Three Billboards Outside Ebbing, Missouri – Três Anúncios para Um Crime


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Quando um crime brutal e absurdo acontece, as pessoas mais próximas exigem e querem justiça. Mas de que justiça, exatamente, estamos falando? Three Billboards Outside Ebbing, Missouri, parece repassar todos os filmes sobre familiares que buscam vingança e produções que trataram sobre a algumas vezes questionável polícia de algumas partes dos Estados Unidos.

Não deixa de ser um tanto irônico que este filme seja estrelado por Frances McDormand, a ótima atriz que fez história por viver justamente uma policial do interior no ótimo e já um tanto distante Fargo, de 1996. Essa nova produção é um filme bem escrito, com atuações condizentes e com um e outro questionamento que é muito bem-vindo nos dias de hoje em que tantas pessoas continuam acreditando que a vingança pode ser uma boa solução para a dor.

A HISTÓRIA: Três outdoors que há muito tempo não vêem a um anúncio novo. Grande parte de cada uma das publicidades, de décadas atrás, já desapareceu. Ninguém dá bola para aqueles outdoors porque ninguém dá bola para aquela estrada. Mas é por ela que Mildred (Frances McDormand) passa todos os dias. Em um destes dias, ela olha para aqueles outdoors de uma maneira diferente. E aí ela tem a grande ideia. Após dar uma ré, Mildred vê que os responsáveis pelos outdoors são da Companhia de Publicidade de Ebbing. E é para lá que ela vai. Mildred gasta as economias que tem para reservar por um ano aqueles outdoors e paga o primeiro mês adiantado. Tudo para denunciar o descaso da polícia local com a morte brutal de sua filha.

VOLTANDO À CRÍTICA (SPOILER – aviso aos navegantes que boa parte do texto à seguir conta momentos importantes do filme, por isso recomendo que só continue a ler quem já assistiu a Three Billboards Outside Ebbing, Missouri): Eis um filme no estilo “gente como a gente”. Afinal, quem nunca se colocou no lugar de alguém que perdeu uma pessoa próxima de forma brutal e que ficou indignado com a falta de uma resposta por parte das autoridades? Todos nós podemos entender essa indignação. Porque por mais que a pessoa “aceite” o que aconteceu com o passar do tempo, o desejo por um “mínimo de justiça” faz parte do desejo de qualquer pessoa.

Então sim, dá para entender a personagem principal desse filme e colocar-se no lugar dela. A indignação de Mildred com a falta de respostas a faz colocar o dedo na ferida da polícia local. E esse é outro ponto marcante do filme dirigido e escrito por Martin McDonagh. Ele sabe explorar muito bem algumas questões que estão arraigadas nos recônditos mais profundos da “alma americana”. Three Billboards se debruça sobre o “cowboy” típico do interior, questiona a ineficiência da polícia nesses locais e alguns comportamentos que ainda não foram expurgados daquela sociedade, como o preconceito racial.

Mas a boa sacada do filme não termina por aí. Three Billboards surfa a onda da indignação cívica muito bem. Esta produção tem a cara do nosso tempo. Afinal, a protagonista corajosa dessa produção, motivada por toda a sua indignação, resolve fazer algo a respeito. Primeiro, ela usa da sua inteligência. Sabe que a “propaganda é a alma do negócio” e que, muitas vezes, a polícia se incomoda mais com a imagem que ela tem do que com o número de casos resolvidos. Depois, claro, ela acaba radicalizando um pouco demais, e ultrapassando a fronteira do bom senso.

Mas, para fazer isso, ela tem um grande incentivo: o ótimo personagem do policial Dixon (Sam Rockwell). Ele incorpora, até um certo ponto de forma um tanto caricatural, todos os defeitos de um policial do interior americano metido a macho e a problemático. E o pior é que sabemos que existem policiais assim, e não apenas por aquelas altitudes. São homens com problemas sérios que utilizam uma farda para poder dar vazão para toda a sua insatisfação com a vida e com os outros. Tudo o que eles tem reprimido, a sua raiva e indignação, acaba sendo utilizada através de sua “autoridade” para colocar terror na cidade.

