Philomena


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Não existe paralelo ao amor de mãe. Pelo menos este é o caso de quem nasceu para isso, para dar uma nova vida. Philomena trata deste amor materno, e da busca incansável de uma mulher por encontrar o filho que foi retirado dela quando ele era muito criança. Mesmo com uma atuação de qualidade de Judi Dench, este filme é o mais fraco entre os concorrentes ao próximo Oscar. Assista apenas se gostar muito do tema ou se já tiver visto a todos os demais.

A HISTÓRIA: Logo no início avisa que o que veremos é baseado em fatos reais. Em seguida, vemos a Martin Sixsmith (Steve Coogan) ouvindo de seu médico, Dr. Robert (Nicholas Jones), de que todos os exames que ele fez estão ok. Mas no final o médico comenta que a mulher de Martin, Kate (Simone Lahbib) comentou que ele estaria levemente deprimido.

Martin diz que ele tem razões para isso, já que foi demitido e está desempregado, mesmo tendo sido acusado injustamente por dizer algo que não havia dito. O médico recomenda que ele comece a correr, e pergunta no que ele está trabalhando agora. Martin afirma que está querendo escrever um livro sobre a história da Rússia. Mas para a surpresa de Martin, em breve ele vai começar a trabalhar na história de Philomena (Judi Dench).

VOLTANDO À CRÍTICA (SPOILER – aviso aos navegantes que boa parte do texto à seguir conta momentos importantes do filme, por isso recomendo que só continue a ler quem já assistiu a Philomena): A primeira ideia que passou pela minha cabeça quando comecei a assistir a Philomena: mais um filme baseado em fatos reais? Sério? Este ano, nada menos que seis das 10 produções indicadas na categoria Melhor Filme no Oscar estão inspiradas em fatos que realmente aconteceram.

Passada esta “perplexidade” por este gênero estar predominando na premiação da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood, me joguei na história de Philomena. E apesar de dois detalhes interessantes e complementários, é justamente o roteiro do filme, escrito pelo ator e produtor Steve Coogan e por Jeff Pope, que trabalharam tendo o livro The Lost Child of Philomena Lee de Martin Sixsmith como base, que enfraquece a produção.

Respeito muito o trabalho do diretor Stephen Frears. Mas em Philomena ele apenas segue o básico do cinema. Tanto o diretor quanto os roteiristas apostam na fórmula básica para a plateia acompanhar a história. Mas o filme carece de profundidade, seja na dinâmica da produção (lhe falta uma boa reviravolta, por exemplo), seja na narrativa (não existe, verdadeiramente, nenhum momento de “fisgada” do espectador, para que ele possa se sentir identificado com os personagens ou realmente emocionado com a história).

Para começar, o protagonista desta produção, o jornalista envolvido com política Martin Sixsmith, não é exatamente um sujeito “adorável”. Esta qualidade, necessária para que a plateia torça por algum personagem, não está presente no trabalho do ator, roteirista e produtor Steve Coogan. Ele é sarcástico, desconfiado, sem fé, como “manda” o estereótipo de qualquer jornalista.

O personagem “adorável” fica com a outra protagonista da história, interpretada por Judi Dench. Mas daí que o filme sofre um pouco com esta protagonista. Primeiro, porque a atriz é fantástica, mas a personagem não ajuda com uma conduta fácil de conseguir aprovação. Vejamos.

Para começar, Philomena não pode ser considerada, exatamente, uma mulher corajosa. Por 50 anos ela escondeu o fato de que teve um filho na adolescência e que ele foi separado dela com a ajuda das freiras do local em que ela vivia. Se ela fosse uma “brava mulher”, não teria ido atrás do filho antes? Depois que ela viveu uma situação que muitas mulheres (e homens também?) podem considerar absurda.

Afinal, ela engravidou de um sujeito que conheceu em uma feira, com quem ela aparentemente nem chegou a namorar, e se submeteu às regras duras da Igreja após ter sido abandonada pela família mesmo sabendo que provavelmente perderia o primeiro filho. Há inúmeras histórias de mulheres que acharam uma alternativa para situações como esta, sem que elas tivessem que se “engolir” a perda de um filho que elas gostariam de criar. Outra situação, evidentemente, é daquelas mulheres que não gostariam de ficar com o primogênito.

