First They Killed My Father: A Daughter of Cambodia Remembers – Primeiro Eles Mataram o Meu Pai


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Este filme deveria ser obrigatório para qualquer pessoa que realmente defende a ideia do comunismo. E não, o objetivo deste blog não é falar sobre política – ou religião, dois temas sempre espinhosos. Mas como tratamos aqui de cinema, e a 7Arte sempre aborda questões muito particulares dos indivíduos e dos coletivos que formamos, sim, eventualmente falamos de política e de religião. First They Killed My Father é o primeiro filme que eu assisto realmente visando ao Oscar 2018. E que filme é esse, minha gente? Achei ele porreta, forte, bem feito, com uma proposta muito clara e executado com esmero. Uma história potente contada com muita engenhosidade. Para mim, altamente recomendado.

A HISTÓRIA: Campos verdes com algumas flores. Aparece em uma imagem de TV Richard Nixon falando do Camboja, uma nação neutra desde 1954. Nixon segue comentando que os Estados Unidos, desde aquele ano, respeita a neutralidade do Camboja. Diversas notícias falam, contudo, de ataques de vietcongues no Camboja e da morte de inocentes. Os Estados Unidos interferem, e o conflito cresce. Notícias também dão conta do surgimento do Khmer Vermelho, que promete recuperar o Camboja, e da chegada dos rebeldes comunistas na Capital do país. Enquanto isso, os Estados Unidos deixam de dar “apoio” para o Camboja. Loung Ung (Sareum Srey Moch) vê a uma destas notícias na TV, em um apartamento na capital do Camboja, em abril de 1975. Em pouco tempo aquela rotina da família vai mudar radicalmente.

VOLTANDO À CRÍTICA (SPOILER – aviso aos navegantes que boa parte do texto à seguir conta momentos importantes do filme, por isso recomendo que só continue a ler quem já assistiu a First They Killed My Father): Como eu comentei na página do blog no Facebook estes dias, estava mesmo na hora de começar a olhar para os filmes que são “pré-candidatos” a uma das vagas do Oscar 2018. Quem me acompanha aqui há algum tempo, em alguns destes 10 anos do blog, sabe que eu não sou nenhuma “devota” da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood, mas que gosto sim da “seleção” que o Oscar nos apresenta a cada ano – especialmente em relação a filmes de quase uma centena de países.

Pois bem, como as listas dos filmes “habilitados” ao Oscar já começaram a sair, nada melhor que começar a ver que filmes estão disponíveis no mercado e falar deles por aqui. E foi assim, indo atrás destas produções, que eu descobri este First They Killed My Father: A Daughter of Cambodia Remembers. Esta produção é a representante do Camboja na categoria de Melhor Filme em Língua Estrangeira no Oscar 2018. Depois que eu busquei o filme é que eu percebi que ele era dirigido por Angelina Jolie.

Isso, evidentemente, não é algo que jogue contra a produção. Até porque sabemos que Jolie é talentosa e tem uma sensibilidade interessante. Mas, francamente, a visão dela me surpreendeu ao assistir a esta produção. Claro que boa parte do “trabalho” está feito pelo simples fato da história contar a perspectiva dos absurdos que aconteceram no Camboja pela ótica de uma criança. Nós sabemos o que isso costuma significar. Filmes que assumem a perspectiva de uma criança costumam ser bastante emotivos e especiais. First They Killed My Father não foge desta regra.

Mas esta produção merece elogios muito além deste fato. Diferente do que algumas pessoas podem pensar, First They Killed My Father é um filme mais pesado e denso do que emotivo. Claro, existe bastante emoção em cena, mas diferente de outras escolas de cinema e de outras culturas, em que as pessoas fariam grandes discursos e teríamos frases de “efeito” espalhadas aqui e ali na produção, neste filme as roteiristas Angelina Jolie e Loung Ung respeitaram a cultura da escritora e humanista e buscaram revestir a história quase de um tom documental.

