All The Money in the World – Todo o Dinheiro do Mundo

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Quanto mais uma pessoa mesquinha tem, mais ela quer ter. Alguém já disse que para um rico ser rico, ele deve realmente se importar com cada centavo. Não gastar à toa nunca. Sempre pechinchar. Mas essa ânsia por dinheiro e pelo poder derivado dele ganhou um novo significado com o sobrenome dos protagonistas de All The Money in the World. Um filme que mostra como o dinheiro destrói e não significa nenhuma grandeza, muito pelo contrário. Apesar de ser uma produção interessante, All The Money in the World está muito longe de ser um dos melhores filmes do diretor Ridley Scott.

A HISTÓRIA: Inicia afirmando que é inspirada em “acontecimentos reais”. Roma, 1973. Vemos a uma rua movimentada, cheia de carros e de pessoas, em uma sequência em preto e branco. Pouco a pouco, a câmera se aproxima de “Paolo”, que é a maneira como Paul (Charlie Plummer) se apresenta para quem pergunta o seu nome.

A imagem se enche de cores, como se Paul enchesse o ambiente de vida. Ele passa por um restaurante, por uma fonte, e chega até um grupo de prostitutas. Ela mexem com ele, mas ele não fica com nenhuma. Caminhando um pouco mais, Paul é sequestrado. Nesse momento começa o drama do neto do “homem mais rico do mundo”.

VOLTANDO À CRÍTICA (SPOILER – aviso aos navegantes que boa parte do texto à seguir conta momentos importantes do filme, por isso eu recomendo que só continue a ler quem já assistiu a All The Money in the World): A minha motivação principal para ver a esse filme, como estou na temporada do Oscar, foi a indicação do ator Christopher Plummer na categoria Melhor Ator Coadjuvante. Mas essa não foi a única razão.

As minhas outras motivações é que essa produção tinha a direção de Ridley Scott, um diretor que eu admiro e que eu gosto de acompanhar, e também porque ela tinha estreado no cinema em que eu sempre vou – o do Beiramar Shopping, em Florianópolis. Então, quanto tive oportunidade de assistir a essa produção, o que ocorreu apenas nessa semana, eu fui lá conferir All The Money in the World.

O que dizer sobre essa produção? Ela até começa bem, com uma reflexão do protagonista, John Paul Getty III, interpretado por Charlie Plummer, sobre a história do avô, J. Paul Getty (Christopher Plummer). Honestamente? Aquela introdução do filme é a melhor parte da história. Como quando Getty III diz que, apesar da família dele parecer com qualquer um de nós – ou seja, ser feita de carne e osso, mortal como qualquer outro -, eles só pareciam ser como qualquer outra pessoa. Porque eles eram feito de um “outro elemento”.

A questão fundamental nesse filme é que temos um sujeito que conquistou “todo o dinheiro do mundo” mas que não sabe abrir mão de nada do que possui. Ou do que acredita que possui. (SPOILER – não leia se você não assistiu ao filme ainda). Quando sequestram um de seus netos, Getty não pensa em momento algum em pagar o resgate – ao menos na fase inicial do crime. Primeiro, porque ele acredita que se pagar o sequestro desse neto, outros sequestros virão… e a família dele não terá paz nunca mais na vida.

Aparentemente, esse pensamento não é tão absurdo. Mas conforme a “investigação” – se é que ela pode ser chamada assim – sobre o que aconteceu com o neto não avança, Getty passa a ser ainda mais pressionado pela mãe do jovem, Gail Harris (Michelle Williams) e até admite pagar o resgate, desde que ele possa deduzir aquela quantia – muito, mas muito menor do que os US$ 17 milhões que os sequestradores pediram originalmente – do Imposto de Renda.

Ou seja, no fundo, ele não estava “desembolsando” nada para resgatar o neto, apenas dando uma quantia de dinheiro que obrigatoriamente teria outra finalidade – o pagamento de impostos. Conforme o roteiro de David Scarpa, baseado no livro de John Pearson, avança, vemos como Getty lida com o dinheiro. Ele nunca perde um centavo. Muito pelo contrário. Vive gastando em obras de arte caras, mas nunca fecha um negócio sem pechinchar bem antes.

Ele não sabe perder e não sabe ceder. Está acostumado a multiplicar a sua fortuna e tem toda a atenção do mundo para a cotação da bolsa de valores – mas, aparentemente, tempo algum para relações verdadeiras. Vemos Getty em poucas interações com pessoas da família – e, estranhamente, apesar dele ter tido algumas esposas, filhos e netos, não vemos mais ninguém da família dele. Parece que ele vive de forma bastante solitária – ao menos segundo o filme.

É uma pena que a história não seja realmente bem desenvolvida. Temos um “ir e vir” no tempo na parte inicial do filme para explicar um pouco da origem da fortuna dos Getty e também a relação “carinhosa” entre Getty III e o seu avô – assim como a de Getty com o filho e a ex-nora. Acho que All The Money in the World até poderia ser mais interessante se o roteiro tivesse explorado um pouco mais a história dos personagens e as suas relações.

Isso acontece só no começo, e é uma pena. Depois, essa produção abraça a velha premissa do filme de “ação”, com toques de suspense e de filme policial para contar o desenrolar do sequestro de Getty III. Grande parte daquele desenrolar da ação é previsível, incluindo na previsibilidade a corrupção policial, que vivia “nas mãos” da máfia italiana, e a resistência do “homem mais rico do mundo” de perder qualquer dinheiro com o resgate de um de seus 14 netos.

Achei o roteiro bastante fraco e previsível. Como eu disse, Scarpa perdeu uma boa oportunidade de explorar melhor as características de cada personagem e as relações que eles tinham entre si. No final do filme, temos uma questão em que pensar. (SPOILER – não leia… bem, você já sabe). Quando Getty III é resgatado, simultaneamente, o seu avô morre em casa “devaneando” e abraçado em uma de suas obras de arte. Quem assume a administração da fortuna dele, porque os herdeiros ainda são menores de idade, é Gail Harris.

Naquele momento, Gail descobre que Getty, na verdade, tinha colocado algumas regras na administração dos seus bens. Em teoria, ele não poderia gastar o dinheiro que tinha, só podia aplicá-lo em algo que fizesse aquele dinheiro ser multiplicado. Por isso ele investia tanto em obras de arte.

Mas aí, duas questões acabam não sendo explicadas na produção quando Oswald Hinge (Timothy Hutton) comenta isso com Gail: primeiro, essa regra de “não gastar, apenas multiplicar a fortuna” deveria ter limites, até porque as diversas propriedades de Getty exigiam um custo fixo, e ele próprio tinha as suas necessidades de consumo; depois, Getty acabou enviando mais do que o US$ 1 milhão que poderia deduzir do Imposto de Renda para pagar o resgate do neto.

Ainda que não fosse muito a mais, era mais do que ele poderia deduzir do Imposto de Renda… em teoria, ele estava gastando e não aplicando o dinheiro que tinha. Como ele conseguiu fazer isso se ele tinha que “seguir” aquela regra de não gastar? E afinal, se ele era bilionário, foi ele que colocou essa regra… ele também não poderia derrubá-la? Achei essa questão muito mal explicada no filme – ela tenta justificar os atos de Getty, mas me pareceu um bocado sem sentido.

Enfim, All The Money in the World cai no lugar-comum e um bocado previsível de que o dinheiro não traz felicidade e muito menos a proximidade ou a segurança das pessoas que você ama. Alguém como Getty, que é apegada demais ao seu dinheiro e tem pouco – ou nenhum – interesse nas pessoas, mesmo que elas sejam da família, vive uma vida mesquinha e que, afinal, o levou a que? A uma vida de cobiça, de contar dinheiro, ignorar pessoas e viver sozinho.

Triste existência. Se o dinheiro existe para algo, é para dar boas oportunidades para as pessoas. Simplesmente ser acumulado ou multiplicado não leva a nada de bom. Muito pelo contrário. All The Money in the World fala sobre isso de uma forma um tanto tediosa. Apesar de bem conduzido e de ter boas atuações do elenco, o filme carece de um roteiro melhor e de um sentido de ser menos óbvio e pobre. Como eu disse, está longe de ser um dos melhores trabalhos do diretor Ridley Scott. Espero que ele tenha mais sorte e melhor gosto da próxima vez.

Se pensarmos no desfecho da história, o mérito maior pela sobrevivência e resgate de Getty III não foi da mãe dele, do “pagamento” autorizado pelo avô ou do trabalho do ex-espião Fletcher Chase (Mark Wahlberg). O grande responsável pela sobrevivência do rapaz acabou sendo o único sequestrador que se manteve junto dele até o final, Cinquanta (Romain Duris). Ele se compadeceu do rapaz, provavelmente pensando nele como um filho, e acabou ajudando ele sempre que possível.

