Der Baader Meinhof Komplex – O Grupo Baader Meinhof


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Não é nada comum a história de um grupo político extremista, posteriormente considerado terrorista, virar filme. Muito menos uma superprodução. Então por que o grupo RAF (de Rote Armee Fraktion, ou Fração do Exército Vermelho) rendeu o indicado ao Oscar e, de quebra, o filme mais caro da história da Alemanha, chamado Der Baader Meinhof Komplex? Uma das razões principais é que a Alemanha é um dos únicos países que verdadeiramente discute e expõe as suas chagas. Depois, porque o RAF marcou nada menos que três décadas da história do povo alemão. O resultado da adaptação de sua história para os cinemas é um filme de ação repleto de mortes, explosões e drama psicológico, com um roteiro que vai fundo nos bastidores do grupo. Mas este roteiro, como consequência de um enfoque maior nos integrantes da “primeira geração” do grupo, deixa um bocado de uma possível contextualização histórica de fora. Além de compreensível, achei a escolha necessária – afinal, o cinema não está aí para ser didático.

A HISTÓRIA: Narra a conduta dos movimentos de resistência à política alemã nos anos 60 e 70, partindo dos discursos de Ulrike Meinhof (Martina Gedeck) até a ação de “guerrilha urbana” comandada pelo casal Andreas Baader (Moritz Bleibtreu) e Gudrun Ensslin (Johanna Wokalek). O corte histórico vai desde as férias da família Meinhof na ilha de Sylt, em junho de 1967, até o assassinato do empresário Hanns Martin Schleyer (Bernd Stegemann) na fronteira da Bélgica com a França em 1977. Neste corte de uma década, acompanhamos as mudanças no movimento que surgiu com alta dose de ideologia e terminou com a execução de diferentes crimes e, de quebra, conhecemos alguns dos personagens do que foi considerado duas das três gerações da RAF.

VOLTANDO À CRÍTICA (SPOILER – aviso aos navegantes que boa parte do texto à seguir conta momentos importantes do filme, por isso recomendo que só continue a ler quem já assistiu a Der Baader Meinhof Komplex): Andei lendo um ou outro texto por aí que critica o tom “hollywoodiano” desta superprodução alemã. Como se todo filme com explosões, bombas e assassinatos em primeiro plano fosse coisa do cinema estadunidense – falta de informação ou memória história do cinema, eu diria. Como, afinal, alguém pensava em contar uma história sobre atentados a bomba e crimes variados sem mostrá-los, sem fazer um filme que roçasse, pelo menos em parte, no gênero da ação?

Não acho que o problema de Der Baader Meinhof Komplex esteja em suas cenas de violência, crimes e explosões. Afinal, tudo isso fez parte da trajetória deste grupo chamado RAF – e que no filme e na História propriamente dita, devo salientar, muda de nome várias vezes. O problema do filme, como muitas histórias “baseadas em fatos reais” – ainda que esta linha não apareça em momento algum na tela – é que ele recria a “verdade” deixando muitos elementos de fora. E se ele sofre de alguma característica negativa do cinema hollywoodiano é o de um roteiro raso, que dedica muito mais tempo – e close de câmera – em tiros na cabeça do que em explicar o que está acontecendo dentro de um contexto e com informações realmente precisas (como o número de mortes em cada atentado do RAF, por exemplo, ao invés de sugerir várias mortes sem fixar o valor exato).

Longe de mim defender a conduta de um grupo que, em 28 anos de atividade, matou 34 pessoas. Mas, convenhamos, que imagem o filme dirigido por Uli Edel, com um roteiro de Bernd Eichinger (com ajuda do diretor) inspirado no livro do jornalista Stefan Aust nos passa? A impressão que temos, especialmente com os ataques do grupo contra embaixadas e de mais pontos estratégicos dos Estados Unidos em solo alemão, é de que eles fizeram muito mais do que 34 vítimas pelo caminho. Tanto que chega-se, lá pelas tantas, ao absurdo de comparar os atentados com bomba do grupo com cenas de guerras.

Claro que o assassinato de quem quer que seja não se justifica nunca, mas é comparável 34 mortes em 28 anos de atividades de um grupo contrário ao apoio que o governo dava para os Estados Unidos, com as mortes, neste período, provocada pelos ianques de milhares de pessoas em conflitos como a Guerra do Vietña? A história revela que apenas nesta guerra – repudiada pelo grupo responsável pelo surgimento da RAF – foram mortos mais de 3 milhões de vietnamitas – o número exato deste “mais”, como sempre, não se sabe. Isso para citar apenas esta guerra, sem contar as pessoas que foram mortas dentro da Alemanha durante os anos de “estado policial”, como definiu Ulrike Meinhof.

