First They Killed My Father: A Daughter of Cambodia Remembers – Primeiro Eles Mataram o Meu Pai

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Este filme deveria ser obrigatório para qualquer pessoa que realmente defende a ideia do comunismo. E não, o objetivo deste blog não é falar sobre política – ou religião, dois temas sempre espinhosos. Mas como tratamos aqui de cinema, e a 7Arte sempre aborda questões muito particulares dos indivíduos e dos coletivos que formamos, sim, eventualmente falamos de política e de religião. First They Killed My Father é o primeiro filme que eu assisto realmente visando ao Oscar 2018. E que filme é esse, minha gente? Achei ele porreta, forte, bem feito, com uma proposta muito clara e executado com esmero. Uma história potente contada com muita engenhosidade. Para mim, altamente recomendado.

A HISTÓRIA: Campos verdes com algumas flores. Aparece em uma imagem de TV Richard Nixon falando do Camboja, uma nação neutra desde 1954. Nixon segue comentando que os Estados Unidos, desde aquele ano, respeita a neutralidade do Camboja. Diversas notícias falam, contudo, de ataques de vietcongues no Camboja e da morte de inocentes. Os Estados Unidos interferem, e o conflito cresce. Notícias também dão conta do surgimento do Khmer Vermelho, que promete recuperar o Camboja, e da chegada dos rebeldes comunistas na Capital do país. Enquanto isso, os Estados Unidos deixam de dar “apoio” para o Camboja. Loung Ung (Sareum Srey Moch) vê a uma destas notícias na TV, em um apartamento na capital do Camboja, em abril de 1975. Em pouco tempo aquela rotina da família vai mudar radicalmente.

VOLTANDO À CRÍTICA (SPOILER – aviso aos navegantes que boa parte do texto à seguir conta momentos importantes do filme, por isso recomendo que só continue a ler quem já assistiu a First They Killed My Father): Como eu comentei na página do blog no Facebook estes dias, estava mesmo na hora de começar a olhar para os filmes que são “pré-candidatos” a uma das vagas do Oscar 2018. Quem me acompanha aqui há algum tempo, em alguns destes 10 anos do blog, sabe que eu não sou nenhuma “devota” da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood, mas que gosto sim da “seleção” que o Oscar nos apresenta a cada ano – especialmente em relação a filmes de quase uma centena de países.

Pois bem, como as listas dos filmes “habilitados” ao Oscar já começaram a sair, nada melhor que começar a ver que filmes estão disponíveis no mercado e falar deles por aqui. E foi assim, indo atrás destas produções, que eu descobri este First They Killed My Father: A Daughter of Cambodia Remembers. Esta produção é a representante do Camboja na categoria de Melhor Filme em Língua Estrangeira no Oscar 2018. Depois que eu busquei o filme é que eu percebi que ele era dirigido por Angelina Jolie.

Isso, evidentemente, não é algo que jogue contra a produção. Até porque sabemos que Jolie é talentosa e tem uma sensibilidade interessante. Mas, francamente, a visão dela me surpreendeu ao assistir a esta produção. Claro que boa parte do “trabalho” está feito pelo simples fato da história contar a perspectiva dos absurdos que aconteceram no Camboja pela ótica de uma criança. Nós sabemos o que isso costuma significar. Filmes que assumem a perspectiva de uma criança costumam ser bastante emotivos e especiais. First They Killed My Father não foge desta regra.

Mas esta produção merece elogios muito além deste fato. Diferente do que algumas pessoas podem pensar, First They Killed My Father é um filme mais pesado e denso do que emotivo. Claro, existe bastante emoção em cena, mas diferente de outras escolas de cinema e de outras culturas, em que as pessoas fariam grandes discursos e teríamos frases de “efeito” espalhadas aqui e ali na produção, neste filme as roteiristas Angelina Jolie e Loung Ung respeitaram a cultura da escritora e humanista e buscaram revestir a história quase de um tom documental.

Angelina Jolie, como diretora, soube valorizar muito bem a cultura do Camboja, seus hábitos e costumes, as suas tradições, cores, músicas, e conseguiu, de forma impressionante, resgatar aquela época de conflitos. As cenas do filme são incríveis, desde o deslocamento humano – bastante desumano, diga-se – em massa das cidades para os campos, com cenas aéreas que ajudaram a contextualizar bem o drama daquelas pessoas comuns, até as sequências que revelaram todas as nuances de uma nova realidade de exploração e de violência para quem teve que ceder aos comunistas.

Não teve um momento deste filme em que eu não fiquei presa à história de Loung Ung e de sua família. Os atores em cena são ótimos, e o cuidado da diretora Angeline Jolie com os detalhes de cada tomada, de cada cena, mostram todo o respeito que ela teve pela história. Para um filme ter a força com que First They Killed My Father têm, só mesmo ele bebendo diretamente da fonte. Por isso considero fundamental o trabalho de Loung Ung, que escreveu o livro homônimo, em ajudar Angelina Jolie no roteiro desta produção.

