E o Oscar 2018 foi para… (cobertura online e todos os premiados)

Olá amigos e amigas do blog!

O tempo passou veloz, mais uma vez, e estamos aqui juntos para mais uma cobertura da premiação máxima da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood. O querido Oscar chega aos seus 90 anos. A safra desse ano é interessante, apesar de algumas produções bacanas terem ficado de fora de algumas categorias importantes.

Mas quem acompanha ao Oscar há algum tempo, sabe que é assim mesmo. Os votantes da Academia muitas vezes acertam, outra vezes, nem tanto. Por isso alguns dizem que o Oscar tem as suas injustiças e promove as suas consagrações. É uma forma de encarar o que vemos no Oscar. Eu já prefiro pensar que em cada ano temos uma “onda” e uma “bola da vez” da indústria do cinema dos Estados Unidos.

E que nós, que fazemos parte do público, estamos alheios a tudo isso. E que acabamos fazendo as nossas escolhas com base apenas nos nossos gostos, experiências dentro e fora do cinema, independente do lobby e dos “bastidores” da indústria – que, no final de contas, é o que define os premiados, e não o gosto popular.

Dito isso, o que podemos esperar do Oscar 2018? Eu acredito que teremos uma noite muito interessante, com discursos fortes e com alguns “dedos na ferida”. Especialmente porque Hollywood vive um momento interessante, em que se discute mais respeito entre os profissionais que fazem parte da indústria e em que, mais uma vez, se discute uma maior igualdade – seja de gênero, seja racial.

Assim, Hollywood, mais uma vez, mostra-se “vulnerável” em relação às discussões sociais que correm fora de seus muros e estúdios. O que é muito positivo. Como Hollywood também dita tendências, nada melhor do que debater assuntos importantes e, quem sabe, influenciar positivamente algumas mudanças na sociedade, não é mesmo? Como a imprensa e a TV tem as suas responsabilidades com a sociedade, o cinema também.

Mas o que esperar, mais especificamente, sobre a entrega das estatuetas douradas? Acredito que teremos uma edição 90º do Oscar com entregas pulverizadas. Por baixo, acredito que 12 filmes e três curtas serão premiados. Mas quem se consagrará mais? Tudo indica que Dunkirk receberá a maioria dos prêmios técnicos e que Three Billboards Outside Ebbing, Missouri, tem grandes chances de ganhar uma boa quantidade dos Oscar’s principais – incluindo Melhor Filme, Melhor Atriz, Melhor Ator Coadjuvante e Melhor Roteiro Original.

Three Billboards Outside Ebbing, Missouri, pode perder o Oscar de Melhor Filme para Dunkirk ou The Shape of Water; e pode perder o Oscar de Melhor Roteiro Original para Get Out. A verdade é que não temos um filme inquestionável este ano para dominar a premiação. Há vários filmes muito bons na disputa, por isso não seria injusto que muitos saíssem ganhando alguma estatueta.

Por outro lado, acho que algumas indicações foram exageradas. Da minha parte, eu não teria indicado Lady Bird, Darkest Hour ou The Post para Melhor Filme. Por outro lado, acho que mereciam ter sido indicados nessa categoria filmes como I, Tonya e The Florida Project, produções muito mais marcantes e “potentes” do que esses outros filmes que acabaram sendo indicados.

Estou acompanhando o tapete vermelho desde pouco antes das 20h. Até o momento, nada de muito relevante para destacar. Apenas uma presença feminina expressiva, e com as mulheres marcando posição sobre os abusos sexuais e o sexismo que ainda distribui muitas cartas em Hollywood. Mas diferente do Golden Globes, as pessoas estão variando os seus modelitos no Oscar, colocando cores variadas no tapete vermelho – ou seja, não está predominando o preto, como ocorreu no Golden Globes, quando astros e estrelas usaram essa cor para marcar posição em relação aos abusos.

Algo que posso comentar, sobre o tapete vermelho, é que todos os astros e estrelas que gostamos de ver, estão marcando presença na entrega da premiação desse ano. Das entrevistas que ouvi até agora, as 20h45, a que eu destacaria seria a de Christopher Plummer, que elogiou muito o trabalho de Ridley Scott, a forma com que o diretor consegue imaginar um filme complexo com muitos detalhes e como ele valoriza o trabalho dos atores. Plummer é uma das melhores qualidades do mediano All the Money in the World.

Vale lembrar que o apresentador do Oscar, mais uma vez, será Jimmy Kimmel. Devo dizer que a experiência com ele no ano passado foi um tanto desastrosa. Achei ele sem graça, um tanto forçado. Vejamos o que ele tira da cartola essa noite. O que esperamos é que ele não faça nenhuma grande besteira, que a premiação tenha um ritmo melhor cadenciado e que, claro, ninguém troque o envelope de Melhor Filme mais uma vez. 😉

Entrevistada no tapete vermelho, a atriz Helen Mirren falou do “furacão” que está varrendo Hollywood e a indústria do cinema nos últimos meses. Ela disse que acompanha mudanças progressivas, mas lentas, há 10 anos. Disse também que essas mudanças maiores que estão acontecendo agora poderiam ter vindo antes. Sem dúvida. Mas aí é aquela história: antes “tarde do que mais tarde”, não é mesmo?

O ator Bradley Whitford, de Get Out – um dos belos filmes de 2017 e que está concorrendo em quatro categorias -, comenta que existe ainda muito preconceito nos Estados Unidos e que o filme trata sobre como as pessoas se sentem no meio de outras pessoas que lhe são “estranhas”, e que isso vai de forma mais profunda do que apenas a questão racial. Verdade. O filme trata muito bem sobre isso, mas também é sim um filme potente sobre como os negros continuam sendo explorados – nos Estados Unidos e em várias outras latitudes – em pleno século 21.

Falando em desigualdade e afins, no Oscar desse ano eu espero que alguns latinos se saiam bem. O mexicano Guillermo del Toro é o favorito na categoria Melhor Diretor, e o chileno Una Mujer Fantástica tem grandes chances de ganhar como Melhor Filme em Língua Estrangeira. Eu torço pelos dois. Ambos merecem, e muito. Del Toro, nem tanto por The Shape of Water, mas por sua filmografia até aqui. Entre os cinco estrangeiros indicados, sem dúvidas o meu favorito é Una Mujer Fantástica.

A cerimônia do Oscar começa as 22h. Vamos ver como a premiação vai começar. Qual será o nível de besteirol de Jimmy Kimmel. Alexandre Desplat, que é um gigante das trilhas sonoras, comentou no tapete vermelho que já teve uma banda que tocava bossa nova. Ou seja, ele ama a música brasileira. Francês querido, além de muito, muito talentoso. Ele é o favorito para ganhar o Oscar dessa noite de Melhor Trilha Sonora.

E a premiação começou lembrando que o Oscar 2018 celebra os 90 anos da premiação. Como eles fizeram isso? Com uma narrativa imitando uma rádio antiga e as cenas todas em preto e branco. Uma bela sacada, devemos dizer. Jimmy Kimmel foi bem no começo no estilo “histórico”. O início da apresentação foi bem formal, até que ele tirou sarro do erro do Oscar de 2017. Sugeriu que ninguém se levante logo quando tiver o nome citado… 😉

Depois, explicou como a Academia trabalhou para evitar que um incidente como aquele de trocarem o vencedor do Melhor Filme aconteça novamente. Kimmel mandou bem ao tirar “sarro” da estatueta do Oscar, dizendo que ele é um bom exemplo por ter as mãos unidas em um local em que todos podem ver, por não falar nada grosseiro e por não ter um pênis, claro. Em seguida, ele falou da expulsão de Harvey Weinstein e da importância de Hollywood não deixar mais abusos “passarem” e acontecerem.

Sim, o Oscar não tratou com leveza o tema. A Academia resolveu falar abertamente sobre isso e também sobre pessoas que estão fazendo história na premiação desse ano, como Rachel Morrison, a primeira mulher da história a ser indicada na categoria Melhor Fotografia; e para Greta Gerwig, a primeira mulher a ser indicada como Melhor Diretora em muitos anos.

Entre os destaques citados por Kimmel, ele destacou as primeiras indicações de Margot Robbie e de Timothée Chalamet nas categorias principais de atuação – e tirou sarro que Chalamet estava perdendo os desenhos dele por estar na premiação. Sim, ele foi bem nas piadas. Melhorou em relação ao ano passado. Destacou também a 21ª indicação dela no Oscar, mas sem ser grosseiro.

Kimmel brincou que as pessoas terão toda a liberdade de fazer os seus discursos no Oscar 2018, mas que quem fizer o discurso mais curto, levará um jet ski. Hahahahaha. Muito bom!

E como manda o figurino e a tradição do Oscar, a primeira categoria entregue da noite foi Melhor Ator Coadjuvante. Em uma noite de celebração da história da premiação, um vídeo relembrou vários dos ganhadores e seus desempenhos brilhantes. O favoritíssimo desse ano é Sam Rockwell, de Three Billboards Outside Ebbing, Missouri. E o Oscar de Melhor Ator Coadjuvante foi para… Sam Rockwell.

No seu discurso, Rockwell agradeceu os seus colegas de elenco e os pais, por terem lhe passado tanto amor pelo cinema. Um querido, ainda mais porque terminou falando do seu love.

Na volta do intervalo, Kimmel brincou com os discursos longos. Disse que eles não vão subir a música para quem fizer um discurso muito longo, mas que o ator Lakeith Stanfield, de Get Out, vai entrar em cena gritando Get Out. Hahahahaha. Vamos combinar que as piadas estão melhores!

Em seguida, Armie Hammer e Gal Gadot apresentaram o Oscar de Melhor Maquiagem e Cabelo. E o Oscar foi para… Darkest Hour. Mais uma bola cantada e um favorito que levou o seu prêmio na noite. Realmente excelente o trabalho feito no filme nesse quesito. Uma das partes mais bacanas da noite veio na sequência, com a homenagem que fizeram para Eva Marie Saint, atriz com 94 anos de idade que apresentou os indicados em Melhor Figurino. E o Oscar foi para… Phantom Thread.

Achei fofo que Eva Marie Saint comentou que tem um pouco mais de anos que a Academia e que ela se sentia feliz de receber todo o carinho da plateia – ela foi aplaudida de pé – porque ela sentia muito a falta do marido, que morreu em 2017 após eles ficarem casados mais de 60 anos. Phantom Thread é outro favorito que ganha o seu Oscar. Os figurinos do filme são realmente incríveis. Seria injusto outro resultado. Até agora, o Oscar sendo bastante justo – e a cerimônia de entrega também bastante acertada. No tom certo.