Esse personagem, que só não fica realmente caricatural por causa do talento de Rockwell e do ótimo texto de McDonagh, só coloca gasolina na até então pequena fogueira criada pela protagonista de Three Billboards. Enquanto o sujeito que tem o seu nome colocado no último outdoor, o chefe de polícia Willoughby (Woody Harrelson) mantém a cabeça no lugar e tem sensibilidade, inteligência e bom humor para lidar com a situação com elegância, Dixon mete os pés pelas mãos – especialmente quando Willoughby faz a sua “saída” magistral do cenário motivado por outras razões que não a publicidade indignada de Mildred.

Daí outra sacada interessante de McDonagh. (SPOILER – não leia se você ainda não assistiu ao filme). A protagonista desta produção descobriu algo que os mais atentos já perceberam nos dias de hoje: mais importante do que a ética e a consciência, para muitos, nos dias de reinado das redes sociais, o que interessa é a reputação, o que os outros pensam ou dizem sobre você. Claro que essa interpretação da realidade está distorcida e é equivocada, mas quantos, realmente, tem coragem e condições de pensar por conta própria?

Assim, para as pessoas daquela cidade do interior dos Estados Unidos, onde Mildred denuncia a ineficiência do chefe de polícia e de sua equipe em três outdoors, o que realmente importa é como ela colocou em dúvida toda a reputação da “encarnação” da segurança da cidade. Ora, ela não deveria ter feito isso com um cara “gente fina” como Willoughby, especialmente quando ele estava tão doente. Então as pessoas se compadecem do chefe de polícia, mas não da mulher que tem poucos amigos e que não adula ninguém e que apenas deseja uma resposta para a morte da filha?

Sim, é bem esse “senso de justiça” que vemos em muitas ruas e cidades mundo afora. As pessoas gostam de ter dois pesos e duas medidas, mesmo não admitindo isso. De que outra forma a figura de Willoughby pode ser considerada mais importante que Mildred na cidade de Ebbing, no Missouri, ou em qualquer outra parte? Com uma certa facilidade as pessoas “escolhem i, lado” e conseguem classificar umas pessoas como sendo melhores que outras. Mas quem, realmente, se importa em conhecer a história, os sentimentos e o que pensa a tal pessoa que eles gostam de atacar?

Vivemos em tempos complicados, em que muitas pessoas gostam de fazer esse tipo de classificação e de acabar com alguém apenas porque aquela pessoa não se enquadra no seu “modelo ideal”. Dessa forma, Three Billboards coloca o dedo em mais essa ferida exposta, em como a nossa sociedade – e não apenas a “do interior”, onde estão os “caipiras”, os “retrógrados” e outros tipos de classificação utilizadas para atacar e estigmatizar determinados grupos que não são homogêneos – acaba excluindo e julgando uma mulher “divorciada”, que não conseguiu “segurar o seu marido” e que criou os filhos sem o pulso firme que deveria.

Esse é o tipo de julgamento que se faz de uma pessoa como Mildred. Como ela não tem a preocupação de ser a pessoa que agrada a todos, muito pelo contrário, quase toda a cidade fica contra ela quando ela cobra uma atitude da polícia local. A forma com que ela faz isso e chama a atenção da imprensa para o caso da filha é genial, mas rapidamente todos se voltam contra ela por causa da condição de saúde de Willoughby.

Tudo teria acontecido com uma relativa “calma” e controle se Mildred não tivesse uma figura como Dixon e como o ex-marido dela, o também policial Charlie (John Hawkes), do lado oposto de sua busca por justiça. Dixon é um policial racista e violento que, quando não está ameaçando os outros, está na delegacia lendo gibi, comendo salgadinhos e fazendo nada. Ele tem uma mãe “típica” (interpretada por Sandy Martin) que lhe ajuda a ter as ideias mais imbecis e reprováveis possíveis.

Da sua parte, Willoughby parece ser o único sujeito centrado da história. Não por acaso ele tem tantos “fãs”. (SPOILER – não leia… bem, você já sabe). Claro que ele fica incomodado com a provocação de Mildred, mas, mais que isso, ele está incomodado por não ter como avançar na investigação da morte de Angela Hayes (Kathryn Newton). Ele encara por um bom tempo a luta contra um câncer agressivo, até que resolve terminar com a própria história por sua própria conta. Aí sim Dixon entra em parafuso e desperta uma reação de Mildred tão maluca quanto.