Loung Ung pode não ser uma especialista na indústria do cinema, mas, sem dúvidas, ela era a melhor pessoa para contar a sua própria história. Angelina Jolie aportou o seu talento como uma especialista da indústria cinematográfica, sabendo como posicionar as suas câmeras, conduzir os atores e desenvolver uma dinâmica interessante para a história que, por si só, tem uma força incrível.

A paz nesta produção dura poucos minutos. Logo First They Killed My Father mergulha na realidade das pessoas comuns, como a então menina Loung Ung, que tiveram que deixar as suas casas e as suas vidas e cair em um verdadeiro Inferno. Podemos não conhecer o que acontece com as pessoas após a morte, mas o que vemos neste filme pode ser considerada a materialização do Inferno na Terra. Especialmente importante vermos tudo o que acontece sob a ótica de uma criança. Mais que isso, de uma sobrevivente.

Sabemos, logo no início, por uma questão lógica, que se este filme está sendo contado por Loung Ung e por ele se basear em uma história real, que a nossa protagonista – ao menos ela – vai sobreviver. Mesmo sabendo disso, é duro assistir a sua história. Não é simples ver o que vemos em cena, especialmente por saber que aquilo realmente aconteceu.

A emoção vem da própria narrativa. Surge do olhar inocente da protagonista que, visivelmente, não entende o que está acontecendo. Diferente dos ocidentais, os asiáticos não são de falar muito. Então, em momento algum, explicam para Loung Ung porque ela e a família tiveram que deixar a casa deles e seguir andando, aparentemente, em uma caminhada sem fim. Mesmo não entendendo o que está acontecendo ao seu redor, a protagonista observa tudo, de forma muito atenta e sensível. E nós vamos com ela, observando como as pessoas e os lugares mudam.

Percebemos, por exemplo, que não existe mais segurança em parte alguma. Que a fome e a miséria passaram a ser companheiras fiéis, e que o perigo da morte por um rebelde comunista ou pela fome são constantes. Ainda assim, Loung Ung e a sua família continuam, sempre em frente, resistindo o máximo que podem a injustiças e ultrajes que, admito, são difíceis de assistir. Mas tudo que vemos pela frente é necessário. Precisamos ver, precisamos sentir tudo que esta história nos manifesta.

Eu sou sempre da opinião que um dos problemas principais que temos hoje em dia é as pessoas não quererem saber, não se importarem, terem memória curta. Quanto mais sabemos sobre o que nos cerca, não apenas no presente, mas no passado, mais nos preparamos para evitar absurdos no futuro. E como o subtítulo deste filme comenta, é importante uma filha do Camboja não se esquecer. E não apenas ela. Esse filme corajoso, capitaneado por Loung Ung e por Angelina Jolie, é um libelo pacifista e contra o esquecimento. E para fazer isso, é preciso coragem.

Aliás, falando em coragem, achei muito importante e marcante como os realizadores tocam o dedo na ferida da culpa dos Estados Unidos em tudo o que vemos. Ok, quem realmente puxou o gatilho e defendeu as suas ideias extremistas foi o Khmer Vermelho, mas quem ajudou para que tudo aquilo acontecesse? First They Killed My Father deixa claro que os Estados Unidos tiveram responsabilidade na morte de milhões e milhões de inocentes no Camboja. Típica culpa que o país levará muito tempo ainda para tentar se eximir.

Algo que me chamou muito atenção neste filme, além do favor que a história nos faz em apresentar os fatos da forma mais direta e sincera possível, sem grandes discursos ou falas “sentimentais”, é como a história de First They Killed My Father consegue ir crescendo com o tempo. Não existe momento menos importante nesta produção.

O Inferno pelo qual a protagonista e a sua família passa – e eles simbolizam tantas outras famílias cambojanas que passaram pelo mesmo ou pior, que foram totalmente dizimadas naqueles anos – parece não ter fim. E a angústia e o desconforto de ver esta história apenas crescem. E isso é bom, porque o mínimo que podemos fazer é olhar para aquele drama com respeito e nunca nos esquecermos de como o ser humano pode ser canalha e algoz do próprio ser humano. First They Killed My Father impressiona por tudo isso, e cumpre com esmero o seu papel.

Achei a direção de Angelina Jolie brilhante, mantendo a câmera sempre próxima da protagonista e narradora desta história. Vemos tudo o que acontece sob a ótica de Loung Ung, toda a sua surpresa, perplexidade, incerteza e valentia. A menina resiste a uma realidade que muitos adultos, inclusive homens fortes, foram incapazes.

Apesar de prevermos o que vai acontecer com o pai da protagonista, por causa do título do filme, ainda assim First They Killed My Father nos surpreende. (SPOILER – não leia se você não assistiu ao filme). Pelo que acontece antes da morte de Pa Ung (Phoeung Kompheak) e pelo que acontece depois. Esta produção conta em detalhes como ocorreu a exploração do povo cambojano e o extermínio de uma parte considerável daquele povo, começando pela expulsão em massa das pessoas das cidades, passando pela exploração de homens, mulheres e crianças nos campos de trabalho forçado e, chegando, no final, de forma surpreendente, pelo uso de crianças como “bala de canhão”. É de arrepiar.