Depois de mais um intervalo, Laura Dern e Greta Gerwig subiram ao palco para apresentar a categoria Melhor Documentário. O favorito é Faces Places, filme de Agnès Varda e JR. Veremos se teremos mais uma confirmação de um favorito recebendo o prêmio. E o Oscar foi para… Icarus. Eita! O filme que eu queria tanto assistir e não deu tempo… Agora, não terei mais jeito. Preciso ver. Ele trata do dopping no esporte, um tema tão importante e muito atual. Não dá para dizer que é uma zebra, porque o filme estava bem cotado também. Primeiro Oscar da Netflix nesse ano. 😉

“A importância de contar a verdade, hoje mais do que nunca”, disse Bryan Fogel, diretor de Icarus. Está coberto de razão. E não apenas pelo lado podre e de abusos do esporte, mas em toda as esferas. Precisamos falar disso. Em seguida, Mary J. Blige, primeira pessoa indicada por Melhor Canção e Melhor Atriz Coadjuvante em um mesmo ano, subiu ao palco para apresentar a música de Mudbound, “Mighty River”. Apresentação eletrizante, e com Blige dando um show particular. Linda música, muito bem apresentada e com uma encenação de palco também incrível.

Até o momento, o Oscar está dando um show. Muito melhor que em anos recentes. Bacana. Para os fãs do cinema, chega a ser um alívio. 😉 Dos filmes premiados até agora, eu só não assisti a Icarus. Acabei optando pelo favorito das bolsas de apostas e não cheguei a ter tempo de ver ao segundo colocado da lista… mas logo verei. Phantom Thread, apesar de ainda não ter rendido uma crítica por aqui, eu já assisti. Ele será o próximo a ser comentado.

Na volta de mais um intervalo, um novo vídeo sobre o encantamento do cinema, com várias cenas de produções fantásticas que fazem parte dessa arte centenária e que faz parte da nossa vida. “O cinema é uma máquina de empatia”, disse alguém no meio da sequência de cenas. Alguém tem uma definição melhor? Junto com essa, apenas que o cinema é arte pura. E que trata sempre sobre nós, nossos sonhos e vidas. Uma “máquina de empatia”, sem dúvidas. E o vídeo ainda deixou a mensagem da esperança. Importante nunca esquecermos dela.

Após o belo vídeo, que terminou com um agradecimento da Academia para o público que ajudou a fazer o cinema nessas últimas nove décadas, foram apresentados os indicados na categoria Melhor Edição de Som. E o Oscar foi para… Dunkirk. Favoritíssimo nessa categoria. E na próxima também, de Melhor Mixagem de Som. E o Oscar de Melhor Mixagem de Som foi para… Dunkirk. Essas duas premiações para Dunkirk eram bastante esperadas. O filme deve ganhar em mais alguma categoria técnica nessa noite, como Melhor Edição.

Depois de mais um intervalo, a Academia mostrou um resumo dos premiados na celebração que ocorre em paralelo, nas categorias técnicas. Em seguida, foram anunciados os indicados em Melhor Design de Produção. E o Oscar foi para… The Shape of Water. Outro favorito que saiu premiado. Esse deve ser o primeiro de alguns prêmios para o filme na noite.

Em seguida, Gael García Bernal apresentou outra música que está concorrendo na categoria Canção Original. Ele cantou “Remember Me”, do filme Coco. Na verdade, introduziu a canção, que foi apresentada realmente por Miguel e por Natalia Lafourcade. México mandando o seu recado.

Mais um intervalo, e na volta, Kimmel brinca com mais um prêmio para quem fizer o discurso mais curto – uma viagem para um lago onde o ganhador poderá usar o seu jet ski. Ok. 😉 Após uma apresentação de West Side Story, aparece no palco Rita Moreno. Ela fala da linguagem universal do cinema e apresenta os indicados na categoria Melhor Filme em Língua Estrangeira. A minha torcida vai para o chileno Una Mujer Fantástica. E o Oscar foi para… Una Mujer Fantástica. Oh yeah! Super merecido.

O diretor Sebastián Lelio foi lindo em seu discurso, especialmente por homenagear o elenco, dando destaque para Francisco Reyes e, principalmente, para Daniela Vega, que foi a inspiração para o filme. Em seguida, mais um vídeo cheio de mulheres poderosas em trabalhos marcantes do cinema. Que Oscar memorável, só por recordar de tantos momentos bacanas. Uma verdadeira viagem no tempo. Ah, o cinema…

Após o vídeo, Mahershala Ali apresenta as indicadas na categoria Melhor Atriz Coadjuvante. A minha favorita é Allison Janney, do ótimo I, Tonya. Veremos se ela leva. E o Oscar foi para… Allison Janney. Oba! Ela começou o discurso brincando ao dizer “Eu fiz tudo sozinha”. Arrancou risadas da plateia. Em seguida, ela agradeceu a toda a família de I, Tonya. Se vocês não assistiram ao filme ainda, assistam. Um dos melhores dessa temporada.

Depois do intervalo, uma apresentação feita por parte do elenco de Star Wars: The Last Jedi. Eles apresentaram os indicados na categoria Melhor Curta Animação. E o Oscar foi para… Dear Basketball. E eu estou devendo essa categoria para vocês, eu sei. Não consegui ver e comentar os curtas indicados desse ano, mas quem sabe eu ainda faça isso? Mesmo atrasada… me desculpem, mas a correria tem sido grande.

Realmente a Academia está cumprindo a sua promessa esse ano. Não estão subindo a música para apressar as pessoas. Deixaram Glen Keane, diretor de Dear Basketball, e Kobe Bryant, falarem em paz até o final. Muito bem! Em seguida, os indicados em Melhor Animação. O favoritíssimo é Coco. E o Oscar foi para… Coco. Bola cantadíssima. Em seu discurso, o diretor Lee Unkrich homenageou, claro, o México, afirmando que os Estados Unidos não seriam o país que eles são sem os mexicanos. Bacana. Coco é outro filme que ainda preciso assistir.

E uma das maiores provas que a Academia está avançando e acompanhando a sociedade, em seguida subiu ao palco a atriz transgênero Daniela Vega para apresentar outra música que está concorrendo na categoria Melhor Canção: “Mystery of Love”, de Call Me By Your Name, apresentado pelo compositor e cantor Sufjan Stevens.

Depois de mais um intervalo – sim, eles amam os comerciais 😉 – apresentaram os indicados a Melhores Efeitos Visuais. E o Oscar foi para… Blade Runner 2049. Opa! Essa foi um pouco uma surpresa. Fiquei feliz que Blade Runner 2049 ganhou, porque o filme merecia ao menos um Oscarzinho. Não badalaram muito a produção, mas a verdade é que é um filme interessante. Vale conferir.

Em seguida, o ator Matthew McConaughey subiu ao palco para apresentar os indicados na categoria Melhor Edição. E o Oscar foi para… Dunkirk. Previsível também. A expectativa era que esse filme ganhasse todas as categorias técnicas na qual estava concorrendo. Até agora, sem surpresa sobre isso. E ele ainda tem chances de levar Melhor Filme. Mas, para isso, terá que derrubar o favorito Three Billboards Outside Ebbing, Missouri.

Kimmel volta a cena para fazer uma boa piada sobre a categoria Melhor Edição. Ele disse que antes deles entrarem na sala escura de edição, Dunkirk era uma comédia romântica com Reese Whiterspoon. Hahahahaha. Ele realmente melhorou em relação ao ano passado. 😉 Na sequência, ele mostrou a plateia em um cinema que disse estar ao lado do Dolby Theatre e convidou uma comitiva de atores, atrizes e o diretor Guillermo del Toro para ir lá agradecer eles por “fazer o cinema”.

Na volta, Kimmel e Gal Gadot entram no cinema com alguns doces e falam que eles estão ao vivo no Oscar. Então a plateia da premiação e a do cinema acabam se vendo no telão. Kimmel brinca que há um grande cheiro de maconha no ar, e os outros astros entram em cena trazendo cachorros-quentes e mais doces. A brincadeira foi ótima. O povo do cinema realmente chocado.

Em seguida, foram apresentados os indicados a Melhor Curta Documentário. E o Oscar foi para… Heaven Is a Traffic Jam on the 405. Um resumo sobre esse curta vocês encontram nesse blog post em que falei sobre os indicados nessa categoria. Realmente parece interessante o curta. Em seguida, vieram os indicados da categoria Melhor Curta. E o Oscar foi para… The Silent Child. Eis outra categoria sobre a qual eu gostaria de ter feito um blog post. Quem sabe eu ainda não faça?

Achei muito legal que a roteirista Rachel Shenton fez o seu agradecimento na linguagem de sinais. Ela disse que prometeu isso para a atriz de seis anos que contracena com ela. O diretor Chris Overton agradeceu aos pais, que venderam cupcakes para que eles conseguissem terminar o filme. Essa é a vida real, minha gente. Muita gente lutando muito, muito mesmo para fazer cinema. Fiquei com ainda mais vontade de assistir a esse curta.

Na sequência, ouvimos a mais uma música indicada na categoria Melhor Canção. Dessa vez foi a vez de Common e Diane Warren arrasarem com “Strand Up for Something”. Canção eletrizante e muito bem interpretada e apresentada na premiação. Não por acaso a plateia ficou de pé. Bacana.

No retorno de mais um intervalo, Ashley Judd, Natalia Lafourcade e Salma Hayek subiram ao palco para falar sobre o movimento de igualdade que tomou conta de Hollywood. Então vários atores, atrizes e realizadores falaram sobre esse tema e sobre a importância de diversos filmes que estão rediscutindo o papel das pessoas originais no cinema. Sim, esse Oscar veio para marcar posição. E não teria como ser diferente, não é mesmo? Chegou a hora. Cinema não é só entretenimento. Quem acompanha esse blog sabe bem disso. 😉

Em seguida, os indicados na categoria Melhor Roteiro Adaptado. A minha torcida é por Call Me By Your Name. Essa é também a melhor chance desse filme. E o Oscar foi para… Call Me By Your Name. Aeeeehhhh!! Muito bom. Tenho certeza que os leitores do blog ficaram felizes com isso. E eu também. Realmente essa produção merecia.

