Nelyubov – Loveless – Desamor


Ah, o desamor! Esta característica que parece estar cada vez mais presente em tantas casas e ruas de diversas cidades do Brasil e do mundo. Desamor este capaz de destruir, seja de forma lenta, seja de forma ligeira, tudo o que encontra pela frente. O filme russo Loveless, representante no Oscar 2018 do país que vende uma imagem gelada para o mundo há tanto tempo, acerta em cheio ao falar do desamor. Vi neste filme tantas realidades que eu conheci ou sobre as quais eu só ouvi falar – mas que são muito, muito reais. Um filme forte, tenso, com um roteiro que corta como uma navalha, mas cheio de verdade(s).

A HISTÓRIA: Uma grande árvore. A neve cai. O cenário gelado mostra neve sobre a terra e as árvores, mas a água do rio ainda não está congelada. Sobre a água, nadam alguns patos. Fora o movimento dos animais e da água e a queda da neve, todo o restante do cenário é estático. No pátio de uma escola, também não vemos movimento. Até que a porta se abre e as crianças e os jovens correm para fora. Entre eles, está o solitário Alyosha (Matvey Novikov). No longo caminho que faz à pé até em casa, Alyosha se diverte com uma fita que encontra no caminho. No próprio lar, contudo, ele não tem nenhum motivo de diversão.

VOLTANDO À CRÍTICA (SPOILER – aviso aos navegantes que boa parte do texto à seguir conta momentos importantes do filme, por isso recomendo que só continue a ler quem já assistiu a Nelyubov): Logo no início você percebe aquela forma peculiar de ser e de revelar-se dos russos. Não assisti a tantos filmes daquele país quanto eu gostaria, mas sempre que eu vejo um filme “made in Russia”, este filme se revela marcante. Os russos – conheci poucos na vida – tem uma forma muito direta de ser e de se expressar. Eles são de uma cultura um tanto machista, mas as mulheres também tem opinião forte. E isso fica evidente nesta produção.

Interessante como Loveless é um filme russo e, ao mesmo tempo, muito universal. Especialmente pelo que eu comentei no início. A história e as verdades que este filme aborda de maneira muito franca e direta podem ser encontradas em muitos países e culturas. Tão, igual ou menos machistas que a cultura russa. Na verdade, esta questão, do machismo, pouco importa neste filme. O cerne da história está realmente naquela palavra, desamor.

O início de Loveless é perfeito. Ele mostra o desamor que move este filme em toda a sua potência. (SPOILER – não leia se você não assistiu ao filme). Chega a ser complicado assistir a toda a crueldade da mãe e do pai de Alyosha em relação ao menino. O garoto parece ser um grande fardo para os dois. Nem a mãe dele, Zhenya (Maryana Spivak), e nem o pai, Boris (Aleksey Rozin) têm qualquer paciência ou demonstração de afeto por Alyosha.

Zhenya apenas faz o básico do básico do básico, ou seja, serve café da manhã para o filho e o manda para a escola todos os dias. Mas, em uma certa noite, depois que o garoto sai para a escola, ela nem dorme em casa e não tem certeza se Alyosha chegou a voltar para casa. Boris não é melhor. Ele vai para casa apenas para dormir, e em algumas noites, e parece ser incapaz de ter qualquer proximidade com o filho. Na verdade, nem vemos eles interagindo nesta produção.

A discussão de Zhenya com o quase ex-marido é ilustrativa do “clima” que existe na casa de Alyosha. Quando vemos aquela discussão e a forma com que os pais tratam o garoto, entendemos as cenas iniciais de Loveless que, até então, pareciam um tanto estranha. Afinal, em pouco tempo podemos perceber que Alyosha é um garoto um bocado solitário – ao ponto de preferir olhar pela janela a paisagem ao invés de sair para brincar com as crianças de perto de casa.

