crível.

A Star Is Born vai bem até o momento em que Ally é levada por Phil para um show de Jack. Ela pegar um jatinho com o amigo Ramon e ir até o show, beleza. O problema é o que vem depois. Jack passou apenas uma noite com Ally e escutou, uma única vez, uma canção que ela compôs. Mas isso não impede que ele toque no show seguinte essa mesma canção inteira e já com um acompanhamento.

Me desculpem. Eu admiro quem não se importa com nuances de uma história. Quem não dá bola para os detalhes. Mas eu me importo. Achei muito, mas muito forçada aquela apresentação de Jack com Ally. Sim, a direção de Cooper é perfeita e os atores estão ótimos. Gaga dá um show nessa parte do filme.

Mas não importam os holofotes, a beleza da música ou da cena. Aquela parte é muito forçada! Honestamente, impossível um cara nas condições de Jack, no final de uma noite, após um show e de beber durante a noite inteira, ouvi uma única vez uma música e lembrar de cada palavra desta canção depois, fazendo a produção da música e apresentando ela no seu show seguinte.

Aquele momento começou a estragar o filme para mim. Mas ele não foi o único. (SPOILER – não leia se você ainda não assistiu a A Star Is Born). Depois da apoteose do show em que Jack apresenta Ally para o seu público, os dois engatam um romance. Normal. Ela passa a viajar com ele e a se apresentar com Jack. Até aí, tudo bem. Depois de diversas apresentações, o produtor Rez Gavron (Rafi Gavron) diz que quer produzir um disco dela, porque chegou a hora de Ally brilhar.

Novamente, até este momento, nada de surpreendente. Só que aí algo começa a ficar forçado novamente na história. Sob a batuta de Rez, Ally abraça uma música pop que segue o manual de muitos hits do momento. Ok, isso talvez tenha sido algo que ela desejou, em parte. Talvez tenha sido um pouco de adequação para que ela fizesse sucesso. Mas isso é de menos. O que me incomodou mesmo foi a mudança repentina que a personagem começa a ter nesta parte da história.

Lady Gaga é encantadora e está muito bem no filme. Mas a partir do momento em que ela grava as suas músicas e começa a se apresentar, ela passa a tirar o foco de Jack. Totalmente. Beleza que ela tinha o sonho de fazer sucesso também, mas essa atitude dela casa com a garota que vemos na parte inicial do filme, que acompanha Jack por um bom tempo, ou até mesmo com a garota que parece se importar com ele na reta final da produção?

Para mim, existe um problema grave no roteiro de Eric Roth, Bradley Cooper e Will Fetters na construção dos personagens e na própria dinâmica da produção, que tem pelo menos dois ou três momentos “feitos para chorar” e um bocado forçados. Esse tipo de fórmula não me agrada e não me convence. Um destes momentos forçados é a entrega do Grammy para Ally.

Convenhamos, descontadas as paixões que vocês podem ter por Gaga ou Cooper, alguém realmente acredita que o produtor ou outras pessoas próximas de uma artista como Ally deixariam Jack ficar perto dela naquele estado? Claro que não. Aquela foi mais uma sequência muito, mas muito forçada no filme. Naquele momento, aparentemente, Ally e os demais se deram conta do problema do protagonista com o alcoolismo. Ah, precisa ser muito inocente para acreditar nisso.

Ally viajou em turnê com Jack por um bocado de tempo. Não tinha um dia em que ele não bebesse até cair. Então ela precisou “passar vergonha” em uma premiação para realmente enxergar que ali existia um problema? Novamente, isso me pareceu muito forçado. Ou a pessoa sensível que querem nos fazer acreditar não existe, ou essa pessoa fez questão de ficar cega por um longo tempo para se beneficiar da situação.

De qualquer forma, para o meu gosto, existe uma divergência importante entre as diferentes versões dos personagens. Certo que ninguém consegue ser linear o tempo todo. Mas me convence mais a “decepção” que Jack tem ao ver a sua parceira aderindo a uma fórmula “barata” de pop e ele sendo estúpido com ela – apesar de, na essência, ele não ser esse cara – do que a indiferença de Ally com ele.