O veteraníssimo James Ivory subiu no palco ajudado por uma bengala e agradeceu primeiro ao escritor André Aciman, afirmando que ele escreveu uma história sobre o primeiro amor, que muitas pessoas chegaram a vivenciar. Em seguida, agradeceu ao diretor Luca Guadagnino e ao elenco do filme. Que legal que o Ivory foi premiado. Há tempos ele merecia, mas esse foi o seu primeiro Oscar. Antes tarde do que mais tarde, pois.

Na sequência, a atriz Nicole Kidman apresenta os indicados na categoria Melhor Roteiro Original. Minha torcida fica entre Get Out e Three Billboards Outside Ebbing, Missouri. E o Oscar foi para… Get Out. Muito bem! Que bom que Get Out não vai sair de mãos vazias do Oscar. Ele não merecia. Um dos filmes mais originais dessa temporada. Nada mais justo do que o diretor e roteirista Jordan Peele ganhar essa estatueta dourada.

No retorno do intervalo, houve uma homenagem aos filmes que tratam sobre as batalhas que já foram travadas mundo afora em busca de um “mundo melhor”. Essa seria uma deixa para o Oscar 2018 premiar Dunkirk na categoria principal? Eu não me admiraria… Essa homenagem aos “homens e mulheres” que lutam nas Forças Armadas me pareceu um pouco deslocada do restante da premiação, mas beleza. Os Estados Unidos realmente adoram esse tema.

Na sequência, Sandra Bullock apresentou os indicados na categoria Melhor Fotografia. Disputa das boas, nesse ano. E o Oscar foi para… Blade Runner 2049. Opa, que legal! O grande Roger Deakins ganhou o seu primeiro Oscar depois de 14 indicações. Ele é responsável pela fotografia de grandes filmes que assistimos. Mais que merecido! E fico feliz também por Blade Runner 2049 ter sido premiado nessa noite.

Na sequência, ouvimos a última música da noite que concorre na categoria Melhor Canção. Interpretando “This Is Me”, Keala Settle soltou a voz e fez todos lembrarem do musical The Greatest Showman – mesmo que, como eu, não chegou a ver ao filme, apenas assistiu ao trailer. Essa filme é predominante na produção e acabou sendo bem marcante também na premiação do Oscar. Bastante vigorosa e contagiante. Settle deu um show.

Depois do intervalo e após um vídeo de The Deer Hunter, Christopher Walken apareceu em cena para apresentar os indicados na categoria Melhor Trilha Sonora. Ano com grandes concorrentes. Me arrisco a dizer, até, que esta é uma das categorias mais difíceis do ano. E o Oscar foi para… The Shape of Water. Alexandre Desplat realmente levou a estatueta para casa. Esse foi o segundo Oscar da carreira dele.

Na sequência, relembramos os indicados na categoria Melhor Canção. E o Oscar foi para… “Remember Me”, de Coco. Novamente um filme de animação dominando nessa categoria. Interessante. Na sequência, Jennifer Gardner apresentou o vídeo em homenagem aos falecidos no último ano. E quem cantou a música de homenagem? O meu querido, amado, Eddie Vedder. Bem, nem preciso dizer mais nada. Super emocionante. E para quem não assistiu a Into the Wild, com uma trilha de Eddie Vedder, super recomendo.

No retorno de mais um intervalo, a atriz Emma Stone apresentou os indicados a Melhor Diretor(a). E o Oscar foi para… Guillermo del Toro. Fico feliz pelo diretor, porque ele tem uma trajetória muito interessante, em primeiro lugar. Depois, por ser latino. The Shape of Water não é o melhor filme dele, mas algumas vezes o Oscar premia alguém que já deveria ter ganho antes por um filme “menor” depois. Sem problemas. Del Toro lembra que ele é um imigrante e que o cinema e a sociedade deveriam brigar pela inclusão. Ele merece como realizador, porque é um desses diretores com assinatura, com estilo e que faz suas produções com alma.

Até agora a noite foi muito boa para os latinos. O chileno Una Mujer Fantástica, Coco (sobre a cultura mexicana) e o mexicano Guillermo del Toro confirmaram os seus favoritismos. Bacana. Na volta do intervalo, Helen Mirren e Jane Fonda apareceram para apresentar o Oscar de Melhor Ator. O favoritíssimo é Gary Oldman. Vamos ver se mais essa bola cantada se confirma. E o Oscar foi para… Gary Oldman, de Darkest Hour.

Oldman agradeceu “profundamente” pela Academia e pelos seu votantes. Em seguida, falou de como viveu muito tempo nos Estados Unidos, falou da família, de ganhar o Oscar e de todos os que ajudaram ele na produção que lhe rendeu uma estatueta dourada. Agradeceu também a mãe, prestes a completar 99 anos de idade e que estava vendo ele no “sofá de casa”.

Na sequência, Jodie Foster e Jennifer Lawrence aparecem em cena para apresentar as indicadas na categoria Melhor Atriz. Foster, que apareceu de muletas, brinca que Meryl Streep deu uma de I, Tonya com ela. Momento engraçadinho. A favorita é Frances McDormand. Vamos ver se ela realmente leva. E o Oscar foi para… Frances McDormand. Oh yeah. Acho muito merecido. Ela está ótima no filme. E merecia mais que outras que estavam na disputa – especialmente Saoirse Ronan, festejada demais por Lady Bird.

Figura, ela fingiu que ia tropeçar e, depois, fingiu grande nervosismo. Agradeceu ao marido e ao filho e pediu para todas as mulheres indicadas se levantarem e se sentirem homenageadas com o Oscar dela, que ela colocou no chão. Ela comentou que todas essas mulheres tem histórias para contar e projetos para serem financiados. Brincou que os produtores não deveriam falar com essas mulheres na festa do Oscar, mas que depois deveriam chamá-las para conversar nos escritórios deles. Porque o que todos devem perseguir são roteiros de inclusão. Ela foi ótima. Um dos grandes momentos da noite, pela mensagem e pelo estilo “outsider”.

Finalizando a premiação, os apresentadores de Melhor Filme do ano passado – aquela entrega que deu o maior auê – voltam à cena. Faye Dunaway e Warren Beatty. Bela sacada de repetir os apresentadores. E quem vai levar Melhor Filme? Aposto em Three Billboards Outside Ebbing, Missouri, mas acho que pode rolar uma surpresa nesse final. Veremos… E o Oscar foi para… The Shape of Water. Ok.

O que dizer? Fico feliz pelo Guillermo del Toro. É um filme lindo, visualmente, mas a história não é tuuuuudo aquilo. Até porque o filme tem vários deslizes – vide a minha crítica por aqui – e, como muitos já falaram, repete várias e várias partes de outras produções, como Splash. Mas é o melhor filme do ano? Sem dúvida que não é. Assistam a todos os que concorreram – e ainda a I, Tony e a The Florida Project e depois me digam se The Shape of Water realmente é o melhor do ano.

Mas é isso aí. O Oscar pelo menos fez um grande trabalho em pulverizar os seus prêmios isso ano. Assim, muitos filmes bons saíram premiados, o que é muito mais junto e interessante do que apenas um filme “papar tudo”. Como eu previa, esse foi uma das premiações da Academia mais pulverizadas da história. Nada menos que 12 filmes foram premiados – além de três curtas. Independente se concordamos ou discordamos dos premiados, vamos seguir assistindo a belos filmes – inclusive os que a Academia nos “indica” a cada ano. Até a próxima, meus bons leitores!

Confira a lista com todos os premiados do Oscar 2018:

Melhor Filme: The Shape of Water

Melhor Ator: Gary Oldman (Darkest Hour)

Melhor Atriz: Frances McDormand (Three Billboards Ouside Ebbing, Missouri)

Melhor Ator Coadjuvante: Sam Rockwell (Three Billboards Outside Ebbing, Missouri)

Melhor Atriz Coadjuvante: Allison Janney (I, Tonya)

Melhor Diretor: Guillermo del Toro (The Shape of Water)

Melhor Animação: Coco

Melhor Filme em Língua Estrangeira: Una Mujer Fantástica

Melhor Documentário: Icarus

Melhor Roteiro Adaptado: Call Me By Your Name

Melhor Roteiro Original: Get Out

Melhor Fotografia: Blade Runner 2049

Melhor Figurino: Phantom Thread

Melhor Edição: Dunkirk

Melhor Design de Produção: The Shape of Water

Melhor Maquiagem e Cabelo: Darkest Hour

Melhor Edição de Som: Dunkirk

Melhor Mixagem de Som: Dunkirk

Melhores Efeitos Visuais: Blade Runner 2049

Melhor Trilha Sonora: The Shape of Water

Melhor Canção: “Remember Me” (Coco)

Melhor Curta: The Silent Child

Melhor Curta Documentário: Heaven Is a Traffic Jam on the 405

Melhor Curta Animação: Dear Basketball

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Indicados ao Oscar 2018 – Lista Completa e Avaliações

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Saudações, amigos e amigas do blog!

Hoje, diferente de anos anteriores, eu não consegui publicar aqui mais cedo a lista de todos os indicados para a premiação da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood. Mas agora sim, vou fazer isso. Retomar a nossa tradição de publicar a lista e de comentar quem são os favoritos e os meus palpites para cada categoria.

Os indicados ao Oscar 2018 foram divulgados hoje, no dia 23 de janeiro de 2018, antes do meio-dia no horário de Brasília. Quem fez as honras da divulgação, dividida em duas partes, como ocorreu no ano passado, foram os atores Tiffany Haddish e Andy Serkis. Primeiro, a dupla de apresentadores divulgou as 11 categorias mais técnicas e, depois, as 13 categorias consideradas principais.

O anúncio dos indicados foi feito no Teatro Samuel Goldwyn, de propriedade da Academia, e transmitido ao vivo por diversos canais, inclusive os dois sites ligados à premiação e à Academia. A primeira leva de indicados foi precedida sempre por um vídeo curto de “apresentação” de cada uma das categorias técnicas.