Angelina Jolie, como diretora, soube valorizar muito bem a cultura do Camboja, seus hábitos e costumes, as suas tradições, cores, músicas, e conseguiu, de forma impressionante, resgatar aquela época de conflitos. As cenas do filme são incríveis, desde o deslocamento humano – bastante desumano, diga-se – em massa das cidades para os campos, com cenas aéreas que ajudaram a contextualizar bem o drama daquelas pessoas comuns, até as sequências que revelaram todas as nuances de uma nova realidade de exploração e de violência para quem teve que ceder aos comunistas.

Não teve um momento deste filme em que eu não fiquei presa à história de Loung Ung e de sua família. Os atores em cena são ótimos, e o cuidado da diretora Angeline Jolie com os detalhes de cada tomada, de cada cena, mostram todo o respeito que ela teve pela história. Para um filme ter a força com que First They Killed My Father têm, só mesmo ele bebendo diretamente da fonte. Por isso considero fundamental o trabalho de Loung Ung, que escreveu o livro homônimo, em ajudar Angelina Jolie no roteiro desta produção.

Loung Ung pode não ser uma especialista na indústria do cinema, mas, sem dúvidas, ela era a melhor pessoa para contar a sua própria história. Angelina Jolie aportou o seu talento como uma especialista da indústria cinematográfica, sabendo como posicionar as suas câmeras, conduzir os atores e desenvolver uma dinâmica interessante para a história que, por si só, tem uma força incrível.

A paz nesta produção dura poucos minutos. Logo First They Killed My Father mergulha na realidade das pessoas comuns, como a então menina Loung Ung, que tiveram que deixar as suas casas e as suas vidas e cair em um verdadeiro Inferno. Podemos não conhecer o que acontece com as pessoas após a morte, mas o que vemos neste filme pode ser considerada a materialização do Inferno na Terra. Especialmente importante vermos tudo o que acontece sob a ótica de uma criança. Mais que isso, de uma sobrevivente.

Sabemos, logo no início, por uma questão lógica, que se este filme está sendo contado por Loung Ung e por ele se basear em uma história real, que a nossa protagonista – ao menos ela – vai sobreviver. Mesmo sabendo disso, é duro assistir a sua história. Não é simples ver o que vemos em cena, especialmente por saber que aquilo realmente aconteceu.

A emoção vem da própria narrativa. Surge do olhar inocente da protagonista que, visivelmente, não entende o que está acontecendo. Diferente dos ocidentais, os asiáticos não são de falar muito. Então, em momento algum, explicam para Loung Ung porque ela e a família tiveram que deixar a casa deles e seguir andando, aparentemente, em uma caminhada sem fim. Mesmo não entendendo o que está acontecendo ao seu redor, a protagonista observa tudo, de forma muito atenta e sensível. E nós vamos com ela, observando como as pessoas e os lugares mudam.

Percebemos, por exemplo, que não existe mais segurança em parte alguma. Que a fome e a miséria passaram a ser companheiras fiéis, e que o perigo da morte por um rebelde comunista ou pela fome são constantes. Ainda assim, Loung Ung e a sua família continuam, sempre em frente, resistindo o máximo que podem a injustiças e ultrajes que, admito, são difíceis de assistir. Mas tudo que vemos pela frente é necessário. Precisamos ver, precisamos sentir tudo que esta história nos manifesta.

Eu sou sempre da opinião que um dos problemas principais que temos hoje em dia é as pessoas não quererem saber, não se importarem, terem memória curta. Quanto mais sabemos sobre o que nos cerca, não apenas no presente, mas no passado, mais nos preparamos para evitar absurdos no futuro. E como o subtítulo deste filme comenta, é importante uma filha do Camboja não se esquecer. E não apenas ela. Esse filme corajoso, capitaneado por Loung Ung e por Angelina Jolie, é um libelo pacifista e contra o esquecimento. E para fazer isso, é preciso coragem.

