The Revenant – O Regresso


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Selvageria em um grau elevado. Interessante como os Estados Unidos têm revisitado, ultimamente, alguns períodos importantes da história do país. Recentemente vimos a um filme bastante duro sobre a escravatura. Agora, com The Revenant, assistimos a um filme que vai na veia sobre a época da exploração do território por brancos e todos os confrontos advindos daí com os índios. A parte disso, este é um filme sobre vingança. Mas não dá para ignorar o pano de fundo histórico. Poderia ser um Tarantino, mas é uma produção de Alejandro González Iñarritu.

A HISTÓRIA: Hugh Glass (Leonardo DiCaprio) está deitado ao lado do filho pequeno Hawk (Isaiah Tootoosis criança e Forrest Goodluck adulto) e da mulher (Grace Dove). Em seguida, aparecem cenas deles felizes, até que outras imagens mostram destruição e o menino sendo socorrido pelo pai. Tudo parece um sonho – ou lembranças que Glass carrega consigo sempre. Corta.

Homens caminham lentamente em meio a um lugar aonde a água escorre cristalina. Eles estão calçando alces. Glass chama a atenção de Hawk para um animal que será abatido. Perto dali, o tiro disparado por Glass é ouvido por Fitzgerald (Tom Hardy), que está orientando os seus homens para tirar a carne e embalar as peles dos 30 animais que eles já abateram. Mas os planos deles são mudados quando o grupo é atacada por um grupo de índios.

VOLTANDO À CRÍTICA (SPOILER – aviso aos navegantes que boa parte do texto à seguir conta momentos importantes do filme, por isso recomendo que só continue a ler quem já assistiu a The Revenant): O que 12 Years a Slave (com crítica aqui) foi para a filmografia sobre escravidão este The Revenant representa para os filmes que mostram os Estados Unidos selvagem, quando os confrontos entre brancos e índios eram constantes. Esta foi a primeira conclusão que eu cheguei logo depois que terminei de assistir a esta nova produção comandada pelo diretor Alejandro González Iñarritu.

Mas durante o filme, claro, outras questões se sobressaíram nesta produção. Para começar, o virtuosismo do diretor Iñarritu. Ele não leva a técnica da gravação em um eterno plano sequência sem cortes tão a sério quanto no premiado e anterior Birdman or (The Unexpected Virtue of Ignorance) – comentado neste texto, mas em The Revenant novamente vemos ao diretor destilando o seu talento ao optar por este recurso.

Em mais de uma sequência, especialmente na parte inicial do filme, Iñarritu filma com longos planos sequência. A verdade é que esta técnica, especialmente em um ambiente externo e agreste como o mostrado em The Revenant, dá bastante fluidez para a história e ritmo para a produção. Funciona. E, francamente, achei que de forma mais interessante que no paparicado Birdman.

Além de mais um ótimo trabalho de Iñarritu na forma de conduzir a trama, me chamou muito a atenção como ele e o diretor de fotografia veterano Emmanuel Lubezki exploraram as florestas, os campos de gelo e as demais paisagens como personagens da história. Para entender aqueles personagens era fundamental também compreender o ambiente em que eles viviam. Depois, evidente que logo chama a atenção do espectador o tom cru da narrativa e a violência resultante desta escolha.

Por isso mesmo comentei, lá em cima, que este filme muito bem poderia levar a assinatura de Quentin Tarantino. Pelo menos em termos de crueza e violência. A diferença, provavelmente, estaria nos diálogos, que com Tarantino costumam ter mais “malemolência”, ironia e acidez. Claro que os filmes são bem diferentes, mas ao assistir a The Revenant eu me lembrei de Inglorious Basterds (comentado aqui), do Tarantino, e de No Country for Old Men (com crítica por aqui), dos irmãos Coen. O que une todos eles? Além de uma boa carga de violência e de crueza, também aquela pegada de “filme de vingança”.

Bem, feitos estes comentários, vale comentar o que é apenas próprio de The Revenant. Como comecei a falar ali acima, esta produção com roteiro de Iñarritu e de Mark L. Smith, inspirado em parte da obra de Michael Punke, resolve recontar fatos que teriam ocorrido em uma expedição guiada pelo lendário explorador Hugh Glass nos anos 1820. Ele estava à frente de um grupo que saiu de um forte para conseguir peles em uma região agreste e selvagem dos Estados Unidos. Território que tinha recursos explorados por americanos, franceses e índios de diferentes origens.

