Icarus – Ícaro

icarus

Um documentário que pretende ser algo e que muda totalmente de direção conforme os fatos se desenrolam. Uma história com requintes de suspense e de ação inesperados. Icarus é um filme que dificilmente vai deixar você incólume sobre os Jogos Olímpicos e grande parte do esporte profissional no mundo.

Da minha parte, de quem sempre admitiu ser uma grande fã das Olimpíadas, certamente eu não vou ver mais essa competição da mesma forma. Um documentário diferente e muito interessante que nos desvela teorias que apenas tínhamos esboçadas, mas sem nenhuma prova ou enredo para realmente comprovar as nossas suspeitas.

A HISTÓRIA: Começa apresentando a frase “Em uma época de mentiras universais, dizer a verdade é um ato revolucionário”, de George Orwell. Em seguida, ouvimos a vários trechos de áudios de vários atletas falando sobre doping, geralmente alegando a própria inocência. Em meio a eles, surge uma narração sobre a vontade de Lance Armstrong em vencer a Volta da França. Junho de 2014, em Boulder, Colorado. O diretor Bryan Fogel comenta que está se preparando para a prova para ciclistas amadores mais difícil do mundo.

Ele comenta que essa prova é uma mini Volta da França “para loucos” – ou seja, tem alguns dos mais difíceis trechos da competição para profissionais. O diretor explica que é ciclista amador há 28 anos, e que recorda de LeMond ganhando a Volta da França quando ele estava na sétima série – LeMond foi o primeiro americano a conseguir isso, o que incentivou Fogel. Amante do ciclismo, ele ficou fascinado por Armstrong, até que o herói se revelou falho ao admitir doping. E aí o diretor resolveu fazer um documentário sobre isso.

VOLTANDO À CRÍTICA (SPOILER – aviso aos navegantes que boa parte do texto à seguir conta momentos importantes do filme, por isso recomendo que só continue a ler quem já assistiu a Icarus): Estava com vontade de assistir a esse documentário desde o início do ano, quando vi que Icarus era um dos candidatos fortes ao Oscar 2018 de Melhor Documentário. Foi então que eu soube, de leve, que ele tratava sobre doping, mas isso foi tudo.

Quem me acompanha há algum tempo aqui no blog sabe que eu não gosto de ler sobre os filmes antes de assisti-los. Justamente para não ter a minha leitura afetada por outras análises. Mas foi impossível não saber sobre o tema de Icarus. Isso, no fim das contas, não afetou a minha experiência sobre o filme. Até porque eu não sabia o que esperar, exatamente, sobre uma produção com essa temática.

Por isso mesmo, achei Icarus surpreendente. Primeiro, porque o filme tem uma pegada de suspense e de “intriga policial” que não é muito comum em documentários. Na verdade, Icarus se assemelha mais a um filme de suspense ou policial, em alguns momentos, do que de um filme tradicional de documentário.

Isso acontece por causa da reviravolta que acontece na história. Como eu comentei no resumo da produção, inicialmente a intenção do diretor e ciclista apaixonado Bryan Fogel era demonstrar nele próprio como o doping é feito por atletas sem que eles sejam pegos por isso em exames antidoping. Por ter essa característica, este filme entra na lista de produções do tipo “diretor que faz um experimento” – a exemplo de Super Size Me, de Morgan Spurlock, e de vários outros documentários.

Bem, ao menos essa era a intenção de Fogel. Icarus começa desta forma, com o diretor explicando o seu fascínio sobre o ciclismo, comentando que ele pedala de forma amadora há 28 anos e que ele, após ficar chocado com a história do doping do ídolo Lance Armstrong, resolveu comprovar na prática como os exames antidoping são falhos.

Para isso, ele vai procurar um dos maiores especialistas nesta área, o americano Don Catlin – que aparece em uma das imagens em que Armstrong falou sobre o escândalo do doping envolvendo os ciclistas americanos. Inicialmente, Catlin dá entrevista para Fogel e fala categoricamente que todos os atletas daquela equipe se dopavam. Como ele mesmo diz, “Infelizmente as drogas funcionam”. E complementa afirmando que, com certo conhecimento, dá para passar pelos exames antidoping tranquilamente.

Uma prova disso é que o próprio Armstrong, apesar de tomar substâncias proibidas segundo a Wada (Agência Internacional Anti-Doping), nunca foi pego em cerca de 500 exames antidoping em sua carreira. O próprio Catlin fez cerca de 50 exames desse tipo com amostras da urina de Armstrong e nunca detectou nada. E olha que ele é um grande especialista no assunto. Por isso ele falou de maneira tão franca com Fogel que o antidoping não funciona.

Inicialmente, segundo o diretor, Catlin tinha topado ajudar o diretor em seu plano de fazer um doping controlado que visava melhorar o seu desempenho como atleta e, de quebra, passar nos exames antidoping. Assim, Icarus começa com Fogel falando do seu plano e participando, pela primeira vez, da Haute Route, a prova para ciclistas amadores mais difícil do mundo – ela reproduz, basicamente, os sete dias mais difíceis da prova Volta da França.

Pois bem, sem usar doping, Fogel participa da prova em 2014 e consegue um resultado excelente: o 14º lugar entre “440 masoquistas”, como ele mesmo chamou os participantes da disputa. Ele ficou, basicamente, atrás do pelotão de elite desse tipo de competição. Em seguida, a ideia dele era começar o “tratamento” de doping para, no ano seguinte, melhorar ainda mais o seu resultado na Haute Route.

Mas antes de começar a se encher de injeções e de começar a sua programação de doping, o diretor recebe um e-mail e algumas mensagens de Catlin afirmando que ele estava preocupado com o seu legado. Em outras palavras, ele pulou fora do projeto. Mas indicou uma pessoa que poderia ajudar o diretor nesse “plano de doping”: o russo Grigory Rodchenkov. Segundo Catlin, ele era um “velho amigo” e alguém que poderia auxiliar Fogel com conhecimento.