Aliás, falando em coragem, achei muito importante e marcante como os realizadores tocam o dedo na ferida da culpa dos Estados Unidos em tudo o que vemos. Ok, quem realmente puxou o gatilho e defendeu as suas ideias extremistas foi o Khmer Vermelho, mas quem ajudou para que tudo aquilo acontecesse? First They Killed My Father deixa claro que os Estados Unidos tiveram responsabilidade na morte de milhões e milhões de inocentes no Camboja. Típica culpa que o país levará muito tempo ainda para tentar se eximir.

Algo que me chamou muito atenção neste filme, além do favor que a história nos faz em apresentar os fatos da forma mais direta e sincera possível, sem grandes discursos ou falas “sentimentais”, é como a história de First They Killed My Father consegue ir crescendo com o tempo. Não existe momento menos importante nesta produção.

O Inferno pelo qual a protagonista e a sua família passa – e eles simbolizam tantas outras famílias cambojanas que passaram pelo mesmo ou pior, que foram totalmente dizimadas naqueles anos – parece não ter fim. E a angústia e o desconforto de ver esta história apenas crescem. E isso é bom, porque o mínimo que podemos fazer é olhar para aquele drama com respeito e nunca nos esquecermos de como o ser humano pode ser canalha e algoz do próprio ser humano. First They Killed My Father impressiona por tudo isso, e cumpre com esmero o seu papel.

Achei a direção de Angelina Jolie brilhante, mantendo a câmera sempre próxima da protagonista e narradora desta história. Vemos tudo o que acontece sob a ótica de Loung Ung, toda a sua surpresa, perplexidade, incerteza e valentia. A menina resiste a uma realidade que muitos adultos, inclusive homens fortes, foram incapazes.

Apesar de prevermos o que vai acontecer com o pai da protagonista, por causa do título do filme, ainda assim First They Killed My Father nos surpreende. (SPOILER – não leia se você não assistiu ao filme). Pelo que acontece antes da morte de Pa Ung (Phoeung Kompheak) e pelo que acontece depois. Esta produção conta em detalhes como ocorreu a exploração do povo cambojano e o extermínio de uma parte considerável daquele povo, começando pela expulsão em massa das pessoas das cidades, passando pela exploração de homens, mulheres e crianças nos campos de trabalho forçado e, chegando, no final, de forma surpreendente, pelo uso de crianças como “bala de canhão”. É de arrepiar.

Fazia tempo que eu não assistia a um filme que contasse uma história baseada em fatos reais tão marcante e com um propósito tão claro. First They Killed My Father coloca todos os dedos possíveis nas feridas. Nos faz refletir e, principalmente, nos apresenta uma defesa irretocável da paz, do respeito ao próximo e da defesa da vida. Nada justifica o que vemos em cena. Absolutamente nada justifica a exploração de pessoas e a violência desmedida contra famílias, especialmente crianças.

Este filme é potente, e precisa ser. Ainda bem que os realizadores respeitaram a história de Loung Ung. E isso fica perceptível a cada cena, a cada sequência desta produção. Um filme forte, bem contado, com uma narrativa longa – a produção tem 2h16min de duração – mas que, por ser envolvente e bem conduzida, não cansa. Quem dera que mais cineastas se inspirassem em Angelina Jolie e trabalhassem em prol da história e não de receber louros ou de fazer algo pretensioso.

Eis um filme incrível, que parece simples, mas que sabe muito bem a que propósito está servindo. First They Killed My Father não é um filme hollywoodiano sobre uma história cambojana. Este filme respeita a cultura que está retratando, seus costumes, as suas pessoas, a sua História, incluindo aí o uso bastante restrito de diálogos, mas com muita observação dos detalhes e das cenas – e seus significados. Para quem gosta de cinema, é uma verdadeira aula. E para quem gosta de grandes histórias, de produções humanistas e pacifistas, eis uma produção para guardar na memória.

NOTA: 10.

