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Bombshell – O Escândalo


Os jornalistas sabem que tem um teto de vidro gigante para sustentar todos os dias. A pressão e o “monitoramento” de todos os passos e declarações é proporcional à exposição que o profissional tem. Bombshell trata dos bastidores de uma das emissoras de TV mais importantes dos Estados Unidos e o tipo de relação viciada e criminosa que existia naquele espaço. O escândalo originado das denúncias narradas por esse filme trouxe à tona um debate importante para quem é da área e para as mulheres em geral.

A HISTÓRIA

Começa com uma mensagem de que o filme foi inspirado em fatos reais, mas que alguns nomes foram alterados, assim como algumas cenas, diálogos e personagens foram criados para atender a propósitos dramáticos. A mensagem também informa que todos os personagens foram interpretados por atores, exceto nas cenas em que aparecem imagens de arquivo. Quando a história começa, ouvimos a voz da jornalista Megyn Kelly (Charlize Theron), que comenta sobre a proximidade do debate com os candidatos à presidência dos Estados Unidos.

Em seu comentário, ela fala do debate que os candidatos vão enfrentar e que, diferente do que muitos pensavam, Donald Trump segue na disputa pela vaga dos republicanos. Megyn comenta que eles devem ser duros nas perguntas do debate porque os candidatos devem merecer o posto. No final de sua apresentação, ela comenta uma acusação de Ivana Trump, ex-mulher de Donald Trump, de que ele a teria estuprado enquanto eram casados. Megyn comenta que os advogados dizem que um marido não pode estuprar uma mulher. Esse é apenas o começo de uma disputa envolvendo Megyn e Trump e a questão das mulheres dentro e fora da Fox.

VOLTANDO À CRÍTICA

(SPOILER – aviso aos navegantes que boa parte do texto à seguir conta momentos importantes do filme, por isso recomendo que só continue a ler quem já assistiu a Bombshell): Esse foi o primeiro filme que eu assisti após a entrega do Oscar. Como vocês podem imaginar ao ver essa crítica após o texto em que comentei a entrega dos prêmios da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood. 😉 Assisti ao filme há mais de uma semana, mas só agora consegui parar para escrever sobre ele.

O que eu achei de Bombshell? Bem, admito que é uma pergunta difícil de responder. Logo depois de assistir ao filme, saí com a sensação de que vi a uma produção mediana e de “nicho”. Do tipo que vai interessar muito mais a pessoas como eu, jornalistas, do que ao grande público. Sim, os bastidores da TV sempre são interessantes de serem mostrados. Mas realmente eles importam à maioria?

Acho que Bombshell só se torna realmente relevante pela história que nos conta. Ou melhor, pelas duas histórias principais que o filme enfoca. A primeira tem a ver com Donald Trump e com a nova “onda” de muitos líderes mundiais de atacar a imprensa e os jornalistas que insistem em fazer o seu trabalho de forma independente e questionar – para alguns totalitários isso é péssimo.

A segunda história tem a ver com os bastidores da TV, mais especificamente da Fox, e dos abusos praticados por diversos de seus diretores. O cabeça do assédio e dos abusos sexuais nesta produção é Roger Ailes (John Lithgow), o diretor da Fox que montou o canal do conglomerado na TV fechada e que ajudou ele a ter a cara que ele tinha.

As duas histórias são palpitantes e muito atuais. Nunca falamos tanto sobre assédio e abusos contra as mulheres. Isso é necessário, cada vez mais, e um dos demonstrativos que a nossa era atual revela alguns avanços em relação ao passado. Bombshell foca bastante nesta questão que, a partir de 2016, abalou a TV americana e, depois, Hollywood.

Não por acaso o Movimento #Me Too ganhou tanta projeção nos últimos anos. Tudo começou com esta história contada por Bombshell. O filme começa em 2015, quando algumas perguntas da protagonista para Donald Trump expuseram a perseguição e a guerra psicológica e política que o então candidato à Presidência fez contra uma jornalista.

Os ataques eram pessoais e, alguns, do mais baixo nível – algo que vemos como prática regular de Trump e de outros políticos “inspirados” por ele. A história prossegue até 2016, quando vem à tona o processo da jornalista Gretchen Carlson (Nicole Kidman) contra Ailes.

Depois das práticas de assédio na Fox virem à tona, em 2017 foi a vez da atriz Alyssa Milano incentivar outras mulheres a usarem a #Me too para denunciar abusos envolvendo os homens poderosos de Hollywood – daí ganharam força as denúncias contra o produtor Harvey Weinstein.