Estrelaram esses vídeos os seguintes membros da Academia: Priyanka Chopra, Rosario Dawson, Gal Gadot, Salma Hayek, Michelle Rodriguez, Zoe Saldana, Molly Shannon, Rebel Wilson e Michelle Yeoh. Se você ficou curioso(a) para ver o anúncio dos indicados, deixo o vídeo com a transmissão mais abaixo. 😉

A lista de indicados em quase todas as categorias foi definida pelos respectivos pares que fazem parte da Academia. Ou seja, os membros que são editores apontaram os cinco indicados em Melhor Edição; os diretores apontaram os cinco finalistas na categoria Melhor Diretor; e assim por diante. As categorias Melhor Animação e Melhor Filme em Língua Estrangeira foram definidas por dois comitês formados por profissionais de diferentes áreas e que fazem parte da Academia. E a categoria Melhor Filme foi definida pelo voto de todos.

Passada essa fase das indicações, entre os dias 20 e 27 de fevereiro, todos os membros da Academia votam em naqueles que eles consideram os melhores em cada uma das 24 categorias do Oscar 2018. O resultado dessa votação será conhecido por todos nós no dia 4 de março na cerimônia de premiação no Dolby Theatre at Hollywood & Highland Center, em Hollywood, com transmissão para o Brasil e outros 224 países.

Feito esse preâmbulo e essa explicação sobre o que aconteceu hoje e o que irá suceder até a entrega das estatuetas douradas, vamos falar um pouco sobre o saldo dos indicados para o prêmio da Academia. Olha, foram poucas as surpresas. Praticamente todos os favoritos foram lembrados. Mas, admito, me chamou a atenção, duas grandes ausências entre os indicados.

Dois filmes considerados favoritos ficaram de fora de suas respectivas categorias. Me refiro ao filme In the Fade, do grande Fatih Akin, que foi esnobado e ficou de fora da disputa na categoria Melhor Filme em Língua Estrangeira; e ao documentário Fade, vencedor do Producers Guild Awards e de várias outras premiações. Os dois filmes, aliás, vinham se destacando por estarem papando boa parte dos prêmios dessa temporada e, apesar disso, foram esnobados pela Academia. Curioso, no mínimo.

Sem In the Fade na disputa, francamente, sou honesta em dizer que não me surpreenderia se o Chile papasse o prêmio de Melhor Filme em Língua Estrangeira nesse ano. Logo mais, veremos. No mais, a grande disputa do ano parece estar entre Three Billboards Outside Ebbing, Missouri (comentado aqui) e The Shape of Water. Ah sim, e chamou um pouco a atenção as esnobadas para Steven Spielberg e The Big Sick (que foi lembrado apenas em Roteiro Original) e o crescimento do filme Phantom Thread, do sempre interessante Paul Thomas Anderson.

Declaro, junto com esse post, aberta a temporada de “correr atrás” do máximo de filmes indicados esse ano ao Oscar. 😉 Como vocês sabem, eu já comecei essa busca – prova disso é que seis dos nove filmes indicados na categoria principal já foram comentados aqui no blog. Mas, agora, está na hora de ir colocando o “check” em cada uma das produções que ainda me faltam. Abaixo, deixo a lista de todos os indicados, conforme a divulgação da Academia, e uma breve avaliação sobre os finalistas em cada categoria.

E bons filmes para todos nós! Algo é certo: essa temporada tem uma safra bem interessante e diversificada. O público, agradece.

CONFIRA A LISTA DE TODOS OS INDICADOS AO OSCAR 2018:

Melhor Ator:

Avaliação: Essa categoria, assim como as outras envolvendo os astros e estrelas de Hollywood, não teve surpresas nesse ano. Todos esses nomes já eram esperados. Não assisti ainda ao trabalho de Denzel Washington e de Daniel Day-Lewis, mas conhecendo o histórico desses dois grandes atores e o talento de ambos, imagino que eles mereceram as suas indicações. Timothée Chalamet está em alta por causa de Call Me By Your Name e por seu trabalho como coadjuvante em Lady Bird (para esse, ele não foi indicado). Daniel Kaluuya estrela um dos grandes filmes do ano, Get Out.

Então sim, todos os que estão concorrendo tem talento e trabalho de destaque esse ano para ter justificado as suas indicações. Daniel Day-Lewis conseguiu a quinta vaga nessa categoria desbancando James Franco, de The Disaster Artist (ele foi indicado por esse papel ao Globo de Ouro, mas ficou de fora do Oscar). Faz parte. Sempre a quinta vaga pode ser conquistada por dois ou até três atores. Não falei antes de Gary Oldman porque ele está simplesmente impecável e espetacular em Darkest Hour. Ele faz o filme. É o favoritíssimo nessa categoria, até porque vem “papando tudo” nessa temporada.

Melhor Ator Coadjuvante:

Avaliação: Outra categoria sem surpresas. Todos os nomes acima estavam muito bem cotados. Willem Dafoe está ótimo em The Florida Project (o próximo filme que eu vou comentar aqui no blog) e, certamente, mereceu essa indicação. Woody Harrelson e Sam Rockwell fazem um excelente trabalho em Three Billboards, assim como Frances McDormand – eles são os grandes nomes do filme. Richard Jenkins, que é sempre ótimo, estava também bem cotado por The Shape of Water, e Christopher Plummer conquistou a quinta vaga.

Os veteranos Christopher Plummer e Richard Jenkins não precisam ser apresentados. Eles são ótimos e muitas vezes não recebem os prêmios que mereciam. Nesse ano, eles também correm totalmente por fora. Woody Harrelson e Willem Dafoe também não precisam de apresentações. Ambos conquistaram as suas vagas com belos trabalhos. Mas o favoritíssimo nessa categoria, inclusive porque ganhou o Globo de Ouro – e boa parte dos outros prêmios dessa temporada -, é Sam Rockwell. Dificilmente ele não vai levar esse prêmio. E será merecido.

Melhor Atriz:

Avaliação: Mais uma categoria repleta de gente talentosa e com a “escalação” praticamente definida com antecedência. Frances McDormand é a grande favorita, seguida a partir de uma certa distância por Saoirse Ronan e Sally Hawkins. Elas estrelam três dos filmes mais badalados e comentados do ano. Então é fácil de entender que as estrelas desses filmes sejam indicadas. Fiquei particularmente feliz por Margot Robbie ter conseguido a sua indicação – ela está simplesmente incrível em I, Tonya.

E a quinta vaga foi conquistada por ninguém mais, ninguém menos que a recordista absoluta de indicações no Oscar, a gigante e inesquecível Meryl Streep. Difícil um ano em que a atriz não é indicado ao Oscar. De 2010 para cá, ela só não foi indicada em três anos. De 1979 para cá, Meryl Streep ganhou três estatuetas do Oscar e foi indicada outras 18 vezes. Ou seja, no total, o nome dela foi citado 21 vezes em uma premiação do Oscar. Incrível. Mas, mais uma vez, ela ficará apenas entre as indicadas. Essa grande atriz conquistou a quinta vaga desse ano deixando outra veterana de fora da disputa: Judi Dench.

Melhor Atriz Coadjuvante:

Avaliação: Nomes bem cotados nessa categoria também. Mas aqui, se compararmos as indicações do Oscar com o Screen Actors Guild Award, é onde tivemos as maiores mudanças. Allison Janney e Laurie Metcalf, as mais fortes concorrentes nessa categoria, repetiram no Oscar a indicação junto com Mary J. Blige. As outras duas atrizes conquistaram as suas indicações deixando para trás Hong Chau (Downsizing) e Holly Hunter (The Big Sick). Ainda assim, não dá para dizer, exatamente que foi uma surpresa ver as indicações de Octavia Spencer e Lesley Manville.

Especialmente Octavia Spencer estava bem cotada para essa categoria. E como o filme Phantom Thread cresceu bastante na campanha do Oscar, Lesley Manville conquistou a quinta vaga – no lugar de Hong Chau, especialmente. A atriz inglesa, que tem 10 prêmios no currículo e que recebeu, esse ano, a sua primeira indicação ao Oscar, talvez seja a única “surpresa” entre os atores e atrizes indicados. As chances dela de ganhar, são zero. A favorita é Allison Janney, mas não seria uma grande zebra se Laurie Metcalf levasse a estatueta para casa. Pessoalmente, torço por Janney.

Melhor Animação:

Avaliação: Sem surpresas nessa categoria. O que é algo bastante positivo em um ano com filmes menos interessantes “na disputa” – e que, ainda bem, ficaram de fora da lista final. Acredito que realmente os melhores do ano foram indicados. Vale uma menção especial, aqui, para a indicação do brasileiro Carlos Saldanha como diretor de Ferdinand. Esta é a segunda indicação desse “orgulho nacional” no Oscar – antes, ele concorreu por Gone Nutty. As chances dele vencer são nulas.

O favoritíssimo desse ano é o filme Coco, uma produção do estúdio Walt Disney. Dificilmente, mas muito dificilmente mesmo, esse filme não vai levar a estatueta para casa. Os produtores Lee Unkrich e Darla K. Anderson, vencedores de um Oscar por Toy Story 3, tem tudo para levarem o segundo Oscar para casa. Da minha parte, fiquei especialmente feliz pela indicação de Loving Vincent. Belo filme que mereceu muito essa indicação!

Melhor Direção de Fotografia:

Avaliação: Aqui as bolsas de apostas acertaram em cheio. Esses cinco filmes já eram esperados na disputa por Melhor Fotografia. Fiquei especialmente feliz pela indicação de Blade Runner 2049 – aqui e em todas as demais categorias em que o filme está concorrendo. Ainda que ele não leve nenhuma estatueta para casa, só fato dele não ter sido esnobado já me deixou bem contente. Dos três filmes da lista que eu assisti (Blade Runner 2049, Darkest Hour e Dunkirk), sou honesta em dizer que eu fico dividida entre Blade Runner 2049 e Dunkirk.

Os dois trabalhos são excepcionais, mas se eu pudesse votar, votaria em Blade Runner 2049. Eu não assisti ainda a The Shape of Water e a Mudbound, mas eu acho que a disputa está mesmo entre Blade Runner 2049 e Dunkirk. A bolsa de apostas aponta para o primeiro. Veremos se a maioria acerta. Como eu gostei muito de Blade Runner 2049, espero que o filme não saia de mãos abanando do Oscar 2018.

Melhor Figurino:

Avaliação: Essa categoria, tão interessante e tão pouco falada a cada Oscar, estava bem disputada esse ano. Tanto que dois filmes que estavam bem cotados para concorrer ao Oscar ficaram de fora da disputa: The Greatest Showman e Murder of the Orient Express. Eu não posso falar muito sobre Melhor Figurino porque eu só vi dois filmes dos cinco indicados – e dos sete bem cotados. Mas… pelo trailer que eu assisti e pelas fotografias que eu vi de The Greatest Showman, me parece que esse filme foi um tanto “injustiçado” por ficar de fora da disputa.