Naquele cenário sobrevivia quem conhecia melhor o território e quem tinha sorte. (SPOILER – não leia se você não assistiu ao filme). Honra era algo que poderia ser esquecido facilmente em nome da própria sobrevivência – ou da ganância, ou dos dois, como demonstrou John Fitzgerald. Depois do ataque dos índios, parte do grupo de exploradores consegue sobreviver. Mas Glass é brutalmente atacado por um urso e, depois, apesar da tentativa do capitão Andrew Henry (o interessante Domhnall Gleeson) de dar a ele alguma chance de recuperação e sobrevivência, ele acaba sendo traído por Fitzgerald.

A partir daí o filme embarca na busca por vingança de Glass – busca esta que acaba motivando ele a sobreviver. Afinal, ele precisa fazer o homem que matou covardemente Hawk pagar por isso. De fato ele consegue uma recuperação incrível e até certo ponto plausível. (SPOILER – não leia… bem, você já sabe). Agora, cá entre nós, na sequência em que ele cai com o cavalo em um desfiladeiro após ser perseguido pelos índios e, ao invés de ficar na copa da árvore ele cai no chão, é difícil de engolir. Logo pensei nele como o bisavô de Ethan Hunt, de Mission: Impossible. 😉

Mas ok, vamos dar um desconto e esquecer aquela sequência. Naquele ambiente e tempo, todos matavam sem pestanejar em confronto. Algumas vezes uma morte se justificava por um punhado de peles que, depois, seriam roubadas de uns por outros para trocar por outras mercadorias – como cavalos – com outro grupo. Não era difícil de acreditar, naquele cenário, que a vida humana valia tanto – ou menos, dependendo – que um cavalo. Claro que figuras conhecidas e respeitadas como Glass deveriam valer mais. Mas isso também era relativo – a ver o exemplo de Fitzgerald e de outros homens que matavam os índios por puro prazer.

A verdade é que The Revenant se mostra interessante não pela história de vingança e obstinação de Glass – temos muitas outras histórias similares no cinema. Mas esta produção interessa pela forma com que ela mostra as relações entre brancos e índios nos Estados Unidos há quase dois séculos. A exploração dos recursos naturais e a matança advinda desta prática ocorreu também na América do Sul, no Brasil e em tantas outras partes, mas poucas vezes um filme mostrou esta realidade sem embelezar a pílula.

The Revenant é uma resposta a todos os filmes de faroeste que mostraram os índios sem motivações ou história – apenas aparecendo para morrer na sequência – ou como “bonzinhos” ajudantes dos brancos. Não que aqui a história dos índios seja muito contada, mas pelo menos o grupo central desta produção tem sim uma motivação – o resgate da filha do chefe de uma tribo que foi sequestrada para ser escrava sexual de um grupo de exploradores.

O índio que ajuda Glass, em certo momento, e que foi fundamental para a sobrevivência dele, também tem parte de sua vida e motivação contada. Ainda assim, existe uma evidente desigualdade entre o espaço que é dado para diferentes grupos de brancos e índios contarem as suas histórias. Se bem que, e é preciso comentar isto, este filme é evidentemente centrado em Glass. Então é mais a história dele mesmo que conhecemos. Dos demais, brancos ou índios, não sabemos tanto quanto dele.

Por esta razão, The Revenant acaba não acertando no alvo como filme de revisão histórica e nem como filme de vingança pessoal. Ele fica no meio do caminho entre estes dois polos. É interessante, bem executado, mas dificilmente entraria em uma lista dos melhores do ano – arriscado dizer isso com 2016 começando agora, mas posso comentar isso levando em conta as produções que eu assisti nos últimos anos. The Revenant é um show de direção e de atuação de Leonardo DiCaprio. Tem uma direção de fotografia irretocável e uma trilha sonora impactante. Mas isso é tudo.

NOTA: 9.

OBS DE PÉ DE PÁGINA: Sempre gostei de Alejandro González Iñarritu. Ainda que o meu fraco seja maior por outros dois diretores da geração dele: Paul Thomas Anderson e Alejandro Amenábar. Ainda assim, é preciso admitir que Iñarritu está destilando, a cada filme, cada vez mais o seu estilo de autor. Como diretor, Iñarritu tem 15 títulos no currículo, incluindo longas, curtas e produções para a TV. Desta produção, sem dúvida alguma eu prefiro (e recomendo) Amores Perros, 21 Grams e Babel, nesta sequência de preferência.

Algo que não dá para criticar de The Revenant é a direção de Iñarritu. O filme tem algumas sequências dignas de aplauso. Uma das minha preferidas é aquele em que Glass está perto do rio e é encontrado pelo grupo de índios. Desde que ele escuta o ruído de alerta, tanta se esconder e até que empreende a fuga, a sequência é incrível. Mais um grande trabalho de Iñarritu como diretor, ainda que o roteiro, para mim, não teve a força ou a qualidade desejada.