Para a história ter o prosseguimento e, principalmente, o desfecho dramático que A Star is Born tem, os roteiristas escolheram esse caminho fácil – mas nada convincente – de não serem muito coerentes com os personagens ou a dinâmica da história. Era evidente, e desde o início do filme, que Jack tinha um problema com a bebida. Mas ninguém – e isso parece incrível – parece ter se importado com isso. No final chorar ou “homenagear” a pessoa não adianta de muita coisa, não é mesmo?

Com isso, não quero dizer que Ally poderia ter “salvo” Jack. Mas ela poderia ter devolvido para ele um pouco do tanto que ele demonstrou se importar com ela, ou não? Essa história de amor com tantas nuances de desigualdade de entrega não me pareceu tão bonita quanto tentam nos fazer acreditar. A embalagem é sempre importante, claro, e A Star is Born é um filme bonito, bem dirigido e com ótimas atuações. Mas o conteúdo – descontadas as músicas – simplesmente não acompanham a embalagem.

Teve uma outra parte que me incomodou muito, enquanto eu assistia ao filme. O comportamento de Jack frente às escolhas de Ally. Por um momento, eu até pensei se ele estava sofrendo daquela síndrome clássica de quem se sente incomodado quando o ser amado começa a brilhar sozinho. Mas refletindo depois mais sobre esta parte do filme, percebi que não.

O que aconteceu com Jack é o que acontece muitas vezes com a gente. E que me atire uma pedra quem nunca vivenciou isso. Explico. Muitas vezes, achamos que conhecemos uma pessoa. Pensamos que ela tem um determinado gosto ou um determinado estilo. Quando esta pessoa demonstra algo totalmente diferente, nos sentimos um tanto quanto “traídos”. Isso é bobagem, evidentemente, porque a outra pessoa tem o direito de ser o que ela quer.

Mas esse incômodo que sentimos, a meu ver, tem uma explicação simples. Todos os dias, fazemos uma série de ações da mesma forma. Por pura economia de energia, de ter que pensar em todas as pequenas ações novamente. O hábito nos economiza tempo e energia, algo importante para o nosso dia a dia. Nossa leitura das pessoas tem o mesmo efeito tranquilizador.

Para Jack, Ally era uma garota talentosa e parecida com ele, ao menos no sentido de compor músicas com uma grande carga pessoal e verdadeira. Na visão dele, isso tudo não combinava com o estilo da música pop, aquelas coreografias “provocativas” e dançarinos sobre o palco. Mas algo que ele precisava descobrir – mas que não foi fácil, aparentemente – é que essa visão dele não precisava ser a única correta. Que Ally tinha sim o direito de empacotar a sua verdade como ela queria.

Algumas vezes, nós temos justamente a dificuldade do personagem de Jack. Ou seja, de perceber que a pessoa de quem gostamos pode agir como ela deseja. Simplesmente isso. E de que a nossa leitura sobre como tudo deve ser ou deixar de ser interessa apenas a nós. Não podemos impor a ninguém. Quanto mais amarmos os outros e deixarmos eles livre para serem da maneira que desejam, mais o nosso amor será verdadeiro. Mas essa nem sempre é uma lição fácil de aprender ou de colocar em prática.

Pensando em tudo isso, senti que o comportamento de Jack não foi tão incoerente com o personagem que vimos até aquele momento. Então esta foi uma parte do roteiro que eu aceite melhor depois do filme terminar. Agora, a construção da personagem de Ally deixa muito a desejar. Assim como as partes forçadas do filme – além do primeiro show dos dois, a premiação de Ally, a atitude final de Jack e a homenagem “feita para chorar” dos últimos minutos do filme.

(SPOILER – não leia se você não assistiu ao filme). Não gostei tanto de A Star Is Born por que o filme termina de forma trágica? Não, não tenho esse apego à histórias felizes. Mas me incomodou sim a saída um tanto sem sentido de Jack de cena. Depois, todos se perguntam se poderiam ter feito algo diferente… Bem, esta é uma pergunta clássica naquele cenário, não é mesmo?