OBS DE PÉ DE PÁGINA: Honestamente, eu não consegui enxergar um defeito neste filme. A direção de Angelina Jolie, como eu comentei antes, está atenta a cada detalhe. E os detalhes contam muito em uma produção carregada de silêncios e de muitos significados na troca de olhares, nos gestos e nos acontecimentos que se desenrolam na luz do dia ou no breu da noite. Jolie valoriza o trabalho dos atores na mesma medida em que sabe construir cenas “grandiloquentes” com muitos figurantes – especialmente nas sequências de deslocamento humano. Faz um grande trabalho, possivelmente o melhor de sua carreira como diretora até o momento.

Ajuda muito a diretora, para conseguir este excelente resultado, evidentemente, a grande história que ela têm nas mãos. E aí passou a ser fundamental, para o filme, ter a presença da autora de First They Killed My Father, a própria Loung Ung que vemos criança em cena, como co-roteirista desta produção. Foi um grande acerto também o filme adotar uma narrativa linear, sem usar de artifícios como o cada vez mais comum “preâmbulo” da história no futuro para depois contar como os personagens chegaram naquela situação-limite. Como em First They Killed My Father a história ocorre em uma crescente importante, nada melhor que deixar os fatos fluírem na sua sequência e ritmo. Roteiro brilhante.

First They Killed My Father é mais uma produção original da Netflix que chega com força no Oscar. Claro, ainda é cedo para dizer que chances este filme terá na premiação da Academia. Há quem aponte ele não apenas para a categoria Melhor Filme em Língua Estrangeira, mas como candidato para receber outras estatuetas. Falarei disso mais adiante. Da minha parte, já estou na torcida por First They Killed My Father surpreender, seja com indicações, seja com alguma estatueta.

Falando no Netflix. Olha, parabéns para essa empresa! Além de ter revolucionado a forma com que as pessoas consomem séries e filmes, ela investe cada vez mais em produções próprias. Muito do que vemos hoje de qualidade por aí, inclusive em filmes, têm origem no Netflix. Então parabéns! Desde já estou na torcida para a empresa ganhar alguns Oscar’s em 2018.

Entre os aspectos técnicos deste filme, vale destacar a ótima direção de fotografia de Anthony Dod Mantle, que faz um trabalho excepcional – seja nas ótimas cenas de dia, seja nas cuidadosas e competentes filmagens noturnas; a excelente edição de Xavier Box e de Patricia Rommel, dupla que garante que o filme tenha um ritmo muito interessante; a pontual, mas muito interessante e marcante trilha sonora de Marco Beltrami; o design de produção de Tom Brown; os figurinos perfeitos para a história de Ellen Mirojnick; e a maquiagem fundamental de Brynn Berg, Budd Bird, Ken Diaz, Andruitha Lee, Heather Mages, Lesa Nielsen e Thomas Terhaar.

Também vale citar a direção de arte de Lek Chaiyan Chunsuttiwat, Eric Luling e Tom Reta; a decoração de set de Kelly Berry e de Judy Farr; o importante e competente trabalho dos 22 profissionais responsáveis pelo Departamento de Som; e o igualmente importante e competente trabalho dos 85 profissionais responsáveis pelos Efeitos Visuais.

O interessante é que todos estes elementos técnicos, importantes para esta história ser contada, são eclipsados pelo que vemos em cena e, em especial, pelo trabalho dos atores. O destaque evidente vai para Sareum Srey Moch, a jovem atriz estreante nesta produção e que interpreta a Loung Ung. O trabalho dela é impressionante. Ela nos deixa enfeitiçados pela história – boa parte do seu trabalho, certamente, é mérito da diretora e das demais pessoas envolvidas no trabalho de preparo do elenco. Mas Sareum Srey Moch dá um show, em um trabalho difícil mas que é feito com maestria e com muita naturalidade por ela.