Resumindo em poucas linhas os dois temas principais desta produção, fica evidente que as temáticas de Bombshell são mais que necessárias. O filme é importante por tocar nestes temas – assim como na linha editorial de um dos conglomerados de jornalismo mais poderosos do mundo. Mas a forma com que a produção foi conduzida me pareceu um tanto “forçada” e, ao mesmo tempo, previsível.

Vamos ver se consigo expressar o que eu senti em palavras… A parte forçada do filme com roteiro de Charles Randolph e direção de Jay Roach passa por duas questões. Primeiro, a indefinição do filme em fazer uma linguagem direta com quem está assistindo, algo que é mostrado no início da produção, e que torna aquele começo promissor, e, depois, a necessidade do roteiro de “juntar” em um mesmo enredo três histórias totalmente diferentes.

Quando Megyn Kelly nos apresenta a Fox “por dentro”, revelando os bastidores de um dos conglomerados de comunicação mais importantes dos Estados Unidos – e do mundo -, achei a pegada interessante. Edição ágil, roteiro com muitas informações em pouco tempo, e uma pegada crítica promissora. Mas isso não se sustenta no decorrer da produção. O que é uma pena.

Depois, a forma com que Randolph nos apresenta as outras duas personagens centrais desta trama, a jornalista que já teve mais relevância na Fox e que foi “escanteada” por ser independente demais, Gretchen Carlson, e a jovem jornalista republicana que deseja ganhar projeção dentro do canal de televisão, Kayla Pospisil (Margot Robbie), me pareceu um tanto “acidental” demais.

Colocar as três atrizes dentro de um elevador foi uma saída simplista e forçada. A narrativa linear da produção, com o seu desenvolvimento sem tanta originalidade depois daquele começo interessante, também torna Bombshell um tanto previsível demais. Mas esses são os “defeitos” da produção. Também acho que o filme poderia sair um pouco dos bastidores da TV e mostrar mais o contexto social da época – a produção começa fazendo isso, com a história de Trump, mas depois deixa isso de lado.

Para quem está na faculdade de Jornalismo ou para os profissionais da área, Bombshell tem um interesse evidente. Me incluo neste grupo. Interessante ver “a vida como ela é” dentro de uma grande corporação de comunicação. Não apenas no sentido da linha editorial que o meio defende, como ele está organizado, de que forma as decisões são tomadas e como se define a escala de poder mas, também, e tão importante quanto, como as relações são estabelecidas.

Como eu tenho 23 anos de experiência neste meio e já passei por diferentes grupos e empresas de comunicação, sei bem que nem todos os lugares são iguais entre si. Alguns são mais profissionais que outros. Em alguns lugares, de fato, o que interessa é a competência, a ética e a visão crítica que qualquer profissional da área deveria ter. Em outros o mais importante é o interesse da empresa, dos anunciantes e dos gestores que vivem em busca de uma fatia maior de poder.

Tive a sorte, e percebi isso assistindo Bombshell, de nunca ter sofrido assédio sexual no ambiente profissional como jornalista. Isso deveria ser o comum, uma jornalista trabalhar e ter oportunidades no mercado pela sua competência e não por transar com o chefe, mas vendo a esse filme percebi que nem sempre o óbvio é o que acontece.

Fiquei me perguntando, ao assistir esse filme, se é apenas nos Estados Unidos que Bombshell é (ou foi) uma realidade no jornalismo. Será que no Brasil tivemos ou temos casos do tipo? Se sim, será que as mulheres que foram coagidas e abusadas vão denunciar? Deveriam. Acho que nunca vivemos um tempo tão propício para isso.

Enquanto, por um lado, acho que evoluímos pouco na compreensão do que nos cerca e do que está além do nosso convívio diário, se por um lado aumentou a ignorância das pessoas e aumentou o extremismo de opiniões, por outro lado vivemos uma época diferenciada para a discussão das discriminações e dos abusos. Nunca se falou tanto da importância do respeito ao que é diferente e nunca se discutiu tanto a base desigual das nossas sociedades.

Parte da “culpa” disso está no trabalho da imprensa em falar sobre os assuntos relevantes para a sociedade e nas mídias sociais, que dão evidência e tornam relevantes temas que antes não eram tão debatidos. A identificação que um movimento como #Me too é capaz de provocar nas redes sociais é o que faz com que assuntos como este não se percam mais no debate público.

Apesar do lixo ter sido jogado no ventilador, como Bombshell revela, isso não impede que fiquemos impressionados com a forma com que os predadores sexuais dominavam os bastidores da TV. Uma mulher deveria ser âncora, repórter ou o que ela quisesse por sua competência e não por se submeter ao desejo destes vermes com algum grau de poder.

