Phantom Thread – Trama Fantasma

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O amor é um troço complicado. Especialmente quando tratamos do amor romântico, aquele que dilacera a pessoa, faz ela cometer atos até então impensados. Aquele amor que bagunça a tua vida e que muda a tua rotina. Digo que esse amor é complicado para não dizer que ele é aquela palavra que começa com F… Sim, porque ele é bem assim.

Phantom Thread, o último filme que me faltava para completar a lista dos 9 indicados na categoria Melhor Filme do Oscar 2018, me surpreendeu em alguns pontos e me tranquilizou em outros. Paul Thomas Anderson, diretor e roteirista de quem eu tanto gosto, continua mandando bem. Fiquei feliz (e tranquila) por isso.

A HISTÓRIA: Começa com um “depoimento” de Alma (Vicky Krieps), que diz que Reynolds (Daniel Day-Lewis) transformou os sonhos dela em realidade. Em troca, ela teve que entregar para ele tudo que ele desejava. Alguém lhe pergunta o que isso seria, e ela diz que cada pedaço dela. O seu interlocutor pergunta se ele é um homem exigente, e comenta que deve ser difícil estar com ele, e Alma diz que ele é, possivelmente, o mais exigente dos homens. Em seguida, vemos a Reynolds começando mais um dia, com todo o seu preparo para que ele esteja impecável.

VOLTANDO À CRÍTICA (SPOILER – aviso aos navegantes que boa parte do texto à seguir conta momentos importantes do filme, por isso recomendo que só continue a ler quem já assistiu a Phantom Thread): Eu gosto de filme que parecem uma coisa e, depois, se revelam outra. Inicialmente, Phantom Thread parece uma produção sobre um sujeito que é admirado por seu talento, dedicação extrema ao trabalho e pela arte que ele produz com a ajuda de uma equipe de mulheres talentosas.

Ou seja, inicialmente esse filme parece tratar do estilista Reynolds Woodcock (Daniel Day-Lewis) e de sua arte com o design e os detalhes de cada vestido incrível que ele cria para as mulheres endinheiradas da Europa. Mas aos poucos vamos vendo que essa produção trata, em realidade, de outro tema. (SPOILER – não leia se você não assistiu a essa produção). Phantom Thread fala do encantamento, da paixão, do amor e de como tudo isso pode ser usado para a criação, para a dedicação de uma pessoa pela outra (ou por algo) ou para a destruição.

Gostei, nessa produção, especialmente, do roteiro do diretor Paul Thomas Anderson. Ele acertou tanto na apresentação dos personagens principais, adentrando na vida, em especial, do protagonista, quanto acertou em cheio na construção de alguns diálogos muito marcantes. Percebe-se que ele cuidou de cada linha da história, sem descuidar de nenhum detalhe. E o efeito disso tudo é que o seu filme é potente e, ao mesmo tempo, sutil. Curioso, não?

Não são muitos os filmes que tratam com o devido respeito e talento personagens com personalidade forte. Aqui, temos de maneira evidente, desde o princípio, o “sol” da personalidade de Reynolds Woodcock, um sujeito realmente exigente, talentoso e que não consegue mostrar fragilidade em momento algum, exceto quando está sobrecarregado pelo trabalho. Algumas vezes, todo esse nível de exigência, faz com que ele seja cruel com as pessoas – especialmente com as mulheres que, para ele, são um bocado “descartáveis”.

Mas, um belo dia, quando ele sai de Londres para “espairecer” um pouco pelo interior, ele se encontra com um mulher de sorriso fácil e encantadora, a jovem Alma. Ela vira o novo objeto de desejo dele, e o encantamento entre os dois fica evidente logo na primeira troca de olhares. O que descobrimos em Phantom Thread, e aos poucos, como deve ser, é que Reynolds encontrou em Alma uma mulher tão forte, determinada e apaixonada quanto ele. Só que de outra forma.

Eu já esperava por um belo trabalho do grande Daniel Day-Lewis, um dos meus atores preferidos. Mas, quem diria, ele tem uma atriz tão boa quanto ele com quem contracenar nessa produção. Até assistir a Phantom Thread, Vicky Krieps era uma desconhecida para mim. Mas que bela atriz, meus bons amigos e amigas do blog! Ela é encantadora, charmosa, carismática, perigosa e forte na medida certa.

Então, no fim das contas, Phantom Thread trata de tudo que eu comentei antes, mas, especialmente, sobre os ganhos, perdas e o preço alto que o amor romântico e extremo pode cobrar das pessoas. (SPOILER – não leia… bem, você já sabe). Alma realmente ama Reynolds, e ele gosta dela. Mas para conseguir manter a relação entre os dois, Alma descobre que precisa fragilizar o ser amado quando ele não está preparado para isso – e quase até o ponto dele morrer. No fundo, ela se revela mais forte do que ele, porque ela pode viver sem Reynolds.

Esse é um ponto interessante do filme. Ambos podem viver um em o outro, mas eles decidem não fazer isso. Ela, porque está obstinada por ser a pessoa mais poderosa da relação. Ele, porque fica fascinado pelo ponto extremo em que ela chega por causa dele. Esse amor extremo que eles cultivam chega a ser doentio, além de perigoso. Mas quem somos nós, público que gosta de uma boa história, para julgá-los?

O título é algo interessante, também. Inicialmente, quando pensamos na palavra “trama”, em português, ela nos remete à ideia de “enredo”, de “história”. Mas, no caso desse filme, acho que a história tem mais a ver com a trama de tecidos, com a trama de fios que acaba sendo a base de um vestido ou de uma peça qualquer que nos veste e que ajuda a nos definir e/ou identificar os nossos gostos e escolhas para o mundo.

E o que seria o “fantasma” do título? Para mim, esse “fantasma” tem a ver com a presença da mãe na vida de Reynolds. Essa presença é marcante, não apenas quando ele se lembra e fala dela, mas, principalmente, quando o protagonista não nota que ela esteja presente. E a mãe está presente em todo o momento. Inclusive porque ele a idealiza, a coloca em um pedestal, e a torna insubstituível – por isso mesmo a sua dificuldade de aceitar qualquer mulher em sua vida por longo tempo.

