Noah 3D – Noé 3D


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Um dos mitos mais fascinantes da Bíblia se tornou o mais novo projeto de um dos meus diretores preferidos. Como não assistir a Noah? Mesmo não querendo saber muito sobre o filme antes de buscá-lo em uma sala 3D, li uma e outra chamada de críticos detonando a performance de Russell Crowe. Mas me arrisquei mesmo assim, porque sempre gostei do trabalho de Darren Aronofsky. E não me enganei. Noah é um filme bem conduzido e que tem momentos verdadeiramente impactantes. É destas experiências gratificantes em uma sala 3D. O que mais você pode querer?

A HISTÓRIA: No início, não havia nada. Mas daí tudo foi criado, até chegarmos a Adão e Eva. Com eles, surgiu o pecado. A partir dos filhos do casal surgiu também o primeiro assassinato, quando Caim matou Abel. Seres iluminados tentaram ajudar os homens, mas por traírem a vontade divina, eles acabaram sendo aprisionados na Terra, ficando conhecidos como os Guardiões. A linhagem de Methuselah (Anthony Hopkins) prossegue até Noah (Dakota Goyo quando criança, Russell Crowe na fase adulta). Após ouvir a história anterior do pai, Noah vê ele ser assassinado. Adulto, tenta passar para os filhos Shem (Douglas Booth), Ham (Logan Lerman) e Japheth (Leo McHugh Carroll) os princípios dos antepassados, especialmente o amor à Deus e à sua criação. Mas tudo muda na vida da família quando Noah começa a ter visões sobre o fim do mundo como eles o conheciam.

VOLTANDO À CRÍTICA (SPOILER – aviso aos navegantes que boa parte do texto à seguir conta momentos importantes do filme, por isso recomendo que só continue a ler quem já assistiu a Noah): Até prevejo os dois estilos de comentários que este post vai render. O primeiro, de pessoas que sempre estão mais interessadas na experiência que o cinema pode proporcionar, independente da fonte de inspiração para o cineasta e sua equipe. O segundo, de pessoas que estão mais interessadas na origem do filme do que no produto cinema.

Isso aconteceu antes e deve se repetir sempre, e especialmente, quando a fonte da história contada no cinema for a Bíblia. The Book of Eli (com crítica por aqui) é um dos comentários sobre filmes que eu fiz que mais rendeu “marola” no site. E nem tanto porque as pessoas discordavam ou concordavam com a minha análise do filme, mas especialmente porque queriam falar sobre as suas próprias crenças. Então, caro/a leitor/a, se você faz parte do segundo grupo, por favor, tente entender que este é um blog que fala sobre cinema e não sobre religião. Por isso mesmo, não vou discutir por aqui o teu ou o meu credo.

Feito este “preâmbulo” para a crítica, vamos ao que interessa. Noah em sua versão 3D. Sim, porque este filme, a exemplo de Gravity (comentado aqui) e Avatar (com crítica neste link), merece ser visto na versão da tecnologia na qual ele foi planejado desde o princípio. Noah tem cenas verdadeiramente impactantes, uma ótima direção de fotografia de Matthew Libatique e sequências cheias de efeitos especiais que tem uma dinâmica diferente nas salas 3D.

Dito isso, vamos voltar ao que eu comentei lá no início. Ao mesmo tempo que eu achei surpreendente a escolha do diretor Darren Aronofsky em explorar uma história bíblica, devo admitir que a ideia foi um verdadeiro achado. Afinal, a história de Noé nunca tinha sido explorada com toda a tecnologia que o cinema atual propicia. E este mito da Bíblia, além de ser um dos melhores em termos de impacto visual, também revela-se muito forte na mensagem que ele quer passar.

Importante dizer e repetir que a história de Noé é um mito bíblico porque, evidentemente, ela não aconteceu. Pelo menos não da forma literal que muitos insistem em acreditar – mas que a própria Igreja afirma que não foi bem assim. O importante da história de qualquer mito é o que ela quer nos dizer. E neste sentido, Noah, o filme, cumpre bem o seu papel.

