A Star Is Born – Nasce Uma Estrela

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Sabe um filme que começa muito bem e que depois “descamba”? Para quem não conhece o manezês, vou explicar: aquela produção que começa com uma boa pegada e depois segue ladeira abaixo. Para mim, isso é exatamente o que acontece com A Star Is Born. Mas antes, um alerta importante: se você é super fã de Lady Gaga, nem se dê ao trabalho de continuar lendo. Sim, ela está muito bem no filme. Sim, a música é o melhor desta produção. Mas isso é tudo. Em sua parte inicial, A Star Is Born é envolvente, tem uma música excelente e nos faz embarcar de coração e alma. Mas isso não dura muito tempo.

A HISTÓRIA: Ouvimos os gritos de uma plateia. Vemos a um músico sobre o palco. No backstage, Jack (Bradley Cooper) toma um comprimido antes de entrar em cena e enlouquecer o público. O show começa, e a câmera está focada nos músicos e na visão de Jack de tudo aquilo. Jack canta uma de suas várias histórias pessoais, entregando-se em cada palavra. No final do show, ele entra em um carro.

Parece exausto, mas manda o seu motorista, Phil (Greg Grunberg) dirigir até que eles encontrem um bar aberto. Corta. No banheiro de um restaurante, Ally (Lady Gaga) discute com alguém pelo telefone. Quando está saindo, o chefe dela pede que ela tire o lixo. O amigo, Ramon (Anthony Ramos), pede que o chefe a deixe brilhar. Depois de trabalhar no restaurante, Ally vai se apresentar em um clube, onde acaba tendo o seu talento conferido de perto por Jack.

VOLTANDO À CRÍTICA (SPOILER – aviso aos navegantes que boa parte do texto à seguir conta momentos importantes do filme, por isso recomendo que só continue a ler quem já assistiu a A Star Is Born): Eu vou ser franca com vocês. Quando eu fui assistir ao filme A Star Is Born, eu fui com o peito aberto. Querendo ser surpreendida mesmo. Afinal, tinha ouvido falar – e não lido, vejam bem – todas as críticas positivas e o burburinho sobre o filme.

Daí que, ao assisti-lo, logo no início, fiquei fascinada pela produção. Realmente a música da parte inicial, na noite em que os protagonistas passam juntos e até o momento em que Jack deixa Ally em casa, me levaram ao céu. Amo boa música. Não vivo sem ela. Então gostei muito das composições do filme, especialmente nesta parte inicial, da direção de Bradley Cooper e da atuação dele e de Lady Gaga.

Tudo isso é verdade. Mas é verdade, também, que eu não consigo assistir a um filme que começa bem e que depois segue ladeira abaixo. E isso, especialmente, por escolhas ruins de roteiro. E é exatamente isso que acontece com A Star Is Born. O coração de um filme – ou a alma? não sei bem ao certo – é o seu roteiro. Uma produção pode ser brilhante com um ótimo roteiro que sustenta aos demais elementos que fazem um filme. Ou pode ser uma frustração justamente por causa de um roteiro preguiçoso e pouco crível.

A Star Is Born vai bem até o momento em que Ally é levada por Phil para um show de Jack. Ela pegar um jatinho com o amigo Ramon e ir até o show, beleza. O problema é o que vem depois. Jack passou apenas uma noite com Ally e escutou, uma única vez, uma canção que ela compôs. Mas isso não impede que ele toque no show seguinte essa mesma canção inteira e já com um acompanhamento.

Me desculpem. Eu admiro quem não se importa com nuances de uma história. Quem não dá bola para os detalhes. Mas eu me importo. Achei muito, mas muito forçada aquela apresentação de Jack com Ally. Sim, a direção de Cooper é perfeita e os atores estão ótimos. Gaga dá um show nessa parte do filme.

Mas não importam os holofotes, a beleza da música ou da cena. Aquela parte é muito forçada! Honestamente, impossível um cara nas condições de Jack, no final de uma noite, após um show e de beber durante a noite inteira, ouvi uma única vez uma música e lembrar de cada palavra desta canção depois, fazendo a produção da música e apresentando ela no seu show seguinte.

Aquele momento começou a estragar o filme para mim. Mas ele não foi o único. (SPOILER – não leia se você ainda não assistiu a A Star Is Born). Depois da apoteose do show em que Jack apresenta Ally para o seu público, os dois engatam um romance. Normal. Ela passa a viajar com ele e a se apresentar com Jack. Até aí, tudo bem. Depois de diversas apresentações, o produtor Rez Gavron (Rafi Gavron) diz que quer produzir um disco dela, porque chegou a hora de Ally brilhar.

Novamente, até este momento, nada de surpreendente. Só que aí algo começa a ficar forçado novamente na história. Sob a batuta de Rez, Ally abraça uma música pop que segue o manual de muitos hits do momento. Ok, isso talvez tenha sido algo que ela desejou, em parte. Talvez tenha sido um pouco de adequação para que ela fizesse sucesso. Mas isso é de menos. O que me incomodou mesmo foi a mudança repentina que a personagem começa a ter nesta parte da história.

Lady Gaga é encantadora e está muito bem no filme. Mas a partir do momento em que ela grava as suas músicas e começa a se apresentar, ela passa a tirar o foco de Jack. Totalmente. Beleza que ela tinha o sonho de fazer sucesso também, mas essa atitude dela casa com a garota que vemos na parte inicial do filme, que acompanha Jack por um bom tempo, ou até mesmo com a garota que parece se importar com ele na reta final da produção?