Ninguém salva uma outra pessoa, mas podemos sim nos ajudar. Só acho que um cara como Jack, que já tinha passado pelo pior, não teria uma atitude como aquela, sem pensar em Ally ou nos demais. Novamente, não me pareceu coerente. Se ele estivesse em outro momento, tudo bem.

Então essas faltas de coerência e/ou forçadas de barra do filme me incomodaram sim. E não teve música boa ou outro elementos positivos do filme que me fizessem esquecer estas falhas do roteiro. Para mim, um filme bem abaixo da minha expectativa original. Infelizmente.

NOTA: 7.

OBS DE PÉ DE PÁGINA: Vou dizer para vocês. Enquanto eu assistia ao filme e pensava que tinha ouvido tantos elogios sobre a produção, mas não estava vendo tudo isso em tela, eu fiquei pensando: “Realmente, acho que não entendo nada de cinema”. Já estava pensando na minha crítica, no que eu falaria sobre o filme, e eu tinha certeza que a minha avaliação seria diferente da maioria. Mas, para mim, isso quer dizer o seguinte: dificilmente é possível agradar gregos e troianos.

Cada um tem a sua bagagem de vida, de cultura, de experiências e tudo isso nos faz ter uma ou outra experiência no cinema. No caso de A Star Is Born, o filme simplesmente não me convenceu. Mas eu entendo quem tenha ficado fascinado pela produção. De verdade. Só que vamos combinar de discordar sobre as nossas impressões, desta vez. 😉

Impressionante as duas visões diferentes que eu tive deste filme enquanto eu o assistia no cinema. Na parte inicial de A Star Is Born, até o momento em que Jack começa a cantar a música de Ally sobre o palco, eu tinha gostado muito do que estava vendo e ouvindo.

Depois de escrever a crítica, me lembrei de outro aspecto do filme. (SPOILER – não leia se você não assistiu ao filme). A Star is Born passa uma mensagem um tanto confusa, como se para uma estrela surgir outra precisasse morrer… Também passa a ideia de que a fama e o sucesso não preenchem a vida de ninguém, e que se a pessoa é infeliz ou se sente “miserável” por outros aspectos, a fama não vai salvá-la. Ok, até concordo com isso. Mas e o amor? O protagonista deste filme parece “brilhar” diferente depois de encontrar o amor. E isso não vai ser suficiente para ele?

Ok, na vida real, para alguns não é. Entendo isso. No filme, isso também poderia ter sido mostrado. Mas acho que faltou um desenrolar melhor acabado do roteiro para nos convencer disso. Sim, tem pessoas que não são salvas nem pelo amor. Isso faz parte. E ninguém tem culpa disso, apesar de que eu acho que as pessoas ao redor do protagonista deste filme não demonstraram o suficiente o quanto elas se importavam. Não que isso o salvasse, no final, mas a forma com que tudo é contado, neste filme, me pareceu muito desleixado.

As músicas de A Star Is Born são incríveis, e a pegada da direção de Bradley Cooper e a interpretação inicial dele e de Lady Gaga são encantadoras. Mas depois, quando comecei a identificar as forçadas de barra do roteiro, minha visão sobre o filme foi piorando gradativamente. Uma pena. Eu honestamente gostaria de ter me encantado do início ao fim. Mas isso não aconteceu.

A melhor parte do filme? Sem dúvida alguma, as músicas. Acredito que A Star Is Born pode chegar no Oscar 2019 com diversas indicações. E estou torcendo para o filme emplacar no que ele realmente merece, que é o Oscar nas categorias Melhor Trilha Sonora e Melhor Canção. Claro, falando isso sem ter ouvido ainda aos concorrentes. Mas o filme tem um trabalho primoroso nesse quesito.

Outras qualidades de A Star Is Born: a direção inspirada de Bradley Cooper. Ele busca deixar a câmera sempre perto da ação, valorizando o trabalho dos atores e também as nuances dos bastidores da música. Para quem curte esse ambiente artístico, é um verdadeiro deleite. As melhores sequências do filme estão na interação de Gaga com Cooper e nas cenas dos shows. Todas muito bem dirigidas por Cooper.