Primeiro de tudo, Aronofsky soube, mais uma vez, conduzir bem uma história. Sabendo equilibrar momentos de introspecção e de narrativa mais lenta com aqueles de pura ação e adrenalina. Há um bocado de ação em Noah, mas também várias sequências que fazem as pessoas se emocionarem, exercerem a empatia e pensarem sobre o que está sendo dito/mostrado.

A essência da história é que após um longo período de decepção com a raça humana, Deus decide acabar com o último elo de sua Criação. Após o “pecado original” de Adão e Eva, parte da humanidade teria caído em disputas motivadas pela busca pelo poder e pela cobiça. Apenas os descendentes de Methuselah (na tradução, Matusalém) seguiram o caminho do bem. Mas nem eles são poupados, como o início do filme mostra quando o pai de Noé é morto na frente do filho, que foge.

O principal da criação que Noé passa para os filhos, o mais velho Shem, o segundo Ham e o mais novo, Japheth, é o respeito a cada pedaço da criação de Deus. Assim, ele ensina para Ham que ele não deve arrancar uma flor do chão apenas porque ela é bonita, já que ela tem um propósito na Natureza e não deve ser retirada se não for por necessidade. No momento em que Noé ensina este princípio para o filho, ele tem a primeira visão. Outras virão. Cada uma delas é o ponto alto do filme em termos de uso de efeitos especiais e simbolismo.

O dilúvio vislumbrado por Noé é encarado como a redenção para a Humanidade, que havia se perdido após o pecado original. O primeiro problema desta produção, para o meu gosto, é quando surgem os Guardiões. Bem mal-feitos, eles ficam no meio do caminho entre seres dantescos e o que eles deveriam ser: seres de luz aprisionados em pedras e lama. Em certo momento do filme, no momento de maior ação de Noah, quando se dá o embate pouco antes do caos, pela primeira vez os Guardiões se revelam interessantes – é quando, finalmente, eles se libertam e são salvos.

Mesmo que a imagem dos Guardiões deixe a desejar, a história deles convence e se revela interessante – seres de luz que tentam ajudar a Humanidade e que acabam punidos por Deus por causa disso. Quando sonha com a destruição do mundo, Noé também vê o monte de origem de seu ancestral, Methuselah. E é assim que ele e a família procuram pelo ancião, esbarram com os Guardiões e recebem do velho patriarca a semente que dará início ao oásis que servirá de matéria-prima para a arca gigantesca da qual todos já ouviram falar.

Interessante a saída encontrada por Aronofsky, que escreve o roteiro junto com Ari Handel, para a equação quase impossível de encher uma arca, por maior que ela seja, com um casal de cada bicho vivo sobre a Terra. Noé e família usam uma espécie de sonífero para fazer todos os animais “hibernarem”. Desta forma, todos são acomodados dentro da arca para uma viagem que ninguém sabe quando terá fim. Evidentemente que na prática aquela imagem seria impossível, mas o que importa é a mensagem de Noah.

E qual seria essa mensagem? Desde o pecado original, quando Adão e Eva desobedeceram a Deus e comeram a fruta da árvore proibida (que não apenas simboliza o pecado, porque representa a desobediência a Deus, mas também o desejo do homem e da mulher em possuir tudo, sua ganância, ambição e arrogância), passando pela morte de Abel pelas mãos de seu irmão, Caim – primogênito de Adão e Eva -, a Humanidade apenas caminhou ladeira abaixo.

Após o primeiro assassinato narrado pela Bíblica – o de Abel pelas mãos de Caim -, homens e mulheres teriam criado guerras e surgido diferentes pecados e crimes motivados pela cobiça, pela arrogância e pelo desejo de muitas pessoas em dominar a Terra sobre todas as outras criaturas. Muito bem, a história de Noé surge para mostrar como havia gente ainda fiel à Deus. Não apenas a família do protagonista é devota, mas ela simboliza quem ainda seguia a vontade de Deus e não a sua própria vontade.