Para mim, existe um problema grave no roteiro de Eric Roth, Bradley Cooper e Will Fetters na construção dos personagens e na própria dinâmica da produção, que tem pelo menos dois ou três momentos “feitos para chorar” e um bocado forçados. Esse tipo de fórmula não me agrada e não me convence. Um destes momentos forçados é a entrega do Grammy para Ally.

Convenhamos, descontadas as paixões que vocês podem ter por Gaga ou Cooper, alguém realmente acredita que o produtor ou outras pessoas próximas de uma artista como Ally deixariam Jack ficar perto dela naquele estado? Claro que não. Aquela foi mais uma sequência muito, mas muito forçada no filme. Naquele momento, aparentemente, Ally e os demais se deram conta do problema do protagonista com o alcoolismo. Ah, precisa ser muito inocente para acreditar nisso.

Ally viajou em turnê com Jack por um bocado de tempo. Não tinha um dia em que ele não bebesse até cair. Então ela precisou “passar vergonha” em uma premiação para realmente enxergar que ali existia um problema? Novamente, isso me pareceu muito forçado. Ou a pessoa sensível que querem nos fazer acreditar não existe, ou essa pessoa fez questão de ficar cega por um longo tempo para se beneficiar da situação.

De qualquer forma, para o meu gosto, existe uma divergência importante entre as diferentes versões dos personagens. Certo que ninguém consegue ser linear o tempo todo. Mas me convence mais a “decepção” que Jack tem ao ver a sua parceira aderindo a uma fórmula “barata” de pop e ele sendo estúpido com ela – apesar de, na essência, ele não ser esse cara – do que a indiferença de Ally com ele.

Para a história ter o prosseguimento e, principalmente, o desfecho dramático que A Star is Born tem, os roteiristas escolheram esse caminho fácil – mas nada convincente – de não serem muito coerentes com os personagens ou a dinâmica da história. Era evidente, e desde o início do filme, que Jack tinha um problema com a bebida. Mas ninguém – e isso parece incrível – parece ter se importado com isso. No final chorar ou “homenagear” a pessoa não adianta de muita coisa, não é mesmo?

Com isso, não quero dizer que Ally poderia ter “salvo” Jack. Mas ela poderia ter devolvido para ele um pouco do tanto que ele demonstrou se importar com ela, ou não? Essa história de amor com tantas nuances de desigualdade de entrega não me pareceu tão bonita quanto tentam nos fazer acreditar. A embalagem é sempre importante, claro, e A Star is Born é um filme bonito, bem dirigido e com ótimas atuações. Mas o conteúdo – descontadas as músicas – simplesmente não acompanham a embalagem.

Teve uma outra parte que me incomodou muito, enquanto eu assistia ao filme. O comportamento de Jack frente às escolhas de Ally. Por um momento, eu até pensei se ele estava sofrendo daquela síndrome clássica de quem se sente incomodado quando o ser amado começa a brilhar sozinho. Mas refletindo depois mais sobre esta parte do filme, percebi que não.

O que aconteceu com Jack é o que acontece muitas vezes com a gente. E que me atire uma pedra quem nunca vivenciou isso. Explico. Muitas vezes, achamos que conhecemos uma pessoa. Pensamos que ela tem um determinado gosto ou um determinado estilo. Quando esta pessoa demonstra algo totalmente diferente, nos sentimos um tanto quanto “traídos”. Isso é bobagem, evidentemente, porque a outra pessoa tem o direito de ser o que ela quer.

Mas esse incômodo que sentimos, a meu ver, tem uma explicação simples. Todos os dias, fazemos uma série de ações da mesma forma. Por pura economia de energia, de ter que pensar em todas as pequenas ações novamente. O hábito nos economiza tempo e energia, algo importante para o nosso dia a dia. Nossa leitura das pessoas tem o mesmo efeito tranquilizador.

Para Jack, Ally era uma garota talentosa e parecida com ele, ao menos no sentido de compor músicas com uma grande carga pessoal e verdadeira. Na visão dele, isso tudo não combinava com o estilo da música pop, aquelas coreografias “provocativas” e dançarinos sobre o palco. Mas algo que ele precisava descobrir – mas que não foi fácil, aparentemente – é que essa visão dele não precisava ser a única correta. Que Ally tinha sim o direito de empacotar a sua verdade como ela queria.

Algumas vezes, nós temos justamente a dificuldade do personagem de Jack. Ou seja, de perceber que a pessoa de quem gostamos pode agir como ela deseja. Simplesmente isso. E de que a nossa leitura sobre como tudo deve ser ou deixar de ser interessa apenas a nós. Não podemos impor a ninguém. Quanto mais amarmos os outros e deixarmos eles livre para serem da maneira que desejam, mais o nosso amor será verdadeiro. Mas essa nem sempre é uma lição fácil de aprender ou de colocar em prática.

Pensando em tudo isso, senti que o comportamento de Jack não foi tão incoerente com o personagem que vimos até aquele momento. Então esta foi uma parte do roteiro que eu aceite melhor depois do filme terminar. Agora, a construção da personagem de Ally deixa muito a desejar. Assim como as partes forçadas do filme – além do primeiro show dos dois, a premiação de Ally, a atitude final de Jack e a homenagem “feita para chorar” dos últimos minutos do filme.