Fazia tempo que eu não assistia a um filme que contasse uma história baseada em fatos reais tão marcante e com um propósito tão claro. First They Killed My Father coloca todos os dedos possíveis nas feridas. Nos faz refletir e, principalmente, nos apresenta uma defesa irretocável da paz, do respeito ao próximo e da defesa da vida. Nada justifica o que vemos em cena. Absolutamente nada justifica a exploração de pessoas e a violência desmedida contra famílias, especialmente crianças.

Este filme é potente, e precisa ser. Ainda bem que os realizadores respeitaram a história de Loung Ung. E isso fica perceptível a cada cena, a cada sequência desta produção. Um filme forte, bem contado, com uma narrativa longa – a produção tem 2h16min de duração – mas que, por ser envolvente e bem conduzida, não cansa. Quem dera que mais cineastas se inspirassem em Angelina Jolie e trabalhassem em prol da história e não de receber louros ou de fazer algo pretensioso.

Eis um filme incrível, que parece simples, mas que sabe muito bem a que propósito está servindo. First They Killed My Father não é um filme hollywoodiano sobre uma história cambojana. Este filme respeita a cultura que está retratando, seus costumes, as suas pessoas, a sua História, incluindo aí o uso bastante restrito de diálogos, mas com muita observação dos detalhes e das cenas – e seus significados. Para quem gosta de cinema, é uma verdadeira aula. E para quem gosta de grandes histórias, de produções humanistas e pacifistas, eis uma produção para guardar na memória.

NOTA: 10.

OBS DE PÉ DE PÁGINA: Honestamente, eu não consegui enxergar um defeito neste filme. A direção de Angelina Jolie, como eu comentei antes, está atenta a cada detalhe. E os detalhes contam muito em uma produção carregada de silêncios e de muitos significados na troca de olhares, nos gestos e nos acontecimentos que se desenrolam na luz do dia ou no breu da noite. Jolie valoriza o trabalho dos atores na mesma medida em que sabe construir cenas “grandiloquentes” com muitos figurantes – especialmente nas sequências de deslocamento humano. Faz um grande trabalho, possivelmente o melhor de sua carreira como diretora até o momento.

Ajuda muito a diretora, para conseguir este excelente resultado, evidentemente, a grande história que ela têm nas mãos. E aí passou a ser fundamental, para o filme, ter a presença da autora de First They Killed My Father, a própria Loung Ung que vemos criança em cena, como co-roteirista desta produção. Foi um grande acerto também o filme adotar uma narrativa linear, sem usar de artifícios como o cada vez mais comum “preâmbulo” da história no futuro para depois contar como os personagens chegaram naquela situação-limite. Como em First They Killed My Father a história ocorre em uma crescente importante, nada melhor que deixar os fatos fluírem na sua sequência e ritmo. Roteiro brilhante.

First They Killed My Father é mais uma produção original da Netflix que chega com força no Oscar. Claro, ainda é cedo para dizer que chances este filme terá na premiação da Academia. Há quem aponte ele não apenas para a categoria Melhor Filme em Língua Estrangeira, mas como candidato para receber outras estatuetas. Falarei disso mais adiante. Da minha parte, já estou na torcida por First They Killed My Father surpreender, seja com indicações, seja com alguma estatueta.

Falando no Netflix. Olha, parabéns para essa empresa! Além de ter revolucionado a forma com que as pessoas consomem séries e filmes, ela investe cada vez mais em produções próprias. Muito do que vemos hoje de qualidade por aí, inclusive em filmes, têm origem no Netflix. Então parabéns! Desde já estou na torcida para a empresa ganhar alguns Oscar’s em 2018.

Entre os aspectos técnicos deste filme, vale destacar a ótima direção de fotografia de Anthony Dod Mantle, que faz um trabalho excepcional – seja nas ótimas cenas de dia, seja nas cuidadosas e competentes filmagens noturnas; a excelente edição de Xavier Box e de Patricia Rommel, dupla que garante que o filme tenha um ritmo muito interessante; a pontual, mas muito interessante e marcante trilha sonora de Marco Beltrami; o design de produção de Tom Brown; os figurinos perfeitos para a história de Ellen Mirojnick; e a maquiagem fundamental de Brynn Berg, Budd Bird, Ken Diaz, Andruitha Lee, Heather Mages, Lesa Nielsen e Thomas Terhaar.

Também vale citar a direção de arte de Lek Chaiyan Chunsuttiwat, Eric Luling e Tom Reta; a decoração de set de Kelly Berry e de Judy Farr; o importante e competente trabalho dos 22 profissionais responsáveis pelo Departamento de Som; e o igualmente importante e competente trabalho dos 85 profissionais responsáveis pelos Efeitos Visuais.