Até conhecer Alma, Reynolds se considera um “solteiro convicto”. Há um diálogo precioso entre ele e Alma, quando ele fala sobre isso e sobre como “as expectativas e as suposições” sobre o outro trazem mágoas. Que frase, meus amigos! E essa é uma entre várias marcantes. Ele está certíssimo. Nos defendemos e nos isolamos justamente porque não queremos sofrer, e o sofrimento muitas vezes acontece por expectativas não atendidas e por suposições sobre o que os outros são ou fazem equivocadas.

Isso acontece com praticamente todo mundo. Em maior ou menor grau, a mãe e/ou o pai de uma pessoa marcam presença na vida dessa pessoa para sempre. Ela notando ou não. Esse “fantasma” pode ser uma presença suave, compreensiva, que apenas nos deixa menos “solitários”, ou pode ser uma presença tão grande, marcante e “pesada” que tira o espaço de outras pessoas que estão vivas e ao nosso redor. Para mim, esse é um dos pontos que essa produção trata de forma muito sutil.

Assim, essa produção trata de amor e trata também do que nos define, do que forma o nosso caráter e de elementos que ajudam a explicar o porquê de fazermos o que fazemos. É um filme bastante humanista, no final de contas. E muito belo também. Paul Thomas Anderson selecionou a sua equipe à dedo e conseguiu nos apresentar uma obra detalhista, atenciosa em cada detalhe, capaz de nos fascinar pelo visual e pelas palavras também selecionadas à dedo.

Enfim, um filme muito interessante e que nos surpreende positivamente por não ser pretensioso ou arrogante. Na verdade, Phantom Thread pode parecer mais simples do que é, para quem não estiver atento a cada detalhe. Mas ele é cheio de sutilezas e de pequenos detalhes, como os vestidos que Reynolds cria. Um filme provocante, atraente, e que faz pensar. Bem acima da média, pois, e merecedor de ter chegado ao Oscar 2018 com seis indicações, incluindo a de Melhor Filme.

NOTA: 9,4.

OBS DE PÉ DE PÁGINA: Uma obra de cinema pode ser chamada dessa forma quando percebemos que cada detalhe da produção foi cuidado com esmero. E isso acontece com esse Phantom Thread. Todos os elementos dessa produção são perfeitos. Nenhum precisa de ajustes. Isso começa com a trilha sonora marcante e inspirada de Johny Greenwood, segue com as linhas do roteiro minuciosamente escritas por Paul Thomas Anderson, segue com o trabalho dedicado e inspirador dos atores e segue até os figurinos maravilhosos de Mark Bridges.

Isso apenas para falar dos elementos mais marcantes dessa produção. Mas todos os detalhes estão perfeitos e ajudam a contar essa história. Entre os aspectos técnicos, sem dúvida alguma os figurinos e a trilha sonora se destacam. Mas é possível destacar também a direção de fotografia maravilhosa de Paul Thomas Anderson; a edição de Dylan Tichenor; o design de produção de Mark Tildesley; a direção de arte de Chris Peters, Denis Schnegg e Adam Squires; a decoração de set de Véronique Melery; e a maquiagem feita por 19 profissionais competentes.

Entre outros elementos, Phantom Thread nos faz pensar sobre as nossas próprias manias, hábitos, e sobre o quanto estamos ou não abertos a abrir mão deles ou ceder para que outras pessoas façam parte da nossa vida. É especialmente interessante, por exemplo, como o protagonista tem hábitos bastante “marcados”. Como o café da manhã, que se não for silencioso e pacífico, pode “acabar” com todo o seu dia. Alma acaba se adaptando à rotina dele, mas ela também acaba alterando essa rotina aqui e ali, de forma sutil. E é isso, essa presença marcante de Alma, que não está ali para agradá-lo apenas, mas também para confrontá-lo, que acaba fascinando Reynolds.

Não sei vocês, mas acredito que isso seja verdadeiro em diversos aspectos da nossa vida. As pessoas mais marcantes não são aquelas que nos agradam, que estão tentando nos fazer “felizes” o tempo todo, mas aquela que nos fazem crescer, que nos questionam, que nos “confrontam”, mas que mostram que tem opinião e que tem talentos próprios. Pessoas que não são capazes de viver sob a sombra de ninguém, porque tem luz própria. Essas são as mais interessantes, não há dúvidas.

E o que dizer dos atores? Paul Thomas Anderson fez a escolha certa ao dar destaque, essencialmente, para o trabalho de três atores. Todos esperavam um belo trabalho de Daniel Day-Lewis. Ele realmente faz mais um trabalho primoroso, detalhista e marcante. Como lhe é típico. Mas outros dois nomes, de mulheres, acabam se destacando na produção: Vicky Krieps como Alma e Lesley Manville como Cyril, irmã do protagonista. Interessante como elas, de forma sutil algumas vezes, outras vezes de forma bastante explícita, marcam presença e fazem duetos entre si. Esse trio de atores vale cada minuto em que eles aparecem em cena.

Além dos protagonistas e de Lesley Manville, Phantom Thread tem apenas alguns personagens coadjuvantes que ganham um certo destaque. Nesse sentido, vale comentar o trabalho de Camilla Rutherford como Johanna, a mulher que está com Reynolds no início da produção – mas que logo será despachada por Cyril a pedido de Reynolds; Gina McKee como Henrietta Harding, uma das clientes fiéis de Reynolds; Brian Gleeson como o Dr. Robert Hardy, que tenta atender Reynolds e que “entrevista” Alma naquela sequência inicial da produção; Lujza Richter como a Princesa Mona Braganza; Emma Clandon como a mãe de Reynolds e Harriet Sansom Harris como Barbara Rose, a socialite um tanto sem limites que “não merecia” ficar com um vestido de Reynolds.

Phantom Thread estreou em première em Beverly Hills no dia 24 de novembro de 2017. Depois, o filme fez uma trajetória em que passou por cinco festivais de cinema. Até o momento, ele ganhou 45 prêmios e foi indicado a outros 93 – incluindo a indicação em seis categorias do Oscar, sendo que o filme saiu vencedor de uma delas.