Ou seja, alguns bandidos são mais bonzinhos e bacanas do que muitos ricaços. Seria essa a filosofia “subversiva” dos realizadores de All The Money in the World? 😉 Claro, há pessoas boas em todas as partes – e cretinos também. Então não acho impossível um sequestrador italiano nos anos 1970 se mostrar solidário ao rapaz “sensível”, quieto e “comportado” que foi sequestrado. Impossível não é, apenas improvável.

Assim como um “ex-espião” e principal responsável pela segurança de um ricaço como Getty ser tão pouco eficaz como Chase se revela nessa produção, também parece um tanto “forçado”. Mas sim, ele nunca impede que a polícia italiana troque os pés pelas mãos ou consegue, de fato, investigar algo com eficiência para chegar no paradeiro de Paul. A única utilidade de Chase parece ser mesmo apoiar Gail, porque nem ele e nem a polícia italiana consegue chegar no paradeiro do sequestrado antes dos bandidos jogarem todos os seus dados.

Além de não ser muito bem desenvolvido, o roteiro de All The Money in the World mostra essas características um pouco difíceis de acreditar na prática. E vocês sabem, não é porque um filme diz que é “inspirado em acontecimentos reais” que ele traz, realmente, grande fidelidade aos fatos. Tanto isso é verdade que All The Money in the World mostra Getty morrendo na mesma noite em que o neto é resgatado, e isso não aconteceu. Getty foi morrer três anos depois daqueles fatos, ou seja, em 1976. Antes, ele recusou-se a receber uma ligação de agradecimento do neto.

NOTA: 7.

OBS DE PÉ DE PÁGINA: Não tenho nada contra filmes que “vão e vem” na linha temporal para contar uma história. Mas achei que as viagens no tempo de All The Money in the World foram feitas de forma muito rápida, um tanto “intempestiva” demais no início do filme.

Saímos de 1973, quando o sequestro de Paul aconteceu, para voltar para 1964, em Nova York, quando os pais de Paul decidem dar uma cartada para se aproximarem do patriarca bilionário e, por um rápido momento, para a década de 1940, quando Getty começa a fazer a sua fortuna ao explorar o petróleo na Arábia Saudita. Esses retorno no tempo, volto a dizer, muito rápidos. Facilmente eles poderiam ter sido explorados melhor e toda a historinha dos sequestro ter sido um bocado resumida – até porque, convenhamos, ela não tem nada demais.

Ridley Scott entende muito bem do seu ofício. Então ele faz um bom trabalho na condução dessa história. Mas ele não faz nada além do esperado. Para mim, o ponto fraco mesmo é o roteiro de David Scarpa. Entre os aspectos técnicos do filme, talvez a direção de fotografia de Dariusz Wolski é o que se destaque positivamente. Achei a trilha sonora de Daniel Pemberton um tanto dramática demais. Outros aspectos que vale citar: a edição de Claire Simpson; o design de produção de Arthur Max; a decoração de set de Letizia Santucci; e os figurinos de Janty Yates.

O personagem de Getty é um clássico da “vida real”. (SPOILER – não leia se você não assistiu ao filme). Ele nasceu para fazer dinheiro e fazer negócios. Para tirar o melhor proveito de cada situação. Ele não nasceu para ter uma família. Ainda assim, como diz o neto dele que foi sequestrado, Getty queria fazer uma “dinastia”. Para isso, claro, ele precisava ter herdeiros. Mas isso também fazia parte do orgulho dele.

Getty queria ser reconhecido por ser o mais rico – ou um dos mais ricos – do mundo e queria que os seus herdeiros seguissem com o sobrenome. Mas ele, de fato, parecia não se importar com ninguém. Qual é o sentido de tudo isso, afinal de contas? Nenhum, é claro. Não faz sentido.

O que falar do elenco de All The Money in the World? Até eles – a maioria, ao menos – parecem não acreditar muito na história do filme. Os destaques positivos são mesmo Christopher Plummer e Michelle Williams. Ambos fazem um trabalho em que você acredita no que eles estão apresentando. Outros nomes já estão um bocado “sem sal” e/ou um tanto robóticos. Esse é o caso de Charlie Plummer e de Mark Wahlberg. Romain Duris está bem como Cinquanta, mas o seu personagem parece um tanto exagerado…

Os demais atores envolvidos no projeto realmente tem uma importância muito menor. Todos estão razoáveis, a meu ver. Vale comentar o trabalho de Timothy Hutton como Oswald Hinge, advogado de Getty; Charlie Shotwell como John Paul Getty III aos sete anos de idade; Andrew Buchan como John Paul Getty II, pai do jovem sequestrado; Marco Leonardi como Mammoliti, o mafioso que “compra” Paul após os sequestradores originais não conseguirem avançar com a missão de receber o resgate; Giuseppe Bonifati como Giovanni Iacovoni, advogado de Gail; Nicolas Vaporidis como Il Tamia “Chipmunk”, um dos sequestradores – o primeiro a morrer; e Andrea Piedimonte Bodini como Corvo, outro participante do sequestro.

All The Money in the World estreou no dia 18 de dezembro de 2017 em première em Los Angeles. O filme não participou de nenhum festival. Estreou no Brasil no dia 1º de fevereiro de 2018.

Agora, algumas curiosidades sobre essa produção. Como vocês devem saber, Hollywood passa por uma saudável “devassa” das práticas ignóbeis de alguns “figurões” da indústria cinematográfica que usavam o seu poder para abusar/forçar relações com mulheres e homens que fazem parte do cinema – especialmente atrizes e atores. Um dos nomes envolvidos nesses escândalos foi o de Kevin Spacey, que passou a ser “banido” de eventos e produções. Ele tinha feito o papel de Getty, mas acabou sendo cortado do filme e substituído por Plummer.

Admito que no início do filme, especialmente, fiquei imaginando Spacey no papel de Getty. Mas isso foi só no início, porque o belo trabalho de Plummer logo me fez pensar nele e prestar atenção em sua interpretação – a partir daí, esqueci totalmente de Spacey. Na boa? Com todo o respeito ao que ele já fez, mas ele não faz falta não.

As refilmagens das cenas de Getty com Plummer demoraram oito dia para serem feitas e custaram US$ 10 milhões. Esse trabalho significou também o retorno de Michelle Williams e Mark Wahlberg para Roma, para que eles pudessem contracenar com Plummer, no feriado de Ação de Graças de 2017.

A Sony e a equipe de produção do filme decidiram, por unanimidade, substituir Spacey por Plummer quando faltava pouco mais de um mês para a estreia da produção. Ou seja, tiveram que correr para fazer a troca, mas certamente foi a escolha certa a se fazer. Spacey se queimou, aparentemente, para sempre na indústria do cinema.

Plummer disse que estava preparado para fazer Getty depois que Spacey foi retirado do projeto porque ele tinha sido considerado, antes, para o papel e, por isso, conhecia os roteiros. Além disso, Plummer conheceu pessoalmente Getty, frequentando algumas de suas festas promovidas em Londres nos anos 1960.

Angelina Jolie foi a primeira atriz convidada para fazer Gail Harris, mas ela recusou o papel. Depois, Natalie Portman chegou a ser anunciada como a atriz que faria esse papel, mas ela acabou pulando fora do projeto por causa da sua segunda gravidez. Foi aí que entrou em cena Michelle Williams.

Ainda que Christopher e Charlie tenham o mesmo sobrenome, Plummer, eles não são parentes. Bom para Christopher Plummer, porque achei Charlie muito, muito fraquinho.

Além do fato que eu citei sobre a morte de Getty, o filme tem outras “liberdades poéticas” consideráveis. (SPOILER – não leia… bem, você já sabe). No filme, o pai de Paul não se envolve nas negociações para resgatar o filho. Mas não foi isso que aconteceu na vida real, onde ele insistiu com o pai para pagar o resgate e participou das negociações – não foi apenas Gail que fez isso. Depois, Paul foi espancado e torturado com bastante frequência no cativeiro – o que o filme não mostra. Após o fim do sequestro, Paul foi encontrado na beira de uma estrada por um motorista de caminhão – ou seja, não houve nenhuma perseguição dos bandidos e da polícia em uma vila italiana. Esses aspectos, assim como a morte de Getty, foram mudados no filme e, para o meu gosto, sem muita razão de ser.

All The Money in the World foi indicado para nove prêmios, mas não ganhou nenhum até agora.

Os usuários do site IMDb deram a nota 7,1 para esta produção, enquanto que os críticos que tem os seus textos linkados no Rotten Tomatoes dedicaram 149 textos positivos e 44 negativos para a produção, o que lhe garante uma aprovação de 77% e uma nota média 7. No fim, sem querer, acabei acompanhando tanto a votação do público quanto da crítica – juro que eu dei a minha nota antes de ver essas outras avaliações.

