O.J.: Made in America


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Há muitas formas de uma pessoa se perder. Uma história muito conhecida de alguém que “tinha tudo” e que perdeu tudo é o foco do longo documentário O.J.: Made in America. Esta é a história não apenas do esportista que era um fenômeno em seu país e que virou assunto mundial ao ser julgado por um crime brutal, mas também é a história de problemas não resolvidos nos Estados Unidos até hoje. A questão racial naquele país entra ano e sai ano e parece ter sempre avanços e retrocessos. Esta produção trata disso e de muito mais.

A HISTÓRIA: Começa mostrando uma estrada e uma paisagem deserta com a voz de O.J. Simpson dizendo que desde sempre ele quis fama mais que dinheiro. Na sequência, surge um presídio. Imagens de arquivo mostram uma audiência da Justiça com O.J. Simpson quando ele já estava há cinco anos em Lovelock. Perguntam para ele como ele se saiu nestes cinco anos, e ele conta como começou a trabalhar como faxineiro e que, pouco tempo depois, ele já estava trabalhando na academia. Em seguida, perguntam para ele se ele tinha 46 anos quando foi preso pela primeira vez, em 1994. O.J. se irrita e pergunta se eles vão falar “daquele caso”. Em seguida, ele confirma a informação. Corta. A partir deste momento, o filme conta a trajetória de O.J. Simpson desde que ele começou a se destacar no esporte.

VOLTANDO À CRÍTICA (SPOILER – aviso aos navegantes que boa parte do texto à seguir conta momentos importantes do filme, por isso recomendo que só continue a ler quem já tenha assistido a O.J.: Made in America): A história de Orenthal James Simpson sempre será uma grande história. Até assistir a este documentário, eu nunca tinha entendido bem a dimensão que esta figura tinha nos Estados Unidos. Mas o documentário dirigido por Ezra Edelman ajuda a dimensionar exatamente quem foi O.J. Simpson para o público americano.

Os Estados Unidos não tem apenas um esporte nacional. Lá é muito forte o futebol americano, o beisebol e o basquete. Diferente do Brasil, onde até segunda ordem o “esporte nacional” é o futebol. Ainda que nos EUA outros esportes dividam a atenção e a paixão do grande público, provavelmente o futebol americano é o esporte mais democrático do país. O.J. Simpson foi um fenômeno neste esporte.

A comparação pode parecer absurda e ridícula, mas o que aconteceu com ele pode ser “entendido” pelo brasileiro que tem hoje os seus 60 anos ou mais como se o Pelé, ainda no auge da carreira, resolvesse parar de jogar futebol e fizesse uma trajetória bem-sucedida como “celebridade” do cinema e dos comerciais, faturando rios de dinheiro e, depois, de forma “misteriosa”, fosse acusado de assassinato. A comparação é exagerada, claro, até porque o contexto social de racismo escancarado e disputas envolvendo a questão racial nos EUA não é o mesmo que o contexto brasileiro.

Essas reminiscências foram apenas para deixar ainda mais claro que fica difícil para o público que não seja o dos EUA entender realmente o que significou a figura de O.J. Simpson. Não apenas para o público do Brasil é difícil de dimensionar uma figura que era tão conhecida e controversa como, imagino, ocorra o mesmo em outros países. Mas O.J.: Made in America ajuda a explicar isso.

Como comentei lá no início, ainda lembro do “burburinho” criado pelo “julgamento do século” envolvendo O.J. Simpson. Ainda tenho na memória toda a expectativa criada após o crime, as artimanhas de Simpson para fugir da polícia – incluindo a absurda perseguição por ruas de Los Angeles filmada por helicópteros das TVs – e o derradeiro julgamento que todos acharam injusto. Ou quase todos, ao menos.

Neste ano, até porque a série ganhou diversos prêmios, eu já tinha assistido a The People x O.J. Simpson: American Crime Story. A série tinha me chamado a atenção não apenas pelos prêmios que recebeu, mas também pelo elenco estelar envolvido na produção. Então a história de Simpson já tinha voltado à minha memória por causa da série da FX antes mesmo do documentário começar a ganhar evidência e ser apontado por muitos como um dos favoritos ao Oscar 2017.