O que acontece com um menino para ele não ter nenhuma vontade de brincar? Essa foi a primeira pergunta que este filme me despertou. E o diretor e roteirista Andrey Zvyagintsev, que escreveu este roteiro junto com Oleg Negin, é muito preciso em nos dar esta resposta. Loveless é um filme muito direto do início ao fim, e a parte inicial da produção tem o ritmo e a dinâmica perfeita. O roteiro não deixa ninguém impassível. A realidade de Alyosha é de cortar o coração, e nos compadecemos do garoto. O pior é que após os pais deles se jogarem nos braços de seus amantes durante a noite inteira e Zhenya dar pelo sumiço do filho no dia seguinte, não temos como não esperar o pior.

A partir daí, o filme dá uma grande virada narrativa. Aquele ritmo certeiro e ágil do início é substituído por um roteiro que narra uma busca que parece sem fim. A narrativa então fica bastante previsível. Estamos sempre esperando pelo pior, pela notícia do fim trágido de Alyosha. Neste sentido, Loveless perde um tanto da sua força e da sua capacidade de surpreender. Sabemos por onde a história vai caminhar. Apenas perto do final o filme volta a ter a força que vimos no começo.

Os dois personagens principais, adultos, deveriam fazer qualquer pessoa refletir a respeito da vida que têm e que gostaria de ter. Zhenya está sempre com a atenção no celular e nas redes sociais, enquanto Boris está mais preocupado com o status social e com o que os chefes e colegas de trabalho vão falar dele, um sujeito que está se separando e que já engravidou uma outra garota (Yanina Hope). Nenhum dos dois parece se importar o mínimo com o filho que geraram. Não importa se Alyosha foi desejado ou não. Os pais deveriam, no mínimo, ter responsabilidade em relação a ele, certo?

Mas não. Loveless mostra que nem todas as pessoas nasceram com a vocação para ser mãe ou pai. Algo que eu já comentei aqui em outras críticas. Estou totalmente de acordo com esta leitura da realidade. Conheci alguns casos de pessoas que foram marcadas pela vida inteira por mães ou pais ineptos, para dizer o mínimo e ser “suave”. Centrados demais em si mesmos, egoístas ao extremo, mães e pais como Zhenya e Boris fazem os seus filhos vítimas – seja de forma definitiva, como Loveless mostra no caso de Alyosha, seja de forma menos definitiva mas igualmente grave, provocando feridas psicológicas ou de autoestima nos filhos algumas vezes difíceis de curar.

Depois de toda a narrativa de busca de Alyosha, em que Zhenya e Boris até parece terem resgatado alguma parte de suas “humanidades”, o final de Loveless é matador. Pensamos: puxa, depois de tudo que aconteceu, quem sabe a perda de Alyosha sirva para Zhenya ser mais aberta aos próprios sentimentos e ao amor, enquanto Boris, quem sabe, pode ser um melhor pai para o filho que teve com a nova namorada, não é mesmo? Mas não. Zhenya continua vivendo mais conectada ao celular e às redes sociais, incapaz de se solidarizar com a dor que vê na TV, enquanto Boris não tem paciência nenhuma com o novo filho.

E aí vem a pergunta inevitável: o que diabo estas pessoas estão fazendo com as próprias vidas? Para que, afinal, elas vivem? Para acumularem os dias e viverem em seu constante desamor? Estas são apenas algumas de várias perguntas que este filme pode levantar. Mas algo é fato: Loveless desenvolve algumas ideias importantes sobre as relações interpessoais e sobre a capacidade do ser humano de provocar dano. Um filme forte, impactante, que faz pensar e que, além disso, é capaz de provocar alguma agitação na bílis do espectador.

Por tudo isso, é um filme que merece ser assistido. Se você não tem problemas em ver filmes fortes e que possam lhe deixar um tanto indignado(a), é claro. Porque se você estiver procurando um filme leve e bacaninha para assistir, deve passar longe desta produção. Loveless é tudo, menos um filme que vai lhe deixar melhor após a experiência de assisti-lo. Mas isso não o torna um filme ruim. Muito pelo contrário. Quem sabe ele lhe prepare para identificar estas pessoas um tanto “desumanas” e incapazes de sentir perto de você e, dentro do possível, a se defender delas.