Dessa forma, e de maneira muito sutil, McDonagh mostra que a ciranda da violência nunca tem fim. E que pessoas boas acabam pagando caro apenas por entrar no caminho de pessoas cheias de raiva. Ainda que Mildred e Dixon pareçam tão diferentes, a violência que eles acabam alimentando e a busca por extravasar a própria insatisfação com as suas vidas e realidades os torna igualmente agentes do caos. McDonagh revela, para os mais atentos, como a violência apenas gera mais violência e que, no final, não importa quem seja punido, porque o que foi perdido nunca será recuperado.

Então volto a perguntar: será a vingança e a busca pela justiça sem medidas realmente o melhor caminho? Mildred até começou essa história cheia de razão, mas será que ela terminou da mesma forma? (SPOILER – não leia… bem você já sabe). O final desse filme não é conclusivo. E há, basicamente, duas formas de cada um “terminar” essa história. Ou Mildred e Dixon acabam perseguindo o suspeito que sabemos que não foi culpado pela morte de Angela e o matam porque, afinal, ele parece ter estuprado alguma menina em algum momento, como Dixon comentou, ou eles chegam até o endereço do alvo e simplesmente o deixam em paz. Voltam para a casa após uma viagem de busca, de redenção e de perdão.

A escolha pelo que acontece após a última cena terminar é de cada espectador. Da minha parte, acredito na segunda versão. Acho que Mildred e Dixon já gastaram boa parte da raiva que tinham e, depois de terem feito o que fizeram, de terem sentido a dor como sentiram e de provocarem o caos que causaram, eles estão em outro momento. Estão na fase de redenção, resignação e de perdão um do outro e dos demais. O processo de cura, me parece, para os dois, apenas começou, mas acho que eles vão seguir adiante. Sim, eu tenho uma tendência de pensar sempre positivo.

Mas mesmo que o final não tenha sido esse, mas aquela primeira opção… Three Billboards já serviu ao seu propósito de nos fazer pensar. Afinal, matar uma pessoa apenas por achar que ela fez algo errado com alguém em algum momento é realmente “buscar justiça” e/ou vingança? Se a resposta for sim, é porque no fundo o que as pessoas querem é cair na barbárie também. Matar alguém para dar vazão para a própria raiva e insatisfação. Isso, para mim, nunca será nem uma sombra de justiça. Será apenas a queda civilizatória, mais uma vez, na barbárie.

Three Billboards trata de tudo isso de forma magistral, com ação, emoção, humor, um belo roteiro, direção e atores inspirados. Sim, outros filmes, inclusive dos irmãos Coen, já trataram daquele mesmo cenário e de alguns desses mesmos personagens. Mas acho que o filme de McDonagh consegue avançar com um passo a mais em relação à maioria das produções do gênero. E isso não é pouca coisa. Para a nossa sorte.

NOTA: 9,5.

OBS DE PÉ DE PÁGINA: É fácil de perceber quando um filme é bem escrito. Quando ele tem dois “lados” muito bem delineados na história e quando esses dois lados provocam empatia e compreensão. Não é difícil entender a indignação, a revolta e o desespero que movem a protagonista de Three Billboards Outside Ebbing, Missouri, assim como não é difícil de entender os argumentos do seu “rival” inicial na trama, o chefe de polícia Willoughby. Quem nunca se colocou no lugar de uma mãe que perdeu um filho de forma brutal e que percebe que o crime não será resolvido? E quem não consegue compreender que existem limites para a lei e para a busca da justiça? Three Billboards apresenta estas duas realidades muito bem.

Apesar do filme ser tão cheio de qualidades, impossível não pensar em diversas outras produções, inclusive algumas dos irmãos Coen, que já pisaram exatamente aquelas terras. O interior dos Estados Unidos, com todas as suas particularidades, preconceitos e conflitos, volta e meia é bem explorado pelos realizadores de Hollywood. Sendo assim, apesar de ser muito bem escrito e realizado, esse Three Billboards não é, exatamente, inovador.