Entre os prêmios que recebeu, destaque para o Oscar de Melhor Figurino; para o BAFTA de Melhor Figurino; para outros oito prêmios de Melhor Figurino; para sete prêmios de Melhor Diretor para Paul Thomas Anderson; para 12 prêmios de Melhor Trilha Sonora; para dois prêmios de Melhor Filme; para um prêmio de Melhor Atriz para Vicky Krieps; para dois prêmios de Melhor Atriz Coadjuvante para Lesley Manville; para três prêmios de Melhor Roteiro Original e para quatro prêmios de Melhor Ator para Daniel Day-Lewis.

Agora, algumas curiosidades sobre essa produção. O diretor Paul Thomas Anderson teve a ideia de fazer esse roteiro em um dia em que estava doente e de cama por causa disso. A esposa dele, Maya Rudolph, estava cuidando do diretor quando ele percebeu que ela lhe lançou um olhar tão cheio de ternura e de amor como há muito tempo ele não notava. Daí surgiu a ideia de Phantom Thread. Interessante.

Paul Thomas Anderson disse que a linha preferida dele do roteiro é aquela dita por Daniel Day-Lewis: “O chá está saindo, mas a interrupção permanecerá aqui comigo”. Hahahaha. Realmente a linha é ótima. E arrancou algumas risadas da plateia no cinema em que eu fui conferir essa produção.

Para se preparar para o filme, Daniel Day-Lewis assistiu a gravações de desfiles de moda dos anos 1940 e 1950, estudou designers famosos, consultou com um curador de moda e de têxteis no Museu Victoria e Albert em Londres e aprendeu sobre Marc Happel, chefe do Departamento de Vestuário do New York City Ballet. O ator também aprendeu a costurar e tentou costurar um vestido de bainha “Balenciaga” para a esposa Rebecca Miller. Não por acaso esse ator é tão bom em seu ofício. Ele realmente mergulha no personagem, vive por ele, e isso se nota na telona.

A atriz Vicky Krieps não se encontrou com o ator Daniel Day-Lewis até o primeiro dia de filmagens. Ela também foi orientada a sempre referir-se a ele como Reynolds, durante as filmagens, para que ela nunca perdesse da mente o personagem. Curioso que mesmo na fase de divulgação do filme, muitas vezes a atriz se referiu a Day-Lewis como Reynolds.

O ator Daniel Day-Lewis disse que Phantom Thread é o seu último filme. No dia 20 de junho de 2017 ele anunciou a sua aposentadoria. O cinema perde um grande ator, sem dúvidas.

A história do designer de moda espanhol Cristóbal Balenciaga, incluindo a sua dedicação ao trabalho e a sua vida um tanto “monástica” inspirou o diretor e roteirista Paul Thomas Anderson na construção do protagonista desta história.

As filmagens de Phantom Thread terminaram no dia 26 de abril de 2017, mesmo dia em que o amigo e mentor de Paul Thomas Anderson, o diretor Jonathan Demme, faleceu de câncer. Phantom Thread é dedicado para Demme. Outro grande diretor, diga-se de passagem.

De acordo com as notas de produção, o roteiro de Paul Thomas Anderson teve uma grande participação do ator Daniel Day-Lewis. Tanto que o diretor disse que, provavelmente, o mais correto é que o ator tivesse recebido algum crédito por isso.

O diretor italiano Luca Guadagnino, de Call Me By Your Name (com crítica nesse link), considerou Phantom Thread o melhor filme de 2017. Enquanto isso, Paul Thomas Anderson disse, no Reddit, que o seu filme favorito no ano foi Call Me By Your Name. Sim, os dois filmes estão acima da média e estão entre as boas pedidas do ano, mas eu tive outros que me chamaram mais a atenção em 2017. Ainda assim, considero que ambos mereceram chegar bem no Oscar, por exemplo.

Seguindo uma tradição que Paul Thomas Anderson lançou e seguiu nos seus três filmes anteriores, os materiais publicitários de Phantom Thread apresentam cenas que não vemos na versão final da produção. Achei essa ideia ótima, afinal, muitas vezes os trailers estragam a nossa experiência dos filmes aos nos apresentarem cenas que não deveríamos ver fora de contexto.

Phantom Thread não cita nenhuma data, mas há algumas indicações na história que apontam que ela teria ocorrido entre maio de 1953, quando um cliente compra um vestido de gala para uma Coroação e outubro de 1954, data de uma revista UK Vogue que aparece na reta final da produção. Interessante pensar que essa história se passa nos anos 1950, especialmente pelo que acontece com os atores – e pela força da personagem feminina Alma.

Algumas sequências desse filme foram rodadas nas aldeias de Lythe e de Staithes, que estão próximas de Whitby, na costa leste da Inglaterra.

Esse filme é uma coprodução do Reino Unido com os Estados Unidos.

Os usuários do site IMDb deram a nota 7,8 para esta produção, enquanto que os críticos que tem os seus textos linkados no Rotten Tomatoes dedicaram 246 críticas positivas e 23 negativas para esta produção, o que garante para Phantom Thread uma aprovação de 91% e uma nota média de 8,5. Especialmente as notas dos dois sites chamam a atenção – elas estão bem acima da média.

De acordo com o site Box Office Mojo, Phantom Thread fez pouco mais de US$ 20,7 milhões nas bilheterias dos Estados Unidos e cerca de US$ 20,7 milhões nas bilheterias dos outros países em que estreou até 11 de março. No total, portanto, essa produção acumula pouco mais de US$ 41,4 milhões. Um dos melhores resultados já obtidos por um filme de Paul Thomas Anderson. Fico feliz pelo diretor. E também porque o filme merece ser visto.

CONCLUSÃO: Um filme sobre um tipo de amor sobre o qual parte da Humanidade nunca vai vivenciar. Ou conhecer. Ou mesmo “roçar”. Phantom Thread trata de um desses amores descabidos, que começam com uma grande admiração, flerte, e que avançam para um desejo que não tem muitas barreiras. Um filme bem narrado, com uma condução bem cadenciada, ótimas interpretações e, principalmente, alguns diálogos preciosos.