Evidentemente que há que se dar um “desconto” para Philomena porque ela era muito jovem quando tudo aconteceu. Não quero, com os comentários até aqui, julgá-la. Afinal, ela foi uma vítima. Mas o que eu quero argumentar é que ela não é uma protagonista que facilmente sensibilize o espectador. E o mesmo acontece com Martin.

O roteiro de Coogan e Pope decidiu apresentar, primeiro, o personagem de Martin. Ex-assessor de imprensa do ministro de Transportes Stephen Byers, ele surge para o espectador em um momento delicado. Aparentemente, ele foi demitido após ser acusado por ter dito o que não disse. Mas o motivo de Martin aparecer logo e da forma com que é apresentado na história é mostrar como ele é um homem sem fé. Como ele mesmo diz, ele não acredita em Deus, e desconfia que Ele sabe disso.

Em seguida, somos apresentados à Philomena. Apesar dela ter bons motivos para “odiar” a Igreja, ela segue acendendo velas, rezando e com a sua fé inabalável. Em pouco tempo, o homem “descrente” e a mulher com fé inquebrantável vão começar a conviver. (SPOILER – não leia se você ainda não assistiu ao filme). Agora, esqueça o mundo de um alterando o do outro. Mesmo com as novas informações que vão surgindo, e que tornam o papel das freiras ainda pior, Philomena segue com fé e seguindo os ensinamentos cristãos, enquanto Martin permanece “indignado” e sem conseguir perdoar aqueles que cometeram os crimes focados nesta produção.

Como jornalista, achei curiosa a ironia de Martin sobre as “histórias de interesse humano”. Para ele, este tipo de história, que tratam da vida de pessoas que passaram por dificuldades e que podem ter esta vivência identificada por outros indivíduos são histórias sobre “pessoas de cabeça fraca, vulneráveis e ignorantes” escritas para serem lidas por pessoas com o mesmo perfil.

Evidentemente que eu não concordo com esta avaliação dele. Histórias de interesse humano são as melhores, aquelas que normalmente valem ser contadas. O restante é o “factual”, como chamamos, ou seja, notícias que registram fatos de relevância momentânea – ou até de interesse histórico, mas que será visto assim com o passar do tempo. Ainda que o “factual” também possa render histórias com uma pegada humanizada… Inicialmente, Martin olha para Philomena com superioridade. E ainda que ele não perca aquela postura, o protagonista acaba aprendendo um bocado com a simplicidade daquela mulher que segue atrás do filho 50 anos depois dele ter nascido.

Fora esta ironia, o filme parece uma história como outra qualquer que você já viu. A Igreja católica teve, aqui e ali, várias ações absurdas? Certamente. E não precisamos voltar para a Idade Média para saber disso. Claro que há gente pouco católica entre freiras e padres – afinal, como uma freira como Hildegarde (Barbara Jefford) pode achar justificável o que ela e suas contemporâneas fizeram?

Um dos ensinamentos básicos de Jesus é o amor e o perdão, então como julgar uma jovem que engravidou sem pensar na responsabilidade deste ato e puni-la daquela forma? Certamente aquelas ações não seguiram o exemplo de Jesus. Mas a Igreja, como todas as outras instituições que já foram criadas pela Humanidade, é feita de pessoas. E elas são falhas. Assim de simples.

Uma religião e uma instituição como a Igreja não pode ser julgada pelas falhas de alguns de seus participantes, por mais que estes erros sejam absurdos e que joguem contra os ensinamentos essenciais que ela prega. Isso é algo que Philomena é capaz de compreender, mas Martin, tão inteligente, sagaz e “respeitável”, não. Uma pena.

De qualquer forma, e para quem ninguém tenha dúvida, a freira Hildegarde deixa claro a sua motivação em ser cruel com aquelas jovens décadas passadas. Se ela se manteve virgem, sacrificando “os prazeres da carne”, por que as demais não foram capazes do mesmo sacrifício?

Esta “inveja” disfarçada de rigidez de princípios resume não apenas os atos daquela freira, mas de tantas outras que repassam as próprias frustrações para frente castigando diferentes perfis de pessoas – de estudantes em colégios de freiras até jovens que buscam pela santidade e convivem com elas.

