Spotlight – Spotlight: Segredos Revelados


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Quase todo jornalista já pensou, em algum momento de sua vida, que o seu trabalho poderia mudar para melhor a realidade em que ele vivia ou além disso. Alguns, inclusive, imaginaram que poderiam mudar o mundo. Essa possibilidade foi e é uma realidade, mas para poucos. Há muitas razões para isso. Spotlight conta a história de um pequeno grupo de jornalistas que conseguiu tal feito. Ou, pelo menos, ainda podem conseguir.

Mesmo que a realidade denunciada por eles ainda não tenha tido uma resposta à altura, eles conseguiram colocar o tema nos holofotes e dar voz para as vítimas. Isso é, eu acredito, também uma forma de mudar o mundo. Grande filme, que merece ser visto, indicado e propagado como um bom exemplo de história de jornalismo bem contada.

A HISTÓRIA: Começa com os dizeres “baseado em eventos atuais”. Em seguida, acompanhamos um policial na cidade de Boston no ano de 1976. Estamos no 11º distrito. Um colega do policial pergunta sobre como tudo está caminhando. Ele responde que a mãe está chateada e que o tio das crianças que sofreram abuso está furioso. O abusador, um padre, estaria ajudando a mulher divorciada com quatro crianças. Em seguida, chega o procurador-adjunto Burke (Brian Chamberlain), que fica sabendo que a família está falando com o bispo e que não apareceu ninguém da grande imprensa – apenas um jornalista de uma publicação menor apareceu, mas foi afastado. Ele gosta da última notícia.

Sozinho em uma sala está o molestador, que não será acusado, o padre Geoghan. Enquanto isso, o bispo ressalta o ótimo trabalho que a Igreja está fazendo “na comunidade” e garante que ele, pessoalmente, vai garantir que o padre seja afastado e que o abuso nunca voltará a acontecer. Corta. Passamos para a Redação do Boston Globe em julho de 2001. A equipe está se despedindo do editor Stewart (Mairtin O’Carrigan). No lugar dele, aparece Marty Baron (Liev Schreiber), que desafia a equipe do Spotlight a investigar não apenas Geoghan, mas a se aprofundar no acobertamento dos casos de abuso pela Igreja

VOLTANDO À CRÍTICA (SPOILER – aviso aos navegantes que boa parte do texto à seguir conta momentos importantes do filme, por isso recomendo que só continue a assistir quem já viu a Spotlight): Algo que achei incrível neste filme é como ele fala do trabalho e da vida dos jornalistas sem mistificar essa profissão. Pelo contrário. Vemos ali não apenas a paixão deles pelo trabalho – especialmente a equipe de Spotlight -, mas também os desafios que eles devem enfrentar e o ambiente que os cerca. Inclusive a “preguiça” ou a miséria de colegas – muitas vezes jornalistas em posição de comando – e de fontes.

Muito da realidade da profissão é mostrada neste filme como eu não tinha visto antes. Acho que para as pessoas que não atuam na área, este é um filme que dá uma bela introdução para o que nós passamos – ou podemos passar na nossa profissão. E para os jornalistas, certamente, este filme é uma brisa de frescor, um estímulo e um lembrete do que podemos fazer e como podemos fazer.

Um ponto fundamental para o sucesso deste filme é o roteiro de Josh Singer e do diretor Tom McCarthy. Os dois acertam com a introdução da história, mostrando em poucos minutos como casos de abuso eram tratados em Boston. E não apenas ali, é claro, mas em diversas cidades mundo afora. A polícia não colidia com a Igreja e esta, através de seus bispos e cardeais, corria para encobrir os “escândalos” que não deveriam aparecer na imprensa e nem render grandes processos na Justiça.

Sem demorar muito com trechos desnecessários, o filme logo avança de 1976, quando é mostrada mais uma detenção do padre Geoghan, para 2001, quando uma mudança na direção do Boston Globe faz o assunto ganhar a devida atenção da equipe do jornal. É fato que, muitas vezes, os jornalistas se acomodam. Eles não conseguem enxergar a grande história que eles tem nas mãos. Por isso a visão de alguém que vem de fora pode ser tão importante, como foi o caso da chegada de Marty Baron para o Boston Globe.