Como não assisti a três dos indicados, não me sinto preparada para avaliar de quem é a maior chance ainda. Nas bolsas de apostas, aparecem na liderança Phantom Thread e Beauty and the Beast. Honestamente, pelo sucesso que o filme teve no ano passado, acho que Beauty and the Beast pode levar a melhor. Algo a chamar a atenção é que a veterana Jacqueline Durran, vencedora de um Oscar por Anna Karenina, de 2012, está concorrendo duplamente nesse ano: por Beauty and the Beast e por Darkest Hour.

Melhor Diretor:

Avaliação: Três dos indicados nessa categoria eram “bolas cantadas”, mas duas vagas foram conquistadas na reta final da campanha dos estúdios pelas indicações ao Oscar. Guillermo del Toro, Christopher Nolan e Jordan Peele tinham as suas cadeiras reservadas na disputa por causa do trabalho excelente que eles fizeram em seus respectivos filmes – eu não assisti ainda a The Shape of Water, mas conheço bem o talento de del Toro para saber que ele merece qualquer indicação.

Eu sou fã de Paul Thomas Anderson. Gosto muito de seu estilo e trajetória. Ainda assim, preciso admitir que ele foi o nome que conquistou a quinta vaga nessa categoria, desbancando nomes fortíssimos como Steven Spielberg (por The Post) e o diretor de um dos filmes mais badalados do ano, Three Billboards, Martin McDonagh. Greta Gerwig, que escreveu e dirigiu o filme queridinho da crítica nessa temporada, Lady Bird, foi menos surpreendente ao conquistar o quarto posto. Entre os nomes na disputa, acredito que a grande rivalidade está entre Guillermo del Toro e Christopher Nolan. Um dos dois deve levar a estatueta – mesmo sem ter assistido ainda a The Shape of Water, admito que eu torço por del Toro.

Melhor Documentário:

  • Abacus: Small Enough to Jail
  • Faces Places
  • Icarus
  • Last Men in Aleppo
  • Strong Island

Avaliação: Essa categoria logo me chamou a atenção, assim como a de Melhor Filme em Língua Estrangeira. E a razão para isso é simples: ficou de fora da disputa um dos filmes favoritos do ano, Jane. Essa produção ganhou o Producers Guild Awards e vários outros prêmios da temporada. Realmente fiquei surpresa de não ver ela entre os finalistas. Jane também liderava, e com uma ampla vantagem, as bolsas de apostas.

Não assisti ainda a nenhum desses documentários. Mas pela premissa de cada filme, acho que Last Men in Aleppo e Icarus tem boas chances. Segundo as bolsas de apostas, contudo, Faces Places teria vantagem na disputa, seguido de Icarus. Essa é uma categoria sobre a qual eu prefiro opinar no futuro a curto prazo, quando eu começar a assistir aos filmes que estão na disputa.

Melhor Curta Documentário:

  • Edith+Eddie
  • Heaven Is a Traffic Jam on the 405
  • Heroin(e)
  • Knife Skills
  • Traffic Stop

Avaliação: Aqui, mais uma vez, o favorito das bolsas de apostas ficou de fora da disputa. Alone não foi indicado, mas o segundo colocado, Heroin(e), sim. Novamente, prefiro opinar sobre essa categoria depois de assistir aos concorrentes.

Melhor Edição:

Avaliação: Um dos fenômenos desse ano, Baby Driver, conseguiu a sua primeira indicação no Oscar 2018 nessa categoria. Na verdade, essa categoria é toda composta de “filmes sensação” do ano. Não necessariamente eles foram bem nas bilheterias, mas se deram bem na opinião do público e da crítica.

Da lista acima, ainda preciso conferir Baby Driver e The Shape of Water. Entre os demais, as bolsas de apostas apontam como franco favorito Dunkirk. Ainda que eu goste muito de I, Tonya e prefira esse filme, admito que Dunkirk dá um show de edição. Não seria nem um pouco injusto que ele se sangrasse o vencedor como Melhor Edição.

Melhor Filme em Língua Estrangeira:

Avaliação: Essa foi outra categoria que me chamou muito a atenção por causa de uma grande ausência. Quem acompanha o blog há bastante tempo, acho que sabe que a categoria Melhor Filme em Língua Estrangeira é uma das minhas favoritas a cada Oscar. Esse ano, não é diferente. Alguns filmes dos quais eu tinha gostado já tinham ficado pelo caminho, e ainda que eu não tenha assistido a In the Fade, eu considerava esse o favorito. Não apenas por ele ter vencido ao Globo de Ouro e a vários outros prêmios, mas porque conheço bem o trabalho do diretor Fatih Akin.

Então sim, foi uma surpresa não ver In the Fade entre os finalistas. Por outro lado, não foi surpresa alguma ver ao chileno A Fantastic Woman – um dos meus próximos filmes a ser comentado por aqui – e ao russo Loveless na lista dos cinco indicados. Os outros dois, The Square e On Body and Soul, também se credenciaram como fortes candidatos nessa temporada por causa dos prêmios que receberam. Segundo as bolsas de apostas, A Fantastic Woman seria o favorito. Da minha parte, de quem não assistiu a todos os indicados ainda, eu diria que The Square ou On Body and Soul tem boas chances também. Essa categoria, até por In the Fade ter ficado de fora, está entre as mais difíceis de acertar nesse ano.

Melhor Maquiagem e Cabelo:

Avaliação: Categoria curiosa que, nos últimos anos, tem indicado apenas três filmes. Não é por falta de candidatos, mas porque a Academia prefere indicar apenas as “unanimidades”, digamos assim, em Maquiagem e Cabelo. Para mim, surpresa alguma nessas indicações. Realmente esses três filmes tem trabalhos excepcionais de Maquiagem e Cabelo – mas Star Wars: The Last Jedi, que nem ficou na lista dos pré-indicados, Guardians of the Galaxy Vol. 2 e outros filmes também tem. Vai entender porque outros títulos não foram indicados…

Desses três trabalhos que acabaram figurando na lista dos indicados, a escolha é difícil – especialmente entre Darkest Hour e Wonder. Os dois trabalhos de Maquiagem e Cabelo são incríveis. Mas… as bolsas de apostas apontam para uma vitória de Darkest Hour. A transformação de Gary Oldman em Winston Churchill realmente é algo impressionante e digno de um Oscar. Eu votaria, provavelmente, por Darkest Hour também.

Melhor Trilha Sonora:

Avaliação: Outros indicados de peso em uma categoria difícil que parece estar bem disputada nesse ano. Por trás dessas produções, grandes nomes da música e das trilhas sonoras no cinema. Pessoas que fizeram – e continuam fazendo – história, como os veteranos e mestres John Williams, Hans Zimmer e Alexandre Desplat.

Segundo as bolsas de apostas, The Shape of Water levaria uma certa vantagem sobre Dunkirk. Se avaliarmos os prêmios entregues nessa temporada, de fato Desplat parece levar uma certa vantagem sobre Zimmer. Mas qualquer um deles vencendo, será merecido. Não assisti a Phantom Thread e The Shape of Water, então ainda não me sinto totalmente “informada” para poder opinar. Mas, entre os outros três filmes, acredito que eu ficaria com Dunkirk. A trilha sonora da produção, que muitas vezes apresenta ausência de diálogos, realmente é marcante.

Melhor Canção Original:

  • “Mighty River” (Mudbound)
  • “Mystery Of Love” (Call Me By Your Name)
  • “Remember Me” (Coco)
  • “Stand Up For Something” (Marshall)
  • “This Is Me” (The Greatest Showman)

Avaliação: A grande ausência dessa categoria foi a música “Evermore”, do filme Beauty and the Beast. No lugar dela, entrou uma outra forte candidata, “Mighty River”. Canção Original é algo complicado de julgar. O filme Detroit, por exemplo, de algumas canções originais bastante marcantes. Entre os concorrentes, assisti apenas a Call Me By Your Name. Então fica difícil julgar com propriedade.

Pelo histórico do Oscar, que gosta de premiar canções de filmes de animação, me parece que “Remember Me” leva uma certa vantagem. As bolsas de apostas também apontam para essa direção. Pessoalmente, gosto muito da força de “This Is Me”. Essa pode ser a melhor chance de The Greatest Showman não sair de mãos vazias do Oscar. Mais uma categoria difícil e na qual pode pintar uma certa zebra.

Melhor Filme:

Avaliação: Tive sorte nesse ano. Dos nove filmes indicados na categoria principal do Oscar, eu já assisti a seis. 😉 Falta conferir, ainda, Phantom Thread, The Post e The Shape of Water. Produções dirigidas por três diretores de quem eu gosto muito. Sobre esses filmes, que eu ainda não assisti, não tenho como comentar. Dos outros seis, posso dizer que concordo com quase todas as indicações. Apenas Darkest Hour eu acho que não é tãooo bom a o ponto de ser indicado a Melhor Filme. No lugar dele, sem dúvida alguma, eu iria preferir I, Tonya, Blade Runner 2049 (que eu já sabia que estava fora da disputa) ou mesmo The Florida Project – que será o próximo filme comentado aqui no blog.

Entre os indicados, me parece que a grande queda de braço está entre Three Billboards Outside Ebbing, Missouri e The Shape of Water. Dunkirk viria na terceira posição. Preciso assistir ao filme do del Toro, mas entre os indicados que eu já assisti, sem dúvida eu ficaria com Three Billboards. Em segundo lugar, com Get Out. Mas isso pode mudar depois que eu ver aos filmes de Paul Thomas Anderson, Guillermo del Toro ou Steven Spielberg. Três gênios de quem eu gosto muito. Veremos. Logo falaremos sobre essas produções e eu baterei o meu martelo definitivamente. 😉

Melhor Design de Produção:

Avaliação: Aqui as bolsas de apostas acertaram em cheio. Os cinco filmes mais cotados foram, justamente, os que conseguiram uma indicação ao Oscar. Design de Produção é algo magnífico. Não vi a dois desses filmes – Beauty and the Beast e The Shape of Water -, mas pelas imagens dos filmes que eu vi, especialmente em fotografias, concordo com as indicações. Os cinco filmes são incríveis. Mas essa é uma categoria disputada.