Os outros atores em cena também estão muito bem, com destaque para os pais da protagonista, interpretados por Phoeung Kompheak e por Sveng Socheata, respectivamente o pai e a mãe de Loung Ung. Também temos os atores que fazem os irmãos dela: Mun Kimhak como Kim; Heng Dara como Meng; Khoun Sothea como Khouy; Sarun Nika como Geak; Run Malyna como Chaou; e Oun Srey Neang como Keav. Todos estão ótimos, sem exceção.

Impossível não assistir a esta história e não querer saber mais sobre o que realmente aconteceu no Camboja. Acho interessante, para começar, conhecer alguns textos sobre a protagonista deste filme, Loung Ung. Temos desde o artigo da Wikipédia sobre ela até esta matéria da People sobre a história dela e como ela ficou amiga de Angelina Jolie. Também vale dar uma olhada nesta reportagem do Huffpost que traz comentários de Angelina Jolie sobre o filme.

Sobre os absurdos que o filme narra, vale dar uma lida em alguns conteúdos. Para começar, indico textos básicos como este do portal Mundo Educação e o artigo relacionado com o genocídio cambojano que está na Wikipédia. É de arrepiar. Que bom que Angelina Jolie e Loung Ung nos apresentaram um filme contundente sobre o assunto. Este genocídio, assim como outros ocorridos na nossa História, infelizmente são pouco lembrados. Mas está na hora de falarmos a respeito.

First They Killed My Father estreou em fevereiro de 2017 em première no Camboja. Depois, apenas em setembro, o filme estreou em um festival, no Festival de Cinema de Telluride. No mesmo mês, First They Killed My Father participou do Festival Internacional de Cinema de Toronto. A partir do dia 15 de setembro, o filme estreou no Netflix em alguns países, como Argentina, Índia, Holanda e Estados Unidos. Até o momento, esta produção não ganhou nenhum prêmio.

Como a história do filme sugere, First They Killed My Father foi totalmente rodado no Camboja. Para quem um dia quiser visitar o local, o filme foi totalmente rodado em Battambang. Ah, e todo o elenco que vemos em cena é formado por cambojanos.

Agora, algumas curiosidades sobre esta produção. Quatro pessoas produziram First They Killed My Father: Angelina Jolie, Rithy Panh, Ted Sarandos e Michael Vieira. Rithy Panh, por sua vez, é, ele próprio, um sobrevivente do genocídio cambojano. Ele tem, no currículo, nada menos que 38 prêmios, 20 trabalhos como diretor, 14 como roteirista e 12 como produtor. Ou seja, conhece bem a história que está sendo contada aqui.

O Khrmer Vermelho que vemos em cena, movimento comunista “revolucionário” (mais bem assassino, não?) liderado por Pol Pot, matou cerca de 25% da população do Camboja entre 1975 e 1979. Essa parte considerável da população foi morta assassinada, por desnutrição ou por causa de trabalhos forçados. Uma dureza que vemos bem em cena – inclusive com crianças sendo mortas. De arrepiar.

First They Killed My Father foi rodado em 60 dias com um orçamento de US$ 24 milhões. Um orçamento baixo para os padrões de Hollywood mas, até o lançamento do filme, First They Killed My Father era a produção mais cara feita no Camboja. Mais um exemplo da diferença gigantesca das realidades que vivemos neste mundão…

Alguns números do filme: mais de 500 pessoas, entre técnicos e pessoas de apoio, foram envolvidas nas filmagens de First They Killed My Father. O filme também contou com 3,5 mil figurantes e extras para algumas cenas específicas – certamente aquelas dos deslocamentos humanos. Muitos dos atores envolvidos com esta produção eram sobreviventes ou filhos de sobreviventes do genocídio cambojano. Talvez por isso tenhamos tanta “verdade” em cena.

A diretora, co-roteirista e produtora Angelina Jolie é uma cidadã cambojana desde 2005.

Quase todos os artistas, atores e profissionais do cinema cambojanos foram mortos durante o regime do Khmer Vermelho. Apenas alguns diretores conseguiram fugir do país naqueles anos de massacre. A história do nascimento e da destruição do cinema cambojano é contada no documentário Le Sommeil D’Or. Fiquei com vontade de assistir a esta produção.