Dividido em cinco partes, O.J.: Made in America faz um grande trabalho de resgate histórico. No início, além de dimensionar quem foi O.J. Simpson ao mostrar a sua carreira no esporte, o filme também conta, em paralelo, o que estava acontecendo na cidade natal dele e onde ele fez a sua trajetória, Los Angeles, em relação aos conflitos raciais. Todo este contexto social e pano de fundo da história de Simpson acaba sendo determinante para a vida dele e, principalmente, para o que acontece com ele e com outras figuras desta história.

De forma muito inteligente e detalhista, o diretor amarra todos os fios desta história utilizando sempre a lógica de imagens de arquivo e trechos de entrevistas com diversas pessoas que foram testemunhas oculares do que aconteceu em Los Angeles. Tão importante quanto saber a origem pobre e humilde de Simpson e a sua trajetória espetacular no esporte é entender a forma com que os afro-americanos (ou negros, como é citado em vários momentos do filme) eram tratados na cidade.

Ao ver as cenas da trajetória de Simpson no futebol americano – algo que eu não tinha assistido até então -, fica claro que ele era um sujeito muito inteligente. Conforme ele foi ganhando projeção e sendo “paparicado” pelos torcedores e pela mídia, ele foi se tornando cada vez “malandro” e soube aproveitar as oportunidades que foram aparecendo pela frente. Em paralelo, outros atletas negros tiveram posição de resistência, iniciando pelos Panteras Negras e seguindo com figuras conhecidas mundialmente como o pugilista Muhammad Ali.

Interessante, aliás, que Muhammad Ali era mais conhecido globalmente do que o próprio O.J. Simpson. Mas, dentro dos Estados Unidos, sem dúvida alguma o segundo parece ter tido uma admiração maior que o primeiro. Isso pode ser explicado pela popularidade diferente entre os esportes e também pela forma “manipuladora” e sempre preocupada com a mídia que Simpson tinha e que Ali não tinha.

Não foi apenas Simpson quem explorou a mídia muito bem a seu proveito, mas possivelmente ele foi um dos primeiros a fazer isso de forma tão precisa e profissional. Nada do que ele fazia não era planejado para que os seus atos lhe trouxessem algum benefício. “Malandro”, ele sabia muito bem o que dizer e como se portar para conseguir o que ele queria. Em todos os sentidos.

Costurando sempre cenas da época e depoimentos de pessoas que vivenciaram aquela história, Edelman vai narrando a trajetória de Simpson e o contexto social dos EUA desde os anos 1960. Por isso, também, este é um filme que conta um bocado do que aconteceu no país em um momento de efervescência cultural e social importante. Diversos personagens históricos aparecem para o espectador, desde o senador Robert F. Kennedy até o pastor e ativista Martin Luther King Jr.

Depoimentos de pessoas fascinadas pela USC (Universidade do Sul da Califórnia), onde Simpson estourou em 1968, ano marcante na história dos EUA e do mundo, ajudam a mostrar como parte da sociedade americana era “cega” para assuntos mais sérios e fascinada apenas pelo esporte que fez a fama de Simpson. Ele, por sua vez, por ter feito a carreira em uma faculdade de brancos, fazia questão de “transcender” a raça.

Ambicioso, ele queria ser um cara de sucesso, ser reconhecido por todos e não ter a “raça” como um empecilho. Neste sentido, O.J.: Made in America demonstra, com diferentes depoimentos de pessoas que eram próximas de Simpson, como ele gostava do fato de não ser “visto como negro”. Ele fazia questão de ser visto como um sujeito bem-sucedido, acima de tudo. Como falou no início da carreira, quando ainda era uma promessa do futebol americano no colégio e não tinha estourado na liga universitária ou como profissional, ele queria ser famoso acima de tudo.

Ele conseguiu a fama e também muito dinheiro. Soube explorar muito bem a sua imagem e até foi favorecido com a questão racial ao adotar a figura do “negro bom”. De forma corajosa Edelman mostra isso. Que muitas empresas, a polícia e a mídia gostaram da ideia de ter um negro “do bem”, alguém que, diferente de outros atletas e personalidades da época, não criavam “polêmica” ou “problemas” por causa da questão racial. Ele foi “usado” mas também soube usar muito bem esta estrutura de dinheiro que queria “vender” um bom exemplo da comunidade negra.