Ah sim, e antes de terminar esta crítica. A desaceleração do roteiro após Zhenya perceber a ausência do filho tem um sentido de ser. Aquela busca que parece ser sem fim, com Zhenya colando cartazes do filho pela cidade e Boris acompanhando de perto as buscas dos grupos de voluntários – questão social muito interessante, aliás -, tem um propósito. O diretor e roteirista Andrey Zvyagintsev quer nos mostrar a angústia que os pais de um filho desaparecido sentem e demonstrar por A+B como este tempo de falta de respostas sobre alguém desaparecido parece passar de forma muito mais lenta que os ponteiros de um relógio.

De fato, quando o filme entra nesta segunda fase, é isso o que vivenciamos. O diretor e roteirista consegue nos colocar exatamente naquele lugar, da mãe e/ou do pai do garoto. Vivemos a angústia da busca e da falta de respostas. Até que surge uma resposta possível – ou, para alguns, a continuidade da falta de respostas. Não importa qual versão você adote. O importante é que Loveless fez você sentir o que as pessoas que buscam desaparecidos sentem. Por isso e pelo restante, esta é uma bela produção, ainda que não de toda inovadora. Mas ela é potente e acerta em seus alvos. E apenas por isso, devemos nos sentir bastante satisfeitos.

NOTA: 9,4.

OBS DE PÉ DE PÁGINA: Um filme com um elenco reduzido, com poucos atores, e que aposta em uma narrativa realista e bastante direta. Gostei das escolhas feitas pelo diretor e roteirista Andrey Zvyagintsev. Nós vemos em Loveless que apesar da Rússia ter algumas particularidades, como qualquer país e cultura, temos mais elementos semelhantes do que características que nos diferenciam.

Entre outros aspectos, achei interessante perceber como a polícia russa é sobrecarregada – como a polícia das maiores cidades brasileiras – e, consequentemente, não abraça a todas as ocorrências como um “simples” desaparecimento de uma criança. Claro que esta é uma situação grave e angustiante, mas para uma polícia sobrecarregada, com menos gente e recursos do que deveria, se entende que é preciso priorizar algumas ocorrências e deixar outras em “segundo plano”.

Então achei interessante esta crítica sobre o sucateamento policial e o envolvimento civil nas buscas por desaparecidos. A sociedade pode sim fazer mais do que simplesmente pagar uma grande carga tributária e esperar receber todos os serviços do governo. Loveless demonstra na prática como a organização civil pode melhorar diversas realidades e trazer um pouco mais de conforto e de eficiência em aspectos que os governos não dão conta.

O ritmo do filme foi cuidadosamente planejado por Zvyagintsev. E ainda que a história, lá pelas tantas, se torne um bocado previsível, tenho que admitir que o compasso da narrativa foi bem planejado e executado. Temos o momento dos “sentimentos” e das “verdades” sendo colocados todos para fora, que foi na parte inicial da produção, com os personagens principais dizendo ao que vieram, e depois partimos para uma busca angustiante por respostas. Como eu disse, uma narrativa bastante pé no chão e que não larga o realismo em momento nenhum.

No final, nós pensamos: será que tudo que aconteceu serviu para mudar os protagonistas. Será que a angústia da busca por respostas e todos os demais sentimentos relacionados a esta busca mudaram Zhenya e Boris? (SPOILER – não leia se você não assistiu ao filme). Uma das perguntas inevitáveis é a seguinte: afinal, para que serviu tudo aquilo? Foi para tornar algumas pessoas melhores? E a resposta é não. Uma criança provavelmente morreu e os pais dela nunca terão uma resposta definitiva sobre o que aconteceu e isso não serviu para ninguém se tornar melhor. Mais uma vez, a dura e pura realidade de muitas histórias. Um bocado impactante. E esta é a graça do cinema.

