Arrival – A Chegada


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Este filme é recomendado para quem gosta de ficção científica, de ciência pura e dura e de comunicação. Se você não está neste grupo, pense bem antes de assistir a Arrival. Digo isso porque, me perdoem a expressão, mas esse filme é cabecice pura. Sim senhor, sim senhora. Arrival leva várias questões dos fãs de ficção científica para outro patamar. Por mais que desconfiemos de algo aqui e ali, é só no final mesmo que o filme faz todo o sentido. E é aí que você percebe a genialidade da história. Mais um grande filme do Sr. Dennis Villeneuve.

A HISTÓRIA: Da sala de uma casa vemos a uma linda paisagem. Louise Banks (Amy Adams) está admirando a filha, ainda bebê. Na sequência, ela aparece sentada e pede para a filha voltar para ela. Depois, Louise aparece brincando com Hannah (Abigail Pniowsky) maiorzinha. A menina corre, sorri, mas depois Louise aparece chorando no hospital e se despedindo da filha. “Volte para mim”, Louise diz novamente.

Após comentar que não sabe exatamente onde está o começo ou o fim, Louise afirma que existem dias que “definem a sua história além da sua vida”. Então ela recorda do dia em que “eles” chegaram. Ela percebe a sala bastante vazia, na universidade, e então fica sabendo que naves estacionaram em 12 locais do mundo. Assim começa a história do envolvimento de Louise com a chegada de seres de fora do Planeta.

VOLTANDO À CRÍTICA (SPOILER – aviso aos navegantes que boa parte do texto à seguir conta momentos importantes do filme, por isso recomendo que só continue a ler quem já assistiu à produção Arrival): Este é um filme em que não dá para dormir no ponto. Como é preciso ter atenção em cada detalhe, também não é recomendado assistir a Arrival cansado. Outros filmes já trataram de extraterrestres e da forma com que a Humanidade lidou com ele em uma possível “invasão” ao nosso Planeta. Mas Arrival leva o tema para um outro patamar.

Na verdade, por incrível que possa parecer, este filme segue a linha do diretor Denis Villeneuve em desbravar alguns dos principais dilemas individuais e coletivos das sociedades. Temos dilemas morais aqui, como em outros filmes dele, e mais que uma produção sobre extraterrestres, esta é uma produção sobre pessoas, seres humanos. Essa é uma das questões brilhantes do filme, mas ela não é a única.

Voltemos um pouquinho. Para começar, mais uma vez, Villeneuve trabalha bem com a questão temporal da história. A exemplo do que vimos antes em Prisoners (comentado aqui) e em Enemy (com crítica neste link), em Arrival, novamente, não temos certeza sobre a ordem dos fatos. Afinal, em que momento os acontecimentos que abrem esta produção estão situados?

A impressão que o roteiro de Eric Heisserer, baseado na história “Story of Your Life” de Ted Chiang, nos dá é que aquele começo são lembranças da protagonista sobre o que aconteceu com a filha dela. Só muito mais para a frente é que vamos saber exatamente do que se trata. Villeneuve a cada filme mostra o seu talento para a narrativa. Depois daquela introdução das memórias de Louise, mergulhamos na ação propriamente dita. A protagonista acompanha as notícias pela TV, como a maioria da população do mundo, mas por ser uma reconhecida especialista em linguística, ela acaba sendo chamada pelo Exército americano, mais especificamente pelo coronel Weber (Forest Whitaker) para ajudar.

Como já foi mostrado em outros filmes, sendo o clássico Close Encounters of the Third Kind talvez o exemplo mais conhecido, a comunicação é um elemento-chave em um encontro de humanos com seres extraterrestres. De forma magistral e irretocável Villeneuve vai construindo a expectativa e a tensão até que pessoas comuns como Louise e o físico Ian Donnelly (Jeremy Renner) se encontrem com os seres extraterrestres. A escolha é a acertada e funciona muito bem porque cria, desde o início, a empatia no público. Teria sido muito diferente mostrar “uma palhinha” de um encontro de um grupo de militares, por exemplo, como ocorreu no primeiro contato.