(SPOILER – não leia se você não assistiu ao filme). Não gostei tanto de A Star Is Born por que o filme termina de forma trágica? Não, não tenho esse apego à histórias felizes. Mas me incomodou sim a saída um tanto sem sentido de Jack de cena. Depois, todos se perguntam se poderiam ter feito algo diferente… Bem, esta é uma pergunta clássica naquele cenário, não é mesmo?

Ninguém salva uma outra pessoa, mas podemos sim nos ajudar. Só acho que um cara como Jack, que já tinha passado pelo pior, não teria uma atitude como aquela, sem pensar em Ally ou nos demais. Novamente, não me pareceu coerente. Se ele estivesse em outro momento, tudo bem.

Então essas faltas de coerência e/ou forçadas de barra do filme me incomodaram sim. E não teve música boa ou outro elementos positivos do filme que me fizessem esquecer estas falhas do roteiro. Para mim, um filme bem abaixo da minha expectativa original. Infelizmente.

NOTA: 7.

OBS DE PÉ DE PÁGINA: Vou dizer para vocês. Enquanto eu assistia ao filme e pensava que tinha ouvido tantos elogios sobre a produção, mas não estava vendo tudo isso em tela, eu fiquei pensando: “Realmente, acho que não entendo nada de cinema”. Já estava pensando na minha crítica, no que eu falaria sobre o filme, e eu tinha certeza que a minha avaliação seria diferente da maioria. Mas, para mim, isso quer dizer o seguinte: dificilmente é possível agradar gregos e troianos.

Cada um tem a sua bagagem de vida, de cultura, de experiências e tudo isso nos faz ter uma ou outra experiência no cinema. No caso de A Star Is Born, o filme simplesmente não me convenceu. Mas eu entendo quem tenha ficado fascinado pela produção. De verdade. Só que vamos combinar de discordar sobre as nossas impressões, desta vez. 😉

Impressionante as duas visões diferentes que eu tive deste filme enquanto eu o assistia no cinema. Na parte inicial de A Star Is Born, até o momento em que Jack começa a cantar a música de Ally sobre o palco, eu tinha gostado muito do que estava vendo e ouvindo.

Depois de escrever a crítica, me lembrei de outro aspecto do filme. (SPOILER – não leia se você não assistiu ao filme). A Star is Born passa uma mensagem um tanto confusa, como se para uma estrela surgir outra precisasse morrer… Também passa a ideia de que a fama e o sucesso não preenchem a vida de ninguém, e que se a pessoa é infeliz ou se sente “miserável” por outros aspectos, a fama não vai salvá-la. Ok, até concordo com isso. Mas e o amor? O protagonista deste filme parece “brilhar” diferente depois de encontrar o amor. E isso não vai ser suficiente para ele?

Ok, na vida real, para alguns não é. Entendo isso. No filme, isso também poderia ter sido mostrado. Mas acho que faltou um desenrolar melhor acabado do roteiro para nos convencer disso. Sim, tem pessoas que não são salvas nem pelo amor. Isso faz parte. E ninguém tem culpa disso, apesar de que eu acho que as pessoas ao redor do protagonista deste filme não demonstraram o suficiente o quanto elas se importavam. Não que isso o salvasse, no final, mas a forma com que tudo é contado, neste filme, me pareceu muito desleixado.

As músicas de A Star Is Born são incríveis, e a pegada da direção de Bradley Cooper e a interpretação inicial dele e de Lady Gaga são encantadoras. Mas depois, quando comecei a identificar as forçadas de barra do roteiro, minha visão sobre o filme foi piorando gradativamente. Uma pena. Eu honestamente gostaria de ter me encantado do início ao fim. Mas isso não aconteceu.

A melhor parte do filme? Sem dúvida alguma, as músicas. Acredito que A Star Is Born pode chegar no Oscar 2019 com diversas indicações. E estou torcendo para o filme emplacar no que ele realmente merece, que é o Oscar nas categorias Melhor Trilha Sonora e Melhor Canção. Claro, falando isso sem ter ouvido ainda aos concorrentes. Mas o filme tem um trabalho primoroso nesse quesito.

Outras qualidades de A Star Is Born: a direção inspirada de Bradley Cooper. Ele busca deixar a câmera sempre perto da ação, valorizando o trabalho dos atores e também as nuances dos bastidores da música. Para quem curte esse ambiente artístico, é um verdadeiro deleite. As melhores sequências do filme estão na interação de Gaga com Cooper e nas cenas dos shows. Todas muito bem dirigidas por Cooper.

Também é importante comentar o trabalho dos atores. Bradley Cooper e Lady Gaga estão muito bem, realmente. Mas ao ponto deles ganharem o Oscar? Honestamente, eu até não acharia uma injustiça eles serem indicados. Mas ganhar… acho que ambos fazem um bom trabalho em A Star Is Born, mas não acho que a entrega tenha a potência ou o diferencial para receber uma estatueta do Oscar. Ainda assim, não me surpreenderia com Hollywood querendo premiar Gaga. Seria a cara da premiação. Sim, Gaga se revela uma bela atriz nesse filme. Faz um trabalho competente e convincente. Mas eu não daria um Oscar para ela por causa disso. Seu trabalho é bom, mas não é excepcional.

Como comentei antes, e até de forma repetitiva, o roteiro de A Star Is Born é o seu ponto fraco. Eric Roth, Bradley Cooper e Will Fetters falharam em diversos momentos, tanto na construção dos personagens quanto na coerência da história. Forçaram a mão em diversos momentos, mais preocupados em emocionar do que em convencer. Além disso, o que é outro problema grande do filme, A Star Is Born é longo demais. A produção poderia ter 20 ou 30 minutos a menos sem problemas.