Fico feliz em ver que o diretor Paul Thomas Anderson continua centrado, escrevendo bem, e nos lançando algumas ideias interessantes. A provocação dele é sempre bem-vinda. Um belo filme. Um dos mais contundentes sobre a “loucura” do amor que tivemos a possibilidade de ver nos últimos tempos.

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E o Oscar 2018 foi para… (cobertura online e todos os premiados)

Olá amigos e amigas do blog!

O tempo passou veloz, mais uma vez, e estamos aqui juntos para mais uma cobertura da premiação máxima da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood. O querido Oscar chega aos seus 90 anos. A safra desse ano é interessante, apesar de algumas produções bacanas terem ficado de fora de algumas categorias importantes.

Mas quem acompanha ao Oscar há algum tempo, sabe que é assim mesmo. Os votantes da Academia muitas vezes acertam, outra vezes, nem tanto. Por isso alguns dizem que o Oscar tem as suas injustiças e promove as suas consagrações. É uma forma de encarar o que vemos no Oscar. Eu já prefiro pensar que em cada ano temos uma “onda” e uma “bola da vez” da indústria do cinema dos Estados Unidos.

E que nós, que fazemos parte do público, estamos alheios a tudo isso. E que acabamos fazendo as nossas escolhas com base apenas nos nossos gostos, experiências dentro e fora do cinema, independente do lobby e dos “bastidores” da indústria – que, no final de contas, é o que define os premiados, e não o gosto popular.

Dito isso, o que podemos esperar do Oscar 2018? Eu acredito que teremos uma noite muito interessante, com discursos fortes e com alguns “dedos na ferida”. Especialmente porque Hollywood vive um momento interessante, em que se discute mais respeito entre os profissionais que fazem parte da indústria e em que, mais uma vez, se discute uma maior igualdade – seja de gênero, seja racial.

Assim, Hollywood, mais uma vez, mostra-se “vulnerável” em relação às discussões sociais que correm fora de seus muros e estúdios. O que é muito positivo. Como Hollywood também dita tendências, nada melhor do que debater assuntos importantes e, quem sabe, influenciar positivamente algumas mudanças na sociedade, não é mesmo? Como a imprensa e a TV tem as suas responsabilidades com a sociedade, o cinema também.

Mas o que esperar, mais especificamente, sobre a entrega das estatuetas douradas? Acredito que teremos uma edição 90º do Oscar com entregas pulverizadas. Por baixo, acredito que 12 filmes e três curtas serão premiados. Mas quem se consagrará mais? Tudo indica que Dunkirk receberá a maioria dos prêmios técnicos e que Three Billboards Outside Ebbing, Missouri, tem grandes chances de ganhar uma boa quantidade dos Oscar’s principais – incluindo Melhor Filme, Melhor Atriz, Melhor Ator Coadjuvante e Melhor Roteiro Original.

Three Billboards Outside Ebbing, Missouri, pode perder o Oscar de Melhor Filme para Dunkirk ou The Shape of Water; e pode perder o Oscar de Melhor Roteiro Original para Get Out. A verdade é que não temos um filme inquestionável este ano para dominar a premiação. Há vários filmes muito bons na disputa, por isso não seria injusto que muitos saíssem ganhando alguma estatueta.

Por outro lado, acho que algumas indicações foram exageradas. Da minha parte, eu não teria indicado Lady Bird, Darkest Hour ou The Post para Melhor Filme. Por outro lado, acho que mereciam ter sido indicados nessa categoria filmes como I, Tonya e The Florida Project, produções muito mais marcantes e “potentes” do que esses outros filmes que acabaram sendo indicados.

Estou acompanhando o tapete vermelho desde pouco antes das 20h. Até o momento, nada de muito relevante para destacar. Apenas uma presença feminina expressiva, e com as mulheres marcando posição sobre os abusos sexuais e o sexismo que ainda distribui muitas cartas em Hollywood. Mas diferente do Golden Globes, as pessoas estão variando os seus modelitos no Oscar, colocando cores variadas no tapete vermelho – ou seja, não está predominando o preto, como ocorreu no Golden Globes, quando astros e estrelas usaram essa cor para marcar posição em relação aos abusos.

Algo que posso comentar, sobre o tapete vermelho, é que todos os astros e estrelas que gostamos de ver, estão marcando presença na entrega da premiação desse ano. Das entrevistas que ouvi até agora, as 20h45, a que eu destacaria seria a de Christopher Plummer, que elogiou muito o trabalho de Ridley Scott, a forma com que o diretor consegue imaginar um filme complexo com muitos detalhes e como ele valoriza o trabalho dos atores. Plummer é uma das melhores qualidades do mediano All the Money in the World.

Vale lembrar que o apresentador do Oscar, mais uma vez, será Jimmy Kimmel. Devo dizer que a experiência com ele no ano passado foi um tanto desastrosa. Achei ele sem graça, um tanto forçado. Vejamos o que ele tira da cartola essa noite. O que esperamos é que ele não faça nenhuma grande besteira, que a premiação tenha um ritmo melhor cadenciado e que, claro, ninguém troque o envelope de Melhor Filme mais uma vez. 😉

Entrevistada no tapete vermelho, a atriz Helen Mirren falou do “furacão” que está varrendo Hollywood e a indústria do cinema nos últimos meses. Ela disse que acompanha mudanças progressivas, mas lentas, há 10 anos. Disse também que essas mudanças maiores que estão acontecendo agora poderiam ter vindo antes. Sem dúvida. Mas aí é aquela história: antes “tarde do que mais tarde”, não é mesmo?

O ator Bradley Whitford, de Get Out – um dos belos filmes de 2017 e que está concorrendo em quatro categorias -, comenta que existe ainda muito preconceito nos Estados Unidos e que o filme trata sobre como as pessoas se sentem no meio de outras pessoas que lhe são “estranhas”, e que isso vai de forma mais profunda do que apenas a questão racial. Verdade. O filme trata muito bem sobre isso, mas também é sim um filme potente sobre como os negros continuam sendo explorados – nos Estados Unidos e em várias outras latitudes – em pleno século 21.