Para mim, a melhor parte do filme é justamente aquela que mostra a diferença essencial entre os personagens. Enquanto Martin se indigna com Hildegarde – e a indignação é algo importante -, Philomena diz para a freira que a perdoa. E dá uma lição de sabedoria para Martin. Afinal de contas, nós sempre podemos escolher o que fazer com a injustiça e o mal que praticaram contra nós. Podemos alimentar o ódio e o rancor ou optar pelo perdão e pela compaixão. Cada um é responsável por esta escolha. Esta reflexão do filme justifica a nota abaixo.

Assim como a escolha corajosa de Philomena em revelar a própria história – para que outras mulheres, como ela, se sentissem mais acolhidas, e para que outras mulheres passassem a valorizar os próprios filhos e a não abrirem mão deles por nada, nem mesmo por uma forte cobrança de culpa cristã. Agora, querendo ou não, fica nesta história a mensagem de que engravidar e ter um filho deveria ser uma escolha responsável, feita tendo o amor como base, mas levando em conta também as condições dos pais para darem uma vida de oportunidades para o seu herdeiro.

E o que falar do restante da produção? O roteiro segue a linha de ir e vir do presente para o passado de Philomena, incluindo a ótica do filho Anthony/Michael (Sean Mahon) para quebrar a linha tradicional de passagem do tempo. Apesar de algumas belas imagens, mérito do diretor de fotografia Robbie Ryan, Philomena carece de um texto melhor. E fora Judi Dench, que normalmente apresenta um desempenho acima da média, os demais atores apenas cumprem o seu papel, sem nenhum destaque em especial. Um filme fraco, comparado com os outros desta safra de indicados ao Oscar.

NOTA: 7,5.

OBS DE PÉ DE PÁGINA: Philomena é um filme de dois atores. Judi Dench brilha em uma interpretação coerente com o perfil da protagonista. Mesmo afirmando isso, devo dizer que já vi a atriz em desempenhos melhores do que este. O outro nome forte da produção é o de Steve Coogan. Ele está bem, mas não chega a se destacar.

Além destes atores, vale citar o bom trabalho de Anna Maxwell Martin como Jane, a filha de Philomena que oferece a história da mãe para Martin; e o de Sophie Kennedy Clark como a protagonista quando adolescente. Outros atores tem papéis menores. Vale citar Peter Hermann como Pete Olsson, companheiro de Michael; Charlie Murphy como Kathleen, a melhor amiga de Philomena no período em que ela viveu com as freiras; Mare Winningham como Mary, menina que foi adotada junto com o filho de Philomena; e Michelle Fairley como Sally Mitchell, a editora que acompanha a investigação jornalística de Martin.

Da parte técnica do filme, sem dúvida alguma a trilha sonora é o que se destaca. Um ótimo trabalho de Alexandre Desplat – mais um, aliás, para a longa lista de excelentes trabalhos deste compositor. O roteiro ganha alguns pontos com certos diálogos, mas a dinâmica da produção deixa a desejar. Muito eficiente o trabalho da equipe liderada por Jay Price e Rachael Tate na edição de som – há sequências que ganham outro ritmo com o ótimo trabalho feito por eles. O editor Valerio Bonelli também cumpre bem o seu papel.

Funciona muito bem, também, a reconstituição de época (Irlanda nos anos 1950) e a caracterização do “tempo atual”, uma diferenciação necessária para a história e bem realizada pelo design de produção de Alan MacDonald; pela direção de arte de Leslie McDonald, Rod McLean e Sarah Stuart; pela decoração de set de Barbara Herman-Skelding e pelos figurinos de Consolata Boyle.

O diretor Stephen Frears, que entende bem do seu ofício, conseguiu capturar bem os diferentes estilos de imagens necessários para contar esta história. Fica clara a diferença de granulação quando vemos a um filme caseiro de Anthony/Michael ou quando somos transportados para os anos 1950 na Irlanda. O diretor também valoriza o trabalho dos atores, focando nas expressões deles quando há silêncio e “descobertas” do roteiro. Mais um bom trabalho, ainda que ele não seja fora da média.