Mas outras questões acabam sendo levantadas com esta produção. Como a forma injusta em que o sistema está baseado, segundo a qual a ideia de que as mulheres – e o homens também – devem competir entre si para ter posições de destaque só faz com que elas se dividam e se separem. A competição fica evidente nesta produção e, de fato, ela acontece muito no meio jornalístico.

Alguns se deixam levar por esta competição e fazem o que é necessário para ter espaço e cada vez mais relevância na “cadeia alimentar” da imprensa. Outros tem uma visão de coletivo maior e sabe os momentos de se posicionar e de dizer não para essa forma de colocar todos contra todos. É preciso estar esperto para o que acontece. Mas Bombshell nos mostra que a lógica deste sistema nem sempre é fácil de ser contrariada.

Um exemplo interessante disso, nesta produção, é dado pela personagem de Megyn Kelly. Ela não ignora a denúncia de Gretchen Carlson mas, apesar de ter sofrido abusos também, resiste em contar a sua história. Uma das razões dela fazer isso, a meu ver, era a insegurança de achar que, se contasse a verdade sobre a sua própria história, muitos poderiam dizer que ela só chegou aonde chegou porque um dia tinha aceitado as investidas do predador sexual Roger Ailes.

Megyn deveria saber da sua competência e ter segurança sobre a trajetória que fez baseada em ética e em um trabalho bem feito. Mas a campanha que ela sofreu do candidato republicano e a repercussão que essa campanha teve afetou a autoestima da jornalista. Esse aspecto de Bombshell é interessante porque mostra como é delicado e complicado o trabalho do jornalista.

Os profissionais da área sempre tem um “telhado de vidro”. Ainda mais hoje em dia, com as redes sociais funcionando como verdadeiros tribunais populares. Mas Trump, como muito bem revela esta produção em seu início promissor, levou esta exposição para outro nível. Os ataques baixos dele, muitos deles desrespeitosos e agressivos, contra Megyn, tiveram um efeito muito negativo não apenas na carreira da jornalista mas, também, na sua autoestima.

Por esse lado, acho esse filme bastante atual e importante. No Brasil também vivemos uma era em que governantes atacam a imprensa e diversos jornalistas de uma forma abusiva e desrespeitosa. Ataques pessoais, algumas vezes baixos, tiram a razão de quem poderia ter algum argumento para apresentar. Isso só mostra um lado triste do nosso tempo.

Os dois temas principais de Bombshell, portanto, falam muito sobre o nosso tempo. Ambos levantam um debate interessante. Só achei que este filme começou com uma pegada interessante, bastante ágil, conversacional da protagonista com o público e em tom crítico que, depois, se perde um pouco. O contexto social da época fica para trás na medida em que o roteiro busca encaixar depoimentos de pessoas que sofreram abusos na Fox – tornando o filme ainda mais “documental”.

No geral, achei que a produção cumpre o seu papel de jogar luz em temas delicados que precisavam ser abordados. Mas isso não quer dizer que Bombshell seja competente enquanto cinema. O filme mistura formas diferentes de narrar a história, o que não facilita a experiência de quem assiste a produção. Também senti falta de um pouco mais de contextualização sobre a história daquelas pessoas que estávamos acompanhando.

Ao mesmo tempo, o filme faz o espectador refletir sobre como o sistema de competição separa as pessoas e abre espaço para injustiças e explorações. Megyn e outras jornalistas que poderiam falar sobre os abusos que aconteciam na Fox acabaram se calando com medo de serem demitidas ou terem as suas carreiras prejudicadas para sempre.

Esse ambiente competitivo estimula que algumas mulheres se “defendam” fazendo o jogo dos chefes ou da empresa, mesmo que isso vá contra os seus princípios ou contra outras mulheres. Alguns podem ver Bombshell e comentar que as mulheres que apoiavam Ailes eram ambiciosas ou que, “como todas as mulheres”, eram competitivas em relação à outras mulheres. Mas isso é uma grande besteira.

Aquelas mulheres foram convencidas, pelo próprio sistema – formado por uma sociedade em que os homens devem estar no comando -, que elas deveriam fazer o que era necessário para sobreviver. Para isso, elas deveriam ser “gratas” pelas oportunidades que tiveram e fazer o jogo que seus chefes lhe propunham. Mas quando uma mulher diz não para esse sistema e percebe que deve unir forças com as outras mulheres que passam pelos mesmos abusos, a realidade começa a mudar.