All The Money in the World faturou US$ 24, 9 milhões nos Estados Unidos e outros US$ 21,3 milhões nos outros países em que estreou até o dia 15 de fevereiro. Ou seja, no total, fez pouco menos de US$ 46,2 milhões – um valor relativamente baixo, especialmente porque o filme deve ter custado muito mais que isso.

Para quem ficou interessado em saber mais sobre os Getty, acho que vale dar uma olhadela nessa matéria do G1 que tratou da morte de John Paul Getty III em 2011 e esse resumão da trajetória de Getty disponível na Wikipédia.

Esse filme é uma produção 100% dos Estados Unidos. Assim, ele atende a uma votação feita há algum tempo aqui no blog – quando vocês me pediram para comentar filmes desse país.

CONCLUSÃO: Antigamente, quando eu dava uma nota 7 para um filme, isso queria dizer que eu não tinha gostado muito do que eu tinha visto. Hoje, a nota 7 representa exatamente o que ela quer dizer quando estamos no colégio. Ou seja, sim, o filme tem méritos para “passar de ano”. Mas não, ele não está acima da média ou mesmo apresenta algum grande diferencial. É apenas mediano. Esse é bem o caso de All The Money in the World. Sim, os atores estão bem.

Viajamos um bocado para cá e para lá porque a história exige isso. Temos uma bela reflexão sobre mesquinharia e sobre o quanto uma pessoa abastada pode ser pobre de espírito. Mas isso é tudo. Nada demais no “reino da Inglaterra”. Você já viu a filmes que tratam sobre a falta de noção e de generosidade dos mais ricos. Essa história, apesar de não ser muito interessante ou surpreendente, ganha uns pontos por ser baseada em fatos reais. Mas isso é tudo. Um filme mediano, com bons atores, mas que não vai lhe agregar nada, realmente. Há opções bem melhores no mercado. Mas se você gosta do diretor ou dos atores, não vai sofrer ao assisti-lo.

PALPITES PARA O OSCAR 2018: Honestamente, esse filme não tem chance alguma na premiação da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood. All The Money in the World está concorrendo apenas na categoria de Melhor Ator Coadjuvante. De fato, Christopher Plummer é um dos elementos de destaque da produção. Mas ele não tem chances contra o favoritíssimo Sam Rockwell, de Three Billboards Outside Ebbing, Missouri (com crítica nesse link).

De fato, para mim, os melhores atores coadjuvantes desse ano, ao menos entre os filmes que estão concorrendo ao Oscar, são Sam Rockwell e Richard Jenkins (de The Shape of Water, comentado por aqui). Mas deve ser o primeiro a ganhar o prêmio – até porque ele tem “papado” tudo nessa temporada, inclusive o Globo de Ouro e o Screen Actors Guild Awards. Ou seja, favoritíssimo. Plummer corre totalmente por fora e seria um pouco uma zebra se ele levasse.

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Curtas Documentário Indicados ao Oscar 2018 – Avaliação

Olá amigos e amigas do blog!

Como manda a tradição dos últimos anos da cobertura do Oscar feita aqui no blog, vale a pena falarmos também sobre os curtas que concorrem em três categorias da premiação da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood.

Vou seguir, nesse ano, a ordem de divulgação dos indicados feita pela própria Academia. Assim, começo comentando sobre os filmes indicados na categoria Melhor Curta Documentário.

As bolsas de apostas já apontam os favoritos, mas a verdade é que nessa categoria, assim como na de Melhor Filme em Língua Estrangeira, o palpite dos apostadores é mais no “chutômetro” do que realmente baseado em chances reais de premiação. Ainda assim, vale falar também sobre como cada um destes curtas está sendo encarado pelos apostadores.

Vale lembrar que o Oscar 2018, que representa a 90ª premiação da Academia, será promovido esse ano no primeiro domingo de março – ou seja, no dia 4. Ou seja, estamos mais próximos do que nunca de saber quais destas produções sairá ganhando na disputa.

Eu sou uma incentivadora de curtas. Afinal, grande parte dos diretores que admiramos hoje em dia, começaram exatamente com essa modalidade de filmes. E grandes histórias podem ser contadas em curtas. Então vamos dar uma olhada no que temos esse ano na disputa da estatueta dourada na categoria de Curtas Documentário? Bóra lá!

1. Edith+Eddie

Achei a premissa desse curta muito, muito bacana. A diretora Laura Checkoway, que tem apenas três títulos no currículo como diretora, conta, nesse curta de 29 minutos, a história de Edith e de Eddie. Eles tem, respectivamente, 96 e 95 anos de idade, e são conhecidos por serem o casal de recém-casados inter-racial mais velho dos Estados Unidos.

O resumo do filme diz que a história de amor deles está ameaçada por suas respectivas famílias, que querem separá-los. Me pareceu muito interessante o filme porque ele não apenas trata do amor na velhice, e sobre a capacidade do ser humano de amar e de se reinventar durante a vida inteira, mas também aborda uma questão que parece nunca ter fim nos Estados Unidos – e em outras partes do mundo: o preconceito racial.

Esse é um tema muito vivo naquele país e que sempre rende filmes muito interessantes. Encontrei no YouTube o filme na íntegra – mas não sei por quanto tempo ele ainda estará disponível. O que me chamou muito a atenção, assistindo à essa produção, é a delicadeza e o respeito que a diretora tem pelos protagonistas de seu filme.

Edith e Eddie são mostrados em sua intimidade, começando pelo momento em que eles aparecem dançando em um dos tantos bares de música country do país, e passando para o momento em que eles estão dormindo juntos, lado a lado. Na introdução do filme, a diretora nos conta que eles se conheceram há 10 anos, em uma fila da loteria no Estado da Virginia.

Muito bacana ver aquela cena deles dormindo, com um urso de pelúcia junto com o casal na cama, e o retrato do casal na estante. Cenas de um cotidiano de pessoas reais, que descobriram que o amor é puro companheirismo. A questão é que nem tudo são flores, e eles, que já passaram por tanto na vida – só eles sabem o quanto -, ainda tem que, com toda aquela idade, enfrentar o preconceito – racial e de idade também, porque ambos existem.

Achei interessantíssimo o filme. Não apenas pelas temáticas que ele trata, que são muito atuais – e acho que serão por um longo tempo ainda -, mas pela forma com que a diretora conseguiu adentrar na intimidade do casal e valorizá-la com muita delicadeza e respeito.

Mas a história não tem um final feliz – desculpem o spoiler. E assim, sem firulas, a diretora nos faz questionarmos algo que poucos estão preparados para responder: até que ponto os filhos devem interferir na vida dos pais quando eles já estão com bastante idade e nem sempre capazes de fazer a melhor escolha com consciência? Essa não é uma resposta fácil, mas, sem dúvida alguma, o valor que deveria ser colocado na frente de outros não deveria ser o dinheiro ou a herança, mas o que a pessoa gostaria de ter feito antes de perder totalmente a capacidade de escolher.

Nas bolsas de apostas, Edith+Eddie é o favoritíssimo para ganhar a estatueta dourada do Oscar 2018. Mas essa não é a opinião de alguns críticos. Jude Dry, da IndieWire, por exemplo, nesse texto em que ele analisa os concorrentes, deu a menor nota para Edith+Eddie (C+). Nesse outro texto, da Slant Magazine, Ed Gonzalez comenta os curtas indicados nessa categoria e diz que Edith+Eddie pode ganhar a estatueta, mas que o favorito é Heroin(e).

Com um background como jornalista, Laura Checkoway estrou com o documentário Lucky em 2014. Depois, em 2016, ela lançou o curta Wolffland. Ou seja, Edith+Eddie é apenas o seu terceiro título – e o primeiro curta documentário. Até o momento, Checkoway tem sete prêmios no currículo. Destes prêmios, seis foram dados para Edith+Eddie – incluindo o prêmio de Melhor Curta no Prêmio da Associação Internacional de Documentários.

Sempre vale comentar a opinião do público e da crítica. Edith+Eddie tem a nota 7,3 no IMDb – mas ainda não tem avaliações no Rotten Tomatoes. Abaixo, eu deixo o curta na íntegra e, na sequência, o trailer do filme – afinal, eu não sei por quanto tempo o curta estará disponível no YouTube.

 

 

 

2. Heaven Is a Traffic Jam on the 405

Esse curta com 40 minutos de duração dirigido por Frank Stiefel conta a história de Mindy Alper, uma “torturada e brilhante artista de 56 anos de idade que é representada por uma das melhores galerias de Los Angeles”. Segundo a nota de apresentação do curta comenta, a protagonista desta história sofreu com “ansiedade aguda, transtorno mental e uma depressão devastadora”.