Mas, ainda que esta produção não “inventa a roda”, ela traz uma brisa nova para um gênero que já conhecemos. Então, o primeiro que merece o nosso aplauso é o diretor e roteirista Martin McDonagh. O trabalho dele é um dos principais trunfos dessa produção. Seja pelo texto inteligente, que equilibra diversos elementos muito bem, seja pela direção que privilegia o trabalho dos atores e que explora muito bem a paisagem interiorana.

Curioso que este é apenas o quarto filme dirigido por McDonagh. Ele estreou na direção com o curta Six Shooter, em 2004. Depois, estreou em longas com o interessante In Bruges, em 2008, comentado por aqui. E o terceiro filme dirigido por ele foi Seven Psychopaths. Como ele mistura uma pegada Tarantino, com uns toques de Soderbergh e dos irmãos Coen, acredito que ele apenas está começando a despontar. Deve nos surpreender muito ainda daqui para a frente.

Falando nos destaques dessa produção, impossível pensar esse filme sem a estrela de Frances McDormand. Essa atriz, tão valente e interessante na escolha de seus papéis, faz uma entrega incrível em Three Billboards. Aos 60 anos de idade, McDormand tem a chance de ganhar com Three Billboards o seu segundo Oscar.

Curioso que o primeiro foi ganho justamente por Fargo, um filme que tem muita relação com essa nova produção. É como se a policial de Fargo evoluísse para a versão de mulher mais empoderada, realista e anarquista de Three Billboards. Inclusive, sou franca, me deu vontade de rever Fargo… afinal, se passaram 21 anos desde aquela experiência de assistir a um dos filmes que fizeram a fama de McDormand e dos irmãos Coen. Por essa evolução da figura feminina e da atriz, sou franca em dizer, estou na torcida por Frances McDormand nesse Oscar. E, claro, pelo excelente trabalho dela nesse Three Billboards. Ela realmente é a alma do filme.

Ainda que Frances McDormand esteja perfeita em Three Billboards, ela não é o único nome de destaque da produção. Dois atores também estão ótimos e mostram como amadureceram com o passar do tempo. Destaco, claro, Sam Rockwell como o aloprado e bastante representativo Dixon, e Woody Harrelson como Willoughby. Eles interpretam dois perfis muito diferentes de policiais, mas que se completam, no fim das contas. Bonito como Willoughby acredita em Dixon de uma maneira que o próprio aprendiz de policial não acredita. Essa crença mostra como qualquer pessoa, por mais “torta” ou “errada” que seja, pode mudar de atitude se receber a confiança e a aposta necessária.

Os três atores roubam a cena cada vez que aparecem. Estão muito bem, realmente. Mas tem outros atores em papéis secundários que também fazem um bom trabalho. Destaque, nesse sentido, para Caleb Landry Jones como Red Welby, o gerente da empresa de publicidade que aceita a encomenda de Mildred; Kerry Condon em quase uma ponta como Pamela, secretária de Red; Lucas Hedges como Robbie, filho de Mildred que encara a indignação da cidade com o que a mãe fez na escola; Darrel Britt-Gibson como Jerome, um negro que já sentiu na pele a ignorância de Dixon e que ajuda Mildred com os outdoors; Zeljko Ivanek como o sargento que é o braço direito de Willoughby; Amanda Warren como Denise, amiga e colega de Mildred e uma de suas poucas aliadas; Abbie Cornish como a linda Anne, esposa de Willoughby; Sandy Martin muito bem como a mãe de Dixon; e Peter Dinklage como James, um amigo de Mildred que quer ser mais que um amigo.

Além deles, vale citar o trabalho de outros coadjuvantes: Jerry Winsett como Geoffrey, o “dentista gordo” que faz questão de dizer que é aliado de Willoughby; Kathryn Newton em uma super ponta como Angela Hayes; John Hawkes como o odioso Charlie, ex-marido violento e cretino de Mildred; Samara Weaving como Penelope, a namorada de 20 e poucos anos de Charlie; Clarke Peters como Abercrombie, o novo chefe de polícia que acaba colocando a casa em ordem; e Brendan Sexton III como o sujeito esquisito e ameaçador que vira o suspeito nº 1 de Dixon.