A primeira cena impactante é quando o público vê a nave. Impossível para mim, naquele momento, não lembrar do final de outro clássico, 2001: A Space Odyssey. Aliás, lembrei muito destes dois clássicos enquanto assistia a Arrival. E isso só fez ficar mais claro, para mim, como o filme de Villeneuve leva produções deste gênero para outro patamar. Diferente de outros filmes que apostam no confronto e na guerra entre humanos e extraterrestres, estas outras produções tem em comum um olhar muito mais cuidadoso, atento, e que observa, sobretudo, o nosso comportamento em relação ao diferente e ao estranho do que realmente os efeitos destes contatos.

De forma inteligente, o roteirista e o diretor de Arrival constroem a narrativa em um crescente. A primeira tensão é o encontro inicial dos protagonistas com os seres que eles deverão “desvendar”. Depois entra a parte superinteressante e lógica do trabalho linguístico de Louise. Enquanto os militares tem pressa para uma resposta, achando que ela virá simples em um entendimento sobre sons que eles nem sabem se tem algum significado, Louise mostra que é preciso sair do “modelo mental” humano e buscar conhecer a forma com que os seres de fora da Terra pensam.

Esta é a grande sacada do filme, a meu ver. E a grande explicação para o que a história nos revela está em um diálogo entre Louise e Ian. (SPOILER – não leia se você não assistiu ao filme). Em determinado momento, quando todos trabalham para compreender a linguagem dos extraterrestres mas ainda não chegaram a parte alguma, Ian pergunta para Louise se ela já está sonhando no idioma deles. E daí ele observa que quando uma pessoa realmente mergulha em um outro idioma, ela passa a pensar de outra forma, a ter a compreensão do mundo modificada e, consequentemente, começa a “sonhar” naquele idioma.

Aí está a grande resposta para o enigma de Arrival. Até então eu ficava me pergunta qual era a razão de, volta e meia, Louise ficar lembrando de momentos com a filha. A primeira resposta, e a mais óbvia, é que fatos do presente estavam fazendo ela relembrar de momentos com Hannah. Essa é a forma linear de pensar, acreditando que a vida tem começo, meio e fim e que, consequentemente, nossa memória também funciona assim. Só que Louise descobre depois de investigar a linguagem dos extraterrestres que eles não tinham uma forma de comunicação linear.

A “viagem” do argumento de Arrival é que se eles não tinham uma linguagem linear, eles também não pensavam ou viam a realidade de forma linear. Desta forma, de fato não existiria passado, presente e futuro, mas todo o conhecimento de alguém que tivesse essa forma de comunicação e, consequentemente, este mapa mental seria também não-linear. Ou seja, atemporal. A genialidade de Arrival ao ter este argumento é que conforme a especialista em linguística Louise ia realmente entendendo a forma de comunicação não-linear, ela própria passava a ver o mundo desta maneira. Assim, ela passou a vivenciar o futuro com a filha que nem havia nascido. Genial, não?

Enquanto todos os outros estavam com pensamento linear, Louise começou a enxergar a realidade de forma não-linear. Mas a compreensão dela, assim como a de qualquer um de nós que se aventura em um novo idioma e em uma nova forma de pensar, vai acontecendo aos poucos e de forma gradativa. Só perto do sinal que ela tem tudo claro. Por isso aquela sequência aparentemente maluca dela com o general Shang (Tzi Ma), manda-chuva da China, faz sentido.

No presente ela não sabia como evitar uma catástrofe mundial, mas conforme o entendimento dela ia ficando mais claro, ela foi buscar “no futuro” a resposta do que ela deveria dizer para Shang. Alguém que pensa de forma linear pode dizer: “Mas não faz sentido, como Shang poderia estar lembrando para ela sobre algo que ela contou para ele no passado se o passado ainda não tinha acontecido e, consequentemente, aquela cena da festa de lançamento do livro dela após o conflito resolvido também não seria uma realidade ainda”.