Por tudo isso, é importante dar a mão a palmatória que poucos países como a Alemanha tratam de forma tão aberta as chagas de sua história recente ao mesmo tempo em que é fundamental saber de que forma estes assuntos são tratados. Seria muito inocente da minha parte assistir a Der Baader Meinhof Komplex e simplesmente fazer uma reverência aos seus autores. Recomendo a busca de mais informações para os interessados, seja em sites que tratam da história da RAF (como este link da Deutsche Welle, que faz uma retrospectiva de reportagens sobre o grupo; ou este texto interessante do blog Ops!) ou naqueles que contam um pouco dos “bastidores” da época. Ou seja, que contextualizam o movimento – algo que o filme não faz. Ou melhor, faz de maneira ligeira e um bocado irresponsável.

Se formos olhar apenas pela ótica de Aust, Eichinger e Edel, o grupo de esquerdistas que vira um grupo de “terroristas” – adjetivos financiados pelos governos, sempre – parece um bocado utópico e até infantil. Afinal, eles chamam os policiais de “porcos” e defendem o assassinato de todas as pessoas que são a favor dos capitalistas ianques. Certo que a maioria do – para não dizer todo – discurso panfletário parece exatamente isso: simples textos repletos de palavras de ordem que, no fim das contas, parecem infantis e irresponsáveis. Mas fora uma pequena parte do discurso de Meinhof – que era o cérebro da organização -, especialmente no final de sua vida, que realmente parece exagerada e pueril, o essencial de seus questionamentos eram e ainda são válidos. O problema é que o movimento da RAF, assim como todos os outros que existiam no afã de buscar um “mundo mais igualitário e justo”, se mostrou inócuo e incapaz de perdurar. Até porque eles usaram de um recurso que jamais teria êxito – pela desigualdade de forças: o da violência.

Mas deixando a questão do roteiro – que, baseado no livro de Stefan Aust, cai nos mesmos erros que o original – de lado por um tempo, vamos falar da qualidade técnica de Der Baader Meinhof Komplex. Não por acaso o filme se tornou um dos mais caros da história do cinema alemão – digo um dos mais porque Perfume, por exemplo, que é co-produzido pela Alemanha, custou mais que ele. Der Baader Meinhof Komplex consumiu nada menos que 20 milhões de euros. E, para a sorte de seus produtores, acabou se pagando – apenas na Alemanha, até novembro de 2008, ele havia faturado pouco mais de US$ 21,3 milhões.

A reconstrução de época – anos 60 e 70 – é perfeita, com a filmagem de cenas difíceis, como o conflito entre estudantes, manifestantes e policiais durante a visita de Farah Pahlavi, imperatriz do Irã (última da Pérsia), à Alemanha, feita de forma exemplar. Uli Edel mostra punho firme, visão de conjunto e talento narrativo nesta e em outras cenas do filme. Por outro lado, se lança ao recurso fácil da “contextualização histórica” da época com um videoclipe regado a rock’n roll pelos minutos 19 e 20 do filme. Algo rápido e ligeiro, afinal, é preciso dar mais espaço para as “loucuras” dos terroristas sanguinários do RAF. Quero deixar claro que não estou defendendo ninguém, mas é que chega a ser cômica a escolha dos narradores desta produção. Para resumir, achei muito, mas muito desigual o tratamento que é dado para fatos mais ou menos importantes.

A direção de Edel é competente, para resumir, ainda que o material com o qual ele trabalha – e que ajudou a lapidar – seja fraco, partidário e inacabado. As cenas magistralmente filmadas – especialmente as de ação e de “aprofundamento psicológico” dos personagens – devem muito ao trabalho do diretor de fotografia veterano Rainer Klausmann. Gostei também do trabalho do editor Alexander Berner, que garante um ritmo acelerado para quase todo o filme – ainda que, admito, os quase 150 minutos da produção me cansaram um pouco. A trilha sonora, assinada por Peter Hinderthür e Florian Tessloff, por sua vez, é perfeita – incluindo canções que marcaram a época de “resistência” retratada. A direção de arte e a equipe responsável pelos figurinos também fizeram um trabalho competente.