Spotlight acerta ao mostrar isso e também o movimento de resistência criado pela chegada de Baron no jornal. Trabalhando como jornalista desde 1997 e tendo passado por três Redações diferentes, posso dizer que já vi isso acontecer antes. A liderança principal do jornal é trocada por alguém de fora e um profissional de dentro em outra posição de liderança se sente preterido. Ele resiste à mudança e não aceita bem as ideias novas do novo “comandante-geral”. No filme, esta posição de resistência é encarnada por Ben Bradlee Jr. (John Slattery).

Mas a resistência de Bradlee Jr. para as ideias de Baron não tem a ver apenas com o fato dele acreditar que poderia ser o diretor de redação no lugar do “invasor”. Essa resistência é vista entre jornalistas de diferentes postos e com distintas experiências.

Há quem resista por comodismo, porque é mais “fácil” continuar fazendo o que ele/a sempre fez, ou porque o jornalista acredita que a história em que ele está investindo é muito melhor do que aquela que o novo editor lhe sugeriu. Outros resistem porque estão em competição permanente com os demais, enquanto outros recusam boas ideias simplesmente porque “não vão com a cara” da outra pessoa – ou seja, tem problemas pessoais com o chefe ou editor. Não importa a razão. O importante é que, como Spotlight revela, há viseiras de diferentes cores e tamanhos que alguns jornalistas insistem em utilizar.

Com esta atitude quem perde é o jornalismo e, claro, o público leitor/consumidor da informação. Ainda bem que essa resistência não é a postura da maioria. Como este filme magistralmente escrito e dirigido por McCarthy revela, há muitos jornalistas ainda que acreditam em sua função social e no potencial que eles tem para colocar em evidência temas importantes para a coletividade. Esse é o caso da equipe de Spotlight.

Diferente do chefe imediato, Walter “Robby” Robinson (o ótimo Michael Keaton) acredita que eles devem investir não apenas na história do padre Geoghan mas também, e especialmente, na investigação sobre o cardeal Law (Len Cariou). (SPOILER – não leia se você não assistiu ao filme). Como bem ensina Baron, claro que uma cidade como Boston ter dezenas de padres abusadores é notícia, mas há uma história muito maior e mais impactante se a equipe de Spotlight conseguir comprovar que a instituição acobertava estes crimes. Isso, de fato, foi conseguido.

Por causa do trabalho do Boston Globe e, depois, de vários outros jornalistas mundo afora, é que nos últimos anos o assunto começou a ser tratado de outra forma pela Igreja. Apesar de ser uma traição e uma quebra de confiança sem precedentes um padre abusar de crianças e jovens inocentes que foram confiados pelos seus pais para eles, representantes de Deus na Terra, o pior crime não é este. Afinal, abusadores existem na sociedade e, friamente falando, porque eles não existiriam na Igreja, que é feita de pessoas da sociedade?

Mas o problema não está apenas na quantidade de padres que cometem estes crimes – alguns especialistas afirmam que isso tem a ver com a questão do celibato – mas sim, principalmente, na forma com que a Igreja trata o assunto. Por muito tempo o tema era visto como tabu, era proibido. Com as denúncias de grupos de vítimas e, principalmente, depois de reportagens da imprensa, o tema não pode mais ser acobertado. Isso acontece com tantos outros temas relevantes da sociedade – ou alguém tem dúvida que o Mensalão e a Operação Lava-Jato só avançaram com uma ajuda fundamental da imprensa?

Outra parte fundamental deste filme é mostrar o contexto do trabalho dos jornalistas. Além de mostrar os desafios da investigação dos repórteres e o fundamental direcionamento dos editores que acompanharam o caso, Spotlight mostra como a relação dos jornalistas com a cidade em que nasceram e atuam ou aonde passaram a atuar depois reflete na sua rotina profissional.