Falando em respostas… (SPOILER – não leia se você não assistiu ao filme). Alyosha não é encontrado vivo pelos voluntários e pelos pais. Mas, em determinado momento, Zhenya e Boris são chamados para reconhecer um garoto que foi encontrado morto. Zhenya é convicta em dizer que ele não é o seu filho desaparecido, e entre os argumentos que ela dá para esta certeza é de que o filho tem uma marca no peito que o menino morto não tem. O diretor Andrey Zvyagintsev não mostra a criança mais do que em uma cena rapidíssima. E isso tem uma razão de ser.

Para a história, faz mais sentido a incerteza da resposta. (SPOILER – não leia… bem, você já sabe). Tanto para os personagens dos pais de Alyosha quanto para os espectadores. Então você pode chegar a sua própria resposta, se aquela criança era Alyosha ou não. Da minha parte, assistindo aquela cena mais de uma vez – e inclusive pausei naquele rápido momento em que o menino morto é mostrado – e percebendo que a criança estava bastante machucada e quase irreconhecível, notei que ele tinha o mesmo tamanho de Alyosha e que poderia ser o menino. Então, francamente, acho que este foi o fim daquele menino sensível e que sofreu muito em casa antes de desaparecer. Acredito que Alyosha morreu de forma natural, talvez em um acidente, ou foi morto por alguém e que, depois, foi atacado por algum animal para estar tão machucado, deformado e irreconhecível. Como é muito improvável uma criança sobreviver sem ter estrutura, apoio e/ou dinheiro, desde o início esperamos pelo pior para o personagem. Infelizmente.

Os personagens deles são odiosos, mas os atores Maryana Spivak e Aleksey Rozin estão ótimos como os pais que não tem nenhuma vocação para serem pais e que protagonizam esta história. O garoto Matvey Novikov aparece pouco nesta produção, mas as cenas em que ele aparece são bastante impactantes. Ele tem uma ótima presença em tela e tem uma interpretação bastante marcante. Além deles, vale comentar o belo trabalho dos coadjuvantes Varvara Shmykova, que interpreta Lena, uma das voluntárias mais experientes que se envolvem nas buscas de Alyosha; Yanina Hope como a nova namorada de Boris; Aleksey Fateev como o coordenador do grupo de voluntários; e Andris Keiss como Anton, novo namorado de Zhenya. Todos estão muito bem.

Da parte técnica do filme, vale destacar a ótima direção de fotografia de Mikhail Krichman; a edição competente de Anna Mass; a trilha sonora pontual e marcante de Evgueni Galperine e de Sacha Galperine; e o design de produção de Andrey Ponkratov.

Loveless estreou em maio no Festival de Cinema de Cannes. Depois o filme participaria, ainda, de outros 25 festivais pelo mundo. Nesta trajetória, ele ganhou nove prêmios e foi indicado a outros seis. Entre os que recebeu, destaque para o Prêmio do Júri no Festival de Cinema de Cannes; para o de Melhor Direção no Asia Pacific Screen Awards; para o Silver Frog no Camerimage; para o de Melhor Filme no Festival de Cinema de Londres; para o de Melhor Filme Internacional no Festival de Cinema de Munique; para o de Melhor Filme no Festival de Cinema Zagreb; e para o de Melhor Filme em Língua Estrangeira no Prêmio da Associação de Críticos de Cinema de Los Angeles.

Também vale destacar que Loveless foi escolhido para figurar no Top 5 dos Melhores Filmes em Língua Estrangeira do National Board of Review. Junto com Loveless, aparecem na lista Frantz (comentado aqui), Una Mujer Fantástica, Verano 1993 e The Square.