A Star Is Born é a quarta versão de uma mesma história. Não lembro de ter visto à alguma das três versões anteriores, devo admitir. Achei essa interessante por “atualizar” uma história que sempre rende, do “patinho feio” que acaba se revelando uma estrela. Um verdadeiro clássico, não é mesmo? A parte interessante da nova versão é mostrar o “mainstream” da música atual, com todas as suas qualidades e pontos polêmicos. Mas esse mesmo cenário poderia ter sido abordado de forma mais interessante, a meu ver, sem tanto melodrama e falhas no roteiro.

Vale comentar que o trabalho de Roth, Cooper e Fetters bebe da fonte do roteiro da versão de 1976, escrito por John Gregory Dunne, Joan Didion e Frank Pierson, assim como tem influência do roteiro de Moss Hart, da versão de 1954, e da história original criada por William A. Wellman e Robert Carson.

Além de Bradley Cooper e de Lady Gaga, fazem um bom trabalho nesse filme Sam Elliott como Bobby, o irmão mais velho de Jack; Andrew Dice Clay como Lorenzo, pai de Ally; Anthony Ramos como Ramon, melhor amigo de Ally; e Rafi Gavron como Rez Gavron, produtor do primeiro disco de Ally. Em um papel menor, mas relativamente importante no filme, vale citar o bom trabalho de Dave Chappelle como George “Noodles” Stone, amigo de infância de Jack.

Entre os aspectos técnicos do filme, o destaque vai para a direção competente de Bradley Cooper e para a trilha sonora com composições feitas por Bradley Cooper, Lukas Nelson, Jason Isbell, Lady Gaga, Mark Ronson, Anthony Rossomando, Andrew Wyatt, Paul Kennerley, Natalie Hemby, Hillary Lindsey, Lori McKenna, Mark Nilan Jr., Nick Monson, Paul Blair, Aaron Raitiere, Julia Michels, Justin Traer, entre outros. Aliás, vale comentar, que Cooper faz um belíssimo trabalho em sua estreia como diretor. Cooper também é um dos produtores do filme.

Além de direção e trilha sonora, vale comentar o belo trabalho de Matthew Libatique na direção de fotografia; de Jay Cassidy na edição; de Karen Murphy no design de produção; de Matthew Horan e Bradley Rubin na direção de arte; de Ryan Watson na decoração de set; e de Erin Benach nos figurinos.

A Star Is Born estreou em agosto de 2018 no Festival de Cinema de Veneza. Depois, o filme participou dos festivais de cinema de Toronto, Zurique e Tokyo, além do American Film Festival. Até o momento, essa produção ganhou dois prêmios e foi indicada a outros três. Os prêmios que A Star Is Born recebeu foram o de Melhor Fotografia do Ano para Matthew Libatique no Hollywood Film Awards e o Collateral Award para Bradley Cooper no Festival de Cinema de Veneza.

Agora, vale citar algumas curiosidades sobre A Star Is Born. De acordo com Bradley Cooper, foi Lady Gaga que o convenceu de que eles deveriam cantar ao vivo durante as filmagens. Gaga disse que odiava ver a filmes em que os atores não estavam sincronizando os lábios corretamente com as músicas. Para evitar isso, ela sugeriu que todas as canções do filme fossem cantadas ao vivo. Isso fez com que Cooper fizesse um treinamento vocal mais completo para a produção. Ele se sai muito bem, na verdade.

Gaga cantou “I’ll Never Love Again” pouco depois de ter perdido uma grande amiga, Sonja Durham. No dia em que eles iriam gravar a cena, Gaga recebeu a ligação do marido da amiga, dizendo que ela estava morrendo. Gaga foi se despedir da amiga e depois voltou para gravar a canção para o filme. Posteriormente, ela diz que nunca vai se esquecer daquele dia e desta parte do filme.

Como o personagem que interpreta, Bradley Cooper também teve que lidar com o vício em álcool e drogas. Na divulgação de A Star Is Born, o ator e diretor comentou sobre como a sobriedade salvou a vida dele e a sua carreira.

Bradley Cooper aprendeu a tocar guitarra para este filme com Lukas Nelson, filho de Willie Nelson. Ele trabalhou com Cooper quase todas as noites durante um ano ensinando não apenas como tocar guitarra, mas como se apresentar em um palco e para uma plateia. Realmente A Star Is Born é um trabalho muito pessoal e que exigiu grande dedicação de Cooper.

No Festival de Cinema de Veneza, Cooper comentou que o visual de A Star Is Born foi inspirado em um show que ele viu do Metallica quando ele tinha 16 anos de idade. O Metallica realmente é inspirador.

Os usuários do site IMDb deram a nota 8,3 para A Star Is Born, enquanto que os críticos que tem os seus textos linkados no Rotten Tomatoes dedicaram 372 críticas positivas e 41 negativas para a produção, o que lhe garante uma aprovação de 90% e uma nota média de 8,1. Especialmente as notas, altas para os padrões dos dois sites, chamam a atenção. O site Metacritic apresenta um “metascore” 88 para A Star Is Born, fruto de 58 críticas positivas e de duas medianas. O filme também apresenta o selo “Metacritic Must-see”.