Diversas pessoas disseram para a equipe da editoria Spotlight do Boston Globe que eles não deveriam investir naquela história. Afinal, não valia a pena enfrentar a Igreja. Não apenas por ela ser poderosa, mas porque ela fazia muito bem para a cidade. Como se a instituição fazer bem para a cidade e ter toda a sua importância espiritual na vida das pessoas apagasse os crimes praticados por alguns de seus padres. Este argumento me fez lembrar outro filme recente que comentei aqui e que está tentando uma vaga na categoria Melhor Filme em Língua Estrangeira no próximo Oscar: Im Labyrinth des Schweigens (comentado aqui no blog).

No filme alemão é possível ver como a sociedade do país vencido na Segunda Guerra Mundial queria abafar e esconder a história das vítimas de Auschwitz. Afinal, os oficiais que trabalharam lá foram “obrigados” a atuar daquela forma durante a guerra. Todos deveriam esquecer o que passou e seguir adiante. Mas sabemos que ninguém é obrigado a praticar atrocidades, assim como que a bondade feita por alguns não deve eximi-los de pagar por seus crimes.

Mas diferente de Im Labyrinth des Schweigens, Spotlight acerta ao dar voz para as vítimas. O contexto humano da história é um diferencial. O roteiro e o diretor não apenas valorizam a história dos jornalistas que contam essa história mas, também, os personagens que eles enfocam e todos os demais que tiveram alguma participação naquela investigação jornalística. Ouvimos as vítimas, conhecemos as suas dores. Isso faz toda a diferença neste filme – e foi algo que faltou na produção alemã.

Os jornalistas são humanos. Passíveis de arroubos de coragem, determinação, bravura e também de covardia ou comodismo. Spotlight aborda a profissão com maestria sem endeusar os protagonistas. Ele nos mostra, como tantas outras histórias, que todas as pessoas tem a capacidade de decidir entre fazerem o certo ou o errado, entre encararem interesses poderosos ou se manterem “fora” de uma polêmica, de permanecerem acomodadas.

Todo jornalista é fruto de uma sociedade, de uma realidade. Algumas vezes eles deixam em segundo plano as suas crenças e convicções pessoais e conseguem enxergar boas histórias mesmo quando elas confrontam estas certezas. Outras vezes, como nos alerta o personagem de Ben Bradlee Jr., os jornalistas são motivados mais por interesses ou convicções pessoais do que pelo interesse da maioria. Infelizmente. Como somos humanos, devemos sempre estar alertas para este risco.

Esta produção também mostra como um bom trabalho não é feito por uma ou duas pessoas, mas por uma equipe. Muitas pessoas tem mérito sobre uma conquista. É possível investir ainda em jornalismo de verdade, em investigação de histórias relevantes. Para isso é preciso não apenas profissionais que acreditam que eles podem fazer a diferença, mas também recursos para investir nestas pessoas. Quando jornais fecham ou equipes de investigação jornalística são desmontadas quem perde são os leitores/consumidores da notícia. É a sociedade.

NOTA: 10.

OBS DE PÉ DE PÁGINA: Este filme tem diversos bons momentos. Difícil destacar um ou dois. Mas vou destacar pelo menos um do qual eu gostei muito. (SPOILER – não leia se você não assistiu ao filme). Em um momento decisivo do filme a equipe se questiona, especialmente Walter Robinson, porque eles não tinham enxergado aquela história antes. Afinal, era uma baita história, uma grande reportagem que iria mudar a vida de muita gente e jogar luz para uma situação que deveria ser debatida coletivamente. Neste momento e com muita calma Marty Baron comenta que eles deveriam lembrar que, na maioria do tempo, os jornalistas ficam “tropeçando no escuro”.

Achei essa parte especialmente significativa porque ela é verdadeira. Em Redações cada vez mais enxutas – e mesmo antes, quando as equipes não eram tão pequenas – os jornalistas estão ocupados demais com o dia a dia, com as notícias factuais que, muitas vezes, deixam escapar histórias realmente importantes. Não existe mais tanto tempo para investir em histórias relevantes e, quando existe este tempo, nem sempre estamos dispostos ou atentos. Isso acontece. Mas também acontece de muitas histórias ganharam a dimensão que elas precisam em determinado momento, como aconteceu com este trabalho de Spotlight. E no fim das contas, é isso que interessa. Que mais momentos como esse aconteçam no jornalismo.