Justamente essa mudança de planos é o que acaba mudando totalmente essa produção. Quando Fogel começa a conversar com Rodchenkov, ele ainda está em Moscou, e vivendo tranquilamente. Mas tudo isso vai mudar de figura conforme o escândalo do doping russo começa a ser revelado. Como o diretor mesmo diz no filme, quando Catlin desembarcou do projeto e indicou Rodchenkov, essa ação “desencadeou toda uma cadeia de eventos”.

E foi verdade. Se, por um lado, as denúncias sobre o doping de atletas russos não foi provocada por Fogel, por outro lado o diretor teve um papel importante no desenrolar dos fatos envolvendo Rodchenkov. Assim, o filme do diretor acaba seguindo dois caminhos diferentes após todo o escândalo russo vir à tona.

Mas, antes, acompanhamos como Fogel trabalha em parceria com Rodchenkov para passar por um programa de doping e melhorar o seu desempenho físico em cerca de 20%. Ele chega também a participar do segundo ano da Haute Route, mas acaba tendo alguns problemas com a bicicleta – algo que não fica bem explicado no filme, na verdade -, o que lhe faz ter um desempenho bem pior do que no ano sem o programa de doping.

O importante, contudo, não era tanto ele se sair melhor na prova, mas apesar de fazer todo o programa de doping, não ser pego por isso. Realmente ele sai ileso. Mas logo estoura a bomba do doping russo. E aí sim o filme passa a ter dois caminhos totalmente diferentes daquele previsto inicialmente pelo diretor.

Por um lado, ele vira uma testemunha privilegiada dos acontecimentos envolvendo as investigações da trama governamental russa em favor do doping – ao menos conhecendo de perto a leitura dos fatos feita por Rodchenkov. Por outro lado, ele acaba sendo um personagem dos fatos a partir do momento que oferece “guarita” para o “amigo” que está se sentindo perseguido e ameaçado. E, assim, Fogel se torna personagem da trama do doping russo ao trazer para os Estados Unidos o controverso Rodchenkov.

Esses são alguns elementos que tornam Icarus tão interessante. Afinal, nunca poderíamos imaginar, no início do documentário, que ele trilharia caminhos tão diferentes. Questões sobre as quais só tínhamos ouvido falar e que pareciam um tanto “fantasiosas” e/ou parte de “teorias da conspiração”, como eram os rumores sobre estratégias de doping orquestradas por países para transformarem os seus atletas em “super-atletas”, a eliminação de desafetos orquestrado pelo governo russo e a vigilância estratégica do FBI sobre tudo que acontece nos Estados Unidos, são confirmadas nesse filme. E quem poderia esperar por isso?

Por tudo isso, Icarus acaba se transformando naquele estilo de filme que eu comentei antes, uma mescla de documentário com trama policial e de suspense. É assustador como Fogel destrincha os bastidores do esporte profissional manchado e corrompido pelo doping, assim como o envolvimento do governo russo no caso desvelado daquele país. Inevitável não imaginar que diversos outros países recorrem àquela mesma estratégia.

E aí sim, chego à reflexão principal que Icarus me despertou. Quem nos garante que grande parte dos resultados que vemos a cada quatro anos nos Jogos Olímpicos não acontecem porque os atletas estão “modificados” pelo doping? Como seguir acreditando na “superação humana” que as Olimpíadas simbolizam se boa parte dos resultados são obtidos através de fraude? Porque não existe outro nome para o doping. Esse é um tipo de corrupção, um tipo de fraude que termina com o princípio da igualdade entre todos.

Francamente, Icarus abalou o meu fascínio sobre as Olimpíadas. Porque desconfio que eu não vi e me emocionei apenas com medalhas fraudulentas de atletas russos, mas que isso ocorreu também com vários atletas de diferentes países. E isso não se restringe apenas às Olimpíadas, mas a diversas outras competições esportivas com atletas profissionais. Quem nos garante que boa parte daquelas pessoas não está atingindo novas marcas e recordes não por mérito e por superação das “limitações” humanas, mas por causa de drogas que não são permitidas pelos esportes?

Por tudo isso, esse filme mereceu o Oscar de Melhor Documentário. Porque apesar de termos muitos filmes importantes e que mexem em temas muito atuais, há tempos eu não assistia a um documentário que mexeu com toda uma estrutura de crenças sobre um determinado tema. Da minha parte, certamente eu vou assistir às Olimpíadas e a outras competições esportivas com outros olhos. Certamente, com muito mais desconfiança.

No geral, Fogel revelou um grande talento como narrador de um história. Ele conduz muito bem esse filme e envolve o espectador em todo o momento – especialmente quando a trama ganha aqueles requintes de filme policial. Muito bem editado, com uma trilha sonora envolvente e uma narrativa bem planejada, Icarus é um documentário que não cansa, apesar do tema um tanto árido.

Serve também de reflexão para o público, já que ele revela, mais do que outros filmes do gênero, o quanto o diretor pode interferir na realidade – todo documentarista faz isso, mas nem todos deixam esta questão tão clara como Fogel. Agora, para não dizer que o filme é perfeito, acho que Fogel falha em dois pontos. Primeiro, por não explicar e mostrar as negociações que ele teve com Catlin e, depois, com Rodchenkov, para que eles lhe ajudassem no projeto de fazer um programa de doping.

Depois, como fica evidente no filme, Fogel acaba ajudando Rodchenkov a fugir da Rússia e a se “esconder” nos Estados Unidos. O quanto ele gastou com isso? Fica apenas sugerido, mas não é exatamente explicado no filme, a proximidade que Fogel acabou tendo de Rodchenkov. Tudo indica que eles se tornaram amigos, mas essa foi realmente a única motivação do diretor para ajudar Rodchenkov? Foi por uma questão humanitária, já que realmente havia risco do russo ser morto pelo seu próprio governo?