Esses problemas fizeram com que Mindy Alper passasse por instituições de tratamento para pessoas com transtornos mentais, onde ela passou por terapia de eletrochoque e por outros tratamentos que fizeram com que ela ficasse 10 anos sem falar. Detentora de uma grande auto-consciência, a artista produziu uma trajetória artística em que ela pode expressar todo o seu estado emocional com grande “precisão psicológica”.

Ainda segundo os produtores desse curta, Heaven Is a Traffic Jam on the 405 utiliza entrevistas, reconstituições, mostra a a construção de um busto feito em papel machê de oito pés (xx metros) que reconstituí o “amado psiquiatra” da artista e revela o talento dela através de desenhos que ela fez desde a infância para apresentar o retrato mais completo de Mindy Alper.

Dessa forma, segundo as notas da produção, o curta mostra como a artista retratada “emergiu da escuridão e do isolamento para uma vida que inclui amor, confiança e apoio”. Bastante interessante a premissa, não? A exemplo de Edith+Eddie, encontrei esse curta na íntegra também no YouTube – vamos ver até quando.

Gostei muito do começo, da forma com que o diretor Frank Stiefel mostra uma situação que pode irritar muita gente, que é o trânsito, e como ele é visto com prazer pela artista. Aliás, logo o filme se debruça sobre a forma de falar e de pensar de Mindy Alper. Gostei da trilha sonora e da pegada do curta. E aquele início já explica o título da produção. Em seguida, mergulhamos na arte da protagonista, assim como na sua história.

Segundo as bolsas de apostas para o Oscar, essa produção estaria em segundo lugar na disputa pela estatueta dourada da Academia. Na avaliação de Jude Dry, do site IndieWire, Heaven Is a Traffic Jam on the 405 empata com Traffic Stop com a melhor nota entre os concorrentes: A-. Segundo Dry, o filme de Stiefel tem muitas camadas e conta uma fascinante história em que a arte é a sobrevivência de uma pessoa.

O crítico também destaca como Stiefel “apimenta” a produção com os desenhos dinâmicos da artista, valorizando, assim, tanto a sua história de superação quanto a sua arte. Por sua parte, Ed Gonzalez, do site Slant Magazine, afirma que Heaven Is a Traffic Jam on the 405 é o filme que “deveria ganhar” o Oscar, mas ele aponta que essa produção não deve levar a estatueta.

O curta Heaven Is a Traffic Jam on the 405 é o segundo trabalho de Frank Stiefel como diretor. Antes, ele filmou apenas ao curta documentário Ingelore, em 2009. A carreira maior de Stiefel é como produtor. Com Heaven ele conseguiu a sua primeira indicação ao Oscar – a exemplo de Laura Checkoway, diretora de Edith+Eddie.

Heaven conquistou, até o momento, quatro prêmios. Entre eles, os prêmios do público e do júri como Melhor Curta Documentário no Festival de Cinema de Austin e os mesmos prêmios no Full Frame Documentary Film Festival. Os usuários do site IMDb deram a nota 7,3 para o filme – ainda não existem avaliações sobre essa produção no Rotten Tomatoes.

Achei a premissa e a “pegada” de Heaven bastante interessantes. Afinal, os artistas sempre precisam de uma boa plataforma para contar as suas histórias, e é sempre bacana ver alguém que passou por maus bocados, inclusive em questões psiquiátricas, conseguindo dar a volta por cima e tendo a arte como aliada para dar vasão para os seus sentimentos, pensamentos e desejos.

Porque todos, não importa pelo que eles passaram, merecem ser ouvidos, compreendidos e amados. Todos. Sem exceção. Gosto muito de filmes que valorizam as histórias de quem normalmente parece não ter vez. Esse me parece ser um filme com essa proposta. A exemplo do curta anterior, deixo por aqui também o curta que eu encontrei na íntegra, no YouTube e, na sequência, o trailer dele (afinal, não sei por quanto tempo o curta estará disponível na íntegra). Vale conferir ambos:

 

 

 

3. Heroin(e)

Com 39 minutos de duração, Heroin(e) conta a história de “três mulheres que lutam para quebrar o ciclo de uma vida, uma por vez”. Olhando dessa forma, essa descrição dos produtores parece bastante genérica, não é mesmo? Mas se pensarmos no título do curta, fica mais fácil de pensar sobre que “ciclo” estamos falando.

Classificado com a nota B+ pelo crítico Jude Dry, do site IndieWire, Heroin(e) traz um “retrato expansivo de uma cidade da Virgínia Ocidental envolvida em um epidemia de opióides” e que tem a sua narrativa conduzida por três mulheres “infatigáveis” na luta contra essa epidemia de drogas.

As protagonistas dessa história são a Chefe do Corpo de Bombeiros Jan Rader, que “gasta os seus dias revivendo viciados que caíram em overdose”; a juíza Patricia Keller, que tem um programa de reabilitação na corte que trata esses casos com humor e uma certa carga de amor; e a missionária Necia Freeman, do Brown Bag Ministry, que alimenta e aconselhas as mulheres que vendem os seus corpos para conseguir as drogas.

Na avaliação de Dry, a escolha da diretora Elaine McMillion Sheldon em seguir três mulheres para contar essa história da luta de uma cidade contra a epidemia de drogas é uma “grande vantagem” porque o espectador acaba ficando envolvido com as suas histórias e tem um retrato mais humano e completo da cidade com características industriais. Para o crítico, Heroin(e) é um retrato convincente de uma cidade dos esquecidos “Apalaches” e das mulheres que a mantêm.

Na avaliação do crítico Ed Gonzalez, do site Slant Magazine, Heroin(e) deve ganhar o Oscar na categoria Melhor Curta Documentário. Entre os apostadores, esse curta é apenas o terceiro na lista de preferência. Se olharmos pela nota do filme no IMDb (6,8) e pelo número de prêmios que ele recebeu – nenhum, até agora -, sem dúvida Heroin(e) corre atrás dos outros dois curtas citados anteriormente.

Mas como nada disso define o Oscar, realmente vamos precisar esperar para ver como Heroin(e) se sairá na premiação da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood. Heroin(e) é o sétimo projeto da diretora Elaine McMillion Sheldon. Ela estreou em 2011 com o documentário Lincoln County Massacre e, depois, lançou outros dois documentários antes de dirigir dois curtas documentário e um curta que antecederam a Heroin(e).

Apesar de ter uma trajetória reconhecida, com Heroin(e) ela conquistou a sua primeira indicação ao Oscar. Diferente dos outros dois curtas, que encontrei na íntegra no YouTube, dessa produção eu achei apenas o trailer. Mas por ser uma produção da Netflix, esse curta documentário esteja disponível para ser visto nesse serviço de streaming diretamente para quem tem uma assinatura. Deixo, abaixo, apenas o trailer do curta:

 

 

4. Knife Skills

Dirigido por Thomas Lennon, esse curta com 40 minutos de duração acompanha o “agitado lançamento” do restaurante Edwins na cidade de Cleveland, Estados Unidos. O restaurante é quase todo formado por homens e mulheres que saíram da prisão. O objetivo do negócio é que ele seja conhecido com um restaurante francês de classe mundial.

O desafio do negócio é treinar a equipe que faz parte do restaurante para atender às grandes expectativas dos clientes, já que a maior parte das pessoas contratadas nunca tinha cozinhado antes ou trabalhando em um negócio desse ramo. Para que o Edwins estreie da forma desejada, esse grupo de iniciantes passou dois meses aprendendo tudo que eles podiam sobre um restaurante com esse perfil.

De acordo com o texto de divulgação do curta, “nesse cenário improvável”, o espectador descobre os desafios dos homens e mulheres contratados para oferecer pratos deliciosos com seu “arcabouço de vocabulário francês”. No curta, o espectador vai conhecer de forma mais íntima três estagiários, assim como o fundador do restaurante – ele próprio assombrado com o seu tempo de prisão.

Da minha parte, achei a história dessa produção muito interessante. Outro tema importante levantado por um dos curtas indicados ao Oscar desse ano. Eu sempre reflito sobre as poucas oportunidades de trabalho e de “virada de vida” que as pessoas dão para quem um dia já foi preso. Como queremos que quem já prestou as suas contas na Justiça tenha uma vida diferente se não ajudamos elas para conseguir isso?

E esse ajudar é tão simples – ou deveria ser – quanto lhes oferecer uma oportunidade de trabalho, uma chance para que elas mostrem os seus talentos e a vontade que elas têm de trilhar um novo caminho. Achei interessante a proposta do restaurante e a do diretor Thomas Lennon em contar essa história.

Vou citar novamente o crítico Jude Dry, da IndieWire. Entre os cinco finalistas na categoria Melhor Curta Documentário desse ano, ele deu a segunda nota mais baixa para Knife Skills: B-. De acordo com Dry, apesar de ter uma “história que valha a pena”, o filme não é tão saboroso quanto poderia ser.