O interessante é que todos estes elementos técnicos, importantes para esta história ser contada, são eclipsados pelo que vemos em cena e, em especial, pelo trabalho dos atores. O destaque evidente vai para Sareum Srey Moch, a jovem atriz estreante nesta produção e que interpreta a Loung Ung. O trabalho dela é impressionante. Ela nos deixa enfeitiçados pela história – boa parte do seu trabalho, certamente, é mérito da diretora e das demais pessoas envolvidas no trabalho de preparo do elenco. Mas Sareum Srey Moch dá um show, em um trabalho difícil mas que é feito com maestria e com muita naturalidade por ela.

Os outros atores em cena também estão muito bem, com destaque para os pais da protagonista, interpretados por Phoeung Kompheak e por Sveng Socheata, respectivamente o pai e a mãe de Loung Ung. Também temos os atores que fazem os irmãos dela: Mun Kimhak como Kim; Heng Dara como Meng; Khoun Sothea como Khouy; Sarun Nika como Geak; Run Malyna como Chaou; e Oun Srey Neang como Keav. Todos estão ótimos, sem exceção.

Impossível não assistir a esta história e não querer saber mais sobre o que realmente aconteceu no Camboja. Acho interessante, para começar, conhecer alguns textos sobre a protagonista deste filme, Loung Ung. Temos desde o artigo da Wikipédia sobre ela até esta matéria da People sobre a história dela e como ela ficou amiga de Angelina Jolie. Também vale dar uma olhada nesta reportagem do Huffpost que traz comentários de Angelina Jolie sobre o filme.

Sobre os absurdos que o filme narra, vale dar uma lida em alguns conteúdos. Para começar, indico textos básicos como este do portal Mundo Educação e o artigo relacionado com o genocídio cambojano que está na Wikipédia. É de arrepiar. Que bom que Angelina Jolie e Loung Ung nos apresentaram um filme contundente sobre o assunto. Este genocídio, assim como outros ocorridos na nossa História, infelizmente são pouco lembrados. Mas está na hora de falarmos a respeito.

First They Killed My Father estreou em fevereiro de 2017 em première no Camboja. Depois, apenas em setembro, o filme estreou em um festival, no Festival de Cinema de Telluride. No mesmo mês, First They Killed My Father participou do Festival Internacional de Cinema de Toronto. A partir do dia 15 de setembro, o filme estreou no Netflix em alguns países, como Argentina, Índia, Holanda e Estados Unidos. Até o momento, esta produção não ganhou nenhum prêmio.

Como a história do filme sugere, First They Killed My Father foi totalmente rodado no Camboja. Para quem um dia quiser visitar o local, o filme foi totalmente rodado em Battambang. Ah, e todo o elenco que vemos em cena é formado por cambojanos.

Agora, algumas curiosidades sobre esta produção. Quatro pessoas produziram First They Killed My Father: Angelina Jolie, Rithy Panh, Ted Sarandos e Michael Vieira. Rithy Panh, por sua vez, é, ele próprio, um sobrevivente do genocídio cambojano. Ele tem, no currículo, nada menos que 38 prêmios, 20 trabalhos como diretor, 14 como roteirista e 12 como produtor. Ou seja, conhece bem a história que está sendo contada aqui.

O Khrmer Vermelho que vemos em cena, movimento comunista “revolucionário” (mais bem assassino, não?) liderado por Pol Pot, matou cerca de 25% da população do Camboja entre 1975 e 1979. Essa parte considerável da população foi morta assassinada, por desnutrição ou por causa de trabalhos forçados. Uma dureza que vemos bem em cena – inclusive com crianças sendo mortas. De arrepiar.

First They Killed My Father foi rodado em 60 dias com um orçamento de US$ 24 milhões. Um orçamento baixo para os padrões de Hollywood mas, até o lançamento do filme, First They Killed My Father era a produção mais cara feita no Camboja. Mais um exemplo da diferença gigantesca das realidades que vivemos neste mundão…

Alguns números do filme: mais de 500 pessoas, entre técnicos e pessoas de apoio, foram envolvidas nas filmagens de First They Killed My Father. O filme também contou com 3,5 mil figurantes e extras para algumas cenas específicas – certamente aquelas dos deslocamentos humanos. Muitos dos atores envolvidos com esta produção eram sobreviventes ou filhos de sobreviventes do genocídio cambojano. Talvez por isso tenhamos tanta “verdade” em cena.

A diretora, co-roteirista e produtora Angelina Jolie é uma cidadã cambojana desde 2005.

Quase todos os artistas, atores e profissionais do cinema cambojanos foram mortos durante o regime do Khmer Vermelho. Apenas alguns diretores conseguiram fugir do país naqueles anos de massacre. A história do nascimento e da destruição do cinema cambojano é contada no documentário Le Sommeil D’Or. Fiquei com vontade de assistir a esta produção.