A questão, e a grande sacada deste filme é esta, é que quando Louise passa a pensar da mesma forma que os extraterrestres, ela tem conhecimento sobre todo o espaço temporal, inclusive do que acontece no futuro. Isso não impede, claro, que ações diferentes dela no presente não modifiquem o futuro. Mas ela tem acesso a conhecimentos prováveis do futuro e, com isso, consegue agir no presente e tomar decisões. Por um tempo depois de ter assistido ao filme me pareceu sem sentido, ainda assim, as cenas iniciais de Arrival.

Afinal, eu ficava pensando, não fazia sentido aquele começo de Louise indo para casa sozinha, como se já tivesse sido abandonada pelo marido e tivesse perdido a filha, e depois ela entrando na missão dos extraterrestres. Afinal, a história de Hannah estava no futuro. Mas aquele começo se explica não como um fato linear, e sim como lembranças de Louise depois que tudo aquilo tinha acontecido. É como se fosse uma introdução para a história que, a partir da chegada dos extraterrestres, volta para trás no tempo.

Enfim, diferente do que pensei inicialmente, Arrival não tem furos. Ele faz sentido, especialmente se você entende a proposta da não-linearidade. Uma dúvida que acho que muitos podem ter é porque no futuro Ian ia abandonar Louise quando ela contou para ele que Hannah iria morrer se ele, como ela, poderia ter a compreensão completa do tempo. Se fosse assim, ele já saberia o que iria acontecer com a filha antes mesmo dela nascer.

Para mim, a explicação para isso é simples: como acontece com diferentes idiomas que temos no mundo atualmente, nem todo mundo tem a capacidade de dominar certas linguagens. Há pessoas que aprendem, que mergulham e que realmente passam a pensar em outro idioma, mas tem outros que não tem esta capacidade. Ian era uma destas pessoas que certamente não entendeu/decifrou profundamento o idioma extraterrestre. Louise escreve um livro sobre aquela linguagem, mas certamente poucas pessoas no mundo tiveram a capacidade dela para realmente compreender o “presente” deixado pelos visitantes de fora da Terra.

Achei a premissa de Arrival brilhante, assim como a forma com que o filme é construído. A narrativa fragmentada e cheia de inserções de diferentes tempos da história de Louise é intricada, não é simples de entender. Mas é brilhante por realmente mergulhar e demonstrar o que a história quer nos mostrar de diferenciado em relação a filmes do gênero. A linguagem e a descoberta dela é fundamental para qualquer relação, e isso fica evidente neste filme.

Além das ponderações envolvendo a linguagem e a comunicação, gostei também de como o filme se debruça na raça humana. Este é outro atrativo da produção. Arrival mostra claramente como, apesar do início as diferentes nações colaborarem entre si, passado algum tempo predomina a característica egoísta e competitiva do ser humano. Isso é demonstrada pela “guerra fria” entre a China, os Estados Unidos e outros países. A tão falada geopolítica se apresenta com toda a sua divisão quando alguns países se sentem ameaçados e querem demonstrar mais força que os outros.

Neste sentido, Arrival apresenta algumas reflexões importantes sobre o nosso mundo. Primeiro, o pavor e o medo das pessoas sobre o desconhecido. Há revolta, depredação e falta de civilidade em várias partes do globo quando as naves aparecem. Depois, conforme o tempo passa e as nações não encontram respostas, a insegurança dos governos também marca posição. Como aconteceu com o 11 de Setembro e em outras ocasiões, a resposta para o medo é a ameaça e o confronto. Primeiro acabam as cooperações entre os países e, depois, muitos se armam para confrontar uma presença que eles não entendem. E quando você não entende, você se sente ameaçado.

Então Arrival não apenas apresenta um conceito interessante e diferenciado sobre o que motivaria a “visita” de extraterrestres na Terra, mas também nos coloca frente a um grande espelho. Como sugere um dos extraterrestres, eles estão “ajudando” a Humanidade desde os primórdios e, desta vez, vieram entregar a sua forma de se comunicar e de “pensar” para que tenhamos um entendimento completo do tempo. Desta forma, se este conhecimento for bem utilizado, catástrofes podem ser minimizadas e guerras podem ser evitadas. Em troca os extraterrestres querem ajuda nossa no futuro. Fica em aberto a razão para isso, mas não deixa de ser inteligente.