Falando em desigualdade e afins, no Oscar desse ano eu espero que alguns latinos se saiam bem. O mexicano Guillermo del Toro é o favorito na categoria Melhor Diretor, e o chileno Una Mujer Fantástica tem grandes chances de ganhar como Melhor Filme em Língua Estrangeira. Eu torço pelos dois. Ambos merecem, e muito. Del Toro, nem tanto por The Shape of Water, mas por sua filmografia até aqui. Entre os cinco estrangeiros indicados, sem dúvidas o meu favorito é Una Mujer Fantástica.

A cerimônia do Oscar começa as 22h. Vamos ver como a premiação vai começar. Qual será o nível de besteirol de Jimmy Kimmel. Alexandre Desplat, que é um gigante das trilhas sonoras, comentou no tapete vermelho que já teve uma banda que tocava bossa nova. Ou seja, ele ama a música brasileira. Francês querido, além de muito, muito talentoso. Ele é o favorito para ganhar o Oscar dessa noite de Melhor Trilha Sonora.

E a premiação começou lembrando que o Oscar 2018 celebra os 90 anos da premiação. Como eles fizeram isso? Com uma narrativa imitando uma rádio antiga e as cenas todas em preto e branco. Uma bela sacada, devemos dizer. Jimmy Kimmel foi bem no começo no estilo “histórico”. O início da apresentação foi bem formal, até que ele tirou sarro do erro do Oscar de 2017. Sugeriu que ninguém se levante logo quando tiver o nome citado… 😉

Depois, explicou como a Academia trabalhou para evitar que um incidente como aquele de trocarem o vencedor do Melhor Filme aconteça novamente. Kimmel mandou bem ao tirar “sarro” da estatueta do Oscar, dizendo que ele é um bom exemplo por ter as mãos unidas em um local em que todos podem ver, por não falar nada grosseiro e por não ter um pênis, claro. Em seguida, ele falou da expulsão de Harvey Weinstein e da importância de Hollywood não deixar mais abusos “passarem” e acontecerem.

Sim, o Oscar não tratou com leveza o tema. A Academia resolveu falar abertamente sobre isso e também sobre pessoas que estão fazendo história na premiação desse ano, como Rachel Morrison, a primeira mulher da história a ser indicada na categoria Melhor Fotografia; e para Greta Gerwig, a primeira mulher a ser indicada como Melhor Diretora em muitos anos.

Entre os destaques citados por Kimmel, ele destacou as primeiras indicações de Margot Robbie e de Timothée Chalamet nas categorias principais de atuação – e tirou sarro que Chalamet estava perdendo os desenhos dele por estar na premiação. Sim, ele foi bem nas piadas. Melhorou em relação ao ano passado. Destacou também a 21ª indicação dela no Oscar, mas sem ser grosseiro.

Kimmel brincou que as pessoas terão toda a liberdade de fazer os seus discursos no Oscar 2018, mas que quem fizer o discurso mais curto, levará um jet ski. Hahahahaha. Muito bom!

E como manda o figurino e a tradição do Oscar, a primeira categoria entregue da noite foi Melhor Ator Coadjuvante. Em uma noite de celebração da história da premiação, um vídeo relembrou vários dos ganhadores e seus desempenhos brilhantes. O favoritíssimo desse ano é Sam Rockwell, de Three Billboards Outside Ebbing, Missouri. E o Oscar de Melhor Ator Coadjuvante foi para… Sam Rockwell.

No seu discurso, Rockwell agradeceu os seus colegas de elenco e os pais, por terem lhe passado tanto amor pelo cinema. Um querido, ainda mais porque terminou falando do seu love.

Na volta do intervalo, Kimmel brincou com os discursos longos. Disse que eles não vão subir a música para quem fizer um discurso muito longo, mas que o ator Lakeith Stanfield, de Get Out, vai entrar em cena gritando Get Out. Hahahahaha. Vamos combinar que as piadas estão melhores!

Em seguida, Armie Hammer e Gal Gadot apresentaram o Oscar de Melhor Maquiagem e Cabelo. E o Oscar foi para… Darkest Hour. Mais uma bola cantada e um favorito que levou o seu prêmio na noite. Realmente excelente o trabalho feito no filme nesse quesito. Uma das partes mais bacanas da noite veio na sequência, com a homenagem que fizeram para Eva Marie Saint, atriz com 94 anos de idade que apresentou os indicados em Melhor Figurino. E o Oscar foi para… Phantom Thread.

Achei fofo que Eva Marie Saint comentou que tem um pouco mais de anos que a Academia e que ela se sentia feliz de receber todo o carinho da plateia – ela foi aplaudida de pé – porque ela sentia muito a falta do marido, que morreu em 2017 após eles ficarem casados mais de 60 anos. Phantom Thread é outro favorito que ganha o seu Oscar. Os figurinos do filme são realmente incríveis. Seria injusto outro resultado. Até agora, o Oscar sendo bastante justo – e a cerimônia de entrega também bastante acertada. No tom certo.

Depois de mais um intervalo, Laura Dern e Greta Gerwig subiram ao palco para apresentar a categoria Melhor Documentário. O favorito é Faces Places, filme de Agnès Varda e JR. Veremos se teremos mais uma confirmação de um favorito recebendo o prêmio. E o Oscar foi para… Icarus. Eita! O filme que eu queria tanto assistir e não deu tempo… Agora, não terei mais jeito. Preciso ver. Ele trata do dopping no esporte, um tema tão importante e muito atual. Não dá para dizer que é uma zebra, porque o filme estava bem cotado também. Primeiro Oscar da Netflix nesse ano. 😉

“A importância de contar a verdade, hoje mais do que nunca”, disse Bryan Fogel, diretor de Icarus. Está coberto de razão. E não apenas pelo lado podre e de abusos do esporte, mas em toda as esferas. Precisamos falar disso. Em seguida, Mary J. Blige, primeira pessoa indicada por Melhor Canção e Melhor Atriz Coadjuvante em um mesmo ano, subiu ao palco para apresentar a música de Mudbound, “Mighty River”. Apresentação eletrizante, e com Blige dando um show particular. Linda música, muito bem apresentada e com uma encenação de palco também incrível.