Todo este contexto da época é bem contado pelo documentário. E talvez seja a parte mais interessante do filme. Outra parte acertada da narrativa é aquela que mostra como o ego de Simpson foi crescendo até ele se tornar quase incontrolável. A parte pública dele é muito bem explorada pelo diretor, mas a parte pessoal deixa um pouco a desejar. Principalmente porque o documentário não trata muito sobre a primeira esposa de Simpson ou revela muito da intimidade do casal ou dele com Nicole Brown.

Alguns amigos próximos dele e de Nicole contam um pouco sobre os “bastidores” da relação deles, mas acho que faltou explorar um pouco mais como era a relação da família dela com ele ou escutar outros amigos do casal. Uma parte interessante e diferenciada desta produção é o diário de Nicole, com várias informações importantes para traçar um lado pouco conhecido da personalidade de Simpson e até a linha temporal da relação deles quando ela começa a degringolar.

Bem construído, com uma ótima edição, trilha sonora, resgate histórico e depoimentos, O.J.: Made in America prende a atenção do espectador. Não é difícil querer assistir aos cinco episódios de forma quase seguida. Envolvente, o filme é atrativo especialmente por causa do contexto amplo que ele apresenta. A parte da acusação, da perseguição e do julgamento de O.J. Simpson é interessante, mas ao mesmo tempo é um pouco de “mais do mesmo”, ou seja, de relembrar o que praticamente todos já conhecem.

A parte mais interessante do resgate desta parte da história é revelar a essência da relação entre Simpson e Nicole. Com diferentes depoimentos o diretor sustenta o argumento que Simpson, sentindo-se tão poderoso, não aceitava a “rebelião” de Nicole. Mulherengo, aparentemente machista, ele não aceitava que a mulher que ele queria sob os seus pés decidisse por outro caminho. Como ela não ficou submissa e nem cedeu às chantagens dele, Simpson teria se descontrolado e acabado com a vida dela e de Ronald Goldman que, e isso é um ponto fraco do filme, ninguém sabe exatamente que relação tinha com Nicole.

Eu não teria me importado em assistir a um sexto episódio e ter mais detalhes da história. Acho que falta para O.J.: Made in America não apenas explicar melhor a relação de Nicole e Goldman mas, também, revelar um pouco melhor o que acontece com Simpson depois que ele é absolvido e, principalmente, o que aconteceu com alguns dos personagens principais desta história nos últimos anos.

Essa é a parte, na verdade, que me incomodou mais. Afinal, como está hoje Simpson na cadeia? Não seria possível entrevistar pessoas que convivem e/ou mantêm relação com ele até hoje e contar sobre como é a vida dele após a condenação por roubo, sequestro e toda aquela trapalhada no quarto do hotel? Eu também gostaria de saber mais sobre o paradeiro dos filhos dele com Nicole, dos seus familiares e das pessoas envolvidas no “julgamento do século”. Acho que o filme deixa a desejar neste sentido e é por isso que eu dou a nota a seguir para ele.

Apesar deste “porém”, O.J.: Made in America é um belo filme que ajuda a contar não apenas a história de um sujeito que quis ter tudo, conquistou o que ele queria e soube perder tudo, como também é um interessante retrato de uma época e de uma sociedade. Faz pensar sobre como as massas são fascinadas por histórias de sucesso e se iludem com elas sem parar para pensar que as pessoas são humanas, cheias de qualidades e de defeitos e que por mais talentoso que alguém seja, ele não é um deus. Ele não está acima das outras pessoas. O poder da fama, do dinheiro, da manipulação e da cobiça está todo escancarado nesta produção. Que ela sirva de lição para muita gente.

NOTA: 9.

OBS DE PÉ DE PÁGINA: O diretor Ezra Edelman fez o seu nome com O.J.: Made in America. Até dirigir a este documentário, ele tinha apenas outros três títulos como diretor. Edelman estreou na direção de um filme em 2010 com o documentário para a TV Magic & Bird: A Coutship of Rivals. Depois, ele dirigiu um episódio para cada uma destas séries de TV: 30 for 30, em 2014, e 30 for 30: Soccer Stories, do mesmo ano. Agora ele apresenta O.J.: Made in America. Como produtor, ele tem 10 títulos no currículo, quase todos relacionados com o mundo dos esportes.

O estilo de Edelman é “clássico”. Ele não tem nenhuma grande sacada na direção. Pelo contrário. A narrativa é praticamente toda linear e segue aquela lógica já citada anteriormente de mesclar diferentes cenas históricas – incluindo imagens de TV, vídeo, fotografias, peças publicitárias e etc. – com depoimentos de pessoas que foram entrevistadas para a produção. Como O.J. Simpson era uma celebridade, e foi assim desde os anos 1960, não faltou material para Edelman e sua equipe trabalhar.