Os usuários do site IMDb deram a nota 7,3 para esta produção, enquanto que os críticos que tem os seus textos linkados no Rotten Tomatoes dedicaram 47 críticas positivas e seis negativas para este filme, o que garante para First They Killed My Father uma aprovação de 89% e uma nota média de 7,8. Ainda que as notas sejam boas para os padrões dos dois sites, acho que as avaliações poderiam ter sido melhores. Para o meu gosto, ao menos, este filme é excelente.

Este filme é uma coprodução do Camboja e dos Estados Unidos.

Eu admito: eu já gostava da Angelina Jolie. Como mulher e como artista. Mas depois deste filme… gosto ainda mais. Posso até me classificar como fão. 😉 Ela merece. Tem opinião, talento e algumas posturas dignas de aplausos. Alguém que sabe utilizar para o bem a própria fama. Está de parabéns!

CONCLUSÃO: Vocês sabem que nem sempre um 10 aqui quer dizer que o filme é o meu favorito em alguma “disputa”, com o Oscar, por exemplo, certo? O 10 aqui sempre quer dizer que eu acho que o filme cumpriu à perfeição o seu papel, a sua proposta. Pode não ser o filme mais brilhante do mundo, mas ele fez o que pretendia sem necessitar de retoques. E é isso que eu acho deste First They Killed My Father. Um filme que apresenta uma grande história e que a respeita a cada segundo, deixando claro o seu discurso pacifista e nos dando um tapa na cara sobre o que a Humanidade já foi capaz de fazer – e ainda é, em algumas partes? Para mim, uma produção irretocável. Um belo começo de iniciar a “corrida” pelo Oscar 2018. Assistam!

PALPITES PARA O OSCAR 2018: Oba! Começou a temporada de palpites para o Oscar! 😉 E não sou apenas eu, evidentemente, que começo a dar estes palpites. Especialmente os jornalistas e críticos americanos já começaram a fazer as suas listas. Da minha parte, de quem não se considera tão especialista, o que eu vou fazendo é o de sempre: vou assistindo aos filmes “habilitados” para conquistar uma vaga no Oscar e comentando o que eu achei sobre eles e que chances eu acredito que eles tem para a grande disputa do cinema mundial.

Até segunda ordem, First They Killed My Father está habilitado para concorrer a uma das cinco vagas na categoria de Melhor Filme em Língua Estrangeira. Como este é o primeiro filme dos 92 que estão na disputa que eu assisto, fica difícil falar, realmente, das chances dele na premiação. Mas… francamente, por todos os predicados do filme que eu falei antes, acho, desde já, que ele tem grandes chances de chegar lá.

Há muitos críticos americanos que acreditam, inclusive, que First They Killed My Father poderia ser indicado em várias categorias, não apenas na de Melhor Filme em Língua Estrangeira. Olha, realmente isso pode acontecer. Na pior das hipóteses, vejo o filme concorrendo sim ao Oscar de Melhor Filme em Língua Estrangeira. Aí ele terá pela frente uma disputa difícil com outros filmes de grandes cineastas, como as mais recentes produções de Fatih Akin ou de Ruben Östlund. Mas acho que ele pode levar a melhor.

Isso se, claro, ele realmente não emplacar em várias outras categorias. Aí ele perderia chances em Melhor Filme de Língua Estrangeira. Há quem diga que First They Killed My Father pode concorrer como Melhor Filme, Melhor Diretora, Melhor Roteiro Adaptado e, com menos chances, até como Melhor Atriz. Realmente eu acho que ele pode chegar lá, mas vai depender muito da vontade dos votantes da Academia.

De qualquer forma, esta produção tem qualidades para tanto. Mas… por ser bem independente, eu acho mais seguro apostar nela chegando entre as cinco indicadas em Melhor Filme em Língua Estrangeira. Ganhar já é outros 500. Vou me arriscar a dar este palpite depois de ter assistido aos concorrentes.

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Unbroken – Invencível

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Diversos países, e não duvido que todo país do mundo, na verdade, tenha diversos heróis. Mas poucas nações sabem valorizar o heroísmo dos filhos de sua pátria como os Estados Unidos. Unbroken é mais um destes filmes que paga a história de um homem comum que acaba se transformando em herói pelo exemplo que ele vai dando, dia após dia, e contra todas as previsões e apostas. Um belo trabalho da atriz Angelina Jolie como diretora. O filme tem o espírito de produções que não vemos mais em Hollywood. Mesmo com estas qualidades, ele acaba se revelando longo demais, um pouco cansativo e, se você já tem uma bagagem no cinema, nada surpreendente e até com ideias repetidas.

A HISTÓRIA: Acima das nuvens, uma revoada de aviões se aproxima do alvo. Diversos homens em cada aeronave, e cada um deles em um posicionamento e com uma função bem definidos. Um destes homens é Louis Zamperini (Jack O’Connell), que após disparar com o bombardeiro, fica preocupado com o restante do grupo quando eles começam a sofrer a represália.