O filme precisa de muita atenção, até porque tem várias “interferências” de outros tempos no “presente” da protagonista, mas Arrival é construído de forma inteligente e funciona muito bem. Para finalizar, a produção reflete sobre algo que o brasileiro Pequeno Segredo (comentado aqui) também aborda: como você agiria frente a uma criança que você sabe que vai morrer e que é a sua filha? Você cuidaria para que ela fosse o mais feliz possível ou, de alguma forma, você evitaria aquele sofrimento.

Se em Pequeno Segredo o casal Schürmann deve decidir se vai ou não adotar uma menina que eles sabem que não deverá viver muito tempo, em Arrival Louise deve decidir se vai casar com Ian e ter uma filha com ele sabendo que ela vai morrer ainda jovem. Nos dois casos as duas mulheres optam por viver ao máximo ao lado de suas filhas, cuidando para dar todas as oportunidades de felicidade para elas e sem escapar da dor. Tocante. E nos faz pensar sobre as nossas próprias escolhas e sobre a vida. Ela é bela não porque não tenha dor e sofrimento, mas porque aprendemos com absolutamente tudo, especialmente na relação amorosa com as pessoas, e nisto está a sua beleza.

NOTA: 10.

OBS DE PÉ DE PÁGINA: Não é impossível que, conforme eu vá assistindo aos outros favoritos ao Oscar, eu reveja a nota acima. Na verdade, mesmo agora eu fiquei muito em dúvida sobre que avaliação dar para Arrival. A indecisão estava entre o 10 acima e uma nota mais “modesta” como um 9,8. Mas decide dar a nota máxima porque, realmente, não vi nenhum defeito neste filme. O “furo” na história que eu achei que Arrival tinha acabou ficando claro depois de pensar um pouco mais. Arrival é bem redondo e bem acabado, então merece um ótimo conceito.

A direção de Denis Villeneuve, irretocável, e o ótimo roteiro de Eric Heisserer são realmente destaques importantes da produção. Mas não são os únicos. Amy Adams estava inspirada nesta produção, mostrando muita maturidade na interpretação e também muita veracidade na condução de sua personagem. Jeremy Renner está bem, mas ele fica um pouco eclipsado pela parceira de cena. Além deles, os outros atores tem papéis bem secundários, sem nenhum grande destaque.

Da parte técnica do filme, gostei muito da direção de fotografia difícil e bem planejada e executada de Bradford Young. Também funcionam bem a edição de Joe Walker, a trilha sonora muito pontual de Jóhann Jóhannsson, o ótimo e interessante design de produção de Patrice Vermette, o departamento de som com um trabalho incrível de uma equipe de 33 profissionais, os efeitos especiais com cinco profissionais e os efeitos visuais envolvendo impressionantes 358 profissionais – sim, isso mesmo que você leu, uma equipe gigantesca de 358 profissionais. Não lembro de ter visto a um outro filme, pelo menos recentemente, que tenha envolvido uma equipe tão grande que trabalhou nos efeitos visuais da produção. Realmente o trabalho de toda esta equipe é impressionante e fundamental para Arrival.

Sobre o elenco, além dos atores que eu já destaque, vale citar o bom trabalho – ainda que sem graaaande expressão – dos atores Forest Whitaker como o coronel Weber, que convoca Louis e Ian; Michael Stuhlbarg, que interpreta o agente Halpern, que está coordenando as ações em Montana; Tzi Ma como o general Shang, presidente da China; Abigail Pniowsky como a Hannah de oito anos de idade; Mark O’Brien como o capitão Marks, um dos militares incomodados com a “falta de ação” contra os extraterrestres; Jadyn Malone como a Hannah de seis anos de idade; Julia Scarlett Dan como a Hannah com 12 anos de idade; e Carmela Nossa Guizzo como a Hannah de quatro anos.

Arrival estreou no Festival de Cinema de Veneza no dia 1º de setembro. Até o final de outubro ele participou e outros 12 festivais, uma verdadeira maratona, e em novembro, de mais dois. Com esta trajetória o filme conseguiu um prêmios e foi indicado a outros 13. O único que ele recebeu, até agora, foi o Silver Frog no Camerimage.