Um problema da produção segundo o crítico, é que o diretor começou a acompanhar os preparativos para a abertura do restaurante apenas seis semanas antes do negócio abrir as portas – e a produção nunca apresenta as razões para ter uma “linha do tempo tão apertada”. Dry também considerou um bocado cruel dar para os três estagiários uma tarefa “tão impossível”.

O crítico comenta que o filme se conecta menos do que deveria com os estagiários, afirma que a passagem de tempo na produção não é bem resolvida e que, em resumo, Knife Skills abrange uma história fascinante, mas que o filme, simplesmente, “não combina com a engenhosidade do assunto”.

Knife Skills é o único curta, entre os indicados, que é dirigido por um nome que já venceu o Oscar antes. O diretor Thomas Lennon tem 13 títulos no currículo. Ele estreou na direção em 1984 com o documentário feito para a TV To Save Our Schools, to Save Our Children. Depois, ele fez mais quatro trabalhos para a TV – filme e séries de documentário – até estrear, em 2003, com o primeiro documentário feito para os cinemas, Unchained Memories: Readings from the Slave Narratives.

Depois, viriam mais três trabalhos feitos para a TV, dois documentários e um curta documentário antes de Knife Skills. Como eu disse, ele já ganhou um Oscar. Foi em 2007, na categoria Melhor Curta Documentário, por The Blood of Yingzhou District. Com Knife Skills, Lennon acumula quatro indicações ao Oscar – sendo que, em uma delas, a já citada de 2007, ele levou a estatueta para casa. Ou seja, temos aqui um veterano já reconhecido pela Academia.

Os usuários do site IMDb deram a nota 6,8 para Knife Skills. O curta, até o momento, ganhou apenas um prêmio, o de Melhor Curta Documentário no Traverse City Film Festival. Na bolsa de apostas do Oscar, esse é o penúltimo filme na lista das preferências dos apostadores.

Para vocês conferirem um pouco mais sobre esse curto, deixo aqui o trailer de Knife Skills:

 

5. Traffic Stop

Fechando a lista dos curtas documentário indicados ao Oscar 2018, chegamos até Traffic Stop, uma produção com 30 minutos de duração dirigida por Kate Davis. Esse filme conta a história de Breaion King, uma professora afroamericano de 26 anos da cidade de Austin, no Texas, que foi parado inicialmente por causa de uma violação das leis de trânsito e que acabou sendo preso de uma forma dramática.

De acordo com o texto de apresentação desse curta, King foi pega pelas câmeras da polícia e logo puxada de seu carro por um policial que lhe deu voz de prisão. Diversas vezes ela foi jogada no chão até ser algemada. Quando estava sendo levada para a prisão, King empreendeu uma conversa revelada com o oficial que a estava levando sobre a questão racial e o cumprimento da lei nos Estados Unidos.

O curta documentário justapõe imagens das câmeras dos policiais com cenas do cotidiano de King com o objetivo de “oferecer um retrato mais completo da mulher que foi apanhada em um encontro inquietante”. O crítico Jude Dry, do site IndieWire, classificou Traffic Stop com a melhor nota entre os curtas que concorrem ao Oscar – na verdade, o filme “empata” com Heaven Is a Traffic Jam on the 405 no conceito A-.

Dry comenta como, em 2015, Breaion King foi parado por causa de uma pequena violação de trânsito. Ele explica que o que deveria ter terminado com uma multa de rotina acabou terminando com uma prisão violenta. Dry destaca ainda como a cineasta Kate Davis “corta a tensão” das imagens da prisão capturadas pelas câmeras da polícia com cenas da “vida rica e variada” do protagonista dessa história.

Segundo o crítico, contrasta muito a pessoa alegre, solidária e emotiva que King é na vida real com as imagens absurdas de sua prisão violenta. O alívio vem da entrevista que a diretora faz com ela – um sinal de que ela sobreviveu. Dry elogia o trabalho de Davis, afirmando que ela cria “um retrato profundo em movimento de uma mulher cuja vida é virada de cabeça para baixo pela brutalidade e o racismo de uma polícia insidiosa”.

Ou seja, Traffic Stop trata de um tema muito quente nos Estados Unidos. Para Dry, esse curta é um dos dois favoritos desse ano na disputa – o outro forte concorrente, segundo o crítico, seria Heaven Is a Traffic Jam on the 405. Apesar dessa opinião dele, Traffic Stop aparece em último lugar na lista de preferências de quem apostou nessa categoria nas bolsas de apostas.

Traffic Stop é o décimo-sexto trabalho da diretora Kate Davis. Ela estreou em 1983 dirigindo um dos episódios da série de documentários feitos para a TV American Undercover. Poucos anos depois, em 1987, ela estreou o primeiro documentário feito para os cinemas, Girltalk. Depois disso, ela lançou sete documentários, dois episódios de séries de documentários feitos para a TV, três documentários feitos para a TV e um episódio de uma série de TV antes de lançar Traffic Stop.

Com esse curta documentário, pela primeira vez, Kate Davis conseguiu uma indicação ao Oscar. Entre os curtas que concorrem esse ano nessa categoria, essa produção é a que ostenta a menor nota no site IMDb: 5,9. O filme também não ganhou nenhum outro prêmio antes – então, apesar da crítica favorável de Dry, parece realmente que este curta documentário é uma grande zebra nessa disputa por uma estatueta dourado.

Deixo, para vocês conferirem, o trailer de Traffic Stop. Sou franca que o trailer me deixou impressionada. Acho que a proposta do curta é muito interessante, e coloca luz sobre um tema sempre fundamental de ser discutido nos Estados Unidos e em tantos países mundo afora:

 

PALPITES PARA O OSCAR 2018: Difícil opinar sobre todos esses concorrentes quando, na verdade, eu não pude conferir a todos eles. Mas observando a proposta de cada um e a “pegada” de cada produção que eu pude ver na íntegra ou através dos trailers, eu acho que os curtas mais interessantes são Traffic Stop, Edith+Eddie e Heaven Is a Traffic Jam on the 405.

Eu não sei se, exatamente, nessa ordem. Mas foram esses curtas que mais me “saltaram” aos olhos. Segundo os apostadores, Edith+Eddie e Heaven Is a Traffic Jam on the 405 são os favoritos. De acordo com críticos, a disputa está mais dividida, entre Heroin(e), Heaven Is a Traffic Jam on the 405 e Traffic Stop. Logo mais, veremos.

Indicados ao Oscar 2018 – Lista Completa e Avaliações

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Saudações, amigos e amigas do blog!

Hoje, diferente de anos anteriores, eu não consegui publicar aqui mais cedo a lista de todos os indicados para a premiação da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood. Mas agora sim, vou fazer isso. Retomar a nossa tradição de publicar a lista e de comentar quem são os favoritos e os meus palpites para cada categoria.

Os indicados ao Oscar 2018 foram divulgados hoje, no dia 23 de janeiro de 2018, antes do meio-dia no horário de Brasília. Quem fez as honras da divulgação, dividida em duas partes, como ocorreu no ano passado, foram os atores Tiffany Haddish e Andy Serkis. Primeiro, a dupla de apresentadores divulgou as 11 categorias mais técnicas e, depois, as 13 categorias consideradas principais.

O anúncio dos indicados foi feito no Teatro Samuel Goldwyn, de propriedade da Academia, e transmitido ao vivo por diversos canais, inclusive os dois sites ligados à premiação e à Academia. A primeira leva de indicados foi precedida sempre por um vídeo curto de “apresentação” de cada uma das categorias técnicas.

Estrelaram esses vídeos os seguintes membros da Academia: Priyanka Chopra, Rosario Dawson, Gal Gadot, Salma Hayek, Michelle Rodriguez, Zoe Saldana, Molly Shannon, Rebel Wilson e Michelle Yeoh. Se você ficou curioso(a) para ver o anúncio dos indicados, deixo o vídeo com a transmissão mais abaixo. 😉

A lista de indicados em quase todas as categorias foi definida pelos respectivos pares que fazem parte da Academia. Ou seja, os membros que são editores apontaram os cinco indicados em Melhor Edição; os diretores apontaram os cinco finalistas na categoria Melhor Diretor; e assim por diante. As categorias Melhor Animação e Melhor Filme em Língua Estrangeira foram definidas por dois comitês formados por profissionais de diferentes áreas e que fazem parte da Academia. E a categoria Melhor Filme foi definida pelo voto de todos.

Passada essa fase das indicações, entre os dias 20 e 27 de fevereiro, todos os membros da Academia votam em naqueles que eles consideram os melhores em cada uma das 24 categorias do Oscar 2018. O resultado dessa votação será conhecido por todos nós no dia 4 de março na cerimônia de premiação no Dolby Theatre at Hollywood & Highland Center, em Hollywood, com transmissão para o Brasil e outros 224 países.