Falando em jornalismo – e me perdoe, caro leitor, por falar tanto deste filme e do tema, mas essa é a minha profissão e sou apaixonada por ela -, acho que muitas matérias especiais e de fôlego poderiam render um filme como esse. Afinal, uma boa investigação jornalística tem diversos elementos que podem ajudar um filme a ser bom. Para começar, tem drama, ação, suspense e uma dose cavalar de análise do comportamento humano. Spotlight tem tudo isso e, por este conjunto de fatores, é um grande filme.

Destaque antes que a principal qualidade de Spotlight é o seu roteiro. Mas além dele, vale comentar o ótimo trabalho de Tom McCarthy na direção. Ele conduz a história muito bem, no ritmo adequado e com a atenção justificada e constante em quem interessa: os personagens. Consequentemente é preciso destacar o ótimo trabalho do conjunto de atores envolvidos na produção. Todos estão muito bem, mas é inevitável destacar o trabalho dos protagonistas.

Neste ponto, aliás, admito que tenho uma dúvida: afinal, quem é o protagonista de Spotlight? Me arrisco a dizer que Michael Keaton ganha uma pequena dianteira por ser o chefe da equipe de Spotlight, mas sem dúvida alguma Mark Ruffalo como o repórter investigativo Mike Rezendes é o que puxa a ação por boa parte da trama. Ele assina a reportagem principal, além de ter diversos momentos de destaque. Não sei exatamente quem será considerado protagonista ou coadjuvante nesta produção, mas é fato que os dois merecem aplausos pelo excelente trabalho. Ambos convencem e emocionam em seus papéis.

Além de Michael Keaton e Mark Ruffalo, vale destacar do elenco o trabalho sólido de Rachel McAdams como a jornalista Sacha Pfeiffer; o de Liev Schreiber como Marty Baron, editor que tem participação fundamental na história – apesar do ator aparecer menos que os demais, ele está ótimo em cada entrada em cena; Brian d’Arcy James como o jornalista que fecha a equipe de Spotlight chamado Matt Carroll.

O trabalho de John Slattery é muito bom, ainda que dê um pouco de agonia aquela resistência dele toda a Baron. Stanley Tucci também está bem como o advogado Mitchell Garabedian. Ele é cheio de valor, mas não tem muita paciência com a imprensa – como tantos outros profissionais que acham que, no fim das contas, os jornalistas não conseguirão levar para a frente uma história complicada. A resistência de Garabedian, como tantas outras fontes no “mundo real”, vai cedendo pouco a pouco conforme Rezendes mostra que eles estão levando o tema a sério.

Finalmente, dos coadjuvantes, destaco o trabalho de Jamey Sheridan como Jim Sullivan, o advogado que defendeu os interesses da Igreja e que, por ser amigo de Robby, ajudou a equipe dele a confirmar extra-oficialmente a lista de nomes de padres abusadores; o de Billy Crudup como Eric Macleish, outro advogado que participou de acordos que deram vantagem para a Igreja; e o de Neal Huff como Phil Saviano, coordenador do grupo de vítimas e que faz um trabalho bem representativo deles neste filme.

Da parte técnica do filme, além do irretocável roteiro de McCarthy e de Singer já comentado mais de uma vez, devo destacar a direção de fotografia Masanobu Takayanagi. As lentes que ele escolheu dão aquela aura de filme um tanto antigo, mas sem exageros. Ajuda a nos situar nos dois tempos do filme a competente escolha de figurino de Wendy Chuck. Importante para a produção também a marcante e inspirada trilha do veterano e premiado Howard Shore. Importante e bem feito o trabalho de edição de Tom McArdle, assim como o design de produção de Stephen H. Carter.

Nos créditos finais do filme aparecem dezenas de cidades nos Estados Unidos aonde foram registrados os principais escândalos envolvendo padres abusadores e diversas cidades de outros países. Do Brasil aparecem as cidades de Arapiraca, Franca, Mariana e Rio de Janeiro.