Mas um dos grandes méritos do filme, para mim, foi o de reunir um elenco feminino de primeiríssima linha. Ouso dizer que Der Baader Meinhof Komplex nos apresenta o melhor grupo de intérpretes da atualidade – pelo menos no que se refere às novas gerações. (SPOILER – não leia se você ainda não assistiu ao filme). Tanto isso é verdade que o filme se dá ao luxo de ter Alexandra Maria Lara em uma ponta – ela aparece, praticamente, apenas para morrer. Nadja Uhl, Hannah Herzsprung e Katharina Wackernagel também não aparecem muito – ainda que mais que Maria Lara. E as estrelas do filme… Martina Gedeck e Johanna Wokalek dão um show e mostram porque são dois dos nomes centrais do cinema alemão atualmente.

Do lado masculino, além do já citado Moritz Bleibtreu, o veterano Bruno Ganz em um papel secundário, assim como Stipe Erceg (de Edukators), o inspirado Vinzenz Kiefer, Tom Schilling (que interpretou Adolf Hitler no ainda inédito Mein Kampf), e os competentes Sebastian Blomberg, Hans Werner Meyer e Simon Licht. Ainda que o filme seja mais feminino que masculino – basta perceber o tempo em que cada personagem ganha de destaque na história.

NOTA: 8.

OBS DE PÉ DE PÁGINA: Dei a nota acima para o filme mais pela qualidade técnica e pelas interpretações do elenco do que pelo roteiro – que, insisto em afirmar, simplificou demais a história do grupo. Certo que seria impossível contextualizar o que aconteceu de principal nas conturbadas décadas de 60 e 70, mas acho que um pouco mais de cuidado em mostrar a base do discurso do grupo não faria mal para ninguém. Certo que ninguém, atualmente, quer saber das motivações dos extremistas e/ou terroristas – ainda que, para mim e para o personagem de Bruno Ganz na história, essa compreensão deveria ser vista como fundamental. Uma coisa são os loucos que dão tiros nos outros motivados por uma frustração mal resolvida internamente – e que usam a desculpa da “manipulação da mídia” para ter idéias de assassinato -, outra bem diferente são os grupos que partem para a violência depois de serem motivados por causas políticas. A estes últimos é preciso, penso eu, dar atenção e agir com parcimônia e autocrítica.

Um dos principais erros da Alemanha, assim como de tantos outros países naqueles anos de “caça aos comunistas”, foi o de silenciar por meio de tiros as pessoas que eram contrárias a suas políticas. Um Estado policial não existiu apenas na Alemanha, naqueles anos. E algo que me incomodou nesta história foi mostrar o governo alemão, normalmente, como “bonzinho”, como vítima de um grupo de “porraloucas” – como, muitas vezes, é retratada a RAF. Ou alguém vai me dizer que o governo alemão não torturava e prendia pessoas que eram contra suas políticas, como ocorria no Brasil? Duvido muito que 25% dos alemães chegaram a apoiar a RAF por pura demagogia ou “insanidade coletiva”, como havia ocorrido anteriormente com o regime nazista. Sempre acho que é preciso olhar para quadros como este com maior atenção, para saber o que faz com que tanta gente apoie algo que, inicialmente, é absurdo.

(SPOILER – não leia se você não assistiu ao filme). Achei interessante esta entrevista com Stefan Aust que compara o Outono Alemão, em 1977 – período em que foi sequestado o empresário Schleyer, o avião da Lufthansa e quando alguns dos líderes da RAF cometeram suicídio na prisão -, com o 11 de setembro dos Estados Unidos – fazendo referência ao impacto que os fatos tiveram para a memória dos alemães e dos norte-americanos. Ele diz ainda que muita gente, atualmente, na Alemanha, ainda trata a RAF como um grupo de “heróis revolucionários”. E que a intenção de seu livro e do filme é a de trazer “o grupo de volta para a terra. Fazer deles humanos e mostrar o que eles realmente fizeram. Porque terrorismo é terrorismo e as pessoas às vezes esquecem-se disso”. Certo. Agora entendi, ainda mais, porque Der Baader Meinhof Komplex chegou entre os finalistas ao Oscar 2009 na categoria de Melhor Filme Estrangeiro. Ainda que ele fosse violento demais para ganhar a estatueta, ele chegou até lá por deixar claro essa mensagem de combate aos terroristas, tão importante nos dias atuais.