Feito esse preâmbulo e essa explicação sobre o que aconteceu hoje e o que irá suceder até a entrega das estatuetas douradas, vamos falar um pouco sobre o saldo dos indicados para o prêmio da Academia. Olha, foram poucas as surpresas. Praticamente todos os favoritos foram lembrados. Mas, admito, me chamou a atenção, duas grandes ausências entre os indicados.

Dois filmes considerados favoritos ficaram de fora de suas respectivas categorias. Me refiro ao filme In the Fade, do grande Fatih Akin, que foi esnobado e ficou de fora da disputa na categoria Melhor Filme em Língua Estrangeira; e ao documentário Fade, vencedor do Producers Guild Awards e de várias outras premiações. Os dois filmes, aliás, vinham se destacando por estarem papando boa parte dos prêmios dessa temporada e, apesar disso, foram esnobados pela Academia. Curioso, no mínimo.

Sem In the Fade na disputa, francamente, sou honesta em dizer que não me surpreenderia se o Chile papasse o prêmio de Melhor Filme em Língua Estrangeira nesse ano. Logo mais, veremos. No mais, a grande disputa do ano parece estar entre Three Billboards Outside Ebbing, Missouri (comentado aqui) e The Shape of Water. Ah sim, e chamou um pouco a atenção as esnobadas para Steven Spielberg e The Big Sick (que foi lembrado apenas em Roteiro Original) e o crescimento do filme Phantom Thread, do sempre interessante Paul Thomas Anderson.

Declaro, junto com esse post, aberta a temporada de “correr atrás” do máximo de filmes indicados esse ano ao Oscar. 😉 Como vocês sabem, eu já comecei essa busca – prova disso é que seis dos nove filmes indicados na categoria principal já foram comentados aqui no blog. Mas, agora, está na hora de ir colocando o “check” em cada uma das produções que ainda me faltam. Abaixo, deixo a lista de todos os indicados, conforme a divulgação da Academia, e uma breve avaliação sobre os finalistas em cada categoria.

E bons filmes para todos nós! Algo é certo: essa temporada tem uma safra bem interessante e diversificada. O público, agradece.

CONFIRA A LISTA DE TODOS OS INDICADOS AO OSCAR 2018:

Melhor Ator:

Avaliação: Essa categoria, assim como as outras envolvendo os astros e estrelas de Hollywood, não teve surpresas nesse ano. Todos esses nomes já eram esperados. Não assisti ainda ao trabalho de Denzel Washington e de Daniel Day-Lewis, mas conhecendo o histórico desses dois grandes atores e o talento de ambos, imagino que eles mereceram as suas indicações. Timothée Chalamet está em alta por causa de Call Me By Your Name e por seu trabalho como coadjuvante em Lady Bird (para esse, ele não foi indicado). Daniel Kaluuya estrela um dos grandes filmes do ano, Get Out.

Então sim, todos os que estão concorrendo tem talento e trabalho de destaque esse ano para ter justificado as suas indicações. Daniel Day-Lewis conseguiu a quinta vaga nessa categoria desbancando James Franco, de The Disaster Artist (ele foi indicado por esse papel ao Globo de Ouro, mas ficou de fora do Oscar). Faz parte. Sempre a quinta vaga pode ser conquistada por dois ou até três atores. Não falei antes de Gary Oldman porque ele está simplesmente impecável e espetacular em Darkest Hour. Ele faz o filme. É o favoritíssimo nessa categoria, até porque vem “papando tudo” nessa temporada.

Melhor Ator Coadjuvante:

Avaliação: Outra categoria sem surpresas. Todos os nomes acima estavam muito bem cotados. Willem Dafoe está ótimo em The Florida Project (o próximo filme que eu vou comentar aqui no blog) e, certamente, mereceu essa indicação. Woody Harrelson e Sam Rockwell fazem um excelente trabalho em Three Billboards, assim como Frances McDormand – eles são os grandes nomes do filme. Richard Jenkins, que é sempre ótimo, estava também bem cotado por The Shape of Water, e Christopher Plummer conquistou a quinta vaga.

Os veteranos Christopher Plummer e Richard Jenkins não precisam ser apresentados. Eles são ótimos e muitas vezes não recebem os prêmios que mereciam. Nesse ano, eles também correm totalmente por fora. Woody Harrelson e Willem Dafoe também não precisam de apresentações. Ambos conquistaram as suas vagas com belos trabalhos. Mas o favoritíssimo nessa categoria, inclusive porque ganhou o Globo de Ouro – e boa parte dos outros prêmios dessa temporada -, é Sam Rockwell. Dificilmente ele não vai levar esse prêmio. E será merecido.

Melhor Atriz:

Avaliação: Mais uma categoria repleta de gente talentosa e com a “escalação” praticamente definida com antecedência. Frances McDormand é a grande favorita, seguida a partir de uma certa distância por Saoirse Ronan e Sally Hawkins. Elas estrelam três dos filmes mais badalados e comentados do ano. Então é fácil de entender que as estrelas desses filmes sejam indicadas. Fiquei particularmente feliz por Margot Robbie ter conseguido a sua indicação – ela está simplesmente incrível em I, Tonya.

E a quinta vaga foi conquistada por ninguém mais, ninguém menos que a recordista absoluta de indicações no Oscar, a gigante e inesquecível Meryl Streep. Difícil um ano em que a atriz não é indicado ao Oscar. De 2010 para cá, ela só não foi indicada em três anos. De 1979 para cá, Meryl Streep ganhou três estatuetas do Oscar e foi indicada outras 18 vezes. Ou seja, no total, o nome dela foi citado 21 vezes em uma premiação do Oscar. Incrível. Mas, mais uma vez, ela ficará apenas entre as indicadas. Essa grande atriz conquistou a quinta vaga desse ano deixando outra veterana de fora da disputa: Judi Dench.

Melhor Atriz Coadjuvante:

Avaliação: Nomes bem cotados nessa categoria também. Mas aqui, se compararmos as indicações do Oscar com o Screen Actors Guild Award, é onde tivemos as maiores mudanças. Allison Janney e Laurie Metcalf, as mais fortes concorrentes nessa categoria, repetiram no Oscar a indicação junto com Mary J. Blige. As outras duas atrizes conquistaram as suas indicações deixando para trás Hong Chau (Downsizing) e Holly Hunter (The Big Sick). Ainda assim, não dá para dizer, exatamente que foi uma surpresa ver as indicações de Octavia Spencer e Lesley Manville.

Especialmente Octavia Spencer estava bem cotada para essa categoria. E como o filme Phantom Thread cresceu bastante na campanha do Oscar, Lesley Manville conquistou a quinta vaga – no lugar de Hong Chau, especialmente. A atriz inglesa, que tem 10 prêmios no currículo e que recebeu, esse ano, a sua primeira indicação ao Oscar, talvez seja a única “surpresa” entre os atores e atrizes indicados. As chances dela de ganhar, são zero. A favorita é Allison Janney, mas não seria uma grande zebra se Laurie Metcalf levasse a estatueta para casa. Pessoalmente, torço por Janney.

Melhor Animação:

Avaliação: Sem surpresas nessa categoria. O que é algo bastante positivo em um ano com filmes menos interessantes “na disputa” – e que, ainda bem, ficaram de fora da lista final. Acredito que realmente os melhores do ano foram indicados. Vale uma menção especial, aqui, para a indicação do brasileiro Carlos Saldanha como diretor de Ferdinand. Esta é a segunda indicação desse “orgulho nacional” no Oscar – antes, ele concorreu por Gone Nutty. As chances dele vencer são nulas.

O favoritíssimo desse ano é o filme Coco, uma produção do estúdio Walt Disney. Dificilmente, mas muito dificilmente mesmo, esse filme não vai levar a estatueta para casa. Os produtores Lee Unkrich e Darla K. Anderson, vencedores de um Oscar por Toy Story 3, tem tudo para levarem o segundo Oscar para casa. Da minha parte, fiquei especialmente feliz pela indicação de Loving Vincent. Belo filme que mereceu muito essa indicação!

Melhor Direção de Fotografia:

Avaliação: Aqui as bolsas de apostas acertaram em cheio. Esses cinco filmes já eram esperados na disputa por Melhor Fotografia. Fiquei especialmente feliz pela indicação de Blade Runner 2049 – aqui e em todas as demais categorias em que o filme está concorrendo. Ainda que ele não leve nenhuma estatueta para casa, só fato dele não ter sido esnobado já me deixou bem contente. Dos três filmes da lista que eu assisti (Blade Runner 2049, Darkest Hour e Dunkirk), sou honesta em dizer que eu fico dividida entre Blade Runner 2049 e Dunkirk.