Esta produção, que teria custado cerca de US$ 47 milhões, faturou apenas nos Estados Unidos cerca de R$ 67,8 milhões. Nos outros países em que já estreou o filme fez outros US$ 32,2 milhões. Batendo a marca de US$ 100 milhões e tendo muito ainda para faturar, Arrival é uma produção que sairá no lucro apesar do seu alto custo.

Arrival foi totalmente rodado no Canadá, em lugares como Montreal e Bas-Saint-Laurent. Entre outros locais, um dos pontos que foi aproveitado como cenário da produção foi a Universidade de Montreal.

Agora, algumas curiosidades sobre esta produção. O diretor Denis Villeneuve e o roteirista Eric Heisserer criaram uma linguagem visual alienígena funcional. Eles criaram um tipo de “glossário” de logogramas com 100 tipos diferentes de imagens com “significados”, sendo que 70 delas são vistas no filme.

Na história de Ted Chiang, desembarcam na Terra 112 naves muito menores dos que as apresentadas no filme. Mas, sem dúvida, para o cinema, funcionou melhor a escolha feita pelos realizadores de Arrival.

Antes das filmagens começarem, Amy Adams não sabia falar mandarim. Mas ela acaba tendo que dizer uma frase neste idioma em certo momento. (SPOILER – não leia se você não assistiu ao filme). Aliás, a frase que o general Shang sussurra para ela e que teria sido dita pela mulher dele no leito de morte foi: “Na guerra não existem vencedores, apenas viúvas”. Uma boa frase para ele repensar o que estava prestes a fazer na história, realmente.

Descobri algumas coisas interessantes ao ler as notas da produção. (SPOILER – não leia… bem, você já sabe). Inicialmente o filme teria “presentes” diferentes deixados pelos alienígenas em cada um dos oito países em que eles pararam as suas naves. Mas Villeneuve mudou de ideia após assistir a Interstellar. Ele não queria que um filme lembrasse o outro. A exemplo de quando Louise conta para Hannah que ela tinha recebido este nome porque ele era um palíndromo, o próprio filme e a última música que aparecem nele também são um palíndromo. Ou seja, as cenas iniciais do filme são também como a produção termina, uma forma de mostrar que a linguagem e a forma de pensar dos extraterrestres que nos é “presenteada” e compreendida por Louise não é linear e nem tem início, meio ou fim.

Denis Villeneuve é, sem dúvida alguma, um dos novos diretores que vale a pena acompanhar. Gostei muito dos dois filmes anteriores dele, que eu citei lá mais no início deste texto. Além deles, sei que tem outros filmes de Villeneuve que eu perdi e que foram bem elogiados – um dia, ainda, quero assisti-los. A próxima produção dirigida por ele também promete. Ele já está trabalhando na pós-produção de Blade Runner 2049, filme que dá continuidade para o clássico de Ridley Scott e que tem no elenco, entre outros nomes, Robin Wright, Harrison Ford, Ryan Gosling, Jared Leto, Barkhad Abdi, entre outros. Promete.

Assisti a este filme no cinema, e ele realmente pede ser apreciado em uma telona e com um grande som.

Os usuários do site IMDb deram a nota 8,4 para Arrival, enquanto os críticos do site Rotten Tomatoes dedicaram 248 críticas positivas e 18 negativas para a produção, o que lhe garante uma aprovação de 93% e uma nota média de 8,4. Tanto a nota do público quanto da crítica comprovam que o filme foi aprovado por estes dois públicos e que está bem credenciado para emplacar alguns prêmios e indicações daqui para a frente.

Esta é uma produção 100% dos Estados Unidos.

CONCLUSÃO: Que filme, meus amigos! Ainda que ele não ignore outras referências de filmes com “contatos alienígenas”, ele nos leva a outro patamar neste tipo de produção. Mais do que nos fazer pensar sobre os “visitantes”, Arrival nos faz refletir sobre nós mesmos e sobre o tipo de organização global em que estamos. Este é um nível de análise. Mas há outro existencialista e um terceiro sobre a importância da comunicação. De forma muito genial o filme nos constrói uma narrativa que fará sentido realmente no final.