Pois bem, quando Deus decide acabar com a Humanidade, por não acreditar mais em uma “salvação” para as pessoas que estavam perdidas em si mesmas, Noé lidera a família nos preparativos para a arca que deveria salvar a todos os animais vivos na Terra. Mas mesmo a família de Noé tinha problemas, como uma certa rivalidade entre os irmãos Ham e Shem. O conflito fica pior quando Ham vê o irmão acompanhado – por Ila (Emma Thompson Watson), adotado por Noé e pela mulher Naameh (Jennifer Connelly) – e percebe que ficará sem companheira para o futuro de um mundo sem outras pessoas.

Noé está seguro sobre a vontade de Deus e entende que a Humanidade deve terminar. Afinal, Ila não poderia ter filhos – até que o avô de Noé interfere nesta realidade -, ele e a esposa também não. Assim, quando o filho mais novo do casal morresse, a Humanidade teria terminado. Naameh quer o melhor para os filhos e buscando a felicidade deles, interfere nesta realidade com a ajuda de Methusalah. E daí surge o questionamento fundamental do filme: Noé acredita que o mal está em todas as pessoas, e que mesmo quem se diz do bem é capaz de matar para defender um filho.

Para o protagonista, é preciso vigiar a própria vontade e ser fiel à Deus. Desta forma, mesmo tendo o bem e o mal dentro de si, a pessoa vai trilhar o caminho do bem porque não cairá na tentação de fazer a própria vontade, mas de seguir o que o Criador deseja. Naameh é temente à Deus e concorda em seguir os passos do marido, mas não quer ver os filhos sofrerem e, por isso, segundo a visão de Noé, afronta a vontade divina.

Mas daí surge um ponderamento importante. (SPOILER – não leia se você não assistiu ao filme). Se Deus deu ao homem o poder de escolher entre o bem e o mal, e se nada que ele não deseja acontece, como dizer que a gravidez de Ila não é vontade de Deus? Algumas vezes acreditamos que estamos lendo os sinais de Deus corretamente, mas talvez em muitas situações a nossa compreensão limitada seja falha. Noé sofre com a própria “fraqueza”, acreditando que ao poupar as netas ele estava confrontando Deus. Mas nada aconteceria se o Criador não tivesse concordado com a “mudança de planos”. Ele teve misericórdia com a própria criação e resolveu nos dar uma nova chance.

Esta são algumas das reflexões do filme. Independente da crença de cada um, acho que alguns dos pontos citados acima – capacidade de escolha, cada pessoa abrigar o bem e o mal, possibilidade de ser fiel a um desejo superior ou seguir apenas os próprios desejos – valem para qualquer pessoa refletir sobre si mesma e os demais. Além de que Noah aparece em um momento importante, no qual estamos destruindo um bocado dos recursos naturais do mundo e ponderando sobre o nosso egoísmo como civilização – sem contar o choque que temos cada vez que um ato de crueldade é praticado em histórias ordinárias ao nosso redor.

Não há dúvidas de que esta produção aparece em um momento em que muita gente está questionando não apenas o que estamos fazendo, enquanto coletivo, mas também sobre as escolhas que praticamos cotidianamente como indivíduos. Perceber que não estamos sozinhos no mundo e que os nossos atos afetam aos demais independe de religião. Neste ponto Noah cumpre o seu papel de fazer qualquer pessoa refletir. Sem contar que o filme mostra o seu valor como obra de cinema. Explora bem os recursos narrativos e, principalmente, a tecnologia de ponta disponível para este tipo de arte. Ou seja, um bom programa sob qualquer ótica.

NOTA: 9.