Acho que o diretor deixa alguns fios soltos importantes. As negociações dele com os especialistas em doping é uma delas. A grana que ele gastou nesse projeto – e deixar claro se havia algum interesse por trás disso, além do interesse pessoal do diretor -, também é outro fator que poderia ter sido explicado.

Também senti falta de Icarus explorar um pouco mais outros casos e denúncias de doping, e não ficar restrito aos bastidores da denúncia da campanha de doping russa. Enfim, o filme é bem feito, tem um propósito bem claro e é corajoso, mas deixa algumas pontas soltas de forma desnecessária.

NOTA: 9,2.

OBS DE PÉ DE PÁGINA: Nesse ano, infelizmente, eu não consegui assistir a todos os filmes que concorreram na categoria Melhor Documentário do Oscar. Assisti apenas a Visages Villages (comentado aqui) e a esse Icarus. Os dois filmes são interessantes. E muito, muito diferentes entre si. Ainda que eu tenha gostado dos dois e veja que ambos tem a sua importância, sem dúvida alguma Icarus me surpreendeu mais e me pareceu mais relevante pela denúncia que ele faz do que o filme de Agnes Varda e JR.

Falando em filmes que eu vi, devo pedir desculpas para vocês. Na correria das últimas semanas, eu consegui atualizar pouco o blog. Tenho tido menos tempo para ver filmes e para escrever sobre eles. Mas nessa semana eu prometo publicar pelo menos duas críticas por aqui. Essa e mais uma. 😉 E quero ver se consigo voltar a essa boa prática de pelo menos duas publicações por semana. Não desistam de mim, viram? Grazzie!

Gostei da direção de Bryan Fogel. Ele soube conduzir bem a história e tornar a narrativa envolvente do início ao fim. Muda a direção do filme de maneira natural, sem parecer que foi uma mudança forçada. Fogel é um dos roteiristas da produção, que contou, ainda, para essa tarefa, com Jon Bertain, Mark Monroe e Timothy Rode.

Os destaques no filme vão para Fogel e Grigory Rodchenkov. Eles são os “personagens” principais dessa história. Mas também vemos em cena figuras conhecidas, que aparecem em imagens de TV, como Vladimir Putin, Thomas Bach, entre outros. Espero que Fogel ou outro(a) diretor(a) ainda façam um novo filme que mostre o doping de vários países – afinal, duvido muito que a Rússia seja o único a ter uma “política pública” de doping entre os atletas que representam o país nas Olimpíadas e em outras competições internacionais.

Entre os aspectos técnicos do filme, destaco a excelente edição de Jon Bertain, Kevin Klauber e Timothy Rode, e a trilha sonora envolvente e marcante em diversos momentos de Adam Peters. Também vale destacar a direção de fotografia de Timothy Rode e de Jake Swantko; e a direção de arte de Jon Bertain.

Icarus estreou em janeiro de 2017 no Festival de Cinema de Sundance. Depois, participou de outros quatro eventos e festivais de cinema. Em sua trajetória, o filme ganhou seis prêmios. Vale citar todos: Oscar de Melhor Documentário; prêmio Cinema Eye Honors na categoria The Unforgettables para Grigory Rodchenkov; Melhor Documentário Esportivo no Critic’s Choice Documentary Awards; Prêmio da Audiência no SummerDocs do Festival Internacional de Cinema de Hamptons; Prêmio Especial do Júri como Melhor Documentário no Festival de Cinema de Sundance; e Melhor Documentário dos Estados Unidos pela escolha do público no Festival de Cinema de Sundance em Londres.

Icarus foi o primeiro documentário que ganhou um Oscar e que foi distribuído exclusivamente por um serviço streaming. No caso, a Netflix, que comprou o filme após ele ter sido exibido no Festival de Cinema de Sundance.

Os usuários do site IMDb deram a nota 8,0 para esta produção, enquanto que os críticos que tem os seus textos linkados no Rotten Tomatoes dedicaram 39 críticas positivas e apenas três negativas para essa produção, o que lhe garante uma aprovação de 93% e uma nota média de 7,2. Os dois níveis de avaliação são muito bons – e acima da média dos dois sites. O site Metacritic apresenta para este filme um “metascore” de 68, com 14 críticas positivas, uma negativa e uma intermediária.

Icarus é uma produção 100% dos Estados Unidos. Por isso o filme passa a figurar na lista de produções que atendem a uma votação feita por aqui há um bocado de tempo.

CONCLUSÃO: A verdade muitas vezes é mais difícil de acreditar do que a ficção. Mas é preciso ter coragem para enfrentar essa verdade. Icarus é um filme potente, que nasce com uma proposta e que depois vira totalmente o foco para não perder a força de uma história que o acaso apresentou para o diretor. Um filme que nasceu com uma proposta particular de mostrar como o antidoping não é confiável, muda para uma intricada trama real de denúncias, negações e ameaças – veladas e subentendidas. Produção potente, dificilmente ela não vai mudar a perspectiva do espectador sobre os atletas profissionais. Merece ser visto e debatido. Bastante debatido.

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E o Oscar 2018 foi para… (cobertura online e todos os premiados)

Olá amigos e amigas do blog!

O tempo passou veloz, mais uma vez, e estamos aqui juntos para mais uma cobertura da premiação máxima da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood. O querido Oscar chega aos seus 90 anos. A safra desse ano é interessante, apesar de algumas produções bacanas terem ficado de fora de algumas categorias importantes.

Mas quem acompanha ao Oscar há algum tempo, sabe que é assim mesmo. Os votantes da Academia muitas vezes acertam, outra vezes, nem tanto. Por isso alguns dizem que o Oscar tem as suas injustiças e promove as suas consagrações. É uma forma de encarar o que vemos no Oscar. Eu já prefiro pensar que em cada ano temos uma “onda” e uma “bola da vez” da indústria do cinema dos Estados Unidos.