Loveless foi totalmente rodado em Moscou, em locais como o Shodnenskiy Kovsh (as cenas do rio e das árvores), que faz parte do distrito de Yuzhnoye Toshino. Todas as demais cenas, aliás, foram rodadas neste mesmo distrito.

Falando um pouco mais de Andrey Zvyagintsev, este diretor de 53 anos tem apenas oito produções no currículo – incluindo Loveless, um episódio de uma série de TV e dois curtas. Ou seja, se olharmos apenas os longos feitos pelo diretor, ele tem apenas cinco filmes no currículo de diretor – sendo que para três deles ele também escreveu o roteiro. Essas três produções que levam a assinatura de roteiro e direção dele são, na ordem de lançamento: Elena, de 2011; Leviathan, de 2014; e agora Loveless, de 2017. Um diretor bastante seletivo, me parece. Preocupado com a qualidade e não com a produtividade.

Os usuários do site IMDb deram a nota 7,9 para esta produção, enquanto que os críticos que tem os seus textos linkados no Rotten Tomatoes dedicaram 47 críticas positivas e apenas quatro negativas para Loveless, o que garante para este filme um nível de aprovação de 92% e uma nota média de 8,2. O nível destas notas, tanto do IMDb quanto do Rotten Tomatoes, realmente está alto. Acima do padrão para os dois sites. O que mostra que, talvez, o representante da Rússia no próximo Oscar tenha chances consideráveis de avançar na disputa na categoria Melhor Filme em Língua Estrangeira.

CONCLUSÃO: Este filme trata de temas sobre os quais poucos querem falar. Afinal, a maioria quer destacar as lindas histórias de amor e os filhos gerados a partir destas lindas histórias. Mas e a vida real, o quanto ela pode ser diferente do “comercial de margarina”? Há tempos eu falo, para quem quiser escutar, que as pessoas deveriam, antes de tomar decisões importantes nas suas vidas, pensarem bem sobre o que estão fazendo. O autoconhecimento é um ponto fundamental na equação. Assim, quem sabe, evitaríamos tantos casamentos construídos sobre alicerces podres e, consequentemente, veríamos um número bastante reduzido de crianças que sofrem com decisões equivocadas de adultos perdidos.

Loveless trata sobre tudo isso de uma maneira franca e direta como nem sempre estamos acostumados a ver no cinema. As escolhas iniciais dos realizadores são perfeitas, mas o filme não avança no restante do tempo com a mesma força e vigor que no início. Claro que a desaceleração na narrativa e a previsibilidade do que acontece tem um sentido de ser. Mas para o meu gosto, o filme perdeu força em momentos em que ele poderia ter se saído melhor. Ainda assim, é mais uma descoberta muito interessante e sensível nesta temporada pré-Oscar. Tudo indica que temos mais uma safra especial para degustar até a premiação da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood em 2018.

PALPITES PARA O OSCAR 2018: Eis um filme que pode surpreender. Inicialmente, eu não diria que Loveless teria grandes chances no Oscar. Mas ao analisar o background de prêmios, de críticas positivas e o nome que está por trás desta produção – o diretor Andrey Zvyagintsev, anteriormente aclamado por Leviathan, comentado aqui no blog -, considero que Loveless pode sim ter uma boa chance de chegar até os cinco finalistas na categoria Melhor Filme em Língua Estrangeira.

Isso avaliando o contexto. Porque, avaliando apenas sob os meus critérios, eu diria que Loveless não tem tantos méritos assim para chegar até os cinco finalistas. Bem, falta um bocado de filmes ainda para eu assistir. Mas descontando os favoritos – muitos que eu não vi ainda – e entre as seis produções (incluindo Loveless) que eu assisti e que buscam uma das vagas na categoria de Melhor Filme em Língua Estrangeira no Oscar 2018, vejo Loveless correndo por fora.

