Curtas de Ficção Indicados ao Oscar 2017 – Avaliação


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Faltando pouco para a entrega do prêmio anual da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood vale a pena darmos uma pausa nos filmes e, após o post sobre os curtas de animação que estão na disputa, comentar os curtas de ficção que buscam uma estatueta dourada.

Ainda que os curtas-metragens não sejam muito valorizados pelo público brasileiro, é preciso sempre ponderar que muitos diretores talentosos e que vamos descobrir na nossa jornada cinéfila começam a carreira justamente com este tipo de filme. Sem contar os diretores que, volta e meia, mesmo sendo conhecidos por seus longas, voltam para o formato de curtas para “extravasar” algumas de suas ideias artísticas.

Por tudo isso, sempre vale dar uma conferida nos curtas indicados ao Oscar a cada ano. Comento, abaixo, sobre as produções que estão na disputa em 2017:

1. Ennemis Intérieurs

O curta francês com roteiro e direção de Selim Azzazi fala sobre o terrorismo argelino que atinge a França nos anos 1990. Naquele cenário, dois homens travam uma batalha ideológica e de valores. Esta é a premissa do curta Ennemis Intérieurs, com 27 minutos de duração.

De acordo com as notas de produção do curta, Ennemis Intérieurs é ambientado em uma delegacia de polícia, onde um homem de origem franco-argelina é acusado de proteger as identidades de possíveis terroristas. O tom de interrogatório tradicional do policial interpretado por Najib Oudghiri ganha com o tempo o caráter de inquisição contra o acusado interpretado por Hassam Ghancy.

A temática da produção é mais do que atual, e tem importância especial no país de origem deste curta. Ennemis Intérieurs marca a estreia na direção do experiente editor de som Selim Azzazi. Não encontrei o filme na íntegra, para assistir, mas é possível conferir o trailer micro dele abaixo.

 

2. La Femme et le TGV

Este curta da Suíça com 30 minutos de duração conta a história de uma “mulher solitária e um motorista de trem” da companhia TGV. A produção é dirigida e tem roteiro assinado por Timo von Gunten, um diretor experiente que tem 10 títulos no currículo, a maior parte delas de curtas.

De acordo com este texto da Hollywood Reporter sobre os curtas que concorrem nesta categoria neste ano, La Femme et le TGV foi feito para a atriz Jane Birkin brilhar. Ela vive a protagonista, uma mulher que vive entre as lembranças do passado e a imaginação de um futuro improvável. A história parece ser interessante, mas frente ao tema atual de Ennemies Intérieurs, La Femme et le TGV parece perder um bocado de força.

A produção diz que é inspirada em uma história real. Assistindo ao trailer, gostei de alguns elementos importante de qualquer produção, como a bela direção de fotografia de Nausheen Dadabhoy e a trilha sonora de Diego Baldenweg. E, sem dúvida, apenas assistindo ao trailer, sou obrigada a concordar que este curta foi feito para Jane Birkin brilhar.

 

3. Silent Nights

O dinamarquês Silent Nights conta mais uma história importante para os dias atuais. O filme dirigido por Aske Bang conta a história de uma voluntária de um abrigo da cidade que se apaixona por um refugiado de Gana. A produção é estrelada pela atriz Vibeke Hastrup, que faz uma dobradinha com o ator Ali Kazim.

Além de dirigir o filme, Bang escreveu o roteiro desta história junto com Ib Kastrup. Segundo o texto da Hollywood Reporter, Silent Nights se debruça sobre a relação dos europeus com a mais recente onda migratória no continente através desta história de amor e das reações à ela. De acordo com a publicação, o filme tem uma série de situações e conflitos bem desenvolvidos que poderiam render, inclusive, um longa. A interpretação dos protagonistas também é elogiada.

Da minha parte, de quem só assistiu ao trailer abaixo, esse me parece também um forte concorrente desta categoria no ano. Primeiro, porque a produção de 30 minutos trata de temas vitais nos tempos de hoje, como a imigração, a xenofobia e empatia entre pessoas de diferentes origens e, depois, porque os atores realmente parecem ótimos.

Também gostei do estilo da direção e da forma com que Bang parece tratar o tema, de forma bastante franca e direta. Este é terceiro curta da carreira de Bang que tem no currículo, ainda, cinco episódios de uma série de TV.

 

4. Sing

O húngaro Mindenki, no mercado internacional intitulado de Sing, é um drama ambientado na cidade de Budapeste, na Hungria, nos anos 1990. Inspirado em uma história real, o curta com 25 minutos de duração acompanha um coro infantil de uma escola primária a partir do momento em que uma nova menina se integra a ele.