Tão importante quanto a direção de Edelman são outros aspectos técnicos que ajuda O.J.: Made in America a ter ritmo. Fundamental o excelente trabalho do trio de editores Bret Granato, Maya Mumma e Ben Sozanski. Muito importante também a ótima trilha sonora de Gary Lionelli, um trabalho importante para ajudar a situar o público na época dos fatos que estão sendo narrados.

Complementando o time de profissionais que ajudaram este filme a ter uma boa qualidade técnica está o diretor de fotografia Nick Higgins. Ele garante, em especial, o padrão das entrevistas que dão corpo para a produção. Falando nas entrevistas, achei especialmente interessantes os depoimentos de duas das juradas que ajudaram a absolver Simpson da acusação de assassinato. Os depoimentos delas são muito reveladores, assim como de alguns amigos de Simpson.

Antes comentei sobre a série American Crime Story. Pois bem, comparando os dois, sem dúvida alguma O.J.: Made in America é melhor. Mas vale assistir a série cheia de estrelas por curiosidade. Ainda que, ao comparar as duas produções, fica ainda mais claro o exagero de algumas interpretações da série ficcional – especialmente do ator Cuba Gooding Jr. Isso demonstra como, muitas vezes, uma série que fascina o grande público americano pelo seu tema ganha mais destaque por isso do que por suas qualidades. Não tenho dúvidas de que há séries muito melhores no mercado.

O.J.: Made in America estreou no Festival de Cinema de Sundance em janeiro de 2016. Depois, o filme participou de apenas um outro festival, agora em novembro, o Festival Internacional de Documentários de Amsterdã. Em sua trajetória até agora, o filme colecionou 10 prêmios e outras 10 indicações. Entre os prêmios que recebeu, destaque para os quatro entregues no Critics Choice Documentary Awards: Melhor Diretor, Melhor Documentário, Melhor Série Limitada de Documentário e Melhor Documentário de Esporte. A produção ganhou ainda como Melhor Documentário no Gotham Awards; Melhor Edição no Prêmio da Associação de Críticos de Cinema de Los Angeles (merecido); Melhor Documentário segundo o National Board of Review; Melhor Filme de Não-Ficção no Prêmio do Círculo de Críticos de Cinema de Nova York; e Melhor Filme no Festival de Cinema de Filadélfia.

Esta produção estreou no Festival de Cinema de Sundance e passou por alguns festivais e cinemas antes de ser lançada pela ESPN em cinco partes. Por isso, apesar de ter sido veiculado na TV, o filme foi originalmente lançado nos cinemas e pode, desta forma, concorrer na categoria Melhor Documentário do Oscar 2017. Se ele vencer e ganhar a estatueta, será o primeiro filme feito por um canal de TV a conseguir isso.

Falando no prêmio máximo da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood, O.J.: Made in America já venceu a primeira etapa para chegar até a conquista de uma estatueta dourada. Inicialmente a Academia divulgou a lista de 145 documentários que estavam “habilitados” a concorrer ao Oscar. Nesta semana, contudo, como tem feito nos últimos anos, a Academia divulgou a lista dos filmes que avançaram na disputa. Entre as 15 produções que seguem buscando uma vaga entre os indicados ao Oscar está O.J.: Made in America. Pelos prêmios que eu citei antes e pelas bolsas de apostas de especialistas é quase certo que ele chegará entre os cinco finalistas.

Outros documentários foram feitos sobre O.J. Simpson. Admito que este foi o primeiro que eu assisti a respeito da história dele. Minha motivação, claro, foi por ele ser um foto candidato ao Oscar. Não sei se outros documentários feitos anteriormente jogam outras luzes na história. Mas, sem dúvida, este filme é importante por retratar parte dos conflitos raciais nos EUA de forma muito franca. Diferente do que muitas pessoas normalmente imaginam, que a questão do preconceito está ligado aos Estados mais “conservadores” dos EUA, ao Sul do país, fica claro com O.J.: Made in America que cidades “bem vendidas” como modernas e inclusivas como Los Angeles também tem problemas sérios neste sentido. Importante, até porque estas questões continuam bem vivas e pulsantes naquele país. Infelizmente.