E que nós, que fazemos parte do público, estamos alheios a tudo isso. E que acabamos fazendo as nossas escolhas com base apenas nos nossos gostos, experiências dentro e fora do cinema, independente do lobby e dos “bastidores” da indústria – que, no final de contas, é o que define os premiados, e não o gosto popular.

Dito isso, o que podemos esperar do Oscar 2018? Eu acredito que teremos uma noite muito interessante, com discursos fortes e com alguns “dedos na ferida”. Especialmente porque Hollywood vive um momento interessante, em que se discute mais respeito entre os profissionais que fazem parte da indústria e em que, mais uma vez, se discute uma maior igualdade – seja de gênero, seja racial.

Assim, Hollywood, mais uma vez, mostra-se “vulnerável” em relação às discussões sociais que correm fora de seus muros e estúdios. O que é muito positivo. Como Hollywood também dita tendências, nada melhor do que debater assuntos importantes e, quem sabe, influenciar positivamente algumas mudanças na sociedade, não é mesmo? Como a imprensa e a TV tem as suas responsabilidades com a sociedade, o cinema também.

Mas o que esperar, mais especificamente, sobre a entrega das estatuetas douradas? Acredito que teremos uma edição 90º do Oscar com entregas pulverizadas. Por baixo, acredito que 12 filmes e três curtas serão premiados. Mas quem se consagrará mais? Tudo indica que Dunkirk receberá a maioria dos prêmios técnicos e que Three Billboards Outside Ebbing, Missouri, tem grandes chances de ganhar uma boa quantidade dos Oscar’s principais – incluindo Melhor Filme, Melhor Atriz, Melhor Ator Coadjuvante e Melhor Roteiro Original.

Three Billboards Outside Ebbing, Missouri, pode perder o Oscar de Melhor Filme para Dunkirk ou The Shape of Water; e pode perder o Oscar de Melhor Roteiro Original para Get Out. A verdade é que não temos um filme inquestionável este ano para dominar a premiação. Há vários filmes muito bons na disputa, por isso não seria injusto que muitos saíssem ganhando alguma estatueta.

Por outro lado, acho que algumas indicações foram exageradas. Da minha parte, eu não teria indicado Lady Bird, Darkest Hour ou The Post para Melhor Filme. Por outro lado, acho que mereciam ter sido indicados nessa categoria filmes como I, Tonya e The Florida Project, produções muito mais marcantes e “potentes” do que esses outros filmes que acabaram sendo indicados.

Estou acompanhando o tapete vermelho desde pouco antes das 20h. Até o momento, nada de muito relevante para destacar. Apenas uma presença feminina expressiva, e com as mulheres marcando posição sobre os abusos sexuais e o sexismo que ainda distribui muitas cartas em Hollywood. Mas diferente do Golden Globes, as pessoas estão variando os seus modelitos no Oscar, colocando cores variadas no tapete vermelho – ou seja, não está predominando o preto, como ocorreu no Golden Globes, quando astros e estrelas usaram essa cor para marcar posição em relação aos abusos.

Algo que posso comentar, sobre o tapete vermelho, é que todos os astros e estrelas que gostamos de ver, estão marcando presença na entrega da premiação desse ano. Das entrevistas que ouvi até agora, as 20h45, a que eu destacaria seria a de Christopher Plummer, que elogiou muito o trabalho de Ridley Scott, a forma com que o diretor consegue imaginar um filme complexo com muitos detalhes e como ele valoriza o trabalho dos atores. Plummer é uma das melhores qualidades do mediano All the Money in the World.

Vale lembrar que o apresentador do Oscar, mais uma vez, será Jimmy Kimmel. Devo dizer que a experiência com ele no ano passado foi um tanto desastrosa. Achei ele sem graça, um tanto forçado. Vejamos o que ele tira da cartola essa noite. O que esperamos é que ele não faça nenhuma grande besteira, que a premiação tenha um ritmo melhor cadenciado e que, claro, ninguém troque o envelope de Melhor Filme mais uma vez. 😉

Entrevistada no tapete vermelho, a atriz Helen Mirren falou do “furacão” que está varrendo Hollywood e a indústria do cinema nos últimos meses. Ela disse que acompanha mudanças progressivas, mas lentas, há 10 anos. Disse também que essas mudanças maiores que estão acontecendo agora poderiam ter vindo antes. Sem dúvida. Mas aí é aquela história: antes “tarde do que mais tarde”, não é mesmo?

O ator Bradley Whitford, de Get Out – um dos belos filmes de 2017 e que está concorrendo em quatro categorias -, comenta que existe ainda muito preconceito nos Estados Unidos e que o filme trata sobre como as pessoas se sentem no meio de outras pessoas que lhe são “estranhas”, e que isso vai de forma mais profunda do que apenas a questão racial. Verdade. O filme trata muito bem sobre isso, mas também é sim um filme potente sobre como os negros continuam sendo explorados – nos Estados Unidos e em várias outras latitudes – em pleno século 21.

Falando em desigualdade e afins, no Oscar desse ano eu espero que alguns latinos se saiam bem. O mexicano Guillermo del Toro é o favorito na categoria Melhor Diretor, e o chileno Una Mujer Fantástica tem grandes chances de ganhar como Melhor Filme em Língua Estrangeira. Eu torço pelos dois. Ambos merecem, e muito. Del Toro, nem tanto por The Shape of Water, mas por sua filmografia até aqui. Entre os cinco estrangeiros indicados, sem dúvidas o meu favorito é Una Mujer Fantástica.

A cerimônia do Oscar começa as 22h. Vamos ver como a premiação vai começar. Qual será o nível de besteirol de Jimmy Kimmel. Alexandre Desplat, que é um gigante das trilhas sonoras, comentou no tapete vermelho que já teve uma banda que tocava bossa nova. Ou seja, ele ama a música brasileira. Francês querido, além de muito, muito talentoso. Ele é o favorito para ganhar o Oscar dessa noite de Melhor Trilha Sonora.