Os usuários do site IMDb deram a nota 7,3 para esta produção, enquanto que os críticos que tem os seus textos linkados no Rotten Tomatoes dedicaram 47 críticas positivas e seis negativas para este filme, o que garante para First They Killed My Father uma aprovação de 89% e uma nota média de 7,8. Ainda que as notas sejam boas para os padrões dos dois sites, acho que as avaliações poderiam ter sido melhores. Para o meu gosto, ao menos, este filme é excelente.

Este filme é uma coprodução do Camboja e dos Estados Unidos.

Eu admito: eu já gostava da Angelina Jolie. Como mulher e como artista. Mas depois deste filme… gosto ainda mais. Posso até me classificar como fão. 😉 Ela merece. Tem opinião, talento e algumas posturas dignas de aplausos. Alguém que sabe utilizar para o bem a própria fama. Está de parabéns!

CONCLUSÃO: Vocês sabem que nem sempre um 10 aqui quer dizer que o filme é o meu favorito em alguma “disputa”, com o Oscar, por exemplo, certo? O 10 aqui sempre quer dizer que eu acho que o filme cumpriu à perfeição o seu papel, a sua proposta. Pode não ser o filme mais brilhante do mundo, mas ele fez o que pretendia sem necessitar de retoques. E é isso que eu acho deste First They Killed My Father. Um filme que apresenta uma grande história e que a respeita a cada segundo, deixando claro o seu discurso pacifista e nos dando um tapa na cara sobre o que a Humanidade já foi capaz de fazer – e ainda é, em algumas partes? Para mim, uma produção irretocável. Um belo começo de iniciar a “corrida” pelo Oscar 2018. Assistam!

PALPITES PARA O OSCAR 2018: Oba! Começou a temporada de palpites para o Oscar! 😉 E não sou apenas eu, evidentemente, que começo a dar estes palpites. Especialmente os jornalistas e críticos americanos já começaram a fazer as suas listas. Da minha parte, de quem não se considera tão especialista, o que eu vou fazendo é o de sempre: vou assistindo aos filmes “habilitados” para conquistar uma vaga no Oscar e comentando o que eu achei sobre eles e que chances eu acredito que eles tem para a grande disputa do cinema mundial.

Até segunda ordem, First They Killed My Father está habilitado para concorrer a uma das cinco vagas na categoria de Melhor Filme em Língua Estrangeira. Como este é o primeiro filme dos 92 que estão na disputa que eu assisto, fica difícil falar, realmente, das chances dele na premiação. Mas… francamente, por todos os predicados do filme que eu falei antes, acho, desde já, que ele tem grandes chances de chegar lá.

Há muitos críticos americanos que acreditam, inclusive, que First They Killed My Father poderia ser indicado em várias categorias, não apenas na de Melhor Filme em Língua Estrangeira. Olha, realmente isso pode acontecer. Na pior das hipóteses, vejo o filme concorrendo sim ao Oscar de Melhor Filme em Língua Estrangeira. Aí ele terá pela frente uma disputa difícil com outros filmes de grandes cineastas, como as mais recentes produções de Fatih Akin ou de Ruben Östlund. Mas acho que ele pode levar a melhor.

Isso se, claro, ele realmente não emplacar em várias outras categorias. Aí ele perderia chances em Melhor Filme de Língua Estrangeira. Há quem diga que First They Killed My Father pode concorrer como Melhor Filme, Melhor Diretora, Melhor Roteiro Adaptado e, com menos chances, até como Melhor Atriz. Realmente eu acho que ele pode chegar lá, mas vai depender muito da vontade dos votantes da Academia.

De qualquer forma, esta produção tem qualidades para tanto. Mas… por ser bem independente, eu acho mais seguro apostar nela chegando entre as cinco indicadas em Melhor Filme em Língua Estrangeira. Ganhar já é outros 500. Vou me arriscar a dar este palpite depois de ter assistido aos concorrentes.