O.J.: Made in America caiu no gosto do público e da crítica. O filme tem uma nota impressionante nos dois sites que uso como referência e os quais eu cito sempre aqui no blog. No site IMDb o filme aparece com a nota 9 e no Rotten Tomatoes, que agrega a opinião de diversos críticos, ele tem a impressionante e um tanto rara aprovação de 100% da crítica – 41 pessoas consideraram o filme bom e ninguém fez uma crítica negativa para ele. A nota média dos críticos é de 9,2.

Conceitos muito altos para os padrões dos dois sites. Da minha parte, eu tinha dado a minha nota antes de ver estes sites… para quem acompanha o blog, já sabe que a nota 9 é boa, mas que está longe da perfeição do 10. Ou seja, gostei do filme, mas não achei ele “tudo aquilo”.

Matei a minha curiosidade sobre como está O.J. Simpson atualmente nesta matéria do jornal L.A. Times. Além de resgatar um pouco da história de Simpson e de falar um pouco sobre o cotidiano dele atrás das grades, a reportagem comenta sobre outra produção a respeito do ex-atleta que será lançada em 2017 (Hard Evidence: O.J. Is Innocent), com outra perspectiva, e sobre a possibilidade dele sair em liberdade condicional em outubro de 2017 após ter cumprido os primeiros nove anos de sua pena.

Esta é uma produção 100% dos Estados Unidos. Por isso ela entra na lista de críticas que atende a uma votação feita há tempos atrás aqui no blog.

CONCLUSÃO: Este filme ajuda qualquer pessoa que não nasceu nos Estados Unidos a realmente dimensionar e entender o apelo que O.J. Simpson tinha/tem naquele país. Lembro bem do “julgamento do século”, mas até assistir a este documentário eu não tinha entendido de forma mais completa quem era aquele cidadão que fez boa parte do mundo – e especialmente os EUA – parar para ver um julgamento.

Bastante amplo, este documentário acerta ao contar a trajetória de Simpson e o contexto racial que explica boa parte dos fatos que aconteceram com ele, mas peca na reta final ao não contextualizar o que aconteceu com as pessoas após os fatos principais serem narrados. É um bom filme, bem costurado, mas poderia ter caprichado melhor no final. E apesar de entregar quase tudo que se espera de um documentário sobre este tema, ele não chega a ser realmente marcante. Em outras palavras, há documentários que concorreram ou ganharam um Oscar nos últimos anos que perduram mais tempo na nossa memória.

PALPITES PARA O OSCAR 2017: É quase certo que O.J.: Made in America seja um dos cinco finalistas da categoria Melhor Documentário. Apenas uma zebra deixaria esta produção da ESPN fora da disputa pela estatueta dourada. Digo isso com base em alguns fatores que precedem a divulgação dos filmes finalistas da disputa.

Para começar, O.J.: Made in America aparece nas principais bolsas de apostas pré-Oscar como um dos favoritos da disputa. Depois, ele foi o documentário mais premiado, junto com o filme 13th, no recente Critics Choice Documentary Awards. A terceira razão que faz qualquer um apostar em O.J. Simpson: Made in America para figurar entre os cinco finalistas é que ele já venceu a primeira barreira, avançando na pré-lista de finalistas da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood com outros 14 filmes – normalmente a Academia divulga em dezembro algumas listas preliminares.

Além destas questões que mostram que o filme tem força para chegar até o Oscar 2017, vale dizer que este documentário foi um dos mais comentados do ano entre produções do gênero. E não é difícil identificar a razão para isso. Até hoje a figura de O.J. Simpson fascina os americanos – que, no final das contas, é o público principal para o qual o Oscar se direciona. Mesmo provavelmente não sendo o melhor documentário do ano, este filme cai como uma luva (sem fazer piada sobre isso) no gosto do público americano. Ele também acaba sendo importante por retratar a história dos conflitos raciais em centros urbanos como Los Angeles – revelando que não é apenas uma coisa do “interior” dos EUA.

Enfim, certamente O.J.: Made in America será um dos cinco finalistas na categoria Melhor Documentário do Oscar 2017. Agora, ele terá forças para ganhar uma estatueta? Por tudo que já comentei, até acredito que sim. Resta saber se ele é o melhor documentário da temporada. Desconfio que não, mas isso eu vou dizer com mais propriedade após assistir aos outros indicados/pré-finalistas deste ano.

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