Com um roteiro primoroso, ótimos atores e uma direção competente, Arrival é realmente uma das grandes pedidas deste período pré-Oscar. Mais uma vez o diretor Dennis Villeneuve soube me conquistar. Por pouco ele não apresenta nenhum furo ou defeito. Por isso ele vai merecer as indicações que deverá receber no próximo Oscar. Agora, como eu comentei antes, este filme é super difícil de entender. É preciso estar atento e gostar dos temas para não ficar “perdido” no final. Para quem está familiarizado com boa parte dos temas tratados, contudo, Arrival é um deleite. Recomendo para estas pessoas. Para as demais, acredito que outros filmes podem funcionar melhor.

PALPITES PARA O OSCAR 2017: Este é um dos filmes inevitáveis nesta temporada pré-Oscar segundo muitas bolsas de apostas de especialistas. Ao assistir a Arrival eu percebi o porquê do filme ser apontado como promissor em diversas categorias. Só não sei se a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood vai topar o desafio de dar evidência para um filme tão complexo. Porque este filme não tem nada de simples ou de muito palatável para o grande público.

Caso a Academia resolver dar o devido crédito para o filme, apesar dele não ser muito simples, Arrival realmente pode chegar longe no Oscar. Há quem aposte que Arrival poderá ser indicado como Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Atriz e Melhor Roteiro Adaptado. Realmente eu acho que ele pode emplacar todas estas indicações, além de algumas outras técnicas, como Melhores Efeitos Visuais, Melhor Mixagem de Som e, talvez, Melhor Edição de Som.

Entre as categorias principais, talvez apenas Melhor Diretor pode ser mais difícil do filme figurar. Nas demais, acredito que ela consiga emplacar uma indicação. Agora, saber se ela tem chance de ganhar em alguma ou mais de uma, só esperando para ver a outros dos favoritos. Aparentemente Arrival corre por fora, mas vou conseguir falar com mais propriedade sobre isso após assistir a outros favoritos, como La La Land, Jackie, Fences, Silence e Manchester by the Sea. Veremos.

ATUALIZAÇÃO (18/12): Nesta semana sai a lista dos filmes indicados ao Globo de Ouro 2017. Arrival foi indicado nas categorias Melhor Atriz – Drama (Amy Adams) e Melhor Trilha Sonora. A disputa nas duas categorias está bem acirrada.

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13 comentários em “Arrival – A Chegada

  1. Eu diria que a questão de criar a criança ou não é muito mais ampla que isso.
    É algo mais universal, com o amor, se você estaria disposto a encarar um sentimento mesmo sabendo que ele em algum momento vai ter um fim.
    E nós fazemos isso em nossas relações mesmo sabendo que o final pode não ser feliz.

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  2. Eu diria que a questão de criar a criança ou não é muito mais ampla que isso.
    É algo mais universal, com o amor, se você estaria disposto a encarar um sentimento mesmo sabendo que ele em algum momento vai ter um fim.
    E nós fazemos isso em nossas relações mesmo sabendo que o final pode não ser feliz.

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  3. É possível que Ian deixe Louise no futuro justamente pela indignação de que ela poderia ter evitado o sofrimento da filha uma vez que ela saberia que a filha de ambos morreria, isso baseando-se no que foi dito de que nem todo mundo irá absorver e compreender a linguagem alienígena, ou seja, o Ian provavelmente não irá compreender e por esse motivo não saberia que a filha iria morrer.