OBS DE PÉ DE PÁGINA: Antes de mais nada, quero pedir desculpas pela ausência aqui no blog. Há duas semanas eu não publico nada, e este foi o tempo que me separa de ter assistido a Noah e de estar publicando este texto. Por esta razão, também não considero a crítica acima das melhores. Afinal, quanto mais demoro para falar de um filme que eu assisti, mais fácil para que eu perca detalhes de impressões que eu tive. Dito isso, acho que comentei a essência sobre o que achei desta produção por aqui – mas algo sempre se perde com este hiato de tempo. Tentarei evitá-lo nas próximas publicações.

Noah, como não poderia deixar de ser, é um filme carregado de valores. E de questionamentos. O primeiro valor explorado pela história e que me chamou a atenção foi o da retidão. Esta qualidade fica evidente na linhagem de Noah. A qualidade seguinte daquela família é o respeito extremo a tudo que é vivo – a tudo que é a criação de Deus. Nada deve ser usado ou destruído sem que isso seja extremamente necessário. Uma grande lição para os tempos atuais, quando as principais nações do mundo não conseguem nem mesmo o básico, que é reduzir o nível de poluição de seus países. Sem contar o restante dos problemas causados pelo consumismo e pelo exagero/desrespeito que as pessoas tem pelo que nos cerca.

Dos elementos técnicos do filme, destaque para a ótima direção de Darren Aronofsky. Não por acaso ele é um dos meus diretores favoritos de sua geração. Aronofsky soube conduzir muito bem a trama, com imagens verdadeiramente impressionantes em um filme que exigia cenas grandiloquentes e uma boa condução de atores. Merece aplausos também a impecável direção de fotografia de Matthew Libatique; a trilha forte e marcante de Clint Mansell e, principalmente, os efeitos especiais fantásticos da equipe liderada por Lindsay Boffoli. Para mim, o excelente trabalho de efeitos especiais se revela em todo o seu esplendor em dois momentos: primeiro, no sonho de Noé com a inundação; depois, com o “ressurgimento do Éden”, quando surge da semente dada por Methuselah a floresta que servirá de base para a arca.

Algo que achei interessante nesta produção é que ninguém no filme é visto acima de qualquer suspeita. Por exemplo: apesar do grande respeito que tem por tudo que foi criado por Deus, Noah não titubeia em matar agressores para proteger a própria família. O “não matarás” que está nos 10 mandamentos é desrespeitado, neste sentido. Em outro momento, o próprio Noah vai filosofar com a esposa de como todos carregam o bem e o mal dentro de si. Ele incluído, evidentemente.

Cada um vai tirar uma mensagem específica deste filme. (SPOILER – não leia se você não assistiu a Noah). Da minha parte, como católica, achei ótimo um dos meus diretores preferidos ter recontado um dos mitos mais significativos da Bíblia. Afinal, a história de Noé mostra o quanto vale a pena ser fiel à Deus. E o quanto isso é difícil no dia a dia. Afinal, há muitas tentações, diariamente, e recusar estas tentações, esmagando sempre que possível o orgulho, a soberba e a falsa ideia de que somos mais do que pó é difícil. Mas também recompensador. Além de tudo isso, essa história passa para mim a mensagem que, por mais que ele esteja decepcionado com a Humanidade muitas vezes, Deus é sempre perdão e amor. Isso é o que tiro desta história. Mas cada um vai tirar o que lhe parecer mais interessante.

Inicialmente eu achei os Guardiões toscos demais. Me assustei com o quanto eles foram “mal feitos”. Depois, claro, entendi a razão daquele aspecto tosco. Ainda assim, mesmo que justificados pela história, achei o aspecto daqueles Guardiões descuidado demais.

Interessante e ao mesmo tempo um pouco cômica a caracterização do grande Anthony Hopkins como Methuselah. Em certo momento do filme, quando ele está na floresta, o personagem me fez lembrar a figura do clássico desenho Caverna dos Dragão. 🙂

O elenco principal desta produção foi citado antes. Mas faltou comentar o bom trabalho de Ray Winstone como o vilão da história Tubal-cain. Descendente de Caim, ele resume a linhagem da soberba, da crença que o homem é superior ao Criador e que basta em si mesmo. O ator está bem em cada cena, resumindo bem a tentação de Ham e a presença do Mal. Dos atores principais, gostei do trabalho de Russell Crowe – acho que ele esteve firme no papel-chave, sem exagerar a mão na interpretação ou ser relapso com o papel como em produções recentes. Mas o destaque fica mesmo com Emma Watson. Ela rouba a cena como Ila.