Até o momento, o Oscar está dando um show. Muito melhor que em anos recentes. Bacana. Para os fãs do cinema, chega a ser um alívio. 😉 Dos filmes premiados até agora, eu só não assisti a Icarus. Acabei optando pelo favorito das bolsas de apostas e não cheguei a ter tempo de ver ao segundo colocado da lista… mas logo verei. Phantom Thread, apesar de ainda não ter rendido uma crítica por aqui, eu já assisti. Ele será o próximo a ser comentado.

Na volta de mais um intervalo, um novo vídeo sobre o encantamento do cinema, com várias cenas de produções fantásticas que fazem parte dessa arte centenária e que faz parte da nossa vida. “O cinema é uma máquina de empatia”, disse alguém no meio da sequência de cenas. Alguém tem uma definição melhor? Junto com essa, apenas que o cinema é arte pura. E que trata sempre sobre nós, nossos sonhos e vidas. Uma “máquina de empatia”, sem dúvidas. E o vídeo ainda deixou a mensagem da esperança. Importante nunca esquecermos dela.

Após o belo vídeo, que terminou com um agradecimento da Academia para o público que ajudou a fazer o cinema nessas últimas nove décadas, foram apresentados os indicados na categoria Melhor Edição de Som. E o Oscar foi para… Dunkirk. Favoritíssimo nessa categoria. E na próxima também, de Melhor Mixagem de Som. E o Oscar de Melhor Mixagem de Som foi para… Dunkirk. Essas duas premiações para Dunkirk eram bastante esperadas. O filme deve ganhar em mais alguma categoria técnica nessa noite, como Melhor Edição.

Depois de mais um intervalo, a Academia mostrou um resumo dos premiados na celebração que ocorre em paralelo, nas categorias técnicas. Em seguida, foram anunciados os indicados em Melhor Design de Produção. E o Oscar foi para… The Shape of Water. Outro favorito que saiu premiado. Esse deve ser o primeiro de alguns prêmios para o filme na noite.

Em seguida, Gael García Bernal apresentou outra música que está concorrendo na categoria Canção Original. Ele cantou “Remember Me”, do filme Coco. Na verdade, introduziu a canção, que foi apresentada realmente por Miguel e por Natalia Lafourcade. México mandando o seu recado.

Mais um intervalo, e na volta, Kimmel brinca com mais um prêmio para quem fizer o discurso mais curto – uma viagem para um lago onde o ganhador poderá usar o seu jet ski. Ok. 😉 Após uma apresentação de West Side Story, aparece no palco Rita Moreno. Ela fala da linguagem universal do cinema e apresenta os indicados na categoria Melhor Filme em Língua Estrangeira. A minha torcida vai para o chileno Una Mujer Fantástica. E o Oscar foi para… Una Mujer Fantástica. Oh yeah! Super merecido.

O diretor Sebastián Lelio foi lindo em seu discurso, especialmente por homenagear o elenco, dando destaque para Francisco Reyes e, principalmente, para Daniela Vega, que foi a inspiração para o filme. Em seguida, mais um vídeo cheio de mulheres poderosas em trabalhos marcantes do cinema. Que Oscar memorável, só por recordar de tantos momentos bacanas. Uma verdadeira viagem no tempo. Ah, o cinema…

Após o vídeo, Mahershala Ali apresenta as indicadas na categoria Melhor Atriz Coadjuvante. A minha favorita é Allison Janney, do ótimo I, Tonya. Veremos se ela leva. E o Oscar foi para… Allison Janney. Oba! Ela começou o discurso brincando ao dizer “Eu fiz tudo sozinha”. Arrancou risadas da plateia. Em seguida, ela agradeceu a toda a família de I, Tonya. Se vocês não assistiram ao filme ainda, assistam. Um dos melhores dessa temporada.

Depois do intervalo, uma apresentação feita por parte do elenco de Star Wars: The Last Jedi. Eles apresentaram os indicados na categoria Melhor Curta Animação. E o Oscar foi para… Dear Basketball. E eu estou devendo essa categoria para vocês, eu sei. Não consegui ver e comentar os curtas indicados desse ano, mas quem sabe eu ainda faça isso? Mesmo atrasada… me desculpem, mas a correria tem sido grande.

Realmente a Academia está cumprindo a sua promessa esse ano. Não estão subindo a música para apressar as pessoas. Deixaram Glen Keane, diretor de Dear Basketball, e Kobe Bryant, falarem em paz até o final. Muito bem! Em seguida, os indicados em Melhor Animação. O favoritíssimo é Coco. E o Oscar foi para… Coco. Bola cantadíssima. Em seu discurso, o diretor Lee Unkrich homenageou, claro, o México, afirmando que os Estados Unidos não seriam o país que eles são sem os mexicanos. Bacana. Coco é outro filme que ainda preciso assistir.

E uma das maiores provas que a Academia está avançando e acompanhando a sociedade, em seguida subiu ao palco a atriz transgênero Daniela Vega para apresentar outra música que está concorrendo na categoria Melhor Canção: “Mystery of Love”, de Call Me By Your Name, apresentado pelo compositor e cantor Sufjan Stevens.

Depois de mais um intervalo – sim, eles amam os comerciais 😉 – apresentaram os indicados a Melhores Efeitos Visuais. E o Oscar foi para… Blade Runner 2049. Opa! Essa foi um pouco uma surpresa. Fiquei feliz que Blade Runner 2049 ganhou, porque o filme merecia ao menos um Oscarzinho. Não badalaram muito a produção, mas a verdade é que é um filme interessante. Vale conferir.

Em seguida, o ator Matthew McConaughey subiu ao palco para apresentar os indicados na categoria Melhor Edição. E o Oscar foi para… Dunkirk. Previsível também. A expectativa era que esse filme ganhasse todas as categorias técnicas na qual estava concorrendo. Até agora, sem surpresa sobre isso. E ele ainda tem chances de levar Melhor Filme. Mas, para isso, terá que derrubar o favorito Three Billboards Outside Ebbing, Missouri.