Em certo momento, ele começa a se lembrar de quando era uma criança, de tudo que os pais lhe ensinaram, do ambiente em que ele cresceu e, principalmente, que se não fosse pelo irmão mais velho, Pete (John D’Leo quando jovem, Alex Russell na vida adulta), provavelmente ele não teria sido alguém de destaque na vida. Pete incentivou Louis a correr, e o jovem atleta chegou até as Olimpíadas. Depois, na Segunda Guerra Mundial, ele passaria pelos maiores desafios imagináveis para sobreviver.

VOLTANDO À CRÍTICA (SPOILER – aviso aos navegantes que boa parte do texto à seguir conta momentos importantes do filme, por isso só recomendo que continue a ler quem já assistiu a Unbroken): Como eu comentei anteriormente, se você tem uma certa bagagem assistindo à filmes, certamente não vai se surpreender com nada que Unbroken apresenta. Filmes anteriores já exploraram diversos pontos mostrados nesta produção. Assim sendo, ela não é surpreendente, mas também não pode ser considerada um filme ruim.

Verdade que achei ele longo demais, como comentei antes. Diversos momentos poderiam ter sido encurtados, especialmente no sofrimento dos amigos Louis, Phil (o ótimo Domhall Gleeson) e Mac (Finn Wittrock) no mar e nos embates quando Louis integra o grupo maior de americanos em campos de prisioneiros no Japão.

Também acaba sendo inevitável não lembrar de outras produções enquanto a história se desenvolve – o efeito surpresa, realmente, poucas vezes aparece nesta produção. (SPOILER – não leia se você não assistiu ao filme). Talvez o momento mais surpreendente seja o ataque que Louis, Phil e Mac sofrem no mar quando eles pedem socorro e acabam recebendo algumas rajadas de tiros.

Mesmo sendo pouco surpreendente e um bocado longo demais, acho que Unbroken tem um bom roteiro. Joel Coen, Ethan Coen, Richard LaGravenese e William Nicholson conseguiram adaptar a história de um homem comum que se superou em diversos momentos, surpreendeu e inspirou a muitos com o seu exemplo em uma produção com a cara de Hollywood. Dividida em diversos momentos da história do protagonista, o filme parte do clássico “momento decisivo” para fazer um retrocesso na biografia do retratado e recontá-la desde a sua infância.

Desta forma é que vemos como Louis se envolveu com o esporte e como, influenciado pelo irmão, ele levou a sério o desafio e tornou-se medalhista olímpico. A volta no tempo tem uma justificativa clara: mostrar como o protagonista encarnou ainda jovem o desejo de superação e de surpreender a todos que apostavam que ele seria “um nada”. Esse espírito seria fundamental no futuro, quando ele seria testado até o extremo pelos japoneses.

Então o filme mostra esse herói imperfeito – como qualquer modelo mortal – que dá uma guinada na vida e se destaca no esporte antes que os nazistas se revelassem inimigos que deveriam ser combatidos por boa parte do mundo, incluindo o país de Louis. Senti falta, contudo, já que estavam fazendo um apanhadão da vida dele, de vermos como ele chegou no Exército. Pequeno detalhe, verdade, mas que senti falta – certo, evidente que a convocação era obrigatória, mas acho que não custava mostrar o momento em que ele deu a entrada no Exército.

Depois de uma rápida repassada na infância e na juventude do protagonista, como se fosse o próprio Louis tendo na “iminência da morte” um filme dele próprio passando na cabeça, mergulhamos novamente no cenário de guerra. Primeiro nos céus, com os bombardeiros, depois no mar, quando eles sobrevivem de um choque na água da aeronave em outra missão e, por fim, em solo.

Para mim, foi inevitável não lembrar de outros filmes enquanto eu assistia a Unbroken. Para começar, a excelente direção de fotografia de Roger Deakins me fez lembrar de filmes de guerra e/ou drama de guerra feitos nos anos 1950 e 1960 como The Guns of Navarone, Paths of Glory e, principalmente, o clássico The Bridge on the River Kwai. Quando Louis começa a correr, impossível não lembrar um outro clássico, este bem mais “moderno”: Forrest Gump. Durante o estresse no mar, impossível não lembrar de Life of Pi. E para fechar a lista de lembranças, quando Louis está na fase Olimpíadas, recordei o clássico Chariots of Fire.

Se você, como eu, assistiu a estas produções, vai achar Unbroken um bocado previsível na fórmula e no conteúdo. Ainda assim, algo é preciso admitir: Angelina Jolie faz um bom trabalho na direção. Ela sabe explorar a adrenalina e o estresse dos momentos de batalha, fazendo a câmera tremer na medida certa sem tirar o foco sempre em algum ator. E nos momentos de embates mais “mano a mano”, especialmente entre Louis e o vilão Watanabe (o fraquinho Takamasa Ishihara), ela busca sempre a emoção dos intérpretes. Conhece o ofício, pois – ela teve um ótimo mestre, Clint Eastwood, de quem é amiga.