Acredito, por exemplo, que The Greatest Showman também mereceria ser indicado. Mas não sobrou uma vaga para ele. Entre os filmes que eu vi até agora, não tenho como não considerar Blade Runner 2049 o mais incrível. Mas… segundo as bolsas de apostas, The Shape of Water seria o favorito. Tenho que ver aos dois filmes que faltam para poder realmente bater o martelo. Ah sim, depois do filme do del Toro, Blade Runner 2049 seria o segundo mais visado pelas bolsas de apostas.

Melhor Curta Animação:

  • Dear Basketball
  • Garden Party
  • Lou
  • Negative Space
  • Revolting Rhymes

Avaliação: Categoria sobre a qual eu gosto de comentar aqui no blog. Em breve, tenham certeza, farei blog posts sobre as três categorias de curtas. Mas, como ainda não assisti aos concorrentes, prefiro comentar sobre eles depois. Na bolsa de apostas, o filme que liderava, e de disparada, In a Heartbeat, ficou de fora da lista dos indicados. O segundo mais apostado é Dear Basketball.

Melhor Curta:

  • DeKalb Elementary
  • The Eleven O’Clock
  • My Nephew Emmett
  • The Silent Child
  • Watu Wote (All of Us)

Avaliação: Nessa categoria, por muito pouco as bolsas de apostas não acertaram em cheio. Apenas o curta Icebox, que era apontado na quinta posição entre os favoritos, ficou de fora, cedendo a sua vaga para My Nephew Emmett. Ainda preciso assistir a essas produções, mas segundo os apostadores, teria uma vantagem considerável na disputa o curta DeKalb Elementary.

Melhor Edição de Som:

Avaliação: Mais uma categoria que junta a alguns dos filmes “fenômeno” da temporada e sobre a qual os apostadores acertaram em cheio. Os cinco favoritos conseguiram, de fato, ser indicados. Mais uma categoria em que a concorrência é das boas, porque temos apenas grandes trabalhos lutando por uma estatueta dourada. Da lista, não assisti a Baby Driver e a The Shape of Water. Mas entre os que eu assisti, fico honestamente em dúvida.

As bolsas de apostas apontam para Dunkirk como o favorito, seguindo muito, mas muito atrás por Blade Runner 2049. Pessoalmente, prefiro Blade Runner 2049. Mas sou capaz de admitir, também, que o trabalho de edição de som de Dunkirk é exemplar e de tirar o chapéu. Acredito que qualquer filme que vencer nessa categoria será merecedor.

Melhor Mixagem de Som:

Avaliação: Sim, a lista em Mixagem de Som é exatamente a mesmo da lista de Edição de Som. Isso se explica pelo trabalho excepcional dos cinco filmes nesses quesitos. Os apostadores, aqui, mais uma vez, acertaram em cheio. As minhas considerações e opinião são praticamente as mesmas da categoria anterior. Acho excepcional o trabalho de mixagem de som em todos os filmes que eu assisti dessa lista, e acho que Dunkirk deve levar a estatueta para casa.

Melhores Efeitos Visuais:

Avaliação: Na lista, cinco filmes que investiram pesado em efeitos visuais. Como sempre, essa é uma das categorias que eu menos acompanho a cada Oscar – especialmente porque ela é formada, geralmente, por “blockbusters” que, como os leitores fieis dessa blog sabem, não são muito a minha “praia” – ou, para dizer de outra forma, não são muito o meu foco. Entre os indicados, assisti apenas a Blade Runner 2049 e a Star Wars: The Last Jedi. Francamente? Eu acharia bacana qualquer um desses dois filmes vencer.

Mas, segundo as bolsas de apostas, o favorito nessa disputa, e com uma certa vantagem, é War for the Planet of the Apes. Realmente preciso assistir aos outros três concorrentes para poder opinar, mas tenho certeza que não será feita injustiça nessa categoria porque todos os concorrentes capricharam nos efeitos visuais.

Melhor Roteiro Adaptado:

Avaliação: Que legal ver um filme baseado em uma HQ ser indicado a Melhor Roteiro Adaptado. Puxa, muito legal mesmo! Eu sou uma grande fã de HQs – mas admito que, nem sempre, estou super no “barato” de ver a uma adaptação delas no cinema. Ainda assim, eu assisti a Logan e acho que o filme mereceu sim essa indicação. Bacana. Dito isso, comento também que me falta conhecimento para opinar sobre essa categoria nesse momento.

Essa minha “mea culpa” é porque eu assisti apenas a Logan e a Call Me By Your Name da lista aí acima. Tenho que ver aos outros filmes para poder opinar. Entre os dois que eu vi, sem dúvidas o meu voto iria para Call Me By Your Name, uma adaptação muito bem feita e comovente de uma obra que me parece ser complicada de adaptar. Nas bolsas de apostas, o filme dirigido por Luca Guadagnino, com roteiro de James Ivory e com o brasileiro Rodrigo Teixeira entre os produtores é apontado, também, como o favorito nessa categoria. Honestamente? Estou torcendo por ele (até prova em contrário). Ah sim, e as bolsas de apostas acertaram em cheio na lista dos cinco indicados. Sem surpresas, portanto.

Melhor Roteiro Original:

Avaliação: Gosto muito das duas categorias de roteiros no Oscar. Afinal, para mim, um grande filme deve ter um grande roteiro como base. Sempre. Mesmo comentando isso, devo dizer que eu tenho uma certa “predileção” por essa categoria, a de Melhor Roteiro Original. Nela que, geralmente, encontramos os filmes mais interessantes a cada ano. Novamente, em 2018, isso não é diferente.

Eu não assisti, ainda, a The Shape of Water e a The Big Sick, mas sei do “burburinho” que os dois filmes causaram por causa dos seus roteiros. Gostei muito também do roteiro de I, Tonya, mas entendo que tendo apenas cinco vagas, não dá para entrar todos os filmes bons dessa temporada. Entre as produções que eu assisti, acho que o meu voto iria para Get Out pelo ineditismo da história e pelas ótimas sacadas do diretor e roteirista Jordan Peele. Mas, para ser franca, eu não acharia injusto Three Billboards também levar o título – afinal, o roteiro do filme é ótimo também. Escolha difícil. Nas bolsas de apostas, Lady Bird é o favorito, seguido de Get Out. Bueno, gosto é gosto, mas eu não gostaria de ver Lady Bird vencedor nessa categoria.

 

Three Billboards Outside Ebbing, Missouri – Três Anúncios para Um Crime

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Quando um crime brutal e absurdo acontece, as pessoas mais próximas exigem e querem justiça. Mas de que justiça, exatamente, estamos falando? Three Billboards Outside Ebbing, Missouri, parece repassar todos os filmes sobre familiares que buscam vingança e produções que trataram sobre a algumas vezes questionável polícia de algumas partes dos Estados Unidos.

Não deixa de ser um tanto irônico que este filme seja estrelado por Frances McDormand, a ótima atriz que fez história por viver justamente uma policial do interior no ótimo e já um tanto distante Fargo, de 1996. Essa nova produção é um filme bem escrito, com atuações condizentes e com um e outro questionamento que é muito bem-vindo nos dias de hoje em que tantas pessoas continuam acreditando que a vingança pode ser uma boa solução para a dor.

A HISTÓRIA: Três outdoors que há muito tempo não vêem a um anúncio novo. Grande parte de cada uma das publicidades, de décadas atrás, já desapareceu. Ninguém dá bola para aqueles outdoors porque ninguém dá bola para aquela estrada. Mas é por ela que Mildred (Frances McDormand) passa todos os dias. Em um destes dias, ela olha para aqueles outdoors de uma maneira diferente. E aí ela tem a grande ideia. Após dar uma ré, Mildred vê que os responsáveis pelos outdoors são da Companhia de Publicidade de Ebbing. E é para lá que ela vai. Mildred gasta as economias que tem para reservar por um ano aqueles outdoors e paga o primeiro mês adiantado. Tudo para denunciar o descaso da polícia local com a morte brutal de sua filha.

VOLTANDO À CRÍTICA (SPOILER – aviso aos navegantes que boa parte do texto à seguir conta momentos importantes do filme, por isso recomendo que só continue a ler quem já assistiu a Three Billboards Outside Ebbing, Missouri): Eis um filme no estilo “gente como a gente”. Afinal, quem nunca se colocou no lugar de alguém que perdeu uma pessoa próxima de forma brutal e que ficou indignado com a falta de uma resposta por parte das autoridades? Todos nós podemos entender essa indignação. Porque por mais que a pessoa “aceite” o que aconteceu com o passar do tempo, o desejo por um “mínimo de justiça” faz parte do desejo de qualquer pessoa.

Então sim, dá para entender a personagem principal desse filme e colocar-se no lugar dela. A indignação de Mildred com a falta de respostas a faz colocar o dedo na ferida da polícia local. E esse é outro ponto marcante do filme dirigido e escrito por Martin McDonagh. Ele sabe explorar muito bem algumas questões que estão arraigadas nos recônditos mais profundos da “alma americana”. Three Billboards se debruça sobre o “cowboy” típico do interior, questiona a ineficiência da polícia nesses locais e alguns comportamentos que ainda não foram expurgados daquela sociedade, como o preconceito racial.

Mas a boa sacada do filme não termina por aí. Three Billboards surfa a onda da indignação cívica muito bem. Esta produção tem a cara do nosso tempo. Afinal, a protagonista corajosa dessa produção, motivada por toda a sua indignação, resolve fazer algo a respeito. Primeiro, ela usa da sua inteligência. Sabe que a “propaganda é a alma do negócio” e que, muitas vezes, a polícia se incomoda mais com a imagem que ela tem do que com o número de casos resolvidos. Depois, claro, ela acaba radicalizando um pouco demais, e ultrapassando a fronteira do bom senso.

Mas, para fazer isso, ela tem um grande incentivo: o ótimo personagem do policial Dixon (Sam Rockwell). Ele incorpora, até um certo ponto de forma um tanto caricatural, todos os defeitos de um policial do interior americano metido a macho e a problemático. E o pior é que sabemos que existem policiais assim, e não apenas por aquelas altitudes. São homens com problemas sérios que utilizam uma farda para poder dar vazão para toda a sua insatisfação com a vida e com os outros. Tudo o que eles tem reprimido, a sua raiva e indignação, acaba sendo utilizada através de sua “autoridade” para colocar terror na cidade.