Os dois trabalhos são excepcionais, mas se eu pudesse votar, votaria em Blade Runner 2049. Eu não assisti ainda a The Shape of Water e a Mudbound, mas eu acho que a disputa está mesmo entre Blade Runner 2049 e Dunkirk. A bolsa de apostas aponta para o primeiro. Veremos se a maioria acerta. Como eu gostei muito de Blade Runner 2049, espero que o filme não saia de mãos abanando do Oscar 2018.

Melhor Figurino:

Avaliação: Essa categoria, tão interessante e tão pouco falada a cada Oscar, estava bem disputada esse ano. Tanto que dois filmes que estavam bem cotados para concorrer ao Oscar ficaram de fora da disputa: The Greatest Showman e Murder of the Orient Express. Eu não posso falar muito sobre Melhor Figurino porque eu só vi dois filmes dos cinco indicados – e dos sete bem cotados. Mas… pelo trailer que eu assisti e pelas fotografias que eu vi de The Greatest Showman, me parece que esse filme foi um tanto “injustiçado” por ficar de fora da disputa.

Como não assisti a três dos indicados, não me sinto preparada para avaliar de quem é a maior chance ainda. Nas bolsas de apostas, aparecem na liderança Phantom Thread e Beauty and the Beast. Honestamente, pelo sucesso que o filme teve no ano passado, acho que Beauty and the Beast pode levar a melhor. Algo a chamar a atenção é que a veterana Jacqueline Durran, vencedora de um Oscar por Anna Karenina, de 2012, está concorrendo duplamente nesse ano: por Beauty and the Beast e por Darkest Hour.

Melhor Diretor:

Avaliação: Três dos indicados nessa categoria eram “bolas cantadas”, mas duas vagas foram conquistadas na reta final da campanha dos estúdios pelas indicações ao Oscar. Guillermo del Toro, Christopher Nolan e Jordan Peele tinham as suas cadeiras reservadas na disputa por causa do trabalho excelente que eles fizeram em seus respectivos filmes – eu não assisti ainda a The Shape of Water, mas conheço bem o talento de del Toro para saber que ele merece qualquer indicação.

Eu sou fã de Paul Thomas Anderson. Gosto muito de seu estilo e trajetória. Ainda assim, preciso admitir que ele foi o nome que conquistou a quinta vaga nessa categoria, desbancando nomes fortíssimos como Steven Spielberg (por The Post) e o diretor de um dos filmes mais badalados do ano, Three Billboards, Martin McDonagh. Greta Gerwig, que escreveu e dirigiu o filme queridinho da crítica nessa temporada, Lady Bird, foi menos surpreendente ao conquistar o quarto posto. Entre os nomes na disputa, acredito que a grande rivalidade está entre Guillermo del Toro e Christopher Nolan. Um dos dois deve levar a estatueta – mesmo sem ter assistido ainda a The Shape of Water, admito que eu torço por del Toro.

Melhor Documentário:

  • Abacus: Small Enough to Jail
  • Faces Places
  • Icarus
  • Last Men in Aleppo
  • Strong Island

Avaliação: Essa categoria logo me chamou a atenção, assim como a de Melhor Filme em Língua Estrangeira. E a razão para isso é simples: ficou de fora da disputa um dos filmes favoritos do ano, Jane. Essa produção ganhou o Producers Guild Awards e vários outros prêmios da temporada. Realmente fiquei surpresa de não ver ela entre os finalistas. Jane também liderava, e com uma ampla vantagem, as bolsas de apostas.

Não assisti ainda a nenhum desses documentários. Mas pela premissa de cada filme, acho que Last Men in Aleppo e Icarus tem boas chances. Segundo as bolsas de apostas, contudo, Faces Places teria vantagem na disputa, seguido de Icarus. Essa é uma categoria sobre a qual eu prefiro opinar no futuro a curto prazo, quando eu começar a assistir aos filmes que estão na disputa.

Melhor Curta Documentário:

  • Edith+Eddie
  • Heaven Is a Traffic Jam on the 405
  • Heroin(e)
  • Knife Skills
  • Traffic Stop

Avaliação: Aqui, mais uma vez, o favorito das bolsas de apostas ficou de fora da disputa. Alone não foi indicado, mas o segundo colocado, Heroin(e), sim. Novamente, prefiro opinar sobre essa categoria depois de assistir aos concorrentes.

Melhor Edição:

Avaliação: Um dos fenômenos desse ano, Baby Driver, conseguiu a sua primeira indicação no Oscar 2018 nessa categoria. Na verdade, essa categoria é toda composta de “filmes sensação” do ano. Não necessariamente eles foram bem nas bilheterias, mas se deram bem na opinião do público e da crítica.

Da lista acima, ainda preciso conferir Baby Driver e The Shape of Water. Entre os demais, as bolsas de apostas apontam como franco favorito Dunkirk. Ainda que eu goste muito de I, Tonya e prefira esse filme, admito que Dunkirk dá um show de edição. Não seria nem um pouco injusto que ele se sangrasse o vencedor como Melhor Edição.

Melhor Filme em Língua Estrangeira:

Avaliação: Essa foi outra categoria que me chamou muito a atenção por causa de uma grande ausência. Quem acompanha o blog há bastante tempo, acho que sabe que a categoria Melhor Filme em Língua Estrangeira é uma das minhas favoritas a cada Oscar. Esse ano, não é diferente. Alguns filmes dos quais eu tinha gostado já tinham ficado pelo caminho, e ainda que eu não tenha assistido a In the Fade, eu considerava esse o favorito. Não apenas por ele ter vencido ao Globo de Ouro e a vários outros prêmios, mas porque conheço bem o trabalho do diretor Fatih Akin.

Então sim, foi uma surpresa não ver In the Fade entre os finalistas. Por outro lado, não foi surpresa alguma ver ao chileno A Fantastic Woman – um dos meus próximos filmes a ser comentado por aqui – e ao russo Loveless na lista dos cinco indicados. Os outros dois, The Square e On Body and Soul, também se credenciaram como fortes candidatos nessa temporada por causa dos prêmios que receberam. Segundo as bolsas de apostas, A Fantastic Woman seria o favorito. Da minha parte, de quem não assistiu a todos os indicados ainda, eu diria que The Square ou On Body and Soul tem boas chances também. Essa categoria, até por In the Fade ter ficado de fora, está entre as mais difíceis de acertar nesse ano.

Melhor Maquiagem e Cabelo:

Avaliação: Categoria curiosa que, nos últimos anos, tem indicado apenas três filmes. Não é por falta de candidatos, mas porque a Academia prefere indicar apenas as “unanimidades”, digamos assim, em Maquiagem e Cabelo. Para mim, surpresa alguma nessas indicações. Realmente esses três filmes tem trabalhos excepcionais de Maquiagem e Cabelo – mas Star Wars: The Last Jedi, que nem ficou na lista dos pré-indicados, Guardians of the Galaxy Vol. 2 e outros filmes também tem. Vai entender porque outros títulos não foram indicados…

Desses três trabalhos que acabaram figurando na lista dos indicados, a escolha é difícil – especialmente entre Darkest Hour e Wonder. Os dois trabalhos de Maquiagem e Cabelo são incríveis. Mas… as bolsas de apostas apontam para uma vitória de Darkest Hour. A transformação de Gary Oldman em Winston Churchill realmente é algo impressionante e digno de um Oscar. Eu votaria, provavelmente, por Darkest Hour também.

Melhor Trilha Sonora:

Avaliação: Outros indicados de peso em uma categoria difícil que parece estar bem disputada nesse ano. Por trás dessas produções, grandes nomes da música e das trilhas sonoras no cinema. Pessoas que fizeram – e continuam fazendo – história, como os veteranos e mestres John Williams, Hans Zimmer e Alexandre Desplat.

Segundo as bolsas de apostas, The Shape of Water levaria uma certa vantagem sobre Dunkirk. Se avaliarmos os prêmios entregues nessa temporada, de fato Desplat parece levar uma certa vantagem sobre Zimmer. Mas qualquer um deles vencendo, será merecido. Não assisti a Phantom Thread e The Shape of Water, então ainda não me sinto totalmente “informada” para poder opinar. Mas, entre os outros três filmes, acredito que eu ficaria com Dunkirk. A trilha sonora da produção, que muitas vezes apresenta ausência de diálogos, realmente é marcante.

Melhor Canção Original:

  • “Mighty River” (Mudbound)
  • “Mystery Of Love” (Call Me By Your Name)
  • “Remember Me” (Coco)
  • “Stand Up For Something” (Marshall)
  • “This Is Me” (The Greatest Showman)

Avaliação: A grande ausência dessa categoria foi a música “Evermore”, do filme Beauty and the Beast. No lugar dela, entrou uma outra forte candidata, “Mighty River”. Canção Original é algo complicado de julgar. O filme Detroit, por exemplo, de algumas canções originais bastante marcantes. Entre os concorrentes, assisti apenas a Call Me By Your Name. Então fica difícil julgar com propriedade.