Em certo momento, Noé diz que foi escolhido por Deus para proteger a Sua criação porque Ele sabia que Noé seria fiel e faria tudo o que lhe fosse pedido. De fato, dificilmente alguma outra pessoa conseguiria. Porque Noé não se importava de perder tudo e a todos, de que sua própria família desaparecesse da face da Terra se esta fosse a vontade de Deus. (SPOILER – não leia… bem, você já sabe). Nós humanos, em geral, seguimos o nosso instinto da autopreservação. Mas isso não mostra a nossa fidelidade com Deus, apenas a nossa condição humana falha e a nossa fraqueza. Noé é diferente. Não apenas a mulher dele “fraqueja” e pensa na família em primeiro lugar, como também o filho “certinho” de Noé, Shem, acaba atacando o pai em momento decisivo. E, quem diria, é o “sempre tentado” e questionador Ham que impede a tragédia. Mais ensinamentos nestes exemplos. Finalmente, concordo com Ila… no fim das contas, nada daquilo teria acontecido se Deus não quisesse. E sim, a compaixão e o amor sempre vencem no final.

Fiquei curiosa para saber o que teria motivado o diretor Darren Aronofsky a filmar uma história da Bíblia. Encontrei alguns textos que ajudam a tirar esta dúvida. Nesta entrevista para o The Washington Post, Aronofsky explica como sendo um judeu do Brooklyn ele teve contato com a história de Noé muito jovem. Na sétima série, quando teve que escrever um texto sobre a paz, ele escreveu o poema The Dove sobre Noé.

O texto acabou levando ele para uma convenção da ONU e foi então que ele percebeu, pela primeira vez, que tinha o talento para contar histórias. Ou seja, Noé marcou a vida do diretor, que segue comentando que logo após fazer Pi (filme bem interessante e que recomendo para quem não assistiu ainda) ele pensou em Noé, mas que Hollywood não estava interessada em um projeto do tipo “filme bíblico”. Mas agora não, este perfil de filme está “em voga”, segundo o próprio Aronofsky. E foi aí que ele viu a oportunidade de resgatar aquela antiga ideia.

E sobre a essência de Noah, Aronofsky afirma que existe uma complexidade na história dele que não está necessariamente escrita na Bíblia, mas que é insinuada. Por exemplo, no fato de Noé ficar bêbado e se desentender com Ham logo após o dilúvio. Para haver este rompimento, os personagens tinham que ter uma relação conflituosa antes, e essa linha foi o que Aronofsky quis explorar. Para o diretor, o relacionamento de Noah e Ham levou a ideia “de bom e ruim que temos dentro de todos nós, e a luta da justiça que ocorre em cada um de nós para tentar equilibrar justiça e misericórdia em nossas vidas”. Cada personagem do filme, segundo o diretor, lida com essa ideia de maldade e perdão. Outro ponto interessante é quando o diretor diz que o seu grande propósito é entreter as pessoas, procurando fazer filmes excitantes, divertidos, emocionais e com movimento, cheios de ação. Ele consegue.

A entrevista do diretor para o The Washington Post está muito boa. Mas quem quiser saber mais sobre as opiniões do diretor, há esta outra entrevista para o Huffington Post e esta outra para a The Independent.