Esse personagem, que só não fica realmente caricatural por causa do talento de Rockwell e do ótimo texto de McDonagh, só coloca gasolina na até então pequena fogueira criada pela protagonista de Three Billboards. Enquanto o sujeito que tem o seu nome colocado no último outdoor, o chefe de polícia Willoughby (Woody Harrelson) mantém a cabeça no lugar e tem sensibilidade, inteligência e bom humor para lidar com a situação com elegância, Dixon mete os pés pelas mãos – especialmente quando Willoughby faz a sua “saída” magistral do cenário motivado por outras razões que não a publicidade indignada de Mildred.

Daí outra sacada interessante de McDonagh. (SPOILER – não leia se você ainda não assistiu ao filme). A protagonista desta produção descobriu algo que os mais atentos já perceberam nos dias de hoje: mais importante do que a ética e a consciência, para muitos, nos dias de reinado das redes sociais, o que interessa é a reputação, o que os outros pensam ou dizem sobre você. Claro que essa interpretação da realidade está distorcida e é equivocada, mas quantos, realmente, tem coragem e condições de pensar por conta própria?

Assim, para as pessoas daquela cidade do interior dos Estados Unidos, onde Mildred denuncia a ineficiência do chefe de polícia e de sua equipe em três outdoors, o que realmente importa é como ela colocou em dúvida toda a reputação da “encarnação” da segurança da cidade. Ora, ela não deveria ter feito isso com um cara “gente fina” como Willoughby, especialmente quando ele estava tão doente. Então as pessoas se compadecem do chefe de polícia, mas não da mulher que tem poucos amigos e que não adula ninguém e que apenas deseja uma resposta para a morte da filha?

Sim, é bem esse “senso de justiça” que vemos em muitas ruas e cidades mundo afora. As pessoas gostam de ter dois pesos e duas medidas, mesmo não admitindo isso. De que outra forma a figura de Willoughby pode ser considerada mais importante que Mildred na cidade de Ebbing, no Missouri, ou em qualquer outra parte? Com uma certa facilidade as pessoas “escolhem i, lado” e conseguem classificar umas pessoas como sendo melhores que outras. Mas quem, realmente, se importa em conhecer a história, os sentimentos e o que pensa a tal pessoa que eles gostam de atacar?

Vivemos em tempos complicados, em que muitas pessoas gostam de fazer esse tipo de classificação e de acabar com alguém apenas porque aquela pessoa não se enquadra no seu “modelo ideal”. Dessa forma, Three Billboards coloca o dedo em mais essa ferida exposta, em como a nossa sociedade – e não apenas a “do interior”, onde estão os “caipiras”, os “retrógrados” e outros tipos de classificação utilizadas para atacar e estigmatizar determinados grupos que não são homogêneos – acaba excluindo e julgando uma mulher “divorciada”, que não conseguiu “segurar o seu marido” e que criou os filhos sem o pulso firme que deveria.

Esse é o tipo de julgamento que se faz de uma pessoa como Mildred. Como ela não tem a preocupação de ser a pessoa que agrada a todos, muito pelo contrário, quase toda a cidade fica contra ela quando ela cobra uma atitude da polícia local. A forma com que ela faz isso e chama a atenção da imprensa para o caso da filha é genial, mas rapidamente todos se voltam contra ela por causa da condição de saúde de Willoughby.

Tudo teria acontecido com uma relativa “calma” e controle se Mildred não tivesse uma figura como Dixon e como o ex-marido dela, o também policial Charlie (John Hawkes), do lado oposto de sua busca por justiça. Dixon é um policial racista e violento que, quando não está ameaçando os outros, está na delegacia lendo gibi, comendo salgadinhos e fazendo nada. Ele tem uma mãe “típica” (interpretada por Sandy Martin) que lhe ajuda a ter as ideias mais imbecis e reprováveis possíveis.

Da sua parte, Willoughby parece ser o único sujeito centrado da história. Não por acaso ele tem tantos “fãs”. (SPOILER – não leia… bem, você já sabe). Claro que ele fica incomodado com a provocação de Mildred, mas, mais que isso, ele está incomodado por não ter como avançar na investigação da morte de Angela Hayes (Kathryn Newton). Ele encara por um bom tempo a luta contra um câncer agressivo, até que resolve terminar com a própria história por sua própria conta. Aí sim Dixon entra em parafuso e desperta uma reação de Mildred tão maluca quanto.

Dessa forma, e de maneira muito sutil, McDonagh mostra que a ciranda da violência nunca tem fim. E que pessoas boas acabam pagando caro apenas por entrar no caminho de pessoas cheias de raiva. Ainda que Mildred e Dixon pareçam tão diferentes, a violência que eles acabam alimentando e a busca por extravasar a própria insatisfação com as suas vidas e realidades os torna igualmente agentes do caos. McDonagh revela, para os mais atentos, como a violência apenas gera mais violência e que, no final, não importa quem seja punido, porque o que foi perdido nunca será recuperado.

Então volto a perguntar: será a vingança e a busca pela justiça sem medidas realmente o melhor caminho? Mildred até começou essa história cheia de razão, mas será que ela terminou da mesma forma? (SPOILER – não leia… bem você já sabe). O final desse filme não é conclusivo. E há, basicamente, duas formas de cada um “terminar” essa história. Ou Mildred e Dixon acabam perseguindo o suspeito que sabemos que não foi culpado pela morte de Angela e o matam porque, afinal, ele parece ter estuprado alguma menina em algum momento, como Dixon comentou, ou eles chegam até o endereço do alvo e simplesmente o deixam em paz. Voltam para a casa após uma viagem de busca, de redenção e de perdão.

A escolha pelo que acontece após a última cena terminar é de cada espectador. Da minha parte, acredito na segunda versão. Acho que Mildred e Dixon já gastaram boa parte da raiva que tinham e, depois de terem feito o que fizeram, de terem sentido a dor como sentiram e de provocarem o caos que causaram, eles estão em outro momento. Estão na fase de redenção, resignação e de perdão um do outro e dos demais. O processo de cura, me parece, para os dois, apenas começou, mas acho que eles vão seguir adiante. Sim, eu tenho uma tendência de pensar sempre positivo.

Mas mesmo que o final não tenha sido esse, mas aquela primeira opção… Three Billboards já serviu ao seu propósito de nos fazer pensar. Afinal, matar uma pessoa apenas por achar que ela fez algo errado com alguém em algum momento é realmente “buscar justiça” e/ou vingança? Se a resposta for sim, é porque no fundo o que as pessoas querem é cair na barbárie também. Matar alguém para dar vazão para a própria raiva e insatisfação. Isso, para mim, nunca será nem uma sombra de justiça. Será apenas a queda civilizatória, mais uma vez, na barbárie.

Three Billboards trata de tudo isso de forma magistral, com ação, emoção, humor, um belo roteiro, direção e atores inspirados. Sim, outros filmes, inclusive dos irmãos Coen, já trataram daquele mesmo cenário e de alguns desses mesmos personagens. Mas acho que o filme de McDonagh consegue avançar com um passo a mais em relação à maioria das produções do gênero. E isso não é pouca coisa. Para a nossa sorte.

NOTA: 9,5.

OBS DE PÉ DE PÁGINA: É fácil de perceber quando um filme é bem escrito. Quando ele tem dois “lados” muito bem delineados na história e quando esses dois lados provocam empatia e compreensão. Não é difícil entender a indignação, a revolta e o desespero que movem a protagonista de Three Billboards Outside Ebbing, Missouri, assim como não é difícil de entender os argumentos do seu “rival” inicial na trama, o chefe de polícia Willoughby. Quem nunca se colocou no lugar de uma mãe que perdeu um filho de forma brutal e que percebe que o crime não será resolvido? E quem não consegue compreender que existem limites para a lei e para a busca da justiça? Three Billboards apresenta estas duas realidades muito bem.

Apesar do filme ser tão cheio de qualidades, impossível não pensar em diversas outras produções, inclusive algumas dos irmãos Coen, que já pisaram exatamente aquelas terras. O interior dos Estados Unidos, com todas as suas particularidades, preconceitos e conflitos, volta e meia é bem explorado pelos realizadores de Hollywood. Sendo assim, apesar de ser muito bem escrito e realizado, esse Three Billboards não é, exatamente, inovador.

Mas, ainda que esta produção não “inventa a roda”, ela traz uma brisa nova para um gênero que já conhecemos. Então, o primeiro que merece o nosso aplauso é o diretor e roteirista Martin McDonagh. O trabalho dele é um dos principais trunfos dessa produção. Seja pelo texto inteligente, que equilibra diversos elementos muito bem, seja pela direção que privilegia o trabalho dos atores e que explora muito bem a paisagem interiorana.

Curioso que este é apenas o quarto filme dirigido por McDonagh. Ele estreou na direção com o curta Six Shooter, em 2004. Depois, estreou em longas com o interessante In Bruges, em 2008, comentado por aqui. E o terceiro filme dirigido por ele foi Seven Psychopaths. Como ele mistura uma pegada Tarantino, com uns toques de Soderbergh e dos irmãos Coen, acredito que ele apenas está começando a despontar. Deve nos surpreender muito ainda daqui para a frente.

Falando nos destaques dessa produção, impossível pensar esse filme sem a estrela de Frances McDormand. Essa atriz, tão valente e interessante na escolha de seus papéis, faz uma entrega incrível em Three Billboards. Aos 60 anos de idade, McDormand tem a chance de ganhar com Three Billboards o seu segundo Oscar.

Curioso que o primeiro foi ganho justamente por Fargo, um filme que tem muita relação com essa nova produção. É como se a policial de Fargo evoluísse para a versão de mulher mais empoderada, realista e anarquista de Three Billboards. Inclusive, sou franca, me deu vontade de rever Fargo… afinal, se passaram 21 anos desde aquela experiência de assistir a um dos filmes que fizeram a fama de McDormand e dos irmãos Coen. Por essa evolução da figura feminina e da atriz, sou franca em dizer, estou na torcida por Frances McDormand nesse Oscar. E, claro, pelo excelente trabalho dela nesse Three Billboards. Ela realmente é a alma do filme.