Então apesar de um bocado óbvio, o roteiro de Unbroken tem condução e focos bem definidos, é envolvente e sabe valorizar bem a progressão do heroísmo do protagonista. A direção de Jolie é coerente e competente, ainda que nada inventiva. Mas o destaque está mesmo no homem que inspirou este filme – ele sim, merece ter o próprio enredo contado e difundido. E também no ator que interpreta ele. Jack O’Connell convence e se entrega para o trabalho, o que faz todo o pacote negativo da produção ser minimizado.

NOTA: 8.

OBS DE PÉ DE PÁGINA: Unbroken pré-estreou no dia 17 de novembro em Sydney e, no dia 25 daquele mês, entrou em cartaz nos Estados Unidos, no Canadá e na Espanha. A produção teria custado cerca de US$ 65 milhões para ser feita. Apenas nos Estados Unidos o filme conseguiu pouco mais de US$ 108 milhões e, no restante dos mercados em que já estreou, cerca de US$ 21,8 milhões. Ou seja, ainda está tentando se pagar – na média, um filme só começa a dar lucro depois que arrecada o dobro do que custou, já que boa parte do custo adicional surge com a distribuição do filme.

Os usuários do site IMDb deram a nota 7,2 para esta produção, o que mostra que o público tem aprovado o filme. Os críticos que tem os seus textos linkados no Rotten Tomatoes foram menos generosos: eles dedicaram 92 críticas positivas e 91 negativas para a produção, o que lhe garante aprovação de 50% e nota média de 6,1.

Hoje eu corri para entregar mais esta crítica para vocês. Mas faltou fazer outros comentários. Assim que possível, atualizarei o blog com eles. Até breve.

Agora sim, voltando. A minha leitura desta produção eu fiz antes. Mas claro que algo da história é importante acrescentar. (SPOILER – não leia se você não assistiu ao filme). Fica clara, em Unbroken, a influência de Louis Zamperini para dezenas de soldados norte-americanos que eram prisioneiros dos japoneses durante a Segunda Guerra Mundial. O embate pessoal dele com o algoz Watanabe simbolizava também o desejo daqueles soldados em ganhar a guerra, vencer o adversário, mostrar que eles eram mais resistentes que o oponente. No fim das contas, toda guerra é exatamente isso: uma queda de braços para ver que nação é mais forte, que sistema é mais viril. Vidas são sacrificadas no processo, mas no fim das contas um ou mais de um país recebe o prêmio e tem a sua(s) respectiva(s) economia vitaminada com a disputa que é coletiva, mas também entre indivíduos. Por tudo isso, é evidente, este filme também é ufanista e levanta a bandeira dos Estados Unidos. Neste sentido, dá para entender porque a produção chegou ao Oscar.

O nome forte desta produção, sem dúvida, é do ator Jack O’Connell. Ele faz um belo trabalho como o determinado Louis Zamperini. Além dele e dos atores já citados, vale destacar a participação de Garrett Hedlund como Fitzgerald, um dos soldados do campo de prisioneiros mantido por Watanabe – ele está em um papel menor do que estamos acostumados.

Da parte técnica do filme, além da ótima direção de fotografia de Deakins, vale destacar a trilha sonora marcante de Alexandre Desplat; a edição da dupla William Goldenberg e Tim Squyres; os figurinos de Louise Frogley; a equipe de 36 profissionais envolvidos com o departamento de arte; os 32 profissionais que trabalharam no departamento de som; os 13 profissionais que trabalharam nos efeitos especiais e as dezenas – me cansei de contar – profissionais envolvidos com os efeitos visuais. Sem estes dois últimos grupos, em especial, o filme teria sido quase impossível de ser feito – e, sem dúvida, não teria a qualidade visual que conferimos na telona.

Apesar de ser uma produção 100% dos Estados Unidos, Unbroken foi totalmente rodado na Austrália – cenas em estúdio e externas também.

Até o momento, Unbroken ganhou nove prêmios e foi indicado a outros 18, incluindo a indicação a três estatuetas do Oscar 2015. Entre os prêmios que recebeu, destaque para o CFCA Award como “intérprete mais promissor” para Jack O’Connell no Prêmio da Associação de Críticos de Cinema de Chicago; para o prêmio de interpretação para Jack O’Connell no Prêmio do Círculo de Críticos de Cinema de Dublin; e para o prêmio de interpretação marcante para O’Connell no National Board Review. Em todas estas premiações o ator foi reconhecido também pelo trabalho em Starred Up. Unbroken também foi reconhecido por mais de um prêmio como um dos 10 melhores filmes de 2014.

O roteiro dos irmãos Coen, de LaGravenese e de Nicholson é baseado no livro de Laura Hillenbrand lançado em 2010 e que, antes, ficou conhecida pela obra Seabiscuit. Ela foi a primeira mulher a receber o prêmio inglês William Hill’s Sports.