Entre os filmes que eu já assisti e que comentei aqui no blog – como não poderia deixar de ser -, vejo que têm mais chances que Loveless os seguintes filmes (na ordem de maior chance mesmo): First They Killed My Father, The Divine Order e Spoor. Como os principais críticos americanos apontam para outros favoritos, acredito que apenas First They Killed Mty Father teria chance de emplacar uma indicação entre os filmes que eu já assisti.

Acho Loveless potente, como eu já comentei antes. O filme trata de um tema bastante atual – e, talvez, atual em todas as épocas da Humanidade. Apesar de começar com um roteiro impecável, Loveless acaba se enfraquecendo depois com uma narrativa um bocado previsível e que tem um desfecho também nada inovador. Assim sendo, acho que ele não está totalmente fora da disputa, mas vejo que ele tem poucas chances de emplacar uma indicação entre os cinco finalistas – mas, antes, ele pode chegar até a “pré-lista” dos nove filmes que avançaram por uma vaga.

ATUALIZAÇÃO (11/12): Hoje, dia 11 de dezembro, saiu a lista dos filmes indicados ao Globo de Ouro 2018. Loveless é um dos cinco indicados na categoria Melhor Filme em Língua Estrangeira. Ele concorre com In the Fade, First They Killed My Father, The Square e Una Mujer Fantástica. Veremos quem levará a melhor.

ATUALIZAÇÃO (17/12): E não é que Loveless conseguiu avançar? A Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood se antecipou neste ano e divulgou, já no dia 14 de dezembro, a lista dos 9 filmes que ainda disputam uma das cinco vagas na categoria Melhor Filme em Língua Estrangeira. E Loveless é um destes filmes. Ele concorre com os já esperados In the Fade, The Square, Una Mujer Fantástica e On Body and Soul (comentado por aqui) e com os menos esperados Foxtrot, The Insult, Félicité e The Wound. Vamos ver quem vai se sair melhor. Mas não seria uma surpresa se Loveless conseguisse uma das cinco vagas.

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11 comentários em “Nelyubov – Loveless – Desamor

  1. Oi Alessandra, adorei seu texto. Mas discorso que o corpo encontrado tenha sido de Alyosha. Como você bem enuncia sobre o começo do filme: o rio ainda não está congelado e ele busca por uma fita. O menino ficou congelado no rio em frente à casa. No começo do filme uma fita fica presa numa árvore (capa do filme)…. embaixo dele a água corre. No final do filme mostra a mesma fita e a água congelada. Metáfora total. Ele caiu no rio ao tentar pegar novamente a fita, a única brincadeira possivel para aquela criança… ficou ali, congelado. E o direto é certeiro na capa do filme e retornar essa imagem no final. Talvez ele nunca seja encontrado. Outra pista: no meio do filme, o pai pergunta pra equipe de voluntários: “não pode procurar no rio?”… eles respondem que não procuram por mortos.

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    1. belo texto Alessandra, assisti o filme esses dias e foi um soco no estômago, me deu uma angústia do meio para o fim do filme, caminhando lentamente para o destino de ficar sem um desfecho sobre o paradeiro de Alyosha. Eu também fiquei pensando na possibilidade do corpo encontrado ser dele, mas o comentário acima do Di Monteiro também faz todo sentido (sobre a fita na árvore e o rio), e no fim fiquei pensando no que seria pior… encontrar o cadáver do filho e ver que ele teve uma morte terrível ou ficar sem essa resposta pra sempre.

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    2. Outra coisa que me faz acreditar que ele caiu no lago (agora congelado), é o fato de no decorrer do filme o diretor mostrar como as pessoas estão se isolando. Janelas e vidros em geral tem um papel super importante, sempre separando os personagens de algo- o garoto é separado das brincadeiras; a mãe se isola através do celular (um espelo/vidro negro) etc. Enfim, levando a simbologia em conta faz total sentido ele estar preso no rio congelado.

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      1. Parece que minha memória me traiu. Dei uma nova olhada no final, e o lago não está congelado. Mesmo assim, acho que a simbologia continua funcionando.

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