As lições de Bombshell são interessantes. Os bastidores da Fox e de parte do jornalismo americano, assim como o debate sobre como os jornalistas e a imprensa são tratados pelos governantes, também são relevantes e precisavam ser contados. Mas a forma da narrativa é que me pareceu um tanto descompassada e sem coerência. Isso prejudica um pouco a produção. Mas ela é interessante e merece ser vista, nem tanto por ser uma peça de cinema inspiradora ou marcante e sim por tratar de assuntos importantes e que rendem muito debate.

NOTA

8,3.

OBS DE PÉ DE PÁGINA

Escrevi demais sobre esse filme, eu sei. 😉 Há algum tempo eu comentei que falaria menos sobre os filmes nas minhas críticas. Seria mais direta, escreveria textos mais objetivos. Por incrível que pareça, eu não tinha muuuuita vontade de escrever sobre esse filme. Pela razões que comentei acima – ele não me chamou tanta a atenção assim. Mas quando comecei a escrever sobre essa produção, não consegui me conter por causa dos temas que ele aborda. Me perdoem.

Sobre o filme propriamente dito, achei a direção de Jay Roach correta e o roteiro de Charles Randolph um pouco “perdido”. Em que sentido? Ele conta a história inteira, é verdade. Aborda a questão política, envolvendo Trump e a imprensa, e a questão do assédio sexual contra as jornalistas e os bastidores “podres” da Fox – e de muitas empresas de jornalismo ou de outras áreas. Mas o que achei prejudicial no trabalho dele foi a forma com que ele conta essa história. Começa em um estilo, muda no meio do caminho e no final. Acho que o filme poderia ter uma pegada mais ousada do início ao fim – mas isso se perde enquanto a história avança.

Entre os aspectos técnicos da produção, destaque para a edição de Jon Poll e para a maquiagem feita pela equipe de 17 profissionais comandados por Karen Blynder, Claire Doyle, Jennifer Greenberg, Tara Lang, Randi Mavestrand, Lexx Staats e Richard Redlefsen. Esses são dois pontos que ressaltam muito na produção.

Também vale citar a direção de fotografia de Barry Ackroyd; a trilha sonora de Theodore Shapiro; o design de produção de Mark Ricker; a direção de arte de Christopher Brown; a decoração de set de Ellen Brill; e os figurinos de Colleen Atwood.

(SPOILER – não leia se você não assistiu ao filme). A história de Bombshell começa em 2015, quando as eleições americanas estavam nas suas primárias, avança repercutindo a perseguição de Trump contra Megyn Kelly através de suas mensagens via Twitter, e termina em 2016, quando Gretchen Carlson é demitida da Fox e resolve processar Roger Ailes, seguida de diversas outras jornalistas que fazem o mesmo.

Procurei mais informações sobre Megyn Kelly. Há diversos vídeos dela no YouTube – inclusive alguns que envolvem ela e Trump. Para quem quer saber mais sobre a jornalista e sobre outras profissionais que fizeram as denúncias que aparecem no filme, recomendo este vídeo no qual Megyn e outras jornalistas que foram retratadas em Bombshell falam sobre o filme. Elas aprovaram a produção, mas neste vídeo falam sobre trechos do filme que são pura fantasia.

Bombshell estreou em alguns cinemas nos Estados Unidos no dia 13 de dezembro de 2019. Quatro dias depois, o filme participou do Festival Internacional de Cinema do Rio de Janeiro. Depois, em janeiro, a produção participou do PAC Festival. E esses foram os únicos festivais nos quais o filme passou.

Em sua trajetória, Bombshell ganhou 21 prêmios e foi indicados a outros 50. Entre os prêmios que recebeu, destaque para o Oscar de Melhor Maquiagem e Cabelo; para o prêmio BAFTA na mesma categoria; para 10 outros prêmios de Maquiagem/Cabelo; 3 prêmios de Melhor Atriz para Charlize Theron; e para 3 prêmios de Melhor Atriz Coadjuvante para Margot Robbie.

Bombshell foi indicado em duas categorias do Globo de Ouro: Melhor Atriz – Drama para Charlize Theron e Melhor Atriz Coadjuvante para Margot Robbie. No Oscar, além de ganhar na categoria Melhor Maquiagem e Cabelo, o filme foi indicado nas categorias Melhor Atriz para Charlize Theron e Melhor Atriz Coadjuvante para Margot Robbie.

Vale citar algumas curiosidades sobre esta produção. (SPOILER – não leia se você não assistiu ao filme). A personagem de Margot Robbie é a única que não foi baseada em apenas uma história real. De acordo com os produtores, a personagem de Kayla Pospisil foi inspirada em diversas histórias de jornalistas que foram assediadas por Roger Ailes.