Aproveitando que estou falando em prêmios… Der Baader Meinhof Komplex ganhou dois prêmios e foi indicado a outros seis em sua trajetória até o momento. Os únicos que ele venceu foram secundários… o de melhor produção para Bernd Eichinger no Bavarian Film Awards e o Bronze Frog para Rainer Klausmann no Camerimage. Nada significativo, para resumir.

Os usuários do site IMDb conferiram a nota 7,4 para o filme – um bocado generosa, para os padrões do site. Enquanto isso, os críticos que tem textos publicados no Rotten Tomatoes dedicaram 17 análises positivas e cinco negativas para a produção – o que lhe garantiu uma aprovação de 77%.

Mesmo não sendo muito justo com a história, o filme parece acertar em alguns pontos. Como mostrando que os terroristas da RAF atacavam, essencialmente, alvos estratégicos – exceto na fase final, quando começaram a visar inclusive alvos civis. Por isso, talvez, irritavam tanto o governo alemão, que perdeu alguns nomes importantes da época. Também acerta ao mostrar um certo despreparo – ou seria conivência – do governo em enfrentar os terroristas, facilitando, ao que tudo indica, as suas mortes na prisão. Dez anos depois do final do grupo – que terminou, oficialmente, em 1998 -, o filme foi lançado e, com ele, reapareceram uma série de dúvidas e perguntas na sociedade alemã sobre aqueles anos em que a RAF esteve atuante. Reportagens como esta lançam dúvidas sobre erros do serviço secreto e da Justiça alemães – como a acultação de informações para que inocentes fossem condenados e para que culpados ganhassem indultos.

Um detalhe: este é um filme produzido pela Alemanha, França e República Checa.

CONCLUSÃO: Uma superprodução do cinema alemão que tenta contar, em pouco menos de duas horas e meia, dez anos de atividade do grupo RAF, responsável por 34 mortes em 28 anos de existência. Sem contextualizar a história do grupo de esquerdistas que acaba se transformando em “terroristas” na visão do governo alemão, o filme perde em legitimidade. Mas, mais que isso, ele abre mão de contar em detalhes sobre a vida de alguns dos envolvidos, incluindo os integrantes da RAF e, principalmente, de suas vítimas. No fim das contas, somos apresentados a um recorte superficial da vida dos líderes do movimento e a praticamente informação alguma de seus alvos. Tecnicamente bem feito e com um elenco feminino de primeira grandeza, é o típico filme que se perde em um roteiro fraco e relapso.

SUGESTÕES DE LEITORES: Der Baader Meinhof Komplex acabou entrando na minha lista de filmes alemães para serem assistidos depois que este país foi escolhido pelos leitores do blog para uma série de críticas no site. Mas, devo comentar, que eu estava de olho nele desde o final de 2008 – afinal, eu vinha acompanhando a “polêmica” que a produção estava levantando na Alemanha. E minha curiosidade aumentou ainda mais quando ele foi pré-selecionado para o Oscar deste ano – ainda que eu já soubesse que ele praticamente não tinha chances de ganhar a estatueta. Foi bom ter assistido ao filme, ainda que ele tenha ficado muito abaixo do que eu esperava. Não gosto de filmes que procuram ser sérios demais e que não conseguem chegar nem perto de contar uma história legítima.

Sobre Alessandra

Jornalista com doutorado pelo curso de Comunicación, Cambio Social y Desarrollo da Universidad Complutense de Madrid, sou uma apaixonada pelo cinema. Em outras palavras, uma cinéfila inveterada. Também tenho Twitter, conta no Facebook, Polldaddy, Youtube, entre outros sites e recursos online. Tenho 20 anos de experiência como jornalista e hoje trabalho com inbound marketing em Florianópolis (SC), Brasil.

15 Respostas

  1. Luiz Santos

    Amigo, todo pensamento revolucionário é uma espécie de loucura. O filme retratou muito bem a realidade, a crueldade a qual pode se chegar por se ter a arrogância de se imaginar que existe um projeto de mundo melhor e de que todos aqueles que forem contra esse projeto devem ser eliminados. Ao julgar as ações da RAF não importa quais foram as intenções, nem os seus discursos, mas apenas o que de fato fizeram, i.e., causar mortes de pessoas que apenas cumpriam seus deveres. E é justamente pelas mentiras da chamada mídia esquerdista, pela teimosia em não admitirem suas culpas é que o pensamento revolucionário faz essa inversão de valores, os opressores se tornando os oprimidos, sendo que, seguindo o erro de Marx, atribuem-se uma autoridade que será “julgada pela história”, como se a história pudesse ter um fim em si mesma tal como uma vida humana, atributo que jamais terá.