E a premiação começou lembrando que o Oscar 2018 celebra os 90 anos da premiação. Como eles fizeram isso? Com uma narrativa imitando uma rádio antiga e as cenas todas em preto e branco. Uma bela sacada, devemos dizer. Jimmy Kimmel foi bem no começo no estilo “histórico”. O início da apresentação foi bem formal, até que ele tirou sarro do erro do Oscar de 2017. Sugeriu que ninguém se levante logo quando tiver o nome citado… 😉

Depois, explicou como a Academia trabalhou para evitar que um incidente como aquele de trocarem o vencedor do Melhor Filme aconteça novamente. Kimmel mandou bem ao tirar “sarro” da estatueta do Oscar, dizendo que ele é um bom exemplo por ter as mãos unidas em um local em que todos podem ver, por não falar nada grosseiro e por não ter um pênis, claro. Em seguida, ele falou da expulsão de Harvey Weinstein e da importância de Hollywood não deixar mais abusos “passarem” e acontecerem.

Sim, o Oscar não tratou com leveza o tema. A Academia resolveu falar abertamente sobre isso e também sobre pessoas que estão fazendo história na premiação desse ano, como Rachel Morrison, a primeira mulher da história a ser indicada na categoria Melhor Fotografia; e para Greta Gerwig, a primeira mulher a ser indicada como Melhor Diretora em muitos anos.

Entre os destaques citados por Kimmel, ele destacou as primeiras indicações de Margot Robbie e de Timothée Chalamet nas categorias principais de atuação – e tirou sarro que Chalamet estava perdendo os desenhos dele por estar na premiação. Sim, ele foi bem nas piadas. Melhorou em relação ao ano passado. Destacou também a 21ª indicação dela no Oscar, mas sem ser grosseiro.

Kimmel brincou que as pessoas terão toda a liberdade de fazer os seus discursos no Oscar 2018, mas que quem fizer o discurso mais curto, levará um jet ski. Hahahahaha. Muito bom!

E como manda o figurino e a tradição do Oscar, a primeira categoria entregue da noite foi Melhor Ator Coadjuvante. Em uma noite de celebração da história da premiação, um vídeo relembrou vários dos ganhadores e seus desempenhos brilhantes. O favoritíssimo desse ano é Sam Rockwell, de Three Billboards Outside Ebbing, Missouri. E o Oscar de Melhor Ator Coadjuvante foi para… Sam Rockwell.

No seu discurso, Rockwell agradeceu os seus colegas de elenco e os pais, por terem lhe passado tanto amor pelo cinema. Um querido, ainda mais porque terminou falando do seu love.

Na volta do intervalo, Kimmel brincou com os discursos longos. Disse que eles não vão subir a música para quem fizer um discurso muito longo, mas que o ator Lakeith Stanfield, de Get Out, vai entrar em cena gritando Get Out. Hahahahaha. Vamos combinar que as piadas estão melhores!

Em seguida, Armie Hammer e Gal Gadot apresentaram o Oscar de Melhor Maquiagem e Cabelo. E o Oscar foi para… Darkest Hour. Mais uma bola cantada e um favorito que levou o seu prêmio na noite. Realmente excelente o trabalho feito no filme nesse quesito. Uma das partes mais bacanas da noite veio na sequência, com a homenagem que fizeram para Eva Marie Saint, atriz com 94 anos de idade que apresentou os indicados em Melhor Figurino. E o Oscar foi para… Phantom Thread.

Achei fofo que Eva Marie Saint comentou que tem um pouco mais de anos que a Academia e que ela se sentia feliz de receber todo o carinho da plateia – ela foi aplaudida de pé – porque ela sentia muito a falta do marido, que morreu em 2017 após eles ficarem casados mais de 60 anos. Phantom Thread é outro favorito que ganha o seu Oscar. Os figurinos do filme são realmente incríveis. Seria injusto outro resultado. Até agora, o Oscar sendo bastante justo – e a cerimônia de entrega também bastante acertada. No tom certo.

Depois de mais um intervalo, Laura Dern e Greta Gerwig subiram ao palco para apresentar a categoria Melhor Documentário. O favorito é Faces Places, filme de Agnès Varda e JR. Veremos se teremos mais uma confirmação de um favorito recebendo o prêmio. E o Oscar foi para… Icarus. Eita! O filme que eu queria tanto assistir e não deu tempo… Agora, não terei mais jeito. Preciso ver. Ele trata do dopping no esporte, um tema tão importante e muito atual. Não dá para dizer que é uma zebra, porque o filme estava bem cotado também. Primeiro Oscar da Netflix nesse ano. 😉

“A importância de contar a verdade, hoje mais do que nunca”, disse Bryan Fogel, diretor de Icarus. Está coberto de razão. E não apenas pelo lado podre e de abusos do esporte, mas em toda as esferas. Precisamos falar disso. Em seguida, Mary J. Blige, primeira pessoa indicada por Melhor Canção e Melhor Atriz Coadjuvante em um mesmo ano, subiu ao palco para apresentar a música de Mudbound, “Mighty River”. Apresentação eletrizante, e com Blige dando um show particular. Linda música, muito bem apresentada e com uma encenação de palco também incrível.

Até o momento, o Oscar está dando um show. Muito melhor que em anos recentes. Bacana. Para os fãs do cinema, chega a ser um alívio. 😉 Dos filmes premiados até agora, eu só não assisti a Icarus. Acabei optando pelo favorito das bolsas de apostas e não cheguei a ter tempo de ver ao segundo colocado da lista… mas logo verei. Phantom Thread, apesar de ainda não ter rendido uma crítica por aqui, eu já assisti. Ele será o próximo a ser comentado.