Kimmel volta a cena para fazer uma boa piada sobre a categoria Melhor Edição. Ele disse que antes deles entrarem na sala escura de edição, Dunkirk era uma comédia romântica com Reese Whiterspoon. Hahahahaha. Ele realmente melhorou em relação ao ano passado. 😉 Na sequência, ele mostrou a plateia em um cinema que disse estar ao lado do Dolby Theatre e convidou uma comitiva de atores, atrizes e o diretor Guillermo del Toro para ir lá agradecer eles por “fazer o cinema”.

Na volta, Kimmel e Gal Gadot entram no cinema com alguns doces e falam que eles estão ao vivo no Oscar. Então a plateia da premiação e a do cinema acabam se vendo no telão. Kimmel brinca que há um grande cheiro de maconha no ar, e os outros astros entram em cena trazendo cachorros-quentes e mais doces. A brincadeira foi ótima. O povo do cinema realmente chocado.

Em seguida, foram apresentados os indicados a Melhor Curta Documentário. E o Oscar foi para… Heaven Is a Traffic Jam on the 405. Um resumo sobre esse curta vocês encontram nesse blog post em que falei sobre os indicados nessa categoria. Realmente parece interessante o curta. Em seguida, vieram os indicados da categoria Melhor Curta. E o Oscar foi para… The Silent Child. Eis outra categoria sobre a qual eu gostaria de ter feito um blog post. Quem sabe eu ainda não faça?

Achei muito legal que a roteirista Rachel Shenton fez o seu agradecimento na linguagem de sinais. Ela disse que prometeu isso para a atriz de seis anos que contracena com ela. O diretor Chris Overton agradeceu aos pais, que venderam cupcakes para que eles conseguissem terminar o filme. Essa é a vida real, minha gente. Muita gente lutando muito, muito mesmo para fazer cinema. Fiquei com ainda mais vontade de assistir a esse curta.

Na sequência, ouvimos a mais uma música indicada na categoria Melhor Canção. Dessa vez foi a vez de Common e Diane Warren arrasarem com “Strand Up for Something”. Canção eletrizante e muito bem interpretada e apresentada na premiação. Não por acaso a plateia ficou de pé. Bacana.

No retorno de mais um intervalo, Ashley Judd, Natalia Lafourcade e Salma Hayek subiram ao palco para falar sobre o movimento de igualdade que tomou conta de Hollywood. Então vários atores, atrizes e realizadores falaram sobre esse tema e sobre a importância de diversos filmes que estão rediscutindo o papel das pessoas originais no cinema. Sim, esse Oscar veio para marcar posição. E não teria como ser diferente, não é mesmo? Chegou a hora. Cinema não é só entretenimento. Quem acompanha esse blog sabe bem disso. 😉

Em seguida, os indicados na categoria Melhor Roteiro Adaptado. A minha torcida é por Call Me By Your Name. Essa é também a melhor chance desse filme. E o Oscar foi para… Call Me By Your Name. Aeeeehhhh!! Muito bom. Tenho certeza que os leitores do blog ficaram felizes com isso. E eu também. Realmente essa produção merecia.

O veteraníssimo James Ivory subiu no palco ajudado por uma bengala e agradeceu primeiro ao escritor André Aciman, afirmando que ele escreveu uma história sobre o primeiro amor, que muitas pessoas chegaram a vivenciar. Em seguida, agradeceu ao diretor Luca Guadagnino e ao elenco do filme. Que legal que o Ivory foi premiado. Há tempos ele merecia, mas esse foi o seu primeiro Oscar. Antes tarde do que mais tarde, pois.

Na sequência, a atriz Nicole Kidman apresenta os indicados na categoria Melhor Roteiro Original. Minha torcida fica entre Get Out e Three Billboards Outside Ebbing, Missouri. E o Oscar foi para… Get Out. Muito bem! Que bom que Get Out não vai sair de mãos vazias do Oscar. Ele não merecia. Um dos filmes mais originais dessa temporada. Nada mais justo do que o diretor e roteirista Jordan Peele ganhar essa estatueta dourada.

No retorno do intervalo, houve uma homenagem aos filmes que tratam sobre as batalhas que já foram travadas mundo afora em busca de um “mundo melhor”. Essa seria uma deixa para o Oscar 2018 premiar Dunkirk na categoria principal? Eu não me admiraria… Essa homenagem aos “homens e mulheres” que lutam nas Forças Armadas me pareceu um pouco deslocada do restante da premiação, mas beleza. Os Estados Unidos realmente adoram esse tema.

Na sequência, Sandra Bullock apresentou os indicados na categoria Melhor Fotografia. Disputa das boas, nesse ano. E o Oscar foi para… Blade Runner 2049. Opa, que legal! O grande Roger Deakins ganhou o seu primeiro Oscar depois de 14 indicações. Ele é responsável pela fotografia de grandes filmes que assistimos. Mais que merecido! E fico feliz também por Blade Runner 2049 ter sido premiado nessa noite.

Na sequência, ouvimos a última música da noite que concorre na categoria Melhor Canção. Interpretando “This Is Me”, Keala Settle soltou a voz e fez todos lembrarem do musical The Greatest Showman – mesmo que, como eu, não chegou a ver ao filme, apenas assistiu ao trailer. Essa filme é predominante na produção e acabou sendo bem marcante também na premiação do Oscar. Bastante vigorosa e contagiante. Settle deu um show.

Depois do intervalo e após um vídeo de The Deer Hunter, Christopher Walken apareceu em cena para apresentar os indicados na categoria Melhor Trilha Sonora. Ano com grandes concorrentes. Me arrisco a dizer, até, que esta é uma das categorias mais difíceis do ano. E o Oscar foi para… The Shape of Water. Alexandre Desplat realmente levou a estatueta para casa. Esse foi o segundo Oscar da carreira dele.