Se da parte técnica do filme o nome principal de The Revenant é o de Iñarritu como diretor, entre o elenco não há dúvida que este é mais um grande trabalho de Leonardo DiCaprio. Até agora ele foi “esnobado” pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood. Mas, com este filme, certamente ele terá mais uma boa chance de ganhar uma estatueta dourada do Oscar.

DiCaprio já tinha mostrado uma grande performance a amadurecimento no ótimo The Wolf of Wall Street (com crítica aqui), mas com The Revenant ele não deixa nenhuma dúvida de que cresceu e amadureceu como intérprete.

Sei que muita gente gosta muito de Tom Hardy, babando por ele especialmente pelo trabalho em Mad Max: Fury Road (comentado aqui). Francamente, para mim, ele está cada vez mais bem ao estilo de Mel Gibson. Ou seja, cada vez que eu o vejo em cena, me parece que ele está com a mesma expressão e tudo o mais de louco. Dito isso, não quero dizer que ele esteja mal em The Revenant. Mas para o meu gosto, ele também não está digno de destaque.

Por outro lado, gostei muito do trabalho de Domhnall Gleeson como o capitão Andrew Henry, apesar dele aparecer menos que Hardy, e gostei muito também de Will Poulter, que interpreta a Jim Bridger, que se voluntaria a cuidar de Glass junto com Fitzgerald e é enganado por ele.  Dos índios, sem dúvida merece destaque pela presença e expressividade o trabalho de Duane Howard como Elk Dog, o chefe da tribo que procura Powaqa (Melaw Nakehk’o); e o de Arthur RedCloud como Hikuc, o índico que ajuda Glass.

Da parte técnica do filme, sem dúvida alguma há alguns destaques. Além da já citada em mais de uma ocasião direção de Iñarritu, é fundamental para esta produção o trabalho do diretor de fotografia Emmanuel Lubezki; a edição de Stephen Mirrione e a trilha sonora de Bryce Dessner, Carsten Nicolai e Ryuichi Sakamoto. Também merecem destaque o design de produção de Jack Fisk (afinal, pelo estilo da direção, este filme precisou ser bem planejado antes); o departamento de maquiagem com 29 profissionais sob o comando de Anthony Gordon; e a equipe de efeitos especiais com 26 profissionais sob a batuta de Douglas D. Ziegler. Esse filme não seria possível sem eles – especialmente as duas últimas equipes.

The Revenant fez première em Hollywood no dia 16 de dezembro de 2015 e estreou em circuito comercial, mas de forma limitada, nove dias depois, no dia 25 de dezembro. Ele estreia para valer em diferentes mercados a partir dos dias 7 e 8 de janeiro.

Esta produção teria custado cerca de US$ 135 milhões. Sobre o resultado nas bilheterias ainda não podemos falar – tem que esperar ele estrear mundo afora para termos uma ideia se ele vai conseguir se pagar ou não.

Para quem gosta, como eu, de saber aonde os filmes foram feitos, The Revenant foi rodado na Terra do Fogo, na Argentina, e em diferentes locais do Canadá e dos Estados Unidos. A parte rodada em estúdio também foi feita no Canadá, no Mammoth Studios em Burnaby.

Agora, algumas curiosidades de The Revenant. Como o filme sugere, DiCaprio teve que fazer diversos sacrifícios para o seu papel. Um deles foi comer um bom pedaço de fígado de bisonte cru – pequeno detalhe: o ator é vegetariano. Além disso, ele aprendeu a atirar com um mosquete, a fazer uma fogueira, aprendeu duas línguas nativas americanas (Pawnee e Arikara) e estudou técnicas antigas de cura. Segundo o ator, este foi o papel mais difícil de sua carreira. Uma história boa como pano-de-fundo para o primeiro Oscar dele, não?

Esta produção foi rodada durante nove meses porque Iñarritu e Lubezki quiseram gravar a maior parte do tempo com luz natural, estratégia para dar ainda mais realismo para a produção. Considerado um tempo longo de filmagem, ele foi necessário pelas condições climáticas das locações externas e pela distância entre os diferentes países em que The Revenant foi filmado.

Como as filmagens acabaram sendo mas longas que o planejado, a neve começou a derreter no Canadá e, por isso, a equipe teve que terminar os trabalhos na Argentina aonde as condições climáticas ainda eram favoráveis para a produção gelada.

Tom Hardy ficou preocupado com a sua segurança em algumas cenas do filme e, por isso, ele se desentendeu com Iñarritu. A discordância chegou às vias de fato, com Hardy “estrangulando” o diretor em certo momento – esta cena acabou sendo imortalizada pelo ator em uma camiseta que ele entregou para a equipe depois que o filme tinha sido concluído.