Ainda que Frances McDormand esteja perfeita em Three Billboards, ela não é o único nome de destaque da produção. Dois atores também estão ótimos e mostram como amadureceram com o passar do tempo. Destaco, claro, Sam Rockwell como o aloprado e bastante representativo Dixon, e Woody Harrelson como Willoughby. Eles interpretam dois perfis muito diferentes de policiais, mas que se completam, no fim das contas. Bonito como Willoughby acredita em Dixon de uma maneira que o próprio aprendiz de policial não acredita. Essa crença mostra como qualquer pessoa, por mais “torta” ou “errada” que seja, pode mudar de atitude se receber a confiança e a aposta necessária.

Os três atores roubam a cena cada vez que aparecem. Estão muito bem, realmente. Mas tem outros atores em papéis secundários que também fazem um bom trabalho. Destaque, nesse sentido, para Caleb Landry Jones como Red Welby, o gerente da empresa de publicidade que aceita a encomenda de Mildred; Kerry Condon em quase uma ponta como Pamela, secretária de Red; Lucas Hedges como Robbie, filho de Mildred que encara a indignação da cidade com o que a mãe fez na escola; Darrel Britt-Gibson como Jerome, um negro que já sentiu na pele a ignorância de Dixon e que ajuda Mildred com os outdoors; Zeljko Ivanek como o sargento que é o braço direito de Willoughby; Amanda Warren como Denise, amiga e colega de Mildred e uma de suas poucas aliadas; Abbie Cornish como a linda Anne, esposa de Willoughby; Sandy Martin muito bem como a mãe de Dixon; e Peter Dinklage como James, um amigo de Mildred que quer ser mais que um amigo.

Além deles, vale citar o trabalho de outros coadjuvantes: Jerry Winsett como Geoffrey, o “dentista gordo” que faz questão de dizer que é aliado de Willoughby; Kathryn Newton em uma super ponta como Angela Hayes; John Hawkes como o odioso Charlie, ex-marido violento e cretino de Mildred; Samara Weaving como Penelope, a namorada de 20 e poucos anos de Charlie; Clarke Peters como Abercrombie, o novo chefe de polícia que acaba colocando a casa em ordem; e Brendan Sexton III como o sujeito esquisito e ameaçador que vira o suspeito nº 1 de Dixon.

Entre os elementos técnicos desse filme, sem dúvida alguma o destaque vai para o roteiro e a direção competentes de Martin McDonagh. Depois, vale citar a boa direção de fotografia de Ben Davis; a trilha sonora de Carter Burwell; a ótima edição de John Gregory; o design de produção de Inbal Weinberg; a direção de arte de Jesse Rosenthal; a decoração de set de Merissa Lombardo; os figurinos de Melissa Toth; e a maquiagem de Susan Buffington, Leo Corey Castellano, Cydney Cornell, Jorie Mars Malan, Lindsay McAllister e Meghan Reilly.

Three Billboards estreou em setembro de 2017 no Festival de Cinema de Veneza. Depois, até janeiro de 2018, o filme participou de outros 31 festivais. Uma verdadeira maratona. Em sua trajetória, até agora, o filme colecionou 68 prêmios, sendo quatro deles no Globo de Ouro, e foi indicado ainda a outros 152 prêmios. Números impressionantes. No Globo de Ouro, o filme concorreu a seis prêmios, e ganhou os de Melhor Filme – Drama; Melhor Roteiro; Melhor Atriz para Frances McDormand; e Melhor Ator Coadjuvante para Sam Rockwell.

Um pequeno comentário sobre algumas cenas na reta final dessa produção. (SPOILER – realmente não leia se você ainda não assistiu ao filme). O diretor McDonagh deixa algumas imagens que podem nos fazer pensar na reta final de Three Billboards. Deixo claro aqui que são apenas suposições minhas, ok? Vocês não precisam concordar com elas. Tudo começa na ligação de Dixon para Mildred dizendo que o cara que ele tinha como suspeito não era o culpado. A impressão que eu tive é que Dixon estava prestes a estourar os próprios miolos quando Mildred deu a ideia deles viajarem no dia seguinte. E a mãe dele, afinal, estava viva ou morta? Pergunta que ficou sem resposta. A forma com que Mildred se despede do filho também dá a entender que ela pretende matar o cara que eles vão encontrar. Mas… por outro lado, ela diz que ela e Dixon devem decidir sobre o que farão no caminho. Sacadas interessantes do diretor, de deixar as motivações e a realidade dos dois personagens mais em aberto.

Agora, algumas curiosidades sobre essa produção. No início, a atriz Frances McDormand estava relutante em aceitar o papel de Mildred, mas ela acabou sendo convencida pelo seu marido, o diretor Joel Coen. Segundo a atriz, quando ela recebeu o convite para fazer Mildred, ela tinha 58 anos de idade. Daí ela pensou: “Mas mulheres do estrato socioeconômico de Mildred não esperam até os 38 anos para ter o primeiro filho”. Ela estava relutante, portanto, por causa da idade que ela tinha e para que a personagem não parecesse “forçada”. Mas aí o marido dela disse “Cale-se e faça o filme!”. Por causa dela ter ouvido o conselho, a atriz já coleciona 16 prêmios por seu desempenho como Mildred e tem sérias chances de ganhar o Oscar.

O diretor Martin McDonagh escreveu o papel de Mildred tendo a atriz Frances McDormand na cabeça. Realmente, o papel parece cair como uma luva para a atriz, que honra também a personagem. Um casamento perfeito.

Esta produção foi rodada em uma pequena cidade que fica nas montanhas do Estado da Carolina do Norte. O nome da cidade é Sylva. Muitos moradores locais aproveitavam os intervalos para tirar fotos e pedir autógrafo do ator Woody Harrelson, que atendia a todos de forma muito simpática – inclusive tocando uma guitarra de forma improvisada em uma pequena loja para alegria do povão local.

O filme que a mãe de Dixon está assistindo na TV, com Donald Sutherland, é Don’t Look Now, que foi comentado aqui no blog nesse texto. Essa mesma produção foi “homenageada” por McDonagh em In Bruges. Realmente, o filme dirigido por Nicolas Roeg é um verdadeiro clássico dos filmes de suspense/ação. Merece ser visto e revisto – fiquei com vontade de revê-lo, aliás.

A bandana que Mildred usa no filme é uma homenagem a outra grande produção, The Deer Hunter – de quem McDonagh e Sam Rockwell são grandes fãs.

McDonagh se inspirou a escrever o roteiro de Three Billboards após ver alguns cartazes sobre um crime não solucionado em uma viagem que fez na região do Alabama.

Three Billboards arrecadou pouco mais de US$ 30,6 milhões nos Estados Unidos e pouco mais de US$ 11,7 milhões nos outros países em que já estreou. Ou seja, até o momento, fez pouco mais de US$ 42,3 milhões. Uma boa bilheteria, mas nada extraordinário também.

Esse filme é uma coprodução dos Estados Unidos e do Reino Unido – esse último, o país natal de Martin McDonagh. Por ser um filme dos Estados Unidos, também, Three Billboards atende a uma votação feita há tempos aqui no blog e que pedia produções desse país por aqui.

Os usuários do site IMDb deram a nota 8,3 para esta produção, enquanto que os críticos que tem os seus textos linkados no Rotten Tomatoes dedicaram 259 textos positivos e 19 negativos para Three Billboards, o que garante para o filme uma aprovação de 93% e uma nota média de 8,6. Tanto a nota do IMDb quanto a do Rottent Tomatoes estão excelentes para o nível de exigência dos dois sites. O que demonstra como Three Billboards caiu no gosto popular e da crítica.

CONCLUSÃO: Quantos filmes em que um personagem foi buscar a justiça pelas próprias mãos você já assistiu? Será, realmente, que é esse tipo de filme que ainda faz sentido para a gente? Three Billboards Outside Ebbing, Missouri parece desarmar algumas bombas e mostrar que, apesar da indignação e da raiva serem combustíveis que podem ser bem utilizados, em algumas situações, é o perdão e a busca da compreensão do outro que realmente podem fazer a diferença. Um filme inteligente, com belas interpretações e com um final em aberto que deixa o desfecho ao gosto do freguês. Produção importante que caminha por trilhas já conhecidas mas que desvirtua alguns conceitos para fazer o público pensar.

PALPITES PARA O OSCAR 2018: Three Billboards Outside Ebbing, Missouri, é um dos filmes favoritos para a premiação da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood. Pelas indicações que já recebeu, em diferentes premiações, esse filme tem grandes chances de ser indicado em pelo cinco categorias das principais do Oscar 2018: Melhor Filme; Melhor Diretor, para Martin McDonagh; Melhor Atriz, para Frances McDormand; Melhor Ator Coadjuvante, para Sam Rockwell; e Melhor Roteiro Original.

Além destas categorias, o filme poderá concorrer ainda em outras mais “técnicas”, como Melhor Edição e Melhor Trilha Sonora. Ou seja, se o filme tiver um bom lobby, ele pode concorrer em até sete categorias. Mas em quantas ele realmente tem chances de ganhar? Essa pergunta já é um pouco mais difícil, porque tudo vai depender do potencial vencedor que cada um dos principais concorrentes desse filme terá na reta final da disputa.

Sem dúvida alguma os adversários a serem batidos são The Shape of Water, Dunkirk, Get Out e Lady Bird, com destaque para o primeiro e o último, que parecem estar crescendo nessa reta final para o Oscar. As maiores chances de Three Billboards Outside Ebbing, Missouri, parecem estar nas categorias Melhor Atriz, Melhor Ator Coadjuvante e, correndo um pouco atrás nestas outras duas, Melhor Filme e Melhor Roteiro Original. Só espero que o filme não saia da premiação de mãos abanando, porque ele merecia ao menos algum reconhecimento.

Entre os filmes que eu já vi, sem dúvida prefiro Three Billboards Ouside Ebbing, Missouri do que o “badalado” pela crítica Lady Bird. Ainda preciso ver The Shape of Water, mas entre os filmes que eu já assisti, eu não me incomodaria de I, Tonya ou Get Out surpreenderem, junto com esse Three Billboards Outside Ebbing, Missouri. Para o meu gosto, estes foram os melhores filmes que eu vi nessa temporada do Oscar.

Agora, levando em conta as bolsas de apostas e o meu gosto, eu diria que Three Billboards é o filme que está despontando como o meu favorito. Pelo andar da carruagem, apenas o filme do Guillermo del Toro pode desbancar a minha preferência pela produção de McDonagh. Estou curiosa para assistir a The Shape of Water e, em menor grau, aos outros filmes cotados para o Oscar. Veremos se algum deles vai mudar a minha preferência. 😉