De acordo com o site Box Office Mojo, A Star Is Born teria custado US$ 36 milhões e faturado, apenas nos Estados Unidos, quase US$ 157,7 milhões. Nos outros mercados em que o filme estreou, ele fez outros US$ 106 milhões. Ou seja, no total, ele ultrapassou os US$ 263,6 milhões. Um verdadeiro sucesso de público, bilheteria e crítica, portanto. Mais um ponto favorável para o filme chegar no Oscar 2019.

Adiantando o tema, já que logo vou começar a assistir e a comentar filmes que estão procurando uma vaga no Oscar 2019, vamos falar sobre as chances de A Star Is Born no próximo Oscar. Acho sim que o filme pode ser indicado, se tiver sorte, em umas seis categorias – Melhor Direção, Melhor Ator, Melhor Atriz, Melhor Direção de Fotografia, Melhor Trilha Sonora e Melhor Canção. Em quais destas categorias ele tem maiores chances? Preciso conhecer aos outros concorrentes, mas acho que ele tem chances reais em Melhor Trilha Sonora e Melhor Canção. Nas demais, vai depender do lobby e dos concorrentes.

A Star Is Born é uma produção 100% dos Estados Unidos. Por isso o filme entra na lista de produções que atendem a uma votação feita há algum tempo aqui no blog.

CONCLUSÃO: A música é algo fantástico. E é o que nos encanta na parte inicial desta produção, que também tem como acertos a direção de Bradley Cooper e o trabalho dos protagonistas. Mas isso não faz um bom filme. A Star Is Born começa muito bem, mas logo no primeiro “show” dos protagonistas após eles se conhecerem, fica difícil de acreditar em grande parte do que vemos em cena.

Filme longo demais, com uma história forçada em diversos momentos e que carece de “convencimento” para as pessoa que não são “super fãs” dos protagonistas. Poderá chegar com força no Oscar 2019 mas, francamente, não merece as estatuetas que talvez possa irá ganhar. Quer dizer, se vencer pela Trilha Sonora e como Melhor Canção, tudo bem. No mais, será forçado. Mediano, apenas.

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Blue Jasmine

BlueJasmin OneSheet_Blue Jasmine - One Sheet

Uma mulher que sabe bem o lugar importante que ela deve ocupar no mundo. Não por mérito próprio, mas porque ela há de encontrar e encantar um homem que possa proporcionar-lhe a vida de rainha que ela merece. Blue Jasmine foi feito para uma mulher brilhar, e esta mulher se chama Cate Blanchett. A personagem dela é sobre a qual me refiro no início deste texto.

Como o sol e os demais planetas, é ela que aguarda que o mundo gire ao seu redor. Woody Allen faz, mais uma vez, um filme para que uma atriz de renome brilhe e tenha a carreira marcada por seu desempenho. Demorei para assistir a este filme. Gostei dele, mas não encontrei em Blue Jasmine todas as qualidades que eu esperava.

A HISTÓRIA: Um avião corta os céus dos Estados Unidos. Dentro dele, Jasmine (Cate Blanchett) conta para a passageira ao lado (interpretado por Joy Carlin), que ela nunca conheceu um homem como Hal (Alec Baldwin). Ela fala da vida que teve com ele, e como se sentia especial ao seu lado. Lembra como tocava a música Blue Moon quando eles se conheceram, e a mulher ao lado parece embarcar na história.

Jasmine diz que deixou a faculdade para ficar com Hal, mas que não perdeu nada porque ela não se imaginava como uma antropóloga. Na saída para pegar a bagagem, ela diz que o sexo entre eles sempre foi bom. Ela também conta que os médicos tentaram seis medicamentos com ela, mas que nada funcionou como deveria. Nesta parte, a mulher ao lado dela parece um pouco desconfortável. E é desta maneira, um tanto deslocada, que Jasmine tentará refazer a vida em San Francisco.

VOLTANDO À CRÍTICA (SPOILER – aviso aos navegantes que boa parte do texto à seguir conta momentos importantes do filme, por isso recomendo que só continue a ler quem já assistiu a Blue Jasmine): Devo adiantar para vocês que vou cometer algumas “heresias” neste texto. Mas há uma justificativa para elas – mesmo que vocês possam discordar dos argumentos.

Como eu disse antes, demorei um bocado para assistir a Blue Jasmine. Uma prova disso é que vi a quase todos os principais concorrentes ao próximo Oscar, incluindo Gravity (comentado aqui no blog), assim que ele estreou nos cinemas, mas perdi o momento de Blue Jasmine. Pouco a pouco, contudo, fui acompanhando como Cate Blanchett foi ganhando todos os prêmios da temporada por causa do desempenho neste filme, e como ela é a virtual favorita para o próximo Oscar, fui obrigada a assistir a este filme.

E francamente? Vi a mais uma produção com a marca do Woody Allen. E aí vai o primeiro sacrilégio deste filme: nunca achei nada demais na filmografia de Allen. Um indicativo disto é que não tenho nenhum de seus filmes como um dos meus preferidos de todos os tempos. Outros diretores, muito menos “badalados”, me “afetam” ou me convencem muito mais em sua forma de contar uma história.

Dito isso, feito este parêntesis, Blue Jasmine é mais um filme bem escrito por Woody Allen. Outra vez, este diretor com marca registrada muito própria, escolheu um tema específico para escrever um roteiro bacana sobre ele. No caso de Blue Jasmine, ele se debruça nas mulheres de escroques que vivem uma vida de primeira a custa dos outros – ou seja, não são ricos por mérito, mas por exploração. E há quem diga que não há rico por mérito… mas esta é outra história.