Também é importante comentar o trabalho dos atores. Bradley Cooper e Lady Gaga estão muito bem, realmente. Mas ao ponto deles ganharem o Oscar? Honestamente, eu até não acharia uma injustiça eles serem indicados. Mas ganhar… acho que ambos fazem um bom trabalho em A Star Is Born, mas não acho que a entrega tenha a potência ou o diferencial para receber uma estatueta do Oscar. Ainda assim, não me surpreenderia com Hollywood querendo premiar Gaga. Seria a cara da premiação. Sim, Gaga se revela uma bela atriz nesse filme. Faz um trabalho competente e convincente. Mas eu não daria um Oscar para ela por causa disso. Seu trabalho é bom, mas não é excepcional.

Como comentei antes, e até de forma repetitiva, o roteiro de A Star Is Born é o seu ponto fraco. Eric Roth, Bradley Cooper e Will Fetters falharam em diversos momentos, tanto na construção dos personagens quanto na coerência da história. Forçaram a mão em diversos momentos, mais preocupados em emocionar do que em convencer. Além disso, o que é outro problema grande do filme, A Star Is Born é longo demais. A produção poderia ter 20 ou 30 minutos a menos sem problemas.

A Star Is Born é a quarta versão de uma mesma história. Não lembro de ter visto à alguma das três versões anteriores, devo admitir. Achei essa interessante por “atualizar” uma história que sempre rende, do “patinho feio” que acaba se revelando uma estrela. Um verdadeiro clássico, não é mesmo? A parte interessante da nova versão é mostrar o “mainstream” da música atual, com todas as suas qualidades e pontos polêmicos. Mas esse mesmo cenário poderia ter sido abordado de forma mais interessante, a meu ver, sem tanto melodrama e falhas no roteiro.

Vale comentar que o trabalho de Roth, Cooper e Fetters bebe da fonte do roteiro da versão de 1976, escrito por John Gregory Dunne, Joan Didion e Frank Pierson, assim como tem influência do roteiro de Moss Hart, da versão de 1954, e da história original criada por William A. Wellman e Robert Carson.

Além de Bradley Cooper e de Lady Gaga, fazem um bom trabalho nesse filme Sam Elliott como Bobby, o irmão mais velho de Jack; Andrew Dice Clay como Lorenzo, pai de Ally; Anthony Ramos como Ramon, melhor amigo de Ally; e Rafi Gavron como Rez Gavron, produtor do primeiro disco de Ally. Em um papel menor, mas relativamente importante no filme, vale citar o bom trabalho de Dave Chappelle como George “Noodles” Stone, amigo de infância de Jack.

Entre os aspectos técnicos do filme, o destaque vai para a direção competente de Bradley Cooper e para a trilha sonora com composições feitas por Bradley Cooper, Lukas Nelson, Jason Isbell, Lady Gaga, Mark Ronson, Anthony Rossomando, Andrew Wyatt, Paul Kennerley, Natalie Hemby, Hillary Lindsey, Lori McKenna, Mark Nilan Jr., Nick Monson, Paul Blair, Aaron Raitiere, Julia Michels, Justin Traer, entre outros. Aliás, vale comentar, que Cooper faz um belíssimo trabalho em sua estreia como diretor. Cooper também é um dos produtores do filme.

Além de direção e trilha sonora, vale comentar o belo trabalho de Matthew Libatique na direção de fotografia; de Jay Cassidy na edição; de Karen Murphy no design de produção; de Matthew Horan e Bradley Rubin na direção de arte; de Ryan Watson na decoração de set; e de Erin Benach nos figurinos.

A Star Is Born estreou em agosto de 2018 no Festival de Cinema de Veneza. Depois, o filme participou dos festivais de cinema de Toronto, Zurique e Tokyo, além do American Film Festival. Até o momento, essa produção ganhou dois prêmios e foi indicada a outros três. Os prêmios que A Star Is Born recebeu foram o de Melhor Fotografia do Ano para Matthew Libatique no Hollywood Film Awards e o Collateral Award para Bradley Cooper no Festival de Cinema de Veneza.