Indiretamente, Philomena aborda diversos temas “cabeludos”: a diáspora irlandesa (leia-se a forçada imigração de irlandeses para os Estados Unidos e a Grã-Bretanha a partir do século 19, o que causou a resistência de extensas camadas das populações que receberam estas pessoas), a rejeição de gays nas equipes dos republicados nos Estados Unidos; as mortes causadas pela AIDS; a venda de crianças de jovens que não tinham sido orientadas a prevenirem a gravidez pela Igreja; e o empurra-empurra das instituições que “fecharam os olhos” para o comércio ilegal de crianças para apenas citar os temas principais.

Não tenho dúvidas que muitos dos assuntos tratados no parágrafo acima devem cair fundo na memória de algumas pessoas. Especialmente porque não foram poucas as mulheres que foram separadas do seus filhos à revelia. E, infelizmente, parece que este comércio ilegal de pessoas segue acontecendo.

Sobre a diáspora irlandesa, recomendo este texto da História Viva bem didático sobre o assunto.

Philomena estreou no Festival de Veneza em agosto de 2013. Depois de participar daquele evento, o filme passaria por outros 14 festivais. O próximo a figurar na lista será o Festival de Cinema de Belgrado, que começa no próximo dia 8 de março. Nesta trajetória, o filme recebeu 18 prêmios e foi indicado a outros 37, além de aparecer na lista do Oscar em quatro categorias.

Entre os prêmios abocanhados por Philomena, destaque para nove prêmios (!!) no Festival de Veneza, incluindo o de Melhor Roteiro; o de Atriz Britânica do Ano para Judi Dench entregue pelo Prêmio do Círculo de Críticos de Cinema de Londres; e o de Melhor Narrativa pela escolha popular no Festival de Cinema de Virgínia. Daqueles prêmios em Veneza, oito foram para Stephen Frears em eventos paralelos ao festival. Ou seja, até o momento, esta produção não recebeu nenhum dos principais prêmios do cinema.

Não há informações sobre o custo de Philomena, mas o filme conseguiu, até a última sexta-feira, dia 14, quase US$ 29,5 milhões apenas nos Estados Unidos. Nos outros mercados em que a produção já estreou o resultado está em cerca de US$ 46,7 milhões. Boas cifras para um filme que deve ter custado pouco.

Para quem gosta de saber sobre as locações, Philomena teve cenas rodadas em Rostrevor e Killyleagh, na Irlanda do Norte; em Potomac, Poolesville e em Washington, nos Estados Unidos; e em Londres, Oxfordshire e Harefield (cenas do convento), na Inglaterra. Dá até para fazer um roteiro de visitas para os interessados nas culturas inglesas e irlandesa. 🙂

Os usuários do site IMDb deram a nota 7,8 para a produção. Enquanto isso, os críticos que tem os seus textos linkados no Rotten Tomatoes dedicaram 155 textos positivos e 13 negativos para o filme, o que lhe garante uma aprovação de 92% e uma nota média 7,9. Desta vez, e isso é um pouco raro, a minha avaliação foi pior do que a média destes dois sites. De fato, esta produção não me envolveu e nem me tocou. E como cinema é interpretação e sentimento, deu no que deu. Que me perdoem os fãs desta história. 🙂

Philomena é uma coprodução do Reino Unidos, dos Estados Unidos e da França.

Com esta crítica, consigo um feito inédito aqui no blog: assistir a todos os indicados na categoria de Melhor Filme no Oscar antes da festa de premiação da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood. Levei sorte, assim como todos os brasileiros, por ter todos estes filmes em cartaz ou nas videolocadoras antes do dia 2 de março. E agora, meus bons leitores, vou atacar a lista de documentários. E os convido para acompanhar a cobertura da premiação do Oscar aqui no blog no dia 2.

CONCLUSÃO: Este filme apresenta pelo menos duas histórias. A primeira, a busca da protagonista pelo filho depois de várias décadas de separação. Depois, as diferenças entre dois mundos: daqueles que acreditam em Deus e vivem a vida dentro desta fé e aqueles que não. Existe apenas um momento que faz o filme valer o tempo gasto. Mas cá entre nós, isso é muito pouco. Perto dos outros indicados deste ano ao Oscar, Philomena parece um filme menor.