Na volta de mais um intervalo, um novo vídeo sobre o encantamento do cinema, com várias cenas de produções fantásticas que fazem parte dessa arte centenária e que faz parte da nossa vida. “O cinema é uma máquina de empatia”, disse alguém no meio da sequência de cenas. Alguém tem uma definição melhor? Junto com essa, apenas que o cinema é arte pura. E que trata sempre sobre nós, nossos sonhos e vidas. Uma “máquina de empatia”, sem dúvidas. E o vídeo ainda deixou a mensagem da esperança. Importante nunca esquecermos dela.

Após o belo vídeo, que terminou com um agradecimento da Academia para o público que ajudou a fazer o cinema nessas últimas nove décadas, foram apresentados os indicados na categoria Melhor Edição de Som. E o Oscar foi para… Dunkirk. Favoritíssimo nessa categoria. E na próxima também, de Melhor Mixagem de Som. E o Oscar de Melhor Mixagem de Som foi para… Dunkirk. Essas duas premiações para Dunkirk eram bastante esperadas. O filme deve ganhar em mais alguma categoria técnica nessa noite, como Melhor Edição.

Depois de mais um intervalo, a Academia mostrou um resumo dos premiados na celebração que ocorre em paralelo, nas categorias técnicas. Em seguida, foram anunciados os indicados em Melhor Design de Produção. E o Oscar foi para… The Shape of Water. Outro favorito que saiu premiado. Esse deve ser o primeiro de alguns prêmios para o filme na noite.

Em seguida, Gael García Bernal apresentou outra música que está concorrendo na categoria Canção Original. Ele cantou “Remember Me”, do filme Coco. Na verdade, introduziu a canção, que foi apresentada realmente por Miguel e por Natalia Lafourcade. México mandando o seu recado.

Mais um intervalo, e na volta, Kimmel brinca com mais um prêmio para quem fizer o discurso mais curto – uma viagem para um lago onde o ganhador poderá usar o seu jet ski. Ok. 😉 Após uma apresentação de West Side Story, aparece no palco Rita Moreno. Ela fala da linguagem universal do cinema e apresenta os indicados na categoria Melhor Filme em Língua Estrangeira. A minha torcida vai para o chileno Una Mujer Fantástica. E o Oscar foi para… Una Mujer Fantástica. Oh yeah! Super merecido.

O diretor Sebastián Lelio foi lindo em seu discurso, especialmente por homenagear o elenco, dando destaque para Francisco Reyes e, principalmente, para Daniela Vega, que foi a inspiração para o filme. Em seguida, mais um vídeo cheio de mulheres poderosas em trabalhos marcantes do cinema. Que Oscar memorável, só por recordar de tantos momentos bacanas. Uma verdadeira viagem no tempo. Ah, o cinema…

Após o vídeo, Mahershala Ali apresenta as indicadas na categoria Melhor Atriz Coadjuvante. A minha favorita é Allison Janney, do ótimo I, Tonya. Veremos se ela leva. E o Oscar foi para… Allison Janney. Oba! Ela começou o discurso brincando ao dizer “Eu fiz tudo sozinha”. Arrancou risadas da plateia. Em seguida, ela agradeceu a toda a família de I, Tonya. Se vocês não assistiram ao filme ainda, assistam. Um dos melhores dessa temporada.

Depois do intervalo, uma apresentação feita por parte do elenco de Star Wars: The Last Jedi. Eles apresentaram os indicados na categoria Melhor Curta Animação. E o Oscar foi para… Dear Basketball. E eu estou devendo essa categoria para vocês, eu sei. Não consegui ver e comentar os curtas indicados desse ano, mas quem sabe eu ainda faça isso? Mesmo atrasada… me desculpem, mas a correria tem sido grande.

Realmente a Academia está cumprindo a sua promessa esse ano. Não estão subindo a música para apressar as pessoas. Deixaram Glen Keane, diretor de Dear Basketball, e Kobe Bryant, falarem em paz até o final. Muito bem! Em seguida, os indicados em Melhor Animação. O favoritíssimo é Coco. E o Oscar foi para… Coco. Bola cantadíssima. Em seu discurso, o diretor Lee Unkrich homenageou, claro, o México, afirmando que os Estados Unidos não seriam o país que eles são sem os mexicanos. Bacana. Coco é outro filme que ainda preciso assistir.

E uma das maiores provas que a Academia está avançando e acompanhando a sociedade, em seguida subiu ao palco a atriz transgênero Daniela Vega para apresentar outra música que está concorrendo na categoria Melhor Canção: “Mystery of Love”, de Call Me By Your Name, apresentado pelo compositor e cantor Sufjan Stevens.

Depois de mais um intervalo – sim, eles amam os comerciais 😉 – apresentaram os indicados a Melhores Efeitos Visuais. E o Oscar foi para… Blade Runner 2049. Opa! Essa foi um pouco uma surpresa. Fiquei feliz que Blade Runner 2049 ganhou, porque o filme merecia ao menos um Oscarzinho. Não badalaram muito a produção, mas a verdade é que é um filme interessante. Vale conferir.

Em seguida, o ator Matthew McConaughey subiu ao palco para apresentar os indicados na categoria Melhor Edição. E o Oscar foi para… Dunkirk. Previsível também. A expectativa era que esse filme ganhasse todas as categorias técnicas na qual estava concorrendo. Até agora, sem surpresa sobre isso. E ele ainda tem chances de levar Melhor Filme. Mas, para isso, terá que derrubar o favorito Three Billboards Outside Ebbing, Missouri.

Kimmel volta a cena para fazer uma boa piada sobre a categoria Melhor Edição. Ele disse que antes deles entrarem na sala escura de edição, Dunkirk era uma comédia romântica com Reese Whiterspoon. Hahahahaha. Ele realmente melhorou em relação ao ano passado. 😉 Na sequência, ele mostrou a plateia em um cinema que disse estar ao lado do Dolby Theatre e convidou uma comitiva de atores, atrizes e o diretor Guillermo del Toro para ir lá agradecer eles por “fazer o cinema”.