Agora, vale citar algumas curiosidades sobre A Star Is Born. De acordo com Bradley Cooper, foi Lady Gaga que o convenceu de que eles deveriam cantar ao vivo durante as filmagens. Gaga disse que odiava ver a filmes em que os atores não estavam sincronizando os lábios corretamente com as músicas. Para evitar isso, ela sugeriu que todas as canções do filme fossem cantadas ao vivo. Isso fez com que Cooper fizesse um treinamento vocal mais completo para a produção. Ele se sai muito bem, na verdade.

Gaga cantou “I’ll Never Love Again” pouco depois de ter perdido uma grande amiga, Sonja Durham. No dia em que eles iriam gravar a cena, Gaga recebeu a ligação do marido da amiga, dizendo que ela estava morrendo. Gaga foi se despedir da amiga e depois voltou para gravar a canção para o filme. Posteriormente, ela diz que nunca vai se esquecer daquele dia e desta parte do filme.

Como o personagem que interpreta, Bradley Cooper também teve que lidar com o vício em álcool e drogas. Na divulgação de A Star Is Born, o ator e diretor comentou sobre como a sobriedade salvou a vida dele e a sua carreira.

Bradley Cooper aprendeu a tocar guitarra para este filme com Lukas Nelson, filho de Willie Nelson. Ele trabalhou com Cooper quase todas as noites durante um ano ensinando não apenas como tocar guitarra, mas como se apresentar em um palco e para uma plateia. Realmente A Star Is Born é um trabalho muito pessoal e que exigiu grande dedicação de Cooper.

No Festival de Cinema de Veneza, Cooper comentou que o visual de A Star Is Born foi inspirado em um show que ele viu do Metallica quando ele tinha 16 anos de idade. O Metallica realmente é inspirador.

Os usuários do site IMDb deram a nota 8,3 para A Star Is Born, enquanto que os críticos que tem os seus textos linkados no Rotten Tomatoes dedicaram 372 críticas positivas e 41 negativas para a produção, o que lhe garante uma aprovação de 90% e uma nota média de 8,1. Especialmente as notas, altas para os padrões dos dois sites, chamam a atenção. O site Metacritic apresenta um “metascore” 88 para A Star Is Born, fruto de 58 críticas positivas e de duas medianas. O filme também apresenta o selo “Metacritic Must-see”.

De acordo com o site Box Office Mojo, A Star Is Born teria custado US$ 36 milhões e faturado, apenas nos Estados Unidos, quase US$ 157,7 milhões. Nos outros mercados em que o filme estreou, ele fez outros US$ 106 milhões. Ou seja, no total, ele ultrapassou os US$ 263,6 milhões. Um verdadeiro sucesso de público, bilheteria e crítica, portanto. Mais um ponto favorável para o filme chegar no Oscar 2019.

Adiantando o tema, já que logo vou começar a assistir e a comentar filmes que estão procurando uma vaga no Oscar 2019, vamos falar sobre as chances de A Star Is Born no próximo Oscar. Acho sim que o filme pode ser indicado, se tiver sorte, em umas seis categorias – Melhor Direção, Melhor Ator, Melhor Atriz, Melhor Direção de Fotografia, Melhor Trilha Sonora e Melhor Canção. Em quais destas categorias ele tem maiores chances? Preciso conhecer aos outros concorrentes, mas acho que ele tem chances reais em Melhor Trilha Sonora e Melhor Canção. Nas demais, vai depender do lobby e dos concorrentes.

A Star Is Born é uma produção 100% dos Estados Unidos. Por isso o filme entra na lista de produções que atendem a uma votação feita há algum tempo aqui no blog.

CONCLUSÃO: A música é algo fantástico. E é o que nos encanta na parte inicial desta produção, que também tem como acertos a direção de Bradley Cooper e o trabalho dos protagonistas. Mas isso não faz um bom filme. A Star Is Born começa muito bem, mas logo no primeiro “show” dos protagonistas após eles se conhecerem, fica difícil de acreditar em grande parte do que vemos em cena.

Filme longo demais, com uma história forçada em diversos momentos e que carece de “convencimento” para as pessoa que não são “super fãs” dos protagonistas. Poderá chegar com força no Oscar 2019 mas, francamente, não merece as estatuetas que talvez possa irá ganhar. Quer dizer, se vencer pela Trilha Sonora e como Melhor Canção, tudo bem. No mais, será forçado. Mediano, apenas.

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