Agora, uma curiosidade sobre esta produção: o Universal Studios comprou os direitos para a história de Louis Zamperini em 1957, mas foi apenas com a publicação do livro de Hillenbrand que o projeto tomou corpo para sair do plano apenas das intenções.

O ator Takamasa Ishihara manteve distância de Jack O’Connell para conseguir, nos momentos necessários, interpretar toda a frieza necessária para Watanabe praticar as suas crueldades contra o inimigo. Na cena mais tensa do filme, quando o protagonista levanta o vergalhão acima da cabeça, Ishihara chegou a vomitar no set como reação ao choque provocado pela cena.

A diretora Angelina Jolie não pode comparecer na pré-estreia do filme porque ela ficou enferma com uma varicela.

(SPOILER – não leia… bem, você já sabe). Como Unbroken revela nos minutos finais, Louis Zamperini morreu no dia 2 de julho de 2014. Ou seja, ele faleceu antes do filme sobre a sua história estrear. Mas ele chegou a ver uma versão prévia do filme no notebook de Angelina Jolie quando ele estava internado no hospital.

Jolie e o diretor de fotografia Roger Deakins afirmaram que uma das grandes influências deles para Unbroken foi a produção The Hill, de 1965, dirigida por Sidney Lumet e protagonizada por Sean Connery.

Este é o terceiro trabalho de Angelina Jolie na direção. Ela estreou atrás das câmeras com o documentário A Place in Time, de 2007, e fez a primeira obra ficcional em 2011 com In the Land of Blood and Honey. Não assisti a nenhum dos dois. Agora, ela trabalha na pós-produção de By the Sea e já tem outro projeto no gatilho: Africa. Me parece que todas estas produções – ou quase todas – defendem questões bem ideológicas da atriz/diretora.

CONCLUSÃO: Uma das principais qualidades de Unbroken é que ele transporta o espectador para produções que eram frequentes nos anos 1950 e 1960. Filmes ufanistas, que procuravam valorizar a bandeira do país de origem – normalmente os Estados Unidos – e que tinham aquele saber de “homens viris e a suas bravuras”. Bem conduzido, com ritmo adequado, um protagonista que convence e uma direção de fotografia impecável, Unbroken é um filme que entrega o que promete. Mas para quem já assistiu a outros filmes do gênero, isso é pouco.

A história, como eu disse lá no início, acaba sendo longa demais – ela poderia ter sido encurtada meia hora, pelo menos. E apesar de ser incrível a resistência do personagem baseado em um homem real, não é exatamente surpreendente o que vai acontecendo no minuto seguinte por grande parte do filme. Isso, para o cinema, não é exatamente bom. Para resumir, um filme mediano, mas que tem as suas qualidades.

PALPITE PARA O OSCAR 2015: Interessante a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood ter lembrado diversas vezes de Unbroken nas indicações de sua premiação este ano. Porque o filme, por mais que tenha qualidades – e as tem, como dito antes -, poderia perfeitamente ter sido esquecido pela Academia. Os votantes da maior premiação do cinema dos Estados Unidos já fizeram isso antes com produções melhores.

Mas o filme de Angelina Jolie – ela seria a razão principal das indicações, já que é um dos nomes fortes de Hollywood? – conseguiu figurar em três categorias do Oscar 2015: Melhor Fotografia, Melhor Mixagem de Som e Melhor Edição de Som. Tudo bem que são apenas categorias técnicas. Ainda assim, sempre há uma forte concorrência nesta área. Mas Unbroken, é preciso dizer, chega com estas três indicações merecendo.

De fato, o trabalho da equipe de som – seja na mixagem, seja na edição – e do diretor de fotografia veterano Roger Deakins é o que a produção tem de melhor. Junto com a interpretação de Jack O’Connell, é claro. O filme pode sair vencedor em alguma destas categorias? Bem, ainda preciso assistir aos outros indicados, mas acho que a ele terá uma parada duríssima em Edição de Som, porque enfrenta a ficção científica Interstellar (esse gênero, tradicionalmente, vai muito bem nestas categorias) e a ótima edição de som de The Hobbit: The Battle of the Five Armies. Desconfio também que a edição de som de American Sniper deve ser muito boa… parada bem dura, pois.

Em mixagem do som, os adversários a serem batidos são Interstellar, mais uma vez, American Sniper e, um elemento forte e adicional na queda-de-braços, o drama musical Whiplash – que, ainda não o assisti, mas presumo que tenha uma mixagem de som perfeita. Unbroken, para mim, corre por fora nas duas categorias. E o mesmo acontece em Melhor Fotografia. Ida tem um trabalho primoroso neste quesito. Além disso, há os super indicados do ano Birdman e The Grand Budapest Hotel para serem batidos – o segundo, deste já posso falar, tem realmente uma fotografia excelente. Enfim, a vida de Unbroken está bem complicada. Mas acho que o filme e seus realizadores devem ficar felizes já por terem sido lembrados no Oscar.