Na volta, Kimmel e Gal Gadot entram no cinema com alguns doces e falam que eles estão ao vivo no Oscar. Então a plateia da premiação e a do cinema acabam se vendo no telão. Kimmel brinca que há um grande cheiro de maconha no ar, e os outros astros entram em cena trazendo cachorros-quentes e mais doces. A brincadeira foi ótima. O povo do cinema realmente chocado.

Em seguida, foram apresentados os indicados a Melhor Curta Documentário. E o Oscar foi para… Heaven Is a Traffic Jam on the 405. Um resumo sobre esse curta vocês encontram nesse blog post em que falei sobre os indicados nessa categoria. Realmente parece interessante o curta. Em seguida, vieram os indicados da categoria Melhor Curta. E o Oscar foi para… The Silent Child. Eis outra categoria sobre a qual eu gostaria de ter feito um blog post. Quem sabe eu ainda não faça?

Achei muito legal que a roteirista Rachel Shenton fez o seu agradecimento na linguagem de sinais. Ela disse que prometeu isso para a atriz de seis anos que contracena com ela. O diretor Chris Overton agradeceu aos pais, que venderam cupcakes para que eles conseguissem terminar o filme. Essa é a vida real, minha gente. Muita gente lutando muito, muito mesmo para fazer cinema. Fiquei com ainda mais vontade de assistir a esse curta.

Na sequência, ouvimos a mais uma música indicada na categoria Melhor Canção. Dessa vez foi a vez de Common e Diane Warren arrasarem com “Strand Up for Something”. Canção eletrizante e muito bem interpretada e apresentada na premiação. Não por acaso a plateia ficou de pé. Bacana.

No retorno de mais um intervalo, Ashley Judd, Natalia Lafourcade e Salma Hayek subiram ao palco para falar sobre o movimento de igualdade que tomou conta de Hollywood. Então vários atores, atrizes e realizadores falaram sobre esse tema e sobre a importância de diversos filmes que estão rediscutindo o papel das pessoas originais no cinema. Sim, esse Oscar veio para marcar posição. E não teria como ser diferente, não é mesmo? Chegou a hora. Cinema não é só entretenimento. Quem acompanha esse blog sabe bem disso. 😉

Em seguida, os indicados na categoria Melhor Roteiro Adaptado. A minha torcida é por Call Me By Your Name. Essa é também a melhor chance desse filme. E o Oscar foi para… Call Me By Your Name. Aeeeehhhh!! Muito bom. Tenho certeza que os leitores do blog ficaram felizes com isso. E eu também. Realmente essa produção merecia.

O veteraníssimo James Ivory subiu no palco ajudado por uma bengala e agradeceu primeiro ao escritor André Aciman, afirmando que ele escreveu uma história sobre o primeiro amor, que muitas pessoas chegaram a vivenciar. Em seguida, agradeceu ao diretor Luca Guadagnino e ao elenco do filme. Que legal que o Ivory foi premiado. Há tempos ele merecia, mas esse foi o seu primeiro Oscar. Antes tarde do que mais tarde, pois.

Na sequência, a atriz Nicole Kidman apresenta os indicados na categoria Melhor Roteiro Original. Minha torcida fica entre Get Out e Three Billboards Outside Ebbing, Missouri. E o Oscar foi para… Get Out. Muito bem! Que bom que Get Out não vai sair de mãos vazias do Oscar. Ele não merecia. Um dos filmes mais originais dessa temporada. Nada mais justo do que o diretor e roteirista Jordan Peele ganhar essa estatueta dourada.

No retorno do intervalo, houve uma homenagem aos filmes que tratam sobre as batalhas que já foram travadas mundo afora em busca de um “mundo melhor”. Essa seria uma deixa para o Oscar 2018 premiar Dunkirk na categoria principal? Eu não me admiraria… Essa homenagem aos “homens e mulheres” que lutam nas Forças Armadas me pareceu um pouco deslocada do restante da premiação, mas beleza. Os Estados Unidos realmente adoram esse tema.

Na sequência, Sandra Bullock apresentou os indicados na categoria Melhor Fotografia. Disputa das boas, nesse ano. E o Oscar foi para… Blade Runner 2049. Opa, que legal! O grande Roger Deakins ganhou o seu primeiro Oscar depois de 14 indicações. Ele é responsável pela fotografia de grandes filmes que assistimos. Mais que merecido! E fico feliz também por Blade Runner 2049 ter sido premiado nessa noite.

Na sequência, ouvimos a última música da noite que concorre na categoria Melhor Canção. Interpretando “This Is Me”, Keala Settle soltou a voz e fez todos lembrarem do musical The Greatest Showman – mesmo que, como eu, não chegou a ver ao filme, apenas assistiu ao trailer. Essa filme é predominante na produção e acabou sendo bem marcante também na premiação do Oscar. Bastante vigorosa e contagiante. Settle deu um show.

Depois do intervalo e após um vídeo de The Deer Hunter, Christopher Walken apareceu em cena para apresentar os indicados na categoria Melhor Trilha Sonora. Ano com grandes concorrentes. Me arrisco a dizer, até, que esta é uma das categorias mais difíceis do ano. E o Oscar foi para… The Shape of Water. Alexandre Desplat realmente levou a estatueta para casa. Esse foi o segundo Oscar da carreira dele.

Na sequência, relembramos os indicados na categoria Melhor Canção. E o Oscar foi para… “Remember Me”, de Coco. Novamente um filme de animação dominando nessa categoria. Interessante. Na sequência, Jennifer Gardner apresentou o vídeo em homenagem aos falecidos no último ano. E quem cantou a música de homenagem? O meu querido, amado, Eddie Vedder. Bem, nem preciso dizer mais nada. Super emocionante. E para quem não assistiu a Into the Wild, com uma trilha de Eddie Vedder, super recomendo.