Entre os elementos técnicos desse filme, sem dúvida alguma o destaque vai para o roteiro e a direção competentes de Martin McDonagh. Depois, vale citar a boa direção de fotografia de Ben Davis; a trilha sonora de Carter Burwell; a ótima edição de John Gregory; o design de produção de Inbal Weinberg; a direção de arte de Jesse Rosenthal; a decoração de set de Merissa Lombardo; os figurinos de Melissa Toth; e a maquiagem de Susan Buffington, Leo Corey Castellano, Cydney Cornell, Jorie Mars Malan, Lindsay McAllister e Meghan Reilly.

Three Billboards estreou em setembro de 2017 no Festival de Cinema de Veneza. Depois, até janeiro de 2018, o filme participou de outros 31 festivais. Uma verdadeira maratona. Em sua trajetória, até agora, o filme colecionou 68 prêmios, sendo quatro deles no Globo de Ouro, e foi indicado ainda a outros 152 prêmios. Números impressionantes. No Globo de Ouro, o filme concorreu a seis prêmios, e ganhou os de Melhor Filme – Drama; Melhor Roteiro; Melhor Atriz para Frances McDormand; e Melhor Ator Coadjuvante para Sam Rockwell.

Um pequeno comentário sobre algumas cenas na reta final dessa produção. (SPOILER – realmente não leia se você ainda não assistiu ao filme). O diretor McDonagh deixa algumas imagens que podem nos fazer pensar na reta final de Three Billboards. Deixo claro aqui que são apenas suposições minhas, ok? Vocês não precisam concordar com elas. Tudo começa na ligação de Dixon para Mildred dizendo que o cara que ele tinha como suspeito não era o culpado. A impressão que eu tive é que Dixon estava prestes a estourar os próprios miolos quando Mildred deu a ideia deles viajarem no dia seguinte. E a mãe dele, afinal, estava viva ou morta? Pergunta que ficou sem resposta. A forma com que Mildred se despede do filho também dá a entender que ela pretende matar o cara que eles vão encontrar. Mas… por outro lado, ela diz que ela e Dixon devem decidir sobre o que farão no caminho. Sacadas interessantes do diretor, de deixar as motivações e a realidade dos dois personagens mais em aberto.

Agora, algumas curiosidades sobre essa produção. No início, a atriz Frances McDormand estava relutante em aceitar o papel de Mildred, mas ela acabou sendo convencida pelo seu marido, o diretor Joel Coen. Segundo a atriz, quando ela recebeu o convite para fazer Mildred, ela tinha 58 anos de idade. Daí ela pensou: “Mas mulheres do estrato socioeconômico de Mildred não esperam até os 38 anos para ter o primeiro filho”. Ela estava relutante, portanto, por causa da idade que ela tinha e para que a personagem não parecesse “forçada”. Mas aí o marido dela disse “Cale-se e faça o filme!”. Por causa dela ter ouvido o conselho, a atriz já coleciona 16 prêmios por seu desempenho como Mildred e tem sérias chances de ganhar o Oscar.

O diretor Martin McDonagh escreveu o papel de Mildred tendo a atriz Frances McDormand na cabeça. Realmente, o papel parece cair como uma luva para a atriz, que honra também a personagem. Um casamento perfeito.

Esta produção foi rodada em uma pequena cidade que fica nas montanhas do Estado da Carolina do Norte. O nome da cidade é Sylva. Muitos moradores locais aproveitavam os intervalos para tirar fotos e pedir autógrafo do ator Woody Harrelson, que atendia a todos de forma muito simpática – inclusive tocando uma guitarra de forma improvisada em uma pequena loja para alegria do povão local.

O filme que a mãe de Dixon está assistindo na TV, com Donald Sutherland, é Don’t Look Now, que foi comentado aqui no blog nesse texto. Essa mesma produção foi “homenageada” por McDonagh em In Bruges. Realmente, o filme dirigido por Nicolas Roeg é um verdadeiro clássico dos filmes de suspense/ação. Merece ser visto e revisto – fiquei com vontade de revê-lo, aliás.

A bandana que Mildred usa no filme é uma homenagem a outra grande produção, The Deer Hunter – de quem McDonagh e Sam Rockwell são grandes fãs.

McDonagh se inspirou a escrever o roteiro de Three Billboards após ver alguns cartazes sobre um crime não solucionado em uma viagem que fez na região do Alabama.