Spotlight estreou em setembro de 2015 no Festival de Cinema de Veneza. Depois o filme participaria ainda de outros oito festivais. Nesta trajetória ele já acumulou 57 prêmios e foi indicado a outros 83, incluindo a indicação a três Globos de Ouro: Melhor Filme – Drama, Melhor Diretor e Melhor Roteiro. Entre os prêmios que recebeu, destaque para Filme do Ano ao lado de outras nove produções pelo Prêmio AFI; para dois prêmios para Tom McCarthy no Festival de Cinema de Veneza; para o prêmio de Top Films junto com outras oito produções no Prêmio NBR; e para 12 prêmios em associações de críticos como Melhor Filme e 16 como Melhor Roteiro.

Para quem gosta de saber aonde os filmes foram rodados, Spotlight foi filmado em Toronto, no Canadá, e com diversas cenas feitas no Boston Globe, em Boston, nos Estados Unidos.

Agora, algumas curiosidades sobre esta produção. O roteiro de Spotlight fez parte da 2013 Blacklist, uma lista dos roteiros mais apreciados e ainda não rodados daquele ano.

A equipe de Spotlight teve um contato direto e profundo com os jornalistas que inspiraram esta história. Walter Robinson brincou que Michael Keaton roubou a sua personalidade a ponto de, se ele roubasse um banco, os policiais iriam atrás de Robinson para prendê-lo; e Mark Ruffalo sempre pedia para o verdadeiro Michael Rezendes comentar os diálogos do roteiro com ele.

O ator Richard Jenkins fez a voz do ex-padre e psiquiatra Richard Sipe para as cenas do filme – como ele só participa da história em conversas por telefone com Rezendes, só a voz do ator “aparece” em cena.

Uma curiosidade histórica: Ben Bradlee Jr. é filho de Benjamin C. Bradlee, o jornalista que, como editor-executivo do The Washington Post, supervisionou as investigações durante o caso Watergate nos anos 1970.

O padre John J. Geoghan, condenado por ter acariciado um menino em uma piscina pública, foi morto pelo companheiro de cela em agosto de 2003. Como ele estava recorrendo da decisão quando foi morto, três juízes decidiram inocentá-lo do crime depois.

Não tenho dúvidas que este filme será indicado em todos os curso de Jornalismo. Inclusive para render debates acalorados. Ou seja, Spotlight já se tornou um filme referência e histórico.

A Igreja tomou algumas atitudes, nos últimos anos e, certamente, por influência das matérias jornalísticas que saíram sobre o tema, a respeito dos padres pedófilos e abusadores. Vale destacar algumas matérias sobre o tema. Para começar esta que comenta sobre a criação de um tribunal para bispos que não evitaram a pedofilia. Depois, vale dar uma olhada nesta outra sobre o mesmo assunto e esta terceira sobre a reação das vítimas de abusos para estas ações do Papa Francisco.

De acordo com Mark Ruffalo, a maioria dos jornalistas envolvidos no trabalho retratado por este filme de Spotlight eram católicos apostólicos romanos. Como eu. (SPOILER – não leia… bem, você já sabe). Em certo momento do filme uma fonte de Rezendes comenta que os abusos praticados pelos padres não lhe retirou a sua fé na Igreja. Eu concordo com isso. É revoltante saber destes casos de padres abusadores, mas isso não tira a fé individual em Deus e em Jesus, assim como nos bons exemplos dados por tantas pessoas da Igreja. Uma coisa não deve nunca eliminar a outra. Penso assim, pelo menos.

Os usuários do site IMDb deram a nota 8,4 para esta produção, uma excelente avaliação levando em conta o padrão do site. Os críticos que tem os seus textos linkados no Rotten Tomatoes dedicaram 170 textos positivos e seis negativos para esta produção, o que lhe garante uma aprovação de 97% e uma nota média de 8,9. Excelente avaliação também. Não é fácil público e crítica darem notas acima de 8. Merecido.