A personagem principal deste filme, vivida por Blanchett, Jeanette ou Jasmine (o segundo nome por escolha própria), encarna aquele tipo de mulher que acha que a função que tem na vida é encontrar um homem endinheirado pra sustentá-la. Isso porque ela faz uma avaliação de si mesma muito específica: ela merece ter o bom e o melhor. Mas diferente de outras mulheres, Jasmine não acha que conseguirá isso por conta própria – afinal, tudo é muito complicado, especialmente batalhar pela própria sobrevivência e/ou vida boa.

No filme de Allen, encontramos Jasmine após a “tragédia”. Mesmo não tendo me fascinado tanto quanto deveria, o roteiro de Blue Jasmine tem um mérito: ele sabe ir e vir do presente para o passado com suavidade e no momento exato. Assim, pelas lembranças da protagonista, voltamos sempre para a época na qual Hal estava vivo para acompanhar momentos que pudessem ou não sinalizar a inocência ou o conhecimento de Jasmine sobre tudo o que acontecia.

Aliás, esta parece ser a premissa principal do filme. Afinal, o quanto alguém pode ser inocente frente a tanto dinheiro sem uma justificativa plausível para ele existir? As mulheres dos ricaços que ganham verba de forma escusa de fato não sabiam de nada ou fingem não saber? A responsabilidade de Jasmine sobre tudo o que aconteceu e o “preço” que ela paga por ter se feito de cega move a trama, na mesma medida que a tentativa da personagem em se “reerguer”.

Achei especialmente interessante como ela tenta fazer a vida por “conta própria”. No fundo, como fica comprovado, ela apenas tenta fingir que vai tentar um caminho alternativo. Ela é daquela “espécie” de mulher que não quer um grande esforço. O ideal, para este perfil, é que surja pela frente um marido rico e que possa suprir todas as suas demandas.

Não vou julgar uma pessoa que siga esta linha. Até porque há várias mulheres assim. Mas francamente? Não vejo na dependência de outra pessoa, neste caso um “marido-provedor”, a saída para um ser humano. Afinal, cadê a independência, a autonomia? Como eu posso me sentir uma pessoa completa e capaz se não consigo crescer e me manter por conta própria? Acho ótimo e primordial dividir a vida e o que se sabe com os outros – ou com uma pessoa especificamente. Mas a dependência é sempre ruim – porque torna as pessoas superficiais e sem identidade.

Demora, mas lá pelas tantas Jasmine percebe isso. Só que talvez seja tarde demais para ela… Será? Francamente, para quem está disposto a “mudar a chave”, nunca acho que seja tarde demais para nada. Muito menos para tomar as rédeas da própria vida nas mãos. Mas o que faz a protagonista deste filme?

(SPOILER – não leia se você não assistiu a Blue Jasmine). Ela busca o primeiro cara que possa lhe manter na vida boa assim que possível. Assim, naturalmente, ela agarra a oportunidade que uma festa lhe dá e tenta segurar o bom partido Dwight (Peter Sarsgaard). Como tantas pessoas na vida real, fora desta ficção, Jasmine conta apenas parte da própria história. E exagera outras partes. O suficiente para convencer Dwight que ela também é um bom partido. E no fim das contas, quantas relações não surgem e são mantidas através de um cálculo impreciso de troca de benefícios?

Woody Allen sustenta Blue Jasmine com a mesma lógica de tantos outros de seus filmes. Ele tem ótimos acertos em algumas cenas, enquanto na maior parte do tempo procura transportar para a telona o supra-sumo de uma realidade que ele já encontrou na vida. E com a qual nos deparamos também, uma hora ou outra, se formos um pouco atentos.

Como manda a regra de um roteiro de Allen, há algumas sequências verdadeiramente impagáveis. A minha preferida é quando a “tia” Jasmine desabava com os sobrinhos Matthew (Daniel Jenks) e Johnny (Max Rutherford) em uma lanchonete. A cara de constrangidos dos dois, que todos nós já tivemos frente a alguma confissão de um parente “cheio da cachaça”, é impagável. Assim como a interpretação de Blanchett.

Possivelmente, o ponto forte do filme, junto com a “reviravolta” no roteiro perto do final. Para o meu gosto, que vejo Woody Allen um tanto supervalorizado na maior parte do tempo – ainda que devo admitir que ele mantém uma coerência rara para um diretor de Hollywood em sua filmografia -, a nota abaixo se justifica especialmente pela “sacada” do roteiro a partir do reencontro de Jasmine com o enteado Danny (Chalie Tahan quando criança, Alden Ehrenreich quando adulto). Porque, naquele momento, o espectador tem a resposta sobre a “inocência” de Jasmine. Como diz aquela lenda, nada pior do que a vingança de uma mulher traída.

Finalizando, Blue Jasmine é um filme típico de Allen, com algumas sequências muito bem construídas, uma ótima escolha de elenco – Sally Hawkins como Ginger, para mim, é a surpresa positiva da produção -, um roteiro que sabe focar uma parte específica da sociedade com humor e a duração exata. Mais que uma hora e meia de filme seria pedir demais. Mas Blue Jasmine funciona bem em seu tempo de duração, ainda que não seja nenhuma produção verdadeiramente marcante.

NOTA: 8,6.