Pelo histórico do Oscar, que gosta de premiar canções de filmes de animação, me parece que “Remember Me” leva uma certa vantagem. As bolsas de apostas também apontam para essa direção. Pessoalmente, gosto muito da força de “This Is Me”. Essa pode ser a melhor chance de The Greatest Showman não sair de mãos vazias do Oscar. Mais uma categoria difícil e na qual pode pintar uma certa zebra.

Melhor Filme:

Avaliação: Tive sorte nesse ano. Dos nove filmes indicados na categoria principal do Oscar, eu já assisti a seis. 😉 Falta conferir, ainda, Phantom Thread, The Post e The Shape of Water. Produções dirigidas por três diretores de quem eu gosto muito. Sobre esses filmes, que eu ainda não assisti, não tenho como comentar. Dos outros seis, posso dizer que concordo com quase todas as indicações. Apenas Darkest Hour eu acho que não é tãooo bom a o ponto de ser indicado a Melhor Filme. No lugar dele, sem dúvida alguma, eu iria preferir I, Tonya, Blade Runner 2049 (que eu já sabia que estava fora da disputa) ou mesmo The Florida Project – que será o próximo filme comentado aqui no blog.

Entre os indicados, me parece que a grande queda de braço está entre Three Billboards Outside Ebbing, Missouri e The Shape of Water. Dunkirk viria na terceira posição. Preciso assistir ao filme do del Toro, mas entre os indicados que eu já assisti, sem dúvida eu ficaria com Three Billboards. Em segundo lugar, com Get Out. Mas isso pode mudar depois que eu ver aos filmes de Paul Thomas Anderson, Guillermo del Toro ou Steven Spielberg. Três gênios de quem eu gosto muito. Veremos. Logo falaremos sobre essas produções e eu baterei o meu martelo definitivamente. 😉

Melhor Design de Produção:

Avaliação: Aqui as bolsas de apostas acertaram em cheio. Os cinco filmes mais cotados foram, justamente, os que conseguiram uma indicação ao Oscar. Design de Produção é algo magnífico. Não vi a dois desses filmes – Beauty and the Beast e The Shape of Water -, mas pelas imagens dos filmes que eu vi, especialmente em fotografias, concordo com as indicações. Os cinco filmes são incríveis. Mas essa é uma categoria disputada.

Acredito, por exemplo, que The Greatest Showman também mereceria ser indicado. Mas não sobrou uma vaga para ele. Entre os filmes que eu vi até agora, não tenho como não considerar Blade Runner 2049 o mais incrível. Mas… segundo as bolsas de apostas, The Shape of Water seria o favorito. Tenho que ver aos dois filmes que faltam para poder realmente bater o martelo. Ah sim, depois do filme do del Toro, Blade Runner 2049 seria o segundo mais visado pelas bolsas de apostas.

Melhor Curta Animação:

  • Dear Basketball
  • Garden Party
  • Lou
  • Negative Space
  • Revolting Rhymes

Avaliação: Categoria sobre a qual eu gosto de comentar aqui no blog. Em breve, tenham certeza, farei blog posts sobre as três categorias de curtas. Mas, como ainda não assisti aos concorrentes, prefiro comentar sobre eles depois. Na bolsa de apostas, o filme que liderava, e de disparada, In a Heartbeat, ficou de fora da lista dos indicados. O segundo mais apostado é Dear Basketball.

Melhor Curta:

  • DeKalb Elementary
  • The Eleven O’Clock
  • My Nephew Emmett
  • The Silent Child
  • Watu Wote (All of Us)

Avaliação: Nessa categoria, por muito pouco as bolsas de apostas não acertaram em cheio. Apenas o curta Icebox, que era apontado na quinta posição entre os favoritos, ficou de fora, cedendo a sua vaga para My Nephew Emmett. Ainda preciso assistir a essas produções, mas segundo os apostadores, teria uma vantagem considerável na disputa o curta DeKalb Elementary.

Melhor Edição de Som:

Avaliação: Mais uma categoria que junta a alguns dos filmes “fenômeno” da temporada e sobre a qual os apostadores acertaram em cheio. Os cinco favoritos conseguiram, de fato, ser indicados. Mais uma categoria em que a concorrência é das boas, porque temos apenas grandes trabalhos lutando por uma estatueta dourada. Da lista, não assisti a Baby Driver e a The Shape of Water. Mas entre os que eu assisti, fico honestamente em dúvida.

As bolsas de apostas apontam para Dunkirk como o favorito, seguindo muito, mas muito atrás por Blade Runner 2049. Pessoalmente, prefiro Blade Runner 2049. Mas sou capaz de admitir, também, que o trabalho de edição de som de Dunkirk é exemplar e de tirar o chapéu. Acredito que qualquer filme que vencer nessa categoria será merecedor.

Melhor Mixagem de Som:

Avaliação: Sim, a lista em Mixagem de Som é exatamente a mesmo da lista de Edição de Som. Isso se explica pelo trabalho excepcional dos cinco filmes nesses quesitos. Os apostadores, aqui, mais uma vez, acertaram em cheio. As minhas considerações e opinião são praticamente as mesmas da categoria anterior. Acho excepcional o trabalho de mixagem de som em todos os filmes que eu assisti dessa lista, e acho que Dunkirk deve levar a estatueta para casa.

Melhores Efeitos Visuais:

Avaliação: Na lista, cinco filmes que investiram pesado em efeitos visuais. Como sempre, essa é uma das categorias que eu menos acompanho a cada Oscar – especialmente porque ela é formada, geralmente, por “blockbusters” que, como os leitores fieis dessa blog sabem, não são muito a minha “praia” – ou, para dizer de outra forma, não são muito o meu foco. Entre os indicados, assisti apenas a Blade Runner 2049 e a Star Wars: The Last Jedi. Francamente? Eu acharia bacana qualquer um desses dois filmes vencer.

Mas, segundo as bolsas de apostas, o favorito nessa disputa, e com uma certa vantagem, é War for the Planet of the Apes. Realmente preciso assistir aos outros três concorrentes para poder opinar, mas tenho certeza que não será feita injustiça nessa categoria porque todos os concorrentes capricharam nos efeitos visuais.

Melhor Roteiro Adaptado:

Avaliação: Que legal ver um filme baseado em uma HQ ser indicado a Melhor Roteiro Adaptado. Puxa, muito legal mesmo! Eu sou uma grande fã de HQs – mas admito que, nem sempre, estou super no “barato” de ver a uma adaptação delas no cinema. Ainda assim, eu assisti a Logan e acho que o filme mereceu sim essa indicação. Bacana. Dito isso, comento também que me falta conhecimento para opinar sobre essa categoria nesse momento.

Essa minha “mea culpa” é porque eu assisti apenas a Logan e a Call Me By Your Name da lista aí acima. Tenho que ver aos outros filmes para poder opinar. Entre os dois que eu vi, sem dúvidas o meu voto iria para Call Me By Your Name, uma adaptação muito bem feita e comovente de uma obra que me parece ser complicada de adaptar. Nas bolsas de apostas, o filme dirigido por Luca Guadagnino, com roteiro de James Ivory e com o brasileiro Rodrigo Teixeira entre os produtores é apontado, também, como o favorito nessa categoria. Honestamente? Estou torcendo por ele (até prova em contrário). Ah sim, e as bolsas de apostas acertaram em cheio na lista dos cinco indicados. Sem surpresas, portanto.

Melhor Roteiro Original:

Avaliação: Gosto muito das duas categorias de roteiros no Oscar. Afinal, para mim, um grande filme deve ter um grande roteiro como base. Sempre. Mesmo comentando isso, devo dizer que eu tenho uma certa “predileção” por essa categoria, a de Melhor Roteiro Original. Nela que, geralmente, encontramos os filmes mais interessantes a cada ano. Novamente, em 2018, isso não é diferente.

Eu não assisti, ainda, a The Shape of Water e a The Big Sick, mas sei do “burburinho” que os dois filmes causaram por causa dos seus roteiros. Gostei muito também do roteiro de I, Tonya, mas entendo que tendo apenas cinco vagas, não dá para entrar todos os filmes bons dessa temporada. Entre as produções que eu assisti, acho que o meu voto iria para Get Out pelo ineditismo da história e pelas ótimas sacadas do diretor e roteirista Jordan Peele. Mas, para ser franca, eu não acharia injusto Three Billboards também levar o título – afinal, o roteiro do filme é ótimo também. Escolha difícil. Nas bolsas de apostas, Lady Bird é o favorito, seguido de Get Out. Bueno, gosto é gosto, mas eu não gostaria de ver Lady Bird vencedor nessa categoria.