Sean Penn tinha sido convidado para o papel de John Fitzgerald mas acabou desistindo do projeto porque houve um conflito de agendas. Me desculpem os fãs do Hardy, mas eu teria preferido Penn no papel.

Pelas condições adversas do filme e pelo temperamento de Iñarritu muitas pessoas da equipe teriam deixado o filme antes dele ser concluído.

O trailer de The Revenant contabilizou 7 milhões de visualizações em menos de 36 horas depois que ele foi lançado no dia 17 de julho de 2015. Bem, esse pode ser um indicativo de uma ótima bilheteria para o filme.

DiCaprio fez questão de comentar que apesar das dificuldades do cenário agreste mostrado no filme e dos sacrifícios que ele fez pelo personagem de Glass, ele não se feriu de verdade em nenhum momento da produção.

O projeto inicial deste filme remonta a 2001, quando o produtor Akiva Goldsman adquiriu os direitos do então inédito manuscrito de Michael Punke. Depois, Dave Rabe escreveu a primeira versão do roteiro da produção, até que Iñarritu embarcou no projeto e assinou como diretor em agosto de 2011.

O diretor Iñarritu se defendeu de um relatório que comentou que os custos da produção ficaram fora de controle. Ele disse que deixou claro desde o início que este projeto seria caro e que a maioria dos custos adicionais tiveram que ver com o atraso nas filmagens por causa das questões climáticas.

Esta produção é baseada na história real de Glass que foi atacado por um urso cinza e deixado para morrer em 1823. Depois, ele se arrastou por 200 milhas (cerca de 321,9 quilômetros) até a civilização e jurou vingança contra aqueles que tinham levado os seus suprimentos e deixado ele para morrer, gastando diversos anos depois para caçá-los. Mas a história conta que ele não conseguiu pegar nenhum dos dois – e que Jim Bridger ficou famoso por suas próprias viagens de exploração.

Até o momento, The Revenant ganhou 19 prêmios e foi indicado a outros 85, incluindo quatro Globos de Ouro. Dos prêmios recebidos por associações de críticos de cinema, a maioria, 10 no total, foram para Leonardo DiCaprio como Melhor Ator. Outros cinco foram para Emmanuel Lubezki como Melhor Fotografia – as outras premiações foram pulverizadas.

Os usuários do site IMDb deram a nota 8,3 para esta produção, uma avaliação muito boa considerando o padrão do site. Os críticos que tem os seus textos linkados no Rotten Tomatoes dedicaram 89 textos positivos e 20 negativos para a produção, o que lhe garante uma aprovação de 82% e uma nota média de 8.

CONCLUSÃO: Todo país tem capítulos escabrosos em sua formação histórica. Os Estados Unidos não foge da regra. The Revenant é um filme sobre vingança, como comentei no início, mas não apenas isso. Este é um filme cru e direto sobre parte da selvageria que dominou o cenário do país nas incontáveis disputas entre “brancos” e “índios” por recursos e terras. Com muita violência e cenas bem realistas, é mais uma aula de direção de Alejandro Iñarritu, assim como mais um grande trabalho do cada vez mais afiado Leonardo DiCaprio. Filme bem acabado, certamente receberá várias indicações ao Oscar. Mas descontada a questão histórica e a virtuosidade da direção, The Revenant não me encantou e nem acho que será um filme para ser lembrado por muito tempo. É bom, mas não é brilhante.

PALPITES PARA O OSCAR 2016: Para mim é claro que The Revenant será indicado a algumas categorias do Oscar. Me arrisco a dizer que ele vai concorrer a oito estatuetas, pelo menos. Vejamos: Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Ator (Leonardo DiCaprio), Melhor Trilha Sonora Original, Melhor Edição, Melhor Fotografia, Melhores Efeitos Visuais e Melhor Maquiagem e Penteado. A lista ainda pode crescer acrescentando Melhor Mixagem de Som e Melhor Edição de Som, ou encurtar sem Melhores Efeitos Visuais ou Melhor Edição. Mas não deve ficar muito diferente do comentado.

Entre todas estas categorias e pelo que eu vi dos concorrentes até agora – além de The Revenant vi apenas a Spotlight -, vejo uma chance grande desta produção emplacar como Melhor Diretor, Melhor Ator, Melhor Fotografia e Melhor Maquiagem e Penteado. Claro que é preciso ver aos outros concorrentes ainda para dar o pitaco final, mas as chances são boas nestas categorias. Nas demais, como em Melhor Trilha Sonora Original, vai depender muito da qualidade dos concorrentes. Como Melhor Filme, até o momento, meu voto iria para Spotlight. Tenho que ver os outros. Depois voltarei por aqui para seguir palpitando. 😉

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7 comentários em “The Revenant – O Regresso

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