Agora, uma curiosidade sobre a produção: antes de ser lançado, Noah rendeu um belo embate entre Aronofsky e o estúdio Paramount. Preocupado com a recepção que o filme poderia ter, o estúdio fez testes com audiências católicas com três edições diferentes daquela planejada pelo diretor. Aronofsky resistiu à ideia de ter o trabalho alterado e acabou vencendo no final, já que o corte pensado por ele é que chegou até os cinemas. O efeito, acredito, foi o mesmo que se a produção tivesse chegado com algum dos outros cortes: Noah foi proibido em diversos países (como Bahrein, Catar, Emirados Árabes Unidos e Egito) porque ele não seria fiel aos ensinamentos do Islã.

De acordo com os realizadores da produção, grande parte dos recursos dos efeitos especiais foi utilizada para recriar todos os animais vistos no filme. Não teriam sido utilizados bichos reais em nenhum momento da produção.

Noah estreou em première na Cidade do México no dia 10 de março. Três dias depois o filme teve première em Berlim e, no dia 17 de março, em Madrid. No Brasil o filme estreou no dia 3 de abril. Até o momento o filme não ganhou nenhum prêmio.

Por ser uma superprodução, Noah teria custado cerca de US$ 125 milhões. Segundo o site Box Office Mojo, até ontem, dia 23 de abril, Noah teria conseguido pouco menos de US$ 94,7 milhões nos Estados Unidos e outros US$ 207 milhões nos outros mercados. Na soma, acumulou pouco mais de US$ 301 milhões. Ou seja, está conseguindo pagar as contas e conseguir algum lucro.

Para quem gosta de saber sobre as locações dos filmes, Noah foi rodado em Hollywood, na Islândia, no México, em Nova York e em Washington.

Os usuários do site IMDb deram a nota 6,5 para Noah. Acho que a avaliação poderia ser melhor, mas dá para entender porque o filme levantou muitas controvérsias – como a maioria das produções bíblicas que não são “extremistas”. Os críticos que tem os seus textos linkados no Rotten Tomatoes dedicaram 157 críticas positivas e 47 negativas para a produção, o que lhe garante uma aprovação de 77% e uma nota média de 6,6.

Esta é uma produção 100% dos Estados Unidos. Por isso ela entra na lista de filmes da categoria “Votações no blog”, já que os leitores deste espaço escolheram os Estados Unidos para uma série de críticas por aqui.

CONCLUSÃO: Quem leva tudo muito à sério não pode assistir a Noah. Por uma razão muito simples: esta é uma obra artística e não um libelo fundamentalista. Digo isso porque quem está buscando neste filme a história ipsis litteris do mito de Noé que está na Bíblia já começou perdendo a viagem. A produção dirigida por Aronofsky não tem a pretensão de levar a história bíblica a sério demais. Ainda bem. O resultado das escolhas do diretor é que assistimos a um filme potente pela forma e pelo conteúdo. Na forma, ótimos efeitos especiais e um bom trabalho dos atores. No conteúdo, o essencial da mensagem do mito de Noé e várias reflexões para adaptarmos para os dias atuais. Um filme inspirador, como tudo que o diretor apresentou até hoje. Se você não é um fundamentalista, tem grandes chances de apreciar mais esta obra interessante em 3D.

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3 comentários em “Noah 3D – Noé 3D

  1. A frase final “Quem leva tudo muito à sério não pode assistir a Noah.” fo perfeita!

    Mas acho que deixaram a história artística de mais,,se nao queriam um ipsis litteris então colocassem outro título para o filme!

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  2. Pedido de apoio à brasileira Luciane Sarzenski

    A brasileira Luciane Sarzenski, está participando do festival de filme japonês NipponConnection, Frankfurt. O filme foi escolhido pelo júri entre os dez melhores. Para a final, será escolhido o que receber mais MAG ICH (Curtir) no youtube. Tem que estar logado no youtube.

    O vídeo:
    12 segundos.
    É um “Konzeptvideo” com ligação com o Japão.
    1. Aparece a bandeira do Japão. 2. A bandeira se transforma num botão de “gravar”. Em 12 segundos é mostrado a conexão Japão e o Festival de Filme.
    Prêmio: ser mostrado nos metrôs de Frankfurt..

    Data de encerramento para votar: 30.04.2014

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