    É difícil se ver um filme que tenha se atentado à realidade de modo tão vigoroso quanto este. Antes de escrever uma crítica sobre um grupo revolucionário, deveria estudar mais sobre o pensamento revolucionário. Daí se vê o quanto o filme foi fiel ao que realmente aconteceu, o fascínio que grupos como esse geram nos “idiotas úteis”. A sua crítica que é rasa e relapsa, não o filme.

    Ademais, como não ter seriedade com um assunto tão sério quanto esse? Se a cultura de massas não se prestar nem à discussão de um assunto grave assim, deveria ser extirpada da vida cultural.

    Ademais, todos sabem que o verdadeiro massacre de vietnamitas ocorreu quando os americanos aceitaram as críticas da imprensa e ativistas irresponsáveis e saíram do Vietnã, quando o ditador comunista matou cerca de 3-4 milhões de opositores do regime, sendo que a grande maioria eram civis.

    O pensamento revolucionário somente provoca morticínio, foi isso que o filme retratou bem, fez que o que era específico ao seu meio fazer. Péssima crítica.

    Curtido por 1 pessoa

    1. Daniel

      Após finalmente assistir ao Der Baader Meinhof Komplex e, curioso, buscar críticas disponíveis online, chego alguns anos atrasado a esse debate.
      Minha intervenção no entanto não se dirige à crítica, mas ao comentário do Sr. Luiz Santos que, dentre tantas informações e opiniões confusas, emite uma que me deixou francamente impressionado por seu distanciamento da realidade:

      “o verdadeiro massacre de vietnamitas ocorreu quando os americanos aceitaram as críticas da imprensa e ativistas irresponsáveis e saíram do Vietnã, quando o ditador comunista matou cerca de 3-4 milhões de opositores do regime”

      O que me impressiona é como pode tal afirmação, historicamente equivocada, ser apresentada com tanta certeza e de forma tão categórica. Prefiro acreditar que não se trata de má-fé por parte do Sr. Luiz, mas falta de informação aliada à cegueira ideológica.
      Aparentemente ele faz confusão entre os fatos ocorridos no Vietnam e no Camboja. Acontece que a loucura genocida de Pol Pot e do Khmer Vermelho no Camboja, aí sim com o assassinato de milhões de pessoas (não só opositores, mas pessoas cuja simples existência contrariava a alucinação de “engenharia social” do regime) foi interrompida justamente pela intervenção das forças armadas do Vietnam, forças essas que haviam passado as últimas décadas em confronto e vencido o exercito mais poderoso do mundo. Com a liberação do Camboja pelos seus inimigos vietnamitas, os EUA não se furtaram a apoiar o genocida Khmer Vermelho por toda a década seguinte.
      Bom, essas informações são História e estão disponíveis em qualquer pesquisa boba de internet. No entanto há relatos bastante aprofundados e impressionantes, como por exemplo os de Tiziano Terzani, jornalista italiano que escrevia justamente para o semanário alemão Der Spiegel, cobriu de perto o conflito e compilou textos sobre ele em mais de um livro.
      Ao Sr. Luiz, recomendo apenas que pesquise um pouco mais antes de trazer a público alguma informação.
      Abraços,
      Daniel.

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  2. Luiz Santos

    Ademais, justamente esses grupos que tu chamas que lutam motivados por causas “justas” e “políticas”, eles são mais perigosos do que esses loucos que matam apenas por causas psico-patológicas, porque se vê que esse modo de pensar se propaga, é uma loucura muito mais grave do que o de um psicopata – sem contar o fato de que esse pensamento revolucionário torna as pessoas realmente incapazes de viver em sociedade. Aquele número, 25% de aprovação à RAF: eram 25% da população doentes, que acreditaram em todas as mentiras revolucionárias.

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  3. Luiz Santos

    Havia espancamento policial realmente, mas uma coisa é espancamento e outra é matar uma pessoa. Quem perdia na troca eram os policiais assassinados.