Ele não surpreende e nem emociona como poderia e/ou gostaríamos. Se não houvesse expectativa a respeito dele, talvez eu tivesse achado ele um pouco melhor. Não é o caso, já que a produção foi indicada a quatro estatuetas. Algumas vezes aparecer no Oscar pode ser prejudicial para uma produção – ainda mais se ela é fraca, como é o caso de Philomena.

PALPITES PARA O OSCAR 2014: Não deixa de ser surpreendente Philomena ter chegado a quatro indicações no Oscar. Outros filmes poderiam ter ocupado, tranquilamente, o lugar desta produção. Para ficar em um exemplo apenas, e digo isso sem ter assistido ao filme ainda, este seria o caso de Inside Llewyn Davis – afirmo isso levando em conta a filmografia dos diretores, os irmãos Ethan e Joel Coen.

Mas ok, aparentemente a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood gosta do produtor, roteirista e ator Steve Coogan. Talvez isso justificaria as quatro indicações de seu filme ao Oscar. Philomena concorre em Melhor Trilha Sonora, Melhor Roteiro Adaptado, Melhor Atriz (Judi Dench) e Melhor Filme.

Não vejo muitas chances de Philomena ganhar qualquer uma destas estatuetas. Vale lembrar que o filme foi indicado em três categorias do Globo de Ouro e não levou nada. Mas vamos tratar de cada uma das quatro categorias em disputa no Oscar.

Em Melhor Trilha Sonora, ele tem fortes concorrentes pela frente. Gostei muito da trilha de Her (comentado aqui) e do trabalho feito em Gravity (com crítica neste link). Não sei como estão as bolsas de apostas, mas acho que Gravity deve levar uma certa vantagem, até porque a trilha do filme é excepcional e fundamental para a história… ainda que eu não tenha conferido os elogiados trabalhos das trilhas de The Book Thief e, com alguma distância de diferença nas preferências, de Saving Mr. Banks. Agora, sem dúvida, a indicação de Philomena nesta categoria me parece a mais justa entre as quatro.

Depois, vejamos Melhor Roteiro Adaptado. Sem dúvida The Wolf of Wall Street (com crítica aqui) e 12 Years a Slave (com comentários neste link) são roteiros mais elaborados, ousados e bem escritos que Philomena. Mesmo Captain Phillips (comentado aqui) eu acho melhor – e ainda há Before Midnight, que muitos elogiaram, mas que eu ainda não assisti.

Na categoria Melhor Atriz, a excelente Judi Dench também corre por fora. Cate Blanchett, segundo as bolsas de apostas, é a franca favorita. Da minha parte, acho que tanto ela quanto Sandra Bullock poderiam, facilmente, ganhar a estatueta. Agora, se a Academia quiser consagrar Amy Adams, não seria totalmente uma surpresa – especialmente se o filme dela, American Hustle (comentado aqui) for abocanhando muitas estatuetas conforme os prêmios são entregues. Meryl Streep, apesar de hors concours, infelizmente concorre tão por fora quanto Dench.

E o que dizer da categoria Melhor Filme? Cada um com o seu gosto, devo ressaltar isso, mas francamente eu achei Philomena o último da lista para ser votado nesta categoria neste ano. Até American Hustle, do qual eu gostei menos que os demais, acho que tem mais detalhes técnicos e mereceria mais a estatueta pelo “conjunto da obra” do que Philomena.

Mas, sem dúvida, prefiro Her, The Wolf of Wall Street, 12 Years a Slave e até Gravity antes que Philomena – se fosse escolher um vencedor. Minhas preferências estão na ordem, com um certo empate técnico entre The Wolf of Wall Street e 12 Years a Slave na segunda posição. Entre os que correm por fora, acho Dallas Buyers Club (com crítica neste link), Nebraska (comentado aqui) e Captain Phillips também melhores. Além do meu gosto, acho impossível a Academia premiar Philomena – seja pela qualidade do filme, seja pelos outros concorrentes e a força maior de lobby deles. Se algo diferente acontecer, será a zebra do ano.

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2 comentários em “Philomena

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