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7 comentários em “First They Killed My Father: A Daughter of Cambodia Remembers – Primeiro Eles Mataram o Meu Pai

  1. Oi bom dia
    Ótima indicação… sempre vale no mundo vasto e vazio do entretenimento atual tentarmos olhar apenas obras que nos acrescentem, nos sensibilize e nos façam lembrar de nossa história para mudarmos se necessário.
    Eu não acredito nas mais nada invisíveis do mercado. Acredito que o mercado é bem visível é dita guerras, desmatamentos, (e)imigrações forçadas através do dinheiro e das máquinas públicas… seu ideal (capitalismo) seria lindo se já não começasse com a palavra capital…
    O comunismo nasceu de uma maioria oprimida e sem forças buscando uma antítese á monarquia oligárquica… DITADURA comunista nasceu usando esse ódio de uma maneira facista…
    adoro suas indicações, mas peço com carinho que cuide com generalizações…
    Grande abraço
    Lucas santiago fpolis-sc

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      1. Olá Lucas, bom dia!

        Antes de mais nada, seja bem-vindo por aqui.

        Vou começar parafraseando o que alguém já disse antes – infelizmente não tenho mais o registro da fonte, mas esta ideia já foi publicada anteriormente: “Respeito todas as opiniões, exceto as compradas, que desprezo”.

        Claro que a sua opinião não é comprada, por isso a respeito. Mas respeitar não quer dizer concordar, não é mesmo? O capitalismo não é perfeito, muito pelo contrário. Mas eu concordo com quem já disse que não foi inventado ainda um regime de governo (democracia) e econômico (capitalismo) melhor.

        E por que eu digo isso? Basicamente porque eu desprezo e discordo de qualquer regime político e econômico que prive a liberdade de trabalho, de ação e de pensar das pessoas. E você consegue me apontar algum regime comunista que não tenha estas “qualidades”? Será impossível, porque um dos princípios do comunismo é que todos devem pensar igual. E não, isso é impossível.

        O ser humano, por natureza, tem diferentes formas de pensar e de agir. E o comunismo não respeita isso. Pelo contrário. Quem pensa diferente é massacrado, de diferentes formas. E eu nunca vou concordar com isso, me desculpe. O capitalismo tem vários defeitos mas, pelo menos, ele nos dá liberdade para agirmos e pensarmos – mesmo que, verdade, em alguns lugares e condições esta liberdade é mais restrita. Ainda assim, mesmo com estas restrições provocadas pelas desigualdades, existe liberdade. E eu vou sempre defendê-la.

        Sobre a palavra capital… tanto ela, como expressão, quanto o que ela representa são invenções humanas. Assim como tantas outras invenções. O que fazemos do capital é o que interessa, no fim das contas. E no lugar do capital, qual seria a nossa alternativa? A volta do escambo? Daí te pergunto: o que você produz e o que isso teria de valor no comunismo?

        E sobre a origem do comunismo… existem controvérsias sobre esta tua interpretação. E a História mesmo mostrou algumas intenções bem egoístas e nada “generosas” por trás da origem e da disseminação do comunismo. Muitos livros estão aí para mostrar outros pontos de vista, diferentes dos teus.

        Respeito os comunistas, porque respeito todas as formas de pensar. Mas não concordo nem um pouco com eles. Porque conheci pessoas que viveram em sociedades “socialistas” e comunistas e que só foram prejudicadas por causa disso. Enfim, longo papo. Os comunistas, infelizmente, normalmente são utópicos – e beleza ser utópico, mas eu prefiro ser realista – ou são mal intencionados. Como muito bem mostra esse filme, aliás.

        Mas assim, como sempre, respeito quem pensa diferente de mim. Assim como espero ser respeitada. Obrigada pela visita e pelo teu comentário. E que você volte por aqui mais vezes. Abraços!

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