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    1. no filme só é frisado que só a Louise é que tinha o poder de ver o futuro e por isso só ter sido ela a escolhida a ir à nave depois do ataque humano.
      A decisão de ela juntar-se ao Ian mesmo sabendo que iriam ter uma filha com doença terminal e que quando ela lhe revelasse esse conhecimento prévio também levaria à separação deles como casal (não como de familia porque Ian continuaria a estar perto da filha porque foi revelado que ele a visitava em alguns dias), mostra que Ian nunca chegou a ter a visão futurista e caso tivesse nao era forte o suficiente a preferir e fazer as mesmas escolhas que a Louise fez (ao que parece culpa a Lousie, por isso o seu afastamento/divorcio senão continuaria com ela) mesmo sabendo que iria-lhe acontecer todos aqueles dissabores (morte prematura da filha, perda do marido/companheiro) a preferir um vida assim, que uma vida solitária e sem ter passado por um momento de amor, ser companheira e pelo amor de também ter sido mãe.
      Moral da história, os aliens vieram “dar” conhecimento para uma comunicação que será essencial daqui a 3mil anos, quando eles precisarem da nossa ajuda. Mas neste processo todo, eles vieram também a ajudar a humanidade porque pelos vistos já estamos muito “desalinhados”. Nos proximos 3 mil anos, se nao nos destruirmos todos, já teremos descarrilado milhares de vezes. Grande fé que teem estes aliens para depositarem toda essa sabedoria numa unica mulher que nao vai durar mais de um século, e eles só voltarão daqui a 3mil anos! LOL

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  4. Achei o filme brilhante, muito bem dirigido e desde o inicio de percebe que todos os minutos e cenas contam para entendermos e darmos uma lógica ao filme.

    Mas uma pergunta mais forte para mim ficou, visto Louise ter entendido a linguagem dos “visitantes” e percebido que com ela conseguiria ver partes do seu fututro, e os “visitantes” terem lhe dito que o conhecimento que estes lhe estavam a dar era para ajudar os humanos pois daqui a 3000 anos iriam ser eles a precisarem de ajuda, como e que o nascimento e a morte da sua filha vai influenciar este processo todo? Sera devido a doença, que sera letal para a humanidade ? Ou com a morte da sua filha ela iria aprofundar o processo de aprender a sua comunicação e a precessão do tempo nao linear ?

    De qualquer forma grande filme!

    Continuação do excelente trabalho aqui realizado blog.

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  5. A louise já tinha visões futuristas antes da chegada deles ou só aconteceu porque entendeu a linguagem dos aliens? Os outros porque não entenderam? porque nunca sonharam com a linguagem dos aliens ou porque nao eram “especiais”? Se a ideia neste primeiro encontro era ensinar os humanos a comunicarem com eles, como é que esperam que a unica humana que verdadeiramente entende a linguagem deles, nao viva o suficiente para daqui a 3 mil anos repetir o encontro com melhor comunicação? 🙂
    A morte prematura da filha foi um infortuno da vida que pode acontecer a qualquer casal, o facto de ela vir a saber desse facto e o facto dela continuar a querer ser a pessoa que depois vai ser responsável por dar ao mundo a conhecer a linguagem dos aliens (quem compreender a lingua dos aliens tb passará a ter visões do futuro? a humanidade só tem futuro se tivermos a capacidade de ver o futuro?) isto não será egocentrismo levado ao maximo, preferir ter uma carreira/fama em prol dum sofrimento de um familiar? Se ela não tivesse se juntado ao Ian e terem criado uma filha, ela não poderia na mesma desenvolver a linguagem dos aliens? Ok é o paradoxo do destino traçado e tinha de ser assim e pronto, ainda para mais conhece-lo e nao fazer nada para mudá-lo é ser fraca ao mesmo tempo..Eu, pelo menos, preferia viver sem saber o que me poderia acontecer que viver sabendo o que me iria acontecer..
    Mas só assim é que poderia dedicar a vida à comunicação dos aliens? é que tendo a cabeça cheia de tristeza, descrença, pouco auto-estima por ter trazido à vida uma filha que irá sofrer e morrer precocemente não seria um contra para o projecto?
    E se os aliens tb podiam prever o futuro, porque é que não evitaram a explosão e um deles morreu devido à explosão?
    Como é que a filha desenha os pais e o canário na gaiola, quando não ha registos dessa imagem, pelo que vi no filme, a unica camera só filmava a iteração da Louise/Ian com os Aliens..
    E porque é que é o alien Costello que morre devido à explosão quando é o alien Abbott que dá o corpo ao manisfesto? eu, pelo menos, fiquei com a impressão que morreu o alien errado.. lol

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