A produção dirigida por Kristóf Deák foca justamente a personagem da aluna nova, que chega super entusiasmada para fazer parte do coro e que não demora muito para se desiludir com ele. De acordo com a crítica da Hollywood Reporter, Sing é bem desenvolvido e traz riqueza de detalhes ao ter a sua história composta de múltiplas visões.

Sing é o quarto curta de Deák que tem, ainda, a série de TV Hacktion no currículo. Assistindo ao trailer da produção, gostei do estilo do filme. Me chamaram a atenção o trabalho dos atores, a edição de Mano Csillag, a trilha sonora de Adam Balazs e a bela direção de fotografia de Róbert Maly. Acho que o curta pode ser surpreendente.

Depois de procurar mais um pouco, encontrei o curta na íntegra – deixo ele logo abaixo do trailer. Eu não entendo o idioma, mas me parece que a mensagem é que o talento não tem apenas um responsável. Pelo que entendi da história, a professora de canto, Miss Erika (Zsófia Szamosi) era rígida demais, parece maltratar os alunos. Mas isso muda de figura quando a aluna nova se torna a melhor amiga de uma garota popular no colégio e as duas, juntas, lideram um movimento de “independência” do grupo.

Analisando o filme sem entender os diálogos, posso reafirmar que ele realmente é bem conduzido, tem um estilo interessante e uma boa dinâmica em algumas cenas – especialmente na sequência no pátio da escola que mostra as crianças brincando e interagindo de diferentes formas. Achei interessante.

 

5. Timecode

Fechando a lista de curtas europeus que estão concorrendo nesta categoria do Oscar, temos o espanhol Timecode. A produção com 15 minutos de duração é dirigida por Juanjo Giménez Peña e conta a história de dois seguranças que vigiam um estacionamento.

A personagem de Luna, interpretada por Lali Ayguadé, trabalha durante o dia, enquanto o personagem Diego, interpretado por Nicolas Ricchini, trabalha no turno da noite. Isso é tudo o que sabemos da produção através da sinopse do curta que tem roteiro de Peña e Pere Altimira.

Assistindo ao trailer, achei a produção instigante. Parece ser um drama com uma pitada de romance e outra de comédia. Gostei da dinâmica dos atores, assim como da direção de fotografia de Pere Pueyo e do estilo de filmagem de Peña. A trilha sonora de Ivan Cester também parece promissora – ainda que tenhamos apenas uma palhinha no trailer.

Encontrei também o making of de Timecode e achei interessante o material, especialmente os comentários do diretor Juanjo Giménez Peña. Segundo o que ele diz, Timecode trata sobre os segredos que as pessoas tem e o que as demais fazem com eles quando os descobrem. Gostei tanto da proposta do filme quanto destas cenas de bastidores, bastante ilustrativas sobre o que é fazer cinema.

Achei interessante também saber que este é o segundo curta profissional feito com alunos da ECIR (Escuela de Cinema de Reus), instituição de ensino da cidade de Reus, que fica em Tarragona e que tem cerca de 105 mil habitantes. Os alunos aprendem com o diretor, que tem sete curtas, um longa de comédia e um documentário no currículo.

A matéria da Hollywood Reporter elogia Timecode, dizendo que ele entrega para os votantes da Academia algo que nenhum outro curta em disputa entrega este ano: “o totalmente inesperado”. O texto elogia a produção, comentando que ela valoriza os personagens principais.

 

PALPITES PARA O OSCAR 2017: Todos os anos as categorias de curtas-metragens do Oscar são um desafio para os apostadores e especialistas. Isso porque quase sempre há surpresas entre os premiados. Neste ano, entre as três categorias de curtas, parece que a que tem a bola mais “cantada” é a de Animação. Nas demais, surpresas podem acontecer.

Segundo a bolsa de apostas para o Oscar, Ennemies Intérieurs teria uma certa vantagem para levar o prêmio neste ano. Em seguida apareceria Timecode. Realmente estes dois curtas, junto com Silent Nights, me pareceram os mais interessantes na disputa.

Para opinar bem nesta categoria eu precisaria ter assistidos a todos os concorrentes. Não é o caso. Mas pelos trailers e pelas histórias envolvendo cada produção, eu admito que estou na torcida pelo espanhol Timecode. Ele me pareceu o mais criativo e diferenciado curta na disputa. Veremos quem se sai melhor na noite do Oscar.

 

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