No retorno de mais um intervalo, a atriz Emma Stone apresentou os indicados a Melhor Diretor(a). E o Oscar foi para… Guillermo del Toro. Fico feliz pelo diretor, porque ele tem uma trajetória muito interessante, em primeiro lugar. Depois, por ser latino. The Shape of Water não é o melhor filme dele, mas algumas vezes o Oscar premia alguém que já deveria ter ganho antes por um filme “menor” depois. Sem problemas. Del Toro lembra que ele é um imigrante e que o cinema e a sociedade deveriam brigar pela inclusão. Ele merece como realizador, porque é um desses diretores com assinatura, com estilo e que faz suas produções com alma.

Até agora a noite foi muito boa para os latinos. O chileno Una Mujer Fantástica, Coco (sobre a cultura mexicana) e o mexicano Guillermo del Toro confirmaram os seus favoritismos. Bacana. Na volta do intervalo, Helen Mirren e Jane Fonda apareceram para apresentar o Oscar de Melhor Ator. O favoritíssimo é Gary Oldman. Vamos ver se mais essa bola cantada se confirma. E o Oscar foi para… Gary Oldman, de Darkest Hour.

Oldman agradeceu “profundamente” pela Academia e pelos seu votantes. Em seguida, falou de como viveu muito tempo nos Estados Unidos, falou da família, de ganhar o Oscar e de todos os que ajudaram ele na produção que lhe rendeu uma estatueta dourada. Agradeceu também a mãe, prestes a completar 99 anos de idade e que estava vendo ele no “sofá de casa”.

Na sequência, Jodie Foster e Jennifer Lawrence aparecem em cena para apresentar as indicadas na categoria Melhor Atriz. Foster, que apareceu de muletas, brinca que Meryl Streep deu uma de I, Tonya com ela. Momento engraçadinho. A favorita é Frances McDormand. Vamos ver se ela realmente leva. E o Oscar foi para… Frances McDormand. Oh yeah. Acho muito merecido. Ela está ótima no filme. E merecia mais que outras que estavam na disputa – especialmente Saoirse Ronan, festejada demais por Lady Bird.

Figura, ela fingiu que ia tropeçar e, depois, fingiu grande nervosismo. Agradeceu ao marido e ao filho e pediu para todas as mulheres indicadas se levantarem e se sentirem homenageadas com o Oscar dela, que ela colocou no chão. Ela comentou que todas essas mulheres tem histórias para contar e projetos para serem financiados. Brincou que os produtores não deveriam falar com essas mulheres na festa do Oscar, mas que depois deveriam chamá-las para conversar nos escritórios deles. Porque o que todos devem perseguir são roteiros de inclusão. Ela foi ótima. Um dos grandes momentos da noite, pela mensagem e pelo estilo “outsider”.

Finalizando a premiação, os apresentadores de Melhor Filme do ano passado – aquela entrega que deu o maior auê – voltam à cena. Faye Dunaway e Warren Beatty. Bela sacada de repetir os apresentadores. E quem vai levar Melhor Filme? Aposto em Three Billboards Outside Ebbing, Missouri, mas acho que pode rolar uma surpresa nesse final. Veremos… E o Oscar foi para… The Shape of Water. Ok.

O que dizer? Fico feliz pelo Guillermo del Toro. É um filme lindo, visualmente, mas a história não é tuuuuudo aquilo. Até porque o filme tem vários deslizes – vide a minha crítica por aqui – e, como muitos já falaram, repete várias e várias partes de outras produções, como Splash. Mas é o melhor filme do ano? Sem dúvida que não é. Assistam a todos os que concorreram – e ainda a I, Tony e a The Florida Project e depois me digam se The Shape of Water realmente é o melhor do ano.

Mas é isso aí. O Oscar pelo menos fez um grande trabalho em pulverizar os seus prêmios isso ano. Assim, muitos filmes bons saíram premiados, o que é muito mais junto e interessante do que apenas um filme “papar tudo”. Como eu previa, esse foi uma das premiações da Academia mais pulverizadas da história. Nada menos que 12 filmes foram premiados – além de três curtas. Independente se concordamos ou discordamos dos premiados, vamos seguir assistindo a belos filmes – inclusive os que a Academia nos “indica” a cada ano. Até a próxima, meus bons leitores!

Confira a lista com todos os premiados do Oscar 2018:

Melhor Filme: The Shape of Water

Melhor Ator: Gary Oldman (Darkest Hour)

Melhor Atriz: Frances McDormand (Three Billboards Ouside Ebbing, Missouri)

Melhor Ator Coadjuvante: Sam Rockwell (Three Billboards Outside Ebbing, Missouri)

Melhor Atriz Coadjuvante: Allison Janney (I, Tonya)

Melhor Diretor: Guillermo del Toro (The Shape of Water)

Melhor Animação: Coco

Melhor Filme em Língua Estrangeira: Una Mujer Fantástica

Melhor Documentário: Icarus

Melhor Roteiro Adaptado: Call Me By Your Name

Melhor Roteiro Original: Get Out

Melhor Fotografia: Blade Runner 2049

Melhor Figurino: Phantom Thread

Melhor Edição: Dunkirk

Melhor Design de Produção: The Shape of Water

Melhor Maquiagem e Cabelo: Darkest Hour

Melhor Edição de Som: Dunkirk

Melhor Mixagem de Som: Dunkirk

Melhores Efeitos Visuais: Blade Runner 2049

Melhor Trilha Sonora: The Shape of Water

Melhor Canção: “Remember Me” (Coco)

Melhor Curta: The Silent Child

Melhor Curta Documentário: Heaven Is a Traffic Jam on the 405

Melhor Curta Animação: Dear Basketball