OBS DE PÉ DE PÁGINA: Há uma lenda de que Woody Allen sempre faz filmes para as “atrizes da vez” brilharem. Sabendo que tais atrizes são aquelas que ele escolhe a dedo. Francamente, acho que Cate Blanchett está bem neste filme, mas não vejo que ela faça o trabalho da vida dela aqui. Como já vi acontecer recentemente com outras atrizes que passam pelas “mãos” de Woody Allen. Ainda assim, e isso é fato, ele sabe dirigir bem os atores que participam de suas produções.

Neste filme, além de Cate Blanchett, que literalmente vive a personagem que faz os demais orbitarem ao seu redor, gostei muito da entrega de Sally Hawkins. De uma maneira muito discreta, nada espalhafatosa, Hawkins encarna bem o papel da irmã que se sente sempre eclipsada. Além das duas, que se destacam na produção, acho que Alec Baldwin segura bem no papel de Hal, assim como Andrew Dice Clay está bem como Augie – especialmente na sequência em que ele fala algumas verdades para Jasmine quando ela está para comprar o anel de noivado.

Outros que merecem ser mencionados pelo bom trabalho: Bobby Cannavale como Chili, o novo namorado de Ginger que está louco para Jasmine sair da casa para que ele possa viver com a namorada; e Louis C.K. como Al, o homem que Ginger conhece em uma festa e que, francamente, está na cara que é casado. Também está bem, ainda que apareça pouco, o trabalho de Max Casella como Eddie, o amigo de Chili que é “escalado” para um encontro com Jasmine, e o “eterno esquisitão” Michael Stuhlbarg como o Dr. Flicker, o dentista com quem a protagonista vai trabalhar.

A marca de Woody Allen se manifesta logo nos primeiros minutos do filme. Aquela crônica de uma conversa desconcertante no avião é típica do diretor. Quem nunca teve que “aguentar” uma pessoa que gosta de falar a vida inteira para um desconhecido? Algo constrangedor, mas bastante realista. Ainda mais nos tempos atuais, em que a tecnologia ajuda as pessoas a “desabafarem”. Para mim, um sintoma importante da falta de contato, de afeto e de intimidade que as pessoas tem umas com as outras em muitos momentos – e daí, como “válvula de escape”, fica mais “fácil” (bem entre aspas) falar com desconhecidos sobre coisas muito pessoais. O que é quase o mesmo que falar sozinho – como Blue Jasmine bem argumenta.

Grande apreciador de jazz, Woody Allen nos entrega, mais uma vez, uma trilha sonora embalada pelo gênero. Algo que sempre funciona, assim como os créditos iniciais e finais de seus filmes. Eles resgatam os créditos dos anos 1950 e 1960, principalmente.

Agora, um adendo aos comentários anteriores sobre o filme. (SPOILER – não leia se você ainda não assistiu a Blue Jasmine). Ainda que Jasmine faça o perfil de mulher “interesseira”, ou seja, daquela mulher que prefere se anular para não passar trabalho de correr atrás do próprio dinheiro e ser mantida por um homem, chega a incomodar o machismo que a circula. Não apenas em comentários maldosos de Chili, que não alivia em momento algum em “jogar verdades” na cara de Jasmine, mas também na forma com que homens como o Dr. Flicker a trata. Até parece que todos no filme esperam que o futuro inevitável da mulher – e não apenas de Jasmine – seja se entregar e depender de um homem. Triste e limitante cenário.

Da parte técnica do filme, sem dúvida destaco a trilha sonora, a edição de Alisa Lepselter e os figurinos de Suzy Benzinger. Outros nomes que podem interessar: Javier Aguirresarobe como diretor de fotografia; Santo Loquasto assinando o design da produção; Michael E. Goldman e Doug Huszti na direção de arte; Kris Boxell e Regina Graves na decoração de set; e a maquiagem da equipe comandada por Karen Bradley e Linda Kaufman.

Blue Jasmine estreou em Los Angeles e em Nova York no dia 26 de julho de 2013. Depois, o filme participaria do Traverse City Film Festival no dia 30 de julho. A produção passou ainda por outros seis festivais e recebeu, até o momento, 21 prêmios e foi indicado a outros 36, incluindo três Oscar’s. Entre os que recebeu, destaque para o Golden Globe de Melhor Atriz – Drama para Cate Blanchett, para o Screen Actors Guild de Melhor Atriz também para Blanchett e para outros 18 prêmios que a atriz recebeu pelo papel como Jasmine.

Esta última produção de Woody Allen teria custado US$ 18 milhões e faturado, apenas nos Estados Unidos, quase US$ 33,2 milhões. No restante dos mercados aonde o filme já estreou, ele faturou cerca de US$ 61,6 milhões. Um bom desempenho, e que garante mais um sucesso para a filmografia de Allen.

Blue Jasmine foi rodado em Nova York, em San Francisco e em diferentes cidades da Califórnia.

Agora, uma curiosidade sobre esta produção: a figurinista Suzy Benzinger tinha um orçamento de apenas US$ 35 mil. Apenas a bolsa Hermès que Jasmine carrega valia mais do que isso. Desta forma, Benzinger precisou conseguir emprestada não apenas a bolsa, mas a maioria das roupas de grife que aparece na produção.

As atrizes Cate Blanchett e Sally Hawkins foram as únicas do elenco a terem o script completo durante as filmagens. Os demais atores tiveram que improvisar bastante.

Inicialmente, o ator Bradley Cooper tinha sido sondado para fazer um papel no filme, mas por conflitos de agenda ele acabou ficando de fora do projeto.