    No Brasil os terroristas mataram 200 pessoas, sendo que cerca de 300 do outro lado foram mortos em combate. Com exceção do Vladmir Herzog e outros poucos casos, os terroristas sempre foram mortos em combate. E execuções sumárias houve às pencas no lado revolucionário, como Lamarca (ou Marighella) que matou covardemente a coronhadas um prisioneiro. Aquilo era uma guerra. Mas tinha uma coisa: o povo estava maciçamente a favor da ditadura no início, basta ver a mobilização popular da época. Acreditar que os militares não tiveram apoio popular em 64 é viver no mundo da lua, uma pessoa assim está totalmente fora da realidade.

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    1. luzanildo

      Gostei de tua crítica em relação ao filme Der Baader Meinhof Komplex, realmente o filme tem lacunas, quando não deixa claro a conjuntura histórica daquela época, tecnicamente seus efeitos são muito bons. Agora embora este não seja o espaço para tal, mas não pude deixar de ler o comentário acima; e é de dar dó como algumas pessoas são incapazes de conviver com o diferente, embora sempre achem que os outros é que são. E como sou físico de formação, quero dizer que revolucionário são todos os astros do universo, pois revolução é movimento, e tudo que vive em tese está em movimento, gostei do teu site porque sai da mesmice dos outros sites de cinema.

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  4. Alessandra, por favor, leia sua própria frase:

    “Essa é sua postura situacionista que defende todo e qualquer governo, por mais absurdo que ele seja – ou por maiores crimes que ele cometa contra a liberdade e as pessoas – pelo simples fato de que este governo significa a “ordem” vigente”.

    Eu perdi 5 minutos do meu precioso tempo e li que o blog não foi criado para discutir política ou levantar bandeiras. No entanto, vc o fez com a frase destacada acima. Aliás, creio que seja impossível não se integrar a uma causa política quando pretende discutir filmes desse teor. (No caso seria vc que teria que perder 5 minutos do seu precioso tempo para ler a teoria weberiana – de que é impossível afastar-se de causas ideológicas, uma vez que elas estão arraigadas à nossa formação).

    Todavia, de qualquer maneira, concordo com que deveria ter havido no filme uma contextualização mais adequada deste movimento. O filme passa a idéia de algo direcionado, que não se propõe a compreender as causas. É como se partisse de uma idéia que não se atentasse a relativizações do tema.

    De qualquer forma, a parabenizo pelo post.

    Gilson Caputi
    politicaecotidiano.blogspot.com

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  5. Ricardo

    Todo radicalismo é ruim, seja de direita ou esquerda. Eu fiquei impressionado com o filme, mas pela forma honesta com que ele retratou os “revolucionários” da RAF: moleques fanfarrões, procurando um pouco de ação em suas vidinhas boas e monótonas de Primeiro Mundo, que se deixaram levar longe demais no uso da violência e se tornaram terroristas.
    A cena na Jordânia em que Andreas Baader tenta “explicar” aos terroristas islâmicos locais que “foder e atirar são a mesma coisa” diz tudo a respeito da “ideologia” que permeava a cabeça desses moleques terroristas, criados com cereal e danoninho.

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    1. rodinei coli

      Ricardo, como pode um ser humano ter uma opinião superficial dessa forma? Tipicamente de um carneirinho de terceiro mundo. sugiro ler a tradução da musica que encerra o filme Blowin in the wind.

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  6. Edison

    Não sou crítico de cinema, ativista político ou mesmo conhecedor da história. Simplesmente vou me ater ao que vi e percebi, como simples cinéfilo. Confesso que fiquei curioso para saber mais a fundo o que foi o grupo Baader Meinhof (sempre fui fascinado por esse nome e fiquei surpreso e um tanto decepcionado em saber que se tratava dos nomes dos fundadores) e o que representou. Assisti o filme grudado na tela e fiquei absolutamente interessado em como a história foi contada, de forma sistemática e, creio, muito eficiente. Não sei se o filme se ateve com fidelidade aos fatos históricos, mas acho que conseguiu, além da narrativa propriamente dita, criticar as ações de ambas as partes, os terroristas e o governo alemão. Ambas decerto falhas, mas simplesmente num confronto intenso e desigual. Não considerei o filme violento demais, creio que a temática necessitava de tais cenas. Também gostei muito dos atores, principalmente do que faz o Baader e, principalmente, a atriz que faz sua namorada. Considero um filme que deve ser assistido, quase imperdível. E pra finalizar, gostaria de parabenizar a crítica Alessandra, com comentários mto profundos e interessantes, muito difíceis pra mim, um simples leigo que adora cinema!

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