Three Billboards arrecadou pouco mais de US$ 30,6 milhões nos Estados Unidos e pouco mais de US$ 11,7 milhões nos outros países em que já estreou. Ou seja, até o momento, fez pouco mais de US$ 42,3 milhões. Uma boa bilheteria, mas nada extraordinário também.

Esse filme é uma coprodução dos Estados Unidos e do Reino Unido – esse último, o país natal de Martin McDonagh. Por ser um filme dos Estados Unidos, também, Three Billboards atende a uma votação feita há tempos aqui no blog e que pedia produções desse país por aqui.

Os usuários do site IMDb deram a nota 8,3 para esta produção, enquanto que os críticos que tem os seus textos linkados no Rotten Tomatoes dedicaram 259 textos positivos e 19 negativos para Three Billboards, o que garante para o filme uma aprovação de 93% e uma nota média de 8,6. Tanto a nota do IMDb quanto a do Rottent Tomatoes estão excelentes para o nível de exigência dos dois sites. O que demonstra como Three Billboards caiu no gosto popular e da crítica.

CONCLUSÃO: Quantos filmes em que um personagem foi buscar a justiça pelas próprias mãos você já assistiu? Será, realmente, que é esse tipo de filme que ainda faz sentido para a gente? Three Billboards Outside Ebbing, Missouri parece desarmar algumas bombas e mostrar que, apesar da indignação e da raiva serem combustíveis que podem ser bem utilizados, em algumas situações, é o perdão e a busca da compreensão do outro que realmente podem fazer a diferença. Um filme inteligente, com belas interpretações e com um final em aberto que deixa o desfecho ao gosto do freguês. Produção importante que caminha por trilhas já conhecidas mas que desvirtua alguns conceitos para fazer o público pensar.

PALPITES PARA O OSCAR 2018: Three Billboards Outside Ebbing, Missouri, é um dos filmes favoritos para a premiação da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood. Pelas indicações que já recebeu, em diferentes premiações, esse filme tem grandes chances de ser indicado em pelo cinco categorias das principais do Oscar 2018: Melhor Filme; Melhor Diretor, para Martin McDonagh; Melhor Atriz, para Frances McDormand; Melhor Ator Coadjuvante, para Sam Rockwell; e Melhor Roteiro Original.

Além destas categorias, o filme poderá concorrer ainda em outras mais “técnicas”, como Melhor Edição e Melhor Trilha Sonora. Ou seja, se o filme tiver um bom lobby, ele pode concorrer em até sete categorias. Mas em quantas ele realmente tem chances de ganhar? Essa pergunta já é um pouco mais difícil, porque tudo vai depender do potencial vencedor que cada um dos principais concorrentes desse filme terá na reta final da disputa.

Sem dúvida alguma os adversários a serem batidos são The Shape of Water, Dunkirk, Get Out e Lady Bird, com destaque para o primeiro e o último, que parecem estar crescendo nessa reta final para o Oscar. As maiores chances de Three Billboards Outside Ebbing, Missouri, parecem estar nas categorias Melhor Atriz, Melhor Ator Coadjuvante e, correndo um pouco atrás nestas outras duas, Melhor Filme e Melhor Roteiro Original. Só espero que o filme não saia da premiação de mãos abanando, porque ele merecia ao menos algum reconhecimento.

Entre os filmes que eu já vi, sem dúvida prefiro Three Billboards Ouside Ebbing, Missouri do que o “badalado” pela crítica Lady Bird. Ainda preciso ver The Shape of Water, mas entre os filmes que eu já assisti, eu não me incomodaria de I, Tonya ou Get Out surpreenderem, junto com esse Three Billboards Outside Ebbing, Missouri. Para o meu gosto, estes foram os melhores filmes que eu vi nessa temporada do Oscar.

Agora, levando em conta as bolsas de apostas e o meu gosto, eu diria que Three Billboards é o filme que está despontando como o meu favorito. Pelo andar da carruagem, apenas o filme do Guillermo del Toro pode desbancar a minha preferência pela produção de McDonagh. Estou curiosa para assistir a The Shape of Water e, em menor grau, aos outros filmes cotados para o Oscar. Veremos se algum deles vai mudar a minha preferência. 😉

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