Os usuários do site IMDb deram a nota 7,5 para Blue Jasmine. Uma boa avaliação, mas abaixo de vários concorrentes do filme no Oscar. Os críticos que tem os seus textos linkados no Rotten Tomatoes dedicaram 176 críticas positivas e apenas 17 negativas para a produção, o que lhe garante uma aprovação de 91% e uma nota média de 8.

Esta é uma produção 100% dos Estados Unidos, por isso o filme entra na lista de produções que atende a uma votação feita aqui no blog.

CONCLUSÃO: A mulher elegante que fala sozinha e que conta, para quem quiser ouvir, detalhes da própria vida, ganhou um filme em sua homenagem. Blue Jasmine persegue os passos desta mulher quando ela não tem mais o que tinha. Um filme bem contado, com a duração exata, e com algumas cenas impagáveis. Bem ao estilo de Woody Allen. E ainda que a consagrada Cate Blanchett brilhe em seu papel, fica complicada a comparação. Digo isso não apenas porque ela concorre com nomes incríveis no próximo Oscar, mas também porque as entregas das atrizes que estão disputando o prêmio mais vistoso de Hollywood são muito diferentes. Mas falarei sobre isso logo mais, no tópico abaixo.

Sobre o filme… é uma história interessante, que foca uma parte menos “visível” da mentirosa classe alta e que vive de golpes. A mulher frágil não é idiota, ainda que seja feita de muita complexidade. Allen, como em outros filmes, vai esmiuçando a alma da protagonista e, através desta lente apurada, percebemos as suas relações, conhecemos os seus desejos e limites. Mais um filme humano, demasiado humano, e que trata dos efeitos irreversíveis que uma vida de escolhas equivocadas pode provocar. O inferno não são os outros, segundo Blue Jasmine. Bem escrito, envolvente, só não tem a potência para ser inesquecível. Há filmes melhores de Blanchett e Allen – separados – no mercado.

PALPITES PARA O OSCAR 2014: Impressionante como Cate Blanchett “papou tudo” por causa de seu desempenho em Blue Jasmine. A atriz, uma das melhores de seu geração, para o meu gosto, ganhou os principais prêmios da temporada por seu trabalho como Jasmine. Ela merece toda esta badalação? Sem dúvida, Blanchett está perfeita neste filme. E também merece qualquer prêmio pelo conjunto da obra. Mas e as outras concorrentes no Oscar?

Antes de falarmos delas, vamos relembrar para quais estatuetas Blue Jasmine foi indicado: Melhor Roteiro Original, Melhor Atriz para Cate Blanchett e Melhor Atriz Coadjuvante para Sally Hawkins. Destas indicações, a única que pode dar um Oscar para o filme é mesmo a indicação de Blanchett. Acompanhei as últimas premiações e reparei em como ela ganhou todos os prêmios – do Globo de Ouro até o Screen Actors Guild, os dois principais na corrida pré-Oscar.

Talvez por saber disto e por acompanhar a carreira de Blanchett, eu esperava mais dela em Blue Jasmine. Certo, alguém pode dizer que eu estou cometendo uma heresia. Mas não me entendam mal. Não quero dizer que ela não esteja muito bem no papel. O filme é dela – e foi feito desta forma, como tantos outros filmes de Allen que são planejados para a atriz protagonista brilhar (e as demais atrizes da produção também).

Mas é que com tantos prêmios recebidos, eu estava esperando uma interpretação acima de qualquer dúvida, de qualquer suspeita. E não foi isso que eu vi. Ainda preciso assistir ao trabalho de outras duas feras para concluir definitivamente sobre a categoria Melhor Atriz: Meryl Streep e Judi Dench. Mas apenas comparando o trabalho de Blanchett, de Amy Adams (American Hustle, comentado aqui no blog) e de Sandra Bullock (Gravity), acho que a Academia deveria premiar a… Bullock.

Sim, nem eu acredito que escrevi isso. Em qualquer situação eu acho Blanchett melhor que a Bullock. Mas desta vez, mesmo achando o roteiro de Gravity fraco, vejo uma entrega muito maior de Bullock que de Blanchett em seus respectivos filmes. Blue Jasmine não é o papel da vida de Blanchett. Mas talvez seja o filme em que Bullock mais se esforçou. De qualquer forma, acho que seria uma zebra Blanchett perder esta. E não será injusto, por tudo que ela já fez no cinema – e, até agora, ela nunca recebeu um Oscar como Melhor Atriz, apenas como Melhor Atriz Coadjuvante. Está na hora dela ganhar, é claro.

Dito isso, não estarei torcendo por ela na noite do Oscar. Mas também não acharei nada injusto se a Academia lhe fizer justiça. Nas outras categorias em que o filme está concorrendo, não vejo chances em Melhor Atriz Coadjuvante – onde a estatueta está sendo disputada a tapas por Lupita Nyong’o (de 12 Years a Slave, que eu comentei neste texto) e por Jennifer Lawrence (de American Hustle) – e nem em Melhor Roteiro Original.

Neste último, francamente, acho que o prêmio deveria ir para Her (comentado por aqui) ou para Dallas Buyers Club (para o qual você encontra uma crítica aqui). Ainda que American Hustle – que jamais seria o meu voto – possa surpreender. Mas Blue Jasmine… ainda que tenha um texto muito bom, corre por fora. No dia 2 de março nossas dúvidas serão respondidas.