Achei interessante também saber mais sobre a história real por trás de Spotlight. Recomendo a leitura deste link que trata sobre o tema e deste outro que mostra a equipe real por trás da história que inspirou o filme.

Este é apenas o quinto filme dirigido por Tom McCarthy. O primeiro longa dirigido por ele foi The Station Agent, de 2003, e o mais recente foi The Cobbler, de 2014. O único da filmografia dele que eu assisti foi The Visitor (comentado aqui no blog), do qual eu gostei muito. Acho que vale acompanhar o trabalho dele.

CONCLUSÃO: Como é bom ver um filme que trata da importância do jornalismo. Em época de internet a toda velocidade, em que diferentes pessoas falam sobre as suas vidas e tudo o mais, muitos questionam essa valorosa profissão. Como jornalista, não tenho dúvidas de que o trabalho da imprensa, quando feito com seriedade e profundidade, como nos mostra Spotlight, tem um valor inestimável e fundamental para a sociedade. Neste sentido é que um jornalista se diferencia de todas as outras pessoas que tem um smartphone ou um teclado nas mãos.

Com um roteiro primoroso e uma direção firme, Spotlight nos conta os bastidores de uma grande reportagem que desencadeou uma grande cobertura. Para quem não é da área, este filme apresenta um belo resumo de como funciona a imprensa – com todas as suas qualidades e falhas. Junto com os bastidores do jornalismo, este filme toca na polêmica e necessária questão do abuso sexual praticado por algusn padres da Igreja Católica. Um verdadeiro filmaço. Sem dúvida um dos melhores dos Estados Unidos dos últimos tempos e também um dos melhores a abordar a profissão do jornalismo.

PALPITES PARA O OSCAR 2016: Não tenho dúvidas que Spotlight será indicado em várias categorias do Oscar. Afirmo isso não apenas pelas indicações do filme no Globo de Ouro 2016, mas porque acho difícil a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood ignorar uma bora tão bem acabada. Mas, como bem sabemos, uma coisa é um filme ter várias indicações, outra coisa bem diferente é ele sair vencedor delas.

Ainda que, admito, com o Oscar 2015 as minhas esperanças para Hollywood se render a premiações menos óbvias aumentou. Não achei que na edição anterior Birdman poderia vencer Boyhood, um filme menos “ousado” – ao menos se entendermos ousadia como autoironia sobre a indústria do cinema. Como todos que acompanham esse blog sabem, eu prefiro a história de Boyhood, mas devo admitir que Birdman é muito mais polêmico, crítico e irônico que o concorrente que perdeu a quebra-de-braços.

Bueno, voltando ao Oscar deste ano. Acredito que Spotlight tem boas chances de ser indicado em cinco categorias: Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Roteiro Original, Melhor Ator (Michael Keaton) e Melhor Ator Coadjuvante (Mark Ruffalo). Talvez em seis, se Howard Shore emplacar em Melhor Trilha Sonora. Quanto a ganhar, ainda falta ver aos outros concorrentes de peso deste ano, mas acho que não seria uma surpresa ele ganhar como Melhor Filme, Diretor e Roteiro. Ainda que eu acho, francamente, que após a ousadia por premiar Birdman no ano passado, a Academia pode dar um voto mais conservador este ano e não premiar tanto a um filme que é crítico à Igreja. Logo mais veremos. Agora, me resta ver a outros fortes concorrentes do ano.

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10 comentários em “Spotlight – Spotlight: Segredos Revelados

  1. Achei um filme convencional, igual a outros jah feitos com o mesmo tema, com cara de datado pelas extensas leituras e noticias ao longo dos anos e pelo cliche americano de fazer filmes desse estilo, como a midia investigando Kennedy, Watergate etc. Nem merecia estar concorrendo a nada.

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  2. Achei um bom filme que aborda um tema muito debatido e complicado, mas que foi escrito e direccionado de forma excelente para este filme, gostei ainda mais da sua critica muito boa mesmo vê se que adora o jornalismo e que luta por todos os princípios por que são regidos o bom jornalismo.

    Continuação de excelente criticas e filmes .

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