Na sequência, relembramos os indicados na categoria Melhor Canção. E o Oscar foi para… “Remember Me”, de Coco. Novamente um filme de animação dominando nessa categoria. Interessante. Na sequência, Jennifer Gardner apresentou o vídeo em homenagem aos falecidos no último ano. E quem cantou a música de homenagem? O meu querido, amado, Eddie Vedder. Bem, nem preciso dizer mais nada. Super emocionante. E para quem não assistiu a Into the Wild, com uma trilha de Eddie Vedder, super recomendo.

No retorno de mais um intervalo, a atriz Emma Stone apresentou os indicados a Melhor Diretor(a). E o Oscar foi para… Guillermo del Toro. Fico feliz pelo diretor, porque ele tem uma trajetória muito interessante, em primeiro lugar. Depois, por ser latino. The Shape of Water não é o melhor filme dele, mas algumas vezes o Oscar premia alguém que já deveria ter ganho antes por um filme “menor” depois. Sem problemas. Del Toro lembra que ele é um imigrante e que o cinema e a sociedade deveriam brigar pela inclusão. Ele merece como realizador, porque é um desses diretores com assinatura, com estilo e que faz suas produções com alma.

Até agora a noite foi muito boa para os latinos. O chileno Una Mujer Fantástica, Coco (sobre a cultura mexicana) e o mexicano Guillermo del Toro confirmaram os seus favoritismos. Bacana. Na volta do intervalo, Helen Mirren e Jane Fonda apareceram para apresentar o Oscar de Melhor Ator. O favoritíssimo é Gary Oldman. Vamos ver se mais essa bola cantada se confirma. E o Oscar foi para… Gary Oldman, de Darkest Hour.

Oldman agradeceu “profundamente” pela Academia e pelos seu votantes. Em seguida, falou de como viveu muito tempo nos Estados Unidos, falou da família, de ganhar o Oscar e de todos os que ajudaram ele na produção que lhe rendeu uma estatueta dourada. Agradeceu também a mãe, prestes a completar 99 anos de idade e que estava vendo ele no “sofá de casa”.

Na sequência, Jodie Foster e Jennifer Lawrence aparecem em cena para apresentar as indicadas na categoria Melhor Atriz. Foster, que apareceu de muletas, brinca que Meryl Streep deu uma de I, Tonya com ela. Momento engraçadinho. A favorita é Frances McDormand. Vamos ver se ela realmente leva. E o Oscar foi para… Frances McDormand. Oh yeah. Acho muito merecido. Ela está ótima no filme. E merecia mais que outras que estavam na disputa – especialmente Saoirse Ronan, festejada demais por Lady Bird.

Figura, ela fingiu que ia tropeçar e, depois, fingiu grande nervosismo. Agradeceu ao marido e ao filho e pediu para todas as mulheres indicadas se levantarem e se sentirem homenageadas com o Oscar dela, que ela colocou no chão. Ela comentou que todas essas mulheres tem histórias para contar e projetos para serem financiados. Brincou que os produtores não deveriam falar com essas mulheres na festa do Oscar, mas que depois deveriam chamá-las para conversar nos escritórios deles. Porque o que todos devem perseguir são roteiros de inclusão. Ela foi ótima. Um dos grandes momentos da noite, pela mensagem e pelo estilo “outsider”.

Finalizando a premiação, os apresentadores de Melhor Filme do ano passado – aquela entrega que deu o maior auê – voltam à cena. Faye Dunaway e Warren Beatty. Bela sacada de repetir os apresentadores. E quem vai levar Melhor Filme? Aposto em Three Billboards Outside Ebbing, Missouri, mas acho que pode rolar uma surpresa nesse final. Veremos… E o Oscar foi para… The Shape of Water. Ok.

O que dizer? Fico feliz pelo Guillermo del Toro. É um filme lindo, visualmente, mas a história não é tuuuuudo aquilo. Até porque o filme tem vários deslizes – vide a minha crítica por aqui – e, como muitos já falaram, repete várias e várias partes de outras produções, como Splash. Mas é o melhor filme do ano? Sem dúvida que não é. Assistam a todos os que concorreram – e ainda a I, Tony e a The Florida Project e depois me digam se The Shape of Water realmente é o melhor do ano.

Mas é isso aí. O Oscar pelo menos fez um grande trabalho em pulverizar os seus prêmios isso ano. Assim, muitos filmes bons saíram premiados, o que é muito mais junto e interessante do que apenas um filme “papar tudo”. Como eu previa, esse foi uma das premiações da Academia mais pulverizadas da história. Nada menos que 12 filmes foram premiados – além de três curtas. Independente se concordamos ou discordamos dos premiados, vamos seguir assistindo a belos filmes – inclusive os que a Academia nos “indica” a cada ano. Até a próxima, meus bons leitores!

Confira a lista com todos os premiados do Oscar 2018:

Melhor Filme: The Shape of Water

Melhor Ator: Gary Oldman (Darkest Hour)

Melhor Atriz: Frances McDormand (Three Billboards Ouside Ebbing, Missouri)

Melhor Ator Coadjuvante: Sam Rockwell (Three Billboards Outside Ebbing, Missouri)

Melhor Atriz Coadjuvante: Allison Janney (I, Tonya)

Melhor Diretor: Guillermo del Toro (The Shape of Water)

Melhor Animação: Coco

Melhor Filme em Língua Estrangeira: Una Mujer Fantástica

Melhor Documentário: Icarus

Melhor Roteiro Adaptado: Call Me By Your Name

Melhor Roteiro Original: Get Out

Melhor Fotografia: Blade Runner 2049

Melhor Figurino: Phantom Thread

Melhor Edição: Dunkirk

Melhor Design de Produção: The Shape of Water

Melhor Maquiagem e Cabelo: Darkest Hour

Melhor Edição de Som: Dunkirk

Melhor Mixagem de Som: Dunkirk

Melhores Efeitos Visuais: Blade Runner 2049

Melhor Trilha Sonora: The Shape of Water

Melhor Canção: “Remember Me” (Coco)

Melhor Curta: The Silent Child

Melhor Curta Documentário: Heaven Is a Traffic Jam on the 405

Melhor Curta Animação: Dear Basketball