Segundo a atriz Margot Robbie, ela não percebeu que Bombshell tratava de assédio sexual no local de trabalho até que ela leu todo o roteiro. A revelação para a atriz, ao ler o texto, foi de que o assédio sexual inclui “avanços sexuais indesejados”. Até então ela achava que o assédio envolvia contato física. Só a o ler o roteiro de Bombshell ela percebeu que ele poderia envolver também o assédio verbal. Foi essa descoberta que fez ela querer participar do filme.

A atriz Nicole Kidman disse que foi Meryl Streep quem a convenceu a participar de Bombshell.

Falando do elenco de Bombshell, sem dúvida alguma as três atrizes de destaque na história, juntamente com John Lithgow, levam o filme nas costas. Entre as atrizes, as que se destacam são Charlize Theron, que está ótima e realmente modificada pela maquiagem, e Margot Robbie, que não conta com a maquiagem para modificar as suas feições mas está ótima também. Nicole Kidman faz um bom trabalho, mas sua personagem acaba tendo menos destaque no roteiro. E John Lithgow merece uma menção especial pelo excelente trabalho – que merecia ser indicado a diversos prêmios, a meu ver.

Além deles, vale comentar o trabalho de Allison Janney como Susan Estrich, advogada que defendeu Roger Ailes; Malcolm McDowell em uma super ponta como Rupert Murdoch, o todo-poderoso da Fox; Kate McKinnon como Jess Carr, a jornalista democrata e lésbica que acaba trabalhando na Fox apesar de ser contrária à linha da emissora; Connie Britton como Beth Ailes, esposa do vilão da história; Mark Moses como Bill Shine, outro executivo da Fox que abusava das mulheres; Mark Duplass como Doug Brunt, marido de Megyn Kelly; Ben Lawson e Josh Lawson, que são irmãos, interpretando os irmãos Lachlan e James Murdoch, respectivamente; e Jennifer Morrison em uma ponta como Juliet Huddy, uma das jornalistas procuradas por Megyn para fazer a denúncia contra Ailes.

Os usuários do site IMDb deram a nota 6,8 para esta produção, enquanto que os críticos que tem os seus textos linkados no Rotten Tomatoes dedicaram 206 críticas positivas e 87 negativas para esta produção, o que lhe garante uma aprovação de 70% e uma nota média de 6,72. O site Metacritic apresenta um “metascore” de 64 para esta produção, fruto de 27 críticas positivas, 18 medianas e uma negativa.

De acordo com o site IMDb, Bombshell teria custado US$ 32 milhões. Segundo o site Box Office Mojo, o filme fez, apenas nos Estados Unidos, quase US$ 31,6 milhões nas bilheterias. Nos outros mercados em que o filme estreou, ele fez mais US$ 22,1 milhões. No total, portanto, Bombshell teria conseguido faturar US$ 53,7 milhões. Não é um fenômeno de bilheteria, muito longe disso, mas deve ter pago os seus custos – ou perto disso.

Bombshell é uma coprodução dos Estados Unidos com o Canadá.

Antes de terminar, apenas para registro, como antes eu falei do Movimento #Me Too, acho interessante deixar aqui o artigo da Wikipédia sobre o assunto. Caso alguém não se lembre do tema.

CONCLUSÃO

Assisti a Bombshell porque o filme foi indicado em três categorias do Oscar 2020. Inicialmente, seja pelo diretor, seja pela história do filme, ele não me chamaria tanta a atenção. Mas ao assistir a Bombshell, percebi que esta era uma história que precisava ser contada. Nem por isso, contudo, acho esse filme excepcional. Muito longe disso. Bem realizado e com ótimas atrizes, Bombshell não escapa da classificação mediana. A condução da história torna o filme previsível e morno. A nota acima se justifica pela temática da produção e pela atualidade da história. Mas o filme em si é apenas razoável. Algumas vezes lhe falta um pouco de ritmo ou de conexão melhor entre as histórias. Mas a experiência acaba valendo por causa dos temas que a produção enfoca.

Por Alessandra

Jornalista com doutorado pelo curso de Comunicación, Cambio Social y Desarrollo da Universidad Complutense de Madrid, sou uma apaixonada pelo cinema e "série maníaca". Em outras palavras, uma cinéfila inveterada e uma consumidora de séries voraz - quando o tempo me permite, é claro.

Também tenho Twitter, conta no Facebook, Polldaddy, YouTube, entre outros sites e recursos online. Tenho mais de 20 anos de experiência como jornalista. Trabalhei também com inbound marketing e, atualmente, atuo como professora do curso de Jornalismo da FURB (Universidade Regional de Blumenau).

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